Em 1975:

Top 10 Gringo: Semana da mulher tem a St. Vincent em primeirão e a girl in red na cola. Bonito. Kings of Leon pede bom espaço e o Drake chega mansinho

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* Semaninha boa lá fora, no agito dos lançamentos musicais, com reflexo direto no nosso top 10 internacional. Tem a St. Vincent com promessa de discão, tem a promessa girl in red cada vez mais perto de se tornar fenômeno, um retorno e tanto (e inesperado) do Kings of Leon, entre outros auês sonoros. Um mundo pop mais agitado nos cantos onde a pandemia deixa a cada dia mais de ser uma realidade, privilégio deles, incompetência nossa. E la nave va.

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1 – St. Vincent – “Pay Your Way in Pain”
St. Vincent voltou. E voltou com tudo. Gemidos acompanhados de um piano antigo, um riff sintetizado junto de uma bateria analógica. Universos misturados em uma letra sobre o preço que pagamos em dor e vergonha da nossa existência atual. Ou como explicou melhor à revista inglesa NME a própria Annie Clark: “É também sobre como não há nada que eu tenha feito na minha vida que não envolva algum tipo de luta”.
2 – girl in red – “Serotonin”
Billie Eilish europeia ainda por explodir – ou uma nova Lorde talvez -, a norueguesa Girl in Red (ou girl in red, tudo em minúsculos, um jeito significativo da nova geração de se expressar…) promete com seu álbum de estreia “if i could make it go quiet” (as minúsculas…). “Serotonin”, seu novo single, começa superindie nas guitarras e entra num quase hip hop pop (hip pop) e recebe a volta das guitarras às vezes. E tem “A LETRA” para o movimento indie-mental health que assola a música hoje, no Brasil e fora dele: “I’m burnin’ up on serotonin/ Chemical unbalance got me twisting things/ Stay blessed with medicine”. O que mais ou menos seria “Minha serotonina está bombando. O desequilíbrio químico me atrapalha toda. Fico plena com remédios”. Pesado. E leve depois dos remédios tomados.
3 – Kings of Leon – “Stormy Weather”
A gente está na turma que gostou do novo álbum do Kings of Leon. “When You See Yourself”, oitavo disco, recupera o fôlego perdido em alguns lançamentos qualquer-nota da banda nos últimos anos – onde andaram cada vez mais distantes do bom primeiro álbum e dos três seguintes que eram respeitáveis. Aqui as coisas funcionam bem. Temos boas guitarras, protagonistas, e uma bateria que vai da simplicidade de saber se fazer presente quando precisa. E um punhado de canções inspiradas, como o caso de “Stormy Weather”, que pede uma estrada, um rolê lá pelas quatro da manhã a procura de alguma coisa perdida que ninguém sabe ao certo o que é. Só quer ver se acha.
4 – No Rome, Charlie XCX e The 1975 – “Spinning”
Deu muita liga essa união entre o relativamente desconhecido No Rome e os gigantescos em popularidade (cada um na sua) Charlie XCX e The 1975. Daquelas canções que vão tocar infinitamente em qualquer rádio do mundo – das mais alternativas até as mais pops. Pegajosa demais. A Charlie comentou algo de supergrupo. A gente imagina que, se esse trio quiser lançar mais coisas juntos, não vamos reclamar.
5 – Drake – “What’s Next”
