Em Arctic Monkeys:

Baú dos sonhos! Com Arctic Monkeys, Wilco, Sonic Youth e grande elenco, NPR libera áudios de mais de 100 shows realizados no clubinho 9:30, de Washington

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Entre os anos de 2005 e 2017, a NPR, rede de rádios norte-americana, tinha em sua programação uma série de performances ao vivo, registradas no famoso 9:30 Club, um dos principais redutos indies de Washington.

Com essa história de pandemia toda, a rede resolveu liberar em áudio mais de 100 SHOWS destes 12 anos relatados. tudo de graça, também em celebração aos 40 anos de fundação do clubinho.

Entre os registros estão shows de bandas como Sonic Youth, Arctic Monkeys, The National, Wilco, The Raconteurs, the Black Keys, Yeah Yeah Yeahs, James Blake e muito mais.

A lista completa de shows pode ser conferida abaixo.

2005

Bright Eyes
Bloc Party
David Gray
Lucinda Williams
Secret Machines and Kings of Leon
My Morning Jacket
Son Volt
Death Cab For Cutie
Calexico and Iron and Wine

2006

Belle and Sebastian and The New Pornographers
Arctic Monkeys
Yeah Yeah Yeahs
Neko Case
Toots and the Maytals
Mogwai
The Walkmen
Sonic Youth
Gomez
Fiery Furnaces
Sleater-Kinney
Regina Spektor
Jenny Lewis
The Black Keys and Black Angels
OK Go and French Kicks
Cat Power
Ray LaMontagne

2007

Emily Haines and the Soft Skeleton
The Good, The Bad & The Queen
Explosions In The Sky
Ted Leo and the Pharmacists
Low with Loney, Dear
The Frames
Ben Gibbard
Andrew Bird
The National
Richard Thompson
The Polyphonic Spree
Femi Kuti
Travis
Glen Hansard and Marketa Irglova from the film Once
Gogol Bordello
The Apples in Stereo
Rilo Kiley
Animal Collective
Iron and Wine
Jose Gonzalez
Josh Ritter
Stars
Spoon
The New Pornographers
Nickel Creek
Broken Social Scene
The Hold Steady

2008

Wilco
Stephen Malkmus and the Jicks
Nada Surf
DeVotchKa
The Raconteurs
The Ting Tings
Spiritualized
Of Montreal
Conor Oberst And The Mystic Valley Band

2009

Andrew Bird
Animal Collective
Dan Deacon
Metric
The Dead Weather
M. Ward
Sunny Day Real Estate
The Gossip
Dinosaur Jr.
Benjamin Gibbard and Jay Farrar

2010

Shout Out Louds
Public Image Ltd.
The New Pornographers
Superchunk
The Tallest Man On Earth
Deerhunter
Jonsi

2011

Best Coast and Wavves
Bon Iver
Beirut

2012

The Kills
JEFF The Brotherhood
The Soul Rebels
Galactic
Kishi Bashi
Of Montreal
fun.
Spiritualized
M83
Best Coast
Wye Oak
Dirty Projectors
Patrick Watson
Grizzly Bear

2013

James Blake
Volcano Choir
Marijuana Deathsquads
Poliça

2014

Future Islands
tUnE-yArDs
Sylvan Esso

2015

Sleater-Kinney

2016

Glen Hansard, Sharon Van Etten, Kishi Bashi, Laura Gibson, The Suffers, and Dan Deacon
Savages
Explosions In The Sky
Lucius
Warpaint

2017

Gaby Moreno
Robert Glasper and Bilal
Kronos Quartet
Margo Price
Bon Iver
Jeff Tweedy
Tank and the Bangas

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De David Bowie a Oasis, Jools Holland oferece vídeos nostálgicos para amenizar a quarentena

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Seguindo o exemplo da rádio californiana KCRW, a turma do programa Later With… Jools Holland, programa essencial de música da BBC há décadas, tem colocado em seu canal do YouTube apresentações históricas nos últimos dias, para deixar a quarentena menos xarope.

