Em aldo:

PJ Harvey, Carolina Dieckmann e Selton Mello. A Globo e o melhor do indie mundial, amigos

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The xx e Daughter na novela das 9, PJ Harvey na minissérie, Sigur Rós no Black Mirror. É a Popload antenadíssima e em sintonia com a cultura pop nacional (e mundial), digamos.
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Disponível apenas online no fim do ano passado, estreou no começo desta semana na Globo aberta a série “Treze Dias Longe do Sol”, com Selton Mello e Carolina Dieckmann como protagonistas da trama “repleta de mistério, ganância, covardia e traição”, como diz o release. Nela, um engenheiro (Mello) ganancioso economiza o que pode e o que não pode na construção de uma obra, culminando com o seu desabamento bem no dia em que a filha do dono do prédio (Dieckmann) está fazendo uma visita ao local. Oh-oh. Sem spoilers, já que o resto vocês ainda podem ver na TV (são dez episódios).

Assim como no post de ontem, chegamos aqui pela música.

Apesar de curta, a abertura segue bem a linha das de alguns thrillers da Netflix. Ao fundo, “When Under Ether”, música da musa PJ Harvey, mas em uma versão com voz cavernosa que mistura bem a sua maneira Mark Lanegan, Nick Cave e com um “Q” daquela abertura de True Detective com Leonard Cohen.

A trilha foi feita exclusivamente para a minissérie pelo compositor Beto Villares em parceria com o produtor Érico Theobaldo (que vem a ser o baterista da banda ALDO, uma das favoritas da casa). Veja como ficou e depois a gente continua o papo:

Vale citar que a PJ Harvey herself recebeu a versão para ser aprovada e só então, liberada. “Quando o Luciano Moura, diretor, nos pediu para pensar numa música para a abertura, nós pesquisamos varias coisas e acabamos apresentando uma versão de ‘When Under Ether’ da PJ, mais eletrônica e com guitarras e com o Beto cantando com uma voz bem grave. A versão agradou o diretor e a produção da série e então, eles deram início ao processo de liberação da obra, que passou pela a aprovação da própria autora e acabou rolando”, disse Theobaldo à Popload.

Conversamos também com o “mestre das trilhas” Beto Villares, que recebeu instruções do diretor para que a música “tivesse relação com o estado emocional em que se encontra o Saulo, engenheiro responsável pela obra que literalmente está afundando”, explica. Mas como eles chegaram até essa música especificamente?

“Érico me ajudou bastante na pesquisa da música de abertura, ele que trouxe a ideia de usar ‘When Under Ether’. Tínhamos escutado Leonard Cohen, Nick Cave, Tindersticks e outros, além da PJ Harvey, de quem gostamos muito. Essa canção dela pareceu se encaixar bem demais no clima de torpor e introspecção, se é que é possível estar nos dois estados ao mesmo tempo! Queríamos, porém, uma voz masculina. Penso que principalmente por se relacionar com o Saulo. Aí eu me testei, cantando no tom mais grave que podia, uma oitava abaixo e gostei… e depois o Érico e o Luciano (Moura) também gostaram, e a própria autora aprovou!”

Se para UM episódio do Black Mirror foram criadas 18 músicas (mais sobre isso aqui), entre vinhetas e canções completas, para uma minissérie com dez episódios a dupla chegou a 250 pontos de trilha! “Não é fácil encontrar as medidas dos ‘humores’ que temos que passar como tensão, emoção, suspense, alguns devaneios, depressões, sustos… E nunca é fácil saber se trilha tem que sublinhar ou dar contraste à cena. Se tem que provocar suspense, prever algo, ou deixar para reforçar, comentar depois…”, diz Villares.

Além de Villares & Theobaldo, participaram do trabalho os músicos Zé Nigro, Otavio de Carvalho, Kezo Nogueira, Tami Belfer, Thiago Liguori, Fil Pinheiro, Ingo Andre e Luciano Tucunduva. O quarteto de cordas foi formado por Betina Stegmann, Nelson Rios, Marcelo Jaffé e Bob Suetholz.

