Em 1LUM3:

Top 50 da CENA – O rap e o metal comandam nosso ranking, puxadas pelas gêmeas Tasha e Tracie e pelo grupo Papangu. A Isabel Lenza completa o pódio oferecendo equilíbrio

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* Rap e rock juntos. Não é “Judgement Night”, disco clássico do filme clássico que reuniu nomes dos dois gêneros lá nos anos 90. São os nossos dois primeiros lugares desta semana – um recorte deste 2021 ainda muito loko que também traz outras boas novidades em clima mais MPB, clima pop e até cyberpunk. A CENA brasileira é ampla, geral e irrestrita. A gente não cansa de dizer isso por aqui. Assim como não cansamos de avisar que a nossa playlist é o jeito mais eficaz de se atualizar sobre a CENA. Já segue ela?

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1 – Tasha e Tracie – “Lui Lui” (Estreia)
Quem tá ligado no mundo da moda já conhece as gêmeas paulistanas Tasha e Tracie há um tempo. Elas ficaram famosas pelo blog “Expensive Shit”, onde ensinavam a se vestir bem sem gastar muita grana. No blog, elas também davam seu show de conhecimento com uma pesquisa sobre arte, cultura e som. Elas não rimavam quando apareceram pela primeira vez, mas eram do rap. Foi um toque do mestre Kl Jay que acertou esse detalhe. Ele as alertou que na cultura hip hop todos podem fazer a arte que quiserem. E elas resolverem investir nas rimas. E que belo investimento. Seu primeiro álbum, o recém-lançado “Diretoria”, é arrasador. E, no pique, são 22 minutos de ideia boa atrás de ideia boa. “Igual nós vocês quer viver/ Mas igual nós ‘cês não quer morrer”, “Nasci com a boca que elas compra”, “Pra ter o que você tem só precisa de um paicpague/ Pra fazer como eu faço; muita vivência de base”. São só alguns exemplos das boas linhas. A gente escolheu “Lui Lui” aqui no top, mas poderia qualquer um dos outros sons.

2 – Papangu – “Ave-Bala” (Estreia)
Muito interessante o som metaleiro e progressivo dessa banda de João Pessoa, Paraíba. A gente que nem é tão versada nesse ramo sabe pelo menos reconhecer algo muito bem-feito – e tem um rolê conceitual muito bem construído ali, com referências à literatura brasileira, ao imaginário nordestino e ainda carrega um papo político sobre relações sociais e com a natureza que corre por fora da narrativa mais explícita da banda. Preste atenção nesses caras.

3 – Isabel Lenza – “Eu Sou o Meu Lugar” (Estreia)
No belo disco conceitual de Isabel Lenza sobre se descontruir e reconstruir após um relacionamento complicado, um dos momentos bonitos é a afirmação de saber que você é seu lugar, responsável por seus atos e por sua felicidade. Uma resolução que permite que a personagem volte a amar a si e outros na sequência. Uma boa lição, cantada dentro de uma atmosfera confiante e acolhedora, o que serve como mais uma arma de enfrentamento de situações delicadas. Boa, Lenza.

4 – Valciãn Calixto – “Exu Não É Diabo (Èsù Is Not Satan)” (1)
Em “Macumba 2.0”, álbum recém-lançado, o músico piauiense Valciãn Calixto dá uma aula sobre as religiões de matriz africana buscando desmistificar conceitos errados criados com a intenção de desarticular e criminalizar sua prática. Neste som, Exu é comtemplado e explicado por Valciãn em um forró que mantém sua pesquisa sonora avançando sobre o indie e experimentações lo-fi. Se isso não é uma riqueza sonora brasileira por onde quer que se olhe, não sabemos mais o que é. Valciãn é o nosso Sufjan Stevens do Nordeste, fala que não.

5 – Jade Baraldo – “Não Ama Nada” (Estreia)
Jade em seu primeiro single por uma gravadora grande mantém sua busca por um pop esperto. E chega mirando nos aproveitadores, que sugam sua confiança, seu trabalho e sua fama. Falam que amam, não amam nada.

6 – Cadu Tenório – “Psycho Zaku” (2)
Não que a gente entenda tudo, mas é um barato a viagem experimental do carioca Cadu Tenório. Em “Are You Okay” temos uma porção de músicas longas que vão se construindo e desconstruindo em loops, ruídos, colagens. E, pensando melhor, será que tem algo mesmo para ser entendido? É sentir, talvez, o verbo mais apropriado.

