Em ana frango eletrico:

Top 50 da CENA – Um piano tira a Pabllo do nosso topo. Amaro Freitas lidera, seguido pelo MC Rodrigo Brandão. Mas o terceirão é dela, sim

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* Na semana passada nosso primeiro lugar foi talvez um dos trabalhos mais pop da nossa história, né, Pabllo? Nesta semana aqui, jazz e música de improviso fazem um dobradinha no topo da nossa lista. É o universo reequilibrando as coisas. Pode reclamar, a gente esquece muita coisa, não dá conta de outras, mas não damos margem para dizerem que nós não tentamos escutar um pouco de tudo de lindo que é feito neste país hoje em dia na música, para criar nossa radiografia do que acontece de melhor por aí, hein? Dito isso, toma esta!

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1 – Amaro Freitas – “Sankofa” (Estreia)
Quem lê sempre nosso Top 50 já reparou que a gente ama quando o próprio músico traz palavras inspiradas sobre o que pensou para a canção em destaque. Parece um passo lógico, mas não é todo mundo que se arrisca a pelo menos traçar uma linha sobre o que acabou de entregar. O Amaro Freitas, pianista de Recife, por sua vez, escreveu bastante e bem sobre sua proposta no álbum “Sankofa” e a gente pirou na ideia: “Trabalhei para tentar entender meus ancestrais, meu lugar, minha história, como homem negro. O Brasil não nos disse a verdade sobre o Brasil”. A expressão “sankofa” é justamente sobre esse tipo de processo, visitar o passado para possibilitar novas compreensões e futuros. Uma busca, que como revela Amaro, apresenta as inconsistências do que temos em nossas mãos atualmente. Muita coisa foi contada errado, muita coisa foi apagada e isso é um dos motivos de termos problemas de imaginar futuros novos. Sem dúvida, um mundo trilhado por esse álbum de Amaro não dá chance para fascistas, por exemplo. Essa é a energia aqui.

2 – Rodrigo Brandão – “O Sol da Meia-Noite” (Estreia)
Quem já viu uma sessão de improviso do Rodrigo Brandão sabe a força que reside ali. Força de inspiração e criação afiada de um dos principais MCs da música brasileira faz tempo. Seu segundo trabalho solo é mais uma experimentação nesse sentido de composição em tempo real tocada por Marshall Allen, líder da Sun Ra Arkestra, com participação de um timaço de músicos nacionais (Tulipa Ruiz e Juçara Marçal, os saxofonistas Thiago França e Thomas Rohrer, o percussionista Paulo Santos (Uakti) e mais um par de integrantes do Hurtmold, Guilherme Granado e Marcos Gerez), além de três membros da Sun Ra (Knoell Scott, o brasileiro Elson Nascimento, e Danny Ray Thompson). Este álbum foi gravado em 2019, mas chega agora em 2021. Aguardemos.

3 – Pabllo Vittar – “Não É Papel de Homem” (1)
Ao optar em reler clássicos do tecnobrega e do forró que foram a trilha de sua adolescência em um contexto que respeita os gêneros e ainda absorve elementos da música pop atual, Pabllo enriquece sua já boa mistura e aproxima seu trabalho das experiências de hyperpop tocadas por artistas como Sophie e Charlie XCX. É uma inversão inteligente do senso comum que ronda o pop nacional. Em vez de deixar o pop mundial informar a música brasileira, aqui a música brasileira informa o pop do planeta. Não é um movimento simples, não. O Primavera Sound vai ver só.

4 – 2DE1 – “Emersão” (2)
Emersão, segundo um dicionário online, é tanto o movimento de um corpo que sai de um fluido no qual estava mergulhado quanto a reaparição de um astro que eclipsara. Significativo que esse seja o som de uma retomada após um relativo silêncio. E, bom, basta reparar na letra para sacar que a intenção dos gêmeos Fernando e Felipe Soares passa por uma aceitação de si mesmo e de assumir uma luta para alterar os aspectos que estão danificando o universo ao redor.

