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O MELHOR DO TWITTER: “Dia D e Hora H” edition

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É, meus queridos! 2021 já começou daquele jeito… Só queremos saber dessa vacina ou de encerrar nossas atividades neste Brasilzão. Tá Ford! Não tá mais… Então, todo mundo anota aí na agenda o dia D na hora H. Simples assim, nada de sair fazendo estatística, deixa isso para os profissionais do governo.

Não tão simples assim é encarar um coaching, que também virou assunto da semana. Mas para chegar com alguma sanidade ao final de semana, e ao final deste Melhor do Twitter, só com os memes e os nossos queridos pets. Ufa! Cadê nosso vale-terapia?
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Shame lança disco novo e o show que quase derrubou o Breve, em SP, aparece no YouTube

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* A banda Shame, um dos grandes nomes da retomada do pós-punk inglês deste século, dona de um dos melhores álbuns de 2018 – “Songs of Praise”, seu álbum de estreia -, lançou nesta sexta-feira seu aguardado segundo álbum, “Drunk Tank Pink”.

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E, para muito além dos ótimos singles que a gente já conhecia, e enquanto absorvemos seus 40 minutinhos da íntegra para entender se a turma do vocalista Charlie Steen conseguiu dar conta da sempre desafiadora missão do segundo álbum, o selo paulistano Balaclava Records soltou no YouTube, assim como quem não quer nada, a íntegra do show que o Shame deu aqui no clube Breve, em São Paulo, em 2019 – aquecimento para a apresentação igualmente destruidora dentro do Balaclava Festival no dia seguinte (na Audio).

Alerta de gatilho total. Seja pela aglomeração saudável da época, seja pela saudade de colar naquele canto da Pompéia que abriga um importante palco da música alternativa em São Paulo.

Ali que o Shame fez, de acordo com nós mesmos, o segundo melhor concerto daquele ano – perderam só para a Patti Smith. A gravação é bem simples. Câmera fixa, som decententemente caótico e vamos lá. É o suficiente para entender por que resumimos aquela uma hora e pouco em “um show espetacular, daqueles de derrubar uma casa”.

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Aproveitando o embalo, ouça a íntegra de “Drunk Tank Pink”, que saiu hoje.

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SEMILOAD – A Geração Z e o “do it yourself home edition”. Em minúsculas, cantando baixinho

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* Chegou a vez do nosso “big talks”, nosso “long read”.

A primeira SEMILOAD do ano, a parceria semanal da Popload com a genial “Semibreve”, newsletter escrita pela mineira Dora Guerra, vem falar de Geração Z e de como sua natural autenticidade está quebrando padrões na música. “Sua”, no caso, da Geração Z. “Sua”, no caso também, de Dora, que é da Geração Z.

Vamos?

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Se você existiu na internet nos últimos dias, deve ter visto um enorme bafafá por conta de uma menina que não fez nem 18 anos ainda – uma tal de Olivia Rodrigo. O nome só não é uma surpresa para quem adora “High School Musical”, a série (o que eu imagino que não seja o caso de muitos de nós na Popload). De resto, estamos todos um pouco perdidos.

O pior é que, em tempos de Billie Eilish, uma menina menor de idade explodindo (no que parece repentino) com músicas escritas em mínusculas já não é tão novidade assim. Mas pode ser difícil de acompanhar, compreender, absorver tudo que rola na geração Z.

Para você, que quer entender essa juventude mas não sabe nem por onde começar, aqui vai uma espécie de guia – sobre os jovens tiktokers-multifuncionais-levemente-deprê-com-sexualidade-fluida que estão fazendo ótimas músicas… em terríveis contextos.

É que nada diz mais de um tempo do que os jovens; os jovens artistas, principalmente. E sem querer generalizar uma geração inteira (mas já generalizando um pouco), a tal gen Z é, por definição, majoritariamente consciente e política – muito mais que muitos de nós aos 15, 16 anos. Basta observar o que o fandom do grupo coreano BTS fez no último ano (https://www.theguardian.com/music/2020/jun/24/how-us-k-pop-fans-became-a-political-force-to-be-reckoned-with-blm-donald-trump), por exemplo.

