Em audac:

Popload enquanto MTV. Veja os vídeos novos da CENA: Far from Alaska, AUDAC, Papisa, Kelton, Molodoys e Supervibe

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* I want my Popload.

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A semana foi produtiva, na CENA. Confira abaixo os lançamentos mais quentes em vídeo de bandas indies brasileiras.

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A bandaça FAR FROM ALASKA, de Natal, acaba de lançar o vídeo (foto acima) para seu mais recente single, a porrada “Cobra”, o primeiro a sair do próximo álbum da banda, “Unlikely”, que foi gravado no Oregon, EUA. O vídeo é bem bacana em seus agitos e representações, cheio de chroma-keys e bichos. Estética anos 90, com ângulos modernos. // Eis que de repente temos a volta do AUDAC, banda delícia de Curitiba, com single e vídeos novos, ainda sem muita info se a canção entrar no segundo EP ou no segundo álbum. Ex-quarteto, o Audac hoje é uma dupla, ainda liderada pela voz e teclados de Alyssa Aquino, na companhia do guitarrista Matheus Reinert. “Hollanda” é a canção, uma espécie de brazilian disco carioca atualizada. Para ela, o Audac tem a participação especial do DJ Duda Rezende, o BRZLN AIR. O vídeo tem imagens captadas por Clésius Aquino, o pai de Alyssa, com uma Super-8, no fim dos anos 70 e começo dos 80, em Curitiba, Morretes e Paranaguá. // Na sequência tem a Rita Oliva e seu sensorial projeto PAPISA, com o novo vídeo “Intuição”. Rita, multiinstrumentista e vocalista, toca tudo no Papisa. Não à toa, o vídeo traz várias Ritas. Várias roupas, vários cabelos, várias deusas. // Um dos destaques da cena indie de Brasília, o onipresente KELTON apresentou nesta semana, em lyric video, a lindona “Dançando”, primeiro singe de seu próximo álbum, “Lacunar”, que será lançado em agosto. Este não é exatamente um vídeo, mas a sopa de letrinhas tem a ver. Vá lá. // Uma das músicas mais lokas já feitas no underground brasileiro, “Boitatá”, do quarteto paulistano MOLODOYS, é um indie-folclore (não confundir com “folk”) cheia de fases, que verteu um vídeo bem bom, todo ele filmado no telhado do Centro Cultural Ouvidor 63, no centro de SP, a hoje maior ocupação artística da América Latina, dizem. Psicodelia indie urbana, “Boitatá” é música do disco de estreia da banda de Leo Fazio, “Tropicaos”, lançado no ano passado. Vai de Quarteto em Cy a Sonic Youth sem medo. // Da Brasília de Kelton, mas não exatamente da Brasília de Kelton, temos estreia de vídeo do bom trio novinho SUPERVIBE do Gama, cidade-satélite de BSB, que ainda está chegando apenas a seu segundo EP, “Autóctone”, mas já goza de bom nome na cena candanga, tocando inclusive no último festival Picnik, no mês passado. O vídeo, gravado numa sala da Funarte brasiliense, tem muita interação com a cena local, pois foi gravado por Gustavo Halfeld (Cassino Supernova), teve o Bilis Negra como engenheiro de som e tem agradecimentos a Guilherme Cobelo, o Joe Silhueta. A foto da chamada da home da Popload para este post traz o Supervibe.

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As melhores músicas do ano da Popload – internacional

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Fiz uma regra interna, para os poploaders, que não se podia votar em mais de uma música de uma mesma banda ou cantor ou dupla, porque senão eu iria encher a lista de canções do Disclosure e do Parquet Courts e do Arctic Monkeys. Não pegaria bem o Disclosure ter umas quatro músicas no Top 10…
A única exceção seria o Daft Punk, porque aí já seria demais não botar “Get Lucky” e “Lose Yourself to Dance”, ambas, perto do topo.
Também transformamos a lista das 10 músicas em 20, por fortes razões de consciência e dramas gerais. O ano foi muito bom. O certo seria eu fazer um Top 40 das melhores canções de 2013. Sem ordem de preferência. Daí o ano estaria mais bem representado.
Mas, já que tem que ser, é assim:

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Dá para escrever um livro sobre “Get Lucky”.
Primeiro de tudo: quem iria imaginar que, lá no ano passado, quando foi anunciado que 2013 traria a “volta do Daft Punk”, oito anos depois de seu último trabalho de estúdio, os “robôs” franceses fariam uma música com vocal de um rapper (Pharrell Williams) e desencavaria um toque de guitarra mágico da época da disco music (Nile Rodgers, do Chic)? Soaria maluco, como realmente é maluco.
Depois teve todo o mistério mercadológico. A música pôde ser ouvida num preview de 15 segundos numa propaganda sem aviso dentro do programa humorístico “Saturday Night Live”. O mundo ficou chocado.
Aquele domingo de março ficou marcado como o dia em que se discutiu no universo se o trechinho cortado da canção trazia nas letras algo como “Mexican Monkey”, “Mexican Low Key”, “Mexican Loki” ou o quê.
No mês seguinte, também sem avisar, o duo apareceria nos telões do Coachella, em intervalo de shows, também com “Get Lucky”, também em trecho apenas, mas em vídeo. Era a prova de que os robôs estavam acompanhados de Williams e Rodgers. Outra “ação” que foi um tapa na cara da sociedade musical. Soou, no Coachella, como uma das grandes atrações do festival californiano. Todo mundo parava entre os shows para ficar olhando o telão do palco principal para ver se o Daft Punk apareceria.

Quando se esperava um arrojo musical vindo de uma nova fase do Daft Punk, os caras vieram com uma cançãozinha simples e barata sobre “dancing and fucking”. Sobre se dar bem na noite. Sem pirotecnias sonoras, vocoder comandando a música. Algo bem retrô, mas apontando o futuro. Nada da “rave pop”, como disse o “Guardian” inglês, sobre o tipo de música que assolava as paradas no começo do ano, com DJs famosos fazendo canções para vender ou gritarias e refrões explosivos como Lady Gaga, Jessie J etc.

Lembro que, na expectativa de “Get Lucky” vazar inteira, alguém pegou os 15 minutos disponíveis e, em um “loop trabalhado”, construiu com o que tinha uma “Get Lucky” de três minutos. Toquei essa versão muitas vezes na pista. Ficou demais.

O que mais sobre “Get Lucky”, hein? Que até agora vendeu 8.5 milhões de cópias em download para todas as mais variadas tribos? Que tocou na mais indie das rádios indies americanas e na Metropolitana em São Paulo? Que está no Top 10 da Pitchfork de músicas do ano e ganhou cover de rock que explodiu na internet já no dia seguinte ao seu lançamento, dia 19 de abril? Que foi tocada em streaming 138 milhões e 500 mil vezes no Spotify? E que no fim é uma musiquinha cool malemolente feita pelo Daft Punk, cantada por Pharrell Williams e seguindo a vibe guitarreira de Nile Rodgers?

Como não botar uma música ensolarada dessas em primeiro lugar?

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1. Daft Punk – Get Lucky
2. Arctic Monkeys – Do I Wanna Know?
3. Parquet Courts – Stoned and Starving
4. Disclosure – White Noise
5. Daft Punk – Lose Yourself to Dance
6. Robin Thicke – Blurred Lines
7. King Krule – Easy Easy
8. Lorde – Royals
9. Majical Cloudz – Bugs Don’t Buzz
10. Arcade Fire – Reflektor
11. Drake – Hold On, We’re Going Home
12. David Bowie – Where Are We Now?
13. Sky Ferreira – You’re Not the One
14. Queens of the Stone Age – If I Had a Tail
15. Franz Ferdinand – Evil Eye
16. Vampire Weekend – Diane Young
17. Jagwar Ma – The Throw
18. Haim – The Wire
19. Kanye West – Black Skinhead
20. James Blake – Retrograde

*** FELIZ 2014, GALERA – A Popload não para nunca, você sabe. Pode ser que daqui para o final do ano vamos colocando um postezinho aqui, só para dar um movimento.
Algumas novidades sobre o blog (blog?) vão aparecer logo no começo do ano, stay tuned.
Assim que janeiro chegar, pelo menos dois Popload Gig vão ser anunciados, para dar uma ideia de que o ano começou.
Algumas movimentadas viagens atrás dos bons shows estão programadas logo para janeiro.
Vamos ver como tudo se arranja.
No meio de tudo isso, obrigado pela companhia em 2013. E estamos juntos em 2014! Feliz Ano Novo!