Talvez “What’s Next” não seja mais um hit nos portes que acostumamos a ver do Drake, mas é um bom som – até por ser um Drake mais rimador, um lado que de vez em quando ele deixa de lado demais e que ele sabe como poucos. E o refrão aceleradíssimo é um acerto e tanto: “I’m makin’ a change today”. Bora pro disco, Drakão.
6 – Amy Winehouse – “Valerie” (Live in London)
O disco ao vivo da Amy Winehouse que pintou nos streamings não é exatamente uma novidade – ele já rolava em DVD há um bom tempo e até em vinil. Mas ter uma acesso fácil a esse registro espetacular e no auge da Amy é algo que não dá para desprezar jamais. Um pouco antes do estouro mundial de “Back to Black”, ela está cantando tudo o que sabe, com o melhor repertório possível, banda afiada. Vale escutar todas, fomos de “Valerie” porque, além de ser maravilhosa (e na real ser uma cover do estupendo The Zutons), vale sacar a versão mais suingada que ela fazia ao vivo em relação à que está no álbum solo do Mark Ronson, o produtor-magia.
7 – Nick Cave – “Carnage”
Nick Cave em um trabalho escrito e gravado durante a pandemia, com o parceiro de tantas Warren Ellis, que começa com os versos: “There are some people trying to find out who/There are some people trying to find out why/There are some people who aren’t trying to find anything/But that kingdom in the sky”. Cave trabalha em outro patamar, como a gente gosta de dizer aqui no Brasil. E mais uma semana dele aqui no Top 10 porque, no nosso ritmo de trabalho frenético, é preciso de muito mais do que o tempo do mundo pop para sacar um Nick Cave.
8 – Julien Baker – “Faith Healer”
A expectativa boa que tínhamos quanto ao álbum de banda da Julien Baker se cumpriu. Que discão da cantora e multiinstrumentista. Nossa favorita segue, no entanto, uma que já conhecíamos enquanto single. “Faith Healer” é um tratado sobre vícios que vai além do problema do vício em drogas e avança sobre a questão do escapismo, que alguns encontram na política, na religião. Formas de lidar com a dor que talvez evitem a cura da própria quando confiamos em pessoas não muito bem intencionadas. Um musicão que prima na dinâmica, uma habilidade que já existia na obra de guitarra e voz de Julien, mas que está amplificada agora que ela é acompanhada por uma banda que pode dar mais corpo a suas ideias.
9 – Wolf Alice – “The Last Man on Earth”
Que bom é termos de volta o Wolf Alice. A banda inglesa da Ellie Rowsell chegou ainda quieta, quase, com este single, para anunciar que vem aí o terceiro álbum. “Blue Weekend” vai ser lançado no dia 11 de junho e já estamos reservando alguns lugares por aqui para suas canções, neste humilde ranking. “The Last Man on Earth”, a música, tem sequência dramática até entrar numa sinfonia à lá Beatles no final. E vale sacar o vídeo da música, simples na ideia e execução, mas ainda assim maravilhoso.
10 – Tigercub – “Stop Beating on My Heart (Like a Bass Drum)”
Banda inglesa de Brighton que sempre parece que vai “acontecer” mas não deslancha, a Tigercub tem a chance de decolar agora com seu segundo álbum. Para puxar “As Blue as Indigo”, o disco, a ótima “Stop Beating on My Heart (Like a Bass Drum)” até começa meio Alt-J brincando com os silêncios, mas depois descamba num Muse heavy metal bem bom.

