Em aiyé:

TOP 50 DA CENA – O nome da banda é Carabobina. E tá em 1º lugar. Acostume-se a ela. Nelson D traz o contundente indie-indígena de volta à conversa. E mais: Supervão, Luedji, Tagua Tagua, Gabrre e Pessoas Estranhas no top 10

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* Um Boogarins torto, de som torto como não é o do Boogarins, emplaca o primeiro lugar no Top 50 desta semana. Que música é esta, “Pra Variar”, que vem não sei de onde e nos leva não sei para onde. Gostamos dessa sensação na música. Nos leva para a desafiante zona de desconforto. Fora que o álbum inteiro do Fefel mais sua escudeira Alejandra, os Carabobina, está chegando. Logo falaremos mais, inevitavelmente.
Nosso indie-indígena, tão celebrado na Popload, neste Top 50 e até no jornal inglês “The Guardian’, bota na vice-liderança uma grande liderança deste Futurismo Indígena da música brasileira, o ítalo-amazonense Nelson D.
Os discos do Tagua Tagua e da Liedji Luna continua nos maravilhando, então deixa eles ainda mais perto do topo, para o impacto da playlist (que é o que importa) seja imediato.
Porque daí chegam os meninos da Supervão e nos bagunçam todo. Que semana!!!

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1 – Carabobina – “Pra Variar” (Estreia)
Bem boa a brisa do casal Alejandra Luciani, engenheira de som de primeira, e Raphael Vaz, mais conhecido por Fefel do Boogarins. Um pop torto, eletrônico, ruídos lá e cá, que pega na produção acertada da Alejandra. Para fãs e não-fãs de Boogarins _ mas quem não é fã do Boogarins, hein?
2 – Nelson D – “Xenofunk” (Estreia)
Nelson D coloca seu Futurismo Indígena para dialogar com o funk em uma música com diferentes climas e momentos. Parece até um filme. Na letra, um papo sobre xenofobia e a força das diferenças. Afinal, o que temos em comum? As diferenças.
3 – Tagua Tagua – “Só Pra Ver” (2)
Toques psicodélicos combinados com um charme pop. Um riff daqueles na guitarra e no baixo. Tagua Tagua prontinho para o sucesso, hein? Hit grudento a furar a bolha da música independente brasileira, talvez. Talvez!
4 – Luedji Luna – “Ain’t I a Woman” (4)
O disco novo da Luedji saiu e isso é um evento, porque já deu para notar que temos várias músicas nota 10 por aqui. “Ain’t I a Woman”, que pega o título do fundamental livro da autora e feminista Bell Hooks, traz o questionamento para dentro de uma história onde um homem esconde seu relacionamento com uma mulher negra. “Por acaso eu não sou uma mulher?”, questiona Luedji. Ao mesmo tempo, a música pode ser lida como uma denúncia mais ampla aos “apagamentos” das mulheres negras na sociedade como um todo.
5 – Supervão – “Fim de Nós/Fim do Sol” (Estreia)
Já falamos de brisa nesta edição, mas vale repetir. Que brisa é esta do Supervão? A banda electro-indie (cada vez mais electro e menos indie) segue bebendo uma água diferenciada, para dizer o mínimo. Parece que o trio está vendo alguma coisa que ninguém está vendo. São Leopoldo, RS, cada vez mais perto de Manchester. A gente curte bem. E os cinco minutos dela são muito pouco. Extended mix pra já.
6 – Gabrre – “Elephants” (Estreia)
Com seu indie cantalorável com toques eletrônicos que nos lembra Caribou e Unknown Mortal Orchestra, o gaúcho novinho Gabrre apresenta seu bom álbum de estreia cheio de altas referências para sua idade e com nome um tanto quanto inusitado mas que ele jura fazer sentido: “Tocar Em Flores Pelado”.
7 – Guilherme Held – “Corpo Nós” (1)
Grande guitarrista da CENA, era de se esperar que em seu primeiro álbum solo Held colocasse seu instrumento para falar (gritar) mais alto. Ela até está lá em vários momentos, mas trabalha mais em função do que é melhor para as composições dele em diversas colaborações. “Corpo Nós” é exemplo disso, onde Held quase não aparece para brilhar a interpretação única de Juçara Marçal na letra de Alice Coutinho e um esperta bateria dupla feita por Sérgio Machado e Décio do Bixiga 70. E olha que ainda estamos no início de degustação desse disco, já discaço para nós.
8 – Pessoas Estranhas – “Rubens” (Estreia)
Classificada pela própria banda como uma música sem vergonha, aprovamos a nova aventura da dupla Guilherme Silva e Stephan Feitsma, da nova porém veterana geração do indie paulistano de música boa. Várias canções em uma só: divertida (é inspirada em um cão de um deles) e bem séria para abrir um disco e apontar todo o caminho de suingue que o duo escolheu para trilhar. Fora, que, às vezes, uma música assim é tudo o que precisamos.
9 – Autoramas – “Carinha Triste” (Estreia)
Ah, o amadurecimento. O Autoramas em releitura de uma velha canção deixa seu som mais solto. Saí a guitarra abafada e entra uma vibe mais divertida. E uma produção mais caprichada, lógico.
10 – KL Jay – “Território Inimigo” (3)
Kl Jay sempre acerta. Aqui ele oferece seu balanço único para as vozes de Jota Ghetto, Amiri e Anarka. Na letra, a denúncia sobre o racismo brasileiro que se evidencia em assassinatos brutais e políticas públicas desastrosas que criminalizam a existências da população negra no país. Um basta daqueles em uma questão urgente.
11 – Marrakesh – “Tripin’” (5)
12 – Yannick Hara – “Necropolítica” (Estreia)
13 – Teach Me Tiger – “Wasted” (6)
14 – Compositor Fantasma – “Banjos e Demônios” (7)
15 – Giovanna Moraes – “Futuros do Passado” (8)
16 – RRocha – “Rua” (9)
17 – Mulungu – “A Boiar” (10)
18 – RAKTA – “Rubro Êxtase” (11)
19 – Chuck Hipolitho – “Mais Ou Menos Bem” (12)
20 – Ana Frango Elétrico – “Mama Planta Baby” (13)
21 – Marcelo D2 – “4º AS 20h” (15)
22 – Carne Doce – “Hater” (16)
23 – Rohmanelli – “Toneaí” (18)
24 – JP – “Eu Quero Perder Você” (21)
25 – PLUMA – “Leve” (23)
26 – Luiza Lian – “Geladeira” (24)
27 – BK – “Movimento” (25)
28 – Vivian Kuczynski – “Pele” (27)
29 – Boogarins – “Cães do Ódio” (28)
30 – Jup do Bairro – “Luta por Mim” (29)
31 – Dexter, Djonga, Coruja BC1, KL Jay, Will – “Voz Ativa” (30)
32 – Mateus Aleluia – “Amarelou” (31)
33 – Valciãn Calixto – “Nunca Fomos Tão Adultos” (32)
34 – Letrux – “Vai Brotar” (33)
35 – Apeles – “Tudo Que Te Move” (34)
36 – Elza Soares e Flávio Renegado – “Negão Negra” (35)
37 – Negro Leo – “Tudo Foi Feito pra Gente Lacrar” (36)
38 – Rincon Sapiência – “Malícia” (37)
39 – Marcelo Perdido – “Bastante” (38)
40 – Don L – “Kelefeeling” (40)
41 – Mahmundi – “Nós De Fronte” (41)
42 – Rico Dalasam – “Mudou Como?” (42)
43 – ÀIYÉ – “Pulmão” (43)
44 – Coruja BC1 – “Baby Girl” (44)
45 – Edgar – “Carro de Boy” (45)
46 – Kiko Dinucci – “Veneno” (46)
47 – Jhony MC – F.A.B. (47)
48 – Djonga – “Procuro Alguém (48)
49 – Vovô Bebê – “Êxodo” (49)
50 – Troá! – “Bicho” (50)