5 – Marisa Monte – “Totalmente Seu” (Estreia)
Em seu belo novo trabalho, Marisa escolheu uma coleção de velhas e novas parcerias. Ao lado de figuras batidas, como Nando Reis e Arnaldo Antunes, aparecem agora nomes como Chico Brown, Marcelo Camelo e os irmãos Silva, Lucas e Lúcio. Conectado com a obra de Marisa em uma esfera bem próxima (Silva dedicou um disco às canções dela), parece lógico que a parceria Silva/Marisa soe tão bem e seja a música que mais chame a atenção em uma primeira edição. “Totalmente Seu” é nível hit da Marisa que pode tocar por um ano, fácil fácil, em rádios e novelas.

6 – Letrux – “I’m Trying to Quit” (Estreia)
Vício é foda. Bebida, cigarro, um relacionamento. Letrux acerta um monte em resgatar essa letra escrita em 2013 e que seguiu tão boa ao longo destes anos. Como ela bem escreveu, ali foi o começo do fim do mundo. Não? Pela promessa, esse single é a abertura de uma série de mais três lançamentos individuais.

7 – Giovanna Moraes – “Rosalía” (Estreia)
Parte do seu álbum mais recente, “III”, Giovanna resolveu expandir a música “Rosalía” em um single que reapresenta sua bela música acompanhada de uma versão demo e outra que é descontrução da própria canção, indo atingir com ela um outro gênero. Se entendemos bem, isso é o que costumávamos ter com um bom lançamento de single.

8 – Taco de Golfe – “Tratados de Obrigação” (Estreia)
A dupla sergipana Gabriel Galvão e Alexandre Damasceno segue a apresentação da piração que veremos em seu álbum “Memorandos”. Que a gente, não sei se eles repararam, adivinhou o nome por aqui quando achou uma mensagem cifrada em morse no Bandcamp da banda. Ninguém valoriza nossos momentos de Sherlock?

9 – Nill – “Singular” (3)
Participação da Ana Frango Elétrico, sample do Paramore. Que som que o Nill lançou aqui para abordar as questões e inseguranças de dentro da sua mente. E a faixa é tão curtinha que pede por uns três replays a cada escutada.

10 – Ana Frango Elétrico – “Promessas e Previsões” (4)
E, por falar na Ana, um elogio a ela aqui por soltar um vídeo para um som seu do “distante” 2019. Esse jeito de trabalhar um álbum em slow motion é um ajuda e tanto para nós, jornalista, sobrecarregados por tanta coisa a escutar. Mirem-se no exemplo.

11 – Mineiros da Lua – “Armadilha” (5)
12 – Iara Rennóo – “Ava Viva” (6)
13 – Bonifrate – “Cara de Pano” (7)
14 – Isabel Lenza – “Tudo Que Você Não Vê” (8)
15 – Romulo Fróes – “Baby Infeliz” (9)
16 – Nelson D – “Algo Em Processo” (10)
17 – Ella from the Sea – “Lonely” (11)
18 – Linn da Quebrada – “I Míssil” (12)
19 – GIO – “Joias” (13)
20 – BNegão feat. Paulão King – “Cérebros Atômicos” (14)
21 – Rodrigo Amarante – “I Can’t Wait” (15)
22 – ATR – “Corazón (Badsista Remix)” (16)
23 – Bonifrate – “Casiopeia” (17)
24 – Mallu Magalhães – “Pé de Elefante” (18)
25 – Edgar – “A Procissão dos Clones” (19)
26 – Tuyo – “Toda Vez Que Eu Chego em Casa” (20)
27 – Giovanna Moraes – “Baile de Máscaras” (21)
28 – Marcelo Perdido – “Que Bom” (22)
29 – Gustavo Bertoni – “Old Ghost, New Skin” (23)
30 – Marina Sena – “Voltei pra Mim” (24)
31 – Rincon Sapiência – “Meu Mundo” (25)
32 – Supervão – “Amiga Online” (26)
33 – Jonathan Ferr – “Amor” (28)
34 – Jadsa – “Mergulho” (29)
35 – Mulungu – “A Boiar” (30)
36 – Jup do Bairro – “Sinfonia do Corpo” (31)
37 – Lupe de Lupe – “Brasil Novo” (32)
38 – Bruna Mendez e June – “A Vida Segue, Né?” (33)
39 – Zé Manoel – “Como?” (35)
40 – Yung Buda – “Digimon” (40)
41 – Duda Beat – “Meu Pisêro” (41)
42 – FEBEM – “Crime” (42)
43 – Aquino e a Orquestra Invisível – “Os Prédios Cinzas e Brancos da Av. Maracanã” (43)
44 – Boogarins – “Supernova” (44)
45 – BaianaSystem – “Brasiliana” (45)
46 – Sophia Chablau e uma Enorme Perda de Tempo – “Delícia/Lúxuria” (46)
47 – Jota Ghetto – “Vagabounce” (47)
48 – Mbé – “Aos Meus” (48)
49 – Rico Dalasam – “Expresso Sudamericah” (49)
50 – LEALL – “Pedro Bala” (50)

