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O último show da história do Beastie Boys. Com transmissão liberada só até este domingo

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* No dia 12 de junho de 2009, no Tennessee, o lendário trio Beastie Boys faria seu show headliner no Bonnaroo Festival sem saber que aquele seria a última vez que Mike D, Ad-Rock e MCA se apresentariam juntos, depois de quase 30 anos sem se desgrudar. MCA, o nome artístico de Adam Yauch, receberia a notícia de que tinha câncer na glândula salivar a banda anunciaria que ia parar suas atividades em público, durante o tratamento de seu integrante.

Em maio de 2011, a banda lançou o álbum Hot “Sauce Committee Part Two”, mas não faria show nem daria entrevistas. Yauch morreria dali um ano, em maio de 2012.

Esse show final dos Beastie Boys no Bonnaroo 2009 está sendo retransmitido em streaming, de forma gratuita, neste final de semana, no canal de Youtube do festival americano. Na segunda-feira, estará fora do ar.

Este concerto especialíssimo foi atração do canal do Bonnaroo no Youtube na quinta à noite e teve um acesso muito grande. “Muitos fãs do mundo inteiro disseram que tiveram dificuldades no acesso à transmissão na quinta, então nossos amigos do Bonnaroo liberaram a transmissão neste final de semana”, avisou o Twitter dos Beasties.

O Bonnaroo aconteceria por estes dias, não fosse o mundo ter parado por conta do covid-19, e reprogramou algumas atrações para não deixar a data passar batida.

Este show derradeiro dos Beastie Boys teve uma hora e meia de duração e trouxe músicas dos discaços “Ill Communication”, “Check Your Head” e “Hello Nasty”. O rapper Nas participa do show, ajudando na cantoria da música “Too Many Rappers”, do último álbum.

Confira o último show da vida dos Beastie Boys. Ou o último show dos Beastie Boys das nossas vidas.

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CENA – Tim Bernardes conta como foi parar no disco novo do Fleet Foxes

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* Um dos discos indies mais bonitos do ano é “Shore”, da banda americana Fleet Foxes, hoje mais um projeto pessoal do figurinha Robin Pecknold, o guitarrista e vocalista indie-tenor do grupo de Seattle.

“Shore”, um álbum indie-geografia lançado nesta semana, está cheio de convidados bacanas: o Hamilton Leithauser, ex-vocalista dos Walkmen, o bombado Kevin Morby e Daniel Rossen, do incrível Grizzly Bear. E o brasileiro Tim Bernardes, de O Terno, cantando um trecho em português!!! Tim empresta sua voz na bela “Going-to-the-Sun Road”.

Chamamos o Tim Bernardes para explicar para nós como ele foi parar neste quarto álbum do Fleet Foxes. Ainda por cima cantando em português. Ele contou para a gente. Fala, Tim!