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* Entre parênteses está a colocação da música na semana anterior. Ou aviso de nova entrada no Top 50.
** A imagem que ilustra este post é do Carabobina, a banda do Fefel e da Alejandra, top do nosso Top.
*** Este ranking é formulado por Lúcio Ribeiro e Vinícius Felix, talvez o maior estudioso da nossa CENA. Com uma pequena ajuda de nossos amigos, claro.

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TOP 50 DA CENA – Dá licença que a Ana Frango Elétrico chegou no ranking revoltado e viajante. Um oferecimento de D2, Iggor e Gordo. Pá!!!

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* A gente quase botou aqui no ranking a música em que o Tim Bernardes canta uma parte, em português, no disco do grupo americano Fleet Foxes. Ficamos pensando se seria forçar demais a amizade, emboooooora fique aqui registrado o maior crossover de CENAs que se tem notícias. Acabamos deixando de fora, mas achamos justo que incluir a música, pelo menos, na playlist, como uma faixa bônus.
Se bem que o caráter “internacional” da globalizada CENA brasileira já esteja representado com a presença da carioca Ana Frango Elétrico no topo do Top, que está concorrendo ao Grammy Latino. Solta a Frango e vem com a gente (sdd, Bonde do Rolê!). E pela Sartør, cantora brasileira fazendo electrotrap maneiro em Los Angeles. Porque a CENA tá tão boa que não cabe mais só aqui no Brasil.
Marcelo D2, João Gordo e Iggor Cavalera em altos postos nos cheira a espírito teen. E tudo bem também. Anos 90 mandando recado aos anos 20.
Tudo isso num top 10 que ainda tem o Matuê, anos 20, mandando Charlie Brown Jr., o recado aos anos 00.
Que viagem (no tempo)!!!

