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Top 50 da CENA: um resumo de 2021. Também conhecido como: As 50 Melhores Músicas do Ano no Brasil

1 - cenatopo19

* Como a gente já repetiu algumas vezes: listar as nossas favoritas da CENA brasileira, durante todo o ano, é mais um jeito de contar tudo de bom do que a gente anda ouvindo a cada semana. A gente deixa de lado qualquer pretensão de dizer o que é melhor ou pior. No fim de ano, a missão segue a mesma. Nossa ideia aqui é apresentar este resumo do que foi 2021. Faltou música, lógico, a ordem talvez desagrade, mas é só voltar semana a semana para achar outras centenas de músicas incríveis destacadas aqui para de um modo modesto jogar luz nesta CENA brasileira nada modesta. A CENA nunca foi tão produtiva e boa.

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1 – Juçara Marçal – “Crash”
Rap. Samba. Juçara entrega em “Crash”, letra de Rodrigo Ogi, uma música que arrebenta com qualquer fronteira que se queira criar entre os gêneros musicais. É impossível determinar onde começa o que aqui. Uma certeza é que a letra tem um recado mais claro: é hora de ver a derrota de quem com ferro feriu.

2 – Don L – “Volta da Vitória/Citação: Us Mano e as Mina (Xis)”
Nas revoluções do passado e nas que virão, que aparecem por todo o novo roteiro de Don L, há o dia da vitória. Dia das conquistas e celebrações. Em tempos amargos, é bom lembrar em uma canção que a festa é parte da transformação. Ela não precisa ser só uma resposta para a tristeza da realidade, mas sim a constante nessa nova trilha.

3 – Rico Dalasam – “Expresso Sudamericah”
E, no ano em que a música brasileiro sonhou perigosamente, Rico versa: “Sem poder saber o passado/ sem poder ganhar o presente/ E ter a culpa de ser o futuro/ Meus sonhos são gigantes”. Sonhos que acontecem aqui, na América do Sul, detalhe que Rico faz questão de lembrar ao ouvinte, que é puxado para dentro da canção em uma singela quebra da quarta parede: “Alô, parceiro, passageiro”.

4 – Jadsa – “Sem Edição”
Se a distopia onde vivemos a vida dos outros através de milhares de filtros sociais e virtuais é aqui e agora, Jadsa clama por um pouco de vida real sem aquecer, esfriar, esmaecer, ajustar e outras coisas. Que discaço que ela fez.

5 – Alessandra Leão – “Borda da Pele”
Nas palavras da própria Alessandra, “Borda da Pele” é “A escolha subversiva pelo sim”. E ela continua: “Pela estratégia do prazer. Sabedoria selvagem da escuridão de dentro em resposta às trevas de fora”. Quando a descrição vem pronta assim a gente só reproduz. Não é preciso dizer mais nada.

6 – LEALL – “Pedro Bala”
Em uma letra que abre diálogos com Jorge Amado (Pedro Bala de “Capitães de Areia”) e Chico Buarque (que tem seu “Pedro Pedreiro”), Leall descreve com exatidão a realidade, sonhos e motivações de um personagem condenado pela estrutura racista do Brasil a violência, miséria e fome. E transforma tudo isso em música de primeira.

7 – Marina Sena – “Por Supuesto” e FBC – “Se Tá Solteira”
Talvez as duas principais músicas produzidas pela cena independente brasileira que furaram a bolha e alcançaram plays incontáveis por Tik Toks e pelas festas do país. Merecem a celebração conjunta.

8 – Caetano Veloso – “Pardo”
Ao lado de Letieres Leite, mestre que a música brasileira perdeu em 2021, Caetano faz sua autodeclaração, que já havia sido cantada por Céu: é pardo. Termo que Caetano reconhece que é mais usado hoje do que na sua juventude. Ainda que não seja exatamente sobre o assunto, a canção coincide com a defesa de Caetano que a discussão racial no Brasil passe a ser mais informada pelo próprio Brasil do que pelos Estados Unidos.

