Em autoramas:

Top 50 da CENA – Vandal vandaliza no nosso topo. Walfredo em busca do segundo lugar. MC Hariel completa o pódio

1 - cenatopo19

* Atrasamos por questões técnicas, mas o Top 50 da CENA está no arrrrrrr. E chegou forte nesta semana. Bons singles, bons álbuns e um pouquinho de tudo: tem rap, rock, funk, MPB – Salvador, São Paulo, Rio de Janeiro. A cena parece que começou a pegar fogo para valer em 2022.

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1 – Vandal – “TIROH IH KEDAH” (Estreia)
Vandal, rapper de Salvador, chega reivindicando seus méritos e conquistas ainda ignoradas por uma turma. No EP “PUXUTRIUH”, de cara ele manda: “Primeiro trap de verdade no Brasil, primeiro grime de verdade no Brasil, primeiro drill de verdade no Brasil”. Vandal dispensa muitas elaborações, porque sua explicação sobre seu som é a explicação que vale: música que está à frente, música não aceita, indigesta, de verdade, sem maquiagem, música para sonhador. Quem ainda ignora a produção do Vandal tá de vacilo.

2 – Walfredo em Busca da Simbiose – “Traumas de Estimação” (Estreia)
Walfredo em Busca da Simbiose apresentou seu segundo single em poucos dias. Será que vem álbum novo por aí? Tudo indica que sim, mas o próprio quase que se esqueceu de divulgar a chegada do single no Instagram, então, imagina anunciar que vem disco hahaha… A estreia do projeto foi em 2019, com “Maiúsculas Cósmicas”. Neste single, o som é cósmico, mas a viagem é interna. Nas palavras de Lou Alvez, cabeça da banda de um homem só, se trata de uma música sobre a importância de sentir. Lou acredita que aí está o segredo para desvendar mistérios mais complexos. “Dançar com minha sombra, e encarar meus traumas de frente, me liberta”, ele escreve.

3 – Mc Hariel – “Pirâmide Social” (Estreia)
MC Hariel, um dos grandes expoentes do funk consciente, está em alta. Lançou seu DVD ao vivo de inéditas no começo do ano, apareceu na propaganda de uma plataforma de streaming do Paulistão, sentou para trocar uma ideia de visão com o Chavoso da USP e agora chega junto com uma fina Spotify Sessions para o som “Pirâmide Social”. Quem ainda não se aventurou pelo funk consciente vale fazer uma visita ao gênero que reconecta funk e rap, sons irmãos que em algum momento andaram distantes e resolveram se reaproximar.

4 – Gloria Groove – “BONEKINHA” (Estreia)
Algumas novidades deste “Lady Leste”, mais recente álbum da Gloria Groove, são bem interessantes: a abertura com participação de MC Hariel, que está aí no nosso terceiro lugar, e a faixa “VERMELHO”, são bons destaques – “VERMELHO” tem cara que pode tocar muito fácil em muita festa por aí. Mas o gostoso do disco é ir reconhecendo os hits que vieram de singles: é difícil para as novas competir com a força de “BONEKINHA”, onde Gloria coloca um riff de guitarra praticamente do Arctic Monkeys (da fase “AM”) dentro de um funk. Olha o rock aí!

5 – Do Amor – “A Morte do Amor” (Estreia)
A cena alternativa carioca anda forte nos últimos anos. Repleta de novidades, é interessante ver a posição da “velha” banda Do Amor neste momento. O grupo tem idade para ser parte influência da turma e ao mesmo tempo participar ativamente da cena, enquanto banda mesmo e nas colaborações de seus integrantes por aí. Ricardo Dias Gomes, Marcelo Callado, Gustavo Benjão e Gabriel Mayall, o Bubu, dão aqui a segunda pista do disco novo, que sai em breve pela Balaclava. Feita em esquema de home-office, a letra carregada “tenta exprimir um sentimento triste, de finitude de um grande amor, uma espécie de luto, onde apesar de ninguém ter morrido no sentido material da existência, tem-se uma sensação de que nada mais importa ao redor”, escreveu Callado.

6 – Francisco, el Hombre e Sebastianismos – “Um Dia por Vez” (Estreia)
Francisco, el Hombre chega de um momento especial. Engajados na luta pela democracia há tempos (pense que é deles uma música chamada “Bolso Nada”, de 2016), a banda vem direto da celebração dos 42 anos do Partido dos Trabalhadores para se jogar em um single que mistura a trajetória da grupo com a de seu baterista/vocalista Sebastianismos. Por isso a música une banda e projeto solo na hora de assinar o som. Faz sentido, já que a letra que parte da experiência pessoal de Sebastianismos acaba por contar o processo que deu na banda. Ele explica melhor: “Esta música abarca um dos momentos mais difíceis da minha vida: a depressão e como em coletivo se construiu a alternativa a isso – correr atrás dos sonhos como forma de superação”.

7 – Gabriel Ventura – “O Teste” (Estreia)
Para sua estreia solo, Gabriel Ventura, ex-Ventre, lançou um single que chama “O Teste” e é quase literalmente um teste. A música passeia por momentos bem diferentes, entre o MPB e um leve indie noise pique Sonic Youth, como que se Ventura tentasse expressar o máximo que pode para ser aprovado em uma fictícia audição – o esbarrão no microfone logo na introdução da música, conversas pela canção e o celular dão a dica. Aprovado, viu, Gabriel?

8 – Bala Desejo – “Baile de Máscaras (Recarnaval)” (1)
Há algo do nostálgico e novo no som da banda Bala Desejo, formado por jovens conhecidos da cena do Rio de Janeiro – Dora Morelenbaum, Julia Mestre, Lucas Nunes e Zé Ibarra. Há um Rio de Janeiro que comporta passado e futuro aqui. Também há algo de necessário neste som, que passa pela afirmação contida no título do disco (“Sim Sim Sim”) até esse desejo pelo Carnaval a fim de devolver “a alegria a quem foi dela sequestrado”. “Dentro do sim, dizer”, escutamos Caetano Veloso recitar na introdução do álbum. Está dito, turma. Arrepiaram.