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1 – Ana Frango Elétrico – “Mama Planta Baby” (Estreia)
Ana vai conquistar o mundo. A gente já sabia e o mundo agora parece que está sendo informado. Indicação ao Grammy, livro e um novo single que deixa a gente com a certeza de que a sua produção segue afiada em um som que ela explica assim: “Pensei numa melodia que pudesse ser cantada para plantas e bebês, trazendo timbres que têm me interessado, como a flauta, órgão e violão, misturando elementos da bossa-nova, chamber-pop e soft-eletro-indie. Quis explorar efeitos, estéreos e repetições trazendo elementos em comum ao ‘Little Electric Chicken Heart’, como dobras, coros, metais, e divergindo em outros aspectos, como forma e timbres”.
2 – Marcelo D2 – “4º AS 20h” (Estreia)
Em um beat inspirado do Kamau, Rodrigo Ogi deixa mais uma letra nota dez em um disco que não é o seu este ano – o outro exemplo é o som que escreveu pra Kiko Diinucci. Marcelo D2 em uma track sua soa quase como participação de luxo, consequência de sua ideia de montar um superálbum gravado e escrito remotamente durante a pandemia por muitas vozes e canetas. Que sacada e que generosidade com os mais novos.
3 – Revolta – “Hecatombe Genocida” (Estreia)
Nosso “We Are the World” do mundo invertido. “Cem mil mortos entupindo o poço da escuridão/ A justiça vai caindo/ Facistas na contramão/ O terror em forma de governo/ Misturado com ódio e veneno/ Extermina toda a razão/ Patriotas de pele mais clara/ Mundo podre da corrupção”, diz a letra da banda que tem em suas fileiras “apenas” João Gordo (Ratos de Porão), Prika Amaral (Nervosa), Guilherme Miranda (Entombed AD e Krow), Moyses Kolesne (Krisiun), Castor (Torture Squad) e Iggor Cavalera (Cavalera Conspiracy e Mixhell).
4 – Carne Doce – “Hater” (1)
Single a single eles foram conquistando espaço em um disco que firma a banda em outros níveis da música brasileira, se é que existem outros níveis além de onde eles já estão. A banda está fazendo grandes músicas. Cada vez maiores. E, veja bem, “Interior”, o álbum, mostra o Carne Doce muito além de “apenas” ser a “banda da Salma”
5 – Leveze – “Aurora” (Estreia)
Ex-Cabana Café e Parati, o Leveze foi por anos a “viagem secreta” de Lanfranchi, que agora toma uma forma mais escancarada e não menos delicada. É só começar a ouvir o delicioso “Aclimação12-20” (Cavaca Records), álbum recém-lançado da melhor chillwave com guitarrinha doce, para entender de primeira.
6 – Luedji Luna – “Bom Mesmo É Estar Debaixo D`água” (Estreia)
Música que vai dar o nome ao disco cheio, seu segundo, que sai em outubro, foi composta por ela em parceria com François Muleka. Um som sobre afeto, sobre respeitar o tempo do outro, o ritmo do outro, segundo a cantora. Vem disco bom por aí.
7 – SARTØR – “NEVER COMING HOME” (Estreia)
Em maiúsculas, como um grito, esse som afasta SARTØR de Isadora Sartor, seu nome pessoa física. O single apruma o caminho que a paulistana radicada em LA escolheu para pautar sua vida e sua música. De ex-guitarrista de um duro death metal a produtora de um pop maleável e moderno.
8 – Rohmanelli – “Toneaí” (Reestreia)
O hit ácido/crítico/carnavalesco de Rohmanelli volta ao top 50. O single está incluindo no bom álbum “Brazil’ejru, Vol 1”, seu primeiro trabalho 100% em português.
9 – Autoramas – “Dinâmica de Bruto” (2)
Repare. A gente ainda precisa de banda como os Autoramas. “Dinâmica de Bruto”, nome ótimo, está no mesmo EP a ser lançado pela banda neste mês, em vinil, pela gravadora espanhola Family Spree Recordings. A música tem um viés político e um vídeo beatlemaníaco, por assim dizer. É ver para entender.
10 – Matuê – “Máquina do Tempo” (3)
Será que agora o trap nacional rompe sua já gigante bolha de popularidade e alcança os números do mainstream brasileiro? Vale acompanhar a esperta pegada do Matuê neste som do seu primeiro álbum. Um trap acelerado e divertido que dá um leve aceno para o pop em um bem sacado sample de uma linha de baixo do Charlie Brown Jr. Este som já irritou youtubers conservadores, algo que sempre é saudável.
11 – Tagua Tagua – “Só Pra Ver” (Estreia)
12 – The Baggios – “Hendrixiano” (4)
13 – JP – “Eu Quero Perder Você” (5)
14 – Nobat – “Cárcere” (6)
15 – Gabrre – “De Noite Eh Dia de Sair” (7)
16 – Cat Vids – “Ash Ketchum” (8)
17 – PLUMA – “Leve” (9)
18 – Luiza Lian – “Geladeira” (10)
19 – Bruno Del Rey – “O Amigo Que Esperava” (11)
20 – BK – “Movimento” (12)
21 – Nana – “Independência ou Morte” (13)
22 – O Cientista Perdido – “Não Cabe Em Você” (15)
23 – Terno Rei – “São Paulo (Acústico)” (16)
24 – Vivian Kuczynski – “Pele” (17)
25 – Boogarins – “Cães do Ódio” (19)
26 – Jup do Bairro – “Luta por Mim” (20)
27 – Dexter, Djonga, Coruja BC1, KL Jay, Will – “Voz Ativa” (21)
28 – Luiza Brina – “Oração 12” (22)
29 – Mateus Aleluia – “Amarelou” (23)
30 – Yannick Hara – “Eu Quero Mais Vida Pai” (24)
31 – Valciãn Calixto – “Nunca Fomos Tão Adultos” (26)
32 – Wry – “Travel” (28)
33 – Letrux – “Vai Brotar” (30)
34 – Apeles – “Tudo Que Te Move” (31)
35 – Elza Soares e Flávio Renegado – “Negão Negra” (32)
36 – Negro Leo – “Tudo Foi Feito pra Gente Lacrar” (33)
37 – Rincon Sapiência – “Malícia” (31)
38 – Marcelo Perdido – “Bastante” (34)
39 – Kunumí MC – “Xondaro Ka’aguy Reguá (Guerreiro da Floresta)” (36)
40 – Don L – “Kelefeeling” (38)
41 – Mahmundi – “Nós De Fronte” (39)
42 – Rico Dalasam – “Mudou Como?” (40)
43 – ÀIYÉ – “Pulmão” (41)
44 – Coruja BC1 – “Baby Girl” (43)
45 – Edgar – “Carro de Boy” (44)
46 – Kiko Dinucci – “Veneno” (46)
47 – Jhony MC – F.A.B. (47)
48 – Djonga – “Procuro Alguém (48)
49 – Vovô Bebê – “Êxodo” (49)
50 – Troá! – “Bicho” (50)