7 – 1LUM3 – “Lovecrime” (3)
A voz da 1LUM3 segue sendo uma das mais bonitas da CENA e aqui ela capricha em boas letras e nas produças certeiras – é pop, mas não tem muito cara de pop, saca? “Lovecrime” é daquelas que nascem com cara de hit, um som sobre amores que já se despedaçaram e seguem nas nossas mentes.

8 – Letrux – “Isso Aqui É um Campo Minado” (4)
Aqui Letrux nos apresenta mais uma música que ela escreveu há muito tempo e nunca tinha gravado. Talvez essa seja uma de 2007 e 2008 e já revela um pouco do que ela faria mais para a frente. Dá uma sensação engraçada ver letras de uma Letrux que não existe mais sendo cantadas pela Letrux de hoje. Como isso chama não sabemos, mas tem uma sensação aí.

9 – Mariá Portugal – “Cheio/Vazio” (5)
E, por falar em música esquisitinha, que delícia essa experimentação da Mariá Portugal. A baterista/compositora que já tocou com vários grandes nomes da MPB, além de ser parte do sensacional Quartabê, faz uma música que chega a ser tradicional até seus dois minutos – dali em diante as formas e tempo parecem se dissolver e voltar e sumirem de novo. Difícil descrever. Este single fará parte de seu novo álbum, “Erosão”.

10 – Yannick Hara e VNDROID – “Incêndio Doloso” (Estreia)
Single feito de maneira urgente, essa dupla cyberpunk reflete sobre o recente incêndio que levou uma parte do acervo da nossa cinemateca. Música enquanto denúncia e registro das consequências da atual gestão do país.

11 – Guilherme Arantes – “A Desordem dos Templários” (6)
12 – Autoramas e Rodrigo Dead Fish – “A Cara do Brasil” (7)
13 – Marcelo Perdido – “Carnaval” (8)
14 – GIO – “Sangue Negro” (9)
15 – Tuyo – “Turvo” (10)
16 – Linn Da Quebrada – “I míssil” (11)
17 – Priscilla Alcântara – “Tem Dias” (13)
18 – Macaco Bong – “Hacker de Sol” (14)
19 – Rodrigo Amarante – “Maré” (17)
20 – Tagore – “Capricorniana” (18)
21 – Rodrigo Brandão – “O Sol da Meia-Noite” (19)
22 – Criolo – “Fellini” (20)
23 – Amaro Freitas – “Sankofa” (21)
24 – Pabllo Vittar – “Não É Papel de Homem” (22)
25 – Nill – “Singular” (23)
26 – Ana Frango Elétrico – “Promessas e Previsões” (24)
27 – Iara Rennó – “Ava Viva” (26)
28 – Romulo Fróes – “Baby Infeliz” (28)
29 – BNegão feat. Paulão King – “Cérebros Atômicos” (29)
30 – Edgar – “A Procissão dos Clones” (30)
31 – Tuyo – “Toda Vez Que Eu Chego em Casa” (31)
32 – Giovanna Moraes – “Baile de Máscaras” (32)
33 – Jonathan Ferr – “Amor” (33)
34 – Jadsa – “Mergulho” (34)
35 – Mulungu – “A Boiar” (35)
36 – Jup do Bairro – “Sinfonia do Corpo” (36)
37 – Lupe de Lupe – “Brasil Novo” (37)
38 – Bruna Mendez e June – “A Vida Segue, Né?” (38)
39 – Zé Manoel – “Como?” (39)
40 – Yung Buda – “Digimon” (40)
41 – Duda Beat – “Meu Pisêro” (41)
42 – FEBEM – “Crime” (42)
43 – Aquino e a Orquestra Invisível – “Os Prédios Cinzas e Brancos da Av. Maracanã” (43)
44 – Boogarins – “Supernova” (44)
45 – BaianaSystem – “Brasiliana” (45)
46 – Sophia Chablau e uma Enorme Perda de Tempo – “Delícia/Lúxuria” (46)
47 – Jota Ghetto – “Vagabounce” (47)
48 – Mbé – “Aos Meus” (48)
49 – Rico Dalasam – “Expresso Sudamericah” (49)
50 – LEALL – “Pedro Bala” (50)

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* Entre parênteses está a colocação da música na semana anterior. Ou aviso de nova entrada no Top 50.
** Na vinheta do Top 50, os irmãs rappers Tasha e Tracie.
*** Este ranking é pensado e editado por Lúcio Ribeiro e Vinícius Felix. Com uma pequena ajuda de nossos amigos, claro.