9 – Baco Exu do Blues – “Lágrimas” (2)
Gal Costa aparece como feat. aqui, mas é uma coisa dos nossos tempos, onde um sample, que muitas vezes ficava escondido, aparece agora como participação especial. Ela canta “Lágrimas Negras”, de Jorge Mautner e Nelson Jacobina. As lágrimas que borram a letra do poeta, como cantou Mano Brown, borram os versos de Baco, que aprendeu a “não ter medo de bater, de apanhar, ser baleado ou atirar”, mas não aprendeu a amar, como cantou Cássia nos versos de Cazuza. Quanta referência!!

10 – Autoramas – “Nóias Normais” (3)
Gabriel Thomaz e cia vêm te tranquilizar logo na abertura do novo álbum do Autoramas, “Autointitulado”. Querer férias da própria cabeça? Brigar com o próprio reflexo? Repetir os mesmos erros? Nóias normais, pô. Tem que se ligar.

11 – Tuyo – Pra Curar (versão “Fragmentos 2”) (4)
12 – Anitta – “Boys Don’t Cry” (5)
13 – Chico Science e Nação Zumbi – “Maracatu Atômico” (6)
14 – Larissa Luz/Rabo De Galo e Ubunto – “Lá Vem os Homens” (7)
15 – Terno Rei – “Dias da Juventude” (8)
16 – Fernando Catatau – “Nada Acontece” (9)
17 – Gab Ferreira – “pieces” (10)
18 – Assucena – “Parti do Alto” (11)
19 – N.I.N.A. – “Stephen King (Jotaerre Remix)” (12)
20 – FBC – “De Kenner” (13)
21 – Pitty, Jup do Bairro e Badsista – “Busca Implacável” (14)
22 – Sargaço Nightclub – “A Dança do Caos” (15)
23 – Luneta Mágica – “Águas Poluídas” (16)
24 – Nara Leão – “Opinião” (17)
25 – Juçara Marçal – “Crash” (18)
26 – Don L – “Volta da Vitória/Citação: Us Mano e as Mina (Xis)” (19)
27 – Rico Dalasam – “Expresso Sudamericah” (20)
28 – Jadsa – “Sem Edição” (21)
29 – Alessandra Leão – “Borda da Pele” (22)
30 – LEALL – “Pedro Bala” (23)
31 – César Lacerda – “O Sol Que Tudo Sente” (40)
32 – Caetano Veloso – “Pardo” (25)
33 – Amaro Freitas – “Baquaqua” (26)
34 – Pabllo Vittar – “Não É Papel de Homem” (27)
35 – Coruja BC1 – “Brasil Futurista” (28)
36 – Prettos – “Oyá/Sorriso Negro” (29)
37 – Liniker – “Mel” (30)
38 – Luana Flores – “Lampejo da Encruza” (31)
39 – Valciãn Calixto – “Exu Não É Diabo (Èsù Is Not Satan)” (32)
40 – Bebé – “Sinais Elétricos na Carne” (33)
41 – Edgar – “A Procissão dos Clones” (34)
42 – Rodrigo Amarante – “Maré” (35)
43 – Tasha e Tracie – “Lui Lui” (36)
44 – GIO – “Sangue Negro” (37)
45 – Linn Da Quebrada – “I míssil” (38)
46 – Jonathan Ferr – “Amor” (39)
47 – Sophia Chablau e Uma Enorme Perda de Tempo – “Fora do Meu Quarto” (40)
48 – MC Carol – “Levanta Mina” (41)
49 – Criolo – “Cleane” (42)
50 – Fresno – “Casa Assombrada” (43)

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* Entre parênteses está a colocação da música na semana anterior. Ou aviso de nova entrada no Top 50.
** Na vinheta do Top 50, .
*** Este ranking é pensado e editado por Lúcio Ribeiro e Vinícius Felix.

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Top 50 da CENA – Bala Desejo recarnavaliza o ranking. Baco Exu do Blues traz muitas referências ao pódio. Autoramas vem com suas nóias em terceiro

1 - cenatopo19

* Semana passada foi a vez de homenagear Elza Soares. Dedicamos o Top 50 todinho à maior voz brasileira até aqui. Era necessário essa pausa para quem tinha o lema “Meu tempo é agora”. Nesta semana, voltamos aos lançamentos. E de olho no agora da Elza encontramos um jovem banda que dá seu primeiros passos, um jovem rapper que chega mais maduro a novo trabalho e um grupo já clássico da cena independente nacional mostrando que ainda tem muita lenha musical para queimar. E isso para ficar só em três das novidades da lista. Também, nossa homenagem a um jovem mestre que perdemos há 25 anos: Chico Science.

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1 – Bala Desejo – “Baile de Máscaras (Recarnaval)” (Estreia)
Há algo do nostálgico e novo no som da banda Bala Desejo, formado por jovens conhecidos da cena do Rio de Janeiro – Dora Morelenbaum, Julia Mestre, Lucas Nunes e Zé Ibarra. Há um Rio de Janeiro que comporta passado e futuro aqui. Também há algo de necessário neste som, que passa pela afirmação contida no título do disco (“Sim Sim Sim”) até esse desejo pelo Carnaval a fim de devolver “a alegria a quem foi dela sequestrado”. “Dentro do sim, dizer”, escutamos Caetano Veloso recitar na introdução do álbum. Está dito, turma. Arrepiaram.

2 – Baco Exu do Blues – “Lágrimas” (Estreia)
Gal Costa aparece como feat. aqui, mas é uma coisa dos nossos tempos, onde um sample, que muitas vezes ficava escondido, aparece agora como participação especial. Ela canta “Lágrimas Negras”, de Jorge Mautner e Nelson Jacobina. As lágrimas que borram a letra do poeta, como cantou Mano Brown, borram os versos de Baco, que aprendeu a “não ter medo de bater, de apanhar, ser baleado ou atirar”, mas não aprendeu a amar, como cantou Cássia nos versos de Cazuza. Quanta referência!!

