Em ana frango eletrico:

CENA – Sophia Chablau vai ao eletrizante Rio de Janeiro indie buscar o som que é “nosso”, em seu disco de estreia

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* Talvez o disco mais curioso lançado nos últimos tempos no Brasil, “Sophia Chablau e Uma Enorme Perda de Tempo”, da cantora Sophia Chablau com sua banda Uma Enorme Perda de Tempo (Ok até aqui?) é o melhor disco carioca que uma banda indie paulistana poderia fazer hoje.

Mas veja, a ótima CENA atual do Rio de Janeiro é totalmente referencial à vanguarda paulistana dos anos 80, quer eles realmente queiram isso ou não.

Então o que Sophia e rapazes estão fazendo é buscar o que é deles, embora eles tenham ido pedir licença para uma das maiores artífices do novo som carioca, Ana Frango Elétrico, que produziu este álbum que está sendo lançado agora.

Seria muito óbvio imaginar que Sophia e sua turminha, quarteto na média de 21 anos, se apaixonou pela nova música do RJ sem ter ideia de onde esta bebe seu ritmo, seu jeitinho vocal, suas letras de cotidiano algo irônicas, sem ter ideia do que acontecia no palco do extinto clube Lira Paulistana, em Pinheiros, ou em improvisações de shows em cantos da USP nos anos 80, não fosse que: o pai de Sophia, o músico Fábio Tagliaferri, tocou na última fase de uma das bandas que mais dão a cara a essa intelligentsia musical de SP, o lado indie da “cena rock anos 80” que tomou o Brasil. Ele foi do grupo Rumo (procure entender!).

E repare. Estou dando voltas no texto sem sair do mesmo lugar referencial. Porque não há lugar para ir, mesmo: está tudo explicado. Ou tudo se autoexplica.

Tanto a cena paulistana dos anos 80 quanto a CENA carioca atual tem suas genialidades e suas irregularidades gritantes, altos e baixos que estão refletidos em “Sophia Chablau e Uma Enorme Perda de Tempo”, o disco. Mas, no que o álbum é bom, interessante e, de novo, pega na curiosidade, ele é bem bom. E superconectado com o que se propõe. Você consegue enxergar a paulistanidade de Sophia misturado a sombras de Letrux e da própria Frango. É bem Rita Lee, mas é total Vovô Bebê e Thiago Martins. Tem guitarrinha Arctic Monkeys, tem bossa nova, tudo junto. É superdirecionado, mas é plural também. Como a CENA arty do Rio.

Sophia Chablau e Uma Enorme Perda de Tempo_biel basile 3

Antes de eu entender metade do que eu entendo hoje da formação de Sophia, por que esse disco e por que esse disco hoje, quem é essa galerinha que a acompanha e de onde eles todos vêm, quis saber a fundo o que é essa carioquice deles, no caso bem representada pela produtora Ana Frango Elétrico. E como assim a Ana Frango Elétrico, tão nova, para produzir uma banda de SP tão nova.

E ouvi o seguinte da Sophia:

“Eu, o Theo (Ceccato, baterista) e o Vicente (Tassara, guitarrista) viajamos para o Rio de Janeiro e ficamos na casa da familia do Vi, em 2018. Foi para conhecermos mais o que a cena do Rio tinha de legal. Fomos de ônibus num esquema que eu descobri que era via Guarulhos; a passagem custava 70 reais, algo assim, mas a viagem ia parando muito daqui até lá e acabava demorando de 9 a 10 horas para chegar.

Conhecemos a Praça Tiradentes, a Audio Rebel, saímos com a Laura Lavieri, Caio Paiva, talvez tenhamos ido à praia. Foi uma viagem muito especial. Nela compusemos ‘Deus Lindo’ numa noite enlouquecida. O Vicente e eu dormimos em beliches e numa fatídica noite choramos juntos. Ali pra mim começou a rolar uma troca mais profunda com os dois, mas não exatamente musical, mas absolutamente musical. Tudo foi acontecendo lentamente e não tínhamos a menor pretensão de nos tornarmos uma banda.”

