ENTREVISTA – Sylvie Simmons, a historiadora do rock que imortalizou em livro as vidas de Leonard Cohen e Serge Gainsbourg, entre outros

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* No começo de julho publicamos aqui na Popload uma entrevista com o grande Michael Stipe, que nos foi entregue prontinha, em vídeo, pelo cineasta, publicitário e amigo gaúcho Diego de Godoy. A gente não sabia, ficamos sabendo agora, com uma segunda oferta de um bate-papo incrível que você pode conferir lá embaixo, que aquela conversa com o líder do fundamental grupo indie REM daria início à série “dgdgd+”, que De Godoy promete perpetuar como der, tendo a Popload como um canal de publicação.

Então, agora, temos o segundo “episódio” da “dgdgd+”, trazendo como entrevistada a importante jornalista musical e historiadora do rock Sylvie Simmons, inglesa que mora na Califórnia desde os anos 70, teve artigos publicados em veículos como “Rolling Stone”, “The Guardian”, “Mojo” e “Uncut” e fez longas entrevistas com entidades musicais como The Clash, Sex Pistols, Bruce Springsteen, Muddy Waters, Steely Dan, Blondie, Frank Zappa, Tom Petty, Beach Boys, Brian Wilson sozinho, Michael Jackson, Kate Bush, George Michael, Johnny Cash, David Byrne e Leonard Coen.

Deste último citado está um dos seus vários livros publicados, “I’m Your Man: The Life of Leonard Cohen”, editado em 2012, traduzido para mais de 20 idiomas e colocado na estante ao lado de outras biografias, como a do gênio pop francês Serge Gainsbourg, também sob sua assinatura.

Mais e melhor sobre Sylvie Simmons, até seu lado rock star, o próprio Diego de Godoy conta, em texto que “abre” a entrevista em vídeo, que está na Popload TV, nosso canal no Youtube.

Agora é com o Dgdgd.

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Por DIEGO DE GODOY (série “#dgdgd+”)

Duas revistas surgidas nos anos 90 na Inglaterra redesenharam meu interesse musical, quando eu já não tinha o mesmo entusiasmo com as novidades do pop como na década anterior. “Mojo” e “Uncut” surgiram direcionadas para uma faixa 25-45 anos, com seções parrudas de resenhas, inclusive de DVDs e livros sobre música. Um perfeito equilíbrio entre contemporaneidade e velhos artistas, mas especialmente a “Uncut” tinha um ousado e profundo recorte editorial da cena folk moderna e suas variantes alt-country, mais urbana, e americana, um country incrementado com elementos do blues, do rock e outros estilos, onde sobretudo se destacavam grandes letristas.

As duas publicações viriam a ampliar o terreno que eu já explorava no nível básico ouvindo Leonard Cohen e Van Morrison (que virou um antivax bobão). Era o auge do Napster, que ajudou a achar absolutamente tudo que eu li nas revistas inglesas: Tift Merritt, Gemma Hayes, Slobberbone, Eileen Rose, alguns destes não mais populares do que um artista gaúcho.

Entre os responsáveis pelos textos, naturalmente me chamou atenção uma das poucas mulheres, e foi assim que o nome de Sylvie Simmons se tornou familiar. Eu quase dava “Oi” para ela quando abria a edição do mês.

No começo do século, saiu uma pequena biografia do músico francês Serge Gainsbourg, outro herói do meu Olimpo, assinada por Sylvie: “Por um punhado de Gitanes”, editado no Brasil. Não era muito grande, mas já trazia histórias interessantíssimas, cuja fonte ela revela nesta pequena entrevista, em vídeo, que publicamos aqui. Histórias essas como o primeiro “date” do Serge com a Jane Birkin por restaurantes, cercados de violinistas russos, depois um giro pelo mercado ao amanhecer, até chegar no hotel, onde o concièrge os recebeu dizendo: “O quarto de sempre, monsieur?”.

A jornalista também tomou coragem e se lançou como cantora e compositora, primeiro em 2014 e depois em agosto de 2020. Álbuns excelentes e totalmente no perfil das duas revistas em que trabalhou. O jornal britânico “The Guardian”, que deu 4 estrelas para seu primeiro trabalho, “Sylvie”, não foi o único a elogiá-la com entusiasmo. A “Lyric Magazine” chamou seu segundo disco, “Blue on Blue”, de “profundo, poderoso, honesto, corajoso, poético e lírico”.

Mas em 2012 Sylvie brilhou também, lançando a melhor biografia do gênio canadense Leonard Cohen, escritor, cantor e compositor, que estava no auge das derradeiras turnês que deram a volta ao mundo diversas vezes desde 2008, fazendo shows de quase quatro horas, cinco vezes por semana, já com quase 80 anos.

I know you had to lie to me
I know you had to cheat
To pose all hot and high
Behind the veils of shear deceit
Our perfect porn aristocrat
So elegant and cheap
I’m old but I’m still into that
A thousand kisses deep

“I’m Your Man – A Vida de Leonard Cohen” é um robusto estudo de uma obra que muito provavelmente mereceria um Nobel de literatura, assim como o do amigo Bob Dylan.

Fiz amizade com a Sylvie, que mora na Califórnia, pela internet, e logo que começou a pandemia e a onda de lives ela foi a primeira que pensei em entrevistar. Me pediu para esperar o lançamento do novo álbum, dali uns meses, o que no fim, por acúmulo de trabalho, acabei deixando de lado. Agora, com essa pequena série de conversas dgdgd+, acho que é a hora certa.
Apresentando a Sylvie, e especialmente sua música, espero replicar no leitor uma sensação de descoberta e encantamento parecida com a minha depois de garimpar as dicas da “Uncut”. E nem precisa piratear nadasyl. Está (quase) tudo nas plataformas.

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* Abaixo, foto de Diego de Godoy em Paris, em 2012, em frente ao clube L’Olympia, numa das três noites de concertos que o músico canadense fez seguidos na capital francesa, em setembro daquele ano.

DGDGD

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