Em all points east:

Popload em Londres – O show dos Strokes, né? A Pixx procurando sua alma (a dela, não a sua). E o LIFE chamando todo mundo de “Mijão”

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* London calling to the faraway towns, tipo a minha.

* Tem uma banda bem legal aqui em Londres, dessa onda punk post-Brexit de bandas legais, chamada LIFE. Som rápido, explosivo, vocal entre Mark E Smith (sempre) e Johnny Rotten, que tem uma música, o primeiro single do aguardado segundo álbum, bombando por aqui. É da turma do Idles e tudo.

Ouvi na rádio a porrada e já fui louco procurar sobre ela. O som chama “Moral Fibre”, fibra moral, e tem 1 minuto e meio de duração. O LIFE é encanado em zoar a indústria da música e essa canção nova é seu mais bem acabado produto nessa direção. O primeiro disco deles, de 2016, para dar uma ideia, chama “Popular Music”.

“Moral Fibre” volta à carga. Considerada uma “reflexão” sobre o tipo de música “bege” que rege as paradas hoje, a troca de favores por cocaína que regula a indústria de bandas hoje e a galera que prega verdades e posturas por trás de um teclado. Vige.

Tudo isso em 1.5 minuto de música. Ainda recheada com um refrão que diz “Pissants… Whoooooooooo”. Coisa fina.

** Affe, que delícia essa “Andean Condor”, groove da garota difícil Pixx, outra que não segura a língua para dar seus recados em música, só que ao contrário do LIFE o veículo que ela usa é o da dance music. Pixx tinha seu rosto espalhado em cartazes por vários murinhos do festival All Points East, graças a seu segundo disco, “Small Mercies”, que será lançado semana que vem.

“Eu dei minha alma por esse disco e agora quero minha alma de volta”, tuitou ela nestes dias, “convidando” seus fãs a fazer já uma pré-ordem de compra do disco. É o jeitinho dela.

Pixx bota seu som em programação na linha pós-punk, descambando para o dance quando dá. Os dois singles “menos ensolarados” mas bons também, já divulgados, são “Bitch”, bem guitarreira, e “Disgrace”. Respeita a mina.

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** Ah, os Strokes. Já desisti deles e voltei para eles tantas vezes… Foram muitos shows bons e o mesmo número de ruins, proporcionais aos seus discos bons e ruins. Mas lá estava numa distância confortável, tranquilinha, copo de cerveja na mão, na apresentação da banda no All Points East. Quando “Heart in a Cage” teve seu primeiro acorde tocado e de repente eu já me encontrava na frente do palco, sem nem ideia onde tinha ido parar a cerveja, no meio de um redemoinho de pessoas que iam para frente, para trás, para esquerda e para direita. A força que as músicas da boa fase, durante o revolucionário período do outrora chamado “novo rock” (que completam 18 anos!!!!), mantém-se incrivelmente intacta quando a banda “acerta a mão”, mesmo que naquele tipão “estamos desinteressados de tudo, de vocês, de nós mesmos, de novos discos, de fazer música nova, mas, hey, estamos aqui em cima e vamos tocar algumas canções para vocês”. Foi lindo, Ju! Você arrasou, Fab! Vamos torcer para eles acertarem a mão no Brasil, no ano que vem!!!

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Popload em Londres, a terra do Tottenham Hotspurs. Hoje tem Popload Festival no All Points East. E o Morrissey banido? E o Richard Ashcroft tadinho? E a Porridge Radio? E a Yak?

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* POPLOAD EM LONDRES. Com primeira-ministra caindo, Morrissey caindo e Strokes subindo.

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Talvez mais legal que ir a Madrid semana que vem, nestes tempos agitados aqui na Inglaterra, é ficar no Reino Unido para o jogaço do dia 1º de junho entre Tottenham (pronuncia-se “tótenã”, segundo a ESPN Brasil; ok, piada interna…) x Liverpool, na final da Champions League, o campeonato de futebol mais feroz e legal do planeta, que por um acidente geográfico o Palmeiras não disputa.

Mas mais imediato que isso é dizer que começa hoje em Londres, no “tranquilo” lado oeste, o festival de seis dias All Points East, neste ano uma espécie de Popload Festival porque vai ter Hot Chip e Little Simz hoje e Raconteurs amanhã. Sem dizer (já dizendo) que teve Patti Smith no ano passado.

