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Popnotas – A vida do Mancha após o fim da Casa do Mancha. A session do Middle Kids no ar daqui a pouco. O Anderson …Pack reimaginando o Paul McCartney. E o single-cover do Black Keys

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– Uma das notícias mais terríveis do cenário independente brasileiro na pandemia foi o fechamento da importantíssima Casa do Mancha, meses atrás. Lar (mesmo) da nova música da CENA, o clubinho da Vila Madalena, em SP, não conseguiu mais ser mantido de pé por seu criador, Danilo Leonel, o Mancha. A boa nova que acaba de ser anunciada foi que Leonel foi convidado oficialmente para ser o novo coordenador de Centros Culturais e Teatros de SP, pelo secretário municipal da Cultura de SP, Alê Youssef, ex-dono de outro templo importantíssimo para a CENA, o há tempos extinto Studio SP, do Baixo Augusta. A história é que o Mancha vai ajudar também a pensar o circuito cultural paulistano na retomada do setor quando tudo isso acabar.

– Daqui umas horinhas (acompanhe a contagem regressiva no vídeo abaixo) entra no ar uma session de três músicas que o trio australiano Middle Kids fez para a The Current, rádio indie esperta de Minneapolis, Minnesota, que a gente gosta bem. A banda de Sydney vai tocar “Stacking Chairs”, “R U 4 Me?” e “Questions”, músicas de seu recém-lançado segundo álbum, “Today We’re the Greatest”. Recomendamos.

– Enfim saiu hoje “McCartney III Imagined”, o álbum “III” de Paul McCartney construído com remixes e covers de todas as músicas do disco original, lançado no ano passado. Tem versões mccartianas de Josh Homme (Queens of the Stone Age), Ed O’Brien (Radiohead), Beck, St. Vincent e Damon Albarn (Blur e Gorillaz), entre outros. Abaixo, a esperta interferida que o músico americano Anderson .Paak deu em “When Winter Comes”, levando o Paul para um ooooooutro lugar.

– No dia 14 de maio sai o novo disco do duo americano The Black Keys (foto na home), banda de Ohio que até já foi headliner do Lolla Brasil uma vez, num certo dia de 2013. “Delta Kream” é o álbum, que foi feito numa “sentada” de dez horas de estúdio com o objetivo de honrar as tradições do hill country blues do Mississippi, de onde o duo parece beber mesmo com seu indie-country. Hoje foi lançado o primeiro single de “Delta Kream”, a música “Crawling Kingsnake”, que na real é uma cover de John Lee Hooker.

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O saudoso Joey Ramone e o dia em que botaram xixi na cerveja do Johnny Rotten, dos Sex Pistols. E ele bebeu felizão

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* Old, but gold.
Ainda na esteira do aniversário de 20 anos da morte do graaaaaaaaaaaaande Joey Ramone, vocalista e letrista dos Ramones, que nos deixou no estúpido 15 de abril aos 49 anos, vítima de um tumor canceroso enquanto ouvia uma música do U2. O apresentador americano Conan O’Brien, em seu canal no Youtube, resgatou uma entrevista que fez com Joey em 1999, que vale muito ser revisitada.

Nela, além de falar sobre punk inglês e punk americano e como as pessoas o achavam um alienígena em Nova York quando os Ramones começaram, o vocalista lembrou uma zoeira que fizeram com o inglês Johnny Rotten, dos Sex Pistols, a banda “rival” dos americanos na época.

Envolvendo xixi na cerveja.

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Indo além do que foi falado no papo com o Conan O’Brien na entrevista que você vê abaixo, conta a história que quando os Ramones foram tocar pela primeira vez na Europa, no verão de 1976, rolou um show em Londres. A apresentação aconteceu na linda Roundhouse, em Camden Town, tipo dois meses depois do lançamento do disco de estreia da banda. Ele abriram para os Stranglers, famooooso grupo punk inglês da efervescente época. Outro grupo punk britânico estava no line-up, o Flamin’ Groovies.

Quando o show acabou, no backstage da Roundhouse, apareceu Johnny Rotten, dos Pistols, para conhecer os Ramones, beber uma cerveja com eles. Mas…

Está no histórico livro punk “Please Kill Me”, de Legs McNeil e Gillian McCain, contado por Dee Dee Ramone. Os Ramones tinham uma maniazinha de providenciar umas gotas de xixi na cerveja dos outros em camarins, de zoeira.

Na Roundhouse, pensaram: por que não zoar o Johnny Rotten. E assim foi feito. Naquele show de 1976 em Londres o vocal dos Sex Pistols tomou uma cerveja aromatizada com urina do Johhny Ramone, que recebeu o inglês em nome da banda, se mostrou entusiasmado em conhecê-lo e o levou para dentro do camarim para oferecer-lhe a cerveja batizada. Que ele tomou feliz, enquanto os Ramones doidos só olhavam um para o outro.