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* Entre parênteses está a colocação da música na semana anterior. Ou aviso de nova entrada no Top 50.
** Na vinheta do Top 50, o pianista pernambucano Amaro Freitas.
*** Este ranking é pensado e editado por Lúcio Ribeiro e Vinícius Felix. Com uma pequena ajuda de nossos amigos, claro.

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TOP 50 da CENA – Pabllo brilha no topo (do mundo). Gêmeos do R&B segue a onda. Rapper Nill estreia no pódio

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* Na semana em que a Pabllo Vittar resolveu sacudir as estruturas sulistas do pop brasileiro e começou a mostrar ao pop mundial o valor do som do Norte do Brasil, nem precisamos matutar muito para encontrar nosso primeiro lugar. Lógico que a CENA não facilitou. 2DE1 lançou talvez a melhor música que o duo (em um) já fez na carreira, Nill chegou com uma mixtape espetacular e a Ana Frango ainda divulga seu disco de 2019 na maior calma, na maior contundência. E isso tudo é só uma parte da nossa lista de melhores da semana. Pensa na playlist que vai dar.

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1 – Pabllo Vittar – “Não É Papel de Homem” (Estreia)
Ao optar em reler clássicos do tecnobrega e do forró que foram a trilha de sua adolescência em um contexto que respeita os gêneros e ainda absorve elementos da música pop atual, Pabllo enriquece sua já boa mistura e aproxima seu trabalho das experiências de hyperpop tocadas por artistas como Sophie e Charlie XCX. É uma inversão inteligente do senso comum que ronda o pop nacional. Em vez de deixar o pop mundial informar a música brasileira, aqui a música brasileira informa o pop do planeta. Não é um movimento simples, não. O Primavera Sound vai ver só.

2 – 2DE1 – “Emersão” (Estreia)
Emersão, segundo um dicionário online, é tanto o movimento de um corpo que sai de um fluido no qual estava mergulhado quanto a reaparição de um astro que eclipsara. Significativo que esse seja o som de uma retomada após um relativo silêncio. E, bom, basta reparar na letra para sacar que a intenção dos gêmeos Fernando e Felipe Soares passa por uma aceitação de si mesmo e de assumir uma luta para alterar os aspectos que estão danificando o universo ao redor.

3 – Nill – “Singular” (Estreia)
Participação da Ana Frango Elétrico, sample do Paramore. Que som que o Nill lançou aqui para abordar as questões e inseguranças de dentro da sua mente. E a faixa é tão curtinha que pede por uns três replays a cada “escutada”.

4 – Ana Frango Elétrico – “Promessas e Previsões” (Estreia)
E, por falar na Ana, um elogio a ela aqui por soltar um vídeo para um som seu do “distante” 2019. Esse jeito de trabalhar um álbum em slow motion é um ajuda e tanto para nós, jornalista, sobrecarregados por tanta coisa a escutar. Mirem-se no exemplo.