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Os melhores discos do ano da Popload – Nacional

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Não sei se isso é bom (para a cena) ou ruim (para mim), mas nunca ouvi tanta música independente nacional quanto em 2013. Em diversas formas. Banda lançando um álbum inteiro, um EP, só uma música, uma música+vídeo, um crowdfunding para isso e para aquilo. Cara de banda se lançando solo. Gente de banda se juntando a outra gente de banda para formar uma terceira banda. DJ formando grupo. Grupo derivando um DJ. Banda que já tinha acabado (ou que pensávamos ter acabado) voltando. Teve de tudo.

Bandas de Curitiba às pencas, um sem-número delas em SP, estúdios de ponta em Santa Catarina, cena pop forte no Pará, bandas com vocação gringa em Goiânia, agitos electro-indie fortes em Brasília, grupo lançando vinil conceitual no Rio de Janeiro etc etc.

No meio desse melê indie brazuca eu reagi assim a um disco branco com um desenho de um cara na capa que largaram na minha mesa e que ficou rolando por ali até dias depois eu botar para ouvir: “Excelente surpresa da cena paulistana é o disco do ALDO, banda-projeto dos irmãos Murilo e André Faria. O nome Aldo é homenagem ao tio dos Faria, Aldo, segundo eles ‘um doidão dos anos 80, que os fez homens antes da hora’… Tudo funciona de modo impressionante: vocais, batidas, variedade sonora faixa a faixa. De difícil classificação, porque o ritmo no Aldo não é estático, mas “indie-eletrônico” quase disco, quase Cut Copy, quase Blue Orange, não é forçar a barra”.

O nome da banda era o nome de um cara. A foto da capa do CD era um sujeito tipo cabelo black power, caricaturado. A primeira música era quase dois minutos seguidos de um som repetitivo, batidas sequênciais, tudo crescendo até entrar um “James Murphy” cantando “Aldo is a real person. Aldo is a real person. Aldo is a real person. Aldo is a real person. Aldo. Aldo. Aldo”.

Aldo, o cara que inspirou a banda de dois irmãos, o nome dela, a capa do álbum e é tema recorrente das letras, era o tio deles que era malucão, ensinou “tudo” da música e da vida para os sobrinhos, e que depois virou evangélico. E ainda assim autorizou a “homenagem”, porque disco, banda, letras viraram uma questão familiar.
É a melhor história-disco ou disco-história do ano. Claro, na minha opinião.

Esse textinho ali em cima, da minha “surpresa” ao ouvi-los, foi o que eu enterrei num post aqui na Popload que dividia a atenção com outras bandas. Era abril e no tal post eu falava também de Holger, da Karol Conká, do Me & The Plant. Mas logo o Aldo, a banda, THE BAND, ganhava posts solos um atrás do outro aqui na Popload. Depois session. Depois convite para o Popload Festival.

Ih, mano, outra vida outro pique, veio de Goiânia o impressionante Boogarins. Rapaziada adolescente contrariando a vocação da cidade indie-metal, trazendo um bucólico e psicodélico primeiro álbum. Dois adolescentes que montaram uma boa banda ao redor deles para transitar entre o velho clube da Esquina mineiro e o Tame Impala. Os Mutantes e o Jagwar Ma. Ligando Pirenópolis, GO, a Sydney, AUS, num zeitgeist maluco. Ou malucão, melhor dizendo.

Puxam a grande representatividade da cena de bandas curitibanas, aqui chamado de NOVOS CURITIBANOS, o quarteto Audac e seu disco de estreia “especial”. Você sabe, ou devia saber, que a capital paranaense tem duas cenas independentes em uma só, uma espécie de Lado A e Lado B do indie curitibano. E o Audac transita bem nas duas.

