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Filme indie “Quase Famosos” celebra seus 20 anos com uma caixa da trilha sonora com cinco CDs e sete discos de vinil

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* Você deve se lembrar dele. Se não viu à época, deve ter se deparado com as aventuras do jornalistinha de rock que “enganou” a “Rolling Stone” americana com seus textos críticos em uma das muuuuuitas reprises esse filme tem desde que foi lançado, há mais de 20 anos.

“Quase Famosos”, no original “Almost Famous”, é um famoso longa-metragem que entrou em cartaz nos cinemas em setembro de 2000, escrito e dirigido pelo cineasta roqueiro Cameron Crowe, que também tem uma carreira firme fazendo vídeos musicais de gente como Tom Petty e bandas como o Pearl Jam. “Quase Famosos” é meio autobiográfico. Crowe, além de ter banda, foi também jornalista de rock e escreveu mesmo para a “Rolling Stone” em início de carreira. E para a qual, até hoje, é colaborador. E a trilha sonora, desnecessário dizer, é matadora.

Pois para marcar esse aniversário de 20 anos do filme, quase 21 já, vai sair uma caixa especialíssima com 102 músicas sobre sua trilha, pensa. Serão cinco CDs e sete álbuns em vinil num pacote deluxe, que inclui um livro de fotos e pôsteres e outros quitutes fílmico-musicais.

Terá música de Led Zeppelin, The Beach Boys, Neil Young & Crazy Horse, Fleetwood Mac, entre várias outras, além, claro, das composições próprias da banda fictícia do filme, a Stillwater, grupo que na trama representava um pouco o Led Zeppelin. O grupo armado para fazer as músicas reais da Stillwater ficcional tinha Cameron Crowe, o guitarrista Peter Frampton e a famosa guitarrista e compositora Nancy Wilson, que nos anos 60 formou com a irmã a banda Heart. virá com materiais especiais, como uma versão de “Tiny Dancer”, conhecido hit do músico inglês Elton John, cantado também por vários atores do filme.

A pacoteira de sons do “Quase Famosos” vai vir de várias formas, além da supercaixa que custará 300 dólares, mais de 1500 reais. Terá ainda o “mero” CD duplo ou o vinil preto duplo, o primeiro saindo por US$ 25 e o segundo, US$ 40. Ainda não está claro se o material será vendido em loja (nos EUA) também, mas dá para comprar/encomendar aqui, se alguém quiser. A caixa mesmo deve estar pronta para ser despachada em agosto.

Captura de Tela 2021-07-12 às 6.19.10 PM

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POPLOAD NOW – Nesta onda de filmes legais sobre música, 10 longas antigos que você também precisa ver (ou rever)

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* Filme do Dave Grohl, filme dos Bee Gees, filme dos Smiths, ficção musical concorrendo forte ao Oscar, filme dos Sex Pistols e da Pink vindo aí, filme ruim demais da Sia. Temporada cinematográfica sonora anda forte, tanto que a Popload TV, no Youtube, fez um especial disso com o Gliv Rocks, que postamos quinta-feira passada. Mas a pegada ali foi documentário, trazendo sugestões de 12 docs importantes do rock. Resolvemos ir além, então, e fazer um NOW com indicações de filmes cujo personagem principal é a música que a gente curte. Com indicação de onde ver. Porque, se não tem indicação de onde ver, ainda assim você pode ver, you know. Vamos maratonar esses ouvidos?

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1. ALMOST FAMOUS
“Quase Famosos”, aqui. Temos certeza que muito jornalista de música já sonhou em ter um pouquinho da sorte de William Miller, no filme, um garoto de 15 anos que tem a chance de realizar seu sonho acompanhando a turnê da banda Stillwater como jornalista. As matérias do garoto chamam a atenção da revista “Rolling Stone”, que sem imaginar a idade do garoto talentoso o convida a viajar com o grupo, onde faz amizade com os músicos, seus fãs e, obviamente, uma garota em particular (foto acima). De 2000, dirigido por Cameron Crowe.
*Disponível no Amazon Prime Video.

