Em Blog:

Sensorial banda inglesa Gorillaz abre a etapa brasileira com show lindo para os olhos e melhor ainda para os ouvidos

>>

* A banda-cartoon cada vez menos cartoon e mais real Gorillaz tocou neste domingo em São Paulo, como atração principal do festival Mita, que aconteceu na Spark Arena, na Vila Leopoldina. Na quarta-feira, o grupo inglês liderado pelo grande Damon Albarn se apresenta em Curitiba, no Paraná. E no fim de semana volta a estrelar o novo festival, desta vez em sua etapa carioca, tocando no Jockey, no Rio, no sábado 21.

A moderníssima banda de Damon Albarn (por um acaso o vocalista do outrora poderoso porém ainda vivo Blur) continua avançada para o seu tempo, passeando por estilos vários com um sentido pop absurdo e inesgotável e de quebra botando até o De La Soul para nos brindar com uma apresentação dentro da apresentação. Cheia de hits, cheia de experimentações e contando com as presenças virtuais de gente como os astros Elton Johan, Robert Smith e o rapper Slowthai.

Bonito para os olhos, lindo para os ouvidos.

Selecionamos alguns dos principais momentos do Gorillaz, no show de ontem no Mita, em vídeos de galera. Inclusive com o hit “Feel Good Inc.), uma das músicas que contou com os caras do De La Soul.

>>

Lá vem o Ty Segall com mais um sonzinho delícia (e um saxofone no meio). Ouça a nova “Saturday Pt. 2”

>>

Foto: Denée Segall

Foto: Denée Segall

Sujeito que faz um disco novo a cada título do Palmeiras – ou seja, muitos a cada ano (cóf) – o imparável Ty Segall liberou mais um recorte sonoro de seu novo disco, “Hello, Hi”, que foi anunciado mês passado com a faixa que dá título ao projeto.

O novo single de Segall é “Saturday Pt. 2” e tem até saxofone, tocado pelo músico Mikal Cronin.

Grande parte do novo álbum foi gravado por Ty Segall em seu estúdio caseiro e é seu primeiro álbum de estúdio de carreira (podemos dizer assim) desde “Harmonizer”, que foi lançado de surpresa ano passado. No meio dos dois ele lançou a trilha sonora “Whirlybird”, em fevereiro passado. Tá vendo como ele…

“Hello, Hi” será lançado oficialmente dia 22 de julho. “Saturday Pt. 2” pode ser ouvida abaixo, no lyric video fofinho.

>>

Parquet Courts tocando punk, indie e psicodelia numa session só, para a rádio KEXP

>>

* Liberaram no final de semana a session toda da banda nova-iorquina Parquet Courts para a rádio indie-linda KEXP, de Seattle, e aqui estamos nós para reverberar a parada. O programa foi gravado no finalzinho de abril, há quase um mês.

Foram quatro músicas em performance, praticamente todas de seu mais novo álbum, o ótimo “Sympathy for Life”, lançado em outubro do ano passado. “Praticamente” porque a primeira executada foi a especialíssima “Watching Strangers Smiles”, que não entrou no disco mas foi lançada quase junto de um modo peculiar. Era para a música ser faixa de “Sympathy for Life” mas estava inacabada na hora de o disco começar a ser fabricado e foi só entrar em edição do vinil japonês, como bônus. E foi tocada em primeira mão, antes de o álbum sair, num programa de rádio japonês. Obviamente, já é hit de shows ao vivo.

Além desta, tocaram ainda a absurda “Walking at a Downtown Pace”, a club-rock psicodélica “Plant Life”, de DEZ MINUTOS, e por fim a punk “Homo Sapien”. Só maravilhas.

Tudo aqui embaixo, em vídeo que contém ainda uma entrevistinha.

>>

Wet Leg promove a volta do programa do Jools Holland, agora na 60ª temporada. A Cat Burns também se apresentou

>>

* Sábado passado marcou a volta à TV inglesa do programa do grande apresentador e músico Jools Holland. O “Later… with Jools Holland” entrou em sua temporada de número 60 e contou como atração principal a banda Wet Leg, queridinha do indie atual. O programa da BBC Two agora passou a ser gravado no reformadaço Alexandra Palace Theatre, complexo de shows enormes em algumas de suas salas amplas que era “casa de veraneio” da rainha.