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Top 50 da CENA – Com todas as permissões pedidas, Exu ocupa o topo do nosso ranking. Dá-lhe Valciãn Calixto. Cadu Tenório e 1LUM3 completam o pódio

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* Como explicar a seleção desta semana? Temos um importante primeiro lugar, que bate de frente contra um problema sério do Brasil atual, que é o preconceito religioso. Um trabalho que tem toques experimentais assim como alguns dos outros escolhidos para este ranking – Cadu, Mariá. Quando a música é mais tradicional na forma, é experimental na sua gravação – Letrux está gravando pela primeira vez algumas canções que escreveu há mais de dez anos e isso dá uma sensação de deslocamento muito interessante. Então, aprofundando mais na temática acima, nosso primeiro lugar é sobre Exu. Nenhuma conclusão diferente da de que estamos de frente para a melhor CENA musical do Planeta Terra.

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1 – Valciãn Calixto – “Exu Não É Diabo (Èsù Is Not Satan)” (Estreia)
Em “Macumba 2.0”, álbum recém-lançado, o músico piauiense Valciãn Calixto dá uma aula sobre as religiões de matriz africana buscando desmistificar conceitos errados criados com a intenção de desarticular e criminalizar sua prática. Neste som, Exu é comtemplado e explicado por Valciãn em um forró que mantém sua pesquisa sonora articulada com indie e experimentações lo-fi. Se isso não é uma riqueza sonora brasileira por onde quer que se olhe, não sabemos mais o que é. Valciãn é o nosso Sufjan Stevens do Nordeste, fala que não.

2 – Cadu Tenório – “Psycho Zaku” (Estreia)
Não que a gente entenda tudo, mas é um barato a viagem experimental do carioca Cadu Tenório. Em “Are You Okay” temos uma porção de músicas longas que vão se construindo e descontruindo em loops, ruídos, colagens. E, pensando melhor, será que tem algo mesmo para ser entendido? É sentir, talvez, o verbo mais apropriado.

3 – 1LUM3 – “Lovecrime” (Estreia)
A voz da 1LUM3 segue sendo uma das mais bonitas da CENA e aqui ela capricha em boas letras e nas produças certeiras – é pop, mas não tem muito cara de pop, saca? “Lovecrime” é daquelas que nascem com cara de hit, um som sobre amores que já se despedaçaram e seguem nas nossas mentes.

4 – Letrux – “Isso Aqui É um Campo Minado” (Estreia)
Aqui Letrux nos apresenta mais uma música que ela escreveu há muito tempo e nunca tinha gravado. Talvez essa seja uma de 2007 e 2008 e já revela um pouco do que ela faria mais para a frente. Dá uma sensação engraçada ver letras de uma Letrux que não existe mais sendo cantadas pela Letrux de hoje. Como isso chama não sabemos, mas tem uma sensação aí.

5 – Mariá Portugal – “Cheio/Vazio” (Estreia)
E, por falar em música esquisitinha, que delícia essa experimentação da Mariá Portugal. A baterista/compositora que já tocou com vários grandes nomes da MPB, além de ser parte do sensacional Quartabê, faz uma música que chega a ser tradicional até seus dois minutos – dali em diante as formas e tempo parecem se dissolver e voltar e sumirem de novo. Difícil descrever. Este single fará parte de seu novo álbum, “Erosão”.

6 – Guilherme Arantes – “A Desordem dos Templários” (1)
Em seu novo disco, o veterano Guilherme Arantes investiu em recuperar suas raízes progressivas. Para quem não sabe, ele, que ficou conhecido por suas baladas mais românticas, teve uma fase progressiva e roqueira com a banda Moto Perpétuo. A pecha “romântica” que vem grudada a seu nome não faz jus à totalidade de sua carreira. Neste retorno às origens, digamos, ele escreveu a épica “A Desordem dos Templários”, um som de mais de sete minutos com diversas seções, inclusive uma em ritmo de baião. A música parece usar de símbolos antigos para falar dos dias atuais. Em um momento, Guilherme canta: “Cada dia é uma batalha desigual em nome de uma paz/ E tudo que se entende por ‘normal’ é a bandeira incandescente da exclusão”.

