SEMILOAD – Tá bom! Nossa homenagem atrasada ao tal Dia do Rock. Desde que esse rock seja torto, claro

1 - semiload-arte2

* Hoje é Dia de Rock, bebê não-binário!!
Quer dizer, foi na terça passada. Resolvemos, ainda que de forma atrasada, embarcar um pouco mais a fundo nesse “feriado” que a gente não liga, uma das grandes bobagens artificiais criado para ser um dia “mundial”, mas é só celebrado no Brasil, o que é significativo para muitas coisas.
Mas que, como diz os ex-roqueiros e agora eletrônicos do Supervão, banda do Sul, “faz party”.
Então resolvemos entrar mais a fundo nesse “feriado rocker” da semana para aproveitar e dar uma olhada no “status quo” do rock hoje e tentar imaginar, com olhar um pouco mais moderno, para onde ele está indo. Muito além do que sugere a frase célebre da Cristiane Torloni.
E adivinha quem a gente convidou para fazer esse “exerício”? Quem? Quem?

Captura de Tela 2021-07-16 às 11.38.53 AM

Foi Dia Mundial do Rock nesta semana e claro, todo ano é a mesma coisa – vejo vários obituários do rock’n’roll, um estilo que foi tomado por preciosismos (e saudosismos). Ah, sim, uma parte do rock morreu mesmo – e por essa agradeço.

Porque uma parte do rock não cabe mais. Se antes era marcado por questionar o sistema vigente, quebrar tudo ou pedir paz, hoje o tempo passou e muitos dos então-ídolos se perderam no meio do caminho; se tornaram menos artistas, mais senhores, em mentalidade.

O rock não é mais de Marcelo Nova, que crê que é um caso isolado da sociedade e não vê com responsabilidade alguma a sua existência midiática e artística. O rock não é mais de Eric Clapton, que perdeu a chance de se consolidar como um ídolo influente para o bem – e optou por se distanciar até da mentalidade empática que gosto de acreditar que um amigo seu, George Harrison, teria. O rock não é da rebeldia pela rebeldia, de quem confunde negacionismo com liberdade, presidente ignorante com mudança, Brexit com revolução. E, por isso, é hora de desapropriar alguns roqueiros do rock que eles creem fazer.

Mas o rock tem suas efemérides, como já diria o Lúcio. Enquanto muitos artistas provam ser obsoletos, outros reafirmam sua imortalidade – o Nirvana, cujo “Nevermind” faz 30 anos muito em breve, lembra como a vulnerabilidade é uma parte importantíssima do gênero musical. Uma figura como Kurt Cobain, tão passageira, reforçava o que nenhum dos artistas ali em cima se propõe a acreditar: é necessário ser sensível, ao seu redor, à música, às pessoas.

A sociedade já sacou isso em parte e o gênero musical demorou. Mas o rock, aos poucos, vem se metamorfoseando – como deveria. É essa a parte que muita gente tem dificuldade de compreender: enquanto a gente vai se conscientizando, a gente questiona, aprende a não aceitar. De repente, alguém (Quincy Jones, ninguém menos) nos lembra que Elvis era racista – um homem branco, que fez sucesso porque “precisavam de alguém branco que fizesse o que os pretos faziam”, não sabia reconhecer de onde veio nem prestar o devido tributo. Afinal, até que ponto o rock era realmente uma expressão contracultural, se só fez sucesso quando se tornou estritamente branco, masculino, cis, hetero?

O rock há de vir de fora da bolha, do status reinante. É assim que ele prospera. Com reparação histórica dos pretos que a fundaram, assumido por WILLOW, KennyHoopla, até Jup do Bairro e companhia. Assumido por mulheres, pessoas não binárias, quem confronta a masculinidade de alguma forma; logo ela, que pareceu ser a definição de rock em algum momento. O rock vem de onde você não esperava, da direção que você não estava olhando, justamente porque esse é o seu propósito. Olha lá: o rock vem vindo da Itália.

Por isso mesmo, o rock só morreu para quem não aceita sua nova vida. Na verdade e especialmente nos últimos dois anos, o estilo vem respirando, crescendo como se nunca tivesse sumido do mainstream. Se você não o reconhece, não entendeu nada; se o enterra, o rock não é mais para você de qualquer forma. E isso também faz parte do ciclo vital da música – talvez o erro dos ex-roqueiros seja o de achar que é possível ser liberal na música, conservador nos costumes.

Vida longa ao rock, enquanto este for novo, contra o padrão, enquanto fizer sentido. E pasmem: em 2021, faz muito.

*****

* Dora Guerra comanda a espertíssima newsletter Semibreve, nossa parceira semanal de textos importantes, e “atua” no Twitter como @goraduerra.

>>

  • Rapaziada BR

    O rock está emtubado em uma UTI de periferia do 3 mundo 😂😂😂 centros culturais em grandes metropoles não representam a realidade de um país, especialmente o Brasil! Agora se for olhar o interior do país e for procurar aonde está o rock tu deita e chora ahahahah porém acredito que a culpa maior desse fato é do próprio meio.

  • C. Menez-KiLL

    Falou o cara que tá num site que enaltece a cultura pop, uma das mais subversivas, que tem ajudado a décadas a formar um bando de alienados e hoje é a base para a mais patética das gerações que a sociedade produziu. Essas bandas aí são um lixo, sempre tiveram costumes liberais no rock, não precisam enfiar goela abaixo suas convicções para que os demais os respeitem.

  • onofre gonçalves

    Estão cancelando Eric Clapton e Marcelo Nova? Continuem tentando, eles fizeram um grande trabalho, enquanto os ‘artistas’ pedintes,parasitas de Rouanet, precisam de “causa” e mimimi pra se promover. Identitarios são bucha de canhão, se promovem com subversão pura PORQUE NINGUÉM,NEM ELES MESMOS, AGUENTAM A PORCARIA DE “ARTE” que fazem. Ok, a esquerda acertou em cheio ao mobilizar preguiçosos,pervertidos,fracos e invejosos a fazer militância fanática, mas destruir é fácil, construir é que é difícil. Estão tentando construir Cuba até hoje, e mesmo com toda a ajuda estrangeira aquilo continua o inferno. Viva Clapton e Marcelo Nova,eles tem bolas, asar de quem cortou as suas kkkkk.

  • Jesse David

    Vim, vi e fui.
    Fica a sugestão : leiam, se interem sobre um assunto, antes de falarem bobagens.
    O Rock nunca irá morrer, as modinhas sim.
    Beatles, Bowie, Stones, Led, Lou e Cia ilimitada continuam tocando nas boas radios, nos melhores filmes, nos toca discos, e ouvidos por quem ñ tem gostp duvidoso, pelos realmente descolados, pelas boas cabeças e pelas personalidades mais reais e originais do planetinha azul.
    Helter Skelter !