E não é novidade para ninguém, também, que essa galera tá vivendo uma era sombria – mas ao contrário de vários movimentos musicais em tempos de crise, a música gen Z não é necessariamente a quebradêra, o punk ou aquela anarquia sonora toda. Na verdade, a sonoridade tende à baixa energia. Por quê?

Claro, talvez o fator caseiro tenha influência nisso: o que começa por ser simplesmente uma questão natural (onde mais um jovem menor de idade e provável classe média vai gravar suas coisas, se não no quarto?) se tornou uma escolha estética. Não a música de garagem que tomou conta dos anos 90 e inicinho dos anos 2000: agora, é a música de quarto. No quarto, a música tem que ser mais quietinha.

O “do it yourself” define completamente o negócio, aliás: mesmo agora, que não faltam recursos à Billie Eilish para gravar em Abbey Road ou no Electric Lady, ela escolhe manter sua produção em sem lar com o irmão – uma forma levemente afrontosa de dizer “Isso eu faço em casa”. E o ambiente reflete também no som, que geralmente traz um ou outro instrumento do tipo que você tem em casa; muita brincadeira eletrônica; e, claro, o inconfundível jeitinho de cantar sussurrado (ou quase).

Mas, com certeza, há um fator emocional – uma certa sensação de apatia, vindo de uma galera que discute (e faz vários memes) sobre saúde mental como nunca antes. Nas letras de muitos artistas e bandas novos, assuntos como depressão, ansiedade e pânico são citados com a mesma naturalidade em que se falava sobre festas há um tempo atrás. Há, claro, uma certa romantização dessa tristeza (como a indústria tem mania de fazer).

Mas essa melancolia não deixa de ser real: hoje, a gente vê tudo que acontece no Brasil com muita raiva, mas se sente incapaz de agir. Imagina só essa carga emocional em alguém que acabou de passar pela adolescência?

Daí talvez venha o cantar baixinho, o escrever em minúsculas – um misto de introspecção muito contemporânea com vontade de fazer algo diferente.

Outro ponto interessante é que se trata de uma geração expert em autoexpressão e que entende – finalmente – que cada um sabe do seu. Daí, temos uma galera que não se preocupa com gênero ou sexualidade ou simplesmente não se prende em nada disso; se veste como quer e, claro, atravessa gêneros musicais com a mesma fluidez. É uma forma de quebrar moldes muito menos agressiva do que se tentou fazer um tempo atrás; é quase natural, não pede licença ou desculpa.

A título de comparação, basta olhar Sam Smith – aos 28 anos e uns 6 desde sua explosão mundial, Sam finalmente se sentiu confortável para assumir sua não-binariedade; com pouco mais que a metade da idade de Sam, uma leva de novos artistas já tem suas identidades bastante definidas, sem que isso seja uma notícia. É um processo delicioso de acompanhar: eles são quem são, fazem suas músicas e ensinam a gente que seus pronomes ou sexualidades não são necessariamente o ponto principal de sua arte.

E é possível porque a indústria não necessariamente dita os sucessos com a mesma facilidade que anos atrás. Na verdade, muitos dos jovens de hoje são os próprios formadores de sucessos. Nesse auge de TikTok e afins, é a própria geração Z que define os próximos hits – respeitadas as devidas proporções, claro. Assim, gigantes feito Beyoncé têm que dividir as paradas com filhotes-de-Soundcloud, que fazem músicas no quintal.

O charme da geração Z é que tudo é muito cru, direto quando precisa ser, exposto sem paredes. Não existe distinção da persona online para a pessoa real, tampouco para o artista – quando você cresce com redes sociais, não sabe nem se dar a esse privilégio.

O resultado é uma música que vem de quem já não tem medo de se expor, sabe explorar a internet como ninguém e é, inevitavelmente, autêntico.

Aí vem a leva de gente talentosa que não dá para ignorar: Claud, BENEE, Arlo Parks, JADEN e por aí vai. Galera que ouviu muito Frank Ocean e Lana del Rey enquanto mexia no Tumblr e agora arregaça as mangas com seu estudiozinho ligado no PC.

Não que sejam só fenômenos naturais: para não ignorar a Olivia Rodrigo, que eu arrastei para o texto só para ter pretexto (rs!), é interessante observá-la para entender onde a indústria entra nisso.