3 – Autoramas – “Nóias Normais” (Estreia)
Gabriel Thomaz e cia vêm te tranquilizar logo na abertura do novo álbum do Autoramas, “Autointitulado”. Querer férias da própria cabeça? Brigar com o próprio reflexo? Repetir os mesmos erros? Nóias normais, pô. Tem que se ligar.

4 – Tuyo – Pra Curar (versão “Fragmentos 2”) (Estreia)
Músicas se transformam em turnês. É a hora de ver as possibilidades dentro da criação. Privados de poderem fazer shows, a Tuyo foi fazer essa experiência com o próprio repertório em dois novos discos. “Fragmentos 1” e “Fragmentos 2” são um pouco disso. E é assim que “Pra Curar”, faixa de “Chegamos Sozinhos em Casa”, surge aditivada e ainda melhor, sem dúvida.

5 – Anitta – “Boys Don’t Cry” (Estreia)
O plano de dominação mundial da Anitta segue em curso, que é uma beleza. Desta vez ela levou seu novo single para tocar até na TV americana, single este é um rock (!!!!!). Anitta entrando no território do pop de guitarras que está varrendo a música dos EUA, né, Olivia Rodrigo? A intenção é melhor que o resultado, mas, ainda assim, não podemos deixar de perceber. Como o inglês da Anitta melhorou muito rápido, hein? Essa mulher é determinada!

6 – Chico Science e Nação Zumbi – “Maracatu Atômico” (Estreia)
Caramba, 25 anos sem Chico. São 25 anos sem muitas possibilidades na música brasileira. Como quando ele resgatou esta música, que estava no repertório do Gil, escrita por Jorge Mautner e Nelson Jacobina (olha eles de novo no nosso Top 50!). A gravação é sw 1996. Anos lá na frente, 2013, quando Gil encontra Mautner em um Sesc Pompéia lotado, comenta: “A gente canta do nosso jeito, mas eles (a platéia) cantam do jeito dele (Chico Science)”. E esta é só uma das muitas que ele aprontou. Gigante.

7 – Larissa Luz/Rabo De Galo e Ubunto – “Lá Vem os Homens”/Larissa Luz – “Culpido Erê” (Estreia)
“Ainda Atrás do Pôr do Sol” é um álbum do baiano Lazzo Matumbi lançado em 1988. Joia perdida, ausente das plataformas de streaming, Rabo de Galo (DJs Komodo & Peu Araújo) mais o Ubunto colocam esse disco entre os assuntos do dia quando resolvem regravar tudo com convidados especiais. Ano passado, fez barulho o single com Luedji Luna. E agora é a hora de aproveitar essa releitura na íntegra. Fácil um dos melhores e mais deliciosos discos do ano. EsTa que tem o vocal da Larissa Luz nos lembrou de que ela acabou de soltar um EP com o Tropkillaz. Que turma.

8 – Terno Rei – “Dias da Juventude” (1)
Passado, presente e futuro se confundem no primeiro single que o Terno Rei divulgou do que virá a ser seu quarto álbum, ainda sem data de lançamento programada. Após o gigante “Violeta”, que colocou a banda em evidência, a sequência promete ao abrir um novo diálogo com quem viveu e com quem imagina o que foram os anos 90, período que eles gostam de evidenciar no som, nos vídeos e nas capas com certa frequência. E vale sacar o vídeo da música, que bombaria fácil no Disk MTV. Lembra os dias da juventude?

9 – Fernando Catatau – “Nada Acontece” (3)
Ao lado de Juliana R e Gio(vani Cidreira) na composição e vozes, Catatau, sempre um cidadão instigado, oferece a primeira pista do que será seu primeiro álbum solo. E de cara já apresenta o que separa ele sozinho de seu trabalho em banda – aqui mais guiado pelo sintetizador do que pela guitarra, que não desapareceu, lógico.

10 – Gab Ferreira – “pieces” (Estreia)
Já se ligaram no trabalho da jovem cantora catarinense Gab Ferreira? “pieces”, a novidade, é um esperto pop eletrônico lisérgico com sua ambientação sonora de um estado de espírito que pede mudanças ao juntar nossos cacos existenciais. Para viajar nas tretas internas. É o segundo single de sua próxima mixtape, que chega via Balaclava em abril.

11 – Assucena – “Parti do Alto” (2)
12 – N.I.N.A. – “Stephen King (Jotaerre Remix)” (5)
13 – FBC – “De Kenner” (4)
14 – Pitty, Jup do Bairro e Badsista – “Busca Implacável” (6)
15 – Sargaço Nightclub – “A Dança do Caos” (7)
16 – Luneta Mágica – “Águas Poluídas” (8)
17 – Nara Leão – “Opinião” (9)
18 – Juçara Marçal – “Crash” (10)
19 – Don L – “Volta da Vitória/Citação: Us Mano e as Mina (Xis)” (11)
20 – Rico Dalasam – “Expresso Sudamericah” (12)
21 – Jadsa – “Sem Edição” (13)
22 – Alessandra Leão – “Borda da Pele” (14)
23 – LEALL – “Pedro Bala” (15)
25 – Caetano Veloso – “Pardo” (17)
26 – Amaro Freitas – “Baquaqua” (18)
27 – Pabllo Vittar – “Não É Papel de Homem” (19)
28 – Coruja BC1 – “Brasil Futurista” (21)
29 – Prettos – “Oyá/Sorriso Negro” (23)
30 – Liniker – “Mel” (25)
31 – Luana Flores – “Lampejo da Encruza” (26)
32 – Valciãn Calixto – “Exu Não É Diabo (Èsù Is Not Satan)” (27)
33 – Bebé – “Sinais Elétricos na Carne” (28)
34 – Edgar – “A Procissão dos Clones” (29)
35 – Rodrigo Amarante – “Maré” (30)
36 – Tasha e Tracie – “Lui Lui” (31)
37 – GIO – “Sangue Negro” (32)
38 – Linn Da Quebrada – “I míssil” (33)
39 – Jonathan Ferr – “Amor” (34)
40 – Sophia Chablau e Uma Enorme Perda de Tempo – “Fora do Meu Quarto” (35)
41 – MC Carol – “Levanta Mina” (36)
42 – Criolo – “Cleane” (37)
43 – Fresno – “Casa Assombrada” (38)
44 – César Lacerda – “O Sol Que Tudo Sente” (40)
45 – TARDA – “Futuro” (41)
46 – Rabo de Galo, Ubunto e Luedji Luna – “Me Abraça e Me Beija” (42)
47 – Céu – “Chega Mais” (43)
48 – brvnks – “sei la” (44)
49 – Vandal, Djonga e BaianaSystem – “BALAH IH FOGOH” (45)
50 – Febem e CESRV – “Crime” (47)