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* Entre parênteses está a colocação da música na semana anterior. Ou aviso de nova entrada no Top 50.
** A imagem que ilustra este post é de Ana Frango Elétrica, em foto de Hick Duarte.
*** Este ranking é formulado por Lúcio Ribeiro e Vinícius Felix, talvez o maior estudioso da nossa CENA. Com uma pequena ajuda de nossos amigos, claro.

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TOP 50 DA CENA – Calma, nada. O jeito é ser estranho. Negro Leo, Thiago Nassif, Jup do Bairro, Tuyo… Que cena legal e fora da curva a gente tem

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* Na nossa mutante CENA independente musical brasileira, nesta semana sai a calmaria e entra a esquisitice, a estranheza. Ou, vai, o experimentalismo.
E, óbvio, isso vem da cena carioca. Ou dos agregados ao Rio de Janeiro musical. Que momento!
E essa representatividade toda de Negro Leo e Thiago Nassif, no caso, quando junta variações incríveis e diferentes entre si como Jup do Bairro, Gustavo Bertoni, Tuyo, Nevilton, Francisco, entre outros, dá um preciso recorte do que pode esta CENA.
Faz todo o sentido ler sobre isso abaixo. Mas faz mais ainda ESCUTAR tudo isso, na nossa playlist. Porque, não cansamos de repetir, no fim, este “ranking” é só e somente só sobre essa playlist.