Ouvi assim do Vicente:

“Era a primeira vez que viajávamos juntos, eu, Theo e Sophia. Lá a gente combinou de encontrar uns amigos cariocas da Sô para dar um rolê. Devia ser umas 2h da tarde quando a gente tomou a primeira cerveja no Bar do Ovo, em Botafogo. Logo ali o dia começou a ficar bem esquisito, quando deu na TV do bar que o Bolsonaro tinha levado uma facada em Juiz de Fora. Todo mundo no bar ficou em choque olhando para a TV, nós inclusive. Nessa situação, numa cidade estranha, sem conseguir nem tentar imaginar o que se seguiria no país naquele tumultuado ano de 2018, só continuamos em nossas aventuras alcoólicas pela cidade. Fomos de bar em bar, de garrafa de 600 em garrafa de 600. A certa altura, um pouco derrotados – a noite já tinha caído -, trombamos a Laura Lavieri, tomamos uma coca para repor as energias, e fomos conhecer as casas de show do centro: o Escritório e o Aparelho.

A essa altura, já estava bem tarde. Subimos a escada para entrar no Escritório e ficamos esperando a hora de o show daquela noite começar. Estávamos meio exaustos, e a Sophia, com sua incrível habilidade de adormecer em qualquer lugar ou rolê que seja, acomodou-se em algum canto da casa e dormiu. Ficamos, então, eu e o Theo e a Laura esperando o show começar. Quando finalmente rolou, choque total. Era um show de puro noise, harsh noise, guitarra atonal incompreensível, essas coisas muito loucas das quais até então eu só tinha ouvido falar, e nunca testemunhado com meus próprios olhos. Eu e Theo, absolutamente boquiabertos, tentando entender aquele ritual absurdo que se passava na nossa frente. Mas não estava dando, só queríamos ir para casa. O problema, contudo, era convencer a Sophia. Porque quando a Sophia dorme num rolê – e nossa, com que frequência a Sophia dorme no rolê… – é difícil tirar ela de lá. Íamos dar um toque nela, ela abria os olhos, falava “Não, gente, vamo ficar, to adorando”. Aí fechava os olhos novamente e voltava a dormir.”

Por uma boa meia hora, ficamos lá, plantados na porta do Escritório, em pleno centro do Rio, 1h da manhã, dormindo em pé, até conseguirmos enfim tirar a Sô lá de dentro e voltar para casa. No banco de trás do táxi, eu ficava me perguntando: “Mas é esse o tipo de música que os cariocas curtem? Que loucura” E foi assim meu primeiro contato com a cena musical carioca.

(Continua…)

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* Confira o álbum “Sophia Chablau e Uma Enorme Perda de Tempo” aqui embaixo.

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* Sophia Chablau e a banda Uma Enorme Perda de Tempo fazem live de lançamento do disco no próximo dia 22 de abril, às 20 horas, no Palco Virtual do Itaú Cultural.

** Além de Sophia, Vicente e Theo, o quarto integrante da banda é Téo Serson, baixista.

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Popnotas – As Dobradinhas cariocas, um r.i.p. Titus, Big Thief e o disco diferente, Wry para dançar e tchau, Coachella?

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– De onde os integrantes do quarteto americano Big Thief tiram tanta energia? Dois álbuns da banda em 2019, discos solos de três integrantes na sequência e um single do grupo ainda no ano passado. Tem espaço para mais? Em entrevista à “Guitar.com”, Buck Meek, guitarrista da banda, dá a dica que em breve teremos um novo disco do Big Thief, que já está pronto. E “diferente”, segundo ele. Hummm.

– Integrante da primeira formação da banda Titus Andronicus, de New Jersey, o tecladista Matt “Money” Miller morreu aos 34 anos. O anúncio foi feito pela própria banda em texto no Twitter assinado por Patrick Stickles, único presente em todas as formações e primo de Matt. Nas palavras dele, Matt era seu amigo mais querido. Ainda que tenha deixado a banda antes de ela começar a gravar, ele participou de alguns álbuns, sendo até o vocalista principal em um som do EP “Home Alone on Halloween”, de 2018.

– Sem Coachella? Sim, provavelmente por mais um ano o festival não deve rolar. Cancelado em 2020, a expectativa de uma edição 2021 é rejeitada por fontes entrevistadas pela revista “Variety”, que estipulam que o evento só tenha chances de voltar a ser realizado no ano que vem. A princípio, o Coachella está marcado para acontecer em outubro. Mas deve ir para abril de 2022, seu mês original de realização. Entre as alegações reveladas na revista, a principal razão é que o tamanho do Coachella pede por muito dinheiro e prazo. E, embora a situação da vacinação em massa nos EUA tenha acelerado bastante, ainda as incertezas em relação à pandemia e o tamanho colossal do festival tornam muito difícil sua realização.