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“Seguinte: sempre fui fanzaço do Fleet Foxes. Muito mesmo. Gostava muito dos dois primeiros discos. Daí eles ficaram um tempão parados [de 2011 a 2017]. Quando eles voltaram no terceiro álbum, com o Çrack-Up’, foi um motivo de comemoração lá nO Terno. Os meninos também gostam muito da banda.
Mais recentemente, no ano passado, seguindo o Robin Pecknold no Instagram, a gente começou a trocar mensagens, um responder ao outro. Fui descobrir que ele gostava do ‘Recomeçar’, meu solo, e do ‘atrás/além’, dO Terno. A gente trocou umas ideias, no ano passado, porque ele tava numas de música brasileira. Trocamos umas playlists.
Aí neste ano, já no meio da pandemia, eu sabendo que ele estava trabalhando neste novo disco já tinha uns dois anos, ele me perguntou se eu queria participar, cantar em alguma música, em português mesmo.
Aí ele mandou uma música que ele imaginava eu participando e me mandou uma versão crua do disco. Ele me disse para eu olhar o disco todo também, para ver qual canção eu acharia que caberia para mim. Acabou que ‘Going-to-the-Sun Road’ nem era a música que ele tinha sugerido para mim, de início. Mas que, quando eu ouvi, depois até de trabalhar na outra música, mexeu muito comigo e tinha esse final, com sopros, que eu sentia que encaixava no que eu estava imaginando.
Na hora, então, eu criei essa letra, a parte em português, de um modo bem fluido. Mais fácil que na outra musica sugerida, que eu gastei um tempo pensando como eu encaixaria a letra. Foi na hora. Veio muito fácil com ‘Going-to-the-Sun Road’.
Depois, conversando com ele sobre a participação, o resultado e tal, ele me disse que tinha as músicas mas não tinha muitas letras do disco, até que uma hora começou a vir tudo. Achei bastante coincidência.
Aí quando eu criei a letra em português a gente foi se falando por mensagem, no Instagram. Gravei e mandei pra ele, que estava no estúdio com o engenheiro de som finalizando o álbum. Isso faz uns dois meses. Ele finalizou muito rápido. E então esse meu trecho pro final de ‘Going-to-the-Sun Road’ acabou entrando mesmo e eu fiquei muito feliz. Eu acho ele um dos melhores músicos, cantores, compositores dessa geração, até transcendendo a cena indie atual. As músicas do Fleet Foxes ainda vão ser bonitas daqui uns 20, 30 anos.
Eu fiquei muito animado ainda porque é uma turma muito massa que participa do ‘Shore’. Os caras do Grizzly Bear, o Kevin Moby…
Basicamente foi isso.”

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Here’s the thing: as incríveis apresentações de Sports Team e Porridge Radio no Mercury Prize 2020

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* Nesta semana aconteceu em Londres, do jeito que deu para acontecer, meio na internet meio no rádio, a cerimônia do Mercury Prize, um dos mais honestos e legais prêmios da música britânica. A premiação, que acontece desde 1992 e só tem uma categoria, a de “disco mais relevante do ano”, teve o “Screamadelica” do Primal Scream como o primeiro vencedor.

O Popcast, o podcast da Popload, fala bastante nesta semana do Mercury Prize 2020 e de seu vencedor, o espetacular Michael Kiwanuka e seu discaço homônimo, ele que anda até com envolvimentos obscuros com a misteriosa banda Sault. Merecidaço. O episódio já está no ar.

Mas à reboque do prêmio tem as apresentações especiais para a ocasião. Foram muitas bem boas. Mas sacamos aqui duas delas, de bandas que a gente paga um tributo lascado e lançaram discões também neste ano: Sports Team (foto na home) e Porridge Radio (foto acima).

Eu juro que não ia ficar chateado se o Sports Team levasse o Mercury.

Deixamos ambas aqui embaixo, para sua degustação:

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Aceite o agora. Saiu o disco novo do Idles. E você com isso tudo?

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* Bom, f*deu! Saiu o novo disco do Idles. Mas e você com isso?

“Ultra Mono”, o terceiro disco do grupo que lidera o importante movimento pós-punk britânico (inclua aqui os irlandeses, por favor) que, ao lado do hip hop britânico, o grime e suas variantes, há alguns anos vem pontuando música vigorosa, postura política, consciência social e os melhores shows ao vivo do planeta.

“Ultra Mono” é a aceitação do agora, diz o vocalista Joe Talbot. Porque não tem mais como sermos os mesmos. Os mesmos do primeiro ou do segundo álbum do Idles, por exemplo. Não dá para concordar mais.

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É preciso escolher suas guerras de 2020 em diante. Pegar o bonde da história. E não à toa a primeira música de “Ultra Mono” se chama “War”.

O Idles sempre foi uma banda de guerreiros. O show da banda no Glastonbury de 2019 mostrou isso. A música pró-imigrantes e anti-Brexit “Danny Nedelko” mostrou isso. A contundente “Mother”, sobre mãe, mulher, abusos, violências de masculinidade tóxica, mostrou isso.