Neste final de semana os headliners são Chemical Brothers (tonite), o veeeelho Strokes (amanhã, no único dia esgotado até agora) e Christine & The Queens (domingo). Semana que vem, o weekend 2, na continuação, tem nas cabeças, respectivamente, Bring Me the Horizon, Mumford & Sons e Bon Iver.

Realizado no gostosinho e bem situado Victoria Park, o All Points East é uma “intervenção” americana na terra dos festivais. Feito pelos organizadores do Coachella, o evento do East London vai ter ainda, fora os headliners e os Poploaders, coisas como Idles, Metronomy, Fat White Family, Connan Mockasin, Viagra Boys, Primal Scream, James Blake, Courtney Barnett, Mac Demarco, Parquet Courts, Toro Y Moi, The Staves, Dizzie Rascal, Kamasi Washington, Julien Baker, Snail Mail, Rosie Lowe, Beach House, Interpol, Ana Calvi, Johnny Marr, Los Bitchos, Spiritualized, Kurt Vile, Kate Tempest, Jarvis Cocker, Gold Panda, Little Dragon, entre outros.

A gente vai trazer umas coisas aqui na Popload. Acompanhe nossos canais também, em Insta, Stories, Twitter. Menos naquela “rede lá”. Tô zoando, Zuck.

** No meio da turba que se apresenta no All Points East, ali no pelotão “de baixo” do domingo, está uma banda algo revelação que é de uma fofura absurda. Com disco novo na cena há três meses, o trio britânico Yak retorna rumo ao estrelato indie (com tudo o que isso pode significar) com o excêntrico álbum “Pursuit of Momentary Happiness”, nome lindo que dá sequência à carreira da banda, após o debut em 2016, o “Alas, Salvation”.

Vibrante e inquieta, a banda de indie-garage ainda ganhou uma ajudinha do, SURPRESA, J Spaceman, aka Jason Pierce, o “lunático”, da também inglesa Spiritualized, e teve disco lançado pela Third Man Records, gravadora cool de Jack White. Olha com quem o Yak está se metendo.

Aliás, enquanto o Jack não aparece no Popload Festival com a galera do Raconteurs, ele está em turnê com os caras, que estão abrindo uma série de shows pela Europa, inclusive para o Foals.
Esta semana o grupo deu as caras no francês La Blogotèque, numa apresentação moderninha da faixa “Fried”. Olha que belezura.

** Uma das bandas novas que mais tocam nas rádios da BBC, 1 e 6, é de Brighton, chama Porridge Radio, e virou orgulho da cidade ao ser uma das mais comentadas no festival local Great Escape, uma das maiores vitrines de new music do planeta, um pequeno SXSW com mais som e menos conversinha.

Estão no momento na cola dos shows solo do Interpol, como banda de abertura, e lançaram uma musiquinha nova de garagem tão suja-fofa lo-fi, linha Pavement por que não?, que se chama “Give/Take” e começa com um “one, two, three, four” feminino de matar. E só melhora, seja no vocal, no backing, na guitarra, na bateria. Desesperadora de boa. Já vi comparação até com Dinosaur Jr.

Músicas que tem o refrão que esta “Give/Take” apresenta, merece ser celebradas mesmo se compostas ou cantadas pela Paula Fernandes e Luan Santana.

“I want want want want want want want want want you
I want want want want want want want I need you
I want want want want and I always get what I need
I want want want want and I always get what’s good for me”

Pensei que o Idles, o Fontaines DC e o Toro Y Moi fariam total a trilha sonora do meu 2019. Vão ter que abrir espaço para esta “Give/Take”, do Porridge Radio.

** Entre as popices gerais por aqui, destaque para o fim da treta envolvendo “Bitter Sweet Symphony”, uma das músicas mais emblemáticas dos anos 90, que ainda toca em alta rotação mais de duas décadas depois de seu lançamento. A treta, no caso, é que os Rolling Stones enfim deram os royalties da canção para o Richard Ashcroft. A música foi baseada em um recorte da Andre Oldham Orchestra, utilizado pelos Stones em “The Last Time”, em 1965. De forma resumida, Ashcroft teria utilizado um trecho maior que o combinado previamente na base do hit do The Verve, o que acarretou em um processo por parte do staff dos Stones. Embora seja o compositor da canção, Richard nunca havia recebido grana de direitos.

