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Top 50 da CENA: um resumo de 2021. Também conhecido como: As 50 Melhores Músicas do Ano no Brasil

1 - cenatopo19

* Como a gente já repetiu algumas vezes: listar as nossas favoritas da CENA brasileira, durante todo o ano, é mais um jeito de contar tudo de bom do que a gente anda ouvindo a cada semana. A gente deixa de lado qualquer pretensão de dizer o que é melhor ou pior. No fim de ano, a missão segue a mesma. Nossa ideia aqui é apresentar este resumo do que foi 2021. Faltou música, lógico, a ordem talvez desagrade, mas é só voltar semana a semana para achar outras centenas de músicas incríveis destacadas aqui para de um modo modesto jogar luz nesta CENA brasileira nada modesta. A CENA nunca foi tão produtiva e boa.

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1 – Juçara Marçal – “Crash”
Rap. Samba. Juçara entrega em “Crash”, letra de Rodrigo Ogi, uma música que arrebenta com qualquer fronteira que se queira criar entre os gêneros musicais. É impossível determinar onde começa o que aqui. Uma certeza é que a letra tem um recado mais claro: é hora de ver a derrota de quem com ferro feriu.

2 – Don L – “Volta da Vitória/Citação: Us Mano e as Mina (Xis)”
Nas revoluções do passado e nas que virão, que aparecem por todo o novo roteiro de Don L, há o dia da vitória. Dia das conquistas e celebrações. Em tempos amargos, é bom lembrar em uma canção que a festa é parte da transformação. Ela não precisa ser só uma resposta para a tristeza da realidade, mas sim a constante nessa nova trilha.

3 – Rico Dalasam – “Expresso Sudamericah”
E, no ano em que a música brasileiro sonhou perigosamente, Rico versa: “Sem poder saber o passado/ sem poder ganhar o presente/ E ter a culpa de ser o futuro/ Meus sonhos são gigantes”. Sonhos que acontecem aqui, na América do Sul, detalhe que Rico faz questão de lembrar ao ouvinte, que é puxado para dentro da canção em uma singela quebra da quarta parede: “Alô, parceiro, passageiro”.

4 – Jadsa – “Sem Edição”
Se a distopia onde vivemos a vida dos outros através de milhares de filtros sociais e virtuais é aqui e agora, Jadsa clama por um pouco de vida real sem aquecer, esfriar, esmaecer, ajustar e outras coisas. Que discaço que ela fez.

5 – Alessandra Leão – “Borda da Pele”
Nas palavras da própria Alessandra, “Borda da Pele” é “A escolha subversiva pelo sim”. E ela continua: “Pela estratégia do prazer. Sabedoria selvagem da escuridão de dentro em resposta às trevas de fora”. Quando a descrição vem pronta assim a gente só reproduz. Não é preciso dizer mais nada.

6 – LEALL – “Pedro Bala”
Em uma letra que abre diálogos com Jorge Amado (Pedro Bala de “Capitães de Areia”) e Chico Buarque (que tem seu “Pedro Pedreiro”), Leall descreve com exatidão a realidade, sonhos e motivações de um personagem condenado pela estrutura racista do Brasil a violência, miséria e fome. E transforma tudo isso em música de primeira.

7 – Marina Sena – “Por Supuesto” e FBC – “Se Tá Solteira”
Talvez as duas principais músicas produzidas pela cena independente brasileira que furaram a bolha e alcançaram plays incontáveis por Tik Toks e pelas festas do país. Merecem a celebração conjunta.

8 – Caetano Veloso – “Pardo”
Ao lado de Letieres Leite, mestre que a música brasileira perdeu em 2021, Caetano faz sua autodeclaração, que já havia sido cantada por Céu: é pardo. Termo que Caetano reconhece que é mais usado hoje do que na sua juventude. Ainda que não seja exatamente sobre o assunto, a canção coincide com a defesa de Caetano que a discussão racial no Brasil passe a ser mais informada pelo próprio Brasil do que pelos Estados Unidos.

