Em alice caymmi:

Top 50 da CENA – Don L encabeça o ranking perfeito. Céu chega mais diferente, mas sendo ela. Alice Caymmi inexplica o terceiro lugar

1 - cenatopo19

* A gente gastou tanta tinta com o primeiro lugar que sobrou pouco para a introdução, mas talvez vale sempre repetir um mantra nosso: que fase da música brasileira! Neste 2021 que ainda nem acabou a gente já tem dezenas de concorrentes a disco e música do ano. Dá para ver que logo teremos mais problemas para resolver. Mas problemas bons. Don L ensaia lançar seu melhor trabalho em breve, Coruja vem forte, Céu arrebenta em sua experiência de intérprete e Alice Caymmi chega bem mais uma vez. É louco, mas nossa música é um lance que faz a gente até ter orgulho do Brasil em uma hora tão complicada dessas para ser brasileiro. Eu disse que era louco.

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1 – Don L – “Na Batida da Procura Perfeita” (Estreia)
Tem um verso antigo do Don L que avisa: “Faz da vida um filme próprio, não um filme antigo”. Fazer o próprio filme é uma tarefa árdua. Se você tentar terá sorte se só te chamarem de maluco. Simbólico que “Você não queria um filme diferente?” seja a frase que abre sua nova música, esta aqui. No filme próprio que constrói, Don começa a dar conta de que perceber o que há de errado no mundo é bem diferente de mudar o que há de errado no mundo. Nessa distância entre reflexão e ação cabe um milhão de coisas. E nesse caminho Don já topou com as contradições (“Eu sou comunista e curto carros”), com o cansaço (“Uma luta contra o mundo/ Pra fazer parte do mundo que cê luta contra”), o tema da vez é a procura pelo que se quer de fato. Ou uma redefinição de metas e objetivos. Ricos? Imagina a gente livre, ele pondera. Temos aqui uma música que toca na questão da terra como luta primordial ao lembrar o mito guarani da busca por uma terra sem males (“Yvy Marã”). A senha é a palavra “busca”. E mais: mal não é algo abstrato, mas engloba criações dos homens brancos que massacraram a população indígena. A invenção da propriedade privada é um desses males, para ficar em um só problema. Sonhar por um filme diferente é parte essencial de conseguir armar esse filme diferente. E é uma questão que escapa ainda para muita gente, que tem deixado de sonhar, como se no máximo desse para dar uma melhorada em um roteiro ruim. Cadê nossa criatividade? E se tá ruim, massa, todo mundo entendeu, mas que filme diferente é esse? Don deu sua sugestão.

2 – Céu – “Chega Mais” (Estreia)
Em seu primeiro disco de intérprete, Céu resolveu lançar como primeiro single justamente a superautoral Rita Lee. E, na complicada missão de dar um cara sua a algo tão pessoal, Céu se sai muito bem. A chegada dela tem cara dela mesmo, muito bem acompanhada por um violão caprichado do sepultúrico Andreas Kisser. Arrisco dizer que é a Céu autoral de sempre por aqui, afinal interpretação é composição e quem discorda dessa ideia vai ter que apresentar bons argumentos.

3 – Alice Caymmi – “Serpente” (Estreia)
A voz da Alice Caymmi é daquelas inexplicáveis. Das que dispensam acompanhamento tamanha força e presença. Entre momentos mais experimentais, tradicionais e pop na carreira, com o álbum “Imaculada” parece ser a vez em que Alice decide não escolher só um dos caminhos e questionar um pouco o sentido deles. É diferente de tentar fazer um tanto de tudo. É muito mais sobre entender que esses limites são mais dos outros e um papo quase sem sentido de mercado. O sentido de Alice é de liberdade e busca, já falamos disso hoje?

4 – Juçara Marçal – “Ladra” (1)
O disco da cantora carioca continua no nosso play diário e a gente vai tentando pegar mais coisas que estão ali num dos álbuns do ano. Mas o destaque, por ora, vai para “Ladra”, que vem muito para comentar mais uma vez o quanto a intérprete Juçara compõe e informa no seu canto. Ainda que melodia e letra sejam de Tulipa, é de Juçara a manha de conseguir apresentar um vocal que lembra bastante as coisas da Tulipa. Alguém desavisado pode até pensar: É a Tulipa? É e não é. Uma habilidade que Juçara chega a repetir com alguns compositores do disco, como Ogi e Tantão, com seu grave recriado através de efeitos. Terceira semana no topo do pódio. Você já deu a devida moral a “Delta Estácio Blues”? Por favor, hein.

