Em balaclava:

CENA – Conexão Balaclava reúne domingo Terno Rei e Samuel Rosa para papo e música

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* Sabia que a turma da banda indie Terno Rei é fissurada no Skank? Quem escuta a banda talvez não perceba a influência, mas é isso que a gente descobre no papo que rolou durante a reunião inédita do grupo indie paulistano com o líder do famoso grupo mainstream mineiro.

Esse encontro entre Terno Rei e Samuel Rosa, um quase ex-Skank já que a turnê de despedida da banda ficou meio desencontrada por conta da pandemia, é uma novidade criada pela turma sempre ligeira da Balaclava Records e vai ser transmitido pelo Youtube no próximo domingo, dia 3, às 18h.

A ideia se chama Conexão Balaclava. Nesse rolê, dois artistas de diferentes lugares e gerações colocam sua obra frente a frente e batem um papo sobre a estrada e a carreira, enquanto repassam músicas de ambos em conjunto.

Essa primeira edição do Conexão Balaclava com Samuel Skank e Terno Rei foi gravado em São Paulo. Com um bônus: as músicas resultantes do programa vão para as plataformas digitais também, no dia seguinte, ampliando a proposta do encontro. Já tem pre-save e tudo.

Se ligue no trailer e já deixa a notificação habilitada:

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CENA – Jadsa usa a guitarra para abrir seus caminhos na ótima “A Ginga do Nêgo”. Com uma ajudinha de Exu

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* Há um quê de divino e de mântrico o primeiro single da guitarrista e cantora baiana Jadsa, “A Ginga do Nêgo”, que está sendo lançado pelo selo Balaclava Records nas plataformas digitais.

Acredite quando ler que a música, que não tem nem dois minutos de duração, serve para “abrir caminhos” para o primeiro álbum da artista, “Olho de Vidro”, que sai no dia 26 de março, disco esse bancado pela Natura Musical.

“A Ginga do Nêgo”, excelente canção atravessada por uma guitarra cortante, evoca Exu, orixá da encruzilhada, o mensageiro da comunicação entre os vivos e as divindades. Evoca Exu no ódio, sambando manco, mão forte no couro, rasgando beats, abrindo pro santo, rodando, dando. Está na letra.

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A encruzilhada de Jadsa é ser uma guitarrista alternativa dentro da diversa cena baiano. E, se o álbum “Olho de Vidro” tiver mais músicas como esta “A Ginga do Nêgo”, ela vai atravessá-la bonito.

“Na letra eu sinto que tem uma raiva, vontade de explodir tudo, olhar para a frente e seguir. Essa força eu sinto em Exu, por isso o cito”, fala Jadsa.

Na música em si, e em um campo mais “terreno”, tendo a guitarra como instrumento abridor de caminhos, “A Ginga do Nêgo” evoca algo grandioso tipo The Edge no U2 dos anos 80, cabe o exagero. Ainda que as barreiras a serem rompidas naquele tempo e espaço para a banda irlandesa eram outras.

A música é uma das diversas parcerias de Jadsa com o baixista Caio Terra, que a acompanha nos palcos desde 2014 e é responsável pelo arranjo. “A Ginga do Nêgo” a princípio era um poema e foi adaptado para o arranjo de baixo.

Tanto o single quanto o álbum em si Jadsa os guardam desde 2019, quando gravou tudo no Red Bull Studios, em São Paulo. “Olho de Vidro”, o disco, vem suceder o EP de 2020, “Taxidermia vol. 1”, que teve João Milet Meirelles (BaianaSystem) como colaborador na produção musical. Os dois seguem o trabalho em “Olho de Vidro”.

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* As imagens de Jadsa, deste post e da chamada dele na home da Popload, são do parceiro João Milet Meirelles.

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CENA – RØKR “aglomera” com seu fantasma no vídeo de “Noir”, seu ótimo novo single

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* Lado alta-cultura do selo paulistano Balaclava, mas que podia estar na inglesa Warp Records, o projeto electro-classudo do produtor recifense então paulistano Robert Kramer, o fino RØKR, não poderia ter escolhido um melhor período pandêmico para lançar “Noir”, o primeiro single de seu novo EP, marcado para ser lançado no dia 26 de fevereiro.