De uma semana para cá, foram rebuscados vídeos de apresentações de Paul Weller (2000), Oasis (1995), Bjork (1996), Kanye West & Charlie Wilson (2013), Arctic Monkeys (2005).

O panorama de nostalgia disso tudo pode ser conferido abaixo.

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Arctic Monkeys entra hoje na onda dos shows antigos transmitidos. Mas em rádio

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* A queridinha banda inglesa Arctic Monkeys, do queridinho Alex Turner, finalmente vai aparecer no meio da quarentena. Não é live, não tem Youtube. Eles vão aparecer só em áudio. Hoje, a Radio X inglesa retransmite um famoso show do grupo de Sheffield em Londres, em maio de 2014, às 8 da noite no Reino Unido, 4 da tarde aqui no Brasil.

Esse show, do dia 24 de maio daquele ano (a Popload esteve lá), foi o segundo que a banda fez no parque do norte de Londres dentro da turnê mundial do excelente álbum “AM”, lançado no ano anterior. Na verdade foi um minifestival liderado pelos Monkeys, que botou ainda para tocar todos os brothers deles: Tame Impala, Miles Kane e Royal Blood.

Captura de Tela 2020-05-08 às 11.12.39 AM

Essa segunda das duas apresentações no Finsbury Park (a outra foi no dia anterior, 23/5) mesclou músicas do “AM” com um desfile de hits dos quatro álbuns anteriores da banda, mais uma música do Last Shadow Puppets, com a óbvia presença no palco do guitarrista Miles Kane.

O show, a ser reprisado hoje na X, foi isto:

‘Do I Wanna Know?’
‘Snap Out of It’
‘Arabella’
‘Brianstorm’
‘Don’t Sit Down ‘Cause I’ve Moved Your Chair’
‘Dancing Shoes’
‘Library Pictures’
‘Crying Lightning’
‘I Bet You Look Good on the Dancefloor’
‘She’s Thunderstorms’
‘No. 1 Party Anthem’
‘Why’d You Only Call Me When You’re High?’
‘Fireside’
‘Cornerstone’
‘Knee Socks’
‘Fluorescent Adolescent’
‘505’
‘Standing Next To Me’
‘One For The Road’
‘I Wanna Be Yours’
‘R U Mine?’

* A Radio X pode ser sintonizada a qualquer momento daqui do Brasil por seu site ou em dezenas de apps de rádios disponíveis.

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O que a gente aprendeu com o Lollapalooza 2019. E como isso pode afetar o futuro do festival. E, claro, os principais shows deste ano

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* Massacre para as pernas, quantidade cavalar de informação que é difícil de processar toda, superexposição visual e de sentidos, chuva, raios e sol, 246 mil pessoas represadas em 3 dias para ver 70 atrações, cheia de pulseiras diferentes no braço, subindo e descendo morros e contornando grades, com internet razoavelmente funcionando para gerar a maior quantidade de selfies e fotos de galera da história brasileira, povo chegando de van vip, uber ou trem para desfrutar de todas as áreas oferecidas: a comum, o lounge vip, a vip master e a vip da vip master. Impacto de marcas patrocinadores a cada passo, na roda gigante ou com pacotes de salgadinhos gigantes andando entre o público.
Lá se foi mais um Lollapalooza.

Mais do que uma aventura de se prostrar em frente a palcos para ver shows, ou sentar no sofá para análises profundas em som pastel e clima zero, o Lollapalooza levantou questões sobre o estado de coisas da música atual. Sem pretensão de desfilar aqui verdades verdadeiras sobre o que está acontecendo, porque vai saber o que está acontecendo na música, a gente vai aqui roçar em algumas QUESTÕES provocadas pelo Lollapalooza 2019.

Tipo assim: o Lollapalooza passou, o achismo passou, o gostei-não-gostei passou e, à medida que os shows tendem a esfriar na memória, algumas percepções mais reais começam a esquentar na cachola e podem render ainda muito debate em mesa de bar roqueiro, na lanchonete cool que toca música indie, enquanto você e seus amigos esperam a vez de cantar pop em karaokê ou no Twitter, que centraliza tudo. 