5 – Mineiros da Lua – “Armadilha” (Estreia)
Bom o passeio dos mascarados Mineiros da Lua neste segundo álbum, que consegue juntar psicodelia, rap, música eletrônica. Em “Armadilha”, por exemplo, tem uma estrutura interessante: estrofe + sessão instrumental + estrofe + sessão instrumental em que a música vai se quebrando. Refrão é para os fracos.

6 – Iara Rennóo – “Ava Viva” (Estreia)
Uma música que homenageia Ava Rocha já mereceria todo destaque, mesmo que não fosse lá muito inspirada. Não é o caso aqui, lógico. Iara capricha em criativos versos para homenagear sua amiga. “Sua cara vira tela, mas a luz é dela” é uma bela tradução da força única da Ava.

7 – Bonifrate – “Cara de Pano” (Estreia)
Bonifrate segue explorando seus tecladinho. Aqui a jovem guarda manda um alô na faixa mais pop, entre os singles lançados até aqui, de “Corisco”, seu novo álbum, que chega logo mais.

8 – Isabel Lenza – “Tudo Que Você Não Vê” (Estreia)
No aquecimento do seu novo álbum, “Véspera”, a cantora paulistana lança seu melhor single. Uma linda reflexão sobre a força feminina que rege o universo, aquilo tudo que a gente não vê. Por que será? A letra é complementar à delicada música que vai envolvendo a gente ao longo da escuta com pequenos detalhes, pequenas informações, aquilo tudo que a gente não percebe até ouvir a música um monte de vezes. E então dá aquele sorriso, satisfeita.

9 – Romulo Fróes – “Baby Infeliz” (1)
Olha o time. Composição de Romulo, Gui Held e Jards Macalé com letra de Nuno Ramos em homenagem a Jards – repare que alguns versos são apropriados de canções do Macau -, “Baby Infeliz” acabou rejeitada pelo próprio homenageado. Para que a canção não entrasse em um limbo, Romulo resolveu resgatá-la em seus dois novos álbuns de repertórios iguais e sonoridades bem diferentes – “Aquele Nenhum” (voz e violão) e “Ó Nois” (colagens). E não é que o Jards, quando escutou a música de novo, já na leitura do Romulo, perguntou por que ele, Romulo, não tinha oferecido a ele, Jards, gravar a canção? Perdeu um musicão, Jards. Mas achamos que o Romulo te empresta ela de novo, sim.

10 – Nelson D – “Algo Em Processo” (2)
Brasileiro de tribo indígena da Amazônia criado na Itália, Nelson D é a mais nova contratação de um dos nossos selos prediletos neste país, o Balaclava. E é de casa nova que ele dá sequência ao seu futurismo indígena já testado no disco do ano passado, “Em Sua Própria Terra”. A primeira canção dessa leva é um tratado sobre amizade. “Dedico essa musica a todas as pessoas que tiveram sorte de ter uma amizade importante nos momentos mais difíceis”, escreveu Nelson em suas redes. E nós tivemos sorte de ter uma música assim de tantos referenciais e sotaques na nossa CENA.