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* Entre parênteses está a colocação da música na semana anterior. Ou aviso de nova entrada no Top 50.
** Na vinheta do Top 50, a banda Bala Desejo.
*** Este ranking é pensado e editado por Lúcio Ribeiro e Vinícius Felix.

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Top 50 da CENA – Bebé, 17, vai ao topo do Top. Nelson D e Marina Sena, cada qual com sua geografia, completam o pódio

1 - cenatopo19

* Corpo, religião, imaginação, várias coisas que estão por aí são território de liberdade. Ou eram para ser, já que muitos usam sua potência para construir prisões. Nesta semana, reparamos que várias músicas pedem, a seu modo, liberdade.
“Me Toca” é um convite à liberdade do corpo, do prazer. “Ogunté” é um elogio à liberdade da espiritualidade que respeita as outras espiritualidades.
Nelson D em “Toy Boy” apresenta uma música que deixa o ouvinte livre para se permitir, imaginar, passear em sua criação.

Isso para ficar em três exemplos. Quando a gente repara em Bebé, por exemplo, vê que ela se liberta como criadora e compositora em seu primeiro álbum. Sebastianismos desabafa sobre a prisão de se medir pelo outros. E assim vai. A gente, que existe para defender a CENA por aqui, acha que este é um capítulo para sublimar a música brasileira que canta sobre temas muito relevantes com letras boas e musicalidade bonita de tão diversificada, plural, global. Chega na playlist, que ilustramos lindo todo esse papo, como sempre.

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1 – Bebé – “Sinais Elétricos na Carne” (Estreia)
Com larga experiência musical em apenas 17 anos de idade, Bebé Salvego apresenta em sua estreia em álbum uma originalidade e criatividade impressionantes. Entre as melhores músicas do disco, se destaca esta que ela escreveu, tocou e produziu praticamente sozinha, muito por incentivo dos seus produtores, entre eles Sérgio Machado, um dos melhores bateristas da CENA e que um dos trabalhos do álbum foi transformar Bebé em compositora. Veio dele o desafio de que ela fizesse um som sozinha de tudo. Olha, capaz que Bebé aposente todos os produtores no álbum seguinte. Brincadeira à parte, a mina de Piracicaba arrebenta.

2 – Nelson D – “Toy Boy”
O artista electroindígena Nelson D vai muito bem em seu segundo álbum, “Anga” (“Alma”, em nheengatú). Em “Toy Boy”, por exemplo, ele mostra todo seu conhecimento de música eletrônica e desenvolve uma longa e hipnotizante faixa. Como ele gosta de dizer: “A parte instrumental de muitas das minhas músicas são uma tentativa de criar uma trilha musical para essa geografia pessoal”. E aqui impressiona que ele deixe um território tão livre para a nossa imaginação flutuar.

3 – Marina Sena – “Me Toca” (Estreia)
Por algum vacilo a gente já nao botou esta “Me Toca” aqui, em altos lugares. Mas ficamos vendo de longe esse hit da mineira Marina Sena, ex-Rosa Neon, abrir os caminhos para sua empolgante estreia solo, o disco “De Primeira”. De primeira, são vários potencias hits ali. Mas aproveitamos para fazer justiça ao primeiro enquanto já vemos alguns outros destaques surgindo (“Voltei Pra Mim” e “Pelejei” são superacertos e já estão cavando seus lugares no nosso ranking semanal).

4 – Majur – Ogunté (Estreia)
Nesta bonita música com participação de Luedji Luna, a também baiana Majur homenageia Ogunté, “que é o nome da minha Iemanjá”, ela explica. Uma canção que fala sobre acreditar em algo que te potencialize, te dê segurança e força. Majur comenta que a mensagem vale para qualquer expressão de espiritualidade – uma mensagem para tempos de tanta intolerância religiosa.

5 – Fresno – “12 Words 30000 Stones” (Estreia)
A Fresno está de projeto secreto. Aos poucos lança uma série de músicas sob o selo Inventário – o que isso significa ninguém sabe ainda. Tem gente até especulando que é um ensaio para o fim da banda – uma teoria exagerada a nosso ver. A primeira música da série tem participação de Cheadiak, Arthur Mutanen e Adieu e usa versos que Lucas Silveira tinha postado em versão demo no seu Instagram há meses. A segunda aproveita uma conhecida música da Fresno com participação de outros músicos, uma ideia meio remix – dando a entender que o projeto poderia ser uma junção de inéditas, remixes, sobras, que não vão se encaixar em um álbum tradicional da banda. Será que é isso?

6 – Tasha e Tracie – “Lui Lui” (1)
Quem tá ligado no mundo da moda já conhece as gêmeas paulistanas Tasha e Tracie há um tempo. Elas ficaram famosas pelo blog “Expensive Shit”, onde ensinavam a se vestir bem sem gastar muita grana. No blog, elas também davam seu show de conhecimento com uma pesquisa sobre arte, cultura e som. Elas não rimavam quando apareceram pela primeira vez, mas eram do rap. Foi um toque do mestre racional Kl Jay que acertou esse detalhe. Ele as alertou que na cultura hip hop todos podem fazer a arte que quiserem. E elas resolverem investir nas rimas. E que belo investimento. Seu primeiro álbum, o recém-lançado “Diretoria”, é arrasador. E, no pique, são 22 minutos de ideia boa atrás de ideia boa. “Igual nós vocês quer viver/ Mas igual nós ‘cês não quer morrer”, “Nasci com a boca que elas compra”, “Pra ter o que você tem só precisa de um paicpague/ Pra fazer como eu faço; muita vivência de base”. São só alguns exemplos das boas linhas. A gente escolheu “Lui Lui” aqui no ranking, mas poderia ser qualquer um dos outros sons.

