Em arcade fire:

Adiado por causa do coronavírus, Primavera Sound relembra apresentações históricas. Tipo a do Arcade Fire, em 2017

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Um dos festivais mais incríveis do mundo, que em condições normais estaria ocorrendo por estes dias na Espanha, o Primavera Sound fez uma programação virtual de shows históricos no evento nos últimos dias.

Entre os shows exibidos nas redes oficias do festival, destaque para a apresentação espetacular do Arcade Fire na edição 2017 do evento, em Barcelona.

Àquela altura, o grupo liderado por Win Butler estava na estrada para divulgar seu quinto disco de estúdio, “Everything Now”. Mas, é claro, o show reservou performances de prediletas como “No Cars Go”, “The Suburbs” e “Rebellion (Lies)”.

A íntegra do show, que dura 100 minutos, pode ser conferida abaixo.

Arcade Fire @ Primavera Sound 2017 – Setlist
0:00 intro: Everything Now (Continued)
1:03 Wake Up
7:04 Everything Now
12:00 Haiti
16:10 Here Comes the Night Time
24:02 No Cars Go
29:45 Intervention
34:32 Neon Bible [first live performance since 2008]
36:40 The Suburbs
42:15 The Suburbs (Continued)
43:26 In the Backseat [first live performance since 2010]
48:56 Ready to Start
53:12 Sprawl II (Mountains Beyond Mountains)
58:49 Reflektor
1:05:39 Afterlife
1:11:35 I Give You Power – Win solo snippet
1:12:33 We Exist
1:18:05 Creature Comfort
1:23:11 Neighborhood #3 (Power Out)
1:29:55 Rebellion (Lies)
encore:
1:37:02 Windowsill

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Já viu? Os melhores momentos do incrível documentário do Coachella

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* Neste último final de semana, naquele mundo que conhecíamos e não existe mais, era para ter acontecido a “segunda perna” da edição 2020 do grandioso Coachella Festival, no deserto da Califórnia, um dos festivais mais lindos e bem-organizados do planeta, embora nos últimos anos tenha virado uma “outra coisa” em relação ao que era nos anos 2000, musicalmente e “frequentadoramente” falando.

Por 15 dias, até ontem, domingo, até hoje, no pós, o mundo musical estaria vendo, ouvindo, falando, espalhando memes, fotos, comentários, impressões “definitivas” sobre o que rolou no maior encontro de música, arte e pessoas dos EUA. Mas quá…

Não teve nada disso, mas tem isto: há exatos dez dias tem facinho no Youtube o maravilhoso “Coachella: 20 Years in the Desert”, documentário da série Youtube Originals. O filme, quase duas horas de duração, estreou exatamente na sexta da semana passada, o dia em que o Coachella 2020 iria aontecer em seu primeiro final de semana, com a melhor escalação dos últimos anos. Desde seu lançamento de lançamento vi o documentário três vezes. And counting.

A cena de Los Angeles pré-Coachella, desde os anos 80. Como o festival era no começo, como ficou até ser cancelado neste mundo cancelado. Toda sua construção e ideias malucas, a intenção original de sair de Los Angeles (o festival era para acontecer em Palm Springs) e levar algo além de rave eletrônica para o meio do deserto. A feliz cooperação do novo rock ajudando o festival a se consolidar (e se ajudando). O desastroso Woodstock 99 atrapalhando e transformando a concepção de novos festivais uma péssima ideia. Todas as voltas de bandas clássicas incentivadas pelo Coachella até seus planos de inovação na linha show-de-artista-morto-em-holografia e de repetir o line-up em dois finais de semana seguidos. O mundo pré-Coachella para sua produtora em particular, a por pouco falida (duas vezes) e hoje gigante Goldenvoice (que até 1999 promovia eventos punks e de hip hop nas quebradas de Los Angeles e num país de quase nenhum festival). E, claro, cenas das lendárias performances feitas em seus muitos palcos e tendas.