11 – Ella from the Sea – “Lonely” (3)
12 – Linn da Quebrada – “I Míssil” (4)
13 – GIO – “Joias” (5)
14 – BNegão feat. Paulão King – “Cérebros Atômicos” (6)
15 – Rodrigo Amarante – “I Can’t Wait” (7)
16 – ATR – “Corazón (Badsista Remix)” (8)
17 – Bonifrate – “Casiopeia” (9)
18 – Mallu Magalhães – “Pé de Elefante” (10)
19 – Edgar – “A Procissão dos Clones” (11)
20 – Tuyo – “Toda Vez Que Eu Chego em Casa” (12)
21 – Giovanna Moraes – “Baile de Máscaras” (13)
22 – Marcelo Perdido – “Que Bom” (14)
23 – Gustavo Bertoni – “Old Ghost, New Skin” (15)
24 – Marina Sena – “Voltei pra Mim” (16)
25 – Rincon Sapiência – “Meu Mundo” (17)
26 – Supervão – “Amiga Online” (18)
27 – Master San – “A #05 – Intergalatica” (19)
28 – Jonathan Ferr – “Amor” (22)
29 – Jadsa – “Mergulho” (23)
30 – Mulungu – “A Boiar” (24)
31 – Jup do Bairro – “Sinfonia do Corpo” (25)
32 – Lupe de Lupe – “Brasil Novo” (26)
33 – Bruna Mendez e June – “A Vida Segue, Né?” (27)
34 – Rodrigo Campos, Juçara Marçal e Gui Amabis – “Ladeira” (28)
35 – Zé Manoel – “Como?” (29)
36 – Os Amantes – “Linda” (30)
37 – Rashid – “Diário de Bordo 6” (31)
38 – Saulo Duarte com Luedji Luna – “Lumina” (32)
39 – Salma e Mac – “Amiga” (33)
40 – Yung Buda – “Digimon” (34)
41 – Duda Beat – “Meu Pisêro” (37)
42 – FEBEM – “Crime” (38)
43 – Aquino e a Orquestra Invisível – “Os Prédios Cinzas e Brancos da Av. Maracanã” (39)
44 – Boogarins – “Supernova” (40)
45 – BaianaSystem – “Brasiliana” (42)
46 – Sophia Chablau e uma Enorme Perda de Tempo – “Delícia/Lúxuria” (44)
47 – Jota Ghetto – “Vagabounce” (46)
48 – Mbé – “Aos Meus” (48)
49 – Rico Dalasam – “Expresso Sudamericah” (49)
50 – LEALL – “Pedro Bala” (50)

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* Entre parênteses está a colocação da música na semana anterior. Ou aviso de nova entrada no Top 50.
** Na vinheta do Top 50, a imagem é da cantora Pabllo Vittar.
*** Este ranking é pensado e editado por Lúcio Ribeiro e Vinícius Felix. Com uma pequena ajuda de nossos amigos, claro.

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Popnotas CENA – Tudo o que a Isabel Lenza vê e canta. Bonifrate solta o último single. Ana Frango Elétrico e o vídeo de cinema. E a session incrível do Carabobina

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– A cantora paulistana Isabel Lenza lançou o segundo single de seu segundo álbum. A música se chama “Tudo o Que Você Não Vê” e vai estar em “Véspera”, o disco cheio, que sai em agosto, mais precisamente no dia 19. Tal qual o primeiro single, o belo “Imenso Verão”, este novo tem Lenza nos vocais e tocando violão, acompanhada de Leonardo Marques no baixo e pilotando outras sonoridades. “Véspera” foi todo gravado, produzido, mixado e masterizado por Leonardo Marques no estúdio Ilha do Corvo, em Belo Horizonte. Outro acerto de seu disco novo, “Tudo o Que Você Não Vê”, segundo Isabel Lenza, é a força feminina que rege o universo. “Ela está ao redor, por dentro e entre. Atravessa as dimensões e os tempos. De toada envolvente, sussurra ao pé do ouvido todo o seu poder e alcance. A base musical do refrão nasceu em uma fogueira rodeada por mulheres, depois de um dia em que todas nós vivenciamos um plantio de ervas medicinais em sistema agroflorestal, que recupera o solo. Cura e pulso de vida foram, então, o berço da música”, explicou.

– Outro que voltou em franca produção é o conhecido músico carioca Bonifrate, um dos fundadores da mais que conhecida banda indie Supercordas, que parou suas atividades. Mas temos Bonifrate solando em singles, até que chegará seu próximo disco, “Corisco”, que será lançado agora em julho digitalmente e em vinil pelo selo americano OAR, lar dos representantes da CENA Boogarins, Carabobina e Wry. Depois de “Rei Lagarto” e “Casiopeia”, dois dos mais interessantes singles, Bonifrate revela agora outro, “Cara de Pano”, o último antes de o álbum novo chegar. Se este single novo com cara de jovem guarda é bom? Óbvio! Vem acompanhado por um vídeo lyric bilíngue em que Bonifrate atua com, adivinha, uma cara de pano.

