Em adele:

BRITs 2022 celebra Adele, elimina as categorias por gênero e bota Liam, Little Simz e Sam Fender para tocar, entre outros

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* Rolou ontem a 42º edição do BRIT Awards 2022, uma das poucas premiações musicais que a gente respeita por ser mais true, menos “promocional” e que menos atende “outros interesses” a não ser a que se propõe, vamos colocar assim. O Brit, que obviamente celebra a música britânica apesar de ter duas categorias de “internacional”, ocorreu em seu local habitual, o O2 Arena em Londres.

Passaram pelo palco, para performances ao vivo, uma galera grande tipo Ed Sheeran, Anne-Marie, Little Simz, Sam Fender, Liam Gallagher, Dave, Holly Humberstone (vencedora do BRITs Rising Star Award deste ano) e Adele. Doja Cat também estava programada para se apresentar no evento, mas precisou cancelar sua performance após membros de sua equipe testarem positivo para a covid-19.

A celebração teve algumas novidades neste ano, como por exemplo a eliminação das categorias por gênero, além de acrescentar os prêmios para Performance de Rock/Alternativo, Dance Music, Hip Hop/Grime/Rap e Pop/R&B.

Entre os responsáveis por anunciar as diversas categorias estavam Ronnie Wood, dos Stones, Celeste e o mais recente boom italiano, a banda Maneskin. Atores como Brian Cox (o poderoso Logan Roy de Succession), Hannah Waddingham e Brett Goldstein (a Rebecca e o Roy Kent de Ted Lasso) e Courtney Cox (Friends). E os atletas Sir Mo Farah, corredor, e Tom Daley, saltador, além dos ícones do futebol inglês Ian Wright e Bukayo Saka (Arsenal), também se juntaram ao time de apresentadores.

A cantora Adele (foto na home da Popload) foi a grande vencedora da noite, faturando prêmios de Álbum do Ano, Artista do Ano e Música do Ano.

Seguem abaixo alguns dos destaques da noite, junto com a lista completa de indicados e vencedores:


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* Confira a lista de indicados e vencedores:

ÁLBUM DO ANO
Adele – 30
Dave – We’re All Alone In This Together
Ed Sheeran – =
Little Simz – Sometimes I Might Be Introvert
Sam Fender – S eventeen Going Under

ARTISTA DO ANO
Adele
Dave
Ed Sheeran
Little Simz
Sam Fender

MÚSICA DO ANO
A1 & J1 – Latest Trends
Adele – Easy On Me
Anne-Marie, KSI, Digital Farm Animals – Don’t Play
Becky Hill & David Guetta – Remember
Central Cee – Obsessed With You
Dave ft Stormzy – Clash
Ed Sheeran – Bad Habits
Elton John & Dua Lipa – Cold Heart (Pnau Mix)
Glass Animals – Heat Waves
Joel Corry, RAYE, David Guetta – BED
KSI – Holiday
Nathan Evans, 220Kid, Billen Ted – Wellerman
Riton x Nightcrawlers Ft Mufasa & Hypeman – Friday (Dopamine Re-Edit)
Tion Wayne & Russ Millions – Body
Tom Grennan – Little Bit Of Love

CANÇÃO INTERNACIONAL
ATB, Topic, A7S – Your Love (9PM)
Billie Eilish – Happier Than Ever
Ckay – love nwantiti (ah ah ah)
Doja Cat ft SZA – Kiss Me More
Drake ft Lil Baby – Girls Want Girls
Galantis, David Guetta, Little Mix – Heartbreak Anthem
Jonasu – Black Magic
Kid Laroi & Justin Bieber – STAY
Lil Nas X – MONTERO (Call Me By Your Name)
Lil Tijay & 6LACK – Calling My Phone
Maneskin – I Wanna Be Your Slave
Olivia Rodrigo – good 4 u
Polo G – Rapstar
Tiesto – The Business
The Weeknd – Save Your Tears

