POPLOAD TV – Série “dgdgd+” traz entrevista com o fotógrafo Lyle Owerko, sobre rock na Tunísia e também sobre a imagem mais icônica do atentado às torres gêmeas de NYC

>>

* As duas décadas do maior atentado terrorista da história, que determinaram a queda das duas torres do World Trade Center em Nova York, um avião derrubado na Filadélfia e outro explodindo numa das edificações do Pentágono em Washington, e que tudo junto causou cerca de 3 mil mortes diretas, tem sido largamente lembradas nos últimos dias.
No terceiro episódio da série de conversas “dgdgd+”, que a Popload TV vem reproduzindo em parceria com o cineasta, publicitário e amigo gaúcho Diego de Godoy, ele entrevista o fotógrafo e amigo canadense Lyle Owerko, que naquela linda manhã fatídica de 11 de setembro de 2001 estava com sua câmera à mão e clicou o momento exato em que o segundo avião atingia a segunda torre bem no meio, enquanto a primeira já ardia em chamas perto de seu topo.
A imagem, uma das mais impressionantes do triste acontecimento, foi parar na edição especial de 11 de setembro da revista “Time”. E obviamente correu mundo.
Segundo Diego, “nada pode ser mais icônico que a capa da revista mais famosa do mundo sobre o evento mais marcante do século”.
Abaixo, Dioego de Godoy introduz em texto, com mais fundamento, o convidado da vez da “dgdgd+”. Na sequência, o vídeo da entrevista.

11setembor

Por DIEGO DE GODOY (série “#dgdgd+”)
Para chegar no pé do World Trade Center e registrar o evento que redefiniu o mundo naquela linda manhã de setembro de 2001, em Nova York, Lyle Owerko deu várias voltas na Terra saindo do seu apartamento do bairro de TriBeCa, quase ao lado do local da tragédia.

Em 1999, passou a rodar o mundo como fotógrafo documentarista. Viajou para Tóquio, pelo norte da Europa, fotografou caçadores adestradores de águias na Mongólia e explorou a África profunda em diversas visitas. Dois anos depois, às 8h47 do dia 11/9, recém-chegado de uma dessas viagens, ainda zoado de jet lag, ouviu o som mais horrível que já testemunhou, o rasgar do ar pelo primeiro avião. Instintivamente, pegou a mochila com o equipamento que mal largara na porta de casa e foi para a rua entrar para a história também.

Sua foto da explosão da segunda torre virou capa da edição especial da revista “Time”. Particularmente, acho que nada pode ser mais icônico que a capa da revista mais famosa do mundo sobre o evento mais marcante do século. Mas nada disso teria acontecido se seu equipamento não estivesse casualmente pronto e à mão na porta de casa.

Ele conta tudo no começo e no fim deste terceiro episódio da série de conversas dgdgd+, exatos 20 anos depois do principal atentado terrorista de todos os tempos, que vitimou quase 3 mil pessoas. Ainda: no meio do nosso papo, até rock da Tunísia.

Só porque eu gosto das coincidências: Lyle é canadense e, naquela época, namorou uma norueguesa, como o Leonard Cohen e a Marianne Ihlen, tema da entrevista anterior desta série. E, exatamente como Leonard, deixou este amor para trás numa terra distante porque “ainda tinha algo a fazer em NY”.

Nesta entrevista, ele revela que atualmente trabalha em um projeto na linha da “descoberta da América verdadeira” nos moldes da feita pelo fotógrafo americano Richard Avedon, que foi a inspiração – veja só – para o livro do Michael Stipe, do REM, que apresentamos no episódio de estreia da dgdgd+.

Lyle também veio ao Brasil, onde conheceu as irmãs Rita e a Alice Braga, queridas amigas que nos apresentariam depois. Eu o visitei algumas vezes em NY, e me lembro de ele contar que, no meio do atordoamento inimaginável daquele 11 de setembro que começou ensolarado e de céu azul, as pessoas comentavam que foi um dia extremamente silencioso em que sequer ouviram um pássaro cantar.

“And No Birds Sang” é o nome do seu livro sobre aquela semana no centro do mundo.
Fazia tempo que não nos falávamos. De lá para cá, ele se mudou para Los Angeles, casou e teve um filho. Colocamos o assunto em dia nesta conversa. Na última vez que fui a Nova York, Lyle me esperou chegar bem tarde e, para minha absoluta supresa, me entregou a chave da sua casa e saiu de férias. Nos 40 dias em que fiquei na cidade, eu não fui ao Ground Zero logo ali do lado. Não havia mais nada para ver, ainda que muito para refletir.

>>