* Ainda pelos lados cariocas, CENA atual absurda, temos o vídeo novo de Ana Frango Elétrico para “Promessas e Provisões”, ainda música de seu excelente primeiro disco, o algo internacional “Little Electric Chicken Heart”, lançado há quase dois anos. A música, que tem Tim Bernardes tocando órgão e fazendo um “uuuuuuuus” ao fundo, tem aquele cheiro gostoso de vanguarda paulistana anos 80, mania interessantíssima da esperta cena indie do Rio de hoje. O negócio deste vídeo de agora da música de 2019 é que ele tem direção artsy, montagem e fotografia de Paula Gaitán, artista plástica, fotógrafa e cineasta colombiana, viúva de Glauber Rocha e mãe da cantora Ava Rocha. Ana Frango não é fraca.

– Depois de lançar o ótimo disco de estreia homônimo em novembro do ano passado, finalmente o duo Carabobina (foto na home) dá literalmente as caras com uma apresentação ao vivo, ainda que online. A dupla, formada pelo casal Raphael Vaz e Alejandra Luciani, ele o Fefel do Boogarins, ela engenheira de som venezuelana, gravou um vídeo de meia hora de seu som deliciosamente torto, ora eletrônico, ora psicodélico, ora electropsicodélico, com Alejandra cantando muitas, Raphael cantando algumas, tudo gravado na Fauhaus, espaço de imersão artística de SP, proprio para bandas de barulhinhos bons como o Carabobina. A session ainda guarda uma música inédita no final. Sente a brisa.

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CENA – Sophia Chablau vai ao eletrizante Rio de Janeiro indie buscar o som que é “nosso”, em seu disco de estreia

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* Talvez o disco mais curioso lançado nos últimos tempos no Brasil, “Sophia Chablau e Uma Enorme Perda de Tempo”, da cantora Sophia Chablau com sua banda Uma Enorme Perda de Tempo (Ok até aqui?) é o melhor disco carioca que uma banda indie paulistana poderia fazer hoje.

Mas veja, a ótima CENA atual do Rio de Janeiro é totalmente referencial à vanguarda paulistana dos anos 80, quer eles realmente queiram isso ou não.

Então o que Sophia e rapazes estão fazendo é buscar o que é deles, embora eles tenham ido pedir licença para uma das maiores artífices do novo som carioca, Ana Frango Elétrico, que produziu este álbum que está sendo lançado agora.

Seria muito óbvio imaginar que Sophia e sua turminha, quarteto na média de 21 anos, se apaixonou pela nova música do RJ sem ter ideia de onde esta bebe seu ritmo, seu jeitinho vocal, suas letras de cotidiano algo irônicas, sem ter ideia do que acontecia no palco do extinto clube Lira Paulistana, em Pinheiros, ou em improvisações de shows em cantos da USP nos anos 80, não fosse que: o pai de Sophia, o músico Fábio Tagliaferri, tocou na última fase de uma das bandas que mais dão a cara a essa intelligentsia musical de SP, o lado indie da “cena rock anos 80” que tomou o Brasil. Ele foi do grupo Rumo (procure entender!).

E repare. Estou dando voltas no texto sem sair do mesmo lugar referencial. Porque não há lugar para ir, mesmo: está tudo explicado. Ou tudo se autoexplica.

Tanto a cena paulistana dos anos 80 quanto a CENA carioca atual tem suas genialidades e suas irregularidades gritantes, altos e baixos que estão refletidos em “Sophia Chablau e Uma Enorme Perda de Tempo”, o disco. Mas, no que o álbum é bom, interessante e, de novo, pega na curiosidade, ele é bem bom. E superconectado com o que se propõe. Você consegue enxergar a paulistanidade de Sophia misturado a sombras de Letrux e da própria Frango. É bem Rita Lee, mas é total Vovô Bebê e Thiago Martins. Tem guitarrinha Arctic Monkeys, tem bossa nova, tudo junto. É superdirecionado, mas é plural também. Como a CENA arty do Rio.