O grupo da Ilha de Wight, que ganhou destaque na introdução da banda pelo Jools Holland, fez as performances de seus hits “Wet Dream” e “Ur Mum”, ambas do disco de estreia do grupo comandando pelas ladies Rhian Teasdale e Hester Chester, o álbum “Wet Leg”. Lançado no comecinho de abril e que foi direto para o primeiro lugar no chart britânico de mais vendidos.

Em “Ur Mum” eles protagonizaram o mais longo grito característico da música, o momento loucurinha quando eles se apresentam ao vivo. Rhian avisou antes do berro, que contou com a garganta de todo mundo da banda.

Foi a segunda vez que a Wet Leg se apresenta para o Jools Holland. Em novembro passado, no auge do hype, foi convidada a mostrar a praga musical “Chaise Longue”.

Outras atrações do primeiro “Later…” da nova temporada teve o nigeriano Obongjayar, que aparece colaborando em músicas dos maravilhosos Little Simz e Pa Salieu; o guitarrista de blues americano Joe Bonamassa; e a londrina incrível Cat Burns, que foi pela primeira vez ao programa cantar sua pequena pérola “Go”, superveiculada nas rádios inglesas boas atualmente.

Botamos a Cat Burns de brinde debaixo das duas performances da Wet Leg.

<

Top 50 da CENA – A semana (ou 30 semanas) é de Rico Dalasam. Criolo chama Ogum no segundão. Jamelão dialoga em terceiro

Banner_Cena

* Se a semana na gringa deixou difícil escolher um primeiro lugar, as coisas foram bem parecidas por aqui na confecção deste ranking nacional. Bom, como a gente não cansa de afirmar, isto aqui não é disputa: é “só” a nossa vitrine para exaltar este momento belíssimo da música brasileira. Tem rap, tem MPB, tem forró de vaquejada e tem metal também. OK?

ricotopquadrada

1 – Rico Dalasam – “30 Semanas” (Estreia)
Rico Dalasam começa a apresentar seu novo trabalho. “Fim das Tentativas” será o sucessor do espetacular “Dolores Dala Guardião do Alívio”. O primeiro single do novo álbum é uma canção sobre a superação de uma separação dolorida. Afinal, 30 semanas de chororô. Nas palavras de Rico, a música feita em 2018 retoma sua aproximação da canção popular. Nas nossas palavras, parece uma ponte muito interessante que Rico encontrou entre seu material mais recente e sua fase mais pop, ali em 2017, com “Balanga Raba”. Com um detalhe novo que é o refrão, que tem um punch que poderia ser de um pagode estourado em todas as rádios e rodas de samba. Passado apontando para o futuro. Seja na proposta da música, seja na temática da letra. Interessante. E chegou com um vídeo lindíssimo.

2 – Criolo – “Ogum Ogum” (com Mayra Andrade) (Estreia)
Em “Sobre Viver”, seu quinto disco de inéditas, Criolo faz não só um preciso diagnóstico da situação brasileira, mas também encontra a cura para o momento difícil: amor, educação e arte. Parece pouco e parece simples, mas Criolo confia que cada palavra dessas resolve problemas gigantescos. Primeiro que não é pouco. Essas três chaves são capazes de acabar com tanta desesperança, fome, violência e racismo. Simples não é. Porque o mundão está aí combatendo justamente o amor, a educação e arte. Em alguma medida, parece que a experiência pessoal de Criolo prova um pouco de sua tese. Sua música ao oferecer tudo isso foi ao mundo e seu mundo mudou um tanto. “Ogum Ogum” traz essa fé em uma saudação a Ogum que confia no povo brasileiro essa esperança, aqui contra a intolerância religiosa. É um passo que mudaria tudo. Criolo é profundo.     