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1 – Negro Leo – “Tudo Foi Feito pra Gente Lacrar” (Estreia)
Destacar uma música do novo álbum do Negro Leo é só uma formalidade para avisar: ouça este disco todo. Uma obra experimental que versa sobre o lacre, uma espécie de praga dos nossos tempos com enormes consequências políticas, sociais, sentimentais. Como essa forma de lidarmos com nós mesmos e com o mundo se conecta com as coisas mais zoadas que estão por aí? E achamos um barato que as músicas mais pop do disco são as instrumentais… Não que isso signifique algo – ou será que significa? Essa cena do Rio…
2 – Thiago Nassif – “Voz Única Foto Sem Calcinha” (Estreia)
Thiago Nassif é mais Rio de Janeiro na lista. Mais Negro Leo, que participa do disco, ao lado de nomes como Ana Frango Elétrico, Arto Lindsay, Vinicius Cantuária. Essa que escolhemos lembra os discos do Caetano com a banda Cê? Thiago parece pegar aquela vibe onde Caetano deixou. E aproveitamos e matamos a saudade da voz da Ana Frango em uma inédita. Essa cena do Rio…
3 – Jup do Bairro – Pelo Amor de Deize (3)
Aí vem a Jup e joga a CENA para o alto. Esta roqueira parceria de Jup do Bairro e Deize Tigrona, que descobrimos ser (também) uma grande roqueira, estremece. Além da pancada sonora, ela pega firme em mostrar a profunda amizade de Jup e Deize, que ultrapassa os momentos complicados, como o da depressão de Deize. Ou da propria Jup. Vai, levanta!
4 – Tuyo – “Sem Mentir” (Estreia)
Quem associa o Tuyo ao fofo folk neo pop brasileiro ou algo assim vai se surpreender com essa balada pop eletrônica apocalíptica. O velho mundo acabou, vida longa ao novo mundo.
5 – Francisco – “Vitória-Rege” (Estreia)
Produção pop e acertadíssima da young Vivian Kuczynski, aqui em um dos som mais legais do álbum do Francisco, um de seus melhores amigos. O refrão “Você me fodeu/ Mas se esqueceu/ Que eu queimei as rosas/ Que você nunca me deu” é bom demais e a quebra de expectativa que rola no final da música é coisa de quem sabe muito bem o que quer do próprio som. Demais.
6 – Nevilton – “Irradiar” (1)
Uma delicada canção sobre amor e sobre o agora. Nevilton pega os sentimentos da quarentena e lança essas sensações e mensagens em uma fineza de música. Esse sabe o melhor caminho de criar belezas com seis cordas.
7 – Gustavo Bertoni – “Sit Down, Let’s Talk” (2)
Doeu tirar do ranking a música anterior do scaleno Gustavo, a bela “Waves”, para botar outra mais bela ainda, essa que propõe dar uma sentadinha, respirar, para então conversar. Os tempos estão tão loucos que esse sussurrado pedido de auto-reflexão, acompanhado por um violão bem dedilhado e um sotaque (inglês) bonito vem bem a calhar.
8 – Wado – “Arcos” (Estreia)
Quais são suas lembranças da infância? O que muda nessas lembranças ao longo do tempo? Wado aborda essa questão das memórias e nossa relação com elas ao longo do tempo em uma faixa ao violão. Bonito demais. Esta aqui entra na nossa playlist massa na quinta-feira, quando a música sair às plataformas.
9 – Amen Jr. – “Ladeira Abaixo” (Estreia)
Para variar, puro suco de anos 80 esse single do sempre bom Amen Jr., quarteto de Brasília. Mais que anos 80: soa São Paulo vanguarda da época esse som. Embarque na nostalgia, às vezes do que nem viveu, que acho que é o caso do Amen Jr. Que idade eles têm?
10 – Vella – “Delírio Besta” (Estreia)
Interessante o novo projeto de Felipe Vellozo, ser indie onipresente por trabalhos no Bilhão, Século Apaixonado, Duda Beat, Mahmundi. E agora, enfim, só. Assumindo suas decisões, como diz. “Delírio Besta” tem a letra valorizada pelo arranjo delicado, mas cheio de pequenos detalhes. Ela é tão curtinha e boa que pede uma repetição. E a cada audição novos detalhes aparecem. Coisa de quem sabe fazer, hein.
11 – Jay Horsth – “Você” (Estreia)
12 – Karol Conka – “Tempos Insanos” (4)
13 – Jadsa – “Quietacalada” (5)
14 – Hiran – “Gosto de Quero Mais” (6)
15 – Vitreaux – “Meia Luz” (7)
16 – Giovanna Moraes – “Sai por Inteira” (13)
17 – Fresno – “Broken Dreams” (9)
18 – 1LUM3 – “Extremo” (10)
19 – The Baggios – “Quareterna Serigy” (11)
20 – ATR e Luedji Luna – “Batom” (12)
21 – JP – “Chorei Dendê” (8)
22 – Antiprisma – “Lunação” (14)
23 – Nelson D. – “A Grande Revolta” (15)
24 – Tássia Reis – “Me Diga” (16)
25 – Supervão – “Depois do Fim do Mundo” (17)
26 – Rohmanelli – “Do Jeito Que o Mundo Está” (18)
27 – Marcelo Perdido – “Não Tô Aqui pra Te Influenciar” (19)
28 – Kunumí MC – “Xondaro Ka’aguy Reguá (Guerreiro da Floresta)” – (20)
29 – Duda Brack – “Contragolpe” (21)
30 – Compositor Fantasma – “Não Sabendo Que Era Impossível” (22)
31 – Don L – “Kelefeeling” (25)
32 – Mahmundi – “Nós De Fronte” (28)
33 – Giovani Cidreira e Mahal Pita – “Mago de Mim Mesmo” (30)
34 – Rico Dalasam – “Mudou Como?” (31)
35 – TARDA – “Breath” (33)
36 – ÀIYÉ – “Pulmão” (34)
37 – Os Amanticidas – “Paisagem Apagada” (36)
38 – Coruja BC1 – “Baby Girl” (37)
39 – Edgar – “Carro de Boy” (38)
40 – Douglas Germano – “Valhacouto” (39)
41 – Taco de Golfe – “Nó Sem Ponto II” (40)
42 – Kiko Dinucci – “Veneno” (41)
43 – Ava Rocha e Los Toscos – “Lloraré Llorarás” (42)
44 – Jhony MC – F.A.B. (43)
45 – Cícero – “Às Luzes” (44)
46 – Febem, Fleezus e CESRV – “Terceiro Mundo” (45)
47 – Djonga – “Procuro Alguém (46)
48 – Letrux – “Déjà-Vu Revival” (47)
49 – Vovô Bebê – “Êxodo” (48)
50 – Troá! – “Bicho” (50)

