Em baianasystem:

Popnotas – José Gonzalez, show e vídeo novo seis anos depois. Ride entra para o Primavera Sound. Hoje tem show em game do BaianaSystem. Coquetel Molotov anuncia edição mineira. E Van Etten & Olsen levam o hit lindo à TV

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– Parece que vamos ter inclusões a conta-gotas no line-up do gigantesco festival indie Primavera Sound Festival, para sua edição 2022 em Barcelona, Espanha. Aquele evento do pôster que nos deixou com os olhos doendo com tanta banda e, melhor, tanta banda boa mesmo nas linhas fininhas em letras pequenas do fim de escalação. Ontem eles anunciaram que o grupo francês Phoenix estava dentro para o segundo final de semana. Hoje, a revelação é que o veterano grupo Ride se apresenta tanto na programação grande do Parc del Forum dos dois finais de semana quanto na programação de shows que vão acontecer na cidade entre eles. O Primavera Festival acontece de 2 a 12 de junho do ano que vem.

CENA – A elétrica banda BaianaSystem faz show hoje às 18 horas nas plataformas Youtube e Twitch, como atração do game Valorant. A live, inédita, acontecerá dentro do jogo. O famoso game do futuro, gratuito e para PC, está completando 1 ano de seu lançamento. É a segunda vez faz uma ação para o game. Mas a primeira em live-action dentro do jogo. O grupo baiano, em nova experiência, lançou em etapas seu mais recente álbum, “OXEAXEEXU”, completado em abril pela faixa “Brasiliana”. Não foi divulgado qual o setlist do show do game mais tarde.

– O especialíssimo músico sueco de nome latino José González lançou hoje o vídeo de “Head On”, novo belo single que vai estar em seu próximo álbum, “Local Valley”, que sai em 17 de setembro. Vai ser o primeiro disco de González em seis anos. “Head On” é a faixa que encerra bem o álbum, por ter um pique e uma letra que estimula estar sempre com a cabeça erguida e olhar para frente. A música vai ser desempenhada ao vivo em um show online interativo que José Gonzáles fará desde o Jardim Botânico de Gotemburgo, seguido por uma sessão de perguntas e respostas para os fãs. Além de ter várias possibilidades de acompanhar o concerto do músico, mudando os ângulos das câmeras e até podendo escolher as canções a serem tocadas por ele. O show é pago, 19 dólares, e inclui ingresso ainda para a apresentação que José González fara no dia 12 de setembro, tocando o disco novo cinco dias antes de seu lançamento. Para comprar o ticket para os dois shows, é por aqui.

– Ainda que virtual, o festival pernambucano No Ar Coquetel Molotov anuncia para os dias 29 e 30 de junho sua edição mineira, feita em parceria com o Instituto Inhotim, o maior museu a céu aberto do mundo. Desde 2016, o evento recifense criado em 2004 tem mantido relações íntimas com a CENA mineira, em busca de novos talentos na cena local. O Coquetel mineiro terão dez nomes mineiros, dois selecionados por uma convocatória online: as cantoras Jhê (foto abaixo) e Paige. O rapper Joca e a já conhecida de bandas Marina Sena (A Outra Banda da Lua e Rosa Neon) estão na programação, entre outros destaques. Para informações e acesso aos shows, visite o site oficial do Coquetel. O No Ar – Etapa Minas Gerais acontecerá no canal de Youtube do Coquetel Molotov.

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– Elas se juntaram para lançar em maio uma das grandes músicas deste 2021. Ontem, as duas foram mostrar a canção pela primeira vez na TV. As cantoras e instrumentistas indie-folk americanas Sharon Van Etten e Angel Olsen se uniram recentemente para fazer a lindaça (com vídeo) “Like I Used to”, que de tão bonita não para de tocar nas rádios mais legais do planeta, Popload Radio inclusa obviamente. Na noite passada, elas levaram o pequeno e emotivo hit ao programa do Jimmy Fallon para tocarem ao vivo a música. Olha que coisa mais bonita.