Algumas dessas questões parecem mais evidentes. Se o funk cabe ou não no Lollapalooza é uma delas e parece bem respondida: sim, cabe. E isso veio no meio do surpreendente (para o bem) show do Post Malone, com a bombástica participação do MC Kevin O Chris. Só reforçou o que a participação do MC Bin Laden no show do Major Lazer em 2016 evidenciou: sim, o funk cabe se o festival seguir apostando que sua fórmula é abrigar o que de melhor o pop tiver no momento. A discussão antes da edição brasileira do Lollapalooza era sobre termos o nosso funk representado nas edições estrangeiras do festival e não por aqui. O papo seguirá após o festival, evidentemente, e deve ficar forte próximo das confirmações do line-up do ano que vem. Talvez não tenha mais para onde correr.

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Nessa conta, qual será o futuro de bandas de rock dentro do festival? O Greta Van Fleet entregou um show que convenceu o público enquanto dividiu opiniões de “críticos especializados” e do público do sofá. Claramente tinha a “energia” do rock ali. A banda, ainda que emule um Led Zeppelin descarado, sem o punch e o estilo do grupo lendário porém cumprindo um papel de reboot clássico para novas gerações, segura bem um show diante de um público já gigante, o deles. Mas daí a pensar que o GVF pode ocupar a posição de headliner no futuro parece uma pergunta sem resposta ainda, o que eles ajudam a responder é que o festival ainda tem sede (e reza) por grandes bandas de rock: uma chave onde estão desde bandas mais velhas, pense em Foo Fighters e Pearl Jam, e bandas nem tão novas assim mais, caso do Arctic Monkeys e do The Killers, por exemplo. Você acha um absurdo aparecer um Strokes no topo da lista de 2020, como já apareceu em alguns festivais de fora neste ano, mesmo com a banda sem fazer algo relevante desde, sei lá, o terceiro disco, há mais de dez anos?

Difícil pensar em alguma novidade do rock que arraste uma multidão. Isso, pelo menos, ainda com um som “duvidoso”, ou polêmico, o Greta Van Fleet conseguiu. É claramente uma “banda de festival” já.

Mas voltemos a falar do pop. Esse conceito por si só já muito pulverizado que ficou ainda mais diluído na programação apontando para muitos lados. Parece que não resta nenhuma dúvida de que Sam Smith, Post Malone e Twenty One Pilots possam ser headliners láááá na frente. Até a “pequena” Jorja Smith parece uma estrela ascendente pela fofura que foi a apresentação dela. Goste-se ou não das músicas dessa galera citada, cada um na sua, esses nomes impressionaram no quesito “arrasto de grande público com todo mundo cantando tudo”. Principalmente o último, o Twenty One Pilots, que não é nenhuma novidade mas carrega um frescor de “banda do futuro”. O duo já está gigante, acima de seus parâmetros, nos EUA e na Inglaterra. É a segunda banda do line-up do Reading Festival deste ano do nobre segundo dia, o sábado (abaixo apenas, adivinhe, do Post Malone). E está na primeira linha do gigantesco Lollapalooza de Chicago, a matriz. Colado a megastars como Ariana Grande e Childish Gambino. Uma análise de projeção desta que estamos fazendo para o Twenty One Pilots poderia ser construída, há uns anos e guardadas as pegadas e os estilos, para o Cage The Elephant, por exemplo, que é legal, tem um show intenso e foi trazido ao Brasil pela primeira vez pelas mãos de Dave Grohl. Mas não sei se chegarão mais onde poderiam. Ou prometiam.

Iza e Troye Sivan, por sua vez, já saem do festival com jeito de que podem ocupar posição grande numa próxima vez. Até de principal atração do palco Onix, o segundo maior do Lolla, por exemplo. A primeira se o festival quiser ousar. O segundo por sua vocação enorme de ser bem mais que um músico.