Daí que o Richard informou em comunicado que resolveu a pendenga toda diretamente com Mick Jagger e Keith Richards, que “em um gesto gentil”, cederam ao cantor toda a parte deles e ainda garantiram que os royalties, daqui para a frente, vão para o ex-líder do Verve. Ano passado, inclusive, Richard foi atração de abertura de shows dos Stones.

** Quem está com o filme cada vez mais queimado aqui por essas bandas (e com a gente também) é Morrissey. Ele, que lança hoje seu novo álbum de covers, “California Son”, tem sido considerado persona non grata em algumas cidades. Em Cardiff, por exemplo, a loja de discos mais antiga do mundo, a Spiller Records, anunciou que não venderá seu novo álbum e que seus lançamentos estão banidos da loja a partir de agora. “Estou triste, mas no final não estou surpresa que a Spiller não consiga mais oferecer os lançamentos de Morrissey. Eu só queria ter feito isso antes”, revelou Ahsli Todd, dona da loja, ao site Wales Online.

Já em Liverpool, a estação de metrô Merseyrail está retirando os pôsteres de divulgação do disco, alegando que “não reflete com os valores da organização”. Esse novo imbróglio envolvendo o ex-vocalista dos Smiths decorre do seu apoio público ao partido de extrema-direita For Britain Movement, que foi criado pela ativista Anne Marie Waters, e que tem agenda anti-islâmica.

Charming Man no more…

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Strokes ainda é headliner de megafestival. E na Inglaterra ainda por cima. Mas o que isso implica para a “cena”?

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* Sei lá, seria a resposta mais adequada. Mas vamos nessa.
Aqui e ali, muito tem se discutido sobre festivais, suas escalações e suas atrações principais nestes tempos, digamos, pitorescos. Tame Impala maravilhoso içado à condição de headliner do Coachella (e o Kevin Parker esquecendo de avisar a banda do fato), o genial Stormzy envergando na cabeça um dia inteiro do majestoso Glastonbury, Tribalistas estreando a categoria de ex-headliner do nosso Lolla, todas as tretas e mutretas do famooooooso festival americano de playba Fyre Festival, que acompanhamos sedentos em 2017 e agora volta forte ao assunto porque virou tema de dois documentários recentes avassaladores.

E, agora, em anúncio grande de ontem, vemos nossa banda querida-forever, mas atuais arremedos de si mesmos, os Strokes, virar o headliner do mais novo grande festival do planeta por tudo que embarca em seu conceito, o delicinha All Points East, que acontece no meu aniversário no final de maio em Londres.

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Aqui não tem uma crítica ferina, necessariamente. Nem sobre a banda de Nova York, nem sobre o festival de Londres. Até eu queria os Strokes como headliner do Popload Festival 2020, já que o de 2019 já está (praticamente) certo que vai ser um outro grupo. Pode vir muito, Julian!!!!

Mas o negócio é que, com o anúncio do All Points East, um festival bem maior que o “modesto” porém lindo Popload Festival, onde os Strokes cabem mais de uma forma, digamos, apropriada, temos a oportunidade de pensar sobre o tema “headliners e o estado da música em 2019”.

E dado que o festival londrino gigante de três dias (na verdade são seis, dois finais de semana, mas isso é uma outra história) é o que é, ou quer ser o que quer ser, botar como atração principal de um de seus nobres dias os Strokes, nossa banda indie mais linda dos últimos 20 anos _mas cuja fama ficou lá atrás mas ainda tem “o nome”_, nos convida a pensar na cena inteira.

Sem fazer disso uma análise acadêmica, apenas umas pinceladas, a gente aqui que:

1. O All Points East vai para a sua segunda edição em Londres. Foi montado no ano passado “meio que às pressas” pela galera americana que produz o Coachella, transformado em um “festival business” mais que um “festival de música” em seu entorno. O ponto aqui é: produtores americanos, que até poucos anos (uns 20, a idade dos Strokes) atrás não tinham tradição nenhuma em festivais (tirando uns lendários e pontuais), invadiram a verdadeira “terra dos festivais”, desalojando dois eventos britânicos tradicionais de música de um parque no leste de Londres, e se apossando assim do lado mais cool da capital inglesa nos dias atuais. Fincaram a bandeira americana em UK e montaram um festival seu, que até iria se chamar Coachella London, na ideia inicial. Até que alguém se mostrou sensato e não deixou isso acontecer.

