Em anohni:

Popload na Noruega. Øya Festival 2016, o mais “decente” festival do planeta, começa hoje

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* Live from Oslo.

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É tudo o que você quer de um festival. No centro da cidade (Oslo), sem perrengue para ir e vir, realizado em um belo parque (Tøyen Park) cercado de museus, cafeterias com assinatura, pizzarias e hotéis. E tem a fama de ser o festival “mais limpo” da Europa (imagino que dá para incluir os americanos e os brasileiros aqui), no sentido de ser verde e camarada com o meio ambiente.

O moderno transporte público norueguês que serve o Tøyen Park é o que menos emite CO2 no continente. Quase não há desperdício de comida (o que sobra é diariamente distribuído em abrigos de necessitados). Consequentemente quase não tem lixo e o que tem não escapa da reciclagem. Praticamente toda a energia usada para botar as bandas em funcionamente é sustentável. Até os banheiros são orgânicos, dos assentos ao papel higiênico. E 50% da comida vendida nos quiosques do Øya Festival são apresentadas em opções variadas sem uso de carne animal.

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E, claro, tem as atrações. O line-up deste ano chega a ser fabuloso no sentido de ser (quase) diferente da maioria dos festivais europeus que ficam reciclando as mesmas atrações. A curadoria do Øya é forte.

Tirando as pencas de bandas escandinavas à disposição, e austríacas e alemãs e francesas, a edição 2016 do principal festival norueguês elenca nomes como PJ Harvey, Jamie XX, New Order, Anohni, FIDLAR, Chvrches, Mastodon, Massive Attack, M83, Last Shadow Puppets, Grace Jones, Foals, Prins Thomas, Savages, .Paak, Daughter, Alunageorge, Christina & The Queens, Floating Points, Julia Holter, The Black Madonna, Skepta, Eagles of Death Metal, DJ Koze, Giant Sand, The Damned e muitos outros.

O Øya Festival começa hoje em clubes, tem a parte dia e a parte noite, depois amanhã vai para o parque. O festival segura bem, sem tretas, um público de 70 mil pessoas.

Nos próximos dias, a Popload vai trazer informações pop do Øya, de Oslo, da Noruega e da Europa em geral, aqui no site, instagram (@lucioribeiro), snapchat, facebook, twitter e o escambau.

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** A primeira foto é do Øya Festival do ano passado. A do meio é da edição de hoje do jornal norueguês “Aftenpoften”, que traz uma edição especial do festival. Acima, PJ Harvey em ação em junho no Primavera Sound, de Barcelona, em imagem de Christine Goodwin para o “NME”.

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A Anohni, que era o Antony, faz linda session na BBC

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* Até há pouco tempo, ele era o Antony Hegarty, a voz por trás da conhecida banda Antony & The Johnsons, que teve um hit mundial de pista, a música “Blind”. Agora ele é ela, a Anohni, uma pessoa transgênero que concorreu a um Oscar de melhor canção original em março e lançou seu belíssimo álbum de estreia na “nova fase” em maio, o “Hopelessness”.

Anonhi, parece, declarou guerra. A si próprio e contra o mundo. Boicotou o Oscar por não ter sido convidada a cantar, meteu engajamento para discutir crise mundial e defender a natureza e o clima da Terra nas letras de seu novo álbum, tudo com muita sensibilidade e uma verve de dance music gostosa, como sua voz. Foi às artes para realizar exposição em Berlim com suas fotos e pinturas próprias. Foi à moda ao fazer um vídeo com a modelo Naomi Campbell, que tem direção de arte de Riccardo Tisci (fashion designer da Givenchy) e é apadrinhado da artista Marina Abramovic.

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Talvez a artista hoje mais contemporânea e completa da música atual, Anohni foi nesta semana na BBC 6Music, rádio linda na Inglaterra, participar conversando e fazendo session para o programa da fofa da Lauren Laverne.

Lá, ela tocou as lindas “Four Degrees” e “Drone Bomb Me”, os dois singles de “Hopelessness”, e conversou muito com Laverne. Vale cada minuto desta meia hora de programa.

** Em turnê pela Europa, Anohni toca hoje no maravilhoso Barbican Centre, em Londres. Traremos imagens aqui, quando as encontrarmos. Devemos topar com um show da artista em muito breve, se nada da programação mudar.

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