9 – Amaro Freitas – “Baquaqua”
A impressionante trajetória de Baquaqua, africano que foi escravo no Brasil e após fugir do país escreveu sua autobiografia nos Estados Unidos, um raro documento histórico de um escravo sobre sua realidade, vira uma música instrumental absurda no piano de Amaro, que traduz nota a nota essa jornada.

10 – Pabllo Vittar – “Não É Papel de Homem”
Ao trazer brega, forró e calypso para informar o ultrapop, invertendo o processo onde geralmente é a gente que é contaminado pelo pop estrangeiro, Pabllo Vittar segue inventiva ditando o pop na música brasileira.

11 – Anitta – “Girl from Rio”
12 – Coruja BC1 – “Brasil Futurista”
13 – Tuyo – “Sonho de Lay”
14 – Prettos – “Oyá/Sorriso Negro”
15 – Marina Sena – “Pelejei”
16 – Liniker – “Mel”
17 – Luana Flores – “Lampejo da Encruza” (28)
18 – Valciãn Calixto – “Exu Não É Diabo (Èsù Is Not Satan)”
19 – Bebé – “Sinais Elétricos na Carne”
20 – Edgar – “A Procissão dos Clones”
21 – Rodrigo Amarante – “Maré”
22 – Tasha e Tracie – “Lui Lui”
23 – GIO – “Sangue Negro”
24 – Linn Da Quebrada – “I míssil”
25 – Jonathan Ferr – “Amor”
26 – Sophia Chablau e Uma Enorme Perda de Tempo – “Fora do Meu Quarto”
27 – MC Carol – “Levanta Mina”
28 – Criolo – “Cleane”
29 – Fresno – “Casa Assombrada”
30 – Gab Ferreira – “Karma”
31 – César Lacerda – “O Sol Que Tudo Sente”
32 – TARDA – “Futuro”
33 – Rabo de Galo, Ubunto e Luedji Luna – “Me Abraça e Me Beija”
34 – Céu – “Chega Mais”
35 – brvnks – “sei la”
36 – Vandal, Djonga e BaianaSystem – “BALAH IH FOGOH”
37 – FEBEM – “Crime”
38 – Luedji Luna e Zudzilla – “Ameixa”
39 – Johnny Hooker – “Amante de Aluguel”
40 – BADSISTA – “Chora Na Minha Frente”
41 – BK – “Cidade do Pecado”
42 – Jup do Bairro – “Sinfonia do Corpo”
43 – Giovanna Moraes – “Baile de Máscaras”
44 – Romulo Fróes – “Baby Infeliz”
45 – Nelson D – “Algo Em Processo”
46 – Duda Beat – “Meu Pisêro”
47 – Yung Buda – “Digimon”
48 – Boogarins – “Supernova”
49 – Jota Ghetto – “Vagabounce”
50 – Lupe de Lupe – “Brasil Novo”

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* Entre parênteses está a colocação da música na semana anterior. Ou aviso de nova entrada no Top 50.
** Na vinheta do Top 50, a cantora carioca Juçara Marçal.
*** Este ranking é formulado por Lúcio Ribeiro e Vinícius Felix, talvez o maior estudioso da nossa CENA. Com uma pequena ajuda de nossos amigos, claro.

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Top 50 da CENA – Que disco é esse, Fresno? Que disco é esse, Duda Brack? E aí chega o Vuto e pá!

1 - cenatopo19

* Aqui na nosso querido ranking brazuca a gente teve semanas de olhar para artistas mais velhos. E tem semanas como esta, que está recheada de jovens artistas – Vuto, Primitivo, Gab Ferreira. E, mesmo que Fresno e Duda Beat não sejam exatamente novatos da CENA, brilha em seus trabalhos recentes um frescor e pique de quem está começando. Já se ligaram nas novidades da melhor CENA do mundo? Chega na nossa playlist.