3 – Thiago Jamelão – “Diálogo sobre Vivência” (Estreia)
Thiago Jamelão é um dos principais parceiros de Emicida em “Amarelo”, álbum que apresentou uma nova perspectiva musical na carreira do rapper. Um tanto dessa parceria de sucesso reaparece agora em algumas canções do primeiro EP solo de Thiago, que ainda dá espaço para que ele se apresente sozinho e com outras junções musicais. Esse bonito encontro da dupla ressoa melhor ainda nesse som que conta um pouco da trajetória de Thiago, que começou na igreja no Centro-Oeste do país, passa por Brasília em bandas de rock e chega até São Paulo, onde encontra com Emicida. Uma música que nasceu em um almoço de dia dos pais.

4 – João Gomes – “Me Adora” (Estreia)
“Tem música que fica marcada no coração”, anuncia João Gomes antes de entregar uma versão daquele que é o maior sucesso da carreira de Pitty, uma das muitas surpresas de seu novo álbum. “Digo ou Não Digo” é o trabalho que aproxima o rei da vaquejada de diversas outras vertentes estouradas da música brasileira, seja o trap, pop ou MPB. Tudo isso sem perder sua essência, que pode ser encontrada em detalhes muito sutis, como os constantes agradecimentos e falas que João faz ao longo do álbum, como se estivessem em um show. Construção, conceito, tudo muito cuidadoso. 

5 – Black Pantera – “Estandarte” (com Tuyo) (Estreia)
“Antes que os beats e as batidas cessem, dance!/ Antes que calem sua voz, questione, cante!/ Antes que o amor se acabe, beije, cuide, transe!”. É nessa ideia que chegam os mineiros do Black Pantera, uma das bandas de heavy metal mais responsas do Brasil hoje. Seu novo álbum, “Ascensão”, é uma pancada sonora na ideia certa e no som, que abre um inusitado espaço para a sempre tranquila turma da banda paranaense Tuyo em um disco de metal. E ficou lindo.

6 – Ratos de Porão – “Necropolítica”(Estreia)
E, por falar em metal, o Ratos retoma a produção de inéditas após quase dez anos sem novidades em sua tradicional mistura de punk, harcore e metal que já rendeu mais tretas em tempos mais puristas. Na ideia, bater na ascensão fascista recente que colocou o Brasil nessa dança que canta “Foda-se a vida”. É um pouco do que o Gordo comentou em entrevista aos nossos parças do Scream&Yell: “É o que acontece aqui no Brasil: o governo escolhe quem deve morrer e quem deve viver. Segundo esse camaronês aí, isso é necropolítica. Aquele Witzel (Wilson, governador do Rio de Janeiro) ou no país inteiro. Os ricos vivem, e os pobres morrem. O que aconteceu, realmente, foi um genocídio programado para matar os pobres, os negros, os gordos e os velhos. Isso está explícito. Não sei como as pessoas não percebem isso”.

7 – Elza Soares – “Meu Guri” (1)
Elza Soares se encontrou muitas vezes com “Meu Guri”, canção de Chico Buarque, ao longo de sua carreira. O “match” mais recente foi pouco antes do dia 20 de janeiro. Ela interpretou “Meu Guri” no Teatro Municipal de São Paulo para um DVD ao vivo. Elza não estava sozinha. Ao seu lado, o pianista Fábio Leandro. Entrega intensa em cada nota, em cada olhar dividido pelos dois. Sem ar de despedida. Afinal, seu tempo é agora.

8 – N.I.N.A. – “Anna” (2)
Muito massa ver o sucesso do álbum de estreia da N.I.N.A. Artista do Rio de Janeiro, Cidade Alta, N.I.N.A. chamou atenção pelo singles, por sua pesquisa musical e sua história. Em 2020, ela contou para a “Rolling Stone” um pouco desse processo: “Deixei de ser a Nina que eu sou para virar a Nina acadêmica, que sempre tinha que estar dando o melhor para ser aceita. Eu meio que tinha me perdido em toda aquela fantasia”. Esse reencontro está presente em “Pele”, seu primeiro álbum, onde ela se apropria sem medo do drill, gênero mais atrelado aos caras e à temática da violência. Da faixa “Anna”, seu nome, até “N.I.N.A.”, seu nome artístico, ela abre uma papo sem firula sobre sua história, sexo, rolê e outras “cositas más”. Se os fãs estavam ansiosos pelo lançamento, imagina ela e sua espera bem mais longa: “24 anos para ser eu sem medo”, escreveu no Instagram.