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CENA – Uma boa notícia para animar ainda mais a ótima CENA do Rio de Janeiro e um pequeno grande festival para se ter perto mesmo à distância é o carioca Dobradinhas, que volta depois de cinco anos de hiato e acontece neste sábado, a partir das 15h, no canal de Youtube do evento. Seguindo sua vocação em promover encontros musicais, fazendo jus ao nome do festival que em edições passadas já deu suas dobras a nomes como Ava Rocha, Letrux, Cícero e Mahmundi, entre outros.
Os encontros de amanhã, com show de 40 minutos num quintal no Santo Cristo, são:
Ana Frango Elétrico e Luís Capucho + Joana Queiroz
Dora Morelenbaum e Luiza Brina + Aline Gonçalves
Juliana Linhares e Maíra Freitas + Diogo Gomes
Clara Anastácia e Joca + Rodrigo Maré

– CENA 2 – O veterano grupo sorocabano Wry (foto na home, de Ana Érica), agora na fase bilíngue, lançou hoje o single “Man in the Mirror”, faixa do bom álbum “Noites Infinitas”, lançado no ano passado. A música chega a este single de duas formas: “normal” remasterizada e, aqui é o brilho, num remix ultradance tipo Manchester anos 90, de autoria do DJ Electropaulo, lá de Londres. Uma terceira faixa comparece ao single, essa da música “In the Hell of My Head”, hit de show do Wry, feito por Evandro Flanicx, de São Paulo. Dança aí.

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CENA – Jadsa une as pontas da cena brasileira no single “Raio de Sol”

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* O congraçamento da CENA brasileira em seu momento fértil dos últimos anos se dá à perfeição em “Raio de Sol”, o novo single da guitarrista baiana Jadsa com participações de Ana Frango Elétrico e Kiko Dinucci.

“Raio de Sol” é a segunda música a ser apresentada de “Olho de Vidro”, o álbum de estreia de Jadsa, que será lançado no dia 26 de março, bancado pela Natura Musical e estampa do selo Balaclava Records. O single sucede a grandiosa música curta “A Ginga do Nêgo”, que saiu no começo de fevereiro e com seus menos de dois minutos de duração durou duas semanas no topo do Top 50 da CENA, o ranking da Popload.

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“Raio de Sol”, a segunda música do primeiro álbum de Jadsa, é tão boa quanto a primeira. E mais cheia de significados.

A canção une a musicalidade da Bahia (Jadsa), Rio (Frango) e São Paulo (Kiko). Tem o samba, a MPB de vanguarda, o rock, psicodelia, “lá-lá-lás”, pausa, mudança de andamento

“Chamei Ana Frango Elétrico porque ela tem uma voz que ilumina, vibra e corta. Em paralelo tem a presença da guitarra de Kiko Dinucci que faz um contraponto com esse brilho solar – que é o amarelo -, e funciona como uma rajada violenta, ultravioleta – que vem também como um brilho, mas voltado para o noise”, contou tudo Jadsa.

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* As fotos de Jadsa usadas neste post são de João Millet Meirelles.

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Top 50 da CENA: O indie-mental health alcança solo brasileiro e vem pesado ao nosso ranking. Primeiro lugar: “Terapia”. Segundo: “Antidepressivos”

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* A CENA brasileira parece conectada a uma tendência que já observamos lá fora: a indie-mental health. Se quiser ler mais sobre esse movimento (já consideramos um) vale dar uma lida neste post que publicamos na Semiload, umas semanas atrás. As duas primeiras posições da nossa parada desta semana abordam o assunto de modo explícito já no título. E talvez, até o Ale Sater, em seu olhar ao seu interior, possa ser colocado nessa turma. Sinais dos nossos tempos. Estamos trancafiados, as coisas não estão simples lá fora. Cantar sobre isso, que já vinha ganhando força nos últimos anos, aflorou na pandemia e hoje em dia é uma forma de terapia coletiva. A gente acredita que isso possa ser bom, já que só uma maior interação e comunicação sobre esses papos pode ajudar todos nós a lidarmos com isso. Música sempre é uma terapia. Que aborde isso, então. E vai dar tudo certo no fim.