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* Entre parênteses está a colocação da música na semana anterior. Ou aviso de nova entrada no Top 50.
** Na vinheta do Top 50, o cantor e compositor maranho-carioca Negro Leo.
*** Este ranking é formulado por Lúcio Ribeiro e Vinícius Felix, talvez o maior estudioso da nossa CENA. Com uma pequena ajuda de nossos amigos, claro.

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TOP 50 DA CENA – Jup é up: o topo é dela. Tássia Reis dá um “oi”. Supervão superferve. E a Duda Brack está de volta

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* Essas voltas que a música dá são curiosas. Veja o caso da Jup do Bairro e seu EP “Corpo e Juízo”, que frequenta este ranking há algumas semanas, sobe e desce, vai e vem e agora agarrou o primeiro lugar porque… porque… merece, apenas. Com o lançamento do EP todo, mais recentemente, a música cresce como um manifesto, puxando as outras faixas. Dá vontade de deixar a Jup no topo umas semanas e ir revezando as outras músicas do disco. Sabemos lá do que esse ranking é capaz!
Galera indie-indígena seguem fortes nas 10 +, porque.. merece. Não bastassem Nelson D e Kunumí MC serem necessários e carregarem o espírito do nosso tempo, as músicas são muito boas, o que no fim é o que traz eles aqui.
E, se essa cena nossa não é plural, com tudo isso acima e com uns meninos gaúchos psicodélicos indo na contramão para meter sua criatividade na eletrônica de fervura, eu não sei mais o que é.
Esse caldo é o que nos move. Traduzir tudo em uma playlist que é uma viagem, de vários tipos, para todos os lugares.