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A questão do indie no Lollapalooza talvez seja a que levanta mais dúvidas quando pensamos nas próximas edições. O Arctic Monkeys provou que segue no jogo, mas apontou para uma sonoridade que não é a mesma que fez o público deles no Brasil ficar enorme, à medida que a banda “envelheceu”. é linda, ainda, mas talvez a curva para baixo tenha chegado. Por outro lado, Kings of Leon, que surpreendente nem fez um show ruim, só pareceu cansado, sem grandes novidades e com pouco fôlego para tomar o lugar que hoje é de grupos clássicos como, de novo, Pearl Jam, Foo Fighters e outros sobreviventes de quando o rock vinha da grande indústria da música, que quase não existe mais. Ou existe sim, mas com nova acepção de “grande”. Por vários motivos, a geração do download encara questões inéditas na indústria. São as primeiras bandas que envelhecem sem apoio massivo do rádio, para ficar em um exemplo. O repertório deles será suficiente para lidar só com nostalgia? Interpol foi lindo, mas quem precisa mais de Interpol olhando-se para o dia de hoje?

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* Sobre alguns shows dos quais queremos falar umas coisas:
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#KendrickLamar

Melhor show do festival? Talvez alguém discorde, mas pelo menos é fato que Kendrick Lamar veio ao Brasil em seu melhor momento na carreira até agora – não duvidamos que seu próximo disco e turnê sejam seu novo melhor momento. Em um show que vai direto ao ponto enfileirando hits e favoritas dos fãs, destaque para roupagem nova que a banda, em especial o baterista, dá para as músicas ao vivo. Quem estava perto do palco tremeu com os graves. Os graves foram um dos “personagens principais” do show do Kendrick, além do próprio e ao lado dos conceitos chinenes do telão, que foram o fio condutor da apresentação. Inclusive os interlúdios, que poderiam esfriar o clima do show com seus pequenos filmes, funcionam muito bem ao dar o tom do humor e do clima que Kendrick Lamar pretende dar a sua apresentação. Se for para reclamar de alguma coisa, algo difícil, talvez seja a opção por tocar músicas onde ele faz a participação especial, ou feat., como você preferir chamar. Trocaríamos qualquer uma dessas por “i”, por exemplo, que deve soar ótima com banda e tudo. Não fez falta, em todo caso. 

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#ArcticMonkeys

Melhor show do festival? É meio impossível falar de Arctic Monkeys no Lollapalooza Brasil sem tecer comparações a sua última visita ao festival – lá em 2012, como headliners da primeira edição. À época, estavam em turnê com o “relativamente fraco” disco “Suck It and See”, mas o vocalista Alex Turner impressionava pela transformação visual que estava tendo: não era mais o nerdão indie de cabelo comprido e cara de mau; tinha virado um greaser meio Elvis, meio James Dean, com jeitão de sedutor. Sua atitude também havia mudado, agora quase parecendo um frontman de verdade, com atitude e presença de palco. De lá para cá, sete anos depois, a transformação está completa: Alex Turner é um frontman completo, digno de ser headliner de festival, já perfeitamente apropriado de seu estilo visual e comandando uma plateia por 1h45 de show. A banda está até mais, argh, adulta. E maior, com dois ou três músicos de apoio que aparecem para encorpar o show, durante toda sua duração.

Alex toca piano desta vez, até para acomodar as canções do mais recente disco. O setlist teve cinco músicas dele, o polêmico “Tranquility Base Hotel and Casino”, ótimo para alguns e intragável para outros. Mas ainda favoreceu bastante o famosinho “AM”, de 2013. No geral, houve um bom equilíbrio entre material recente e antigo, com poucos pontos mornos (a jam após “505”) e poucas ausências óbvias (“The View From the Afternoon”).