2. Os Strokes, de inesquecíveis dois ou três discos (o último destes de 2006, 13 anos atrás), e esquecíveis dois últimos álbuns e no ameaço de lançar o sexto há tempos, se arrasta há mais tempo ainda em irregulares shows de hits. A magia das músicas antigas está lá até, quando saem sujas, bem tocadas. Mas o tempo claramente vai apagando o apego entre público grande e banda. Bom, até aí, deixa eles e tal. Cada um na sua. Entenda o ponto aqui: eu iria em show pequeno e/ou médio dos Strokes todos os dias, se eles acontecessem hoje perto de mim. Tocando no Z, no Fabrique, no Breve, até no Popload Festival. Mas virar (ainda) headliner de grande festival em Londres é confiar muito nos laços que a banda criou com o importantíssimo e algo “revolucionário” disco debut “Is This It”. E lá se vão 18 anos. Muito mal comparando, os Rolling Stones tocam há 50 anos e beleza, mas aí vai uma enorme diferença de importância para sua era, número de discos bons e clássicos e turnês marcantes. Fora que o setentão Jagger parece ter a disposição de um trintão. E, os Strokes, muito ao contrário disso.

3. Há de se pensar no modo atual de “fazer festival”, nesta era do celular e das selfies, da nova geração e do barulho de redes sociais, pensando em música como entretenimento e negócio. Atualmente, é difícil mensurar esse “barulho” de redes sociais, quando transposto para a vida real. Está obviamente tudo muito esquisito. Veja o Coachella escalando banda de kpop em alto de line-up (e não é de hoje). Explica-se pelo alto número de público oriental frequentando o deserto da Califórnia, em ascensão anual. E o de público americano mesmo consumindo o gênero (aqui no Brasil é uma febre louca, por exemplo). Inclusive o Rock in Rio deste ano tentou muito trazer uma das principais bandas de pop coreano como HEADLINER de um de seus dias. Banda esta superdisputada em leilão brasileiro, por pelo menos três produtoras num primeiro momento. Duas no fim. E a conversa foi encerrada (para este ano) quando a banda não quis/pode vir. Decidiu por outros planos.
Falando tudo isso acima assim, a discussão fica até superficial, mas não pretendo escrever um tratado aqui. Só pincelar à luz de Strokes headliner de megafestival inglês em 2019. O que é um nó de contrasenso temporal.

4. Não falo isso com juízo de valor, mas muitos dos festivais enormes, como o Coachella, para citar um luminar, viraram outra coisa além de serem eventos de música para amantes de música. Um dos muitos exemplos disso são marcas de cosméticos bancando as selfies californianas de “influencers” brasileiros de instagram diante da roda gigante do festival de Indio, a três horas de Los Angeles. Se em seus seis palcos estão tocando na mesma hora da foto nomes como The Kills, Metronomy, Billie Eilish, ASAP Rocky, James Blake e Idles, isso pode ser um mero detalhe.

5. O All Points East pensa assim e sabe disso, obviamente. Escalar Strokes no topo de um line-up não deixa de ser estratégico para não perder o “street cred” entre os “fãs de música”. A tal da credibilidade. Ao mesmo tempo, garantem os novinhos com DJs, bandas “da onda” e uma bonita estrutura para fotos. Torram o orçamento com “grandes nomes” disponíveis (embora sua trajetória capengue desde 2006, 2007, os Strokes são um grande nome), que levam público mais velho (muitos já pais nos mesmos festivais que os filhos), e assim garante o bar e o consumo de álcool, hoje um negócio nada terceirizado para quem também pensa em quais bandas colocar no palco como atração.

Enfim, a variável é grande e latente. Uma coisa é você atravessar uma lama em 1991, depois de longa caminhada, para ver o “algo desconhecido” Nirvana tocar cedinho num Reading Festival de pouco patrocínio, mas com fieis de música comprando seus 80 mil ingressos. Outra coisa é em 2019, às vezes 30% dos ingressos (até mais) de um festival serem destinados para marcas fazerem “relacionamento” com uma galera considerada vip, convidada para um evento que talvez não fossem.

Tudo certo, é assim mesmo, “sign o’ the times” como diria o Prince, joguemos o jogo, a vida é segue. Mas vamos lá: que demais os Strokes ainda serem headliner de festival grande em 2019. Como há chances de eu ir vê-los no All Points East, não vejo a hora de eles tocarem “IS THIS IT” e “THE MODERN AGE”. Elas fariam o maior sentido para tudo.