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2. “24 HOUR PARTY PEOPLE”
Traduzido no Brasil como “A Festa Nunca Termina”, o enredo mostra a cena de Manchester do final dos anos 1970 até o início dos 1990, mais especificamente o selo Factory Records, gravadora independente fundada por Tony Wilson e responsável APENAS por nomes como Joy Division, New Order e Happy Mondays (e deles mesmo vem a inspiração para o título do filme). Nessa comédia dramática com jeitão de balada, de 2002, você vai conhecer a história do templo dance Haçienda e entender a transição da cena punk para o eletrônico. Um mix de comédia, realidade e ficção que vale cada minuto.
Dirigido por Michael Winterbottom.
*Disponível no Amazon Prime Video.

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3. “9 SONGS”
Este aqui certamente marcou toda uma geração de jovens indies nos anos 2000. Que atire a primeira pedra quem disser o contrário. Outro filme de Michael Winterbottom, de 2004, que se resume basicamente a: um casal, shows, sexo, shows, sexo e mais shows. Simples.
As bandas? Black Rebel Motorcycle Club, The Von Bondies, Elbow, Primal Scream, The Dandy Warhols, Super Furry Animals, Michael Nyman e Franz Ferdinand.
Oito bandas e nove canções que marcam do começo ao fim a relação intensa do casal Matt (Kieran O’Brien) e Lisa (Margo Stilley).
*Não encontramos ele via streaming.

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4. “HIGH FIDELITY”
“Alta Fidelidade”. Este aqui talvez soe familiar, já que acabou de ganhar uma versão novinha americana (em série) e com um olhar feminino na pele da Zoe Kravitz. Mas o rolê todo começou lá nos anos 1990, com um livro do descolado escritor inglês Nick Hornby, que depois virou um filme estrelado pelo John Cusack. Rob Gordon (Cusack) é um cara de 30 anos, obcecado por música e dono de uma loja de discos beirando à falência, que está passando por uma crise de idade. Após ser dispensado pela namorada, ele resolve ligar para suas últimas 5 namoradas para descobrir por que os relacionamentos anteriores dele (com elas) não deram certo. O mais legal do filme/série são as playlists que ele faz ao longo da história. Sempre um top 5 com alguma história legal por trás. A culpa do estilo Buzzfeed de fazer listas é culpa de “Alta Fidelidade”, na nossa tradução.
Dirigido por Stephen Frears.
* Não encontramos o filme via streaming (já a série, bem mais nova, está disponível no Amazon Prime Video e no Starzplay.

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5. “CONTROL”
Um lindo filme preto e branco de 2007 sobre a ascensão e queda do cultuado músico e vocalista do Joy Division, Ian Curtis, nada previsível, longe de parecer mais um filme biográfico babão/bobão. Dirigido por Anton Corbijn, que foi fotógrafo oficial da banda, o longa tem uma trilha inacreditável, que vai de New Order e David Bowie a Velvet Underground e Kraftwerk. Destaque para a cover de “Shadowplay”, do Killers. O filme é o mais puro néctar da geração no-future do pós-punk inglês, baseado no livro “Touching from a Distance”, escrito pela esposa de Ian Curtis, Deborah, que também co-produziu o filme. O ator Sam Riley faz um excelente Ian Curtis (foto na home da Popload).
*Não encontramos o filme via streaming.

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6. “I’M NOT THERE”
Outra biografia fora do comum, “Não Estou Lá” retrata diferentes fases da vida do lendário músico folk Bob Dylan. Ao todo são 7 “Bobs”, interpretados extraordinariamente por Marcus Carl Franklin, Christian Bale, Cate Blanchett (sim!! e talvez nossa personagem favorita aqui), Richard Gere, Heath Ledger e Ben Whishaw. Tem Dylan acústico, Dylan “elétrico”, poeta, cristão, profeta… Há sinopses que digam “inspirado na música e nas muitas vidas de Bob Dylan”.
Dirigido por Todd Haynes, em 2007.
*Não encontramos o filme via streaming.