7 – Autoramas e Rodrigo Dead Fish – “A Cara do Brasil” (2)
A parceria Autoramas e Rodrigo, vocalista do Dead Fish, chega em uma música veloz e urgente – no clima e na duração. Ela tem quaaaase um minuto, mas dá conta de resumir um ano, quase dois da condução criminosa da pandemia no Brasil, que já custou perto de 600 mil vidas. Para que serve o punk bom, não é mesmo?

8 – Marcelo Perdido – “Carnaval” (3)
Por falar em pandemia e governo que conduz tudo da pior maneira possível – não teve como ter Carnaval neste ano. Mesmo sendo sem ser. Sendo. E aí fica na nossa cabeça esta bela música do Marcelo Perdido com participação do Teago Oliveira, da Maglore, que fala sobre um Carnaval que não foi, mas é. Talvez a canção esteja mesmo falando disso um pouco. Especialmente sobre a nossa força de manter a festa, em amplos sentidos. Estamos muito errados, Marcelo?

9 – GIO – “Sangue Negro” (4)
Que experiência foi trocar uma ideia com GIO, no Popload Entrevista. Está aí um menino cheio de sugestões boas na cabeça idem. O novo álbum do músico baiano, ex-Giovani Cidreira, além de uma ida a sua ancestralidade com a chave do afrofuturismo, é sua tentativa de colocar essas ideias na prática. Trabalhar pelos seus, por sua história e por seu valor. Por que abaixar a guarda para fazer parte de um mundo que não te respeita? Por que querer fazer parte daquela outra festa? Veja bem a nossa festa. Ela que é bonita e ela que diz um tanto de coisa para nós. Ainda que tantos teimem em jogar na nossa cabeça que não é bem assim. Eles estão errados.
A faixa “Sangue Negro”, escrita com o primo Filipe Castro, abre a obra – no YouTube um curta deles mostra as origens da família de GIO e suas histórias. Ao resumir um pouco da ideia do disco, ele escreveu: “É sobre não esquecer que somos pessoas iluminadas, detentoras de um poder ancestral, de um potencial que o sistema racista, que nos mata todos os dias e nos entrega sobras, descarta e nos faz esquecer, retirando o direito de existir na memória, na musicalidade e nas experiências culturais deste país.” Este álbum vai longe, em vários sentidos. E seguimos aqui celebrando ele.

10 – Tuyo – “Turvo” (5)
Velha conhecida dos fãs, “Turvo” é uma canção que finalmente o trio curitibano resolveu colocar em disco. E a vez dela chegou em “Chegamos Sozinhos em Casa, Vol. 2”. Porém, “Turvo” aparece totalmente desconstruída da versão conhecida pelos fãs. Acelerada, mais eletrônica e mais suingada, é de longe das canções mais viciantes do álbum. Esta é para tocar um milhão de vezes por aí.

11 – Linn Da Quebrada – “I míssil” (6)
12 – Bivolt – “Pimenta” (7)
13 – Priscilla Alcântara – “Tem Dias” (8)
14 – Macaco Bong – “Hacker de Sol” (9)
15 – Rincon Sapiência – “Todo Canto” (10)
16 – Mary Olivetti – “Black Coco” (12)
17 – Rodrigo Amarante – “Maré” (13)
18 – Tagore – “Capricorniana” (15)
19 – Rodrigo Brandão – “O Sol da Meia-Noite” (19)
20 – Criolo – “Fellini” (20)
21 – Amaro Freitas – “Sankofa” (21)
22 – Pabllo Vittar – “Não É Papel de Homem” (22)
23 – Nill – “Singular” (23)
24 – Ana Frango Elétrico – “Promessas e Previsões” (24)
25 – Mineiros da Lua – “Armadilha” (25)
26 – Iara Rennó – “Ava Viva” (26)
27 – Isabel Lenza – “Tudo Que Você Não Vê” (27)
28 – Romulo Fróes – “Baby Infeliz” (28)
29 – BNegão feat. Paulão King – “Cérebros Atômicos” (29)
30 – Edgar – “A Procissão dos Clones” (30)
31 – Tuyo – “Toda Vez Que Eu Chego em Casa” (31)
32 – Giovanna Moraes – “Baile de Máscaras” (32)
33 – Jonathan Ferr – “Amor” (33)
34 – Jadsa – “Mergulho” (34)
35 – Mulungu – “A Boiar” (35)
36 – Jup do Bairro – “Sinfonia do Corpo” (36)
37 – Lupe de Lupe – “Brasil Novo” (37)
38 – Bruna Mendez e June – “A Vida Segue, Né?” (38)
39 – Zé Manoel – “Como?” (39)
40 – Yung Buda – “Digimon” (40)
41 – Duda Beat – “Meu Pisêro” (41)
42 – FEBEM – “Crime” (42)
43 – Aquino e a Orquestra Invisível – “Os Prédios Cinzas e Brancos da Av. Maracanã” (43)
44 – Boogarins – “Supernova” (44)
45 – BaianaSystem – “Brasiliana” (45)
46 – Sophia Chablau e uma Enorme Perda de Tempo – “Delícia/Lúxuria” (46)
47 – Jota Ghetto – “Vagabounce” (47)
48 – Mbé – “Aos Meus” (48)
49 – Rico Dalasam – “Expresso Sudamericah” (49)
50 – LEALL – “Pedro Bala” (50)