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1 – Luna França – “Terapia”(Estreia)
O lindo segundo single da cantora entre muitas-outras-coisas Luna França aterrissa de bico nesta onda forte da música nova, aqui e lá, que é o indie-mental health, do qual temos falado bastante na Popload. Na canção, ela descreve um sentimento feio, em suas palavras, ou seja, faz terapia em tempo real mesmo. “Escrevi essa letra como se estivesse escrevendo um diário e refletindo sobre essa sensação de posse que é real e até bem comum. A gente não quer ver a pessoa triste, mas também não quer ver mais feliz que a gente.” Forte. Como é a canção em si.

2 – Yannick Hara -“Antidepressivos”(Estreia)
Ainda no campo da mental health, Yannick Hara aborda por aqui outro aspecto da questão: o abuso de remédios como uma forma de afastar toda e qualquer dor (inclusive a da alma), uma forma de camuflar alguns problemas. O clima do som pega um tanto de The Cure nos momentos mais sombrios, uma vibe ointentista, céu nublado e um frio lá fora. E um frio mais doído lá dentro.

3 – Ale Sater – “Nós” (Estreia)
“Nós”, com seus dedilhados grandiosos de violão acústico, afastam Ale Sater do clima urbano do som do Terno Rei e o leva, sozinho, para o interior. Talvez o seu próprio interior, onde ele tenha que lidar com fantasmas em tom nostálgico, algo longe do romantismo urgente que embalou “Violeta, o mais recente e bem-sucedido álbum do Terno Rei, de 2019.

4 – Jadsa – “A Ginga do Nêgo” (1)
Há um quê de divino e de mântrico no primeiro single da guitarrista e cantora baiana Jadsa, “A Ginga do Nêgo”, que perdurou duas semanas no primeiro lugar deste ranking da CENA. Acredite quando ler que a música serve para “abrir caminhos” para o primeiro álbum da artista, “Olho de Vidro”, que sai no dia 26 de março. “A Ginga do Nêgo” é atravessada por uma guitarra cortante, evoca Exu, orixá da encruzilhada, o mensageiro da comunicação entre os vivos e as divindades, tem um baixo potente de Caio Terra e certamente deixaria orgulhoso Itamar Assumpção. Que musica gigante, embora com menos de dois minutos de duração.

5 – A Espetacular Charanga do França – “Cadê Rennan?” (2)
Sem poder ir para a rua, A Espetacular Charanga do França aproveitou para soltar um disquinho novo onde tentaram sem sucesso escapar de um som carnavalesco. Esse “fracasso” está no nome do disco, “Nunca Não É Carnaval”. Acabou que o título ganhou significado duplo por conta da pandemia que persiste. Das boas músicas, vale muito esta homenagem a Rennan da Penha que se refere bastante ao funk de BH.

6 – Winter – “Violet Blue” (3)
Se no Top 10 Gringo demos destaque ao Jevon, um inglês que é quase brasileiro, vamos dar atenção aqui para a Winter, projeto de Samira Winter, curitibana que vive na Califórnia, nos EUA – e é quase mais deles que nossa. É que a gente não deixa. “Violet Blue” é uma viagem deliciosa pela voz de Winter e por uma guitarra que parece se desintegrar e se recompor em uma distorção amalucada.

7 – Pluma – “Mais do Que Eu Sei Falar” (4)
A gente já conversou por aqui sobre esse grupo novo e esperto que saiu de um TCC – todos estudavam produção e a banda extrapolou o curso. Tem este single deles aqui que deixamos passar em 2020, mas agora escutamos e amamos demais.

8 – Tagore – “Tatu” (5)
No ano passado, falamos aqui que o músico pernambucano Tagore preparava seu novo álbum, “Maya”. 2020 acabou e nada do disquinho. Mas agora parece que vai e eis “Tatu”, o primeiro single deste novo trabalho. Pelo inspirado refrão “Tatu, tá tudo muito louco”, você já tem um grau da viagem. Um som para aliviar as pressões do mundo ali de fora.

9 – Kill Moves – “Perfect Pitch” (Estreia)
A banda mineira de dream pop Kill Moves consegue transformar Belo Horizonte, 2020, em Slough, Inglaterra, anos 90. Sabe aquele casamento entre barulheira e melodias quase adocicadas? Rola por aqui. “Perfect Pitch” merece sua atenção pelos diversos momentos que cria – do noise inicial, momentos mais melódicos e um break percussivo.