A evolução da banda em si ficou óbvia nas músicas mais pesadas: “Brianstorm”, “Library Pictures”, “Don’t Sit Down ‘Cause I’ve Moved Your Chair” e “Pretty Visitors”, eram apenas “legais” em 2012, mas soaram absolutamente destruidoras desta vez, aproveitando todo o poder de distorção e volume que o som tinha a oferecer. Já nos momentos mais melódicos, Alex Turner se deslocou com confiança pelo palco, sem guitarra, facilmente encantando o público (vale dizer) em boa parte feminino. Em um momento, parou à frente de um dos gigantes telões laterais, olhou para trás e deu de cara com seu próprio rosto ampliado. A reação dele foi um “susto”, quase fofo, brevemente humanizando a sua imagem de galã. Se foi uma reação genuína ou ensaiada, não saberemos; mas para o efeito do show, deu certo. E pensar que, lá em novembro de 2011, talvez questionássemos, nesses exercícios de prever o futuro, se o Arctic Monkeys poderia mesmo ser headliner de um festival como o Lollapalooza num país como o Brasil. Né?

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#The1975

Dois anos atrás, quando o The 1975 tocou no palco Ônix às 5 horas da tarde, comentamos aqui na Popload que o show parecia um Michael Jackson sem hooks, ou um The Weeknd sem subversividade — mas que tinham um visual bacana no telão. Agora, em 2019, The 1975 novamente tocou no palco Ônix às 5 horas da tarde, e percebemos que erramos um pouco. A banda é, na verdade, um Sandy & Junior sem graça e moderninho que, de alguma maneira, captou a atenção do público indie – mas continua tendo um telão bacana. Telão esse que, na última música, mostrou frases contendo críticas (supostamente) feitas à banda, como “genuinely laughable”, “lacking the wow factor” e “vacuous arena synth pop”. A ideia, imaginamos, era mostrar que a banda superou as críticas. Virou a “maior banda pequena” da Inglaterra, por causa do disco bem produzidão que lançaram no ano passado. O problema é que as velhas críticas continuam fazendo sentido. A mais coerente é a que aponta que o 1975 parece “banda da Disney”, nos hits, desses que a galera que acompanha a música inglesa desde o britpop costuma ouvir enquanto bota seus filhos pequenos para ver filminho ou desenho e sossegar. Ok, pode ser um choque geracional destes que sempre acontecem. Conhecemos “pessoas confiáveis” que gostam de 1975. Mas enfim.

Bem ao fim, no telão, os dizeres: “ROCK AND ROLL IS DEAD, GOD BLESS THE 1975”. O que uma coisa tem a ver com a outra?

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#St.Vincent

Dentre os vários artistas que retornam ao Lollapalooza Brasil após alguns anos, St. Vincent (ou Annie Clark, como preferir) deve ser a que mais alterou seu show entre visitas. Em 2015 ela veio acompanhada de uma banda completa, trazendo seu disco epônimo (o mais “rock” de sua carreira), e foi espetacular. Para a turnê de seu disco mais recente (e mais pop), “Masseduction”, St. Vincent experimentou dois formatos ao vivo: um com banda de apoio, e outro sem. Aqui, para nós, veio o segundo. Clark ficou sozinha ao palco, cantando e tocando guitarra, com a parte instrumental das músicas vindo de uma gravação. Isso resultou numa atmosfera menos orgânica para a apresentação, ok. Mas mesmo assim não há como reclamar muito além disso. St. Vincent consegue carregar o show sozinha, seja pela sua voz fantástica, pela suas habilidades na guitarra (muitas guitarras, e que ela as projetou e fabricou), ou por seu aspecto visual. O telão ao fundo, que muitas vezes mostrou vídeos relativamente toscos, era mais uma distração. O público reagiu bem à sequência inicial de cinco músicas do disco mais recente, mas ficou mais receptivo com as 5 antigas que vieram logo em seguida. Aliás, vale mencionar: todas essas vieram em versões remixadas, significantemente diferentes das originais, mas ainda identificáveis e boas. Para fechar, uma curta versão a capella de “New York” em homenagem a São Paulo, incluindo as palavras “Rua Augusta” e “Filha da mãe”, logo seguida pela música normal. Volte sempre, Annie Clark.