7 – Papangu – “Ave-Bala” (2)
Muito interessante o som metaleiro e progressivo dessa banda de João Pessoa, Paraíba. A gente que nem é tão versada nesse ramo sabe pelo menos reconhecer algo muito bem-feito – e tem um rolê conceitual muito bem construído ali, com referências à literatura brasileira, ao imaginário nordestino e ainda carrega um papo político sobre relações sociais e com a natureza que corre por fora da narrativa mais explícita da banda. Preste atenção nesses caras.

8 – Sebastianismos – “Se Nem Deus Agrada Todo Mundo Muito Menos Eu” (Estreia)
Neste desabafo, o “hombre” Sebastianismos se reúne com sua parceira de crime, um jeito romântico de falar da companheira Malfeitona, superartista e pior tatuadora do mundo. Rock desabafo é tendência.

9 – Giovanna Moraes – “Maluco Beleza” (Estreia)
Na difícil missão de encarar a obra de Raul Seixas não sendo o Raul, a multitarefas Giovanna Moraes e sua espertíssima banda dão conta de dar uma subvertida nos arranjos, tanto instrumental quanto vocal. Dá nuances novas e interessantes a um cara que foi papo-reto.

10 – Autoramas + Dead Fish – “Sem Tempo” (Estreia)
Mais uma parceria de Gabriel Thomaz e Rodrigo Lima do Dead Fish nos vocais. Desta vez a composição também é da dupla, que coloca o tempo em uma discussão com o próprio tempo – um debate daqueles em ritmo de hardcore.

11 – Isabel Lenza – “Eu Sou o Meu Lugar” (3)
12 – Valciãn Calixto – “Exu Não É Diabo (Èsù Is Not Satan)” (4)
13 – Jade Baraldo – “Não Ama Nada” (5)
14 – Cadu Tenório – “Psycho Zaku” (6)
15 – 1LUM3 – “Lovecrime” (7)
16 – Letrux – “Isso Aqui É um Campo Minado” (8)
17 – Guilherme Arantes – “A Desordem dos Templários” (11)
18 – GIO – “Sangue Negro” (14)
19 – Tuyo – “Turvo” (15)
20 – Linn Da Quebrada – “I míssil” (16)
21 – Priscilla Alcântara – “Tem Dias” (17)
22 – Macaco Bong – “Hacker de Sol” (18)
19 – Rodrigo Amarante – “Maré” (19)
20 – Tagore – “Capricorniana” (20)
21 – Rodrigo Brandão – “O Sol da Meia-Noite” (21)
22 – Criolo – “Fellini” (22)
23 – Amaro Freitas – “Sankofa” (23)
24 – Pabllo Vittar – “Não É Papel de Homem” (22)
25 – Nill – “Singular” (23)
27 – Iara Rennó – “Ava Viva” (26)
28 – Romulo Fróes – “Baby Infeliz” (28)
30 – Edgar – “A Procissão dos Clones” (30)
31 – Tuyo – “Toda Vez Que Eu Chego em Casa” (31)
33 – Jonathan Ferr – “Amor” (33)
34 – Jadsa – “Mergulho” (34)
36 – Jup do Bairro – “Sinfonia do Corpo” (36)
37 – Lupe de Lupe – “Brasil Novo” (37)
38 – Bruna Mendez e June – “A Vida Segue, Né?” (38)
40 – Yung Buda – “Digimon” (40)
41 – Duda Beat – “Meu Pisêro” (41)
42 – FEBEM – “Crime” (42)
43 – Aquino e a Orquestra Invisível – “Os Prédios Cinzas e Brancos da Av. Maracanã” (43)
44 – Boogarins – “Supernova” (44)
45 – BaianaSystem – “Brasiliana” (45)
46 – Sophia Chablau e uma Enorme Perda de Tempo – “Delícia/Lúxuria” (46)
47 – Jota Ghetto – “Vagabounce” (47)
48 – Mbé – “Aos Meus” (48)
49 – Rico Dalasam – “Expresso Sudamericah” (49)
50 – LEALL – “Pedro Bala” (50)

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* Entre parênteses está a colocação da música na semana anterior. Ou aviso de nova entrada no Top 50.
** Na vinheta do Top 50, a Bebé.
*** Este ranking é pensado e editado por Lúcio Ribeiro e Vinícius Felix. Com uma pequena ajuda de nossos amigos, claro.

Top 50 da CENA – Com todas as permissões pedidas, Exu ocupa o topo do nosso ranking. Dá-lhe Valciãn Calixto. Cadu Tenório e 1LUM3 completam o pódio

1 - cenatopo19

* Como explicar a seleção desta semana? Temos um importante primeiro lugar, que bate de frente contra um problema sério do Brasil atual, que é o preconceito religioso. Um trabalho que tem toques experimentais assim como alguns dos outros escolhidos para este ranking – Cadu, Mariá. Quando a música é mais tradicional na forma, é experimental na sua gravação – Letrux está gravando pela primeira vez algumas canções que escreveu há mais de dez anos e isso dá uma sensação de deslocamento muito interessante. Então, aprofundando mais na temática acima, nosso primeiro lugar é sobre Exu. Nenhuma conclusão diferente da de que estamos de frente para a melhor CENA musical do Planeta Terra.

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1 – Valciãn Calixto – “Exu Não É Diabo (Èsù Is Not Satan)” (Estreia)
Em “Macumba 2.0”, álbum recém-lançado, o músico piauiense Valciãn Calixto dá uma aula sobre as religiões de matriz africana buscando desmistificar conceitos errados criados com a intenção de desarticular e criminalizar sua prática. Neste som, Exu é comtemplado e explicado por Valciãn em um forró que mantém sua pesquisa sonora articulada com indie e experimentações lo-fi. Se isso não é uma riqueza sonora brasileira por onde quer que se olhe, não sabemos mais o que é. Valciãn é o nosso Sufjan Stevens do Nordeste, fala que não.