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1 – Fresno – “Casa Assombrada” (Estreia)
“Vou Ter Que Me Virar” parece ser a segunda parte de uma trilogia que a Fresno começou em 2019 com “sua alegria foi cancelada”. Palavra do próprio Lucas, vocalista da banda. Se a primeira parte parecia adivinha o que vinha pela frente no Brasil arrasado por um governo terrível, a segunda parte se balança entre momentos de esperança e outros nem tanto assim, como é o dia comum de um brasileiro. Na nova coleção de boas músicas, o primeiro destaque é esse olhar para dentro que Lucas lança a partir de suas experiências na terapia. É quase uma música que revê muitas outras músicas da Fresno (“Desculpa por eu sempre ser assim/Uh, terceirizando a minha dor/Confundindo carência com amor”). Não é todo artista que tem a manha de se criticar tão abertamente na própria obra.

2 – Duda Brack – “Oura Lata” (Estreia)
De Porto Alegre, Duda arrebenta em seu segundo álbum. Entre tantos bons momentos, vale a redescoberta que ela lança aqui ao sacar uma bela música de Alzira E e Itamar Assumpção em arranjo meio “Rubber Soul”. Coisa linda.

3 – Vuto – “22 a Queima Roupa” (Estreia)
Vuto é um rapper de Salvador que a gente acabou de descobrir e já está de cara. Habilidoso na escrita, na batida e no flow. Tudo é bem original e marcante. Fiquem espertos com o som dele.

4 – Primitivo part. THC das Ruas e Camarada Janderson – “Pretos de Classe como Marighella” (Estreia)
Repara, as menções a Marighella no rap nacional explodem a partir do momento em que Mano Brown resolve dar sua versão da história do baiano. Da citações posteriores a do Brown é difícil encontra outra que honre tanto seu legado quanto a menção dessa turma, que realmente propõe uma revolução brasileira na letra. Música só no Youtube.

5 – Gab Ferreira – “Karma” (Estreia)
A vibe é quase Top 10 Gringo, mas Gab é de Santa Catarina (ou atualmente quase paulistana). “Karma” é o primeiro single de sua nova mixtape, três anos após sua estreia em “Lemon Squeeze”. Agora parte da Balaclava, um dos selos mais responsas do país, é ver o que ela vai aprontar no futuro próximo. Pelo pacote inteiro, música e vídeo, promete.

6 – Serapicos – “Caminhei, Caminhei, Caminhei” (Estreia)
É muito especial o olhar bem-humorado que Serapicos traz em suas canções. Você vai se pegar sorrindo em alguns momentos tamanho acerto e verve. Aqui ele apresenta uma visão nada convencional do que seria o céu – um ambiente com péssimas condições de trabalho, uma suposta “liberdade” de imprensa e altos níveis de depressão. E o arremate é outra piada, lógico: “Só imagina como o inferno deve ser”.

7 – FBC e VHOOR – “Delírios (feat. Djair Voz Cristalina)” (1)
A sacada de usar a estética visual e sonora do funk consciente de nomes como MC Dodô, que inspiraram o mineiro FBC na sua adolescência, funciona bem demais por aqui, lembrando que funk e rap tem um parentesco que às vezes fica de lado em muitos papos. É uma mudança na carreira do rapper e tem cara de hit daqueles que furam a bolha do gênero. A gente aposta nisso.

8 – Luiza Brina e Ana Frango Elétrico – “Somos Só” (2)
E Luiza Brina continua convidando colegas para relerem canções de sua estreia solo, “A Toada Vem É pelo Vento”, que completa 10 anos. E que parceria é esta, com a Ana Frango! Pela semelhança das vozes, até parecem que elas não são sós, mas são uma só.

9 – Alessandra Leão – “Borda da Pele” (3)
A grande jornalista e radialista Debora Pill escreveu sobre esse novo single de Alessandra, que antecipa seu próximo álbum, “Acesa”. “É escolha subversiva pelo sim. E pela estratégia do prazer. Sabedoria selvagem da escuridão de dentro em resposta às trevas de fora”. Uau. Fica até difícil escrever algo depois disso, A potência poética de Alessandra está nessa opção por valorizar o corpo pulsante como estratégia de sobrevivência, como ela escreveu em seu Instagram. Aliás, Instagram onde encontramos outra bela frase dela: “Nesse meu corpo/ Sou quem fui e quem serei”

10 – Taxidermia – “Taxidermia Punk” (4)
Projeto de Jadsa e João Milet, o Taxidermia avisou que logo vem o “Outro Volume”, sequência do trabalho lançado pela dupla no ano passado. Nesse próximo disco vai ter uma faixa que chama Taxidermia e que tem uma letra em diálogo direto com este single. Seria a versão punk dela? Se a gente entendeu alguma coisa errada, João e Jadsa, avisem a gente. Em todo caso, gostamos do que ouvimos.

