Com quase quatro horas de shows, Foo Fighters e Queens of the Stone Age promovem um “Rock in Rio” no Maracanã. Agora é SP

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foo_daveFotos: Marcos Hermes / Divulgação

Em uma época que o rock está cada vez mais distante de ser o “estilo da moda”, poucos grupos têm conseguido manter o espírito de “banda de estádio” e, acima de tudo, se vangloriar por isso. É o caso do Foo Fighters.

A armada liderada por Dave Grohl abriu na noite de ontem, em um Maracanã reconfigurado, sua turnê conjunta com outro peso pesado do rock, o Queens of the Stone Age, o primeiro de uma série de cinco shows que ainda passarão por São Paulo (nesta terça e quarta, 27 e 28 de fevereiro), Curitiba e Porto Alegre no final de semana.

O “reconfigurado” para o Maracanã explica-se. O anel superior do estádio foi fechado em sua quase totalidade, 2/3 para ser mais preciso. Fãs que compraram ingressos para este setor foram realocados para a arquibancada inferior, o que acabou sendo bom para quem queria ver Grohl e Homme mais de perto. Estima-se que o público, de acordo com a organização, passou das 30 mil pessoas.

A pista estava cheia e viu o Queens of the Stone Age tocar por quase 80 minutos. Com som bom para uma “banda de abertura” e palco dark/intimista, Josh tentou ser simpático mais de uma vez, talvez ainda na tentativa de limpar sua barra um tanto arranhada após agredir uma fotógrafa no fim do ano passado. Foi de poucas palavras, mas tentou ficar mais perto do público enquanto sua banda despejava hits e canções de “Villains”, seu último disco.

Em certo momento, o vocalista do QOTSA disse que é preciso se fazer o que quer, na hora que quer. E que o futuro é agora, só depende de cada. Um tanto genérico ao mesmo tempo enigmático, mas ele realmente parece acreditar no que diz.

A banda de Homme abriu a apresentação com a espetacular trinca formada por “If I Had a Tail”, “Smooth Sailing” e “My God Is the Sun”. Depois, mesclou hinos de sua carreira como “No One Knows” e “Little Sister” com sons mais novos, tipo “The Way You Used to Do” e “The Evil Has Landed”. No total, 16 canções que, se não formam um show completo, também não deixa com cara de show de abertura. Quem está indo nos shows só pelo QOTSA vai conseguir se divertir.

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O grupo liderado por Dave Grohl volta ao Brasil para mostrar seu novo álbum, “Concrete and Gold”, lançado no ano passado. Mas são os hinos das antigas que marcam o início do show, provavelmente no intuito de passear por uma zona de conforto e agradar velhos e novos fãs. Em uma breve “pesquisa” feita pelo vocalista no palco, ele constatou que metade do público era de “turma das antigas”, metade estava chegando agora.

Talvez se baseando nisso, o FF tocou os dois últimos singles – “Run” e “The Sky Is a Neighbourhood” em meio a petardos como “All My Life”, “Learn To Fly” e “The Pretender” nos primeiros e alucinantes 25 minutos de show.

O som do grupo de Dave Grohl anda redondinho e a voz dele no lugar. Há espaço (e muito) para as chinfras usuais de um show do Foo Fighters, como jams longas, apresentação dos integrantes acompanhadas por gracinhas sonoras que culminam nas covers de “Under My Wheels” (Alice Cooper), “Another One Bites the Dust”, “Love of My Life” e “Under Pressure” (Queen) e “Blitzkrieg Bop” (Ramones), esta última iniciada pelo sempre gênio Pat Smear, ex-Nirvana da derradeira fase.

Voltando ao tal espírito de arena. O palco, em comparação à última visita deles ao país, está mais simples e até mais bonito e limpo. Dave por diversas vezes quis enfatizar que ali estava acontecendo um verdadeiro show de rock. Taylor, sempre bastante participativo, disse que ali estava acontecendo de fato o “Rock In Rio”.

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O show, que durou exatas duas horas e meia, teve apenas um intervalo. Na volta, foram três canções: “This Is a Call”, “Let There Be Rock” (AC/DC) e, por último, o hit “Everlong”.

A dobradinha de quase quatro horas do Foo Fighters & Queens of the Stone Age pode não ter lotado o Maracanã como outros ritmos da moda. Mas mostrou que resistir é preciso.


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