2 – Cadu Tenório – “Psycho Zaku” (Estreia)
Não que a gente entenda tudo, mas é um barato a viagem experimental do carioca Cadu Tenório. Em “Are You Okay” temos uma porção de músicas longas que vão se construindo e descontruindo em loops, ruídos, colagens. E, pensando melhor, será que tem algo mesmo para ser entendido? É sentir, talvez, o verbo mais apropriado.

3 – 1LUM3 – “Lovecrime” (Estreia)
A voz da 1LUM3 segue sendo uma das mais bonitas da CENA e aqui ela capricha em boas letras e nas produças certeiras – é pop, mas não tem muito cara de pop, saca? “Lovecrime” é daquelas que nascem com cara de hit, um som sobre amores que já se despedaçaram e seguem nas nossas mentes.

4 – Letrux – “Isso Aqui É um Campo Minado” (Estreia)
Aqui Letrux nos apresenta mais uma música que ela escreveu há muito tempo e nunca tinha gravado. Talvez essa seja uma de 2007 e 2008 e já revela um pouco do que ela faria mais para a frente. Dá uma sensação engraçada ver letras de uma Letrux que não existe mais sendo cantadas pela Letrux de hoje. Como isso chama não sabemos, mas tem uma sensação aí.

5 – Mariá Portugal – “Cheio/Vazio” (Estreia)
E, por falar em música esquisitinha, que delícia essa experimentação da Mariá Portugal. A baterista/compositora que já tocou com vários grandes nomes da MPB, além de ser parte do sensacional Quartabê, faz uma música que chega a ser tradicional até seus dois minutos – dali em diante as formas e tempo parecem se dissolver e voltar e sumirem de novo. Difícil descrever. Este single fará parte de seu novo álbum, “Erosão”.

6 – Guilherme Arantes – “A Desordem dos Templários” (1)
Em seu novo disco, o veterano Guilherme Arantes investiu em recuperar suas raízes progressivas. Para quem não sabe, ele, que ficou conhecido por suas baladas mais românticas, teve uma fase progressiva e roqueira com a banda Moto Perpétuo. A pecha “romântica” que vem grudada a seu nome não faz jus à totalidade de sua carreira. Neste retorno às origens, digamos, ele escreveu a épica “A Desordem dos Templários”, um som de mais de sete minutos com diversas seções, inclusive uma em ritmo de baião. A música parece usar de símbolos antigos para falar dos dias atuais. Em um momento, Guilherme canta: “Cada dia é uma batalha desigual em nome de uma paz/ E tudo que se entende por ‘normal’ é a bandeira incandescente da exclusão”.

7 – Autoramas e Rodrigo Dead Fish – “A Cara do Brasil” (2)
A parceria Autoramas e Rodrigo, vocalista do Dead Fish, chega em uma música veloz e urgente – no clima e na duração. Ela tem quaaaase um minuto, mas dá conta de resumir um ano, quase dois da condução criminosa da pandemia no Brasil, que já custou perto de 600 mil vidas. Para que serve o punk bom, não é mesmo?

8 – Marcelo Perdido – “Carnaval” (3)
Por falar em pandemia e governo que conduz tudo da pior maneira possível – não teve como ter Carnaval neste ano. Mesmo sendo sem ser. Sendo. E aí fica na nossa cabeça esta bela música do Marcelo Perdido com participação do Teago Oliveira, da Maglore, que fala sobre um Carnaval que não foi, mas é. Talvez a canção esteja mesmo falando disso um pouco. Especialmente sobre a nossa força de manter a festa, em amplos sentidos. Estamos muito errados, Marcelo?

9 – GIO – “Sangue Negro” (4)
Que experiência foi trocar uma ideia com GIO, no Popload Entrevista. Está aí um menino cheio de sugestões boas na cabeça idem. O novo álbum do músico baiano, ex-Giovani Cidreira, além de uma ida a sua ancestralidade com a chave do afrofuturismo, é sua tentativa de colocar essas ideias na prática. Trabalhar pelos seus, por sua história e por seu valor. Por que abaixar a guarda para fazer parte de um mundo que não te respeita? Por que querer fazer parte daquela outra festa? Veja bem a nossa festa. Ela que é bonita e ela que diz um tanto de coisa para nós. Ainda que tantos teimem em jogar na nossa cabeça que não é bem assim. Eles estão errados.
A faixa “Sangue Negro”, escrita com o primo Filipe Castro, abre a obra – no YouTube um curta deles mostra as origens da família de GIO e suas histórias. Ao resumir um pouco da ideia do disco, ele escreveu: “É sobre não esquecer que somos pessoas iluminadas, detentoras de um poder ancestral, de um potencial que o sistema racista, que nos mata todos os dias e nos entrega sobras, descarta e nos faz esquecer, retirando o direito de existir na memória, na musicalidade e nas experiências culturais deste país.” Este álbum vai longe, em vários sentidos. E seguimos aqui celebrando ele.

10 – Tuyo – “Turvo” (5)
Velha conhecida dos fãs, “Turvo” é uma canção que finalmente o trio curitibano resolveu colocar em disco. E a vez dela chegou em “Chegamos Sozinhos em Casa, Vol. 2”. Porém, “Turvo” aparece totalmente desconstruída da versão conhecida pelos fãs. Acelerada, mais eletrônica e mais suingada, é de longe das canções mais viciantes do álbum. Esta é para tocar um milhão de vezes por aí.