9 – Amaro Freitas – “Baquaqua”
A impressionante trajetória de Baquaqua, africano que foi escravo no Brasil e após fugir do país escreveu sua autobiografia nos Estados Unidos, um raro documento histórico de um escravo sobre sua realidade, vira uma música instrumental absurda no piano de Amaro, que traduz nota a nota essa jornada.

10 – Pabllo Vittar – “Não É Papel de Homem”
Ao trazer brega, forró e calypso para informar o ultrapop, invertendo o processo onde geralmente é a gente que é contaminado pelo pop estrangeiro, Pabllo Vittar segue inventiva ditando o pop na música brasileira.

11 – Anitta – “Girl from Rio”
12 – Coruja BC1 – “Brasil Futurista”
13 – Tuyo – “Sonho de Lay”
14 – Prettos – “Oyá/Sorriso Negro”
15 – Marina Sena – “Pelejei”
16 – Liniker – “Mel”
17 – Luana Flores – “Lampejo da Encruza” (28)
18 – Valciãn Calixto – “Exu Não É Diabo (Èsù Is Not Satan)”
19 – Bebé – “Sinais Elétricos na Carne”
20 – Edgar – “A Procissão dos Clones”
21 – Rodrigo Amarante – “Maré”
22 – Tasha e Tracie – “Lui Lui”
23 – GIO – “Sangue Negro”
24 – Linn Da Quebrada – “I míssil”
25 – Jonathan Ferr – “Amor”
26 – Sophia Chablau e Uma Enorme Perda de Tempo – “Fora do Meu Quarto”
27 – MC Carol – “Levanta Mina”
28 – Criolo – “Cleane”
29 – Fresno – “Casa Assombrada”
30 – Gab Ferreira – “Karma”
31 – César Lacerda – “O Sol Que Tudo Sente”
32 – TARDA – “Futuro”
33 – Rabo de Galo, Ubunto e Luedji Luna – “Me Abraça e Me Beija”
34 – Céu – “Chega Mais”
35 – brvnks – “sei la”
36 – Vandal, Djonga e BaianaSystem – “BALAH IH FOGOH”
37 – FEBEM – “Crime”
38 – Luedji Luna e Zudzilla – “Ameixa”
39 – Johnny Hooker – “Amante de Aluguel”
40 – BADSISTA – “Chora Na Minha Frente”
41 – BK – “Cidade do Pecado”
42 – Jup do Bairro – “Sinfonia do Corpo”
43 – Giovanna Moraes – “Baile de Máscaras”
44 – Romulo Fróes – “Baby Infeliz”
45 – Nelson D – “Algo Em Processo”
46 – Duda Beat – “Meu Pisêro”
47 – Yung Buda – “Digimon”
48 – Boogarins – “Supernova”
49 – Jota Ghetto – “Vagabounce”
50 – Lupe de Lupe – “Brasil Novo”

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* Entre parênteses está a colocação da música na semana anterior. Ou aviso de nova entrada no Top 50.
** Na vinheta do Top 50, a cantora carioca Juçara Marçal.
*** Este ranking é formulado por Lúcio Ribeiro e Vinícius Felix, talvez o maior estudioso da nossa CENA. Com uma pequena ajuda de nossos amigos, claro.

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Top 50 da CENA – Mateus Aleluia traz as nações ao primeiro lugar. BK traz suas histórias ao segundo. E Alfamor vem com um reggae gigante fechar o pódio

1 - cenatopo19

* Assim como na gringa, a CENA nacional começa a desacelerar os lançamentos. A não ser que alguém meta o louco de tentar um disco ou single do ano este mês, uma estratégia ousada, é difícil imaginar que apareçam muito mais novidades. Ainda assim, temos bons lançamentos de quem aproveitou este finzinho de ano para chegar firme.