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O período ideal mencionado tem a ver com seu vídeo, que sai junto com o single, ilustrando uma solidão fantasmagórica em ambientes internos e externos vazios. Que combina super com a bela peça musica de “eletrônica inteligente”, uma dance music mais para pensar do que para propriamente dançar. E já passamos a pensar quando vemos que as internas do vídeo foram gravados na casa Tokyo vazia, nestes sinais dos tempos tenebrosos que nos ronda, representado na figura que assombra Kramer a todo momento no visual de “Noir”.

O EP que sai em fevereiro é “Uz”, onde esta “Noir” e mais três músicas estão inseridas. O disco, sucessor do álbum de estreia do RØKR, também da Balaclava e que levava o nome do projeto, era para ter saído no ano passado. Mas fantasmas pessoais e gerais empurraram essa obra do indie-eletrônico cool para agora em fevereiro.

Ainda não vai ser um delicioso inverno para combinar com a sonoridade de RØKR. Mas, como não vai ter Carnaval mesmo, está valendo.

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* As imagens de Roberto Kramer usadas neste post são de Nicolas Camargo.

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Shame lança disco novo e o show que quase derrubou o Breve, em SP, aparece no YouTube

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* A banda Shame, um dos grandes nomes da retomada do pós-punk inglês deste século, dona de um dos melhores álbuns de 2018 – “Songs of Praise”, seu álbum de estreia -, lançou nesta sexta-feira seu aguardado segundo álbum, “Drunk Tank Pink”.

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E, para muito além dos ótimos singles que a gente já conhecia, e enquanto absorvemos seus 40 minutinhos da íntegra para entender se a turma do vocalista Charlie Steen conseguiu dar conta da sempre desafiadora missão do segundo álbum, o selo paulistano Balaclava Records soltou no YouTube, assim como quem não quer nada, a íntegra do show que o Shame deu aqui no clube Breve, em São Paulo, em 2019 – aquecimento para a apresentação igualmente destruidora dentro do Balaclava Festival no dia seguinte (na Audio).

Alerta de gatilho total. Seja pela aglomeração saudável da época, seja pela saudade de colar naquele canto da Pompéia que abriga um importante palco da música alternativa em São Paulo.

Ali que o Shame fez, de acordo com nós mesmos, o segundo melhor concerto daquele ano – perderam só para a Patti Smith. A gravação é bem simples. Câmera fixa, som decententemente caótico e vamos lá. É o suficiente para entender por que resumimos aquela uma hora e pouco em “um show espetacular, daqueles de derrubar uma casa”.

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Aproveitando o embalo, ouça a íntegra de “Drunk Tank Pink”, que saiu hoje.

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CENA – Kill Moves aproxima (mais) Belo Horizonte da Inglaterra com novo single

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* É engraçado como parte da CENA indie mineira tem uma obsessão com o britpop ou o shoegaze do comecinho dos anos 90. Isso não é um problema, veja bem.

Não à toa a melhor banda de cover do Oasis do mundo é de BH. O grupo Devise é de BH. Samuel Rosa, do Skank, pode olhar uma live destes tempos aqui na Popload, passa britpop para seu filho, da Daparte. O Lava Divers, de Araguari, cidade iluminada do Triângulo Mineiro, é muito shoegaze.

E tem o quarteto Kill Moves, que acabou de lançar a bela “Timeless Visions”, nome sugestivíssimo para seu novo single, que saiu com um vídeo gastro-lisérgico e a assinatura da Balaclava Records.

Hoje em dia mais dream pop que o Ride, mais shoegaze que os sorocabanos do Wry sempre foram e já não são mais tanto, porque até em português andam cantando, o Kill Moves nos faz pensar com suas visões atemporais, eternas.

Porque se uma pegada sonora tão própria de um período e de uma região é feita assim, em 2020, tão naturalmente, ela, sim, já virou “timeless”.

Boa viagem!

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* “Timeless Visions” é o segundo single do Kill Moves neste ano. A banda, que tem dois EPS e um single lançados entre 2016 e 2018, revelou “Colorful Noises”, agora em 2020. Vem álbum por aí?

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