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* A imagem que ilustra este post é da cantora e guitarrista St. Vincent.
** Repare na playlist. A gente inclui as 10 mais da semana, ou quase isso, mas sempre deixa todas as músicas das semanas anteriores. Pensa no panorama que isso vai dar conforme o ano for seguindo…
*** Este ranking é formulado por Lúcio Ribeiro e Vinícius Felix.

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Popnotas – O filminho do Shame, as 87 músicas do Lennon, No Rome+Charli XCX+1975, Sharon van Épica e ele… sim… o Foo Fighters

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* A banda punk inglesa Shame, famosa por suas poderosas apresentações ao vivo, soltou ontem à noite no Youtube um filme chamado “Live in the Flesh”, cheio de chinfras de bastidores, para mostrar “por dentro” como um show do Shame funciona, desde a chegada da banda ao lugar da performance. Claro, tem um quê teatral engraçado, a cara do Shame (foto na home). Na parte do vamos-ver, mesmo, a banda tocando, são sete faixas de seu mais recente disco, “Drunk Tank Pink”, o segundo deles, lançado em janeiro. O filme foi gravado no Brixton Electric, no sul de Londres, área deles. E, como todo show do Shame, é intenso e vale o livestreaming.

* Featuring de peso. O músico Guendoline Rome Viray Gomez, mais conhecido pelo seu nome artístico No Rome, conseguiu reunir Charli XCX e The 1975 na mesma faixa. É o single “Spinning”. Charli chegou a escrever um tweet que mencionava estar ansiosa em formar um supergrupo com No Rome e o 1975. Se o trio ainda vai ter mais músicas em parceria é quaaaase um mistério. Mas, pelo que entregou Charli…

* “Plastic Ono Band”, primeiro álbum solo de John Lennon, lançado após o rompimento dos Beatles, vai ganhar uma edição de luxo caprichada em abril. Esta “Ultimate Collection Box Set” lembra os moldes do que rolou com “Imagine” em 2018, ou seja seis CDs, blu-ray, livro e tudo o mais – são nada menos que 87 gravações inéditas entre outtakes, demos, jam sessions e a gravação ao vivo completa de Yoko Ono/Plastic Ono Band, seu álbum-irmão – ou irmã, talvez caiba melhor no caso.

* Sharon Van Etten anunciou um disco chamado “epic Ten”, um álbum duplo que vai celebrar os 10 anos de “epic”, seu segundo trabalho. Terá uma reedição do original acompanhando de um disco onde artistas como Fiona Apple, Lucinda Williams, Big Red Machine, Courtney Barnett e Idles fazem uma releitura da obra decana. Já temos um gostinho do primeiro cover, a versão do Big Red Machine para “A Crime”, faixa que abre o álbum. Quando chega tudo? Abril.

* O Foo Fighters participou ontem do “Late Late Show” do figura James Corden. Mais uma das milhares de divulgações de seu novo álbum, “Medicine at Midnight”, lançado tem um mês. Tocaram a mesma “Waiting on a War” que já tinha rolado no programa do Jimmy Fallon e em outros cem lugares, seja TV, rádio, internet. Sempre com o Foo Fighters gravando sua performance e a enviando aos veículos. Quem aguenta tanto do mesmo? Sendo talvez a única banda de rock que ainda consegue chamar a atenção de todos os programas de entretenimento do mundo, fica evidente também alguns efeitos da pandemia no mundo da música. Pouca gente trabalhando, falta de assunto, clima e eventos extremamente iguais. Quando a banda não inova no repertório ou é um pouco mais radical na filmagem, tudo soa meio cansado. Bom, Dave. Desculpa o trato. Só estamos ficando cada vez mais mau-humorados com tudo… De todo modo, o vídeo está aqui abaixo. Pelo menos foi gravado de um outro ângulo, com o Dave Grohl olhando para a esquerda.

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Popnotas: O livro-feed da Billie Eilish, 1975 cancela o que já estava cancelado e o Ty Dolla Sign fazendo “Smells like Teen Spirit”. Por que não?

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– Lançado em maio de 2020, “Notes on a Conditional Form”, do The 1975, é um álbum que deve ter marcado a quarentena de muita gente. A banda inglesa tinha planos de uma turnê que obviamente não saiu do papel e anunciou ontem que vai cancelar agora a série de shows planejada e já até vendida para 2021.  O 1975 sairia em tour pela Europa em fevereiro, chegando a Londres em julho. Not!  “Estes são tempos incrivelmente difíceis para muitas pessoas, e até que possamos ter certeza de que seremos capazes de fazer shows de uma forma segura para nossos fãs e equipe decidimos que o melhor é cancelar nossa turnê para que, sempre que possível, todos possam ter seus ingressos reembolsados ​​mais cedo ou mais tarde”, diz a nota da banda. Pelo visto, o novo velho álbum deles ficará sem sua tour, já que na mesma info do cancelamento eles aproveitam para avisar que vão aproveitar esse descanso para escrever o próximo disco.

