Nick Cave lembra o pastel de queijo, as manhãs com o filho e as letras escritas na Mercearia São Pedro, na Vila Madalena. E se despede do bar, que vai ser demolido

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* A história do fechamento em São Paulo do bar Mercearia São Pedro, reduto boêmio cultural e esportivo da Vila Madalena e lugar do melhor pastel da cidade (o que é um fato muuuuuito importante), chegou ao músico gênio australiano Nick Cave.

O cantor e pianista morou em SP no começo dos 90 e foi frequentador do Mercearia, “para tomar um café de manhã ou uma cervejinha à tarde”. Nick Cave, óbvio, lembrou ainda dos pastéis de queijo que comeu no lugar.

nick cave sp 2018

Cave vivia a 300 m do Mercearia e virou amigo do Pedro, o proprietário. A relação de Cave e do bar paulistano foi tão marcante que não só o Mercearia foi parar no documentário “Straight to You”, de 1992, dirigido por Anton Corbijn, como ganhou uma visita do músico em 2018, quando ele voltou a São Paulo para tocar no (cóf cóf) Popload Gig, num show monumental no Espaço das Américas (foto acima).

No site Red Hand Files, em que Nick Cave mantém conversa com fãs que têm perguntas a ele, o australiano revelou que o Mercearia foi, a seu ver, “o bar mais legal do mundo”, em resposta a um fã escocês e outro brasileiro, Lucas, de Florianópolis, que perguntou diretamente sobre o que Nick achava de o Mercearia dar um lugar a um edifício de luxo.

Nick lembrou, em sua resposta no Red Hand Files, a temporada simples e boa que passou vivendo no Brasil, há cerca de 30 anos. Ele levava o filho Luke, na época com 2 anos, para passar um tempo no Merça, de manhã, enquanto lia e escrevia umas letras. O cantor citou que músicas como “The Ship Song” (1991), “Papa Won’t Leave You, Henry” (1992) e “Foi Na Cruz” (1990), que ele recorda terem sido escritas numa das mesas do bar da Vila Madalena.

“Mas boa parte do meu tempo no bar foi gasto sentando, fumando uns cigarros, bebendo uma cerveja e conversando com o Luke, enquanto ele chupava seu pirulito Chupa Chup e me ouvia.”

“Na hora em que acontecer a demolição do pequeno bar, um pedaço da alma da Vila Madalena vai se perder. E um pedaço da minha também. Então, eu digo adeus à Mercearia São Pedro, o maior bar do mundo, e digo obrigado ao Pedro, pelo carinho que ele sempre mostrou a meu filho Luke.”

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