MELHOR GRUPO
Coldplay
D-Block Europe
Little Mix
London Grammar
Wolf Alice

MELHOR ARTISTA POP/R&B
Adele
Dua Lipa
Ed Sheeran
Griff
Joy Crookes

MELHOR ARTISTA DANCE
Becky Hill
Calvin Harris
Fred Again.
Joel Corry
RAYE

GRUPO INTERNACIONAL DO ANO
ABBA
BTS
Måneskin
Silk Sonic
The War On Drugs

ARTISTA INTERNACIONAL DO ANO
Billie Eilish
Doja Cat
Lil Nas X
Olivia Rodrigo
Taylor Swift

ARTISTA REVELAÇÃO
Central Cee
Griff
Joy Crookes
Little Simz
Self Esteem

MELHOR ARTISTA ROCK/ALTERNATIVO
Coldplay
Glass Animals
Sam Fender
Tom Grennan
Wolf Alice

MELHOR ARTISTA HIP HOP/RAP/GRIME
AJ Tracey
Central Cee
Dave
Ghetts
Little Simz

ARTISTA EM ASCENSÃO
Holly Humberstone

Bree Runway
Lola Young

COMPOSITOR DO ANO
Ed Sheeran

PRODUTOR DO ANO
Inflo

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Os Melhores Discos de 2021 da Popload – internacional

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* Que ano desesperador de discos gringos bons, este 2021. Seja de bandas ou artistas novos, seja de bandas ou artistas se firmando, seja de bandas ou artistas já de certa carreira.

Primeiro foi difícil escolher dez para entrar no Top 10. Depois o drama foi botar numa ordem de predileção.

A escolha dos poploaders abaixo revela isso. Com exceção de uns quatro, cinco discos, quase tudo na lista dos oito votantes da Popload é diferente, diverso. Como foi diverso este ano que está acabando.

No caldo geral, na mistura, dá para sacar desta lista nossa que os três principais discos do ano, nesta ordem, são:

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1. Sometimes I Might Be Introvert”, Little Simz

2. “Happier than Ever”, Billie Eilish

3. “New Long Leg”, Dry Cleaning

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Uma artista em seu quarto disco, inglesa, mais para o hip hop. Um fenômeno americano novinho em seu segundo trabalho. Uma banda inglesa em seu álbum de estreia. O tom foi dado só aí.

Veja aí o que você acha de tudo e deixe sua opinião nos canais da Popload, principalmente lá no @poploadmusic, no Instagram, no post sobre esta lista.

Abaixo, (a lista d)os melhores do ano da Popload, por quem faz a Popload.

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** Lúcio Ribeiro

1. “New Long Leg”, Dry Cleaning
2. “Things Take Time, Take Time”, Courtney Barnett
3. “Happier than Ever”, Billie Eilish
4. “Sympathy for Life”, Parquet Courts
5. “Crawler”, Idles
6. “Montero”, Lil Nas X
7. “Sometimes I Might Be Introvert”, Little Simz
8. “Comfort to Me”, Amyl & The Sniffers
9. “Spare Ribs”, Sleaford Mods
10. “Mirror II”, Goon Sax

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** Isadora Almeida

1. “Promises”, Floating Points
2. “New Long Leg”, Dry Cleaning
3. “Jubilee”, Japanese Breakfast
4. “Seek Shelter”, Iceage
5. “Sometimes I Might Be Introvert”, Little Simz
6. “Drunk Tank Pink”, Shame
7. “Collapsed in Sunbeams”, Arlo Parks
8. “Mood Valiant, Hiatus Kaiyote
9. “Absolutely”, Dijon
10. “Man Made”, Greentea Peng

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** Vinicius Felix

1. “Sometimes I Might Be Introvert”, Little Simz
2. “Sympathy for Life”, Parquet Courts
3. “Heaux Tales”, Jazmine Sullivan
4. “Collapsed in Sunbeams”, Arlo Parks
5. “Sound Ancestors”, Madlib
6. “Happier than Ever”, Billie Eilish
7. “Ultrapop”, The Armed
8. “Valentine”, Snail Mail
9. “Bright Green Field”, Squid
10. “Call Me If You Get Lost”, Tyler, The Creator

