Em arlo parks:

Mercury Prize elege a cantora Arlo Parks o nome do ano na música inglesa. Premiação rendeu várias performances ao vivo legais. Veja

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* Uma das poucas premiações musicais em que a gente bota uma fé, o britânico Mercury Prize aconteceu ontem em Londres, na qual a cantora novinha Arlo Parks foi a grande vencedora, por conta de seu disco de estréia, o ótimo “Collapsed in Sunbeams”, lançado em janeiro.

A disputa para escolher o nome da noite foi grande, segundo os organizadores. Entre outros concorrentes estavam o misterioso SAULT, os indie velhos Mogwai, a banda Wolf Alice e a espertíssima banda de indie quebrado Black Country, New Road e seu disco dèbut lindo.

Mas certamente o que contou a favor de Parks neste grande rol de competidores, foram as bandeiras importantes de diversidades (mulher, negra, bissexual, poeta, ativa na causa mental health) que ela carrega em si, além da excelente coleção de canções do disco.

Em seu discurso fofo de agradecimento, ela lembrou que passava em frente ao Hammersmith Apollo, lugar onde rolou a cerimônia ontem, toda vez que ia para a escola, garotinha.

O bom de prêmios assim, sempre, são as performances especiais ao vivo. A gente destaca, abaixo, boa parte delas.

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Arlo Parks, Black Country New Road, SAULT… Saiu a nobre lista do Mercury Prize 2021, decentíssimo prêmio inglês que elege o disco mais relevante do ano

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* Por aqui não somos muuuuito fãs de prêmios de música, não, tirando obviamente as performances que rolam e tal. Sabe como é, metade é fachada/politicagem, o resto é só um grande auê. Mas sempre abrimos uma exceçãozinha ao Mercury Prize, a principal premiação da música britânica, que hoje anunciou os indicados aos troféus de 2021.

A premiação, que acontece desde 1992 e só tem uma categoria, a de “DISCO MAIS RELEVANTE DO ANO”, não só é escolhida por gente interessante da música (sem ser executivo de gravadora essas coisas) como já deu estatuetas para uns álbuns bem basiquinhos: Primal Scream com o “Screamadelica” foi o primeiro deles, a PJ Harvey levou duas vezes, Arctic Monkeys com “Whatever People Say…” também ganhou, e mais recentemente tivemos Wolf Alice e, no ano passado, Michael Kiwanuka (o mano abaixo em seu momento de glória).

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* Pois bem, quem está no páreo este ano? Um moooonte de gente boa.

Arlo Parks – ‘Collapsed in Sunbeams’
BERWYN – ‘DEMOTAPE/VEGA’
Black Country, New Road – ‘For The First Time’
Celeste – ‘Not Your Muse’
Floating Points, Pharoah Sanders & The London Symphony Orchestra – ‘Promises’
Ghetts – ‘Conflict of Interest’
Hannah Peel – ‘Fir Wave’
Laura Mvula – ‘Pink Noise’
Mogwai – ‘As the Love Continues’
Nubya Garcia – ‘SOURCE’
SAULT – ‘Untitled (Rise)’
Wolf Alice – ‘Blue Weekend’

Já te falamos de vários deles aqui. Aliás, isso rendeu até episódio recente do nosso Popcast com “Os Melhores do Ano (Até Agora) Internacional”, sobre nossos destaques da primeira metade deste 2021.

O Mercury Prize 2021 vai ter seu anúncio via BBC, na TV, rádio 6 Music, radio 1 e redes sociais, no dia 9 de setembro. Enquanto este Mercury 2021 não chega, assista abaixo um pouco sobre cada um dos artistas e relembre a incrível apresentação do IDLES em 2019, just because.

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As apresentações legais do Brit Awards, ontem. Tirando a do Coldplay, que já mostramos

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* Ontem na Inglaterra foi transmitido pela internet o Brit Awards 2021, um dos principais prêmios de música do planeta. O Brit Awards na real foi transmitido para o mundo, porque para 4 mil ingleses foi ao vivo mesmo, do jeito antigo, galera vendo o evento no mesmo lugar, aquela loucura que o covid quer há mais de ano que a gente esqueça como é.

A premiação geral em si, que rolou na majestosa O2 Arena, num dos cantos sul de Londres, foi assim assim. O ator e comediante inglês Jack Whitehall conduziu a noite.

As garotas superpoderosas Dua Lipa, Billie Eilish e Taylor Swift ganharam os delas. Weeknd e Little Mix blablablá. Os discursos foram aquela emoção: “Queria agradecer a minha equipe, aos fãs, à gravadora…”.

Um geralzão de três minutos da noite de ontem está bem resumida neste vídeo legal aqui:

Na parte que nos toca, a novinha Arlo Parks ganhou o prêmio da revelação britânica do ano. Single do ano foi “Watermelon Sugar”, do Harry Styles. “Future Nostalgia”, da Dua Lipa (foto na home), foi o disco de 2020. As irmãs californianas Haim bateram BTS e Foo Fighters no “grupo internacional do ano”.

Mas vamos às apresentações da noite, as que achamos mais bacanas. Umas ao vivo, lá no local, outras gravadas e enviadas de longe:

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Popnotas 2 – Donovan, 75, ganhou uma não-música do David Lynch. Florence versão Cruella. Arlo Parks fazendo o Frank Ocean. E o Feng Suave deixando Amsterdam maaaaaais psicodélica

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Donovan, uma das entidades do folk britânico, o cara que ajudou Lennon a aprender dedilhar sua guitarra, levando o ex-beatle a compor canções como “Julia” e “Dear Prudence”, completa 75 anos nesta segunda-feira. E o aniversário vem com um presente do seu “parça” David Lynch, cineasta autor de “Twin Peaks”, que dirigiu e produziu uma faixa inédita de Donovan chamada “I Am the Shaman”. De acordo com o músico, ele chegou ao estúdio e Lynch pediu que ele tocasse algo que ainda não estivesse totalmente pronto, ou seja um método bem lynchiano – que pesou a mão na pós-produção, invertendo sons e criando atmosferas sonoras.