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* Entre parênteses está a colocação da música na semana anterior. Ou aviso de nova entrada no Top 50.
** Na vinheta do Top 50, o músico piauiense Valciãn Calixto.
*** Este ranking é pensado e editado por Lúcio Ribeiro e Vinícius Felix. Com uma pequena ajuda de nossos amigos, claro.

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TOP 50 DA CENA – Calma, nada. O jeito é ser estranho. Negro Leo, Thiago Nassif, Jup do Bairro, Tuyo… Que cena legal e fora da curva a gente tem

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* Na nossa mutante CENA independente musical brasileira, nesta semana sai a calmaria e entra a esquisitice, a estranheza. Ou, vai, o experimentalismo.
E, óbvio, isso vem da cena carioca. Ou dos agregados ao Rio de Janeiro musical. Que momento!
E essa representatividade toda de Negro Leo e Thiago Nassif, no caso, quando junta variações incríveis e diferentes entre si como Jup do Bairro, Gustavo Bertoni, Tuyo, Nevilton, Francisco, entre outros, dá um preciso recorte do que pode esta CENA.
Faz todo o sentido ler sobre isso abaixo. Mas faz mais ainda ESCUTAR tudo isso, na nossa playlist. Porque, não cansamos de repetir, no fim, este “ranking” é só e somente só sobre essa playlist.