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7. “SING STREET”
Comédia/drama romântica adolescente, que entrou em cartaz em 2016. Se passa em Dublin, anos 80. Conor (Ferdia Walsh-Peelo) é um garoto que acabou de mudar de escola e, como qualquer outra história teen, tem problemas com os valentões locais. Mas aí ele conhece Raphina (Lucy Boynton), uma garota que está sempre à espera na porta da escola. Disposto a conquistar o crush, ele diz que está montando uma banda de rock e a convida para estrelar um vídeo. Ela aceita, mas daí ele vai precisar montar uma banda de verdade para sustentar o convite. A trilha tem The Cure, Duran Duran, A-Ha, The Clash e vários outros hits oitentísticos.
Dirigido por John Carney.
*Disponível para alugar/comprar no Youtube

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8. “SUBMARINE”
Vamos aos filmes fofinhos! Vale começar dizendo que a trilha toda é do Alex Turner, do Arctic Monkeys. Só por isso, já corre para dar o play. A história deste longa de 2010 mostra Oliver Tate, um adolescente esquisitinho e metódico que se apaixona por uma garota da escola, a Jordana, que curte uma piromania. Eles começam a namorar e até aí tudo certo. Mas ele também tem outro objetivo: reconstruir a destruída vida sexual dos seus pais. Hmmm sim. Para isso dar certo, e com o apoio da namo, ele vai sabotar uma aventura da mãe e apelará para as suas habilidades como autor de cartas de amor. O filme foi produzido pelo Ben Stiller e dirigido por Richard Ayoade.
*Não encontramos o filme via streaming.

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9. ONCE
Prepara os lencinhos. “Apenas Uma Vez” trata sobre um músico de rua (busker) em Dublin (de novo), que conhece uma imigrante tcheca que ganha a vida vendendo flores, mas também é aspirante a compositora. Eles decidem trabalhar juntos e as músicas que compõem refletem o amor que cresce entre eles. Impossível não se emocionar. O filme transmite uma sinceridade singular. Um romance como poucos que mostra o poder da música. Porque sim, “Once” emplacou forte nos EUA. Daí a canção “Falling Slowly” ganhou Oscar de melhor canção original e a trilha levou uma indicação ao Grammy.
Dirigido por John Carney, o mesmo de “Sing Street” (taí Dublin…).
*Não encontramos o filme via streaming.

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10. “MOXIE”
O filme mais “novo” da lista. Deste ano. Trazendo uma nova abordagem para o feminismo dentro das novas gerações, “Moxie: Quando as Garotas Vão à Luta” retrata uma adolescente que, inspirada pelo passado punk de sua mãe, e após presenciar uma série de absurdos como “um ranking de garotas” na escola (e até uma vista grossa diante de uma situação de assédio), resolve escrever e divulgar anonimamente um zine chamando a escola para uma nova revolução. Feminina. O legal desse pretensamente despretensioso “Moxie” é ver essa abordagem ao sexismo de forma simples e direta. Sem textão complicado, sem frufru. Mostrar que é preciso sim tomar atitudes efetivas diante de acontecimentos abusivos, preconceituosos, machistas e que não se trata de uma raiva generalizada aos homens. Ganhou nosso coração com a trilha: as músicas da banda punk feminista Bikini Kill pautam as atitudes da protagonista. Spoiler? Tem a brasileiríssima e também poploader Cansei de Ser Sexy tocando no filme.
Produzido e dirigido por Amy Pohler.
*Disponível na Netflix.

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* Esta seção da Popload é pensada e editada por Lúcio Ribeiro e Daniela Swidrak.

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Ainda o Philip Seymour Hoffman (R.I.P.), enquanto Lester Bangs

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* Acontece hoje o funeral, em Nova York, do ator Philip Seymour Hoffman, morto domingo passado possivelmente de uma overdose de heroína, aos 46 anos de idade. A cerimônia, fechada e em Manhattan, tem mais astros do cinema do que a cerimônia do Oscar, o que mostra o quanto a classe artística ficou em choque com o ocorrido. Em plena forma antes do “acidente”, Hoffmann tem dois filmes a estrear em breve.

