CENA – Popload entrevista… Marrakesh

>>

1 - cenatopo19040718_marrakesh_slider

Aproveitando a passagem da Popload por Brasília no último mês, em mais uma edição do Festival Picnik, conversamos com os curitibanos da Marrakesh, uma das apostas da Balaclava Records para 2018 e donos de uma das melhores apresentações do evento. Batemos um papo sobre sua nova fase, seu primeiro álbum, novos planos e também, claro, a passagem da banda pelo Primavera Sound de 2017.

Começando do início, a Marrakesh nasceu em 2014 com seu primeiro EP, “Vassiliki”, lançado pelos gaúchos da Honey Bomb Records, de Caxias do Sul. Com a boa repercussão, eles visitaram Brasília em uma primeira oportunidade, no mesmo festival que voltaram em 2018, o Picnik. A partir da viagem e de alguns shows em Curitiba, se focaram totalmente no que é, hoje, o disco “Cold As Kitchen Floor”, lançado esse ano pela Balaclava Records.

Bruno, guitarrista, e Lucas, guitarrista e também vocalista, contam que a banda começou suas gravações em um galpão de um amigo, também produtor. Com algumas demos na mão e a vontade de materializar aqueles sons, eles gravaram o EP “Vassiliki”. Essas gravações vieram após um momento de adormecimento da cena na cidade, um pós Copacabana Club, Bonde do Rolê e todos esses nomes recorrentes que atravessaram o mundo com o rótulo do indie vindo de Curitiba.

Sobre os tempo áureos, Lucas comenta: “ver uma galera que fazia sua própria música enchendo os lugares, nos dava um brilho no olho”. E foi a partir daí que eles rodaram, brevemente, com seu primeiro EP, realizando alguns shows e divulgando seu lançamento. Com a curta temporada, voltaram ao estúdio e iniciaram os trabalho para o disco.

marrakesh2

Durante as demos de “Cold As Kitchen Floor”, Lucas conta que a banda começou a se abrir para ouvir novas coisas, buscando um passo além da psicodelia que trouxe no EP. Com duas faixas gravadas, ainda não finalizadas, acabaram sendo chamados para o Primavera Sound de 2017 e percebendo mudanças ainda mais profundas.

“Acabamos assumindo isso como projeto de vida para nós. Nos pareceu natural tentar algo mais abrangente, nos abrindo para ouvir outras coisas e isso, consequentemente, acabou batendo nas composições. O Primavera, os shows que vimos por lá, foram a materialização daquilo que estávamos pensando em fazer, mas também a prova de que ainda não estávamos no nível que queríamos. Tivemos que adiar o lançamento do disco, compor novamente e regravar.”

A experiência de serem chamados para tocarem no Primavera Sound do ano passado, aconteceu após enviarem seu material gravado, as demos ao vivo de “All U Need” e “BAE”, para a organização do festival via seu selo, a Balaclava Records. Para Bruno, as faixas estão irreconhecíveis se comparadas as suas versões do disco, mas foram a chave de entrada da banda para o festival. Confira logo abaixo o vídeo das faixas ao vivo, o mesmo que os levou para Barcelona:

Para Lucas, mudar a forma de composição foi a vontade de fazer “algo que já não nascesse morto”, se referindo a linha psicodélica apresentada no EP. Grande parte dessa mudança veio também da imersão total dos integrantes nos sons eletrônicos, no r&b e, principalmente, no hip hop – Tame Impala deu lugar a Frank Ocean e Kanye West. Lucas comenta: “a gente nunca tinha ouvido hip hop com tanta intensidade, tentamos sair um pouco desse indie rock psicodélico e nos abrirmos para esses outros gêneros, o que nos possibilitou entender que novos tipos de estruturas musicais também eram possíveis.”

Com “Cold As Kitchen Floor” na mochila, a banda também comenta sobre os próximos passos e Bruno fala a respeito dos planos para um futuro muito próximo”

“Estamos formando equipe, planejando, conhecendo os festivais. Não estamos com pressa, estamos sentindo o reflexo dele (disco), porque ainda existe muito chão para tocar esse álbum. Temos dois clipes para serem lançados e também a pretensão de sair para fora do país e tocar”.

No Brasil, Lucas acredita que realizar uma turnê pelo país é necessário e shows pelo sul devem acontecer em breve, tendo ainda o nordeste na rota e possibilidades de datas no Rio de Janeiro, sem tirar o exterior das suas intenções: “o foco também está em tocar fora do país, ter uma base internacional, mas nada excludente, a gente vai não só aceitar a demanda que existir aqui, mas também quer aumentá-la o máximo que pudermos”.

Ainda entre os planos, o vocalista (Bruno) também fala sobre o lançamento de um novo EP e a vontade de compor em português, diferente do que apresentaram em seu primeiro disco. Ele comenta que as influências nos beats e no hip hop, não interferem em nada na possibilidade de divulgarem sons que busquem algo mais orgânico, mas sempre experimentando e trazendo novas estruturas.

Seu último disco, “Cold As Kitchen Floor” está disponível em todas as plataformas e logo abaixo você confere o clipe para o single “Moonhealing”. Quem se interessou pela banda e quer ver os meninos de perto, eles estão com show marcado para a próxima sexta-feira em São Paulo, no Estúdio Costela. Mais informações sobre a noite você encontra no evento oficial do show no Facebook clicando aqui.

>>