10 – DJ Grace Kelly – “PPK” (Estreia)
A DJ baiana Grace Kelly, que vive na frenética Berlim, manda aqui uma “ode às sapatonas e bissexuais” que vai muito além do que essas três letras podem significar”, em sua palavras. A música é um batidão funky dentro da house que não perde o fôlego em pouco mais de 3 minutos de som. A faixa faz parte do EP “Dengo”, a ser lançado em breve

11 – Jamés Ventura – “Ser Humano” (6)
12 – Jovem Dionísio – “Copacabana” (7)
13 – Píncaro – “Leito de Migalhas” (8)
14 – Atalhos – “A Tentação do Fracasso” (9)
15 – Edgar – “Prêmio Nobel” (10)
16 – Jup do Bairro – “O Corre” e “O Corre” (Bixurdia Remix) (11)
17 – BK – “Mudando o Jogo” (12)
18 – Antônio Neves e Ana Frango Elétrico – “Luz Negra” (13)
19 – BaianaSystem e BNegão – “Reza Forte” (14)
20 – Compositor Fantasma – “Pedestres Violentas” (15)
21 – Zé Manoel – “Saudade da Saudade” (16)
22 – Gustavo Bertoni e Apeles – “Ricochet” (17)
23 – Jair Naves – “Todo Meu Empenho” (18)
24 – Kamau – “Nada… De novo” (19)
25 – Letrux – “Dorme Com Essa (Delirei)” (20)
26 – MC Fioti – “Bum Bum Tam Tam” (21)
27 – Rincon Sapiência – “Tem Que Tá Veno” (Verso Livre) (22)
28 – MC Carol – “Levanta Mina” (23)
29 – Marabu – “Capítulo 5: Sereno” (25)
30 – Criolo – “Fellini” (28)
31 – Linn da Quebrada – “quem soul eu” (29)
32 – Wry – “Absoluta Incerteza” (32)
33 – Rico Dalasam e Jup do Bairro – “Reflex” (33)
34 – YMA – “White Peacock” (34)
35 – Ana Frango Elétrico – “Mulher Homem Bicho” (35)
36 – Luedji Luna – “Chororô” (36)
37 – Black Alien – “Chuck Berry” (37)
38 – Vovô Bebê – “Bolha” (38)
39 – Sabotage e MC Hariel – “Monstro Invisível” (39)
40 – Emicida e Gilberto Gil – “É Tudo Pra Ontem” (40)
41 – Liniker – “Psiu” (41)
42 – Tuyo – “Sonho da Lay” (42)
43 – KL Jay – “Território Inimigo” (43)
44 – Boogarins – “Cães do Ódio” (44)
45 – Dexter, Djonga, Coruja BC1, KL Jay, Will – “Voz Ativa” (45)
46 – Mateus Aleluia – “Amarelou” (46)
47 – Valciãn Calixto – “Nunca Fomos Tão Adultos” (47)
48 – Negro Leo – “Tudo Foi Feito pra Gente Lacrar” (48)
49 – Don L – “Kelefeeling” (49)
50 – Mahmundi – “Nós De Fronte” (50)

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* Entre parênteses está a colocação da música na semana anterior. Ou aviso de nova entrada no Top 50.
** Na vinheta do Top 50, a cantora Luna França.
** Este ranking é pensado e editado por Lúcio Ribeiro e Vinícius Felix. Com uma pequena ajuda de nossos amigos, claro.

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Top 50 da CENA: Ninguém rela na Jadsa, em um inédito primeiro lugar repetido. E no alto ainda temos no ranking uma charanga, uma californiana e o melhor do não-Carnaval

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* Uma semana um pouco diferente por aqui e talvez seja pelos efeitos carnavalescos do feriado de não-Carnaval. Estamos confusos um pouco.
Para começar, repetimos nosso primeiro lugar da semana passada. Será que isso é inédito aqui? Não lembramos. Mas até vamos repetir a arte.
Falta de criatividade? Não mesmo. É que a Jadsa segue firme com a música mais relevante do momento na nossa humilde opinião. Você tem que escutar essa mina para já.

