Em Arctic Monkeys:

“Peaky Blinders”: melhor série, melhor trilha sonora

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* Entrou recentemente em cartaz no Netflix a excelente série inglesa de gângsteres “Peaky Blinders”, drama produzido pela BBC com muito sangue e algum romance baseado em fatos reais que se passa na Birmingham dos anos 20 e experimentou uma espécie de cult no Reino Unido, quando estreou, em 2013. “Peaky Blinders”, estrelada pelo ótimo ator irlandês Cillian Murphy (foto abaixo; ele está no filmaço “Dunkirk”), chega agora ao Brasil já com suas três temporadas completas (2013, 2014, 2016) ao mesmo tempo que a quarta começa na TV britânica, trazendo o oscarizado Adrien Brody no elenco. A quinta temporada, para o ano que vem, está garantida.

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O tiro é curto, passa logo e deixa saudade. Cada temporada da série tem apenas seis episódios. O que a torna mais ainda cultuada, talvez.

O cenário é bem inflamado. Pós-Primeira Guerra Mundial, briga de gângsteres variadas, polícia corrupta, surgimento do IRA, Winston Churchill querendo botar moral nas cidades grandes, o comércio ilegal de bebidas e armas de fogo, o submundo das apostas e a “familiarização” da cocaína são alguns dos combustíveis que literalmente tornam “Peaky Blinders” bombástica.

Mas outro grande destaque, que fala alto aqui na Popload, é sua absurda trilha sonora, quase toda ela comandada por músicas muito bem colocadas do fantástico Nick Cave e de PJ Harvey, nossa musa de recente visita. Não tire do foco que o ambiente do seriado é o nada-indie anos 20. E nada melhor que musicar os anos 20 com… guitarras.

White Stripes foi muito recorrente na sonorização da primeira temporada. Raconteurs, outra banda de Jack White, também teve forte presença. Até Dead Weather surgiu em um momento.

Para você sentir o naipe do estilo de quem juntou clima de gângster e alta música independente, Tom Waits e Johnny Cash estão presentes.

The Kills, “música de gang” garageira perfeita, tem sua participação. Queens of the Stone Age surge numa cena da terceira temporada. Até novos como Royal Blood e Laura Marling foram bem selecionados. Até Radiohead tem!! Até Black Rebel Motorcycle Club.

Em um certo período da segunda temporda e em toda a terceira, quem manda no som é o grupo Arctic Monkeys. Um Last Shadow Puppets tem sua vez também.

Na quarta-feira passada, enquanto o lindo Popload Festival botava PJ Harvey para tocar aqui, lááá na Inglaterra estreava na BBC a quarta temporada de “Peaky Blinders”. A trilha sonora do primeiro episódio do novo rolê dos gângsteres?
Savages, YAK, Peter Yorn, o ótimo Foxlane e Fidlar. Fidlar!!!!!

Quero ser amigo forever de quem é responsável pela trilha de “Peaky Blinders”.

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No karaokê com o barbudo Alex Turner. Cantando… Santana

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* Tem uma zoeira no futebol que, quando um time está bem ruim das pernas, em crise, e alguém vê algum jogador dessa equipe, ou o técnico, ou o presidente, num restaurante, vem logo o comentário tristemente engraçado: “O time nessa draga e o cara está jantando?…”, como se o infeliz não pudesse fazer suas refeições por causa da crise.

Me lembrou de uns comentários desses lamentáveis de Facebook (“Aquela Outra Rede”), neste final de semana, só porque o “pobre” do Alex Turner, nosso herói indie capitão do Arctic Monkeys, agora em versão barba, foi pego em vídeo num karaokê, cantando um sucesso do Santana.

“Pô, o Arctic Monkeys não lança um disco novo desde 2013 e o cara vai cantar num karaokê?”