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Top 50 da CENA – O ranking deixa Gustavo Bertoni e Giovanna Moraes entrarem em primeiro. Um raro e saudoso Jupiter Apple pega o segundo posto. E Yung Buda, em terceiro, deixa tudo mais esquisito

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* E vamos de mais um capítulo da nossa CENA, traduzida numa “parada de sucessos” instantânea. Com um primeiro lugar que parece quase nascido a partir deste Top 50, com a união de dois personagens que já frequentaram este espaço em outras ocasiões. Uma união recente que já nasce com cara de que sempre existiu – algo especial mesmo. Nas outras vagas, novidades do rap nacional, do indie-pop gaúcho e um resgate valioso do acervo de Júpiter Apple, entre outras novidades.

gioguquadradax

1 – Gustavo Bertoni e Giovanna Moraes – “Como Queria Te Deixar Entrar” (Estreia)
Acho que o Gustavo é leitor da Popload, hein? Parceria com a YMA, com o Apeles e agora com a Giovanna. Notamos um padrão com “prediletos da casa”. Mas, brincadeiras à parte, deu muito certo a união dele com a fora-da-curva Giovanna Moraes. Amigos pelas redes sociais inicialmente, aqui eles parecem parceiros das antigas, tal a conexão nas vozes e na letra – que é dela, mas soa muito verdadeira na voz do Gustavo. A música ainda ganha pontos pelos diferentes climas que consegue criar, chegando até a ficar bem abstrata antes de voltar ao “normal” – como um nó que se desfaz para ser refeito.

2 – Jupiter Apple – “Cerebral Sex (The Apple Sound)” (Estreia)
Astronauta Pinguim, Clegue França, Laura Wrona e Júpiter Apple formaram a The Apple Sound, a banda paulistana de Jupiter. Talvez você nunca tenha ouvido falar, porque esse quarteto durou apenas três shows em 2009. “Cerebral Sex”, único registro deles em estúdio, foi revelada pelo diretor de vídeos André Peniche, amigo do músico gaúcho, que já tinha ajudado na descoberta do disco solo perdido dele.

3 – Yung Buda – “Digimon” (Estreia)
Interessante a experimentação do Yung Buda, rapper de Jundiaí, aqui em um som superclimático, com levada de corda e de letra quase enigmática e repetitiva, um formato ousado e raro. Só que a repetição deixa tudo com cara de um som que não parece ter fim e que a gente fica desejando que não acabe mesmo.

4 – AkEEM MUSIC – “Eu Já Amei Uma Ginasta” (Estreia)
E, se eu te falar que você, ao ouvir esta música, vai ficar com o verso “Eu já amei uma ginasta” na cabeça. Parece algo improvável, certo? Mas o músico gaúcho consegue esse feito, ainda que provavelmente você nunca tenha se apaixonado por um ginasta. E o verso inusitado soa lógico neste indie-pop grudento produzido por Akeem.

5 – FEBEM – “Crime” (1)
Quantos jovens estariam encarcerados no Brasil se lidássemos com a questão das drogas de uma maneira mais inteligente que o combate violento que extermina parte da nossa juventude, especialmente periférica e negra? Quando FEBEM comenta “Dizem que cometemos crime” ele pensa essa perspectiva ao sentir que sua existência é criminalizada – por isso que ele começa o refrão com os versos “Uns finge, outros vive o crime”. Como responder a uma violência dessas desde o berço? “Na vida algumas coisa é como um Golf GTI/ Não cura minha dor, mas mesmo assim vou adquirir.”

6 – Aquino e a Orquestra Invisível – “Os Prédios Cinzas e Brancos da Av. Maracanã” (2)
Cara, o que acontece no Rio de Janeiro que a CENA local não para de dar bons frutos, hein? E o mais doido é que é tudo um som meio estranho que lembra muito coisas paulistanas. Um Rio mais da cidade do que da praia. Um Rio mais cinza. Mais de falar do que (se) mostrar. Nessas entra o som desse trio tijucano que consegue aliar uma longa narrativa de solidão com um dos refrões mais melancólicos e bonitos do ano.