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1 – Mateus Aleluia – “Soluar” (Estreia)
O novo disco de Mateus Aleluia, “Afrocanto das Nações”, é a primeira etapa de um grandioso projeto de pesquisa chamado “Nações do Candomblé”. A ideia básica é “registrar e reatar a herança afro musical do Brasil”. Nesse primeiro volume, a busca é pelo Reino do Daomé – Benin, Cachoeira e Salvador. “Buscamos os Voduns, nos curvamos a eles…”, diz o texto presente no museu virtual que acompanha o disco. Destacar apenas uma canção do álbum, com esta bonita “Soluar”, é pretensão demais – vale mais a experiência completa. Separe uma hora e meia e mergulhe.

2 – BK – “Cidade do Pecado” (Estreia)
“Cidade Do Pecado” traz BK em parceria com o produtor JNXV$. A faixa-título apresenta um personagem em um relacionamento novo. Na conversa, as questões que a riqueza traz são levantadas pelo casal, em uma escrita cuidadosa na troca de vozes – vale escutar várias vezes para tentar entender quem diz o quê. Ainda que seja um EP, também vale escutar na íntegra e na ordem correta, pois as músicas desenvolvem uma história mais longa e que se conecta. Interessante. (Estreia)

3 – Alfamor – “Semente”
O mais novo reggae rasgado da sempre politizada gaúcha-paulistana-baiana Alfamor é uma delícia. E contundente também. Traz uma luz de Jah sobre as mulheres, de diferentes territórios, etnias, idades, corpos e origens sociais. Propõe usar o amor como escudo protetor, diz a letra. O vídeo é muito bonito e representativo de tudo isso.

4/5 – Don L – “volta da vitória” e “favela venceu” (1)
No ano em que a nossa música mais falou de sonhos que possam mudar os dias tristes do Brasil, “Roteiro para Aïnouz Vol.2”, novo álbum de Don L, talvez seja o que reúne mais elementos não só de sonho, mas também de caminhos para essa luta e principalmente para quais são os objetivos dela. Tá ruim? Massa, mas e aí? O que colocar no lugar? E com o rapper cearense não tem ideia nublada ou vaga. O crime tem culpado e não é acidente. Don L sabe que o projeto do Brasil deu certo, uma vez que esse projeto envolve massacrar minorias, destruir terras e territórios, ciênca, culturas e muito mais. Sua meta? Derrotar o inimigo, sem concessões, sem conchavo. Se perder, já ganhou, porque lutou do lado certo. Se vier a vitória de uma construção do novo país, precisa só ajudar a apontar novos caminhos. Mais interessante ainda é que, na perspectiva apresentada no álbum, essa luta não será ganha lá no futuro. Ela já foi vencida: Don L conta a história a partir do dia seguinte. Parafraseando Emicida: “Se isso não te motivar a deixar de sonhar com um outro mundo, eu não sei mais o que pode te motivar, chapa”.

6 – Chapéu de Palha – “Elo” (Estreia)
A dupla do Chapéu de Palha, formada por Giovanna Póvoas e Helder Cruz, conquistou a gente ao longo deste ano e traz agora toda sua doçura direto de Manaus em sua estreia em álbum, “Cais”. Para quem gosta de bonitas harmonias vocais, tranquilidade e violão, é tiro certo.

7 – Salvador da Rima, Felp 22 e DJ Cia – “Nike & Lacoste” (Estreia)
Dos nomes mais pesados da história do rap nacional, DJ Cia (RZO, Sabotage, Racionais) faz a cama sonora ideal para os jovens Salvador da Rima e Felp 22 brilharem em alta velocidade. Encontro de gerações de respeito.

8 – BADSISTA – “Bandida” (3)
Na revolução de Don L, só posso esperar que a balada do dia seguinte tenha um set madrugada adentro da Badsista. Se a produtora paulista quiser folgar no dia, algo muito justo, a gente coloca “Gueto Elegance”, seu primeiro álbum, para tocar por algumas horas. Que tal?

9 – Aláfia – “Quintal” (4)
A poderosa banda paulista Aláfia retoma as atividades após seu álbum lançado em 2019 e quebra este curto período sem novidades com um single que pode dar a pista dos próximos passos. “Quintal” tem tudo a ver com o tema das novidades desta edição. Nas palavras divulgadas pelo grupo, “a essência do quintal é ecossistema. A quintessência do quintal é o requinte da convivência”.

