CENA – Isabel Lenza canta sua reinvenção em “Véspera”. Segundo álbum é lançado hoje

1 - cenatopo19

* E já está por aí o novo álbum da cantora paulistana Isabel Lenza. Todo feito em Belo Horizonte ao lado do produtor Leonardo Marques, de longo currículo de serviços prestados à música independente mineira/brasileira (Transmissor, ex-Diesel, colaborador da banda Maglore), “Véspera” é “o que antecede com a força do que é. Como uma tarde ensolarada que nutri antes do espetáculo da noite de lua cheia”, nas palavras da própria Bel.

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Composto todo por ela, a não ser uma parceria sua com o guitarrista Régis Damasceno (Cidadão Instigado) em “Colados”, este seu segundo álbum é formado por canções que a cantora escreveu quase sempre guiada por sua voz e por seu violão de nylon.

Esse processo bem particular se estendeu na parceria com Marques. É a dupla que toca tudo ao longo das nove faixas do disco. “Léo, além de produzir, gravou, tocou, mixou e masterizou o disco”, conta. E isso porque a junção deles, inicialmente, era para um single, apenas. Mas acabou rendendo um álbum todo. E um disco, de certa maneira, conceitual.

“Com elas [as canções], broto com vitalidade neste novo momento solar, mirando mais no agora e no que está por vir, realizando que eu sou meu lugar de acolhimento e também de potência.”

O álbum começa com “Imenso Verão”, que vem com um papo sobre se reconstruir após um relacionamento que deve ter terminado mal – “O seu pior ainda paira aqui/ O pior do pior”, canta Isabel Lenza. A narrativa dessa personagem parece seguir em “Eu Sou Meu Lugar”, onde ela busca equilíbrio e paz em si mesmo. “Brisa fresca pela estrada/ Semblante tranquilo pra recomeçar”, canta, com direito a um belo banjo no arranjo.

Essa estrada de recuperação e reconhecimento chega ao auge em “Tudo o Que Você Não Vê”, uma música sobre a percepção da presença de uma força feminina que rege o universo. Recuperada, a personagem parece avançar pela alegria. Encontra otimismo em “O Melhor Só Pode Estar por Vir” e determinação em “Pra Hoje”, que fala de se cuidar para ser feliz

E essa alegria parece ajudar a cantora a encontrar uma nova paixão ou um caso daqueles que chegam a gerar ansiedade em “Colados”. Amor que volta a ser tema em “Livres Buscando Amor”, sobre um relacionamento tranquilo e saudável e quente e livre, saca? Bem distante daquele truncado relacionamento do começo do álbum. A jornada de liberdade parece completa. Da solidão para o encontro consigo mesma e agora para relacionamento mais feliz com outros.

No fim do álbum, após um longa jornada por si mesma, a realidade do mundo externo aparece em “Janeiro, 2020”. Ainda que pré-pandemia, Isabel Lenza nota um verão frio que não está muito correto – e hoje sabemos que não estaria mesmo, não é? A crise climática, pandemia, uma loucura toda enquanto ainda tentamos nos entender. Duas missões que correm juntas e estão cantada e muito bem em “Véspera”. Que acerto, Isabel.

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* As fotos de Isabel Lenza usadas neste post são de Gabriela Batista.

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