7 – Boogarins – “Supernova” (3)
No disco de sobras e sonhos do Boogarins, eis uma música que poderia estar fácil em um dos álbuns oficiais dos meninos goianos. Talvez caiba numa lista de melhores deles? É muito? “Supernova” é bonitaça demais, por onde se olhe. Na letra, na dinâmica que vai se alterando sutilmente pelos versos, na voz suave do Dinho. E na mensagem da música: “Se tudo está pronto, que resta eu inventar? O novo é qualquer lugar”.

8 – Moons – “Love Hurts” (4)
Mal lançaram um bom EP, os mineiros do Moons resolveram soltar um single que é dos melhores trabalhos da banda. A gente imagina aqui um Jeff Buckley pirando nesse som superclimático que vai crescendo, ali numa das montanhas próximas a Belo Horizonte, onde nem um café quentinho vai aplacar essa ferida de amor.

9 – BaianaSystem – “Brasiliana” (Estreia)
Quando achamos que o BaianaSystem já tinha apresentado todas as músicas de seu novo álbum, eles revelam que a versão completa de “OXEAXEEXU”, que reúne os três atos lançados em diferentes EPs, tem uma faixa extra, um som com participação de Chico Cesár e Mintcho Garrammone, dono do instrumental de outro hit da banda, “Lucro (Descomprimindo)”. Nos versos espertos desta aqui destacada, recados como: “Vai, Brasiliano, você nunca foi norte-americano”.

10 – Bárbara Eugênia – “Hold Me Now” (Estreia)
Em uma persona diferente, no caso Djane Fonda, uma DJ, Bárbara se arrisca em uma produção eletrônica de clima quase de “Twin Peaks” – soturno e dançante. E, em breve, esse alterego da niteroiense deve lançar mais músicas. Fiquemos atentos.

11 – NoPorn – “Festa No Meu Quarto” (5)
12 – Jair Naves – “Vai” (6)
13 – FEBEM – “México” (7)
14 – Sophia Chablau e uma Enorme Perda de Tempo – “Delícia/Lúxuria” (8)
15 – Carmem Red Light – “Faith No More” (9)
16 – Jadsa – “Olho de Vidro” (10)
17 – Giovanna Moraes – “Boogarins’ Are You Crazy?” (11)
18 – Lupe de Lupe – “Resplendor” (12)
19 – Yannick Hara – “Raça Humana” (13)
20 – Jota Ghetto – “Vagabounce” (14)
21 – Uana – “Mapa Astral” (15)
22 – Mayí – “Sedenta” (16)
23 – BaianaSystem – “Reza Frevo” (17)
24 – Hierofante Púrpura – “Tbm Sou Hipster” (18)
25 – Jadsa – “Sem Edição” (19)
26 – Thiago Elniño – “Dia De Saída” (20)
27 – Luna Vitrolira – “Aquenda” (21)
28 – FBC – “Gameleira” (22)
29 – Rico Dalasam – “Última Vez” (23)
30 – YMA – “White Peacock” (24)
31 – Frank Jorge e Kassin – “Tô Negativado” (25)
32 – Mbé – “Aos Meus” (26)
33 – Giovanna Moraes – “Tudo Bem?” (27)
34 – Rico Dalasam – “Estrangeiro” (28)
35 – Rico Dalasam – “Expresso Sudamericah” (29)
36 – Jadsa – “Lian” (30)
37 – Djonga – “Eu” (31)
38 – Lupe de Lupe – “Cabo Frio” (32)
39 – LEALL – “Pedro Bala” (33)
40 – Barro e Luísa e os Alquimistas – “De Novo” (34)
41 – Filipe Ret – “F* F* M*” (35)
42 – Jadsa – “Raio de Sol” (36)
43 – BNegão – “Salve 2 (Ribuliço Riddim)” (37)
44 – Vanessa Krongold – “Dois e Dois” (38)
45 – Ale Sater – “Peu” (39)
46 – Jupiter Apple – “AJ1” (40)
47 – Apeles – “Eu Tenho Medo do Silêncio” (41)
48 – Rohmanelli – “Viúvo” (43)
49 – Ale Sater – “Nós” (49)
50 – Jadsa – “A Ginga do Nêgo” (50)

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* Entre parênteses está a colocação da música na semana anterior. Ou aviso de nova entrada no Top 50.
** Na vinheta do Top 50, o duo ocasional Gustavo Bertoni e Giovanna Moraes.
*** Este ranking é pensado e editado por Lúcio Ribeiro e Vinícius Felix. Com uma pequena ajuda de nossos amigos, claro.