O Turner no karaokê apareceu na conta de Twitter do site espanhol de música indie Binaural e propagou pelos quatro cantos. Ele mandou bem sua versão vocal de “Smooth”, hit dos anos 90 do guitarrista famosão Carlos Santana em parceria com o Rob Thomas, do Matchbox Twenty, que toca que nem praga desde então nessas rádios de músicas ~fáceis~.

O Arctic Monkeys, dizem, está em Los Angeles desde o começo do ano preparando o sexto álbum, que vem suceder o discaço “AM”, de quatro anos atrás. Em maio, vazaram umas fotos deles em LA, em estúdio ou “curtindo a cidade”. Mas sem muitas explicações de disco, lançamento e tals.

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Mais Iggy Pop + Josh Homme + Matt Helders ao vivo na TV: “Break into Your Heart”

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* Surgiu ontem, via programa do ultimmente onipresente Stephen Colbert, mais uma faixa inédita da maior superbanda formada recentemente, que consiste na reunião do titã Iggy Pop e do deus Josh Homme, com um arcticmonkinho no meio. “Break into Your Heart” vai estar no álbum “Post Pop Depression”, um dos discos mais comentados deste curto ano, que estará disponível aos mortais a partir de março, dia 18.

Do álbum, já foi revelada a canção “Gardenia”, durante o programa de cinco dias atrás. Mas Colbert guardou uma performance exclusiva para a internet, revelada no feriado paulistano.

“Break into Your Heart” começa em solo vocal do poploader Iggy Pop, mas ganha um pequeno “duelo vocal” com Homme chegando junto a partir do meio da música. Com o “violento” baterista do Arctic Monkeys, Matthew Helders contido, quase um “baterista normal”. “Segura a onda aí, rapá”, deve ter dito o vovô Iggy para ele.

Incrível como a voz de Iggy Pop ainda causa estragos ao pop, principalmente quando dela vem coisas como “I’m going to break into your heart/ I’m going to crawl under your skin/ I’m going to break into your heart and follow/ Until I get under your skin/ And the wall comes tumbling down/ And you finally let me in/ I break into your heart.

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Monkeys, Arctic Monkeys – A estreia do “007” e o que a banda do Alex Turner tem a ver com isso

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* Popload também é viagem. Estava eu conversando com meu amigo Eduardo Palandi e…

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Acaba de entrar em cartaz nos cinemas do planeta, Brasil incluído, a megaprodução “007 contra Spectre”, vigésimo-quarto filme de James Bond, o espião que manteve o cool factor da Inglaterra até em seus piores momentos no pop – mesmo quando os Sex Pistols e os Smiths pediam a cabeça da rainha, 007 se manteve fiel a ela. Este novo “Spectre”, por sua vez, traz uma conexão com… o Arctic Monkeys.

No novo filme, o agente vivido por Daniel Craig se enrosca com três Bond girls. Na sequência de abertura, na Cidade do México, ele participa (fantasiado!) dos festejos do Dia dos Mortos (foi na segunda passada!) com a atriz Stephanie Sigman, que entrou no imaginário indie depois que estrelou de maiô fritando um bife o vídeo de “Snap Out of It”, maravilha do disco “AM”. E odiando muito o Alex Turner.

Você se lembra dela além do vídeo da banda de Alex Turner. O fato de a moça ser mexicana foi um argumento que o site Pitchfork usou, meses atrás, para falar da “Monkeymania” na América Latina – o problema é que, no Brasil, ninguém sabia quem era a gata do clipe.

Mais recentemente, fez a repórter de TV gostosona que seduzia o Pablo Escobar na série “Narcos”. O que equivale a dizer que o “nosso” Wagner Moura conheceu bem a Sigman.

E nem é a primeira vez em que James Bond e Arctic Monkeys se cruzam: na abertura das Olimpíadas de Londres, em 2012, 007 escoltou Elizabeth II do Palácio de Buckingham até o Estádio Olímpico – quando sua majestade chegou de paraquedas e abriu a cerimônia… que teve o Arctic Monkeys mandando “Come together”, dos Beatles, e sua inesquecível “I Bet You Look Good on the Dancefloor”, hit que acabou de completar 10 anos.