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#BringMetheHorizon

O primeiro show completo após a paralisação das chuvas do sábado, o BMTH pareceu tocar exatamente o que os fãs queriam, e surpreender o público que estava apenas de passagem. A banda de metalcore (que agora pende mais para um pop rock) tocou com confiança absoluta do início ao fim, independentemente de estarem escalados entre Snow Patrol e Lenny Kravitz em um festival indie. Quando tocam suas músicas mais pesadas, é como um Linkin Park melhorado. Quando tocam as mais pop, é apenas meio ruim. Você pode até não gostar muito do som dos caras, mas é difícil não se contagiar pela atmosfera do show, que alterna entre gente fazendo mosh e cantando apaixonadamente letras melosas. Seria, digamos, 60% guilty pleasure e 40% vergonha alheia, mas 100% valendo a pena assistir, mesmo que um pequeno trecho. Também destacamos aqui o português do vocalista Oliver Sykes, que é casado com uma brasileira, e interagiu quase o tempo todo em nosso idioma. No meio da música “Happy Song”, quando já haviam dois mosh pits de tamanho considerável na plateia, pediu: “Eu preciso mosh pits, não um, não dois, eu preciso três mosh pits. Tranquilo?” E conseguiu.

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#OsBrasileiros

Aqui não cabe a cascata dos Tribalistas. É outra parada.
A pulsante cena independente da música brasileira, e aqui entra de indie instrumental a cantora pop porque a cena é DIVERSA, começa a cavar não só importantes espaços no line-up como atenção idem no geral. Isso já vem acontecendo há algumas edições, mas neste ano elas parecem mais bem cuidadas. Dos brazucas que a gente viu (sim, perdemos uma galera boa), teve o seguinte:

Se teve uma banda que teve sorte no Lollapalooza, essa foi a paulistana E A Terra Nunca Me Pareceu Tão Distante. Tocar 11h55 do último dia de festival é um horário um pouco ingrato para uma banda de rock instrumental (a primeira banda instrumental a tocar no Lolla BR) fazer sua estreia num palco gigante. E ainda rolava a tensão vai-chover-não-vai, mas a idolatria dos fãs do Twenty One Pilots, que fecharia o palco Onix no domingo e desde cedo quis cavar um espaço perto da grade, ajudou a encorpar o público do show dos brasileiros, também com consideráveis fãs presentes para seu tamanho. Ainda sobre os “novos fãs” conquistados pelo EATNMPTD, rolou até gritinhos histéricos tipo: “Tocam muito!”, “Lindos”, “Joga a baqueta para mim”. A banda indie instrumental, à medida que via seu som preencher um palco daqueles, pareciam à vontade por estar ali. Ornou.

A Iza é um monumento no palco. Tocando no menor dos quatro stages, ela parecia não acreditar no tanto de gente que colou em seu show e estava cantando tudo. Além do hit “Pesadão”, que contou com a participação do Marcelo Falcão, a Iza ainda teve tempo de colocar covers tipo “Bad Romance”, da Lady Gaga, e “What’s My Name”, da Rihanna. Rolou até um Natiruts, para a mistura pop se completar. Destaque também para os bailarinos dela, bem entrosados com ela e que parecem não querer sair do palco mesmo quando o show acaba.

A Luiza Lian parecia uma sereia futurista minimalista com um look rosa, pode classificar assim? Acompanhada apenas pelo músico multibanda Charles Txier e um telão com projeções psicodélicas apropriadas para colorir a ocasião, ela fez dos shows mais bonitos do domingo, com um setlist que contemplou as músicas de seu último álbum, “Azul Moderno”. A Luiza é uma artista que consegue navegar e se apropriar de muitos ritmos nacionais. No Lolla, foi o momento de entender a cantora como uma nova princesa do “indie brasilidades”.