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** Daniela Swidrak

1. “Loving in Stereo”, Jungle
2. “New Long Leg”, Dry Cleaning
3. “Blue Weekend”, Wolf Alice
4. “Collapsed in Sunbeams”, Arlo Parks
5. “Sometimes I Might Be Introvert”, Little Simz
6. “For the First Time”, Black Country, New Road
7. “Daddy’s Home”, St Vincent
8. “Montero”, Lil Nas X
9. “On All Fours”, Goat Girl
10. “Spare Ribs”, Sleaford Mods

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** Dora Guerra

1. “Happier than Ever”, Billie Eilish
2. “El Madrileño” – C. Tangana
3. “Sound Ancestors”, Madlib
4. “Call Me If You Get Lost”, Tyler, The Creator
5. “Sometimes I Might Be Introvert”, Little Simz
6. “Jubilee”, Japanese Breakfast
7. “30”, Adele
8. “Sensational” – Erika de Casier
9. “To Hell with It” – PinkPantheress
10. “Collapsed in Sunbeams”, Arlo Parks

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** Fernando Scoczynski Filho

1. “Hushed and Grim”, Mastodon
2. “L.W.”, King Gizzard & the Lizard Wizard
3. “Cavalcade”, Black Midi
4. “Sometimes I Might Be Introvert”, Little Simz
5. “For the First Time”, Black Country, New Road
6. “If I Cant Have Love, I Want Power”, Halsey
7. “Daddy’s Home”, St Vincent
8. “The Witness”, SUUNS
9. “Sinner Get Ready”, Lingua Ignota
10. “The Turning Wheel”, Spelling

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** Alê Gliv Zampieri

1. “OK Human”, Weezer
2. “Comfort to Me”, Amyl & The Sniffers
3. “Hushed and Grim”, Mastodon
4. “Van Weezer”, Weezer
5. “The Lunar Injection Kool Aid Eclipse Conspiracy”, Rob Zombie
6. “Medicine at Midnight”, Foo Fighters
7. “Typhoons”, Royal Blood
8. “Aggression Continuum”, Fear Factory
9. “As Blue as Indigo”, Tigercub
10. “Future Past”, Duran Duran

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** Tallita Alves

1. “Blue Weekend”, Wolf Alice
2. “Screen Violence”, Chvrches
3. “Happier than Ever”, Billie Eilish
4. “Sling”, Clairo
5. “Beginnings”, Prudence
6. “Daddy’s Home”, St Vincent
7. “Sometimes I Might Be Introvert”, Little Simz
8. “30”, Adele
9. “Promises”, Floating Points
10. “Priotise Pleasure”, Self Steem

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SEMILOAD – Adele e as delícias da música triste

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* Que alegria um belo texto sobre as músicas tristes. Sim, Dorinha Guerra, nossa parceira semanal, CEO da espetacular newsletter musical Semibreve, aproveitou a carona no bombástico e extrointrovertido disco da cantora Adele para refletir por que, afinal de contas, a gente ama uma musiquinha de chorar.
Enxuga essas lágrimas e leia.

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O lançamento (e estouro!) da Adele, infalível, me fez parar em questões quase metafísicas. Mais precisamente, uma reflexão mais antiga que o quadril de Mick Jagger – por que é que a gente gosta tanto de músicas tristes?

Afinal, provocar a si mesmo uma reação potencialmente negativa é meio contraintuitivo e, às vezes, quase burrice. Quem é que quer intensificar sua própria dor, afinal de contas? Mas o buraco é mais embaixo: mesmo se estivermos inicialmente felizes, pode ser que uma boa sofrência te traga alguma reação positiva. E, se você está triste de fato, pode aliviar em alguma medida a sua melancolia. É o que Jerrold Levinson chama – e eu não poderia dizê-lo melhor – de “paradoxo do masoquismo musical”.

Primeiro, vou te dar os argumentos científicos: aparentemente, a música triste induz o aumento de prolactina, hormônio que ajuda a reduzir o sentimento de luto. Se você já não está sentindo luto, você pega sua tristeza negativa e a diminui ainda mais, ficando alegre. Aparentemente, pessoas com maior grau de empatia também curtem mais as músicas badzinhas, sentindo uma tal de “tristeza prazerosa”. Beleza.