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1 – Negro Leo – “Tudo Foi Feito pra Gente Lacrar” (Estreia)
Destacar uma música do novo álbum do Negro Leo é só uma formalidade para avisar: ouça este disco todo. Uma obra experimental que versa sobre o lacre, uma espécie de praga dos nossos tempos com enormes consequências políticas, sociais, sentimentais. Como essa forma de lidarmos com nós mesmos e com o mundo se conecta com as coisas mais zoadas que estão por aí? E achamos um barato que as músicas mais pop do disco são as instrumentais… Não que isso signifique algo – ou será que significa? Essa cena do Rio…
2 – Thiago Nassif – “Voz Única Foto Sem Calcinha” (Estreia)
Thiago Nassif é mais Rio de Janeiro na lista. Mais Negro Leo, que participa do disco, ao lado de nomes como Ana Frango Elétrico, Arto Lindsay, Vinicius Cantuária. Essa que escolhemos lembra os discos do Caetano com a banda Cê? Thiago parece pegar aquela vibe onde Caetano deixou. E aproveitamos e matamos a saudade da voz da Ana Frango em uma inédita. Essa cena do Rio…
3 – Jup do Bairro – Pelo Amor de Deize (3)
Aí vem a Jup e joga a CENA para o alto. Esta roqueira parceria de Jup do Bairro e Deize Tigrona, que descobrimos ser (também) uma grande roqueira, estremece. Além da pancada sonora, ela pega firme em mostrar a profunda amizade de Jup e Deize, que ultrapassa os momentos complicados, como o da depressão de Deize. Ou da propria Jup. Vai, levanta!
4 – Tuyo – “Sem Mentir” (Estreia)
Quem associa o Tuyo ao fofo folk neo pop brasileiro ou algo assim vai se surpreender com essa balada pop eletrônica apocalíptica. O velho mundo acabou, vida longa ao novo mundo.
5 – Francisco – “Vitória-Rege” (Estreia)
Produção pop e acertadíssima da young Vivian Kuczynski, aqui em um dos som mais legais do álbum do Francisco, um de seus melhores amigos. O refrão “Você me fodeu/ Mas se esqueceu/ Que eu queimei as rosas/ Que você nunca me deu” é bom demais e a quebra de expectativa que rola no final da música é coisa de quem sabe muito bem o que quer do próprio som. Demais.
6 – Nevilton – “Irradiar” (1)
Uma delicada canção sobre amor e sobre o agora. Nevilton pega os sentimentos da quarentena e lança essas sensações e mensagens em uma fineza de música. Esse sabe o melhor caminho de criar belezas com seis cordas.
7 – Gustavo Bertoni – “Sit Down, Let’s Talk” (2)
Doeu tirar do ranking a música anterior do scaleno Gustavo, a bela “Waves”, para botar outra mais bela ainda, essa que propõe dar uma sentadinha, respirar, para então conversar. Os tempos estão tão loucos que esse sussurrado pedido de auto-reflexão, acompanhado por um violão bem dedilhado e um sotaque (inglês) bonito vem bem a calhar.
8 – Wado – “Arcos” (Estreia)
Quais são suas lembranças da infância? O que muda nessas lembranças ao longo do tempo? Wado aborda essa questão das memórias e nossa relação com elas ao longo do tempo em uma faixa ao violão. Bonito demais. Esta aqui entra na nossa playlist massa na quinta-feira, quando a música sair às plataformas.
9 – Amen Jr. – “Ladeira Abaixo” (Estreia)
Para variar, puro suco de anos 80 esse single do sempre bom Amen Jr., quarteto de Brasília. Mais que anos 80: soa São Paulo vanguarda da época esse som. Embarque na nostalgia, às vezes do que nem viveu, que acho que é o caso do Amen Jr. Que idade eles têm?
10 – Vella – “Delírio Besta” (Estreia)
Interessante o novo projeto de Felipe Vellozo, ser indie onipresente por trabalhos no Bilhão, Século Apaixonado, Duda Beat, Mahmundi. E agora, enfim, só. Assumindo suas decisões, como diz. “Delírio Besta” tem a letra valorizada pelo arranjo delicado, mas cheio de pequenos detalhes. Ela é tão curtinha e boa que pede uma repetição. E a cada audição novos detalhes aparecem. Coisa de quem sabe fazer, hein.
11 – Jay Horsth – “Você” (Estreia)
12 – Karol Conka – “Tempos Insanos” (4)
13 – Jadsa – “Quietacalada” (5)
14 – Hiran – “Gosto de Quero Mais” (6)
15 – Vitreaux – “Meia Luz” (7)
16 – Giovanna Moraes – “Sai por Inteira” (13)
17 – Fresno – “Broken Dreams” (9)
18 – 1LUM3 – “Extremo” (10)
19 – The Baggios – “Quareterna Serigy” (11)
20 – ATR e Luedji Luna – “Batom” (12)
21 – JP – “Chorei Dendê” (8)
22 – Antiprisma – “Lunação” (14)
23 – Nelson D. – “A Grande Revolta” (15)
24 – Tássia Reis – “Me Diga” (16)
25 – Supervão – “Depois do Fim do Mundo” (17)
26 – Rohmanelli – “Do Jeito Que o Mundo Está” (18)
27 – Marcelo Perdido – “Não Tô Aqui pra Te Influenciar” (19)
28 – Kunumí MC – “Xondaro Ka’aguy Reguá (Guerreiro da Floresta)” – (20)
29 – Duda Brack – “Contragolpe” (21)
30 – Compositor Fantasma – “Não Sabendo Que Era Impossível” (22)
31 – Don L – “Kelefeeling” (25)
32 – Mahmundi – “Nós De Fronte” (28)
33 – Giovani Cidreira e Mahal Pita – “Mago de Mim Mesmo” (30)
34 – Rico Dalasam – “Mudou Como?” (31)
35 – TARDA – “Breath” (33)
36 – ÀIYÉ – “Pulmão” (34)
37 – Os Amanticidas – “Paisagem Apagada” (36)
38 – Coruja BC1 – “Baby Girl” (37)
39 – Edgar – “Carro de Boy” (38)
40 – Douglas Germano – “Valhacouto” (39)
41 – Taco de Golfe – “Nó Sem Ponto II” (40)
42 – Kiko Dinucci – “Veneno” (41)
43 – Ava Rocha e Los Toscos – “Lloraré Llorarás” (42)
44 – Jhony MC – F.A.B. (43)
45 – Cícero – “Às Luzes” (44)
46 – Febem, Fleezus e CESRV – “Terceiro Mundo” (45)
47 – Djonga – “Procuro Alguém (46)
48 – Letrux – “Déjà-Vu Revival” (47)
49 – Vovô Bebê – “Êxodo” (48)
50 – Troá! – “Bicho” (50)