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Popnotas CENA – O bilhete de convocação dO Terno. A nova do BaianaSystem. Os fragmentos do Thiago Ramil. E a Bárbara Eugênia possuída

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– Hoje o último disco lançado pela popularíssima banda paulistana O Terno, o ““, completa dois anos. E, para comemorar, duas coisas. Uma que o Tim Bernardes, o cabeça do trio, gravou uma session acústica no campo para “O Bilhete”, faixa do álbum, que fala em “feliz aniversário para nós dois”, aqui no caso a banda e o disco. O vídeo ele postou no IGTV do @o_terno, como você vê e ouve aí embaixo. Ainda hoje, 21h, no canal da banda no Youtube, vai ter audição de “” inteiro, discutindo as letras e com a banda conversando com galera no chat. É interessante uma audição de um disco bom anos depois, com todo o conhecimento que se tem dele, para falar sobre os efeitos que o tempo trouxe para fãs e para a banda.

– “Brasiliana”, nova canção do BaianaSystem com participação de Chico César e Mintcho Garrammone, é a faixa que completa a experiência do novo álbum da banda, “OXEAXEEXU”. Lançado inicialmente em três atos, “Navio Pirata”, “Recital Instrumental” e “América do Sol”, agora o álbum está disponível em sua totalidade, com a faixa nova inclusa e todo uma nova configuração na ordem dos sons. Ou seja, uma outra viagem, outra experiência. Tanto que os caras nem soltaram “Brasiliana” à parte do disco. Você chega a ela pelo álbum.

– Por falar em obras partilhadas em diferentes atos, Thiago Ramil, parte de uma das famílias mais ricas em artistas do Sul do Brasil, soltou “Todo Dia”, quarto EP do seu novo álbum visual que saí completo agora no dia 29 de abril. Durante todo o mês ele revelou as quatro partes do álbum em diferentes etapas, que contam com produtores musicais e videomakers diferentes, cada um dedicado a uma estação do ano – “O Sol Marca” (verão), “O Andar do Tempo” (outono), “E a Imensidão do Universo” (inverno) e “Todo Dia” (primavera). Se você reparar, a soma de cada título dá uma frase completa com sentido. É a frase que dá nome ao disco.

– A conhecida cantora Bárbara Eugênia foi possuída e está lançando uma série de singles pela sua outra identidade, a Djane Fonda, sua versão DJ, que muda uma chave dentro da mente criativa dela e a bota em caminhos mais eletrônicos. Hoje sai “Hold Me Now”, de Bárbara Eugênia/Djane Fonda, uma faixa de sua autoria (autoria de quem, na verdade?). Pelos beats indie-pop e a delicadeza da voz, parece música da trilha de Twin Peaks, para ficarmos no tema possessão. No mês que vem, a entidade Djane se mete com Tina Turner. Bárbara Eugênia, o corpo principal, lançou seu último trabalho, o sexto, “Tuda”, em 2019. “Hold Me Now”, esta da Djane Fonda, tem a colaboração de caras bons como Arthur Kunz, Zé Pi e Jojô Lonestar.

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Top 50 da CENA – FEBEM lidera o ranking (de novo), Aquino e a Orquestra Invisível devolve a leveza ao top 3 e o Boogarins não larga de ser lindo. E podia ser Moons, NoPorn e Jair Naves que estaria tudo bem

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* No episódio desta semana do TOP 50 da CENA, a gente ainda mostra uma certa obsessão pelo disco novo do rapper FEBEM e volta a premiá-lo com o topo usando mais uma faixa do seu grande álbum “Jovem OG”. Voltamos também a se espantar com as conexões indies que andam deixando paulistas com cara de carioca e vice-versa. Voltamos novamente a nos derreter pelo Boogarins e seu trabalho de sobras onde sobram tesouros a serem garimpados. Mas, olha só, também desbravamos novos territórios, já que não gostamos de ficar na mesma, não.