11 – Jennifer Souza – “Amanhecer” (5)
12 – brvnks – “as coisas mudam” (6)
13 – João Donato e Jards Macalé – “Côco Táxi” (7)
14 – Jadsa – “Run, Baby” (8)
15 – Rabo de Galo, DJ Ubunto e Luedji Luna – “Me Abraça e Me Beija” (9)
16 – Stefanie e Gigante no Mic – “Coroa de Flores” (10)
17 – Vandal – “BALAH IH FOGOH” (11)
18 – Johnny Hooker – “Amante de Alguel” (15)
19 – Don L – “Na Batida da Procura Perfeita” (16)
20 – Céu – “Chega Mais” (17)
21 – Alice Caymmi – “Serpente” (18)
22 – Juçara Marçal – “Ladra” (19)
23 – Criolo – “Cleane” (20)
24 – Coruja Bc1 e Salgadinho – “Bolhas” (21)
25 – Sant – “Prantos” (22)
26 – Caetano Veloso – “Não Vou Deixar” (23)
27 – Marina Sena – “Pelejei” (24)
28 – Prettos – “Oyá/Sorriso Negro” (28)
29 – Liniker – “Mel” (29)
30 – Luana Flores – “Lampejo da Encruza” (30)
31 – Valciãn Calixto – “Exu Não É Diabo (Èsù Is Not Satan)” (31)
32 – Bebé – “Sinais Elétricos na Carne” (32)
33 – Majur – Ogunté (33)
34 – Tasha e Tracie – “Lui Lui” (34)
35 – GIO – “Sangue Negro” (35)
36 – Linn Da Quebrada – “I míssil” (36)
37 – Rodrigo Amarante – “Maré” (37)
38 – Amaro Freitas – “Sankofa” (38)
39 – Pabllo Vittar – “Não É Papel de Homem” (39)
40 – Edgar – “A Procissão dos Clones” (40)
41 – Tuyo – “Toda Vez Que Eu Chego em Casa” (41)
42 – Jadsa – “Mergulho” (42)
43 – FEBEM – “Crime” (43)
44 – Boogarins – “Supernova” (44)
45 – JOCA, Sain, Jonathan Ferr, BENO, Theo Zagrae – “Água Fresca” (19)
46 – Jota Ghetto – “Vagabounce” (46)
47 – Mbé – “Aos Meus” (47)
48 – Rico Dalasam – “Expresso Sudamericah” (48)
49 – LEALL – “Pedro Bala” (49)
50 – Lupe de Lupe – “Brasil Novo” (50)

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* Entre parênteses está a colocação da música na semana anterior. Ou aviso de nova entrada no Top 50.
** Na vinheta do Top 50, o trio Fresno.
*** Este ranking é pensado e editado por Lúcio Ribeiro e Vinícius Felix.

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Top 50 da CENA – FBC leva o topo para o rap e para Minas Gerais. Luiza Brina “duela” com Ana Frango Elétrico. Alessandra Leão acende o novo álbum

1 - cenatopo19

* Semana de boa renovação no nosso Top 50. Ou pelo menos do top 10 dentro do Top 50. Minas, Pernambuco, Bahia, Goiás/São Paulo. Vamos passeando pelo Brasil atrás das melhores coisas que a nossa CENA anda fazendo nestes dias. E fica até a pergunta: estamos esquecendo de algum estado neste panorama semanal? Tem alguém ficando de lado? Reclamem nos comentários que vamos corrigir qualquer problema desse tipo. O país é grande e o trabalho em dupla tem suas limitações, ainda que os amigos estejam sempre escrevendo. Vamos garantir a manutenção da melhor playlist para acompanhar a CENA. Bora então para a destes últimos dias

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1 – FBC e VHOOR – “Delírios (feat. Djair Voz Cristalina)” (Estreia)
A sacada de usar a estética visual e sonora do funk consciente de nomes como MC Dodô, que inspiraram o mineiro FBC na sua adolescência, funciona bem demais por aqui, lembrando que funk e rap tem um parentesco que às vezes fica de lado em muitos papos. É uma mudança na carreira do rapper e tem cara de hit daqueles que furam a bolha do gênero. A gente aposta nisso. Tanto que olha onde ele veio parar.