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1 – Jup do Bairro – “All You Need Is Love” (Estreia)
A união de Jup do Bairro, Rico Dalasam e Linn Da Quebrada está aqui no Top 50 há um tempo, mas agora chega ao primeiro lugar porque precisamos celebrar o EP da Jup. Dos melhores lançamentos do ano, repleto de músicas incríveis, é o disquinho mais necessário do momento na força de dez anos de trabalho resumidos em sons valiosos. Não passe 2020 sem Jup, sem Deize Tigrona em “Pelo Amor de Deize”, sem a letra de “O Corre”, sem o texto de Mulambo em “Luta por Mim”.
2 – Nelson D. – “A Grande Revolta” (1)
Nelson D é DJ e produtor de certa rodagem já, mas de pouco tempo para cá quis assumir um protagonismo musical como cantor. A base sonora é o que aprendeu na Europa, onde viveu e estudou. A alma sonora é a que nasceu: a de índio. Soltou agora em maio seu primeiro álbum, “Em Sua Própria Terra”, disco que propõe o que ele chama de Futurismo Indígena. David Bowie ficaria feliz ouvindo “A Grande Revolta”.
3 – Tássia Reis – “Me Diga” (Estreia)
Tássia celebra o aniversário do primeiro do álbum “Próspera” e lançou o vídeo da ótima “Me Diga” em clima de retrospectiva. O que validou recuperarmos a música por aqui. Não ouviu esse álbum? Volta lá que perdeu algo importante.
4 – Supervão – “Depois do Fim do Mundo” (Estreia)
Essa música bota o Supervão um pouco mais longe do indie psicodélico e os empurra de vez à eletrônica, ou “fritação”, segundo seu vocalista e programação Mario Arruda. Pesada.
5 – ATR e Luedji Luna – “Batom” (Estreia)
Esta só a gente ouviu por enquanto, mas está quente o segundo single do quinto álbum da banda ATR. Além da voz maravilhosa de Luedji, a banda fez questão de fazer uma faixa daquelas que brilha e treme as caixinhas de som. Quando sair oficial, semana que vem, a gente bota na playlist.
6 – Rohmanelli – “Do Jeito Que o Mundo Está” (Estreia)
O pop modernoso que abriga toques de guitarras pesadas, rap, música eletrônica dançante e letra políticas de Rohmanelli chega mais uma vez com participações especiais. “Do jeito que o mundo está não vai me fazer nenhuma falta quando eu passar”, é o recado, cristalino e direto.
7 – Kunumí MC – “Xondaro Ka’aguy Reguá (Guerreiro da Floresta)” – (2)
Kunumi MC é o nome artístico de Werá Jeguaka Mirim, índio de uma aldeia em Parelheiros, zona sul de São Paulo, a Krukutu. Ele é o primeiro rapper solo indígena do Brasil. Sua nova música fala sobre um guerreiro que nascerá das águas e “levará o seu povo a uma nova existência” após os anos de tanta exploração dos homens brancos. E, para além dos conceitos oportunos, que música emocionante!
8 – Duda Brack – “Contragolpe” (Estreia)
Sempre bom ouvir a voz de Duda Brack. Uma faixa gravada ao longo de dois anos por Gabriel Ventura, Lucio Maia e Vovô bebê de letra atual, urgente. “Ainda vão nos boicotar/ e de rebote/ vamos boicotar esse boicote/ o contragolpe vai girar”.
9 – Devise – “Espera” (Estreia)
Das mais ativas e seguidas em Minas Gerais, a banda Devise chega com uma mensagem de força e esperança nestes tempos em que ter contato físico é algo que não vem sendo recomendado. O papo deles é a boa conversa entre Beatles e Clube Da Esquina.
10 – Compositor Fantasma – “Não Sabendo Que Era Impossível” (3)
O alter-ego do produtor musical Gabriel Serapicos revive as músicas de “um compositor que desapareceu deixando para trás incontáveis letras e partituras”. Tem poucos dias que ele lançou a ótima “Não Sabendo Que Era Impossível”. Vale reparar no trecho: “Você se convenceu das melhores intenções de um canibal”.
11 – ABC Love – “Flertes” (4)
12 – Marcelo Perdido – “Não Tô Aqui pra Te Influenciar” (5)
13 – Karen Jonz – “O Grande Excesso” (6)
14 – Don L – “Kelefeeling” (8)
15 – Thunderbird – “A Obra” (9)
16 – Mahmundi – “Nós De Fronte” (10)
17 – Sessa – “Sereia Sentimental” (11)
18 – Mulungu – “No Ar” (12)
19 – Giovani Cidreira e Mahal Pita – “Mago de Mim Mesmo” (13)
20 – Jair Naves – “Irrompe” (14)
21 – Rico Dalasam – “Mudou Como?” (15)
22 – Black Pantera – “I Can’t Breath” (16)
23 – Paulo Nazareth e Nic Medeiros – “A Volta Que o Mundo Deu” (17)
24 – TARDA – “Breath” (18)
25 – ÀIYÉ – “Pulmão” (19)
26 – Silva – “Aquele Frevo Axé” (ao vivo) (20)
27 – Vanguart – “Encontro Adiado” (21)
28 – As Bahias e a Cozinha Mineira – “Forasteira” (22)
29 – Wado – “Nina” (23)
30 – The Raulis – “Distante Desejo” (24)
31 – Lila – “Lunação” (25)
32 – Os Amanticidas – “Paisagem Apagada” (27)
33 – Gustavo Bertoni e Vivian Kuczynksi – “Louder Than Words” (28)
34 – Carne Doce – “A Caçada” (29)
35 – Tatá Aeroplano – “Alucinações” (31)
36 – Tagore feat. Boogarins – “Drama” (32)
37 – Coruja BC1 – “Baby Girl” (33)
38 – Edgar – “Carro de Boy” (34)
39 – Douglas Germano – “Valhacouto” (35)
40 – Taco de Golfe – “Nó Sem Ponto II” (36)
41 – Kiko Dinucci – “Veneno” (37)
42 – Ava Rocha e Los Toscos – “Lloraré Llorarás” (40)
43 – Jhony MC – F.A.B. (42)
44 – Cícero – “Às Luzes” (43)
45 – Febem, Fleezus e CESRV – “Terceiro Mundo” (44)
46 – Djonga – “Procuro Alguém (45)
47 – Letrux – “Déjà-Vu Revival” (46)
48 – Vovô Bebê – “Êxodo” (47)
49 – Tuyo e Terno Rei – “Eu Te Avisei” (48)
50 – Troá! – “Bicho” (49)