Nesta semana, à luz do passamento do ator, o jornal americano “Los Angeles Times” publicou artigo de um jornalista de música sobre como foi importante para ele a atuação de Hoffman no filme “Quase Famosos”, na pele do lendário Lester Bangs, que escreveu sobre rock nos áureos tempos da “Rolling Stone” americana.

“Almost Famous”, de 2000, foi dirigido pelo cineasta Cameron Crowe, ele mesmo um colaborador de textos de rock para a “Rolling Stone” antes de abraçar o cinema como bem-sucedida atividade profissional (“Quase Famosos” é tido como uma semibiografia de Crowe).

O filme é sobre um teenager que queria seguir essa carreira incrível de jornalista de rock (né?) nos anos 70 e fazia uns textos para jornais pequenos de San Diego, onde morava. Até que resolveu mandar uns desses artigos seus para a “Rolling Stone” e de repente ganhou a chance de escrever uma resenha de um show do Black Sabbath, hahaha.

Como não conseguia credencial para entrar na arena e ver o show, acabou fazendo uma certa amizade com a banda de abertura, a Stillwater. E a partir daí o filme se desenvolve brilhantemente. Ainda o garoto, William Miller foi tomando conselhos jornalísticos do “difícil” Lester Bangs, considerado um dos maiores e mais demolidores críticos da história do jornalismo musical.

Enfim, tudo isso para dizer que o jornalista do “Los Angeles Times”, nesta semana, disse que o Lester Bangs de Hoffman o ajudou a querer escolher a carreira de crítico musical como profissão. E publicou o diálogo de uma cena do filme em que William liga para Bangs e ganha uma lição sobre “jornalista ser amigo de banda” e sobre o que é ser cool e uncool nessa carreira.

A tal cena, a Popload botou aqui em vídeo também nesta semana, em texto-homenagem a Hoffman e que falava principalmente de uma banda americana que era batizada com o nome do ator. Aqui.

O “Los Angeles Times” reproduziu em sua página toda a tal conversa telefônica marcante de Bangs com William no filme. Achei legal livremente traduzi-la também aqui na Popload.

Lá vai.

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CA.AlmostFamous15

Lester Bangs
: Iiiih, cara. Você ficou amiguinho deles. Olha, camaradagem é o álcool que eles te servem. Eles querem que você fique bêbado com a sensação de que você faz parte da turma deles, que entrou para o clube.

William Miller: Bem, foi um lance divertido.

Bangs: Eles fazem você se sentir cool. E quer saber? Eu vi você. E vc não é cool.

Miller: Eu sei. Mesmo quando eu pensava que eu era, eu sabia que não era.

Bangs: Isso é porque eu e você somos pessoas uncool. E, enquanto mulheres serão sempre um problema para a gente, boa parte da grande arte no mundo também é sobre sobre elas. Os bonitinhos não têm base nenhuma, de nada. A arte deles não dura nada. Eles pegam as garotas, mas nós somos mais espertos que eles.

Miller: Eu realmente consigo enxergar isso agora.

Bangs: Sim, a grande arte é sobre conflito e dor e culpa e desejo e amor disfarçado de sexo e sexo disfarçado de amor… E vamos encarar a coisa, você teve um belo começo.

Miller
: Ainda bem que você está em casa para me atender.

Bangs: Eu estou sempre em casa. Eu sou uncool.

Miller: Eu também.

Bangs: O único dinheiro que vale nesse mundo falido é o que a gente divide com alguém que é tão uncool quanto a gente.

Miller: Me sinto melhor agora.

Bangs: Meu conselho para você. Eu sei que você pensa que esses caras são seus amigos. Você quer ser um verdadeiro amigo para eles? Seja honesto e não tenha piedade.

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