Fato é que existe algum prazer na tristeza: senão, não a buscaríamos propositalmente no que consumimos. E, se a gente não buscasse por isso, não teria gente produzindo. Eu sou uma pessoa que foge ativamente de filmes tristes, por exemplo; mas três minutos de uma canção deprê pode ser tudo que eu preciso. Às vezes, ouvir alguém cantar sua própria miséria é de fato prazeroso.

Entrando em argumentos mais filosóficos e menos científicos, talvez tudo comece por aí: ao ouvir uma música triste, você se desloca para outro lugar, outro personagem, que pode cantar/tocar algo que você tenha vivido (ou não). Assim como uma boa sessão de terapia, você tem uma figura com um certo afastamento, que te proporciona a possibilidade de “sentir sentimentos” por outro viés – sei de uma série de pessoas que não consegue sentir a própria dor diretamente, mas precisa de outras válvulas de escape. É só um meio, um atravessamento, que te ajuda a digerir o que nem sempre é digerível (ou que nem você sabe localizar).

Nesses artistas, também colocamos a responsabilidade impossível – e que, de alguma forma, eles parecem dar conta – de traduzir em som ou palavras aquilo que não conseguimos. O luto, por exemplo, é um sentimento cuja descrição parece inviável; ainda assim, existem alguns artistas que se atreveram a cercear o assunto, descrevendo-o em pequenas ou grandes coisas, te ajudando a colocar o sentimento em algum lugar. É um processo de análise, de certa forma (que não dispensa seu analista!).

Dei o exemplo do sentimento mais maluco de todos, mas um deles é e sempre será infalível: o coração partido. A dor mais democrática e avassaladora da vida cotidiana é um assunto repleto de nuances – ainda assim, é comum a todos nós o momento de “curtir a fossa”: ninguém quer ter dor de corno, mas todo mundo quer ouvir música de corno. É delicioso saber que todos nós nos humilhamos igualmente por uma paixão; que todos nós nos sentimos atropelados por ela quando dá errado; e que alguém já colocou em versos tudo aquilo que você sentiu, gostaria de sentir ou vai sentir na vida. Muitas vezes – nos melhores sertanejos –, isso ainda vem com uma dose de humor, compensando tudo com um sorriso e te lembrando que, claro, isso passa.

E tem uma parte importantíssima nisso que é a música de fato e todo o seu poder. Aí entra toda a carga afetiva indescritível que pode ter o acorde certo (ou errado) na hora certa: você não tem nada a ver com a doença horrorosa de idade média que aquele compositor alemão tinha, mas fato é que uma boa música triste instrumental sabe arder, te arrancar em som o que você não sabia nem que tinha nome. E o mais maluco de tudo: sei que, em maior ou menor medida, você sabia distinguir uma música feliz de uma triste mesmo antes de saber andar. É natural, né?

Aliás, o fato de uma sequência de sons poder te provocar uma reação tão visceral é delicioso – tipo um processo de hipnose que você paga por ele e, ainda assim, fica surpreso quando funciona.

“A música pode suspirar e gemer; ela pode congelar ou brincar. Pode rastejar ameaçadoramente ou caminhar com raiva. Ela também pode espelhar mudanças do corpo, como quando um ritmo agitado ou irregular imita um coração agitado ou respiração irregular” – Jenefer Robinson

E claro: às vezes, o que nos atrai não é particularmente a tristeza ou a identificação, mas o drama; a força de um ser humano que é tomado pelo que performa, como uma boa atuação que te comove independentemente do seu humor anterior. Para mim, foi o caso de “To Be Loved”, balada de Adele que não me atraiu pelas letras sobre o divórcio ou decepção amorosa (eu odeio baladas!), mas pela dor que a artista carrega na voz. Muito mais que a alegria, a dor é um aspecto bastante mensurável na performance – quando é bem-feita, então, é de arrepiar.

No fim das contas, a música badzêra é uma celebração do ato musical por completo: da letra, do som, da performance e da emoção em seus extremos. Uma boa canção triste é um espetáculo introspectivo de tudo que a música sabe fazer de melhor – talvez por isso seja tão deliciosa.

