Em aláfia:

Top 50 da CENA – Mateus Aleluia traz as nações ao primeiro lugar. BK traz suas histórias ao segundo. E Alfamor vem com um reggae gigante fechar o pódio

1 - cenatopo19

* Assim como na gringa, a CENA nacional começa a desacelerar os lançamentos. A não ser que alguém meta o louco de tentar um disco ou single do ano este mês, uma estratégia ousada, é difícil imaginar que apareçam muito mais novidades. Ainda assim, temos bons lançamentos de quem aproveitou este finzinho de ano para chegar firme.

mateustopquadrada

1 – Mateus Aleluia – “Soluar” (Estreia)
O novo disco de Mateus Aleluia, “Afrocanto das Nações”, é a primeira etapa de um grandioso projeto de pesquisa chamado “Nações do Candomblé”. A ideia básica é “registrar e reatar a herança afro musical do Brasil”. Nesse primeiro volume, a busca é pelo Reino do Daomé – Benin, Cachoeira e Salvador. “Buscamos os Voduns, nos curvamos a eles…”, diz o texto presente no museu virtual que acompanha o disco. Destacar apenas uma canção do álbum, com esta bonita “Soluar”, é pretensão demais – vale mais a experiência completa. Separe uma hora e meia e mergulhe.

2 – BK – “Cidade do Pecado” (Estreia)
“Cidade Do Pecado” traz BK em parceria com o produtor JNXV$. A faixa-título apresenta um personagem em um relacionamento novo. Na conversa, as questões que a riqueza traz são levantadas pelo casal, em uma escrita cuidadosa na troca de vozes – vale escutar várias vezes para tentar entender quem diz o quê. Ainda que seja um EP, também vale escutar na íntegra e na ordem correta, pois as músicas desenvolvem uma história mais longa e que se conecta. Interessante. (Estreia)

3 – Alfamor – “Semente”
O mais novo reggae rasgado da sempre politizada gaúcha-paulistana-baiana Alfamor é uma delícia. E contundente também. Traz uma luz de Jah sobre as mulheres, de diferentes territórios, etnias, idades, corpos e origens sociais. Propõe usar o amor como escudo protetor, diz a letra. O vídeo é muito bonito e representativo de tudo isso.

4/5 – Don L – “volta da vitória” e “favela venceu” (1)
No ano em que a nossa música mais falou de sonhos que possam mudar os dias tristes do Brasil, “Roteiro para Aïnouz Vol.2”, novo álbum de Don L, talvez seja o que reúne mais elementos não só de sonho, mas também de caminhos para essa luta e principalmente para quais são os objetivos dela. Tá ruim? Massa, mas e aí? O que colocar no lugar? E com o rapper cearense não tem ideia nublada ou vaga. O crime tem culpado e não é acidente. Don L sabe que o projeto do Brasil deu certo, uma vez que esse projeto envolve massacrar minorias, destruir terras e territórios, ciênca, culturas e muito mais. Sua meta? Derrotar o inimigo, sem concessões, sem conchavo. Se perder, já ganhou, porque lutou do lado certo. Se vier a vitória de uma construção do novo país, precisa só ajudar a apontar novos caminhos. Mais interessante ainda é que, na perspectiva apresentada no álbum, essa luta não será ganha lá no futuro. Ela já foi vencida: Don L conta a história a partir do dia seguinte. Parafraseando Emicida: “Se isso não te motivar a deixar de sonhar com um outro mundo, eu não sei mais o que pode te motivar, chapa”.

6 – Chapéu de Palha – “Elo” (Estreia)
A dupla do Chapéu de Palha, formada por Giovanna Póvoas e Helder Cruz, conquistou a gente ao longo deste ano e traz agora toda sua doçura direto de Manaus em sua estreia em álbum, “Cais”. Para quem gosta de bonitas harmonias vocais, tranquilidade e violão, é tiro certo.

7 – Salvador da Rima, Felp 22 e DJ Cia – “Nike & Lacoste” (Estreia)
Dos nomes mais pesados da história do rap nacional, DJ Cia (RZO, Sabotage, Racionais) faz a cama sonora ideal para os jovens Salvador da Rima e Felp 22 brilharem em alta velocidade. Encontro de gerações de respeito.