A Popload listou alguns dos principais momentos do documentário, que, se num primeiro momento conta a história particular do Coachella Festival, revela em sua totalidade a história da música nos últimos 20 anos. A gente, que frequentou muito o Coachella, se permite ir além do documentário em alguns momentos. Assim:

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* Um dos fundadores do Coachella e donos da Goldenvoice, o produtor Gary Tovar, achava que produzir shows de bandas como Nirvana, Chili Peppers e Jane’s Addiction não dava dinheiro, então aumentou seu desempenho como traficante de maconha na Califórnia, o que o levou à cadeia. Goldenvoice, o nome da empresa, representava a qualidade da “high quality” maconha traficada por Tovar, que dava a sensação ao usuário de falar com os anjos. Os federais estavam de olho no produtor tinha quatro anos, até o prenderem em 1991. Foi o histórico ano em que “the punk broke” na música, do Nirvana, do grunge, do “rock alternativo” americano das college radios, do Lollapalooza itinerante e da MTV, que bombava master. Foi nesse cenário que a Goldenvoice, pensando em criar um festival para ir além da produção de shows em casas, “achou” o campo de pólo de Índio. Neste ano, experimentaram fazer um show do Pearl Jam no meio do deserto e juntaram lá 25 mil pessoas, no conhecido “show dos sapatos”. Essa história toda é bem contada no documentário. O Coachella mesmo, como festival, teria sua primeira realização muitos anos depois, em 1999.

* No filme, quando o foco é o primeiro Coachella, de 1999, aparece o Morrissey cantando bom trecho da fantástica “November Spawned a Monster”, vestindo uma camiseta do time inglês West Ham e com a galera subindo ao palco emocionada para abraçá-lo. Quando o Morrissey era um ser maravilhoso por completo.

* O Coachella 99, que teve Rage Against the Machine, Beck, Tool e Chemical Brothers como atrações principais, foi realizado para 35 mil pessoas “só” com cinco palcos e em dois finais de semana. E não teria a edição do ano seguinte, porque a Goldenvoice perdeu tipo 1 milhão de dólares na empreitada inicial e a empresa quebrou. Ou quase. E pela segunda vez (a primeira foi quando o trafica-fundador foi preso). Não quebrou meeesmo porque o Rage e o Beck deram um bom desconto em seus cachês, na hora em que o Coachella apresentou as contas e disse que não ia dar para pagar o combinado. E também porque uns produtores do Lollapalooza, amigos, apareceram para ajudar financeiramente a Goldenvoice, na linha “toma aqui e devolva quando puder”.

* O surgimento de um parceiro milagroso e inesperado fez o Coachella voltar a ser realizado em 2001, apesar do caminhão de dinheiro perdido na primeira edição. E um dos headliners foi exatamente o brother Perry Farrell e seu Jane’s Addiction, reformado exclusivamente para o Coachella daquele ano (último show oficial mesmo tinha sido em 1991, apesar de algumas tentativas de reunião que não levaram a banda à frente). “Pobre”, o festival teve apenas um dia de realização e deu prejuízo de novo, mas desta vez numa quantia “controlável”, segundo a Goldenvoice. Logicamente o número de público foi menor que o do primeiro festival: 30 mil pessoas. Mas fazer o festival em 2001 fez a roda do Coachella realmente começar a girar. E a pequena revolução do novo rock, Strokes e a cena de Nova York + White Stripes, quem diria, ia dar uma grande contribuição à sustentação do Coachella.

* Imagens maravilhosas de shows antigos: Bjork cantando grávida ao vento em 2002; e os maravilhosos The Rapture (na tenda Mojave) e White Stripes (no palco principal) em 2003 são de fazer chorar de nostalgia. E eis que chega 2004, o primeiro ano em que eu fui ao festival, e o Coachella passa a dar lucro. Também, com o line-up daquele ano…

Captura de Tela 2020-04-20 às 6.27.40 PM

* A estupenda volta dos Pixies (acima), Radiohead e Kraftwerk são as estrelas do primeiro dia do Coachella 2004, o sábado. Com The Cure encabeçando o domingo, muita gente saiu de Los Angeles rumo ao deserto para ver esta edição. Tem imagens lindas do Radiohead mas os Pixies ganham um “capítulo” lindo no documentário.