>> Aqui, uma versão em áudio mais longa do que a que aparece na minissérie, com exclusividade para a Popload! Até o fim do mês ela estará disponível pela Som Livre:



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E abaixo, a original:

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De Mahmundi a Planet Hemp, Bananada Festival 2016 sacode Goiânia (e a cena indie brasileira)

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* A partir de hoje e até domingo, um dos principais festivais do calendário independente brasileiro bagunça a capital sertaneja espalhando por casas de espetáculo, clubes, estúdios, pubs, shopping center, teatro, em formato de shows grandes e pequenos, showcases de selo e até “palco importado”, uma série de shows que conecta várias das expressões sonoras da cena indie nacional.

Sara Não Tem Nome (Minas Gerais), Liniker (São Paulo), os locais Carne Doce, Bang Bang Babies e Hellbenders, o gaúcho Frank Jorge, os cariocas Supercordas e Autoramas, o protoindie Killing Chainsaw, os “internacionais” Aldo e Fingerfingerrr, o capixaba Silva, o gringo The Helio Sequence, DJs peso pesados como Mau Mau, Renato Cohen e Anderson Noise, o gringo The Helio Sequence e os muito conhecidos Planet Hemp e Jorge Benjor, entre vários outros, traçam em uma semana corrida o panorama musical do país em agito goiano com padrão internacional, até porque o Bananada, agora em 2016, leva sua marca para a Espanha, Portugal e Inglaterra.

As conexões são muitas. O Bananada, produzido pela esperta A Construtora, junta metal com eletrônica, nova mpb e indie velho, soul music e punk. Importa para o festival a Casa do Mancha, importantíssimo reduto paulistano para shows pequenos com curadoria grande. Transforma-se em vitrine com showcases como o do selo Balaclava. E prepara seu vôos internacionais com bandas e conceito em parceria com outro relevante festival indie nacional, o DoSol, do Rio Grande do Norte.

A programação completa do Bananada, com datas e locais, está aqui.

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Hoje um dos destaques é a apresentação da Mahmundi às 21h, no Teatro Sesi. A multi-instrumentista e cantora carioca Marcela Vale, a Mahmundi, acaba de lançar seu primeiro disco, homônimo, via Skol Music, dentro da estampa Stereomono, o mesmo que edita no Brasil o Boogarins e o Jaloo.

Já há algum tempo encantando a cena indie com velha nova MPB de alguma pegada eletrônica, Mahmundi em seu disco dèbut está com um som mais “clean”, quase pop, mais ensolarado que synth desta vez, gostosinho para tocar em uma rádio brasileira mais moderninha, se rádio assim existisse no país.

O disco, que vem resgatar um “eterno verão” carioca que remete aos anos 80 e que ao vivo pode até ter nuances do “eterno inverno” sonoro na linha do britânico James Blake, bem anos 2010, existe por enquanto apenas digital. Mas cópias em vinil são prometidas para logo.

Larga hoje, e bem, o Bananada 2016.

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Aldo The Band lançou o “Giant Flea” em SP

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* Novidades de museu. É o Museu da Imagem e do Som (MIS), mas enfim. A banda paulistana Aldo fez sexta à noite o show de lançamento de “Giant Flea”, seu segundo álbum, incrível disco que é o que uma banda brasileira mais conseguiu chegar, em sonoridade e na pegada, perto dos ótimos !!! ou LCD Soundsystem. Músicas pulsantes de uma banda cada vez mais entrosada ao vivo. Se você já viu um show do Aldo na vida, saiba que o despirocado vocalista e guitarrista e sobrinho do Aldo real, André Faria, começou a apresentação comportadinho, com camisa (!!) para dentro da calça (!!!), cabelo penteadinho. Era no auditório, todo mundo sentado. Fazia um certo sentido. Mas, conforme a banda foi misturando as poderosas músicas novas com as do excelente álbum de estreia, mas um degrau abaixo em produção e punch deste disco que lança agora, a banda foi “voltando ao normal”. E André acabou o show assim:

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Confira abaixo a performance do Aldo the Band para “Primate”, uma das faixas de “Giant Flea”, o novo álbum.

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Aldo is a real metal. Ao vivo em São Paulo

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* O avassalador show do grupo paulistano Aldo The Band, durante o Popload Gig do último sábado, Cine Joia, São Paulo, Brasil, serviu para a banda dos Faria afiar ao vivo as ótimas músicas novas, que estão no recém-lançado segundo álbum, “Giant Flea”. A gente falou desse disco em post recente.

Abaixo, confira a performance da banda para a intensa “Liquid Metal”. Aldo é André, Mura, Érico e Cobra Snake. Aldo is a real person.