Com tudo isso, fica a torcida: que tal se o Arctic Monkeys assinasse o tema do próximo filme de James Bond? Garbage, Duran Duran, Jack White e Chris Cornell já tiveram a honra. E “Writing’s on the Wall”, que Sam Smith gravou para “Spectre”, é um dos temas mais fracos dos filmes de 007…

Assim:

* Bond e a rainha chegando de paraquedas

* Arctic Monkeys tocando Come together na abertura das Olimpíadas

* Stephanie Sigman falando sobre ser Bond girl (tem uma parte da cena dela)

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Arctic Monkeys e os 10 anos de uma certa revolução musical. Que até hoje está em curso!

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AM em sua primeira capa da NME, duas semanas após o lançamento do primeiro single

Já perdi a conta de quanta coisa legal faz “dez anos” em 2015. E olha que ainda teve os dez anos daqueeeele TIM Festival, comemorados ontem (aquele que trouxe ao Brasil um lineup “fraco”, com apenas: Wilco, Strokes, Arcade Fire, Kings of Leon entre outros).

Em 2005 também saiu o primeiro single da então quase que desconhecida banda de Sheffield que tinha quatro garotos espinhudos na formação e chamava Arctic Monkeys. Banda surgida pós-loucura Libertines, Strokes e White Stripes, quando a gente achava que a “salvação do rock” estava nas mãos dessa trinca que unia Julian Casablancas, Jack White e Pete Doherty. E daí, do nada (mesmo), aparecem esses moleques (mesmo) do interior da Inglaterra.

Hoje, lendo um texto do jornal britânico “The Guardian” sobre os 10 anos exatos do lançamento de “I Bet You Look Good on the Dancefloor”, achei o título forçadíssimo. Ele diz, em tradução minha: “Como o single de estreia do Arctic Monkeys derrubou a indústria da música e ‘matou a NME'”.

Na matéria, a jornalista Laura Snapes fala com Conor McNicholas, editor da NME na época. McNicholas diz que a grande diferença da NME e de um jornal qualquer que cobrisse música era que a NME sabia do que estava falando. Ela sabia o valor (e as consequências) de bandas como Strokes e Libertines para a música. Até que chegou o Arctic Monkeys e atropelou todo mundo e deixou até a revista mais antenada da Inglaterra comendo poeira.

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Arctic Monkeys em 2005…

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… em em 2015.

>> Corta para a Popload.

Por achar essa chamada um pouco exagerada demais, fui buscar em nossos arquivos o primeiro texto meu sobre a banda, e destaco aqui o segundo, uma semana e meia depois do lançamento. Em 4 de novembro de 2005, o foco do texto, ainda no jornal “Folha de São Paulo” e em forma de coluna, era exatamente o mesmo: a bagunça virtual criada pelo Arctic Monkeys e onde isso iria parar.

Onde parou a gente meio que sabe, mas, na época, até MP3 eu tive que explicar o que era (lembrando que se tratava de uma coluna em jornal físico, desses de papel, lembram?). O texto começava assim:

“Toda semana tem um assunto novo sobre a revolução musical na era digital. Aí, na semana seguinte, o tal assunto novo fica velho porque um outro mais novo apareceu. Embarca aí, que eu vou contar a última, porque, até meu e-mail aparecer lá embaixo, já deve ser notícia com validade vencida. “MP3? Eu amo MP3! É com ele que eu posso encher meu iPod de músicas legais”, é o que acha o baterista do Arctic Monkeys, a banda-sensação da Inglaterra. MP3 é a música comprimida em arquivo, inventada por cientistas alemães em 1997. O Arctic Monkeys é grupo de quatro moleques amigos de escola de Sheffield, Inglaterra, que vem provocando programas de rádio e artigos de jornais na Europa, por causa desse negócio de MP3, internet e essas coisas que devem dar um nó na cabeça dos caras do Metallica, que mandaram prender o inventor do Napster sem saber que estavam dando um tiro no pé.”