A Curitiba que já deu ao mundo (mesmo!) o Bonde do Rolê e seus derivados (a Marina Gasolina Madrid) hoje dá Karol Conká e Subburbia. Tem A Banda Mais Bonita da Cidade, mas tem o Wack! Já trouxe o bombado produtor americano Diplo para dar o molho funk-inferno. E em 2013 puxou o produtor Gordon Raphael para perto para botar as mãos no Audac e tirar esse bonito primeiro disco da banda. Gordon Raphael foi “apenas” o cara que gravou o primeiro EP e o primeiro disco dos Strokes, o “Is This It”, que pautou nossas vidas depois dele. Raphael, por culpa do Audac, caiu em Florianópolis (estúdio Ouié Tohosound) para estabelecer essas conexões Audac-Strokes, Curitiba-Floripa. Não é pouca coisa.

Bem, vamos à lista. Tem um monte de EPs bons que saíram em 2013 no indie nacional e mereceriam um Top 10 separado. Mas não me organizei para fazê-lo. Tomara que esses EPs gerem bons álbuns em 2014. Porque 2013 o que temos, na cabeça da Popload, é assim, bem definido:

discos

1. Aldo – Is Love

2. Boogarins – As Plantas Que Curam

3. Audac – Audac

4. Apanhador Só – Antes Que Tu Conte Outra

5. Mixhell – Spaces

6. Emicida – O Glorioso Retorno de Quem Nunca Esteve Aqui

7. Marina Gasolina – Commando

8. Karol Conká – Batuk Freak

9. Nevilton – Sacode!

10. Stela Campos – Dumbo

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Audac, sábado à noite e ao vivo

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* Banda ótima da cena dos “novos curitibanos”, que agora já nem são tão novos assim, o quarteto Audac fez uma correria em São Paulo sábado passado para se apresentar na Casa do Mancha, na Vila Madalena, o menor local para shows da cidade, literalmente uma banda no quarto, o público na sala, compensando o tamanho e as espremidas com uma qualidade de curadoria bem cool. O Audac veio, viu, venceu e voltou para Curitiba. Show bem classe.

Embora lá não seja o lugar com o melhor som e o melhor espaço visual para captar um vídeo em celular, aqui vai um registro da deliciosa “Dark Side”, faixa que está no disco de estreia homônimo da banda, lançado em agosto, que tem como assinatura de produção o nome de Gordon Raphael, o americano responsável apenas pela feitura do “Is This It”, primeiro disco dos Strokes que a gente sabe que mudou o que mudou.

Vídeo mais ou menos, música muito mais e nada menos.

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Conexão Strokes-Audac. Leia agora entrevista com Gordon Raphael, produtor do "Is This It", que gravou o disco de estreia da banda curitibana

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* Dando continuação ao post desta manhã, que espelha o que foi publicado de forma editada na “Folha de S. Paulo” de hoje, leia entrevista na íntegra, feita no Facebook, com o produtor americano Gordon Raphael. Ele foi o cara que gravou as primeiras músicas dos Strokes, em 2001, e esteve no Brasil recentemente para produzir o primeiro disco da banda curitibana Audac, recém-lançado. Seguem ainda um making of cool das gravações e mais duas músicas do disco, homônimo.

Como está seu trabalho hoje em dia, 12 anos após o “caso Strokes”?
Gordon Raphael –
Meu apartamento e meu estúdio são em Berlim, na Alemanha. Mas neste ano eu saí de lá em janeiro, já é agosto e ainda não voltei. Viajo para gravar e produzir bandas por aí, tocar minhas próprias músicas. Ultimamente tenho olhado meu Facebook e email e encontrado mensagens da Rússia, Brasil, Argentina, México e Califórnia de bandas que querem fazer discos. Os meninos do estúdio Ouié Tohosounds me convidaram para ir a Florianópolis gravar umas bandas e me colocaram em contato com o Audac. Fiquei envolvido com a banda. Fizemos músicas incríveis em Florianópolis.

O que você achou quando ouviu a banda pela primeira vez? Depois, com o disco pronto, como você acha que contribuiu para a música dela?
Raphael –
Na primeira vez em que eu ouvi o Audac na internet, achei que eles realmente tinham talento, e gostava da atmosfera das músicas deles. Achei que eles tinham uma forte pendência ao eletrônico, uma pegada trip hop moderna. Era uma ideia um pouco errada, porque eu não percebi na internet o quanto eles eram uma banda de rock até vê-los ao vivo dois dias antes de gravá-los. Então mudei tudo o que eu tinha planejado no estúdio para eles. Percebi que teria que capturar uma grande guitarra, um baixo pulsante e uma bateria poderosa, além dos sintetizadores e duas incríveis vozes. Fiquei positivamente surpreso quando os vi ao vivo.