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1 – FEBEM – “Crime” (Estreia)
Quantos jovens estariam encarcerados no Brasil se lidássemos com a questão das drogas de uma maneira mais inteligente que o combate violento que extermina parte da nossa juventude, especialmente periférica e negra? Quando FEBEM comenta “Dizem que cometemos crime” ele pensa essa perspectiva ao sentir que sua existência é criminalizada – por isso que ele começa o refrão com os versos “Uns finge, outros vive o crime”. Como responder a uma violência dessas desde o berço? “Na vida algumas coisa é como um Golf GTI/ Não cura minha dor, mas mesmo assim vou adquirir.”

2 – Aquino e a Orquestra Invisível – “Os Prédios Cinzas e Brancos da Av. Maracanã” (Estreia)
Cara, o que acontece no Rio de Janeiro que a CENA local não para de dar bons frutos, hein? E o mais doido é que é tudo um som meio estranho que lembra muito coisas paulistanas. Um Rio mais da cidade do que da praia. Um Rio mais cinza. Mais de falar do que (se) mostrar. Nessas entra o som desse trio tijucano que consegue aliar uma longa narrativa de solidão com um dos refrões mais melancólicos e bonitos do ano.

3 – Boogarins – “Supernova” (4)
No disco de sobras e sonhos do Boogarins, eis uma música que poderia estar fácil em um dos álbuns oficiais dos meninos. Talvez caiba numa lista de melhores deles? É muito? “Supernova” é bonitaça demais, por onde se olhe. Na letra, na dinâmica que vai se alterando sutilmente pelos versos, na voz suave do Dinho. E na mensagem da música: “Se tudo está pronto, que resta eu inventar? O novo é qualquer lugar”.

4 – Moons – “Love Hurts” (Estreia)
Mal lançaram um bom EP, os mineiros do Moons resolveram soltar um single que é dos melhores trabalhos da banda. A gente imagina aqui um Jeff Buckley pirando nesse som superclimático que vai crescendo, ali numa das montanhas próximas a Belo Horizonte, onde nem um café quentinho vai aplacar essa ferida de amor.

5 – NoPorn – “Festa No Meu Quarto” (Estreia)
O mítico electrosexy duo NoPorn adaptado aos novos tempos. Instituição das melhores festas paulistanas, a dupla hoje formada por Liana Padilha e Lucas Freire leva a pista para outro lugar, um mais íntimo, seu quarto, nosso quarto, de quem estiver disposto a aceitar o convite charmoso do duo enquanto pandemias e lockdowns ou meio-lockdowns perdurar. Sabe a onda de cantar falando, Florence Shaw? Dá uma ligada na Liana.

6 – Jair Naves – “Vai” (Estreia)
Na dolorida e talvez de amplos sentidos “Vai”, Jair consegue reunir um som que soa quase “estragado” – tanto que faz a gente checar se o computador não está travando – com talvez o que seja uma de suas canções mais “certinhas”, com a melodia vocal e instrumental se encaixando docemente. Bonito. E a gente fica na dúvida, aqui. Será que ele está mesmo comentando um relacionamento aí?

7 – FEBEM – “México” (1)
Se na música lá de cima FEBEM comenta a dualidade da palavra “crime” no Brasil, “México” tem a esperta sacada em inverter um lugar comum do rap – em linhas gerais, não temos um rapper versando sobre o crime, mas o inverso. Ou quase, já que o final da música adiciona um mistério sobre o narrador e nubla as ideias. Para pegar o filme completo, só escutando o disco todo. O que não é nenhum trabalho, acredite.

8 – Sophia Chablau e uma Enorme Perda de Tempo – “Delícia/Lúxuria” (2)
Mais algumas conexões da CENA carioca atual com a CENA paulistana de outrora, tudo junto e misturado e fazendo o maior sentido. Mas aqui no sentido contrário da coisa, já que temos uma banda de paulistas, herdeiros do grupo Rumo, soando muito como os novos cariocas que soam como paulistas do grupo Rumo, para completar o interessante rolê geográfico-temporal. Entende?