5 – Criolo – “Cleane” (3)
Esta era a música que não devia ter existido. Criolo escreveu “Cleane” por conta da situação gerada pela pandemia. Em outras palavras, pela situação gerada por um governo que optou em deixar que a pandemia tocasse a destruição do país, com negacionismo. Não é suposição, está tudo documentado. A faixa leva o nome da irmã que o rapper perdeu para a covid-19. As informações coletadas pela CPI da covid-19 revelam o quanto da pandemia simplesmente poderia ter sido evitada e controlada. Não era para essa faixa ter sido composta, mas aqui estamos. E, como o Criolo escreveu, que o amor e a arte possam ressignificar estes anos. A pandemia não acabou e não deve acabar na nossa memória. Tem feat. do Tropkillaz, ainda.

6 – Coruja Bc1 e Salgadinho – “Bolhas” (Estreia)
Uau! Por aqui temos mais uma deixa do que vem no próximo álbum do rapper Coruja Bc1. E é interessante vê-lo levando sua voz para uma outra região, até mais aproximado do canto. Ele que gosta de músicas com muita linhas e ideias, sintetiza seu recado aqui, em um som que conta com a participação do sambista Salgadinho. “O assunto é financeiro, ou nossa obsessão exagerada pelo din.”

7 – Sant – “Prantos” (Estreia)
E, por falar em sonhos, sintomático que Sant em um momento de “Prantos”, faixa de “Rap dos Novos Bandidos”, comente: “Tentando contato com meus sonhos/ Tantas perdas e ganhos/ Se botar na balança, dá quanto?”. Se isso não fizer a gente recuperar a importância do sonho, esquece.

8 – Francisco, El Hombre – “Solo Muere El Que Se Olvida” (Estreia)
E segue a apresentação aos poucos do novo álbum do Francisco, El Hombre, dessa vez em espanhol e muito dançante em uma celebração. Seguem afiados. Vem discão por aí.

9 – Marina Sena – “Pelejei” (2)
“Pelejei” não é novidade da semana, mas a novidade é que Marina Sena por estes dias fez um show presencial – um dos primeiros que parte dessa dupla de autores foi em quase um ano e tanto de pandemia. E foi um bom show com uma boa vibe, ainda que em formação contida: base, guitarra e Marina. Mas a energia para cima do álbum está no palco. E vai ser umas começar a ver os discos do ano que não tiveram chance em um ambiente sonoro. Faz a diferença na experiência de sacar um álbum. Então vamos acabar trazendo coisa para o ranking. Ainda que não seja exatamente coisa nova.

10 – Felipe S – “Violento Monumento” (4)
O acerto de Felipe começa já no forte título que chama atenção. Difícil não lembrar os violentos monumentos pelas cidades, seja em nomes de avenidas ou em homenagens a facínoras. Nesta canção de seu novo álbum solo, “Espelho”, talvez Felipe esteja falando disso, mas também cantando sobre uma violência que escapa do sentido mais batido. Uma violência que está nas minúcias.