10 – Coruja BC1 – “Brasil Futurista” (5)
Uma das coisas mais interessantes do novo álbum do Coruja BC1 é que ele investiu em formatos diferentes para suas canções. Em muitas músicas, fica o destaque para estrofes mais curtas, com pique de refrão, e um forte investimento em refrões, pré-refrões, que deixam o álbum na mente de cara. Tudo isso sem enfraquecer a ideia, lógico. Não é porque tem menos texto que tem menos texto, sacou? E isso rola na potente “Brasil Futurista”. “O seu Brasil futurista/ Vive na idade média/ Fazendo média com comédia.”

11 – Vieira – “Fluente” (participação Bixarte, A Fúria Negra, Benkes) (6)
12 – Thiago França – “O Futuro um Dia Volta” (7)
13 – Eliminadorzinho – “Verde” (8)
14 – Tainá – “Brilho” (9)
15 – Pluma – “Revisitar” (10)
16 – Céu – “Bim Bom” (11)
17 – FBC – “Se Tá Solteira” (12)
18 – Fresno – “Casa Assombrada” (13)
19 – Luiza Brina, Sara Não Tem Nome e Julia Branco – “Exausta” (16)
20 – Vuto – “22 a Queima Roupa” (17)
21 – Gab Ferreira – “Karma” (18)
22 – Alessandra Leão – “Borda da Pele” (20)
23 – brvnks – “as coisas mudam” (21)
24 – Rabo de Galo, DJ Ubunto e Luedji Luna – “Me Abraça e Me Beija” (22)
25 – Vandal – “BALAH IH FOGOH” (24)
26 – Alice Caymmi – “Serpente” (25)
27 – Taxidermia – “Taxidermia Punk” (26)
28 – Juçara Marçal – “Ladra” (27)
29 – Criolo – “Cleane” (28)
30 – Caetano Veloso – “Não Vou Deixar” (29)
31 – Marina Sena – “Pelejei” (30)
32 – Prettos – “Oyá/Sorriso Negro” (31)
33 – Liniker – “Mel” (32)
34 – Valciãn Calixto – “Exu Não É Diabo (Èsù Is Not Satan)” (34)
35 – Bebé – “Sinais Elétricos na Carne” (35)
36 – Tasha e Tracie – “Lui Lui” (36)
37 – GIO – “Sangue Negro” (37)
38 – Linn Da Quebrada – “I míssil” (38)
39 – Rodrigo Amarante – “Maré” (39)
40 – Amaro Freitas – “Sankofa” (40)
41 – Pabllo Vittar – “Não É Papel de Homem” (41)
42 – Edgar – “A Procissão dos Clones” (42)
43 – Tuyo – “Toda Vez Que Eu Chego em Casa” (43)
44 – Jadsa – “Mergulho” (44)
45 – FEBEM – “Crime” (45)
46 – Boogarins – “Supernova” (46)
47 – Mbé – “Aos Meus” (47)
48 – Rico Dalasam – “Expresso Sudamericah” (48)
49 – LEALL – “Pedro Bala” (49)
50 – Lupe de Lupe – “Brasil Novo” (50)

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* Entre parênteses está a colocação da música na semana anterior. Ou aviso de nova entrada no Top 50.
** Na vinheta do Top 50, o músico Mateus Aleluia.
*** Este ranking é formulado por Lúcio Ribeiro e Vinícius Felix, talvez o maior estudioso da nossa CENA. Com uma pequena ajuda de nossos amigos, claro.

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Top 50 da CENA – Don L domina o pódio com duas músicas e a proposta de um Brasil diferente. Badsista completa o rolê com uma proposta mais “bandida”

1 - cenatopo19

* Semana passada falamos de ideias para o futuro e não é estranho que o tema, talvez o mais recorrente do ano, volte à tona. Mas quem dá a palavra agora é Don L, em um álbum que traça todinho um futuro bem diferente e melhor para o Brasil. Tanto que são duas músicas de uma vez que aparecem no pódio. Como a gente acha que tem que ser.