Se você tiver umas opiniões farois sobre isso, manda para mim, no lucio@uol.com.br. Daí eu reúno um “melhores momentos” de opiniões e coloco de volta a discussão por aqui em breve, com outros pareceres. Me ajuda!

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London calling. As houses de Londres. O Soft Cell. O All Points East retornando “diferente” e com mais três dias de shows (Nick Cave esgotadão é no domingo)

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* Popload em Londres. Alguém me defende dessa “Everyone Acts Crazy Nowadays”, do Unknown Mortal Orchestra, please? Tava no Tesco ontem comprando musly e a música estava tocando. Anteontem fui procurar um tapete e na loja tasca ouvir o novo hit do UMO rolando. Acho a música gostosinha, óbvio. Mas juro que eu não entendo por que essa banda, essa música, este momento. Mas, vou dizer, nem ia comprar o tapete. No fim acabei levando. Seria por causa de “Everyone Acts Crazy Nowadays”? Sou desses?

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“Equipe Popload” conferindo a instalação “Babel”, do artista brasileiro Cildo Meireles, na Tate Modern, em Londres. Muitos dos rádios estão ligados em estações inglesas variadas, em volume mínimo audível, provocando a “cacofonia do ‘low'”, muita informação e nenhuma ao mesmo tempo. Diz muito dos tempos atuais, mesmo sendo uma obra de 2001

HOUSE – O conceito de “clube” para sócios, as houses, explodiu em Londres nos últimos anos e não chega a ser novidaaaaaade. São Paulo teve uma tentativa isolada, uns anos atrás e mais ligada à arte, a TOFIQ, ali na Groenlândia, no Jardim Europa, que não durou muito. Agora tem essa nova Tokyo, no Centro, mais ligada à música.
House, pelo menos as inglesas, são aqueles prédios de quatro, cinco andares em que só entram sócios de carteirinha. Que podem trazer “convidados”. Depende de quão sócio frequente e “importante”de algum jeito você é, mais convidados “comuns” você pode levar. Em alguns casos, em algum evento que você está promovendo na “house”, tipo um aniversário, pode até passar uma lista para mais amigos entrarem.
Uma house, como a de Shoreditch ou de Portobello, tem um ou dois restaurantes delícia cheio de mesas e sofás, drinks responsa, comida bem aprazível, luz pouca, sonzinho bom em altura boa saindo das caixas. Em outros ambientes tem pista de dança, sala para leitura, sala para trabalhar, um bar só para drinks e cerveja, uma ou duas pistas de dança para festinhas abertas ou fechadas, alguma arte ou alegoria artística espalhada por corredores, uma mesa enorme em alguma sala para quem quer contratar um chef para cozinhar (daí pode usar a cozinha) para uns 10 amigos.
Algumas das principais cidades do mundo têm sua house e elas podem ter ligação uma com as outras. Você pode ser um australiano de Sydney com carteirinha de membro de lá e, em viagem, entrar na de Nova York ou Tóquio, que têm alguma afiliação, parentesco urbano com a house australiana.
Uma das coisas que eu acho mais legais é que geralmente é uma porta no meio de um quarteirão qualquer, sem evento no Facebook, sem estar no guia de nada, sem letreiros em neon na frente. É geralmente uma porta qualquer ao lado de um kebab e de uma loja qualquer de telefonia em que você toca a campainha e alguem vem te resgatar para quatro ou cinco andares de diversão (na maioria dos casos), seja ela gastronômica, social, musical ou até para ter um sossego e trabalhar.
Enfim.
Tudo isso para dizer que hoje em dia as houses tão aparentemente mais bombando que os clubes em Londres. Claro, uma impressão turística de quem vem de fora e deu umas saídas à noite nos últimos dias. O tal “olhar estrangeiro”.
Fui a três tipos de house em uma semana aqui, não por opção, apenas “naturalmente levado”, sempre como convidado. Uma diferente da outra, uma mais chic que a outra, uma mais para “mais velhos”, outra “para galera”.
Soube que o Alex Arctic Turner frequenta a de Shoreditch (na real, até já vi ele lá uma vez, uns dois anos atrás), inclusive para fazer seu aniversário, dar uma palhinha acústica para sua turma etc. Os DJs dos mais atuantes da eletrônica vira e mexe estão sendo contratados para uma festinha em alguma sala de house reservada.
Dá uma impressão de exclusivismo e de segregação. E talvez seja um pouco. Mas, se for enxergada apenas como uma “opção”, é uma modalidade que pode salvar a noite. Principalmente numa cidade de noite esquisita como São Paulo.