* A brincadeira da “banda que volta” pegou, e o Coachella fez o lendário grupo pós-punk inglês Bauhaus reformar e ser um dos grandes nomes da edição 2005. O doc traz a espetacular cena de Peter Murphy entrando como um morcego no palco, pendurado de cabeça para baixo por um cabo de aço, cantando a mítica “Bela Lugosi’s Dead”. É impagável a banda contando que a ideia original era soltar centenas de morcegos no começo do show. Mas que, ainda bem, optaram pelo cabo. Mas aí tinha um outro problema: uma pessoa, eles disseram, só aguenta 15 minutos de cabeça para baixo antes de desmaiar. E a música era longa. Coldplay era o headliner deste sábado. Nine Inch Nails liderava o domingo.

* Trechos de shows lindos do LCD Soundsystem, da saudosa Amy Winehouse, Rage Against the Machine – A volta (2007), MGMT (2014), MIA crescendo no festival (cada um de seus três shows do Coachella foi em palcos diferentes), Kendrick Lamar mais recentemente.

* A história de botar a Madonna no Coachella indie é muito boa e está no documentário. E ainda fazê-la tocar/cantar/dançar na tenda dance (na real eletrônica) parecia muita loucura. Mas o Coachella foi lá e fez, em 2006. Massive Attack era o headliner daquele dia. Depeche Mode estrelava o outro. O Coachella virava um festival gigantesca e passava a gerar dezenas de festivais pelos EUA, que até então era pouco ou nada representativo nessa categoria “inglesa” de evento.
O que não tem no documentário, mas a gente conta: enquanto Madonna provocava loucuras na tenda dance, no mesmíssimo horário o brasileiro Seu Jorge se apresentava em um dos outros palcos do festival. E foi estimado que 30 mil pessoas ficaram lotando dentro e as imediações da tenda da Madonna, cuja capacidade real era de 12 mil pessoas. Imagina o fervo.

* Agora megafestival, o Coachella 2007, o do Rage, show que eu quase morri (conto outra hora), foi para três dias de realização, acrescentando a sexta-feira. Exatamente essa sexta incluída, teve a volta do Jesus & Mary Chain, Interpol e o primeiro grande show no deserto da Califórnia do Arctic Monkeys, tudo debaixo da headliner Bjork. Que dia para se estar vivo e no deserto. O sábado marcou tambem a ascensão dos canadenses Arcade Fire rumo ao status de headliner (já tinham feito a espetacular estreia em 2005 e seriam atração principal em 2011, no famoso show das bolas). O Coachella foi para “outros lugares” em 2007, botando o DJ Tiesto no palco principal.

* O documentário do festival dedica um capítulo inteiro para a colossal tenda eletrônica, a Sahara, e como o mito do DJ, aliado à popularização das raves na Califórnia e a EDM tomando conta de tudo, caminhou junto com o evento. No meio dessa construção tem uma apresentação lendária do duo francês Daft Punk em 2006 (pulei aí em cima de propósito). Toda a cena eletrônica, os indies e até o pessoal do hip hop falam dessa performance da dupla de robôs, que antes de entrar no palco botou o tema do “Contatos Imediatos de Terceiro Grau” para ecoar por alguns minutos e a expectativa da aparição deles no palco ficar insuportável. Um show do outro mundo. O cenário da apresentação era o da pirâmide, que viria para o Brasil no Tim Festival. O famosão Steve Aoki disse que Daft Punk no Coachella 2006 mudou sua vida para sempre.

* Obviamente tem o capítulo do Coachella e o hip hop. Desde que o Invisibl Skratch Piklz, do incrível A-Trak, tocou na primeira edição numa tendinha, no Coachella 1999. Entre outras coisas, tem a primeira vez do Kanye West no festival, em 2006, com o rapper perdendo 20 minutos de seu show porque estava “no trânsito”. Sua banda já estava fazendo um som no palco, aleatório. Kanye chegou já cantando, esbaforido, e quis continuar a apresentação além de seu tempo, mas não deixaram. Ele voltaria em 2011 como atração principal e com um show gigantesco.