O Audac, de Curitiba, em foto de Alexandre Cardinal

Você acha que a Audac poderia ter suas músicas tocadas em rádios americanas e inglesas? Ou mesmo fazer shows nessas cenas?
Raphael –
Acho que esse disco pode ser apreciado em qualquer parte do mundo, na verdade. Musicalmente ele tem muito a oferecer! Há algumas músicas incríveis que tocariam facilmente nos EUA e na Europa, como “Brian May Coin” e “Dark Side”, por exemplo. Elas são maravilhosas (para ouvir).

Você conheceu alguma outra banda brasileira além da Audac?
Raphael –
Conheço mais uma banda brasileira, a Adam y Juliet, que eu gostei muito! Mas também é só isso. Sinto informar que a minha educação em música brasileira não é muito vasta ainda! Claro que mal posso esperar para voltar ao país, conhecer outras bandas e trabalhar com elas.

Lá atrás, em 2000, 2001, como você se envolveu com os Strokes?
Raphael –
Conheci os Strokes em um clube bem pequeno, o Luna Lounge, em Nova York. Eles estavam tocando lá e eu queria levar bandas novas de que eu gostava na primeira impressão ao meu estúdio novo, Transporterraum, que era bem perto do bar. Convidei-os e gravamos três músicas para uma demo, que para minha surpresa acabaram lançadas como o EP “Modern Age”, pela Rough Trade, de Londres. Foi aí que as coisas começaram a acontecer! Certamente tudo mudou na minha vida e na deles depois que eu os conheci e depois que esse EP foi lançado. Sou muito grato a tudo isso.

Quando você começou a gravar essas três primeiras músicas dos Strokes que viraram o EP, você percebeu que eles podiam mexer com a música jovem à época do jeito que eles mexeram?
Raphael –
Eu não tinha ideia de que alguém sequer ouviria uma música dos Strokes fora daquele estúdio! Na verdade, achei que o mundo já estivesse cansado de música com guitarras, porque em Nova York, na época, tudo girava em torno de DJs, techno e música pop bobinha (na minha opinião!). Então, eu fui pego de surpresa quando o Strokes viraram uma “sensação”, marcando a cultura do rock e da música moderna.

Como sua vida mudou depois do trabalho em “Is This It”?
Raphael –
Bem, depois do “Is This It” fui convidado para muitas festas! Depois, várias bandas me chamaram para gravar e produzir. Não exatamente bandas famosas ou com gravadoras, mas músicos jovens do mundo todo. É um jeito muito bacana de se trabalhar, porque tudo é “verdadeiro” e fresco – eu me irrito um pouco com músicas muito “artísticas” ou poéticas. Além disso, consegui comprar mais guitarras, baixos, bateria e sintetizadores para as minhas próprias músicas, o que me ajudou muito. Daí, eu me mudei para Londres e depois, finalmente, Berlim, para onde vou em setembro para checar como andam meu apartamento e minha coleção de discos. Já estou pronto para voltar, tem sido um ano bem maluco e maravilhoso. Ainda bem.

Na sua opinião, existe espaço hoje na música para um “novo Strokes”?
Raphael –
Eu acredito que o próximo fenômeno da música vai aparecer na forma de um mistério e será inesperado. Adoro quando coisas que são estranhas e não “pegam” em um ano e daí, de repente, do nada, ficam superimportantes no ano seguinte! Assim como foi com os Beatles, The Strokes, Mudhoney, Nirvana. Então, eu sempre acho que o próximo fenômeno, que vai mudar nossos corações e mentes e também a cultura, virá de um lugar novo e surpreendente! Talvez Brasil ou Argentina! Quem sabe? Estou lançando um selo no México agora, chamado Shoplifter Records, e vamos trabalhar com bandas da América Latina, EUA e Europa. Talvez África, também… Então, fiquem de olho na nossa primeira coletânea! Espero que o Audac esteja nela, assim como as minha próprias músicas.

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