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Uma noite com Adele. Cantora vai à TV inglesa programa responder perguntas sobre sua vida. Tipo seu mais novo disco, “30”

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* Agora que não tem mais para onde correr, vamos relaxar e aproveitar esse bom bom disco novo da poderosa Adele, “30”, o quarto álbum, que saiu sexta passada para suceder o “25”, “21” e sua estreia de 2018, o “19”, todos meio que diários sonoros que acompanham sua idade de compositora (ela tem 33 hoje).

Uma das artistas que mais mete o dedo na própria ferida e constroi discos sobre isso, Adele fez este “30”, seu primeiro lançamento em seis anos, para expurgar coisas como o doloroso fim de seu casamento (e passar a lidar sozinha com sua experiência de mãe de primeira viagem, com o filho que agora tem 8 anos) e o peso de ser famosa apesar das benesses de já ter vendido 120 milhões de discos, que lhe rendeu críses de pânico e ansiedade constantes, durante um bom período.

Adele é bem inglesa, nascida em Londres, então apesar de suas desgraceiras pop ela é extremamente bem-humorada do jeito inglês de ser, fazendo sarcasmo de si mesma, essas coisas. É famoso ela ser comediante de sua própria vida.

Dito tuuuuuuudo isso, tem que Adele, que hoje mora em Los Angeles, na Califórnia, deu um pulo em Londres neste final de semana para participar do famoooooooso programa “An Audience with…”, da rede britânica ITV, que existe há aaaaanos sendo uma espécie de “Esta É Sua Vida…” menos fuleiro, com música ao vivo (quando a estrela da noite vem da música) e, claro, cheio de choros e risos, e não necessariamente apresentado pelo Faustão.

“An Audience with Adele” rolou ontem ao vivo, noite de domingo, com um monte de convidados famosos na plateia, tipo Dua Lipa, os atores Emma Thompson, Emma Watson e Samuel L. Jackson e o conhecidíssimo comediante Alan Carr, que vem a ser o melhor amigo de Adele. Rolaram perguntas, muitas lembranças, a famosa professorinha desencavada do anonimato, a amiguinha de colégio que ela não via há décadas etc.

Abaixo, e para além do “An Audience with Adele” de ontem, que ainda não liberou os vídeos de sua performance ao vivo na TV, tem um bom trecho do programa, envolvendo Emma Thompson, Alan Carr e sua professora resgatada, um vídeo “intimate” dela cantando a rasga-alma “To Be Loved”, o vídeo com a letra do já hit “Easy on Me” e a profunda entrevista de quase uma hora que ela deu para o grande Zane Lowe, da Apple Music, “parceiro” de Adele desde seus tempos de Radio One, da BBC inglesa.

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Top 10 Gringo – Guitarra de Jack White vai direta ao topo. Self Esteem volta ao destaque. The Horrors apavora o pódio

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* Uma turma que estava com saudade de músicas novas resolveu aparecer esta semana. Jack White voltou. Adele voltou. Band of Horses também. Até os Beatles andavam lançando mais músicas que esses caras. E, sim, tem Beatles no ranking porque a reedição de “Let It Be” é uma novidade, como não?

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1 – Jack White – “Taking Me Back”
Saudade do Jack White? Tinha um tempo em que ele não lançava nada, mas “Taking Me Back” é um senhor retorno com altas e deliciosas guitarras (muitas guitarras, aliás) recortadas e ultradistorcidas – ele chega até ter um momento quase Van Halen no solo. A faixa é trilha de uma game e vê-la em um trailer entre tiros e explosões pode cortar toda a vibe. Escuta ela sozinha que rende mais. E ainda tem uma versão suave dela no “lado B” – e não é só uma versão violão e voz, não. Se liga.

2 – Self Esteem – “Moody”
A gente já contou por aqui que “Self Esteem”, a persona solo de Rebecca Lucy Taylor, tem na afiada letra ácida de “Moody” versos como: “Mandar nudes para você no meio de uns papos de saúde mental parece contraproducente/ Beber uma garrafa toda em vez de uma taça é um clássico meu”. Esse texto sem medo ganha novo sentido agora no vídeo da música que nos lembrou “Cenas de um Casamento”, a versão da HBO Max para a série clássica do Bergman, ainda que a própria Rebecca alegue que sua referência é “We Found Love”, da Rihanna. Tudo certo nas refs. E tudo certo botar essa música num lugar mais alto agora do nosso Top top.

