Sobre as canções mais tristes do mundo. Jeff Buckley cantando Smiths

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* Uma das listas que eu mais gosto no mundo das listas é a das canções mais tristes da história da música. Uma vez fiz um post, não o achei agora, que falava da desgraceira sonora provocada por uma canção húngara chamada “Gloomy Sunday”, também conhecida como “Suicide Song”, que já literalmente matou gente desde que foi composta em 1933 até o ano passado, segundo registros. E já foi vertida e interpretada em língua inglesa por gente notável como Billie Holiday, Elvis Costello, Marc Almond, Diamanda Galas, Sinéad O’Connor, Mariane Faithfull e Bjork, para ficar em “poucos” exemplos.

Seguindo nesta toada triste, dá para citar aqui quase tudo produzido na curta vida do Joy Division, uma das bandas com histórias mais sorumbáticas da música pop e chegar no impressionante Glasvegas, banda escocesa cool mas amarga que, pelo que eu me lembro, ali por 2007, 2008, nem dez anos faz, trouxe uma nuvem escuríssima para cima do pop britânico com músicas bonitas e letras de gelar a alma. Lembro que uma das músicas chamava “Pain Pain, Never Again” e tinha um “spoken word”, hã, falado pela MÃE do vocalista, o perturbado James Allan. No disco seguinte, vieram com uma pior, cujo título já se encarregava de dar o recado: “I’d Rather Be Dead (Than Be With You)”.

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E, talvez, para mim, a música mais triste da minha existência musical ativa, por ter chegado aonde chegou e tocado o que tocou, seja “Everybody Hurts”, do REM. Mas, enfim, quero ir mais além para chegar a 2016.

Nessas tais e tantas listas de canções tristes que sempre me atraíram, sempre vi três coisas em particular:
* “Jolene”, da Dolly Parton, famosa para o meu gosto por causa da versão do White Stripes, que mesmo não parecendo a música mais feliz do mundo nunca achei que carregava essa áurea de morte que dizem carregar.
* músicas dos Smiths, várias, cheias de “solidão da alma”, que mesmo com um Morrissey felizão dizendo que a luz da esperança nunca iria se apagar dava a impressão de que ele queria mesmo era dizer o contrário. E Morrissey é um dos sujeitos mais geniais e irônicos que já compôs uma letra e segurou um microfone.
* músicas do grande Jeff Buckley, guitarrista moderno de blues. E blues é blues. Mas o gênero associado a Buckley, morto “misteriosamente” afogado em 1997, aos 30 anos, com apenas tempo de deixar-nos um único e absurdo disco de estúdio, nunca deixou de carregar um peso de vida de doer. Pelo menos essa sempre foi minha sensação ao escutá-lo.

Pois bem…

Eis que agora, quase 20 anos depois da morte de Buckley, vai ser lançado um disco de inéditas de estúdio e covers chamado “You and I”, com previsão de chegada às lojas em março. E, no meio dele, uma releitura de Buckley para “I Know It’s Over”, dos Smiths.

Bom, Buckley + Smiths é foda. “I Know It’s Over”, justo essa, em particular, sua letra, mostra um Morrissey miserável sob música linda pedindo socorro para a mãe, tanta era a solidão dilacerante e desgraçada. O primeiro verso já mostrava de cara:

“Oh Mother, I can feel the soil falling over my head
And as I climb into an empty bed
Oh well. Enough said.
I know it’s over – still I cling
I don’t know where else I can go
Oh…”

Daí que essa versão foi revelada nas últimas horas. E tem até vídeo. Esteja avisado. E sinta o drama.

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