Billie Eilish vai lançar um livro. Não estamos falando de um autobiografia precoce, mas é quase. Esse livro que leva seu próprio nome é uma coleção de centenas de fotos inéditas do período da sua infância até os dias atuais. É tipo um feed de Instagram mais bem organizado, mas em papel e com uma capa boa. Junto com um livro também será lançado um audiobook com histórias inéditas da vida pessoal e profissional de Billie. Sai na gringa no dia 11 de maio.

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–  Mistura de rapper com cantor de R&B, o figuraça californiano Ty Dolla Sign é maluco por Nirvana e por Kurt Cobain, todo mundo já sabe disso. Dolla tem até um Cobain tatuado na perna, para você ver o nível. Para completar, nesta semana ele botou em seu twitter um vídeo do ano passado com ele no estúdio fazendo um cover de “Smells like Teen Spirit”, com ele na guitarra. Começou ali sozinho até que sua banda se uniu ao som e pá. Veio a homenagem número 1.238.465 de “Smells like Teen Spirit”, sempre bom e curioso quando quem faz o tributo é alguém que milita em ouuuuutro gênero musical. Daí tiramos o tamanho do que foi a passagem de Kurt Cobain e de seu Nirvana por este mundo.

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Quarentena faz Matty Healy, do 1975, conversar com seus ídolos. E transformar isso em podcast

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* Mais um quarentenado em estúdio, Matty Healy, do queridinho grupo britânico The 1975, lançou nesta semana uma série de podcasts em parceria com a revista inglesa “The Face”, que um dia foi a melhor revista do mundo. Como parte de um “take over” do magazine, Matty faz uma série de bate-papos legais com seus heróis musicais.

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Com uma turminha “bem sussa”, ele tem convidados como Bobbie Gillespie (Primal Scream), Kim Gordon (Sonic Youth), Stevie Nicks (Fleetwood Mac), Conor Oberst (Bright Eyes) e Brian Eno, entre outros.

Nas conversas desde seu estúdio em Oxfordshire, Matty troca experiências sobre a influência das drogas e religião, a obrigação de produzir novas músicas enquanto o mundo está parado, novas obsessões, cultura pop e mais. Bem legal para quem arranha no inglês.

O 1975 está prestes a finalmente lançar “Notes on a Conditional Form”, que já teve seu lançamento adiado duas vezes. Do disco novo, já conhecemos algumas músicas e sabemos que conta com as participações da incrível FKA Twigs, da fofíssima e bela Phoebe Bridgers e até outras mais inusitadas como da ativista Greta Thumberg e do pai de Matty, o ator Timothy Healy.

* Bobby Gillespie and Matty Healy in conversation

* Kim Gordon and Matty Healy in conversation

* Stevie Nicks and Matty Healy in conversation

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* As fotos para este post, a acima e a da home da Popload, são de Jordan Curtis Hughes.

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O 1975 gosta da América e a América gosta do 1975, decreta a banda inglesa no programa do Corden

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Grupo que mantém a tradição de Manchester em exportar música para o mundo, o 1975 tem investido cada vez mais em seus rolês pelos Estados Unidos.

O grupo de Matty Healy apareceu bem de boa na noite de ontem no programa do James Corden, na CBS, para mostrar a boa “I Like America & America Likes Me”, som bem apropriado para o momento da carreira dos britânicos.

A canção faz parte do discão “A Brief Inquiry into Online Relationships”, lançado ano passado. Transitando super bem entre o indie e o pop, o 1975 tem emplacado diversos hits, tipo “Sincerity Is Scary”, “It’s Not Living (If It’s Not With You)” e “TOOTIMETOOTIMETOOTIME”.

A apresentação no Corden pode ser conferida abaixo.

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