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1/2 – Don L – “volta da vitória” e “favela venceu” (Estreia)
No ano em que a nossa música mais falou de sonhos que possam mudar os dias tristes do Brasil, “Roteiro para Aïnouz Vol.2”, novo álbum de Don L, talvez seja o que reúne mais elementos não só de sonho, mas também de caminhos para essa luta e principalmente para quais são os objetivos dela. Tá ruim? Massa, mas e aí? O que colocar no lugar? E com o rapper cearense não tem ideia nublada ou vaga. O crime tem culpado e não é acidente. Don L sabe que o projeto do Brasil deu certo, uma vez que esse projeto envolve massacrar minorias, destruir terras e territórios, ciênca, culturas e muito mais. Sua meta? Derrotar o inimigo, sem concessões, sem conchavo. Se perder, já ganhou, porque lutou do lado certo. Se vier a vitória de uma construção do novo país, precisa só ajudar a apontar novos caminhos. Mais interessante ainda é que, na perspectiva apresentada no álbum, essa luta não será ganha lá no futuro. Ela já foi vencida: Don L conta a história a partir do dia seguinte. Parafraseando Emicida: “Se isso não te motivar a deixar de sonhar com um outro mundo, eu não sei mais o que pode te motivar, chapa”.

3 – BADSISTA – “Bandida” (Estreia)
Na revolução de Don L, só posso esperar que a balada do dia seguinte tenha um set madrugada adentro da Badsista. Se a produtora paulista quiser folgar no dia, algo muito justo, a gente coloca “Gueto Elegance”, seu primeiro álbum, para tocar por algumas horas. Que tal?

4 – Aláfia – “Quintal” (Estreia)
A poderosa banda paulista Aláfia retoma as atividades após seu álbum lançado em 2019 e quebra este curto período sem novidades com um single que pode dar a pista dos próximos passos. “Quintal” tem tudo a ver com o tema das novidades desta edição. Nas palavras divulgadas pelo grupo, “a essência do quintal é ecossistema. A quintessência do quintal é o requinte da convivência”.

5 – Coruja BC1 – “Brasil Futurista” (1)
Uma das coisas mais interessantes do novo álbum do Coruja BC1 é que ele investiu em formatos diferentes para suas canções. Em muitas músicas, fica o destaque para estrofes mais curtas, com pique de refrão, e um forte investimento em refrões, pré-refrões, que deixam o álbum na mente de cara. Tudo isso sem enfraquecer a ideia, lógico. Não é porque tem menos texto que tem menos texto, sacou? E isso rola na potente “Brasil Futurista”. “O seu Brasil futurista/ Vive na idade média/ Fazendo média com comédia.”

6 – Vieira – “Fluente” (participação Bixarte, A Fúria Negra, Benkes) (Estreia)
Os bons ventos da Paraíba trazem uma psicodelia agradável que atende pelo nome de Vieira. Ou Arthur Vieira. Na maturidade dos seus 20 e poucos anos, ele versa sobre os anos 20 em álbum com participações de Bixarte, o veterano Totonho, Gio, Teco Martins e Boogarins. Aliás, por falar na banda, a produção é do superguitarrista e, há algum tempo, superprodutor Benke Ferraz.

7 – Thiago França – “O Futuro um Dia Volta” (2)
E, por falar em futuro, em seu disco solo de experimentações na pandemia, gravado em casa, Thiago França coleta ideias e nessa bela instrumental anuncia que o futuro perdido por conta desse outro “Brasil Futurista” um dia volta. A gente acredita nessa ideia, Thiago.

8 – Eliminadorzinho – “Verde” (3)
Trio de rock alternativo paulista com fortes influências de Sonic Youth, que o proprio nome da banda já entrega, mais Dinosaur Jr e um monte de outras referências, o grupo chega firme em seu primeiro álbum, “Rock Jr.”, após muitos EPs. O clima lo-fi do começo ainda está lá, mas o corpo da experiência sonora é mais carregado e chega a flertar até com um rock mais radiofônico. Se as rádios brasileiras que ainda tocam rock não vacilarem, é umas. Energia bruta.