A outra questão é que estamos com menos novidades que o normal. Por causa da semana tão específica do calendário brasileiro, ainda que o que mais perto de Carnaval que chegamos foi o lançamento do documentário do Castor de Andrade, este é um período geralmente morno de novidades musicais fora do samba, das charangas, dos blocos. Ou estamos perdendo algo? Avisa a gente se pans.

Mas deu para compor bem, até, o top 10 dentro do Top 50. O que garante aquela playlist gostooooosa.

topjadsaquadrada

1 – Jadsa – “A Ginga do Nêgo” (1)
Há um quê de divino e de mântrico no primeiro single da guitarrista e cantora baiana Jadsa, “A Ginga do Nêgo”. Acredite quando ler que a música serve para “abrir caminhos” para o primeiro álbum da artista, “Olho de Vidro”, que sai no dia 26 de março. “A Ginga do Nêgo” é atravessada por uma guitarra cortante, evoca Exu, orixá da encruzilhada, o mensageiro da comunicação entre os vivos e as divindades, tem um baixo potente de Caio Terra e certamente deixaria orgulhoso Itamar Assumpção. Que musica gigante, embora com menos de dois minutos de duração.

2 – A Espetacular Charanga do França – “Cadê Rennan?” (Estreia)
Sem poder ir para a rua, A Espetacular Charanga do França aproveitou para soltar um disquinho novo onde tentaram sem sucesso escapar de um som carnavalesco. Esse “fracasso” está no nome do disco, “Nunca Não É Carnaval”. Acabou que o título ganhou significado duplo por conta da pandemia que persiste. Das boas músicas, vale muito esta homenagem a Rennan da Penha que se refere bastante ao funk de BH.

3 – Winter – “Violet Blue” (Estreia)
Se no Top 10 Gringo desta semana demos destaque ao Jevon, um inglês que é quase brasileiro, vamos dar atenção aqui para a Winter, projeto de Samira Winter, curitibana que vive na Califórnia, nos EUA – e é quase mais deles que nossa. É que a gente não deixa. “Violet Blue” é uma viagem deliciosa pela voz de Winter e por uma guitarra que parece se desintegrar e se recompor em uma distorção amalucada.

4 – Pluma – “Mais do Que Eu Sei Falar” (Estreia)
A gente já conversou por aqui sobre esse grupo novo e esperto que saiu de um TCC – todos estudavam produção e a banda extrapolou o curso. Tem este single deles aqui que deixamos passar em 2020, mas agora escutamos e amamos demais.

5 – Tagore – “Tatu” (2)
No ano passado, falamos aqui que o músico pernambucano Tagore preparava seu novo álbum, “Maya”. 2020 acabou e nada do disquinho. Mas agora parece que vai e eis “Tatu”, o primeiro single deste novo trabalho. Pelo inspirado refrão “Tatu, tá tudo muito louco”, você já tem um grau da viagem. Um som para aliviar as pressões do mundo ali de fora.

6 – Jamés Ventura – “Ser Humano” (3)
Experiente rapper da cena paulista, Jamés Ventura, que viu o movimento crescer de perto na rua, anda em seu melhor momento. Após lançar em 2019 o excelente “Espelho” e um EP no ano passado, agora ele já chega com dois singles que mantém o alto nível: “Ser Humano”, nossa escolha, e “Mentiras”. Procurem. Pode não ser o rapper mais badalado do momento, mas quem conhece do assunto sempre indica o som do cara.

7 – Jovem Dionísio – “Copacabana” (4)
Parece uma música que falava de uma certa praia de um outro estado brasileiro, mas é “apenas” a nova do Jovem Dionísio, banda curitibana que a gente sempre posta por aqui e que parece estar em grande fase. Um remix de sucesso de um som da banda colocou os caras com um milhão de ouvintes mensais no Spotify. Acha pouco perto dos grandalhões do pop brasileiro? Pois é um número quase irreal na CENA.

8 – Píncaro – “Leito de Migalhas” (5)
Projeto de Roger Valença, ex-integrante da banda Onagra Claudique. Impossível não ficar impactado de cara com a faixa que abre o álbum “Um Delírio Madrepérola”. Em seus cinco minutos e pouco, “Leite de Migalhas” arrepia pelos diferentes climas, pela bela voz de Roger e por um violão daqueles que você escuta a mão passando pelas cordas, sabe?