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* SOFT CELL – Um dos mais fundamentais e divertidos e dramáticos duos dos anos 80 na música pop, na mistura do electropop fino, indie-drama, causa gay em sintetizador, sofrências pontuais e tudo mais, está de volta para um show único e final para sempre forever no dia 30 de setembro. A apresentação do gênio Marc Almold e do synth-amigo David Ball, está com os ingressos em sua parte final de vendas, uma loucurinha pop das boas porque o concerto é na gigantesca The O2, arena onde cabem 20 mil pessoas. David Bowie amava os caras.
A dupla lançou uns quatro álbuns nos anos 80, comecinho, mas o fundamental é o primeiro, o “Non-Stop Erotic Cabaret”, que tem um monte de hino, dos quais se destaca a imortal “Tainted Love”.
Para coincidir com a apresentação última das últimas acabou porra o Soft Cell vai lançar, também em setembro, uma caixa de dez discos, com originais, demos, ao vivo, raridades e coisas e tal.
Em abriu, no Record Store Day, lançou um compacto com um novo remix para a maravilhosa “Say Hello Wave Goodbye”. Para esse show de final de setembro será que eu…

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* CATFISH HOJE, THE NATIONAL AMANHÃ, NICK CAVE NO DOMINGO – É igual, mas é diferente. E lá vamos nós de novo gastar horas no Victoria Park, no East London.
O novo megafestival inglês All Points East, que na semana passada em sua primeira edição teve de LCD Soundsystem a The XX e Bjork com umas 90 bandas no meio, também chamado de “Coachella London” porque é feito por americanos, volta para mais três dias de shows de todos os tipos, credos, tamanhos.
E nome diferente, para confundir não confundindo: APE Presents.
Repare na pegada: o All Points East apresenta hoje, sexta, a nova geração inglesa, estrelando Catfish and the Bottlemen, Blossoms, Frank Carter & The Rattlesnakes, The Hunna, Neighbourhood e outra penca. Amanhã, sábado, dia indie de respeito com The National, War on Drugs, Future Islands, Cat Power, Broken Social Scene, Warpaint e outros.
O domingo é clássico maravilha. Nick Cave & The Bad Seeds + Patti Smith & Her Band, Courtney Barnett, St Vincent, Baxter Dury, Black Lips, o imortal Psychedelic Furs e por aí vai.
O dia do Nick Cave, dos seis shows do All Points East, é o único esgotado de todos.
A Popload vai cobrir o APE Presents e trazer aqui e nas redes som e visão do festival.

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Popload em Londres. Começa hoje o All Points East, o novo festival de música obrigatório

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* Dois dias na cidade e taaaaanto para dizer… Mas hoje só vamos falar de…

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* Junte a herança inglesa musical, o conceito de festivais mais classe e histórico do mundo e a região mais badalada de Londres. Agora aproveite um ano que não tenha o Glastonbury e VRÁÁÁÁ. Tome o All Points East, festival de três dias que chega agora em 2018 a sua segunda edição e começa hoje com LCD Soundsystem de atração principal, Yeah Yeah Yeahs como outro grande chamariz para o dia, Phoenix e uma penca de boas atrações novas e antigas e que amanhã tem XX, Lorde e Sampha na cabeça e Bjork, Beck e Father John Misty para fechar no domingo.

A parada é séria. O All Points East, realizado num grande parque da bombada região leste de Londres, é promovido pelo grupo americano que faz o Coachella, entre outras centenas de eventos. O nome é uma zoeira liberada para cima do All Points West, tradicional festival realizado no parque da Estátua da Liberdade, em Nova York/Nova Jersey.

Uma pancada de bandas novas inglesas e americanas e badaladas discotecagens (hoje tem Hot Chip DJs) compõe algumas das 30 atrações/dia do All Points East. Todos os dias o festival vai abrigar uma tenda com o Despacio, o conceito de som para a pista bolado por James Murphy (LCD Soundsystem) e os brothers do 2ManyDJs.

A Popload vai acompanhar os três dias do All Points East e vai trazer os “melhores momentos” do festival aqui e também nas redes sociais do site a as minhas myself (@lucioribeiro). Dá um check quando der.

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