8 – BADSISTA – “Bandida” (3)
Na revolução de Don L, só posso esperar que a balada do dia seguinte tenha um set madrugada adentro da Badsista. Se a produtora paulista quiser folgar no dia, algo muito justo, a gente coloca “Gueto Elegance”, seu primeiro álbum, para tocar por algumas horas. Que tal?

9 – Aláfia – “Quintal” (4)
A poderosa banda paulista Aláfia retoma as atividades após seu álbum lançado em 2019 e quebra este curto período sem novidades com um single que pode dar a pista dos próximos passos. “Quintal” tem tudo a ver com o tema das novidades desta edição. Nas palavras divulgadas pelo grupo, “a essência do quintal é ecossistema. A quintessência do quintal é o requinte da convivência”.

10 – Coruja BC1 – “Brasil Futurista” (5)
Uma das coisas mais interessantes do novo álbum do Coruja BC1 é que ele investiu em formatos diferentes para suas canções. Em muitas músicas, fica o destaque para estrofes mais curtas, com pique de refrão, e um forte investimento em refrões, pré-refrões, que deixam o álbum na mente de cara. Tudo isso sem enfraquecer a ideia, lógico. Não é porque tem menos texto que tem menos texto, sacou? E isso rola na potente “Brasil Futurista”. “O seu Brasil futurista/ Vive na idade média/ Fazendo média com comédia.”

11 – Vieira – “Fluente” (participação Bixarte, A Fúria Negra, Benkes) (6)
12 – Thiago França – “O Futuro um Dia Volta” (7)
13 – Eliminadorzinho – “Verde” (8)
14 – Tainá – “Brilho” (9)
15 – Pluma – “Revisitar” (10)
16 – Céu – “Bim Bom” (11)
17 – FBC – “Se Tá Solteira” (12)
18 – Fresno – “Casa Assombrada” (13)
19 – Luiza Brina, Sara Não Tem Nome e Julia Branco – “Exausta” (16)
20 – Vuto – “22 a Queima Roupa” (17)
21 – Gab Ferreira – “Karma” (18)
22 – Alessandra Leão – “Borda da Pele” (20)
23 – brvnks – “as coisas mudam” (21)
24 – Rabo de Galo, DJ Ubunto e Luedji Luna – “Me Abraça e Me Beija” (22)
25 – Vandal – “BALAH IH FOGOH” (24)
26 – Alice Caymmi – “Serpente” (25)
27 – Taxidermia – “Taxidermia Punk” (26)
28 – Juçara Marçal – “Ladra” (27)
29 – Criolo – “Cleane” (28)
30 – Caetano Veloso – “Não Vou Deixar” (29)
31 – Marina Sena – “Pelejei” (30)
32 – Prettos – “Oyá/Sorriso Negro” (31)
33 – Liniker – “Mel” (32)
34 – Valciãn Calixto – “Exu Não É Diabo (Èsù Is Not Satan)” (34)
35 – Bebé – “Sinais Elétricos na Carne” (35)
36 – Tasha e Tracie – “Lui Lui” (36)
37 – GIO – “Sangue Negro” (37)
38 – Linn Da Quebrada – “I míssil” (38)
39 – Rodrigo Amarante – “Maré” (39)
40 – Amaro Freitas – “Sankofa” (40)
41 – Pabllo Vittar – “Não É Papel de Homem” (41)
42 – Edgar – “A Procissão dos Clones” (42)
43 – Tuyo – “Toda Vez Que Eu Chego em Casa” (43)
44 – Jadsa – “Mergulho” (44)
45 – FEBEM – “Crime” (45)
46 – Boogarins – “Supernova” (46)
47 – Mbé – “Aos Meus” (47)
48 – Rico Dalasam – “Expresso Sudamericah” (48)
49 – LEALL – “Pedro Bala” (49)
50 – Lupe de Lupe – “Brasil Novo” (50)

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* Entre parênteses está a colocação da música na semana anterior. Ou aviso de nova entrada no Top 50.
** Na vinheta do Top 50, o músico Mateus Aleluia.
*** Este ranking é formulado por Lúcio Ribeiro e Vinícius Felix, talvez o maior estudioso da nossa CENA. Com uma pequena ajuda de nossos amigos, claro.