9 – Atalhos – “A Tentação do Fracasso” (6)
“Um ótimo dreampop veloz, de pegada oitentista.” Deste jeito que a gente elogiou o single anterior da dupla paulista com conexões argentinas Atalhos, formada pelo vocalista Gabriel Soares e pelo guitarrista Conrado Passarelli. A história se repete aqui em “A Tentação do Fracasso”. A letra que não entrega tanto assim sobre o que se canta é um playground para diferentes interpretações.

10 – Edgar – “Prêmio Nobel” (7)
A gente gosta de dar nossa opinião suuuuuperanalítica, mas aqui vale abrir espaço ao artista. Edgar escreveu um belo texto sobre sua nova composição e seu novo vídeo: “Imagine que o menino João e a menina Ágata poderiam muito bem terem ganhado um prêmio Nobel de literatura ou ciências, Marielle Franco um prêmio Nobel da paz. Diversas vidas que são arrancadas do seu destino todos os dias por uma necropolítica que nos extermina como se fôssemos presas fáceis. No filme “Bacurau” algumas pessoas se identificam com aquele Brasil distante e perto ao mesmo tempo. Só Jesus salva, e nesse filme ele vem armado com diversos inocentes que foram mortos pelas mãos do governo, para poder proteger os trabalhadores e estudantes que moram na favela. Em toda favela tem um prêmio Nobel. Que a polícia caça e mata.”

11 – Jup do Bairro – “O Corre” e “O Corre” (Bixurdia Remix) (8)
12 – BK – “Mudando o Jogo” (9)
13 – Antônio Neves e Ana Frango Elétrico – “Luz Negra” (10)
14 – BaianaSystem e BNegão – “Reza Forte” (11)
15 – Compositor Fantasma – “Pedestres Violentas” (12)
16 – Zé Manoel – “Saudade da Saudade” (13)
17 – Gustavo Bertoni e Apeles – “Ricochet” (14)
18 – Jair Naves – “Todo Meu Empenho” (15)
19 – Kamau – “Nada… De novo” (16)
20 – Letrux – “Dorme Com Essa (Delirei)” (17)
21 – MC Fioti – “Bum Bum Tam Tam” (18)
22 – Rincon Sapiência – “Tem Que Tá Veno” (Verso Livre) (19)
23 – MC Carol – “Levanta Mina” (20)
24 – Marrakesh – “To Comprehend” (21)
25 – Marabu – “Capítulo 5: Sereno” (22)
26 – Dom Pescoço – “Delicadinho” (23)
27 – Dizin – “Human Bomb (Explode)” (24)
28 – Criolo – “Fellini” (25)
29 – Linn da Quebrada – “quem soul eu” (26)
30 – Cambriana – “Induction Bread” (27)
31 – Maglore (feat. Josyara) – “Liberta” (28)
32 – Wry – “Absoluta Incerteza” (29)
33 – Rico Dalasam e Jup do Bairro – “Reflex” (30)
34 – YMA – “White Peacock” (31)
35 – Ana Frango Elétrico – “Mulher Homem Bicho” (32)
36 – Luedji Luna – “Chororô” (33)
37 – Black Alien – “Chuck Berry” (34)
38 – Vovô Bebê – “Bolha” (35)
39 – Sabotage e MC Hariel – “Monstro Invisível” (36)
40 – Emicida e Gilberto Gil – “É Tudo Pra Ontem” (37)
41 – Liniker – “Psiu” (38)
42 – Tuyo – “Sonho da Lay” (39)
43 – KL Jay – “Território Inimigo” (40)
44 – Boogarins – “Cães do Ódio” (44)
45 – Dexter, Djonga, Coruja BC1, KL Jay, Will – “Voz Ativa” (45)
46 – Mateus Aleluia – “Amarelou” (46)
47 – Valciãn Calixto – “Nunca Fomos Tão Adultos” (47)
48 – Negro Leo – “Tudo Foi Feito pra Gente Lacrar” (48)
49 – Don L – “Kelefeeling” (49)
50 – Mahmundi – “Nós De Fronte” (50)

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* Entre parênteses está a colocação da música na semana anterior. Ou aviso de nova entrada no Top 50.
** Na vinheta do Top 50, a guitarrista baiana Jadsa.
** Este ranking é pensado e editado por Lúcio Ribeiro e Vinícius Felix. Com uma pequena ajuda de nossos amigos, claro.