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* Entre parênteses está a colocação da música na semana anterior. Ou aviso de nova entrada no Top 50.
** Na vinheta do Top 50, o cantor e compositor maranho-carioca Negro Leo.
*** Este ranking é formulado por Lúcio Ribeiro e Vinícius Felix, talvez o maior estudioso da nossa CENA. Com uma pequena ajuda de nossos amigos, claro.

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TOP 50 DA CENA – A ordem é: CALMA! Então respira e veja o ranking que traz Nevilton no topo e Bertoni sentando e conversando. Jadsa, Hiran, Vitraux vão na vibe. E tem a Jup, óbvio

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* Respira… Esta nova edição do ranking da Popload da música brasileira, que vem acompanhado de um excelente playlist, vem propor a calma. Embora a gente esteja ainda trancado em casa (ou bastante tempo do dia trancado em casa), o mundo anda muito louco.
Então nos conquistou de cara, meio que um apelo para a alma, a nova música do grande Nevilton, que foi direto para o topo. Para ajudar nesse processo de desaceleração importante, botamos na sequência a nova do Gustavo Bertoni, a lindaça “Sit Down, Let’s Talk”, que propõe exatamente o que seu título diz.
Beleza, vem depois toda a energia incrível da Jup do Bairro com música do seu fundamental EP “Corpo Sem Juízo”. E bota tudo no ar. Mas o recado já vai estar dado.
Das dez primeiras colocações, sete são estreias da semana, para você ver como a cena está girando forte e bonita. Tem os baianos Jadsa e Hiran, tem emo do Fresno, tem Vitreaux, tem o R&B paulistano da 1LUM3. Só belezuras.
Ah, e tem a fundamental playlist botando tudo para rodar.