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Top 50 da CENA – Don L domina o pódio com duas músicas e a proposta de um Brasil diferente. Badsista completa o rolê com uma proposta mais “bandida”

1 - cenatopo19

* Semana passada falamos de ideias para o futuro e não é estranho que o tema, talvez o mais recorrente do ano, volte à tona. Mas quem dá a palavra agora é Don L, em um álbum que traça todinho um futuro bem diferente e melhor para o Brasil. Tanto que são duas músicas de uma vez que aparecem no pódio. Como a gente acha que tem que ser.

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1/2 – Don L – “volta da vitória” e “favela venceu” (Estreia)
No ano em que a nossa música mais falou de sonhos que possam mudar os dias tristes do Brasil, “Roteiro para Aïnouz Vol.2”, novo álbum de Don L, talvez seja o que reúne mais elementos não só de sonho, mas também de caminhos para essa luta e principalmente para quais são os objetivos dela. Tá ruim? Massa, mas e aí? O que colocar no lugar? E com o rapper cearense não tem ideia nublada ou vaga. O crime tem culpado e não é acidente. Don L sabe que o projeto do Brasil deu certo, uma vez que esse projeto envolve massacrar minorias, destruir terras e territórios, ciênca, culturas e muito mais. Sua meta? Derrotar o inimigo, sem concessões, sem conchavo. Se perder, já ganhou, porque lutou do lado certo. Se vier a vitória de uma construção do novo país, precisa só ajudar a apontar novos caminhos. Mais interessante ainda é que, na perspectiva apresentada no álbum, essa luta não será ganha lá no futuro. Ela já foi vencida: Don L conta a história a partir do dia seguinte. Parafraseando Emicida: “Se isso não te motivar a deixar de sonhar com um outro mundo, eu não sei mais o que pode te motivar, chapa”.

3 – BADSISTA – “Bandida” (Estreia)
Na revolução de Don L, só posso esperar que a balada do dia seguinte tenha um set madrugada adentro da Badsista. Se a produtora paulista quiser folgar no dia, algo muito justo, a gente coloca “Gueto Elegance”, seu primeiro álbum, para tocar por algumas horas. Que tal?

4 – Aláfia – “Quintal” (Estreia)
A poderosa banda paulista Aláfia retoma as atividades após seu álbum lançado em 2019 e quebra este curto período sem novidades com um single que pode dar a pista dos próximos passos. “Quintal” tem tudo a ver com o tema das novidades desta edição. Nas palavras divulgadas pelo grupo, “a essência do quintal é ecossistema. A quintessência do quintal é o requinte da convivência”.

5 – Coruja BC1 – “Brasil Futurista” (1)
Uma das coisas mais interessantes do novo álbum do Coruja BC1 é que ele investiu em formatos diferentes para suas canções. Em muitas músicas, fica o destaque para estrofes mais curtas, com pique de refrão, e um forte investimento em refrões, pré-refrões, que deixam o álbum na mente de cara. Tudo isso sem enfraquecer a ideia, lógico. Não é porque tem menos texto que tem menos texto, sacou? E isso rola na potente “Brasil Futurista”. “O seu Brasil futurista/ Vive na idade média/ Fazendo média com comédia.”

6 – Vieira – “Fluente” (participação Bixarte, A Fúria Negra, Benkes) (Estreia)
Os bons ventos da Paraíba trazem uma psicodelia agradável que atende pelo nome de Vieira. Ou Arthur Vieira. Na maturidade dos seus 20 e poucos anos, ele versa sobre os anos 20 em álbum com participações de Bixarte, o veterano Totonho, Gio, Teco Martins e Boogarins. Aliás, por falar na banda, a produção é do superguitarrista e, há algum tempo, superprodutor Benke Ferraz.

7 – Thiago França – “O Futuro um Dia Volta” (2)
E, por falar em futuro, em seu disco solo de experimentações na pandemia, gravado em casa, Thiago França coleta ideias e nessa bela instrumental anuncia que o futuro perdido por conta desse outro “Brasil Futurista” um dia volta. A gente acredita nessa ideia, Thiago.