9 – Carmem Red Light – “Faith No More” (Estreia)
Carmem Red Light, artista trans brasileira radicada na Europa há mais de 20 anos, mexe com muitas coisas em seu neste single. Ela, que nasceu em Cajazeiras, no interior da Paraíba, e hoje é cidadã londrina, assume um lado “Marilyn Manson encontra David Bowie” e ainda mexe com religião e sexualidade. O som é soturno? Sim, mas por que não seria, dadas as circunstâncias todas?

10 – Jadsa – “Olho de Vidro” (3)
Quantas semanas de Jadsa já no Top 10?

11 – Giovanna Moraes – “Boogarins’ Are You Crazy?” (8)
12 – Lupe de Lupe – “Resplendor” (5)
13 – Yannick Hara – “Raça Humana” (6)
14 – Jota Ghetto – “Vagabounce” (7)
15 – Uana – “Mapa Astral” (9)
16 – Mayí – “Sedenta” (10)
17 – BaianaSystem – “Reza Frevo” (11)
18 – Hierofante Púrpura – “Tbm Sou Hipster” (12)
19 – Jadsa – “Sem Edição” (13)
20 – Thiago Elniño – “Dia De Saída” (14)
21 – Luna Vitrolira – “Aquenda” (15)
22 – FBC – “Gameleira” (16)
23 – Rico Dalasam – “Última Vez” (17)
24 – YMA – “White Peacock” (18)
25 – Frank Jorge e Kassin – “Tô Negativado” (19)
26 – Mbé – “Aos Meus” (20)
27 – Giovanna Moraes – “Tudo Bem?” (21)
28 – Rico Dalasam – “Estrangeiro” (22)
29 – Rico Dalasam – “Expresso Sudamericah” (23)
30 – Jadsa – “Lian” (24)
31 – Djonga – “Eu” (25)
32 – Lupe de Lupe – “Cabo Frio” (26)
33 – LEALL – “Pedro Bala” (27)
34 – Barro e Luísa e os Alquimistas – “De Novo” (29)
35 – Filipe Ret – “F* F* M*” (30)
36 – Jadsa – “Raio de Sol” (31)
37 – BNegão – “Salve 2 (Ribuliço Riddim)” (32)
38 – Vanessa Krongold – “Dois e Dois” (33)
39 – Ale Sater – “Peu” (34)
40 – Jupiter Apple – “AJ1” (35)
41 – Apeles – “Eu Tenho Medo do Silêncio” (36)
42 – Lupe de Lupe – “Goiânia” (37)
43 – Rohmanelli – “Viúvo” (38)
44 – Boogarins -“Far and Safe” (39)
45 – Rincon Sapiência – “Som do Palmeiras” (40)
46 – Monna Brutal – “Neurose” (41)
47 – Luna França – “Terapia” (42)
48 – Yannick Hara – “Antidepressivos” (43)
49 – Ale Sater – “Nós” (44)
50 – Jadsa – “A Ginga do Nêgo” (45)

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* Entre parênteses está a colocação da música na semana anterior. Ou aviso de nova entrada no Top 50.
** Na vinheta do Top 50, a banda carioca Aquino e a Orquestra Invisível.
*** Este ranking é pensado e editado por Lúcio Ribeiro e Vinícius Felix. Com uma pequena ajuda de nossos amigos, claro.

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Top 50 da CENA: O indie-mental health alcança solo brasileiro e vem pesado ao nosso ranking. Primeiro lugar: “Terapia”. Segundo: “Antidepressivos”

1 - cenatopo19

* A CENA brasileira parece conectada a uma tendência que já observamos lá fora: a indie-mental health. Se quiser ler mais sobre esse movimento (já consideramos um) vale dar uma lida neste post que publicamos na Semiload, umas semanas atrás. As duas primeiras posições da nossa parada desta semana abordam o assunto de modo explícito já no título. E talvez, até o Ale Sater, em seu olhar ao seu interior, possa ser colocado nessa turma. Sinais dos nossos tempos. Estamos trancafiados, as coisas não estão simples lá fora. Cantar sobre isso, que já vinha ganhando força nos últimos anos, aflorou na pandemia e hoje em dia é uma forma de terapia coletiva. A gente acredita que isso possa ser bom, já que só uma maior interação e comunicação sobre esses papos pode ajudar todos nós a lidarmos com isso. Música sempre é uma terapia. Que aborde isso, então. E vai dar tudo certo no fim.