“Esse negócio de MP3”, somado ao sucesso absurdo da banda dentro do MySpace (eu também explicava o que era isso na matéria – “um Orkut para quem gosta de música”), aos amigos que espalhavam os CDs da banda pela cidade e dentro de ônibus, subiam os arquivos nos blogs e fóruns de discussão… tudo isso fez quem com Alex Turner, da noite para o dia, assinasse com a gravadora indie Domino (que havia recém-lançado Franz Ferdinand). Ainda segundo o “Guardian”, logo no primeiro show dos AM no Reading Festival, todos os fãs sabiam cantar as músicas da banda. “E ninguém precisou fazer absolutamente nada”, lembra McNicholas.

O primeiro disco, Whatever People Say I Am, That’s What I’m Not, lançado em 2006, bateu o recorde de vendas de um disco de estreia na Grã-Bretanha, perdendo o posto depois para Leona Lewis em 2007 e Susan Boyle em 2009.

Em meu texto, eu mencionava algo parecido (nas devidas proporções, obviamente) que acontecia por aqui:

“Enquanto isso, no Brasil, uma gravadora virtual, a Peligro, importa o tal single-bomba do Arctic Monkeys e passa a vender HOJE por aqui, a preço camarada estimado de R$ 12. Isso no mesmo período em que o Cansei de Ser Sexy, banda que se fez na internet, lança seu primeiro disco dando de bônus um CD virgem, para ser “queimado” com suas músicas e distribuído a amigos.”

Na verdade, 2005 não parecia tão longe assim e foram tantos os exemplos de “sucesso na web” depois disso (Lilly Allen seguiu a mesma receita, Mallu Magalhães também) que esquecemos quem liderou a onda. Mas foi o Arctic Monkeys, que, usando as palavras do Guardian, “provou na prática que oferecer música de graça não era suicídio”, muito pelo contrário.

Irônico pensar que exatamente dez anos depois (e mais de 60 depois de sua primeira edição), a NME também passou a ser de graça. Em 2005, eu concluía:

“Coisas que dá para saber: em 2004, cerca de 6 milhões de músicas “sofreram” download no mundo. Em 2005, até setembro, o número chegava a 7 milhões.
Coisas que não dá para saber: onde isso vai parar e quais serão as dimensões do impacto desta revolução musical, que ainda está em pleno curso.”

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“Parece que o jogo virou, não é mesmo?

Continuo sem saber onde isso vai parar, mas eis onde estamos e onde eu também nunca imaginei estar: * aquele papel da NME (e incluo o da Popload aqui também) de descobrir banda novas e de bombá-las é agora de apps de música e de serviços como –quem diria– uma RÁDIO online como a Beats 1, da Apple. * O Spotify e outros serviços de streaming possibilitam que você ouça qualquer álbum a qualquer hora, de graça. * Nem resenhas, nem o crítico parecem importar mais: ninguém precisa disso para saber o que ouvir, de onde uma banda vem, quem é a próxima grande salvação da semana. * E agora ainda tem Facebook, Twitter, Snapchat, Instagram, Vimeo, Periscope… e inúmeras redes sociais que eu nem cheguei a conhecer e que espalham conteúdo organicamente ou não, musical ou não, mas que conseguem atingir milhões de pessoas simultaneamente. * Pensei nisso na quinta-feira passada. Estava no Audio Club vendo a passagem de som do Iggy Pop. O empresário dele, serião e de olho na galera, não permitia fotos e muito menos vídeos. Abordava todo mundo, um a um, pedindo que a equipe presente desligasse os celulares. Nem cinco minutos depois da passagem de som acabar, eu recebo no meu Whatsapp um vídeo da passagem de som que eu acabava de ver, vindo de um amigo de Minas Gerais. Dez anos depois, eu ainda me espanto com esse tipo de coisa. E não vejo a hora de voltar a este texto em 2025, juro.

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