O rapper carioca BK bombou a parada, cedão, no palco principal. Foi ao mesmo tempo um show de festa e protesto, sem perder a toada. BK e os meninos do Bloco Sete, que sempre participam de seus shows, são do selo Pirâmide Perdida, que traz basicamente os expoentes do rap BR. Um acerto do festival em abrir uma porta para essa galera. O rapper Luccas Carlos subiu ao palco no fim do show pra se divertir junto dos amigos. Na plateia toda galera do novo rap, como Tassia Reis, Sain e Djonga, acompanhando tudo, empolgados. Irmandade representada. Bloc party particular. Tudo muito certo.

A banda goiana Brvnks teve um pouco do mesmo fator sorte na sexta feira, já que pegou o bonde público do Arctic Monkeys, que chegou cedo para guardar lugar. O show foi um derrame de “indie true”, rápido e às vezes divertido que a gente ama desde os grupos femininos dos anos 90, aqui representado com fofura-punk pela vocalista Bruna, a Brvnks herself. O momento mais tocante foi quando ela se emocionou ao cantar “Fred”, novo single da banda, que é uma homenagem a amigo que faleceu não tem muito tempo. Já “Tristinha”, apesar do nome, animou principalmente as meninas que estavam no público esperando os Monkeys e tipo angariou uma forte representação feminina ao show, espelho do que rola muito na cena. Som bom e engajado saiu dessa apresentação da Brvnks, pequena mas cheia de grandes intenções. Tipo a Letrux, em seu (para variar) showzão no domingo. A mulher é dona do palco, dona dos palcos todos. Cantando, dançando, protestando contra o próprio festival, contra o governo, em nome das mulheres. No palco, seu ótimo álbum “Em Noite de Climão” ganha em peso e força. Mérito da banda que a acompanha, mérito todo dela de encorporar uma artista sem aliviar para nenhum lado. Porque fazer arte, mesmo, ainda mais num país zoado como o Brasil, é isso. E quando você tem músicas boas e um show bom…

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COBERTURA POPLOAD – Lúcio Ribeiro, Fernando Scockzynski Filho, Vinícius Felix e Isadora Almeida (textos). Fabrício Viana e Rodolfo Yuzo (fotos e vídeos).

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Atração do Lollapalooza Brasil, o “frio” Arctic Monkeys “esquenta” 65 mil pessoas em show no México. Hein?

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Foto: Ocesa

Foto: Ocesa

Chega a ser engraçado como algumas coisas sempre caem no lugar comum do jornalismo. Quando o assunto é cultura pop, então… Pois bem. No último domingo, o Arctic Monkeys fez um show gigaaaaaaaaaaante na Cidade do México, onde tocou para nada menos que 65 mil pessoas em um show deles, no estádio Foro Sol, parte anexa da pista de automobilismo local.

Junto com o AM estavam convidados especiais, como a banda The Hives e o fiel escudeiro de Alex Turner, Miles Kane, como atrações de abertura. Daí que começaram a pipocar diversos vídeos da apresentação, com a mexicanada toda emocionada, cantando alto, abafando a banda, entoando até os riffs. Alma latina.

Obviamente o caminho foi procurar pelas famosas reviews de publicações locais para ver qual foi a do show. Junto com as de exaltação, apareceram algumas tipo “os ingleses foram frios”. Haha. Eis aí o lugar comum.

Foto: Ocesa

Foto: Ocesa

A verdade é que os registros denunciam um show no ponto e segurado pelos diversos hinos que os meninos de Sheffield vêm nos oferecendo há mais de uma década, com o Alex Turner encarnando sua persona de galã indie canastrão e a banda tocando cada vez mais pesado.

Pelos vídeos, dá para esperar shows com ares de histórico no Rio de Janeiro (3 de abril, Jeunesse Arena) e em SP (5 de abril, Lollapalooza).

Tudo para ser os shows frios mais quentes do ano, Brasil. Abaixo, alguns registros, incluindo um vídeo que tem o show quase todo.

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