lunaquadrada

1 – Luna França – “Terapia”(Estreia)
O lindo segundo single da cantora entre muitas-outras-coisas Luna França aterrissa de bico nesta onda forte da música nova, aqui e lá, que é o indie-mental health, do qual temos falado bastante na Popload. Na canção, ela descreve um sentimento feio, em suas palavras, ou seja, faz terapia em tempo real mesmo. “Escrevi essa letra como se estivesse escrevendo um diário e refletindo sobre essa sensação de posse que é real e até bem comum. A gente não quer ver a pessoa triste, mas também não quer ver mais feliz que a gente.” Forte. Como é a canção em si.

2 – Yannick Hara -“Antidepressivos”(Estreia)
Ainda no campo da mental health, Yannick Hara aborda por aqui outro aspecto da questão: o abuso de remédios como uma forma de afastar toda e qualquer dor (inclusive a da alma), uma forma de camuflar alguns problemas. O clima do som pega um tanto de The Cure nos momentos mais sombrios, uma vibe ointentista, céu nublado e um frio lá fora. E um frio mais doído lá dentro.

3 – Ale Sater – “Nós” (Estreia)
“Nós”, com seus dedilhados grandiosos de violão acústico, afastam Ale Sater do clima urbano do som do Terno Rei e o leva, sozinho, para o interior. Talvez o seu próprio interior, onde ele tenha que lidar com fantasmas em tom nostálgico, algo longe do romantismo urgente que embalou “Violeta, o mais recente e bem-sucedido álbum do Terno Rei, de 2019.

4 – Jadsa – “A Ginga do Nêgo” (1)
Há um quê de divino e de mântrico no primeiro single da guitarrista e cantora baiana Jadsa, “A Ginga do Nêgo”, que perdurou duas semanas no primeiro lugar deste ranking da CENA. Acredite quando ler que a música serve para “abrir caminhos” para o primeiro álbum da artista, “Olho de Vidro”, que sai no dia 26 de março. “A Ginga do Nêgo” é atravessada por uma guitarra cortante, evoca Exu, orixá da encruzilhada, o mensageiro da comunicação entre os vivos e as divindades, tem um baixo potente de Caio Terra e certamente deixaria orgulhoso Itamar Assumpção. Que musica gigante, embora com menos de dois minutos de duração.

5 – A Espetacular Charanga do França – “Cadê Rennan?” (2)
Sem poder ir para a rua, A Espetacular Charanga do França aproveitou para soltar um disquinho novo onde tentaram sem sucesso escapar de um som carnavalesco. Esse “fracasso” está no nome do disco, “Nunca Não É Carnaval”. Acabou que o título ganhou significado duplo por conta da pandemia que persiste. Das boas músicas, vale muito esta homenagem a Rennan da Penha que se refere bastante ao funk de BH.

6 – Winter – “Violet Blue” (3)
Se no Top 10 Gringo demos destaque ao Jevon, um inglês que é quase brasileiro, vamos dar atenção aqui para a Winter, projeto de Samira Winter, curitibana que vive na Califórnia, nos EUA – e é quase mais deles que nossa. É que a gente não deixa. “Violet Blue” é uma viagem deliciosa pela voz de Winter e por uma guitarra que parece se desintegrar e se recompor em uma distorção amalucada.

7 – Pluma – “Mais do Que Eu Sei Falar” (4)
A gente já conversou por aqui sobre esse grupo novo e esperto que saiu de um TCC – todos estudavam produção e a banda extrapolou o curso. Tem este single deles aqui que deixamos passar em 2020, mas agora escutamos e amamos demais.