Essa história, não com a riqueza de detalhes, está contada aqui embaixo na TV americana por Joey Ramone, junto com algumas outras. É muito bom lembrar Joey e os Ramones.

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* “I Slept with Joey Ramone”, filme sobre Joey Ramone, está sendo produzido pela Netflix. O longa é baseado no livro publicado pelo irmão do vocalista, Mickey Leigh. Joey vai ser vivido pelo comediante e ator Pete Davidson.

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SEMILOAD – Conexão Belory Hills. Um olhar mineiro rápido sobre a rica cena mineira

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* Vira e mexe a Popload resvala em alguma boa coisa vinda de Belo Horizonte. Ou, para os criativos produtores da cena local, Belory Hills. Tem um hip hop bacana, vai ver, tá lá: da capital de Minas Gerais. Olha que indie-folk bonitaço, trabalhado profissionalmente: mineiro. Que banda indie barraqueira interessante, de onde é: BH. Festinha cool, coletivo esperto, selo inventivo, festival em apartamento, estúdio nas montanhas? A terra do Keno e do Hyoran tem. Daí que nos tocamos que temos a maior representante da cena mineira com olhar sobre o mundo pop aqui mesmo, na Popload. Ela, a “creative” mineira Dora Guerra, da newsletter Semibreve, nossa parceira semanal deste espaço aqui. Como estamos sentido bons ventos musicais vindo de Belo Horizonte, resolvemos perguntar, direto e reto. O que está pegando aí, Dorinha?

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Eu não sou natural de Belo Horizonte, nem completamente versada na música daqui. Demorou um tempinho (alguns anos) para que eu começasse a entender como a banda toca – mas quando eu descobri, a cidade se tornou outra.

Sinto que estou sempre correndo atrás de conhecer o que realmente acontece e alguém sempre me escapa: nos últimos anos, o que não falta é coisa nova e boa. Sempre com aquele jeitinho Belory Hills de ser – todo mundo é meio seu amigo, conhecido do seu conhecido ou inimigo do seu primo. Em BH, a regra dos seis graus de distância se torna um grau só.

Aqui não só não tem show, como já não tem mais casa: perdemos, entre outras coisas, a nossa querid’A Autêntica. Mas, de alguma forma, a música de BH não só resiste, comos consegue permanecer inventiva. E tem muita coisa gostosa surgindo.

Por isso (e a pedido do Lúcio), segue um pequeno tributo à música de cá – considerando só lançamentos de 2021, para ficar mais fácil. Tem para todo mundo. Olha só:

Para quem quer coisa nova (ou coisa velha com cara de nova), tem muito projeto incrível – muita música “daquele naipe”. Um deles é o Qnipe, um projeto de quatro músicos que dão uma carinha contemporânea e descolada a clássicos dos anos 2000. O resultado é impossível de ignorar. Tem que ouvir “Tremendo Vacilão”, com as talentosas Clara x Sofia, que é puro bom humor com vídeo gravado em Cyber Shot.

Aqui também tem festa para quem é de festa. A parte eletrônica da cidade vinha florescendo (às vezes aos trancos e barrancos, mas vinha!) e os rolês estavam transformando ex-indies em clubbers. Para apaziguar o coração de quem passava a noite na pixtinha, a festa e selo CurraL lançou a Curral01, primeira coletânea de música eletrônica autoral de Belo Horizonte. E tem faixa com nome de lugar, que acompanha uma imagem mental vívida das manhãs pós-festa no centro da cidade. Coisa com som de hoje, coisa com som de amanhã, e coisa com som oitentão, o que é superontem, hoje e amanhã.

Falando em beats: se você não conhece VHOOR (foto acima), tá perdendo. O produtor musical e beatmaker tem músicas que passeiam entre hip-hop e funk com influência de soul, jazz e até MPB anos 70. O menino é bom demais. Em 2021, ele lançou “Ritmo”, um álbum que vai até o afro-house e volta.

E aí se junta com FBC e o estrago tá feito: “OUTRO ROLÊ” é realmente outro rolê, um EP de rap que desce bem e acaba rápido demais. Com músicas feito “De Kenner”, que tem carinha de funk das antigas.

E, claro, tem banda para quem é de banda, também. Tem aos montes. A bem-indie Chico e o Mar, que estreou com o EP “sdds” há uns meses e já dá sinais de coisa fresquinha e promissora. Tem Moons, uma das maiores representantes de música-gostosa-para-contemplar-as-montanhas (vide música lançada hoje, “Love Hurts”). Tem a famosa Lamparina e a Primavera, que é bem brasilzêra – é MPB, mas tem sido bem funk também. E, na esteira MPB-indie, a clássica Graveola, que também anda lançando coisa.