9 – Tim Bernardes – “Nascer, Viver, Morrer” (3)
Tim Bernardes, um terço da banda O Terno, dá o primeiro passo em direção ao seu segundo álbum solo, enquanto se apronta para passar um tempo pelos Estados Unidos em turnê abrindo para o famoso grupo indie Fleet Foxes. Ele vai ser a atração inicial nada mais nada menos que 17 shows da banda americana pela Costa Oeste. Na primeira amostra do novo trabalho, Tim segue com seu jeito bem particular de optar por uma confecção sonora que respeita muito uma certa descompressão. É sua recusa em participar da guerra por mais volume. Interessante que isso dialogue um tanto com a letra, que vai por um rumo mais filosófico sobre a vida.

10 – Saskia – “Quarta Obra” (4)
“Quarta é um martelo nas paredes, é as cinzas do reprocesso e realocação da criatividade. Uma mistura das dimensões, salpicada de ironia, marinada no conforto. Para desentupir todos os desejos afogados, hackear o deboche do grito isolado”. Bem que a gente queria ter essa habilidade para descrever o som da Saskia, mas a belíssima descrição é da própria Saskia, que chega arrebentando no conceitual EP surpresa “Quarta”.

11 – Rashid – “Pílula Vermelha, Pílula Azul” (5)
12 – Otto – “Tinta” (6)
13 – Assucena – “Ela (Citação a Menina Dança)” (7)
14 – Emicida – “Gueto” (8)
15 – Dieguito Reis – “Decolagem” (9)
16 – Amen Jr. – “Mysterio” (10)
17 – Walfredo em Busca da Simbiose – “Netuno” (14)
18 – Gorduratrans – “Enterro dos Ossos” (15)
19 – Gabriel Ventura – “Nada pra Ensinar, Muito pra Aprender” (16)
20 – AIYE – “Isadora” (17)
21 – Lupe de Lupe – “Brasil Novo” (18)
22 – Holger – “Beaver” (19)
23 – Glue Trip – “Lazy Days” (com Arthur Verocai) (20)
24 – Sérgio Wong – “Filme” (21)
25 – Radio Diaspora – “Ori” (22)
26 – Anitta – “Maria Elegante” (com Afro B) (23)
27 – Devotos – “Periferia Fria” (com Criolo) (24)
28 – UANA – “Vidro Fumê” (25)
29 – Cícero – “Sem Distância” (26)
30 – Karol Conká – “Fuzuê” (28)
31 – Florais da Terra Quente – “Suco de Umbu” (com Chapéu de Palha) (29)
32 – Narcoliricista – “Bem Pertin” (30)
33 – Marina Sena – “Temporal” (31)
34 – LAZÚLI – “Pomba Gira” (32)
35 – Maglore – “A Vida É uma Aventura” (33)
36 – Valciãn Calixto – “Aquele Frejo” (34)
37 – Helo Cleaver – “Café com Leite” (35)
38 – Messias – “Avenida Contorno” (36)
39 – Labaq – “Dóidóidói” (37)
40 – Pabllo Vittar e Rina Sawayama – “Follow Me” (38)
41 – Jota.pê – “Preta Rainha” com Kabé Pinheiro e Marcelo Mariano (39)
42 – Dududa – “Vou Seu” (40)
43 – Luneta Mágica – “Além das Fronteiras” (41)
44 – Vanguart – “Amor” (42)
45 – HENRI – “Coração de Plástico” (43)
46 – Agnes Nunes – “Não Quero – A COLORS SHOW” (44)
47 – Diogo Strausz – “Deixa a Gira Girar” (45)
48 – Zudizilla – “Oya” (46)
49 – Coruja BC1 – “Auxílio Emergencial do Rap” (47)
50 – Duda Beat – “Dar uma Deitchada” (48)

*****

*****

* Entre parênteses está a colocação da música na semana anterior. Ou aviso de nova entrada no Top 50.
** Na vinheta do Top 50, o rapper-cantor Rico Dalasam, sob foto de Larissa Zaidan.
*** Este ranking é pensado e editado por Lúcio Ribeiro e Vinícius Felix.

>>