11 – Terno Rei e Samuel Rosa – “Resposta” (5)
12 – Taxidermia – “Lava” (7)
13 – The Baggios – “Barra Pesada” (8)
14 – Felipe Cordeiro – “Flecha” (9)
15 – Rita Lee, Roberto de Carvalho e Gui Borato – “Change” (10)
16 – Pedro Sá – “Maior” (11)
17 – Tagore – “Maya” (12)
18 – Caetano Veloso – “Anjos Tronchos” (15)
19 – Marissol Mwaba – “Marte” (16)
20 – Prettos – “Oyá/Sorriso Negro” (17)
21 – Liniker – “Mel” (18)
22 – JOCA, Sain, Jonathan Ferr, BENO, Theo Zagrae – “Água Fresca” (19)
23 – Fresno e Jup do Bairro – “E Veja Só” (20)
24 – Luana Flores – “Lampejo da Encruza” (21)
25 – Sophia Chablau e uma Enorme Perda de Tempo – “Fora do Meu Quarto” (22)
26 – Rei Lacoste – “Tutorial de Como Ser Amador” (25)
27 – Valciãn Calixto – “Exu Não É Diabo (Èsù Is Not Satan)” (26)
28 – Bebé – “Sinais Elétricos na Carne” (27)
29 – Majur – Ogunté (28)
30 – Tasha e Tracie – “Lui Lui” (29)
31 – Papangu – “Ave-Bala” (30)
32 – Guilherme Arantes – “A Desordem dos Templários” (32)
33 – GIO – “Sangue Negro” (33)
34 – Linn Da Quebrada – “I míssil” (34)
35 – Rodrigo Amarante – “Maré” (35)
36 – Amaro Freitas – “Sankofa” (36)
37 – Pabllo Vittar – “Não É Papel de Homem” (37)
38 – Edgar – “A Procissão dos Clones” (38)
39 – Tuyo – “Toda Vez Que Eu Chego em Casa” (39)
40 – Jadsa – “Mergulho” (40)
41 – FEBEM – “Crime” (41)
42 – Rodrigo Brandão – “O Sol da Meia-Noite” (42)
43 – Aquino e a Orquestra Invisível – “Os Prédios Cinzas e Brancos da Av. Maracanã” (43)
44 – Boogarins – “Supernova” (44)
45 – BaianaSystem – “Brasiliana” (45)
46 – Jota Ghetto – “Vagabounce” (46)
47 – Mbé – “Aos Meus” (47)
48 – Rico Dalasam – “Expresso Sudamericah” (48)
49 – LEALL – “Pedro Bala” (49)
50 – Lupe de Lupe – “Brasil Novo” (50)

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* Entre parênteses está a colocação da música na semana anterior. Ou aviso de nova entrada no Top 50.
** Na vinheta do Top 50, o rapper e cantor Don L.
*** Este ranking é pensado e editado por Lúcio Ribeiro e Vinícius Felix.

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Top 50 da CENA – Liniker vai ao topo até improvisando (ou por isso mesmo). Luana Flores traz suas conexões ao pódio. Sophia Chablau não perde tempo e fica em terceiro

1 - cenatopo19

* Que semana quente, não só na temperatura. Quase que a gente troca todos os dez primeiros do nosso top, mas resolvemos ser conversadores. Mantivemos alguns sons, mas a maioria é novidade. Complicado mesmo foi decidir quem ficava em primeiro, parecia um grande empate técnico. E meio que é assim mesmo. Como a gente gosta de contar, o Top 50 é só uma desculpa para a gente falar das músicas que nos agradam. E fazer a nossa playlist, para escutar (e entender) “o todo”. Do primeiro ao 50ª lugar, para nós, não tem erro.

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1 – Liniker – “Mel” (Estreia)
No excelente primeiro álbum solo, “Indigo Borboleta Anil”, Liniker arrebenta em uma série de músicas que passeiam de maneira habilidosa entre dores e alegrias, como é a vida, não? Do balanço a momentos de reflexão, são muitas as músicas que a gente ficou tentado a colocar em primeiro lugar, como “Baby 95” e “Lalange”. Mas ficamos com um dos momentos mais interessantes do álbum, onde ela aparece muito à vontade com voz e violão, sem clique, cantando uma música que aparentemente seria preterida, mas que na real não poderia ficar de fora do disco. Você que lê a gente sabe o quanto somos fissurados em uma metalinguagem. Liniker parou o andamento do disco para avisar, nele, que a seguir vem uma faixa bônus. É uma ideia muito boa de intimidade com seu fã. E acaba que sendo mesmo uma das músicas mais gostosas do álbum. Fora que faz esse fã se sentir parte daquilo. Que bom que ela fez esta no improviso, sem medo de desafinar, e não deixou de fora de “Indigo Borboleta Anil”.

2 – Luana Flores – “Lampejo da Encruza” (Estreia)
Em “Nordeste Futurista”, Luana, que é da Paraíba, chega arrepiando em propor muitas conexões sonoras de ritmos da região com a música eletrônica. Melhor que o verbo “propor”, dá para dizer que Luana realiza com sucesso tipo uma cientista essa mistura para conseguir construir algo novo. Um diálogo criativo em ritmo, sons e na letras, que abordam a questão LGBTQI+.