9 – Tainá – “Brilho” (4)
A gente tem um tempo que elogia a boa e criativa cena alternativa carioca, que lembra muito a cena alternativa paulistana dos anos 80. Tainá faz parte dessa turma e entrega um belo álbum em “Brilho”. Dançante na medida que é reflexivo. E a voz de Tainá revela um lugar onde a gente quer ficar por um tempo.

10 – Pluma – “Revisitar” (5)
A esperta banda paulista Pluma soltou um bom EP com alguns singles que já circulavam por aí, fora umas inéditas. Entre elas, “Revisitar”, que conta com participação do vocalista e letrista da banda O Grilo, Pedro Martins. Esse diálogo entre erudito e pop que existe no trabalho dos dois artistas casou bem aqui.

11 – Céu – “Bim Bom” (6)
12 – FBC – “Se Tá Solteira” (7)
13 – Fresno – “Casa Assombrada” (8)
14 – Duda Brack – “Oura Lata” (9)
15 – Wry – “Where I Stand” (10)
16 – Luiza Brina, Sara Não Tem Nome e Julia Branco – “Exausta” (12)
17 – Vuto – “22 a Queima Roupa” (13)
18 – Primitivo – “Pretos de Classe como Marighella (part. THC das Ruas e Camarada Janderson)” (14)
19 – Gab Ferreira – “Karma” (15)
20 – Alessandra Leão – “Borda da Pele” (17)
21 – brvnks – “as coisas mudam” (19)
22 – Rabo de Galo, DJ Ubunto e Luedji Luna – “Me Abraça e Me Beija” (21)
23 – Stefanie e Gigante no Mic – “Coroa de Flores” (22)
24 – Vandal – “BALAH IH FOGOH” (23)
25 – Alice Caymmi – “Serpente” (26)
26 – Taxidermia – “Taxidermia Punk” (14)
27 – Juçara Marçal – “Ladra” (24)
28 – Criolo – “Cleane” (25)
29 – Caetano Veloso – “Não Vou Deixar” (26)
30 – Marina Sena – “Pelejei” (27)
31 – Prettos – “Oyá/Sorriso Negro” (28)
32 – Liniker – “Mel” (29)
33 – Luana Flores – “Lampejo da Encruza” (30)
34 – Valciãn Calixto – “Exu Não É Diabo (Èsù Is Not Satan)” (31)
35 – Bebé – “Sinais Elétricos na Carne” (32)
36 – Tasha e Tracie – “Lui Lui” (34)
37 – GIO – “Sangue Negro” (35)
38 – Linn Da Quebrada – “I míssil” (36)
39 – Rodrigo Amarante – “Maré” (37)
40 – Amaro Freitas – “Sankofa” (38)
41 – Pabllo Vittar – “Não É Papel de Homem” (39)
42 – Edgar – “A Procissão dos Clones” (40)
43 – Tuyo – “Toda Vez Que Eu Chego em Casa” (41)
44 – Jadsa – “Mergulho” (42)
45 – FEBEM – “Crime” (43)
46 – Boogarins – “Supernova” (44)
47 – Mbé – “Aos Meus” (47)
48 – Rico Dalasam – “Expresso Sudamericah” (48)
49 – LEALL – “Pedro Bala” (49)
50 – Lupe de Lupe – “Brasil Novo” (50)

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* Entre parênteses está a colocação da música na semana anterior. Ou aviso de nova entrada no Top 50.
** Na vinheta do Top 50, o trio Fresno.
*** Este ranking é pensado e editado por Lúcio Ribeiro e Vinícius Felix.

CENA – Jup do Bairro aparece em 2021. Com uma inédita e um filme dela. Ouça e veja “Sinfonia do Corpo”

1 - cenatopo19

* As poderosas também choram, sentem frio e sentem fome. É o caso da incrível multiartista paulistana Jup do Bairro em seu novo single, a inédita “Sinfonia do Corpo”, produzido pela badass Badsista, com várias direções da própria Jup e que vem acompanhado de um curta-metragem-videoclíptico bonito de tão tocante, onde Jup do Bairro alterna o momento cantora e o momento discursivo, facetas diferentes mas que se encontram de sua voz ímpar e única.