Qual é a guerra do Idles desta vez, com o disco novo?

“O álbum é uma engrenagem de tudo o que não podemos controlar: nossa raça, nossa idade, nossa classe social e nosso passado. Tudo isso na forma do que podemos controlar absolutamente: nossa música, nosso agora”, é o comunicado oficial, um “recadinho pra galera” direto e reto que Talbot postou na home do site oficial do Idles.

Idles, não tem jeito, é uma banda catártica. E eles precisam serem catárticos para comportar as músicas urgentes e honestas que fazem.

É punk, é pós-punk. Cheira a novo mas carrega todo o DNA do melhor do gênero britânico desde 1976.

O Idles é de Bristol, Joe Talbot é rouco, ninguém da banda toca parado, nenhuma guitarra é econômica, a bateria não alivia. É porradaria o tempo todo. Não espere músicas “trabalhadas” e calmas e de poesia como as do excelente Fontaines DC. É outro rolê.

Sim, tem “A Hymn”. Mas não dá para chamar isso de “respiro” do barulho, de “a música lenta do disco”, porque ela desperta algum desespero nosso que faz as músicas do Joy Division parecerem canções de amor. Essa é para ouvir vestindo um casaco preto longo de inverno e se imaginar num show do Cure nos 80. Em um encontro de fãs do Sisters of Mercy.

Pensa na última revolução musical que a gente teve, de algum porte. Strokes e White Stripes 2001. Pensa naquele mundo. Pensa no mundo de hoje. Pensa nos Strokes hoje. Lembra semanas atrás quando o Idles pegou o hino “Reptilia” dos Strokes e destruíram, desmontaram toda ao transformar em algo para hoje? E teve galera na internet que não aceitou. Então, é a coisa de aceitar o agora.

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Você já conhecia vários singles deste disco novo do Idles, você viu pelo menos no Youtube algumas novas nos shows do Abbey Road. “Ultra Mono” é brutal talvez mais que “Brutalism” o primeiro disco dele. Mas dentro desta brutalidade está o melhor dos discos do Idles até agora, o mais bem costurado, mais apontando caminhos, o mais universal.

Com “Ultra Mono”, o Idles não vai salvar a humanidade, mas vai derramar através de seu som algum sangue jovem bom nas batalhas que precisam ser travadas. As do agora, as minhas, as suas, as deles. E, se a humanidade quisesse ser salva, “Ultra Mono” seria um caminho.

Você já sentiu. Na capa de “Ultra Mono”, a bola é o mundo hoje. O cara da cara esborrachada é a gente.

Ouve lá “Reigns” e “Carcinogenic”, por exemplo, fora dos “hits” do disco novo. E você vai entender. Ouve “Ultra Mono” todo, sem tirar. Ouça Idles.

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CENA – Aiaiaiaiaiai. A música nova da Luedji Luna é uma onda que nos leva

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* Três anos após o aclamado álbum de estreia “Um Corpo no Mundo”, que a levou inclusive ao Popload Festival do ano passado, a cantora e compositora baiana Luedji Luna revelou na entrada desta sexta-feira sua nova música, “Bom Mesmo É Estar Debaixo D`água”, que vai dar o nome ao disco cheio, seu segundo, que sai em outubro. E o single, sim, veio com vídeo.

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A música, composta por ela em parceria com François Muleka, é sobre afeto, sobre respeitar o tempo do outro, o ritmo do outro, segundo a cantora. “Eu danço a dança das tuas marés; Eu danço a tua dança”, ela canta.

O vídeo, abaixo, foi filmado numa praia baiana deserta, durante a gestação da Luedji. “Ele retrata a continuidade da vida, assim como as ondas do mar”, ela explica.

Em tempos assim, indo no ritmo da Luedji, dançando a dança dela, é o melhor a fazer.

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