* 2011 aliás teve o “encontro” de Kanye West com Strokes como headliner do domingo. Este Coachella em especial ficou sold out em menos de uma semana. Além do Arcade Fire (sábado), o grupo Kings of Leon foi o outro headliner (sexta). A bombação era tanta que em 2012 fizeram a loucura de botar o mesmo line-up de um fim de semana para repetir no seguinte. E deu certo.

* Em 2012, Dr. Dre e Snoop Dogg se juntaram para fazer um show “all-stars” de hip hop, recebendo o falecido Tupac Shakur em holograma. Seria histórico? Seria de gosto duvidoso? O Coachella foi lá e fez. O Obama citou, virou desenho do South Park. Bingo! Fora que a parada foi sensacional e estranha na mesma medida.

* Chegamos à terceira evolução do Coachella, para a música de hoje, Travis Scott, Tyler the Creator, Billie Eilish, os shows transmitidos no Youtube e tal. A industrialização do Coachella como espaço para selfies de influencers com viagem bancada por marcas. A invasão chinesa.

* Vai tudo até os shows da Beyoncé em 2018, a primeira mulher negra a ser headliner do festival, que talvez feche uma era rica para o Coachella falido de 1999. E comece outra, porque em 2019 o festival deu grande destaque para as Black Pink, grupo de meninas do k-pop. Fodeu?

* Se você ainda não viu esse documentário do Coachella no Youtube, pare o que está fazendo e vá ver.

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M. Ward deixa o She & Him um pouco de lado e vira um contador de histórias em novo álbum solo

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Uma das metades do She & Him, dupla que forma com a atriz fofura Zooey Deschanel, o músico e produtor M. Ward lançou nas primeiras horas desta sexta-feira seu sexto disco solo.

“Migration Stories” tem 11 faixas novinhas e foi gravado na companhia dos músicos Richard Reed Parry e Tim Kingsbury, do Arcade Fire. A produção ficou a cargo de Craig Silvey, também com trabalhos ligados à banda canadense e ao Arctic Monkeys.

M. Ward conta que o disco é sobre histórias que se entrelaçam. “Acho que a música, subconscientemente, seja escrevendo ou ouvindo, é um filtro para mim. Ela me ajuda a processar todas as más notícias em algo novo para construir. Alguns registros para mim são como profecias auto-realizáveis, visualizando mudanças para desejar que algo ocorra. Esses registros inspiraram este disco”.

O projeto pode ser conferido abaixo.

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Win Butler invade a internet e mostra trecho de uma música inédita. Seria uma nova do Arcade Fire?

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Líder do incrível Arcade Fire, Win Butler parece ter aproveitado a quarentena para botar algumas de suas demandas em dia.

Ele resolveu colocar em seu canal no Instagram o trecho instrumental de uma música inédita. Sem dar muitos detalhes, ele apenas disse que “às vezes levam-se 20 anos para escrever uma música”.

Muitos fãs acreditam (e estão torcendo para) que a gravação possa ser uma nova canção do Arcade Fire, que estaria trabalhando em seu sexto álbum de estúdio. O último disco cheio dos canadenses é “Everything Now”, lançado em 2017.

Saw someone ask if you could listen to Wins story without an instagram account so whoever asked here ya go from r/arcadefire

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Em podcast sobre basquete, Win Butler entrega que o Arcade Fire deve lançar novo material “em breve”

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O incrível Arcade Fire, parece, não passará o ano de 2019 em branco. E quem confirmou a notícia foi nada menos que Win Butler, líder da trupe.

Fã de basquete, Win participou de um podcast voltado para o gênero, o The Ringer NBA Show. Torcedor do New Orleans Pelicans e jogador amador, o vocalista da banda canadense disse que o grupo está “trabalhando em uma faixa”.

Perguntando se há a intenção de se lançar algum projeto ainda este ano, ele disse que “sim” e que isso será divulgado até certo ponto em breve. O último disco do Arcade Fire é “Everything Now”, lançado em 2017, álbum que trouxe o grupo ao Brasil para um grande show no Anhembi.

A participação de Win começa perto do minuto 38:00.

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