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“Sinfonia do Corpo” (capa do single abaixo) é a primeira canção nova que Jup apresenta não só em 2021 mas desde que lançou seu maravilhoso EP de estreia no ano passado, o “Corpo Sem Juízo”.

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Tanto lá como cá, Jup do Bairro, artista travesti (e negra, gorda e periférica thankyouverymuch), ainda está às voltas com seu corpo, o do passado e o do presente. E, ela vai explicar abaixo, do futuro também. “Era um espaço vazio, quase nada se encontrava ali” é a frase que abre o single novo, para já dar uma ideia do que está por vir.

“Acredito que essa faixa é uma de minhas composições mais viscerais (literalmente). É uma viagem filosófica ao meu corpo e como o entendo. Entre dores e delícias, como podemos projetar o futuro se o presente é incerto? Como continuar caminhando mesmo com tanta dificuldade? Se existe morte em vida, podemos encontrar vida na morte? Eu não sei. Gravei essa voz no fim do ano passado, em um único rec e não quis gravar novamente. Sinto minha voz emocionada quando ouvi de fato o que eu estava falando. Vocês me conheceram por fora, agora quero me expor por dentro”, relata Jup sobre a letra de “Sinfonia do Corpo”.

O vídeo-curta de “Sinfonia do Corpo” mostra Jup se montando como drag queen, nos apresentando à Sonya 3000000. Segundo a artista, Sonya é “uma artista sonhadora, humilde e muito talentosa. Acorda cedo e passa o dia se arrumando para a sua apresentação online, em que não entra ninguém. Eu já senti isso, às vezes ainda sinto. As artistas independentes passam por um turbilhão de situações que as frustram: a falta de apoio, verba, estrutura… e mesmo assim, se maqueiam, se vestem e preparam o melhor de si”.

Ouça e também veja “Sinfonia do Corpo”, de Jup do Bairro, abaixo. Detalhe para uma camiseta da Fresno no varal da Sonya/Jup, daquelas alegorias improváveis legais.

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CENA – Lynn da Quebrada, a nova EVA, fecha o ano com “Quem Soul Eu”

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* “Localizada na transformação”, como bem definiu o anúncio da última música da CENA de um ano tão glorioso para esta CENA, apesar dos pesares, a cantora Lynn da Quebrada, com ajuda preciosa na produção da onipresente Badsista e os beats de Malka Julieta, dá adeus a 2020 com “Quem Soul Eu”, música trabalhada num drama todo pessoal.

“Enviadesci, fui bixa preta, mulher, bixa travesty. Matei e morri. Tenho 30 anos e me pergunto: de todas essas que já fui, neste momento, quem soul eu?”.

A letra de “Quem Soul Eu”, repare na perfeição do costumeiro jogo de palavras tão caro a Lynn, vai além da reflexão dela mesma e atira para uns bons lados também. Fala sobre máscaras caras e máscaras que caem.

“Quem Soul Eu” não é novidade para quem foi a uns bons shows de Lynn em 2019. E, sim, é o segundo registro de seu próximo álbum, de 2021, que vai levar o nome de “Trava Línguas”, que foi nome do último espetáculo da cantora. O primeiro single de seu novo trabalho é “Mate & Morra”, lançado em novembro.

Tem mais explicações boas para “Quem Soul Eu”.

“Mandei mensagem pra Malka Julieta e mostrei, disse que queria um arranjo de cordas que só ela poderia fazer, pois ela foi a primeira pessoa trans a tocar na Sala São Paulo. E com isso atingimos o ponto que queríamos desde o começo”, explica Badsista. “O ‘Trava Línguas’ sempre foi um jogo de três personagens: Linn, eu e o público. E cada vez que essa música acontecia ela acontecia de um jeito diferente. E aí é mesmo complicado pegar algo tão volátil e prensar num molde. Pois fizemos questão que fosse o molde mais bonito que ela podia ter.”.

Ficou assim:

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