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Antes de eu entender metade do que eu entendo hoje da formação de Sophia, por que esse disco e por que esse disco hoje, quem é essa galerinha que a acompanha e de onde eles todos vêm, quis saber a fundo o que é essa carioquice deles, no caso bem representada pela produtora Ana Frango Elétrico. E como assim a Ana Frango Elétrico, tão nova, para produzir uma banda de SP tão nova.

E ouvi o seguinte da Sophia:

“Eu, o Theo (Ceccato, baterista) e o Vicente (Tassara, guitarrista) viajamos para o Rio de Janeiro e ficamos na casa da familia do Vi, em 2018. Foi para conhecermos mais o que a cena do Rio tinha de legal. Fomos de ônibus num esquema que eu descobri que era via Guarulhos; a passagem custava 70 reais, algo assim, mas a viagem ia parando muito daqui até lá e acabava demorando de 9 a 10 horas para chegar.

Conhecemos a Praça Tiradentes, a Audio Rebel, saímos com a Laura Lavieri, Caio Paiva, talvez tenhamos ido à praia. Foi uma viagem muito especial. Nela compusemos ‘Deus Lindo’ numa noite enlouquecida. O Vicente e eu dormimos em beliches e numa fatídica noite choramos juntos. Ali pra mim começou a rolar uma troca mais profunda com os dois, mas não exatamente musical, mas absolutamente musical. Tudo foi acontecendo lentamente e não tínhamos a menor pretensão de nos tornarmos uma banda.”

Ouvi assim do Vicente:

“Era a primeira vez que viajávamos juntos, eu, Theo e Sophia. Lá a gente combinou de encontrar uns amigos cariocas da Sô para dar um rolê. Devia ser umas 2h da tarde quando a gente tomou a primeira cerveja no Bar do Ovo, em Botafogo. Logo ali o dia começou a ficar bem esquisito, quando deu na TV do bar que o Bolsonaro tinha levado uma facada em Juiz de Fora. Todo mundo no bar ficou em choque olhando para a TV, nós inclusive. Nessa situação, numa cidade estranha, sem conseguir nem tentar imaginar o que se seguiria no país naquele tumultuado ano de 2018, só continuamos em nossas aventuras alcoólicas pela cidade. Fomos de bar em bar, de garrafa de 600 em garrafa de 600. A certa altura, um pouco derrotados – a noite já tinha caído -, trombamos a Laura Lavieri, tomamos uma coca para repor as energias, e fomos conhecer as casas de show do centro: o Escritório e o Aparelho.

A essa altura, já estava bem tarde. Subimos a escada para entrar no Escritório e ficamos esperando a hora de o show daquela noite começar. Estávamos meio exaustos, e a Sophia, com sua incrível habilidade de adormecer em qualquer lugar ou rolê que seja, acomodou-se em algum canto da casa e dormiu. Ficamos, então, eu e o Theo e a Laura esperando o show começar. Quando finalmente rolou, choque total. Era um show de puro noise, harsh noise, guitarra atonal incompreensível, essas coisas muito loucas das quais até então eu só tinha ouvido falar, e nunca testemunhado com meus próprios olhos. Eu e Theo, absolutamente boquiabertos, tentando entender aquele ritual absurdo que se passava na nossa frente. Mas não estava dando, só queríamos ir para casa. O problema, contudo, era convencer a Sophia. Porque quando a Sophia dorme num rolê – e nossa, com que frequência a Sophia dorme no rolê… – é difícil tirar ela de lá. Íamos dar um toque nela, ela abria os olhos, falava “Não, gente, vamo ficar, to adorando”. Aí fechava os olhos novamente e voltava a dormir.”