Existe gente já sendo “fabricada” nesse molde; não tô dizendo que Olivia não tenha mérito pelo seu próprio sucesso, mas ela está longe de ser uma adolescente desconhecida lançando uma ou outra coisa no YouTube, gravada em seu quarto.

Muita gente já percebeu que é possível investir no bedroom pop sem que o bedroom seja necessariamente parte da equação – pode ser um estúdio, pode levar a um estádio.

Mas fato é: com sucessos moldados ou não, a geração Z está acontecendo. Tá mudando o jeito que as coisas funcionam, como toda boa geração faz. Com muito mais força, sem se preocupar com o politicamente correto, porque já têm consciência demais para isso. Sendo eles mesmos – e, por acaso, quebrando alguns padrões no meio do caminho.

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* As fotos deste post, a lá de cima e a que ilustra o chamada da home da Popload, é da cantora americana não-binária Claud.

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Popnotas: O maravilhoso mundo de bandas da Creation Records, em filme; os Descendents jantando o Trump; e Lady Gaga e o hino

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– Em março, chega aos cinemas ingleses (e provavelmente ao streaming) o filme sobre a Creation Records, a gravadora britânica que nos deu Oasis, My Bloody Valentine, Primal Scream e Ride, para citar só algumas das bandas espetaculares que fizeram parte do elenco do selo. Entre os autores da cinebiografia a partir do livro “Creation Stories: Riots, Raves and Running a Label” (2014), de Alan McGee, que na versão filmada vai se chamar só “Creation Stories”, está Irvine Welsh, autor do livro “Trainspotting”, que virou um dos longa-metragens mais importantes do Reino Unido nos anos 90. O importantíssimo empresário, produtor, DJ, radialista, músico e agitador escocês Alan McGee foi o fundador da Creation Records. É famosa a história de que McGee viu num bar escocês a bandinha Oasis tocar, aqueles dois irmãos marrentos e pensou: “Acho que vou assinar com esses caras para ver o que dá”. Quem vai vivê-lo na cinebiografia é Ewen Bremner, ator que fez o personagem Spud em “Trainspotting”, o filme. Dá para ter um gostinho de “Creation Stories” aqui.

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– A banda punk californiana Descendents fez uma pequena “homenagem” a Donald Trump. Uma música de pouco mais de 40 segundos que manda o ex-presidente – ou melhor dizendo o “asshole twitter troll” – para sua casa. Talvez melhor que a letra de “That’s The Breaks” só o recado que o vocalista Milo Aukerman deu para divulgar o som. “Loser. Big time loser. Delusional loser. SORE loser. The time has come. The time is now. Just go, go, GO”.

– Enquanto um caí fora, outro chega. E Lady Gaga, que fez campanha para Joe Biden, vai ser a responsável por cantar o hino nacional do Estados Unidos durante a cerimônia de posse do novo presidente norte-americano no dia 20 de novembro. Que momento!

– A tradicional apresentação musical de ajuda a Tibet House em Nova York vai acontecer online neste ano. Marcada para o dia 17 de fevereiro, Eddie Vedder, Phoebe Bridgers e Brittany Howard estão entre os artistas escalados na curadoria de ninguém mais ninguém menos que o consagrado compositor e pianista Philip Glass.

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Foo Fighters vai à TV com a música nova sobre a guerra ao vivo. Veja performance de “Waiting on a War”

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* Apareceu um peso pesado em um dos programas de entrevista do fim de noite da TV americana, que estava apelando aos indies para salvar a parte das atrações musicais. Falamos disso ontem.

O Foo Fighters escolheu o do Jimmy Kimmel para enviar um vídeo da nova música, “Waiting on a War”, gravada ao vivo.

“Waiting on a War” é o terceiro single do disco “Medicine at Midnight”, o décimo álbum do Foo Fighters, que sai dia 5 de fevereiro. A música foi lançada ontem nas plataformas.

A nova canção do FF é uma baladinha típica do Dave Grohl. Com sentimento. Foi feita depois que a filha de 11 anos disse que estava com medo de ter guerra. Enfim. Para tocar em rádio.

Ontem Dave Grohl fez aniversário. 52 anos.

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