Flertando com a eletrônica, Car Seat Headrest lança um dos melhores discos do ano até agora. Estamos preparados para essa conversa?

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Disco cercado por bastante hype entre a galerinha do indie, “Making A Door Less Open”, o novo do Car Seat Headrest, foi lançado neste final de semana com a promessa de ser um dos principais lançamentos do ano na música alternativa.

Tudo porque o menino Will Toledo anda inspirado. Ele, prolífico músico que já lançou na carreira nada menos que 12 álbuns (contando com este novo e com toda a informalidade que o Bandcamp oferece), e que nem 30 anos de idade tem, resolveu criar até um alter-ego – Trait – para encarar este novo projeto.

Deixando de lado seu jeito recluso e indie do indie, Toledo aparece em todas as peças promocionais da banda para o álbum usando uma máscara de gás e com “olhos” de LED. Isso mesmo antes desse papo todo de pandemia, o que pode até gerar um certo desconforto nos dias atuais. Diz ele, em entrevista à Folha de São Paulo, publicada também neste final de semana, que isso faz parte do flerte do grupo com a música eletrônica.

“Eu não tinha certeza de como ia executar isso, mas no mundo da EDM existe toda uma cultura diferente de roupas, e as pessoas usando máscaras. E elas conseguem ser mais anônimas, fazendo o show acontecer em torno delas. Eles estão lá, só que com uma coisa na cabeça”, contou, em reportagem assinada por Lucas Brêda.

Will e sua máscara, em ensaio para o The New York Times

Will e sua máscara, em ensaio para o The New York Times

Esta aproximação com a música eletrônica e espécie de passo adiante do Car Seat Headrest está ligado diretamente ao afastamento da pegada lo-fi de Will, que gravava e fazia praticamente tudo sozinho até 2016, quando a banda não tinha nem feito turnês. Foi no convívio diário com outros integrantes, especialmente o baterista Andrew Katz, que vem da escola da EDM. “Ele estudou por dois ou três anos e começou a fazer as músicas que viriam a ser o começo disso. Ao mesmo tempo, eu estava tendo ideias minhas de composição, inspirado pelo sintetizador clássico, mais anos 1980, da cold wave”, reforçou Toledo.

O hype em cima de “Making A Door Less Open” foi super bem alimentado pelos ótimos singles que o grupo escolheu para promover o disco antes do lançamento. Faixas como ‘Can’t Cool Me Down’, ‘Martin’, ‘Hollywood’ e ‘There Must Be More Than Blood’ garantem o Car Seat Headrest bem forte na briga de melhor disco indie lançado em 2020 até agora, brigando bem com Tame Impala e Fiona Apple. Por mais que a banda norte-americana ainda tenha menos lastro que os “concorrentes”.

Este é o quarto disco formal/oficial do grupo, o 12º se a gente contar a informalidade importante do Bandcamp, habitat do Will, uma máquina de fazer músicas. “Making a Door Less Open” também é o primeiro projeto do CSH desde o relançamento do disco “Twin Fantasy”, que rolou em 2018. Seu parceiro na produção da empreitada é o citado Andrew Katz, baterista com quem ele também toca o projeto paralelo 1 Trait Danger.

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