11 – Linn Da Quebrada – “I míssil” (6)
12 – Bivolt – “Pimenta” (7)
13 – Priscilla Alcântara – “Tem Dias” (8)
14 – Macaco Bong – “Hacker de Sol” (9)
15 – Rincon Sapiência – “Todo Canto” (10)
16 – Mary Olivetti – “Black Coco” (12)
17 – Rodrigo Amarante – “Maré” (13)
18 – Tagore – “Capricorniana” (15)
19 – Rodrigo Brandão – “O Sol da Meia-Noite” (19)
20 – Criolo – “Fellini” (20)
21 – Amaro Freitas – “Sankofa” (21)
22 – Pabllo Vittar – “Não É Papel de Homem” (22)
23 – Nill – “Singular” (23)
24 – Ana Frango Elétrico – “Promessas e Previsões” (24)
25 – Mineiros da Lua – “Armadilha” (25)
26 – Iara Rennó – “Ava Viva” (26)
27 – Isabel Lenza – “Tudo Que Você Não Vê” (27)
28 – Romulo Fróes – “Baby Infeliz” (28)
29 – BNegão feat. Paulão King – “Cérebros Atômicos” (29)
30 – Edgar – “A Procissão dos Clones” (30)
31 – Tuyo – “Toda Vez Que Eu Chego em Casa” (31)
32 – Giovanna Moraes – “Baile de Máscaras” (32)
33 – Jonathan Ferr – “Amor” (33)
34 – Jadsa – “Mergulho” (34)
35 – Mulungu – “A Boiar” (35)
36 – Jup do Bairro – “Sinfonia do Corpo” (36)
37 – Lupe de Lupe – “Brasil Novo” (37)
38 – Bruna Mendez e June – “A Vida Segue, Né?” (38)
39 – Zé Manoel – “Como?” (39)
40 – Yung Buda – “Digimon” (40)
41 – Duda Beat – “Meu Pisêro” (41)
42 – FEBEM – “Crime” (42)
43 – Aquino e a Orquestra Invisível – “Os Prédios Cinzas e Brancos da Av. Maracanã” (43)
44 – Boogarins – “Supernova” (44)
45 – BaianaSystem – “Brasiliana” (45)
46 – Sophia Chablau e uma Enorme Perda de Tempo – “Delícia/Lúxuria” (46)
47 – Jota Ghetto – “Vagabounce” (47)
48 – Mbé – “Aos Meus” (48)
49 – Rico Dalasam – “Expresso Sudamericah” (49)
50 – LEALL – “Pedro Bala” (50)

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* Entre parênteses está a colocação da música na semana anterior. Ou aviso de nova entrada no Top 50.
** Na vinheta do Top 50, o músico piauiense Valciãn Calixto.
*** Este ranking é pensado e editado por Lúcio Ribeiro e Vinícius Felix. Com uma pequena ajuda de nossos amigos, claro.

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Top 50 da CENA – Olha! Guilherme Arantes progressivo no nosso topo. Seguido pela aula punk de História do Brasil em um minuto, ministrada pelo Autoramas. Marcelo Perdido traz seu Carnaval para o terceirão

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* Semana interessante por aqui em questão da duração do tempo das músicas. Repare. Nosso primeiro lugar é um som de sete minutos. O segundo lugar tem menos de um minuto. Um é progressivo. Outro é punk. E ambos fazem muito sentido neste confuso 2021 em que vivemos. Com jeitos diferentes, ambas as músicas batem nesta crise atual. Um tema que talvez seja o assunto do nosso terceiro lugar, se a gente entendeu o recado cifrado da canção. Será? E segue interessante a nossa playlist atenta ao que a nossa CENA, a mais interessante do planeta, tem a dizer.

guilhermetopquadrado

1 – Guilherme Arantes – “A Desordem dos Templários” (Estreia)
Em seu novo disco, o veterano Guilherme Arantes investiu em recuperar suas raízes progressivas. Para quem não sabe, ele, que ficou conhecido por suas baladas mais românticas, teve uma fase progressiva e roqueira com a banda Moto Perpétuo. A pecha “romântica” que vem grudada a seu nome não faz juz à totalidade de sua carreira. Nesse retorno às origens, digamos, ele escreveu a épica “A Desordem dos Templários”, um som de mais de sete minutos com diversas seções, inclusive uma em ritmo de baião. A música parece usar de símbolos antigos para falar dos dias atuais. Em um momento, Guilherme canta: “Cada dia é uma batalha desigual em nome de uma paz/ E tudo que se entende por ‘normal’ é a bandeira incandescente da exclusão”.

2 – Autoramas e Rodrigo Dead Fish – “A Cara do Brasil” (Estreia)
A parceria Autoramas com Rodrigo, vocalista do Dead Fish, chega em uma música veloz e urgente – no clima e na duração. Ela tem quaaaase um minuto, mas dá conta de resumir um ano, quase dois da condução criminosa da pandemia no Brasil, que já custou perto de 600 mil vidas. Para que serve o punk bom, não é mesmo?

3 – Marcelo Perdido – “Carnaval” (Estreia)
Por falar em pandemia e governo que conduz tudo da pior maneira possível – não teve como ter Carnaval neste ano. Mesmo sendo sem ser. Sendo. E aí fica na nossa cabeça essa bela música do Marcelo Perdido com participação do Teago Oliveira, da Maglore, que fala sobre um Carnaval que não foi, mas é. Talvez a canção esteja mesmo falando disso um pouco. Especialmente sobre a nossa força de manter a festa, em amplos sentidos. Estamos muito errados, Marcelo?

4 – GIO – “Sangue Negro” (1)
Que experiência foi trocar uma ideia com GIO, no Popload Entrevista. Está aí um menino cheio de sugestões boas na cabeça idem. O novo álbum do músico baiano, ex-Giovani Cidreira, além de uma ida a sua ancestralidade com a chave do afrofuturismo, é sua tentativa de colocar essas ideias na prática. Trabalhar pelos seus, por sua história e por seu valor. Por que abaixar a guarda para fazer parte de um mundo que não te respeita? Por que querer fazer parte daquela outra festa? Veja bem a nossa festa. Ela que é bonita e ela que diz um tanto de coisa para nós. Ainda que tantos teimem em jogar na nossa cabeça que não é bem assim. Eles estão errados.
A faixa “Sangue Negro”, escrita com o primo Filipe Castro, abre a obra – no YouTube um curta deles mostra as origens da família de GIO e suas histórias. Ao resumir um pouco da ideia do disco, ele escreveu: “É sobre não esquecer que somos pessoas iluminadas, detentoras de um poder ancestral, de um potencial que o sistema racista, que nos mata todos os dias e nos entrega sobras, descarta e nos faz esquecer, retirando o direito de existir na memória, na musicalidade e nas experiências culturais deste país.” Este álbum vai longe, em vários sentidos. E seguimos aqui celebrando ele.