Por uma boa meia hora, ficamos lá, plantados na porta do Escritório, em pleno centro do Rio, 1h da manhã, dormindo em pé, até conseguirmos enfim tirar a Sô lá de dentro e voltar para casa. No banco de trás do táxi, eu ficava me perguntando: “Mas é esse o tipo de música que os cariocas curtem? Que loucura” E foi assim meu primeiro contato com a cena musical carioca.

(Continua…)

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* Confira o álbum “Sophia Chablau e Uma Enorme Perda de Tempo” aqui embaixo.

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* Sophia Chablau e a banda Uma Enorme Perda de Tempo fazem live de lançamento do disco no próximo dia 22 de abril, às 20 horas, no Palco Virtual do Itaú Cultural.

** Além de Sophia, Vicente e Theo, o quarto integrante da banda é Téo Serson, baixista.

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Popnotas – As Dobradinhas cariocas, um r.i.p. Titus, Big Thief e o disco diferente, Wry para dançar e tchau, Coachella?

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– De onde os integrantes do quarteto americano Big Thief tiram tanta energia? Dois álbuns da banda em 2019, discos solos de três integrantes na sequência e um single do grupo ainda no ano passado. Tem espaço para mais? Em entrevista à “Guitar.com”, Buck Meek, guitarrista da banda, dá a dica que em breve teremos um novo disco do Big Thief, que já está pronto. E “diferente”, segundo ele. Hummm.

– Integrante da primeira formação da banda Titus Andronicus, de New Jersey, o tecladista Matt “Money” Miller morreu aos 34 anos. O anúncio foi feito pela própria banda em texto no Twitter assinado por Patrick Stickles, único presente em todas as formações e primo de Matt. Nas palavras dele, Matt era seu amigo mais querido. Ainda que tenha deixado a banda antes de ela começar a gravar, ele participou de alguns álbuns, sendo até o vocalista principal em um som do EP “Home Alone on Halloween”, de 2018.

– Sem Coachella? Sim, provavelmente por mais um ano o festival não deve rolar. Cancelado em 2020, a expectativa de uma edição 2021 é rejeitada por fontes entrevistadas pela revista “Variety”, que estipulam que o evento só tenha chances de voltar a ser realizado no ano que vem. A princípio, o Coachella está marcado para acontecer em outubro. Mas deve ir para abril de 2022, seu mês original de realização. Entre as alegações reveladas na revista, a principal razão é que o tamanho do Coachella pede por muito dinheiro e prazo. E, embora a situação da vacinação em massa nos EUA tenha acelerado bastante, ainda as incertezas em relação à pandemia e o tamanho colossal do festival tornam muito difícil sua realização.

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CENA – Uma boa notícia para animar ainda mais a ótima CENA do Rio de Janeiro e um pequeno grande festival para se ter perto mesmo à distância é o carioca Dobradinhas, que volta depois de cinco anos de hiato e acontece neste sábado, a partir das 15h, no canal de Youtube do evento. Seguindo sua vocação em promover encontros musicais, fazendo jus ao nome do festival que em edições passadas já deu suas dobras a nomes como Ava Rocha, Letrux, Cícero e Mahmundi, entre outros.
Os encontros de amanhã, com show de 40 minutos num quintal no Santo Cristo, são:
Ana Frango Elétrico e Luís Capucho + Joana Queiroz
Dora Morelenbaum e Luiza Brina + Aline Gonçalves
Juliana Linhares e Maíra Freitas + Diogo Gomes
Clara Anastácia e Joca + Rodrigo Maré

– CENA 2 – O veterano grupo sorocabano Wry (foto na home, de Ana Érica), agora na fase bilíngue, lançou hoje o single “Man in the Mirror”, faixa do bom álbum “Noites Infinitas”, lançado no ano passado. A música chega a este single de duas formas: “normal” remasterizada e, aqui é o brilho, num remix ultradance tipo Manchester anos 90, de autoria do DJ Electropaulo, lá de Londres. Uma terceira faixa comparece ao single, essa da música “In the Hell of My Head”, hit de show do Wry, feito por Evandro Flanicx, de São Paulo. Dança aí.

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