CENA: Para entender o que está rolando com o indie nacional. Sob o ponto de vista da turnê nordestina da banda Wry

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* A veterana banda indie paulistana Wry, que já “esteve” banda inglesa, parou por um tempo e voltou a se reunir em Sorocaba para discos e shows, acabou de excursionar pelo Nordeste. Foram nove shows em 11 dias de correria, fomos informados pelo capo da banda, o figura Mario Bross, que entre outras coisas mantém vivo a cena indie de sua cidade com o ótimo Asteroid, clube-balada que dista a uma horinha de São Paulo.

Bross nos mandou um email para contar como foi essa etapa de shows do Wry, que tem a meta de 45 apresentações em 40 cidades diferentes, até o final do ano, para divulgação do mais recente disco deles, “Whales Sharks and Dreams”, que teve o vinil lançado pela Sonovibe Records, dos EUA.

O relato que Mario Bross revela, do alto de suas experiências de shows indies no Brasil desde 1994, quando a banda foi formada, diz muito sobre o estado atual da nossa CENA, tendo o Nordeste como pano de fundo e essa confluência de gás indie que se aplica numa região não tão fácil como o Sudeste para administrar shows e banda, o surgimento de nova gente para fazer acontecer em níveis de produção e organização, o que pode até soar como uma renovação de cenas locais.

Reproduzindo o que o guitarrista do Wry falou, dá para sacar melhor o status quo do indie nacional. Conta para nós, Mario!

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Wry ao vivo em Camaçari, na Bahia, durante a turnê nordestina. Foto de João Antunes


“Os nove shows do Nordeste foram organizados pela nova geração de bandas e produtores da cena atual da região. Em todos os shows tivemos bastante público, muito a fim e com sede. Nosso merchandising quase não deu conta, com exceção de alguns itens que realmente acabaram antes dos shows finais.

“A tour na região começou em Natal/RN no dia 6/10 e finalizou em Salvador/BA no último domingo, dia 16. Essa foi a quinta vez que o Nordeste entra na rota das nossas turnês e posso dizer com firmeza que foi a melhor de todas as vezes e também a maior.

“Em Natal o show foi organizado pela Brasinha Produções e tocamos com Kung Fu Johnny, a outra banda do baterista do Mahmed, e com The Automatics. Dia 7 foi em João Pessoa, no Espaço Mundo, bar do baterista do Zefirina Bomba, e tocamos com a indie ColdSleepyHead, que também organizou a parada.

“Sábado dia 8 já estávamos em Campina Grande, também na Paraíba, tocando com o trio de electro rock Rieg. E o show foi organizado pela Produtora Bicicleta. Domingo, 9/10, a apresentação foi em Recife com o pessoal do Inner Kings, que tocam no Coquetel Molotov neste ano também.

“Na terça, 11/10 o indie rolou em Maceió/AL organizado pelos ótimos caras da Popfuzz: tocamos com Baztian e Capona. Quarta, 12/10, o show foi na praça da Juventude na décima-sexta edição do Clandestino, um grande evento organizado pela banda The Renegades of Punk, que também tocou.

“Na sexta 14/10 já estávamos em Alagoinhas/BA no guerrilla gig organizado pelo Nalata no Plugado. Sábado, 15/10, na indie city Camaçari/BA (foto acima), com a galera da excelente banda Declinium, NotNames e Manute no festival JohnnyRock. Por fim, domingo passado, dia 16, fechamos muito bem o giro em Salvador, o nono show desse braço da tour, com a galera das bandas Teenage Buzz, Casco e Bilic.

“Ainda temos três shows no Sudeste para concluir a tour toda que nos predispomos a fazer e, para celebrar esse fato, lançaremos um vídeo novo e uma versão física somente para fãs do álbum que gravamos anos atrás e nunca lançamos, “National Indie Hits”, que é uma homenagem para as bandas indie nacionais que nos influenciaram no começo.

“Tocar no Nordeste é sempre legal, mas dessa vez senti que tem muita mais coisa legal rolando, muitas bandas e gente se agilizando para fazer o movimento indie acontecer. Foi um prazer, uma honra e um orgulho passar esses 11 dias por lá. Viva a cena do Nordeste!”

* Preciso falar mais como eu leio esse email do Mario Bross ou já está tudo explicadinho na mensagem dele?

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