Tinha Rosa Neon, o quarteto-surpresa de BH: que cresceu rapidinho, encheu show que foi uma beleza, foi na Europa e voltou. Deu seus últimos respiros ainda neste ano, como Marina Sena (vocalista) falava para o jornalista Guilherme Guedes em live: “Banda é feita para acabar”. E, enquanto durou, lançou cada membro com muito primor.

Tanto primor que vem aí – ainda em 2021 – Marina Sena (solo), cuja estreia com “Me Toca” (também deste ano) já deu um sustinho em todo mundo. Ela é boa demais, lança um “sexy caseiro” como ninguém. E vai explodir em breve. Pode anotar.

Para quem é genuinamente fã de rock triste, shoegaze e manifestações somente ocasionais de sorrisos, Minas também não falta com isso – porque é eclética assim mesmo. Um exemplo é o contemplativo (e ocasionalmente destrutivo) “Ensaio pra Destruir”, de Fernando Motta. A Geração Perdida é um coletivo independente daqui (que inclui Motta e seus amigos-colaboradores), mas também é meio jeitinho de ser.

Tudo isso que eu citei já dá caldo, mas devem ter coisas que eu provavelmente esqueci: gente que eu só vou lembrar quando voltar a ver pôsteres de shows ou vir algum deles bebendo no Maletta. É difícil honrar a música de cá com propriedade quando o fato de estar pertinho nem faz diferença. Mas fato é que a música de Minas e BH anda deliciosa de explorar: eclética, plural pra caramba.

Plural, sim, mas com uma coisa em comum: a cada 10 músicos, 10 citam Milton, Lô e o Clube da Esquina como influências. Independente do estilo musical.

Todo mundo parte do mesmo lugar. E é isso que faz a música de cá um trem de doido.

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Girl in red fase roqueira, então? Ida Maria bota seus gritos roucos para funcionar e solta single novo estrelado. Ouça “I’m Busy”

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* Muito antes da Girl in Red, nosso forte crush musical da Noruega era a Ida Maria. Isso lá pelos anos 2000, virada para 2010. Compravávamos discos, íamos a show. Em festival, se a Ida Maria estivesse tocando em algum palco pequeno, estávamos lá, independentemente de qual banda estivesse em outro palco. Mas ela deu umas sumidas da gente. Ou “sumidas”, ainda que lançando um disco em 2016.

Mas, beleza, em 2021 Ida Maria parece estar de volta ao business, para valer. No começo do mês ela lançou o single “Sick of You”, do qual gostamos bem. E, agora, ela ressurge mostrando “comprometimento com a cena” já engatando uma segunda música nova, a pegajosa “I’m Busy”, que você pode ouvir aí embaixo.

Ida Maria, que apesar do nome mostra realmente em seu batismo completo que é norueguesa, Ida Maria Børli Sivertsen, vem com seu punk pop nórdico, feroz e divertido ao mesmo tempo em sua voz quase rouca, parece estar levando esse retorno a sério mesmo. Ela está sendo produzida pelo importante produtor britânico Mark Ronson. E ninguém que lança música com assinatura produtiva de Ronson quer passar batido.

Para você sentir as intenções de Ida Maria na nova música, esta “I’m Busy”, ela co-escreveu a canção com um cara que ganhou um Oscar musical: Anthony Rossomando, que escreveu para a Lady Gaga aquele megahit meloso “Shallow”, do filme dela com o Bradley Cooper.

Sai da frente da Ida Maria.

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* Ida Maria, junto com o single, anunciou o vindouro EP “Dirty Money”, que vai ter “Sick of You”, essa “I’m Busy”, “California”, “Celebration” e a faixa-título. A data de lançamento não foi revelada. Mas estamos de olho aqui.

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New Order mostra seu beijo perfeito, ao vivo. Disco do showzaço de 2018 sai dia 7 de maio

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* Neste confinamento sem fim, chegamos à conclusão de que precisamos de hits. E quem tem isso a oferecer é a banda inglesa New Order, que lança dia 7 de maio o álbum ao vivo “Education Entertainment Recreation”, registro em áudio e imagem de uma apresentação da banda no Alexandra Palace, Londres, em novembro de 2018. Show que viria logo depois ao Brasil, inclusive tocando em Uberlândia-MG, blablablá. Tudo isso você já sabe. A cada “single-vídeo” que eles lançam desse show do disco a gente tem colocado aqui. E já foram vários.

Hoje eles mostram mais um, e a música é especialíssima: “Perfect Kiss”, uma das músicas indie-dance mais espetaculares da história, de 1985. Obviamente ainda obrigatória em shows do New Order, até eles morrerem todos.

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* “Education Entertainment Recreation” sai dia 7/5, em CD duplo, CD duplo com Blu-Ray, vinil triplo e um box de edição limitada tanto para a versão CD quanto para a vinil com um livro e umas artes no pacote.

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