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* Entre parênteses está a colocação da música na semana anterior. Ou aviso de nova entrada no Top 50.
** Na vinheta do Top 50, a cantora gaúcho-carioca Duda Brack.
*** Este ranking é formulado por Lúcio Ribeiro e Vinícius Felix, talvez o maior estudioso da nossa CENA. Com uma pequena ajuda de nossos amigos, claro.
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Popload Live: hoje, 17h, no Stories da @poploadmusic, papo e música com Larissa Conforto (Àiyé)

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* A convidada desta tarde para a live da Popload, 17h, no Stories da @poploadmusic, é a Larissa Conforto, dona do interessantíssimo projeto eletrônico Àiyé.

Larissa sofreu uma profunda transformação musical recente, ao deixar a bateria da banda de rock Ventre para assumir um protagonismo eletrônico sozinha com seus teclados na frente do palco, cantando e tocando sobre umbanda ou com conexões latinas.

E aparentemente não foi um caminho fácil. E esse caminho, do fim do Ventre em 2017 até este ano, deu no álbum (EP?) “Gratitrevas”.

Quero muito saber sobre como foi essa travessia de Larissa. Às 17h, na Popload Live.

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A live da Popload foi criada para proporcionar, em tempos de clausura, papo e performance com pessoas legais da nossa música. Inclusive… tocando música.

Já rolou por aqui conversa e som com Flavio FingerFingerrr, André Aldo, Eduardo Apeles, Vivian Kuczynski, Lucas Fresno, Rita Papisa Oliva e Ale Sater, do Terno Rei, Bianca e Rodrigo do Leela, Lucas da Glue Trip, Fefel do Boogarins, Duda Brack, Clarice Falcão, Gabriela Deptuski, do My Magical Glowing Lens, Jay Horsth, do Young Lights, Salma & Macloys, do Carne Doce, a trinca Naíra, Érica e Caro, do sexteto Mulamba, e João Erbetta, do Los Pirata, o Popoto, da banda Raça, a Sara Não Tem Nome e o produtor paulistano CESRV, o internacional Sessa, o cheio-de-histórias-incríveis Supla, a multimídia Lia Paris, o rapper afrojaponês-andróide Yannick Hara e a guitarrista e cantora Brvnks, o professor Frank Jorge, o brit-paulistano Charly Coombes, Tim Bernardes de O Terno, Mario Bross, do Wry, a diva Ava Rocha, o produtor mashapeiro Raphael Bertazzi, com o engenheiro de som e beatmaker Master San, com o músico mineiro André MOONs, com o enigmático cantor Gevard DuLove, com o músico, agora escritor e eterno VJ Luiz Thunderbird, Tatá Aeroplano, com o Pata, do Holger, com o mineiro JP, Jair Naves, Zé Antônio (dos Pin Ups), com o graaaande Clemente, do Inocentes, com a Giovanna Moraes, com Marcelo Perdido, com o Chico Bernardes, com Mário Arruda, do Supervão e Nelson D.

Tudo regado a som ao vivo, adaptado, rearranjado, diferente, tecnicamente perdoadíssimo.
Já teve DJ set, do ótimo Willian Mexicano, com a digníssima diva pop Pabllo Vittar participando animada. E a do Lúcio Morais, do Database. Do Trepanado, da Selvagem. Do Lúcio Caramori. Do Paulão, do Garagem. Do gaúcho hard-funk Fredi Chernobyl.

Já teve conversa sobre a história da CENA brasileira com um dos personagens principais dela desde sempre, o agitador Fabrício Nobre. Já teve papo de jornalismo musical com Pedro Antunes, editor da “Rolling Stone”, também conhecido como o inventor do programa “Tem um Gato na Minha Vitrola”. Já conversamos com Bruno Natal, do podcast Resumido, e Thiago Ney, da newsletter MargeM, dois instrumentos ~modernos~ vitais para entender o mundo hoje. Falamos também com Ronaldo Lemos, o maior especialista em internet no Brasil e ex-curador do Tim Festival. Com o jornalista-boleio Mauro Beting, que tem uma série de serviços prestados à música. E com a jornalista, escritora, DJ e agitadora Claudia Assef.

A ideia da live é que ela, diária, de segunda a sexta no período de quarentena, não necessariamente tenha um horário padrão para rolar, mas até que tem acontecido bastante às 17h.
A gente avisa aqui e nas redes o horário certo do dia.

Então, hoje, às 5 da tarde, no Stories do @poploadmusic, conversa e música com Larissa Àiyé Conforto.

E lembrando que as Lives passaram a ficar disponíveis no igtv da conta do Popload Music, para outras revisitações ou mesmo para ver pela primeira vez. Escolha sua opção, mas veja.

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