5 – Tuyo – “Turvo” (2)
Velha conhecida dos fãs, “Turvo” é uma canção que finalmente o trio curitibano resolveu colocar em disco. E a vez dela chegou em “Chegamos Sozinhos em Casa, Vol. 2”. Porém, “Turvo” aparece totalmente desconstruída da versão conhecida pelos fãs. Acelerada, mais eletrônica e mais suingada, é de longe das canções mais viciantes do álbum. Esta é para tocar um milhão de vezes por aí.

6 – Linn Da Quebrada – “I míssil” (3)
Que álbum é esse, Linn Da Quebrada? Ela conseguiu repetir o difícil feito de bater de frente com uma grande estreia e seu segundo disco é uma nova superobra em uma simbiose linda com a parceria/DJ/produtora Badsista. Ao propor uma nova sonoridade, Linn lança o questionamento e provoca “algoritmos, gêneros e rótulos” e também a plateia ao apresentar um lado seu que ainda não observamos.

7 – Bivolt – “Pimenta” (Estreia)
Delícia esse som da Bivolt com feat. da Gloria Groove. Pop bem feito, graves no jeito e uma letra quente. Bivolt que ainda mantém o MC no user do Twitter dá uma aula de que é possível transitar por gêneros musicais sem perder a identidade.

8 – Priscilla Alcântara – “Tem Dias” (Estreia)
Sucesso desde criança a cantora Priscilla Alcântara fez uma música ao lada da melhor e mais bombada comentarista da Olímpiada, a Karen Jonz – que tem uma carreira musical que a gente já destacou por aqui, além da supercarreira no skate -, e de Lucas Fresno, também conhecido como “o marido da Karen”. A música é um acerto pop com refrão grude e aquela força de tirar a gente de umas bads.

9 – Macaco Bong – “Hacker de Sol” (4)
É sempre bom saber o que se passa pela cabeça do sempre excelente Bruno Kayapy e sua Macaco Bong, atualmente formada por ele e Eder Noleto na bateria mais Igor Carvalho no baixo. “Hacker de Sol” inspirada em “Bacurau”, filmaço de Kleber Mendonça e Juliano Dorneles, quebra um longo silêncio da banda. Fiquem tão quietos assim não, meninos.

10 – Rincon Sapiência – “Todo Canto” (5)
Rincon abraça a onda do drill e faz um single nessa pegada, uma produção de SubX, Ty Fig. Sobre o sentido do gênero, até Rincon fez uma graça com o significado de drill em seu YouTube, já que as minúcias do estilo, marcado por ser mais sombrio e ter graves poderosos, podem passar quase despercebidas aos fãs mais ocasionais.

11 – Kiko Dinucci – “VHS” (6)
12 – Mary Olivetti – “Black Coco” (7)
13 – Rodrigo Amarante – “Maré” (8)
14 – Valciãn Calixto – “Desmistificando Pombagira” (9)
15 – Tagore – “Capricorniana” (10)
16 – Zopelar – “Jump” (11)
17 – Bruno Bruni – “A Onda” (12)
18 – Terno Rei – “Medo” (13)
19 – Rodrigo Brandão – “O Sol da Meia-Noite” (16)
20 – Criolo – “Fellini” (17)
21 – Amaro Freitas – “Sankofa” (21)
22 – Pabllo Vittar – “Não É Papel de Homem” (22)
23 – Nill – “Singular” (23)
24 – Ana Frango Elétrico – “Promessas e Previsões” (24)
25 – Mineiros da Lua – “Armadilha” (25)
26 – Iara Rennó – “Ava Viva” (26)
27 – Isabel Lenza – “Tudo Que Você Não Vê” (27)
28 – Romulo Fróes – “Baby Infeliz” (28)
29 – BNegão feat. Paulão King – “Cérebros Atômicos” (29)
30 – Edgar – “A Procissão dos Clones” (30)
31 – Tuyo – “Toda Vez Que Eu Chego em Casa” (31)
32 – Giovanna Moraes – “Baile de Máscaras” (32)
33 – Jonathan Ferr – “Amor” (33)
34 – Jadsa – “Mergulho” (34)
35 – Mulungu – “A Boiar” (35)
36 – Jup do Bairro – “Sinfonia do Corpo” (36)
37 – Lupe de Lupe – “Brasil Novo” (37)
38 – Bruna Mendez e June – “A Vida Segue, Né?” (38)
39 – Zé Manoel – “Como?” (39)
40 – Yung Buda – “Digimon” (40)
41 – Duda Beat – “Meu Pisêro” (41)
42 – FEBEM – “Crime” (42)
43 – Aquino e a Orquestra Invisível – “Os Prédios Cinzas e Brancos da Av. Maracanã” (43)
44 – Boogarins – “Supernova” (44)
45 – BaianaSystem – “Brasiliana” (45)
46 – Sophia Chablau e uma Enorme Perda de Tempo – “Delícia/Lúxuria” (46)
47 – Jota Ghetto – “Vagabounce” (47)
48 – Mbé – “Aos Meus” (48)
49 – Rico Dalasam – “Expresso Sudamericah” (49)
50 – LEALL – “Pedro Bala” (50)

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* Entre parênteses está a colocação da música na semana anterior. Ou aviso de nova entrada no Top 50.
** Na vinheta do Top 50, o veterano cantor e pianista Guilherme Arantes.
*** Este ranking é pensado e editado por Lúcio Ribeiro e Vinícius Felix. Com uma pequena ajuda de nossos amigos, claro.

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