* O Popload Gig é patrocinado pela cerveja Heineken. Se beber, não dirija.

** Amanhã tem Iron & Man, no Cine Joia.

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Aldo The Band se transforma em “Aldo What a Band”

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* Até que enfim, é lançado hoje o segundo disco do grupo paulistano Aldo, ou Aldo The Band, a banda formada pelos talentosos André Faria e Murilo Faria, entrosadíssimos irmãos da linha “sibling rivary”-que-se-completam intelectual e musicalmente e não raro se apresentam na forma de Aldo DJs.

A poliforme empreitada musical dos Farias Bros, das melhores do indie nacional desta década de qualquer jeito que se olhe, vai bem mais longe. Eles dominam todo o processo.

Começando do começo, esses brothers com química cresceram absurdamente do marco zero do projeto Aldo, em 2012, quando resolveram montar a banda dando o nome dela ao tio ex-doidão que hoje é evangélico.

A honraria familiar é mais que uma brincadeira de dentro de casa. Foi graças ao tio Aldo e seus rolês na Augusta mostrando “a vida real” a dois menininhos quanto aos LPs de rock psicodélico e música brasileira que forneceu aos sobrinhos que hoje o Aldo é o Aldo.

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Murilo e André (os do meio na foto acima) fizeram o primeiro disco, o excelente “Aldo Is Love”, sozinhos, sem apoio de ninguém, forjaram um quarteto com outros músicos incríveis da música independente da cidade para ganhar corpo ao vivo, passaram a tocar em festivais do país todo, em festas de moda. O Aldo pegou. Mas daí precisavam fazer o segundo disco bom, o disco do firmamento, o “second come”, o teste para ver se a banda vai além da empatia do primeiro disco.

“Giant Flea”, que aparece hoje à venda no iTunes, ganhou algumas cópias naquele formato morto chamado CD para serem vendidas em show apenas e sai em vinil em algum belo dia deste final de ano, é mais que o bom necessário para a banda se firmar (se já não tivesse bem firme).

O grau de evolução do segundo álbum é impressionante. Se o primeiro era espartano, a quatro mãos, esse tem selo pomposo, produtores pomposos, uma ficha técnica de uns 15 atributos e umas 20 linhas de gente assinando tarefas específicas. Mas isso não significa que os poliformes irmãos Faria simplesmente entregaram o Aldo para o selo ou para o famoso Dudu Marote botar suas competentes mãos produtoras. Como se não bastassem as letras, composições, arranjos, André e Murilo têm crédito também como “engenheiros de gravação”, além de participarem ativamente na produção geral e mixagem.

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Se “Aldo Is Love” era mais LCD Soundsystem do que !!!, a visceral vocação dance desse “Giant Flea” inverte a fórmula e carrega mais na característica própria e latente que ergue o Aldo: o equilíbrio perfeito das roqueirices de André com o incrível talento eletrônico de Murilo. O resultado é um disco moderno até a medula, com uma meia dúzia de canções que caberiam fácil em bombados discos atuais de nomes estabelecidos, como, para ficar num exemplo, no novo do Chemical Brothers.

Fora os singles conhecidos, ótimos em seus detalhes e já algum tempo presentes em boas festas da noite paulistana, digo sob meu ponto de vista, é inacreditável saírem músicas tão ricas e completas como “Back to the Tunnel”, “Primate” e “Good Morning Pumpkin” num mesmo disco de uma banda indie paulistana, vistas por qualquer lado: da sedução roqueira ou da energia eletrônica. A brilhante “Primate” começa LCD Soundsystem e termina, sei lá, Nirvana on acid?

Com “Giant Flea”, dá para dizer sem medo de errar. Aldo is a real person and Aldo The Band is a real band.

Será que demora muito ainda para o terceiro disco?

* O Aldo toca amanhã no Cine Joia, em São Paulo, no evento cuja atração principal é a banda nova-iorquina Clap Your Hands Say Yeah tocando sua história, mais a primorosa discotecagem da dupla Selvagem, tudo completado pelos representativos sons do trio Funhell e de Fernanda Cardoso.

Sem pensar em envolvimentos mais específicos, eu diria que é uma das baladas do ano. Estou errado?
Ouça “Giant Flea” todinho aí embaixo e me diz:

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