8 – Eliminadorzinho – “Verde” (3)
Trio de rock alternativo paulista com fortes influências de Sonic Youth, que o proprio nome da banda já entrega, mais Dinosaur Jr e um monte de outras referências, o grupo chega firme em seu primeiro álbum, “Rock Jr.”, após muitos EPs. O clima lo-fi do começo ainda está lá, mas o corpo da experiência sonora é mais carregado e chega a flertar até com um rock mais radiofônico. Se as rádios brasileiras que ainda tocam rock não vacilarem, é umas. Energia bruta.

9 – Tainá – “Brilho” (4)
A gente tem um tempo que elogia a boa e criativa cena alternativa carioca, que lembra muito a cena alternativa paulistana dos anos 80. Tainá faz parte dessa turma e entrega um belo álbum em “Brilho”. Dançante na medida que é reflexivo. E a voz de Tainá revela um lugar onde a gente quer ficar por um tempo.

10 – Pluma – “Revisitar” (5)
A esperta banda paulista Pluma soltou um bom EP com alguns singles que já circulavam por aí, fora umas inéditas. Entre elas, “Revisitar”, que conta com participação do vocalista e letrista da banda O Grilo, Pedro Martins. Esse diálogo entre erudito e pop que existe no trabalho dos dois artistas casou bem aqui.

11 – Céu – “Bim Bom” (6)
12 – FBC – “Se Tá Solteira” (7)
13 – Fresno – “Casa Assombrada” (8)
14 – Duda Brack – “Oura Lata” (9)
15 – Wry – “Where I Stand” (10)
16 – Luiza Brina, Sara Não Tem Nome e Julia Branco – “Exausta” (12)
17 – Vuto – “22 a Queima Roupa” (13)
18 – Primitivo – “Pretos de Classe como Marighella (part. THC das Ruas e Camarada Janderson)” (14)
19 – Gab Ferreira – “Karma” (15)
20 – Alessandra Leão – “Borda da Pele” (17)
21 – brvnks – “as coisas mudam” (19)
22 – Rabo de Galo, DJ Ubunto e Luedji Luna – “Me Abraça e Me Beija” (21)
23 – Stefanie e Gigante no Mic – “Coroa de Flores” (22)
24 – Vandal – “BALAH IH FOGOH” (23)
25 – Alice Caymmi – “Serpente” (26)
26 – Taxidermia – “Taxidermia Punk” (14)
27 – Juçara Marçal – “Ladra” (24)
28 – Criolo – “Cleane” (25)
29 – Caetano Veloso – “Não Vou Deixar” (26)
30 – Marina Sena – “Pelejei” (27)
31 – Prettos – “Oyá/Sorriso Negro” (28)
32 – Liniker – “Mel” (29)
33 – Luana Flores – “Lampejo da Encruza” (30)
34 – Valciãn Calixto – “Exu Não É Diabo (Èsù Is Not Satan)” (31)
35 – Bebé – “Sinais Elétricos na Carne” (32)
36 – Tasha e Tracie – “Lui Lui” (34)
37 – GIO – “Sangue Negro” (35)
38 – Linn Da Quebrada – “I míssil” (36)
39 – Rodrigo Amarante – “Maré” (37)
40 – Amaro Freitas – “Sankofa” (38)
41 – Pabllo Vittar – “Não É Papel de Homem” (39)
42 – Edgar – “A Procissão dos Clones” (40)
43 – Tuyo – “Toda Vez Que Eu Chego em Casa” (41)
44 – Jadsa – “Mergulho” (42)
45 – FEBEM – “Crime” (43)
46 – Boogarins – “Supernova” (44)
47 – Mbé – “Aos Meus” (47)
48 – Rico Dalasam – “Expresso Sudamericah” (48)
49 – LEALL – “Pedro Bala” (49)
50 – Lupe de Lupe – “Brasil Novo” (50)

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* Entre parênteses está a colocação da música na semana anterior. Ou aviso de nova entrada no Top 50.
** Na vinheta do Top 50, o trio Fresno.
*** Este ranking é pensado e editado por Lúcio Ribeiro e Vinícius Felix.