Billie Eilish e sexo virtual são tópicos em novo single de Caetano sobre internet e algoritmos

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* De tempos em tempos, Caetano Veloso manda uma canção com pique de tese sobre algum assunto. Bossa nova, comunismo, violência, política. O pensamento crítico de Caetano está em suas canções.

Em “Anjos Tronchos”, primeiro single do seu novo álbum, “Meu Coco”, previsto para outubro, o alvo da tese são os algoritmos e a tecnologia que moldam o nosso mundo atual. Partindo do ponto de vista de uma pessoa que não é especialista no assunto, Caetano se arrisca pelo tema por diversas frentes em versos curtos, onde tem dar conta de quase tudo ao mesmo tempo – como é de seu estilo.

Na canção, lançada nesta sexta, vai do tom crítico aos donos do Vale do Sícilio (“Anjos já mi, ou bi, ou trilionários/ Comandam só seus mi, bi, trilhões”) até a potência violenta de um post (“Um post vil poderá matar/ Que é que pode ser salvação?”), ao passo que elogia fenômenos que só existem por conta da internet, seja na poesia (“Mas há poemas como jamais”) ou seja na Billie Eilish. Sim, ela mesma, Miss Eilish. (“E enquanto nós nos perguntamos do início/ Miss Eilish faz tudo do quarto com o irmão”).

Também passa pelo questionamento das mobilizações online (“Primavera Árabe, e logo o horror”) até a ascensão de líderes fascistas que aconteceu em parte pela internet (“Palhaços líderes brotaram macabros/ No império e nos seus vastos quintais”).

Em uma espécie de ponte da música, Caetano descreve uma relação sexual virtual. “Ah, morena bela, estás aqui/ Sem pele, tela a tela, estamos aí”. Os versos não revelam exatamente se Caetano aprova essa experiência, mas é interessante ve-lo tocar no assunto sabendo do seu interesse por sexo – tema sobre o qual escreveu longamente em “Verdade Tropical”. “O que importa é ter os caminhos para o sexo rico e intenso abertos dentro de si”, diz num verso.

E isso para ficar em interpretações rápidas sobre alguns dos assuntos contemplados na música. Logo as teses sobre a tese vão aparecer. Até porque nem chegamos na questão central da canção nova: algoritmos nos moldam ou moldamos eles?

Sonoramente, a produção em dupla de Caetano com o jovem Lucas Nunes dá jogo ao trazer a presença marcante do guitarrista Pedro Sá e um rápido momento percussivo tocado por Pretinho da Serrinha, um toque rápido que aparece quando Caetano relembra versos de “Alegria, Alegria”. Se isso adianta a sonoridade do álbum como um todo, é cedo para saber. Fato é que o longo silêncio de novidades do Caetano desde “Abraçaço” (2012), fora algumas poucas inéditas em projetos ao vivo ou de colegas, foi quebrado de maneira espetacular. Segue afiado.

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  • mau2sou@gmail.com

    Agora, esta porra do Caetano quer ser Indie, desculpe mas não dá…sanguessuga da musica…