2 – Luiza Brina e Ana Frango Elétrico – “Somos Só” (Estreia)
E Luiza Brina continua convidado colegas para relerem canções de sua estreia solo, “A Toada Vem É Pelo Vento”, que completa 10 anos. E que parceria é esta, com a Ana Frango! Pela semelhança das vozes, até parecem que elas não são sós, mas são uma só.

3 – Alessandra Leão – “Borda da Pele” (Estreia)
A grande jornalista e radialista Debora Pill escreveu sobre esse novo single de Alessandra, que antecipa seu próximo álbum, “Acesa”. “É escolha subversiva pelo sim. E pela estratégia do prazer. Sabedoria selvagem da escuridão de dentro em resposta às trevas de fora”. Uau. Fica até difícil escrever algo depois disso, A potência poética de Alessandra está nessa opção por valorizar o corpo pulsante como estratégia de sobrevivência, como ela escreveu em seu Instagram. Aliás, Instagram onde encontramos outra bela frase dela: “Nesse meu corpo/ Sou quem fui e quem serei”

4 – Taxidermia – “Taxidermia Punk”
Projeto de Jadsa e João Milet, o Taxidermia avisou que logo vem o Outro Volume, sequência do trabalho lançado pela dupla no ano passado. Nesse próximo disco vai ter uma faixa que chama Taxidermia e que tem uma letra em diálogo direto com este single. Seria a versão punk dela? Se a gente entendeu alguma coisa errada, João e Jadsa, avisem a gente. Em todo caso, gostamos do que ouvimos.

5 – Jennifer Souza – “Amanhecer” (Estreia)
“Sorte eu te encontrar” é um verso que se repete na bonita e climática canção da mineira Jennifer Souza, que talvez você conheça da carreira solo ou das bandas Tranmissor ou Moons. Quem ainda não teve a sorte de escutar a delicada voz da Jennifer tem sua chance, enfim. Dos mais belos trabalhos que escutamos neste ano, sem dúvida.

6 – brvnks – “as coisas mudam” (Estreia)
E a brvnks segue apresentando sua nova fase, cheia de mudanças. A mais perceptível é que temos Bruna agora em português nos vocais – ela já tinha escrito um título de música em português, mas a letra não era. As coisas mudam, e como a própria Bruna escreveu no Instagram, “ainda bem”.

7 – João Donato e Jards Macalé – “Côco Táxi” (1)
Nus já na capa. E que capa. Jards e João. João e Jards. Juntos. Pela primeira vez. Em músicas inéditas, essa parceria de homens de diferentes gerações parece que sempre existiu. É uma sensação que bate de cara: “Jards e João? Escutei tudo”, como se já existissem vários álbuns da dupla. Tudo soa natural, belo e pronto por aqui. É a habilidade dos dois mestres. “Côco Táxi”, por exemplo, é um veículo cubano que ambos usaram em diferentes momentos da vida em visitas a Cuba. É a metáfora perfeita para o álbum.

8 – Jadsa – “Run, Baby” (Estreia)
Uma das crítica mais fortes e diretas de “Olho de Vidro” está em “Run, Baby”, onde Jadsa (olha ela de novo aqui no Top 50, hoje!) aborda a apropriação das religiões de matriz africana por brancos que se apegam à cultura sem profundidade e comprometimento. Ainda que crítica, a música é da doçura de um conselho. Resgatamos ela aqui, porque acabou de sair um belo vídeo dela com roteiro de Jadsa em parceria com Rei Lacoste, que já esteve por aqui em um Popload Entrevista. Procure saber. É só riqueza, por todo lado.