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1 – Nevilton – “Irradiar” (Estreia)
Uma delicada canção sobre amor e sobre o agora. Nevilton pega os sentimentos da quarentena e lança essas sensações e mensagens em uma fineza de música. Esse sabe o melhor caminho de criar belezas com seis cordas.
2 – Gustavo Bertoni – “Sit Down, Let’s Talk” (Estreia)
Doeu tirar do ranking a música anterior do scaleno Gustavo, a bela “Waves”, para botar outra mais bela ainda, essa que propõe dar uma sentadinha, respirar, para então conversar. Os tempos estão tão loucos que esse sussurrado pedido de auto-reflexão, acompanhado por um violão bem dedilhado e um sotaque (inglês) bonito vem bem a calhar.
3 – Jup do Bairro – Pelo Amor de Deize (1)
Aí vem a Jup e joga a CENA para o alto. Esta roqueira parceria de Jup do Bairro e Deize Tigrona, que descobrimos ser (também) uma grande roqueira, estremece. Além da pancada sonora, ela pega firme em mostrar a profunda amizade de Jup e Deize, que ultrapassa os momentos complicados, como o da depressão de Deize. Ou da propria Jup. Vai, levanta!
4 – Karol Conka – “Tempos Insanos” (2)
Segura o flow da Karol. Único e lotado de variações. Que valor. Em “Tempos Insanos” ela mostra tudo o que sabe. E WC no beat também dá uma aula aqui. Aumenta o som que esta pede por isso.
5 – Jadsa – “Quietacalada” (Estreia)
A guitarrista e cantora baiana Jadsa vem talvez da CENA mais viva da música independente nacional há algum tempo. Uma guitarrista alternativa e baiana que se apresenta com o ótimo EP (“Taxidermia”) e logo mais chega com um álbum cheio (“Olho de Vidro”). Esta só tem no Bandcamp, mas vale o esforço de ir até lá – é um clique, né?
6 – Hiran – “Gosto de Quero Mais” (Estreia)
Aos poucos vamos gostando de mais músicas do álbum do Hiran. Saí “Galinheiro” que nos conquistou semana passada e entra o feliz encontro de Hiran com Tom Veloso, o filho de. Um refrão pegajoso – ou melhor dizendo, embaçado. Veja o vídeo esperto de tão simples e entenda. Se deixarem essa tocar no rádio, sei não, cara de hit.
7 – Vitreaux – “Meia Luz” (Estreia)
Uma banda que se inspira em Clube da Esquina, rock argentino da década de 1970 e jazz alcança um bom resultado em um disco com toques cinematográficos. Guia do disco, “Meia Luz” é uma ótima introdução ao álbum com seu papo sobre arte em tempos de repressão.
8 – JP – “Chorei Dendê” (9)
Aí o indie mineiro todo guitarra que cantava em inglês foi para a Bahia e encontrou o amor. Pelo lugar, pelo amor mesmo e por cantar em português. E deu no seu novo single, do seu novo EP, que saiu na sexta-feira passada.
9 – Fresno – “Broken Dreams” (Estreia)
Uma volta da Fresno ao som que mais se aproxima de sua pegada emo antiga, embora ainda com uns toques eletrônicos Uma porrada com a participação de Jason Aalon Butler, da banda rapcore americana Fever333.
10 – 1LUM3 – “Extremo” (Estreia)
Vale sempre prestar atenção na 1LUM3, projeto e persona da Luiza Soares. O single é uma canção sobre amor daquelas que nos deixam cheios de dúvidas, como só o próprio amor é capaz. De vez em quando.
11 – The Baggios – “Quareterna Serigy” (3)
12 – ATR e Luedji Luna – “Batom” (4)
13 – Giovanna Moraes – “Sai por Inteira” (6)
14 – Antiprisma – “Lunação” (8)
15 – Nelson D. – “A Grande Revolta” (10)
16 – Tássia Reis – “Me Diga” (11)
17 – Supervão – “Depois do Fim do Mundo” (12)
18 – Rohmanelli – “Do Jeito Que o Mundo Está” (13)
19 – Marcelo Perdido – “Não Tô Aqui pra Te Influenciar” (14)
20 – Kunumí MC – “Xondaro Ka’aguy Reguá (Guerreiro da Floresta)” – (15)
21 – Duda Brack – “Contragolpe” (16)
22 – Compositor Fantasma – “Não Sabendo Que Era Impossível” (17)
23 – ABC Love – “Flertes” (18)
24 – Karen Jonz – “O Grande Excesso” (19)
25 – Don L – “Kelefeeling” (20)
26 – Sessa – “Sereia Sentimental” (21)
27 – Thunderbird – “A Obra” (22)
28 – Mahmundi – “Nós De Fronte” (23)
29 – Mulungu – “No Ar” (25)
30 – Giovani Cidreira e Mahal Pita – “Mago de Mim Mesmo” (26)
31 – Rico Dalasam – “Mudou Como?” (28)
32 – Paulo Nazareth e Nic Medeiros – “A Volta Que o Mundo Deu” (30)
33 – TARDA – “Breath” (31)
34 – ÀIYÉ – “Pulmão” (32)
35 – As Bahias e a Cozinha Mineira – “Forasteira” (35)
36 – Os Amanticidas – “Paisagem Apagada” (36)
37 – Coruja BC1 – “Baby Girl” (37)
38 – Edgar – “Carro de Boy” (38)
39 – Douglas Germano – “Valhacouto” (39)
40 – Taco de Golfe – “Nó Sem Ponto II” (40)
41 – Kiko Dinucci – “Veneno” (41)
42 – Ava Rocha e Los Toscos – “Lloraré Llorarás” (42)
43 – Jhony MC – F.A.B. (43)
44 – Cícero – “Às Luzes” (44)
45 – Febem, Fleezus e CESRV – “Terceiro Mundo” (45)
46 – Djonga – “Procuro Alguém (46)
47 – Letrux – “Déjà-Vu Revival” (47)
48 – Vovô Bebê – “Êxodo” (48)
49 – Tuyo e Terno Rei – “Eu Te Avisei” (49)
50 – Troá! – “Bicho” (50)

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* Entre parênteses está a colocação da música na semana anterior. Ou aviso de nova entrada no Top 50.
** Na vinheta do Top 50, a multiartista trans-formadora paulistana Jup do Bairro.
*** Este ranking é formulado por Lúcio Ribeiro e Vinícius Felix, talvez o maior estudioso da nossa CENA. Com uma pequena ajuda de nossos amigos, claro.

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