– Dog days are over para praticamente ninguém, muito menos para a Florence Welch, a dona do Florence and the Machine (e dona do hit da nossa piada horrível que abre esta nota) criou uma música que estará na trilha de “Cruella”, filme que traz a vencedora do Oscar Emma Stone no papel da vilã de “101 Dálmatas”, em um período anterior ao das animações clássicas. “Call Me Cruella” só saí no dia 21 de maio, mas já temos uma prévia deste single, que de acordo com Florence é a realização de um sonho antigo, já que ela aprendeu a cantar com canções da Disney e achava que as músicas dos vilões eram sempre as melhores. Ah, não é a Florence na foto home, hein: é a Cruella (segunda piada horrível).

– E a nossa querida Arlo Parks, a britânica também conhecida como dona de um dos melhores álbuns do ano, sua estreia “Collapsed in Sunbeams”, colou na BBC 1 para uma daquelas sessões com versões mais intimistas. Ao piano, mandou sua “Hurt” e ainda executou um cover do grande cantor americano Frank Ocean, “Ivy”, talvez seu som predileto do Frank, já que ela já tinha feito um cover dela, mas em um esquema voz e guitarra. Lá ou cá, as versões brilham.

– Banda fora do eixo mas já com umas asinhas boas batendo tanto no indie inglês como no americano, o duo holandês Feng Suave, de Amsterdã, lançou sexta-feira passada o vídeo para seu último single, “Tomb for Rockets”, uma psicodelia soul ou um soul psicodélico, dependendo para qual vertente sonora dessa dupla de zero álbuns, algum EP decide pender. “Tomb for Rockets” vai estar no EP novo deles, que sai em agosto. Os Danieis que formam o Feng Suave, Daniel Schoemaker e Daniel de Jong estavam crescendo muito rápido em 2019, num mundo ainda não-pandêmico. Mas aí… Parecem ter saído do Tame Impala, cuja banda é amiga. Andaram tocando na BBC 6Music, com o aval de ninguém menos que mister Iggy Pop. E, na Europa, andaram abrindo show da banda hippie americana e poploader Khruanbing. O vídeo de “Tomb for Rockets”, fofura demais, está aqui embaixo. Vamos ficar de olho neles.

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Popnotas – Só as minas e as músicas lindas, estrelando Jorja Smith, Chvrches, Rina Sawayama e Dua Lipa fazendo Arlo Parks

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– Deu uma saudade aqui do show da Jorja Smith no Lollapalooza 2019. Aquele clima bom, cair da noite. Um show tão foda que ela conseguiu ressignificar a tão-malhada camiseta da seleção brasileira quando apareceu com o uniforme – a banda inteira, aliás, estava uniformizada. Que bom saber que ela voltou com “Be Right Back”, um EP de oito músicas, que dá sequência ao excelente “Lost & Found”, seu álbum de 2018. Deste projeto, já temos dois singles na manga: “Gone” e “Addicted”. As outras seis músicas saem no dia 14 de maio.

A gente por aqui amou a versão que a Rina Sawayama fez com o Elton John de sua “Chosen Family”. Mais alegria em saber que ela tocou uma versão da música em sua recente participação no “Tiny Desk (Home) Concert”. Só que a apresentação não teve nada de pequena. Foi é com banda completa e até uma seção de cordas. No setlist ainda rolaram “Dynasty” e “XS”. Luxo.

– Que maravilha a cover que a musa pop Dua Lipa (foto na home) fez da delicadeza indie Arlo Parks, para o programa “Live Lounge”, da Radio One, da BBC inglesa. A música que Dua Lipa fez performance foi “Eugene”, do álbum de estreia de Parks, o intensamente belo “Collapsed in Sunbeams”, lançado no final de janeiro. Em seu Stories, Arlo Parks afirmou estar “levitando” enquanto ouve a versão da amiga famosa. “Que momento para uma canção tão calma e pessoal que foi feita na sala da minha casa”, falou Parks.

– Olha quem apareceu. A banda escocesa Chvrches, da pequena vocalista enorme Lauren Mayberry. Lançaram hoje “He Said She Said”, primeira música inédita desde o álbum “Love Is Dead”, de 2018. Mataram o amor e sumiram. “Como todo mundo, tive muito tempo para pensar e refletir no ano passado; para examinar experiências que eu havia antes encoberto ou enterrado. Sinto que passei grande parte da minha vida (pessoal e profissional) realizando o ato de equilíbrio desconfortável que é esperado das mulheres, e fica mais confuso e exaustivo quanto mais velha eu fico”, explica o desaparecimento e o novo single a cantora do trio escocês. A música nova é Lauren enfrentando forte a misoginia. “‘He Said She Said’ é minha maneira de avaliar as coisas que aceitei e que sei que não deveria. Coisas que fingi não me prejudicarem. Foi a primeira música que escrevemos quando começamos a voltar, e a linha de abertura (“He said, You bore me to death”) foi a primeira letra que saiu. Todos os versos são versões irônicas ou parafraseadas de coisas que me foram ditas por homens em minha vida. Ser mulher é exaustivo e seria melhor gritar em uma música pop do que gritar no vazio. Depois do ano passado, acho que todos podemos nos relacionar com a sensação de que estamos perdendo a cabeça.” O Chvrches vem com seu quarto álbum neste ano. O projeto já está sendo chamado de “CHV4”, mas não deve ser o título do disco.

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