8 – Tagore – “Tatu” (5)
No ano passado, falamos aqui que o músico pernambucano Tagore preparava seu novo álbum, “Maya”. 2020 acabou e nada do disquinho. Mas agora parece que vai e eis “Tatu”, o primeiro single deste novo trabalho. Pelo inspirado refrão “Tatu, tá tudo muito louco”, você já tem um grau da viagem. Um som para aliviar as pressões do mundo ali de fora.

9 – Kill Moves – “Perfect Pitch” (Estreia)
A banda mineira de dream pop Kill Moves consegue transformar Belo Horizonte, 2020, em Slough, Inglaterra, anos 90. Sabe aquele casamento entre barulheira e melodias quase adocicadas? Rola por aqui. “Perfect Pitch” merece sua atenção pelos diversos momentos que cria – do noise inicial, momentos mais melódicos e um break percussivo.

10 – DJ Grace Kelly – “PPK” (Estreia)
A DJ baiana Grace Kelly, que vive na frenética Berlim, manda aqui uma “ode às sapatonas e bissexuais” que vai muito além do que essas três letras podem significar”, em sua palavras. A música é um batidão funky dentro da house que não perde o fôlego em pouco mais de 3 minutos de som. A faixa faz parte do EP “Dengo”, a ser lançado em breve

11 – Jamés Ventura – “Ser Humano” (6)
12 – Jovem Dionísio – “Copacabana” (7)
13 – Píncaro – “Leito de Migalhas” (8)
14 – Atalhos – “A Tentação do Fracasso” (9)
15 – Edgar – “Prêmio Nobel” (10)
16 – Jup do Bairro – “O Corre” e “O Corre” (Bixurdia Remix) (11)
17 – BK – “Mudando o Jogo” (12)
18 – Antônio Neves e Ana Frango Elétrico – “Luz Negra” (13)
19 – BaianaSystem e BNegão – “Reza Forte” (14)
20 – Compositor Fantasma – “Pedestres Violentas” (15)
21 – Zé Manoel – “Saudade da Saudade” (16)
22 – Gustavo Bertoni e Apeles – “Ricochet” (17)
23 – Jair Naves – “Todo Meu Empenho” (18)
24 – Kamau – “Nada… De novo” (19)
25 – Letrux – “Dorme Com Essa (Delirei)” (20)
26 – MC Fioti – “Bum Bum Tam Tam” (21)
27 – Rincon Sapiência – “Tem Que Tá Veno” (Verso Livre) (22)
28 – MC Carol – “Levanta Mina” (23)
29 – Marabu – “Capítulo 5: Sereno” (25)
30 – Criolo – “Fellini” (28)
31 – Linn da Quebrada – “quem soul eu” (29)
32 – Wry – “Absoluta Incerteza” (32)
33 – Rico Dalasam e Jup do Bairro – “Reflex” (33)
34 – YMA – “White Peacock” (34)
35 – Ana Frango Elétrico – “Mulher Homem Bicho” (35)
36 – Luedji Luna – “Chororô” (36)
37 – Black Alien – “Chuck Berry” (37)
38 – Vovô Bebê – “Bolha” (38)
39 – Sabotage e MC Hariel – “Monstro Invisível” (39)
40 – Emicida e Gilberto Gil – “É Tudo Pra Ontem” (40)
41 – Liniker – “Psiu” (41)
42 – Tuyo – “Sonho da Lay” (42)
43 – KL Jay – “Território Inimigo” (43)
44 – Boogarins – “Cães do Ódio” (44)
45 – Dexter, Djonga, Coruja BC1, KL Jay, Will – “Voz Ativa” (45)
46 – Mateus Aleluia – “Amarelou” (46)
47 – Valciãn Calixto – “Nunca Fomos Tão Adultos” (47)
48 – Negro Leo – “Tudo Foi Feito pra Gente Lacrar” (48)
49 – Don L – “Kelefeeling” (49)
50 – Mahmundi – “Nós De Fronte” (50)

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* Entre parênteses está a colocação da música na semana anterior. Ou aviso de nova entrada no Top 50.
** Na vinheta do Top 50, a cantora Luna França.
** Este ranking é pensado e editado por Lúcio Ribeiro e Vinícius Felix. Com uma pequena ajuda de nossos amigos, claro.

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