9 – Rabo de Galo, DJ Ubunto e Luedji Luna – “Me Abraça e Me Beija” (3)
O duo Rabo de Galo (formado por Peu Araujo e Bruno Komodo) e o DJ Ubunto vai regrar o álbum “Atrás do Pôr do Sol” (1988) de Lazzo Matumbi, artista de Salvador e uma das vozes mais importantes da cidade. O primeiro single deste trabalho traz duas regravações de oito, tem a clássica “Me Abraça e Me Beija”, com participação de Luedji Luna no voz. A ideia de retrabalhar um álbum quase perdido na história da música brasileira, ausente no Spotify, por exemplo, tem essa missão de resolver essa injustiça. Vamos escutar “Atrás do Por do Sol”?

10 – Stefanie e Gigante no Mic – “Coroa de Flores” (4)
Rapper de longa estrada, ainda que com trabalho solo recente, Stefanie chega muito bem ao lado do companheiro em uma homenagem as vítimas da Covid. Ambos tiveram perdas pessoais na pandemia e a música fala disso, mas também fala das perdas de todos. Na segunda metade, quando o beat fica mais pesado, o recado passa a ser aos que ainda estão por aqui e que estão dando bobeira, um alerta sobre.

11 – Vandal – “BALAH IH FOGOH” (5)
12 – Pluma – “Transbordar” (6)
13 – Chapéu de Palha – “Domingo” (7)
14 – Francisco, El Hombre – “Loucura” (8)
15 – Johnny Hooker – “Amante de Alguel” (9)
16 – Don L – “Na Batida da Procura Perfeita” (10)
17 – Céu – “Chega Mais” (11)
18 – Alice Caymmi – “Serpente” (12)
19 – Juçara Marçal – “Ladra” (13)
20 – Criolo – “Cleane” (14)
21 – Coruja Bc1 e Salgadinho – “Bolhas” (15)
22 – Sant – “Prantos” (16)
23 – Caetano Veloso – “Não Vou Deixar” (2)
24 – Marina Sena – “Pelejei” (18)
25 – Felipe S – “Violento Monumento” (19)
26 – Terno Rei e Samuel Rosa – “Resposta” (20)
27 – The Baggios – “Barra Pesada” (22)
28 – Prettos – “Oyá/Sorriso Negro” (26)
29 – Liniker – “Mel” (27)
30 – Luana Flores – “Lampejo da Encruza” (28)
31 – Valciãn Calixto – “Exu Não É Diabo (Èsù Is Not Satan)” (31)
32 – Bebé – “Sinais Elétricos na Carne” (32)
33 – Majur – Ogunté (33)
34 – Tasha e Tracie – “Lui Lui” (34)
35 – GIO – “Sangue Negro” (35)
36 – Linn Da Quebrada – “I míssil” (36)
37 – Rodrigo Amarante – “Maré” (37)
38 – Amaro Freitas – “Sankofa” (38)
39 – Pabllo Vittar – “Não É Papel de Homem” (39)
40 – Edgar – “A Procissão dos Clones” (40)
41 – Tuyo – “Toda Vez Que Eu Chego em Casa” (41)
42 – Jadsa – “Mergulho” (42)
43 – FEBEM – “Crime” (43)
44 – Boogarins – “Supernova” (44)
45 – JOCA, Sain, Jonathan Ferr, BENO, Theo Zagrae – “Água Fresca” (19)
46 – Jota Ghetto – “Vagabounce” (46)
47 – Mbé – “Aos Meus” (47)
48 – Rico Dalasam – “Expresso Sudamericah” (48)
49 – LEALL – “Pedro Bala” (49)
50 – Lupe de Lupe – “Brasil Novo” (50)

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* Entre parênteses está a colocação da música na semana anterior. Ou aviso de nova entrada no Top 50.
** Na vinheta do Top 50, o rapper mineiro Fabricio Soares, o FBC.
*** Este ranking é pensado e editado por Lúcio Ribeiro e Vinícius Felix.

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