3 – Sophia Chablau e uma Enorme Perda de Tempo – “Fora do Meu Quarto” (Estreia)
Entre Pavement e Ana Frango Elétrico, Sophia e sua turma fazem tudo certo aqui. A cadência, depois a intensidade, a voz, a letra, o clima e o clímax. A música já tem um tempo e talvez até a gente já tenha falado dela aqui, mas retomamos porque a banda acabou de lançar um vídeo maravilhoso deste som que coloca os sentidos visuais para dialogar com a poesia da letra. Que galera nova boa.

4 – Juçara Marçal – “Crash” (1)
Uau. Que pancada quase literal é este novo single da Juçara Marçal. Com letra do rapper Rodrigo Ogi e produção de seu superparceiro Kiko Dinucci, Juçara chega estraçalhando com aqueles que querem com ferro ferir. Além da letra certeira e sua interpretação para lá de inspirada, sonoramente este single aponta que o álbum “Delta Estácio Blues” vai trazer novos elementos para sua rica discografia, onde o experimentalismo mais de banda embarca em uma experimentação eletrônica. Na ansiedade, falamos em disco do ano. Vamos ver.

5 – Cesar MC – “Antes Que a Bala Perdida Me Ache” (Estreia)
Conhecido das batalhas de rimas há alguns anos, Cesar MC estreia em álbum com feats poderosos de Djonga e Emicida, que chegam em versos que facilmente caberiam em discos seus, pesadões. Com boas linhas e mirando na farsa da meritocracia e o peso do racismo estrutural, o rapper faz bem a difícil transição das batalhas de improviso para as linhas que viram canções.

6 – Alice Caymmi – “Serpente” (Estreia)
Chega forte o novo single da Alice Caymmi, que tem produção dela e da talentosíssima Vivian Kuczynski. A parceria dessa dupla é um porradão em termos de som. Na letra, mais pancada, com Alice reivindicando contar a história de um amor que não andava dando muito certo. “Se eu amei um dia é problema meu/ A verdadeira história/ Quem conta sou eu.”

7 – Coruja BC1 – “Tarot” (Estreia)
Single novo do rapper Coruja BC1 deixa todo mundo bem ansioso para o álbum que ele prepara. Dizem por aí que está pesado. Dos muitos bons versos, chama atenção a autocrítica que ele faz a uma visão antiga de mundo que tinha: “Já quis tá cinco anos à frente, desculpa o que eu vou dizer/ Hoje eu quero só viver o presente sem pressa de envelhecer”.

8 – Curumin – “Púrpuras” (Estreia)
Que saudade que estávamos do Curumin. Bom saber que ele está de volta com este super-single, que chega totalmente apaixonado. Aquele clima sabe? Aquela ansiedade de dar uma ligadinha ou receber aquela ligação. A composição é parceria braba dele com Vitor Hugo (do Bloco Lua Vai), Tulipa Ruiz, Anelis Assumpção e a rapper Nellê.

9 – Nelson D – “Toy Boy” (2)
O artista electroindígena Nelson D vai muito bem em seu segundo álbum, “Anga” (“Alma”, em nheengatú). Em “Toy Boy”, por exemplo, ele mostra todo seu conhecimento de música eletrônica e desenvolve uma longa e hipnotizante faixa. Como ele gosta de dizer: “A parte instrumental de muitas das minhas músicas são uma tentativa de criar uma trilha musical para essa geografia pessoal”. E aqui impressiona que ele deixe um território tão livre para a nossa imaginação flutuar.

10 – Rei Lacoste – “Tutorial de Como Ser Amador” (3)
Rei Lacoste é dos nomes mais inventivos da CENA de Salvador. Artista que estudou cinema antes de embarcar na música, ele escolhe o trap como elemento de sua exploração artística. Um pé no pop e outro pé em Glauber Rocha, sacou? Já no título deste som você já vê a brincadeira. Tutorial vem dos tutoriais da internet. E aprender a ser amado é uma bela inversão já que é mais fácil imaginar por aí um tutorial de como amar ou conquistar alguém e tal. Lacoste aprontou aqui.