3 – The Horrors – “Against The Blade”
Outro dos sumidos que voltaram. Mais no começo do ano, a banda inglesa soltou um EP de três músicas e agora vem com mais um EP nos mesmos moldes. A onda é aquela de uma psicodelia para lá de bizarra e pesadona. No Twitter, a banda pediu que os fãs dissequem, devore e destrua o novo single. Combinado.

4 – Remi Wolf – “Street You Live on”
Saiu o tão esperado “Juno”, da super Remi Wolf. A gente fala, na verdade, nossa amiga Dora Guerra fala, desde março que a Remi ia bombar com seu caos colorido e na contramão do pop melancólico que domina as paradas. Até aqui a missão segue firme. Agora é esperar os hits serem reconhecidos pela multidão. Questão de tempo.

5 – Adele – “Easy on Me”
Adele é Adele. Quando faz aquilo que a gente já conhece dela é nota dez. E esse é o caso de “Easy on Me”, que não apresenta grandes inovações enquanto som, mas é uma baita letra de uma Adele mais madura, lidando com sofrimentos do passado e do presente, mas numa boa, pegando leve consigo e sabendo seu lugar. Especialmente no pedido dela de que as pessoas ao seu redor entendam isso.

6 – Band of Horses – “Crutch”
E, na turma do retorno, mais de cinco anos sem nada do Band of Horses foram recompensados com uma belíssima novidade. Tem algo do Shins nessa canção que é difícil explicar – ou mesmo uma vibe do indie do começo da década passada. Podemos estar viajando nessa sensação, mas é isso. Será que teremos um novo álbum do Band of Horses mergulhado em nostalgia? “Things Are Great”, nome do disco, indica algo alegre. Não?

7 – Jeff Tweedy – “C’mon America”
A coleção Sub Pop Singles Club, clube de assinatura da gravadora, é um marco histórico. É nela que temos o primeiro single do Nirvana pela gravadora, um pouco antes da estreia em álbum – atualmente raríssimo já que só mil cópias foram prensadas. Entre idas e vindas, o clube voltou para uma sexta etapa de lançamentos e nada mais nada menos que Jeff Tweedy, líder do Wilco, resolveu contribuir com duas musiquinhas. Seria digno de nota até se elas fossem ruins, mas não é o caso.

8 – Hinds – “De la Monarquía a la Criptocracia”
“De la Monarquía a la Criptocracia” é um som da banda galega Triángulo de Amor Bizarro – reconhece de onde eles pegaram o nome? As meninas do Hinds releram a música de maneira brilhante para uma coletânea que celebra os 20 anos da gravadora espanholha Mushroom Pillow.

9 – Snail Mail – “Ben Franklin”
Seguem interessantes as amostras que Lindsey Jordan, a Snail Mail, dá de seu próximo álbum. Em “Ben Franklin” ela demonstra que o novo disco, seu segundo, terá muito mais que as guitarras do primeiro. Será um trabalho encarando o desafio de não se repetir e de mostrar quem ela é. As letras seguem sinceras, o papo de rehab é real. Ela encarou essa no ano passado.

10 – The Beatles – “Gimme Some Truth”/”All Things Must Pass”
“Gimme Some Truth”, um petardado lançado em “Imagine”, poderia ter sido do Beatles. Ela foi testada nas sessões de “Let It Be”. “All Things Must Pass”, de George Harrison, também foi encarada nessas sessões. Pensa. Se a banda não acaba, o próximo álbum seria uma mistura provavelmente acertada dos melhores pedaços de “Imagine”/”All Thing Must Pass”/”McCartney I”. Na real, eles poderiam abandonar tudo que funciona meio torto em “Let It Be” e ter feito esse disco superespecial ali. Não rolou. Mas beleza, também.

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* A imagem que ilustra este post é do superinquieto Jack White.
* Este ranking é formulado pelo duo Lúcio Ribeiro e Vinícius Felix.

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