11 – Valciãn Calixto – “Exu Não É Diabo (Èsù Is Not Satan)” (14)
12 – Isabel Lenza – “Eu Sou o Meu Lugar” (11)
13 – Luedji Luna e Zudzilla – “Ameixa” (4)
14 – Bebé – “Sinais Elétricos na Carne” (5)
15 – Marina Sena – “Me Toca” (6)
16 – Majur – Ogunté (7)
17 – Fresno – “6h43 (Nem Liga Guria)” (8)
18 – Tasha e Tracie – “Lui Lui” (9)
19 – Papangu – “Ave-Bala” (10)
20 – Sebastianismos – “Se Nem Deus Agrada Todo Mundo Muito Menos Eu” (11)
21 – Autoramas + Dead Fish – “Sem Tempo” (12)
22 – Jade Baraldo – “Não Ama Nada” (13)
23 – Guilherme Arantes – “A Desordem dos Templários” (20)
24 – GIO – “Sangue Negro” (21)
25 – Tuyo – “Turvo” (22)
26 – Linn Da Quebrada – “I míssil” (23)
27 – Rodrigo Amarante – “Maré” (27)
28 – Criolo – “Fellini” (28)
29 – Amaro Freitas – “Sankofa” (29)
30 – Pabllo Vittar – “Não É Papel de Homem” (30)
31 – Romulo Fróes – “Baby Infeliz” (31)
32 – Edgar – “A Procissão dos Clones” (32)
33 – Tuyo – “Toda Vez Que Eu Chego em Casa” (33)
34 – Jonathan Ferr – “Amor” (34)
35 – Jadsa – “Mergulho” (35)
36 – Jup do Bairro – “Sinfonia do Corpo” (36)
37 – Bruna Mendez e June – “A Vida Segue, Né?” (38)
38 – Yung Buda – “Digimon” (40)
39 – FEBEM – “Crime” (42)
40 – Rodrigo Brandão – “O Sol da Meia-Noite” (21)
41 – Aquino e a Orquestra Invisível – “Os Prédios Cinzas e Brancos da Av. Maracanã” (43)
42 – Boogarins – “Supernova” (44)
43 – BaianaSystem – “Brasiliana” (45)
44 – Sophia Chablau e uma Enorme Perda de Tempo – “Delícia/Lúxuria” (46)
45 – Jota Ghetto – “Vagabounce” (47)
46 – Mbé – “Aos Meus” (48)
47 – Rico Dalasam – “Expresso Sudamericah” (49)
48 – LEALL – “Pedro Bala” (50)
49 – Lupe de Lupe – “Brasil Novo” (37)
50 – Tagore – “Capricorniana” (20)

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* Entre parênteses está a colocação da música na semana anterior. Ou aviso de nova entrada no Top 50.
** Na vinheta do Top 50, a cantora Liniker.
*** Este ranking é pensado e editado por Lúcio Ribeiro e Vinícius Felix. Com uma pequena ajuda de nossos amigos, claro.

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GIO, ex-Giovani Cidreira, reúne “quase” a CENA toda em seu novo disco solo

1 - cenatopo19

* Ainda que nas plataformas de streaming a gente siga achando ele por Giovani Cidreira, sabemos que seu nome agora ele é GIO. E GIO lançou seu aguardado segundo álbum solo. “Nebulosa Baby” é mais uma parceria do baiano de Salvador com Benke Ferraz, guitarrista do Boogarins nas vezes de produtor, ele que já tinha colaborado com GIO nos EPs “MixStake”, solo, e “Mano*Mago”, encontro de GIO com Mahal Pita.

Gio - Nebulosa Baby

Antes de qualquer outra palavra sobre “Nebulosa Baby”, vale ressaltar a primeira coisa que deixa a gente de cara neste disco, da capa acima. As participações do álbum são quase que uma retrospectiva dos nomes que mais elogiamos no Top 50 da CENA desde sua criação. Saca só a lista: Alice Caymmi, Jadsa, Luiza Lian, Josyara, Jup do Bairro, Ava Rocha, Dinho do Boogarins, Maglore, Obinrin Trio e Luê. Sério, tá mais fácil pensar quem ficou de fora. Concorreu aí com o Kanye West, quem consegue a melhor lista de feats. da história.

Mas exagero nosso à parte, a bela obra vem acompanhada ainda de um parte visual, elaborada por GIO com Edvaldo Raw, cineasta de Salvador – essa luxuoso adendo imagético não traz o álbum completo, mas parte da produção em 14 minutos de uma história que busca “uma manifestação diversa e expandida da realidade”. E olha, está tudo lindão. Se liga:

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* A foto de GIO, que ilustra a chamada deste post na home da Popload, é de Alex Oliveira.

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