Em Barcelona:

Rolês legais pelo mundo, parte 1: Sónar anuncia line-up incrível com Thom Yorke, Gorillaz e até o Modeselektor

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Chegou aquela época do ano em que os festivais do verão europeu começam a mexer com o nosso imaginário ao anunciarem suas atrações incríveis. Tipo o Sónar.

O festival de música avançada de Barcelona, um dos mais conceituais e importantes do mundo, revelou as atrações para a sua edição de 25 anos, entre 14 e 16 de junho.

Passarão pelo evento nomes como Thom Yorke, Gorillaz, LCD Soundsystem, Modeselektor, Bonobo, Goldlink, Wiley, Richie Hawtin, John Talabot com set de 6 horas e ainda o Diplo envolvido em diversas ações do festival.

Ficou tipo assim:

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O sabadão do Primavera Sound: o delicioso Metronomy, King Krule mostrando música nova, Haim de surpresa e um tal de Arcade Fire (e mais)

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040617_arcadefire2Foto: RTVes

O incrível Primavera Sound teve um sábado agitado na linda Barcelona. O festival, um dos mais procurados pela galera indie e que quer ficar antenada com tudo de legal que anda acontecendo na música, sediou alguns shows imperdíveis no dia de ontem.

Destaque total para o headliner Arcade Fire, que desde Barcelona anunciou para o mundo o lançamento de seu próximo álbum, “Everything Now”, com show surpresa e intimista na quinta-feira. No de ontem, arena entupida de gente querendo ver a trupe canadense, que tocou, além do single que dá título ao disco novo, a outra inédita “Creature Comfort”.

Outros destaques no set foram “Neon Bible”, tocada pela primeira vez desde 2008, e “In The Backseat”, que voltou ao show pela primeira vez em sete anos.

Além do Arcade Fire, outras atrações que abrilhantaram o sábado na terra do Neymar incluem o veterano Teenage Fanclub, o delicioso Metronomy, o trio Haim (de surpresa), e os ótimos Hamilton Leithauser e King Krule, este mostrando as novas The Locomotive (aos 20:55 do vídeo), Deep Sea Divers (34:00) e Half Man, Half Shark (46:50).

Abaixo, alguns vídeos dos shows, incluindo as apresentações completas do Hamilton e do King Krule.

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A saxofonista PJ Harvey e sua batalha no Primavera Sound, em Barcelona

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* Popload em Barcelona. Ainda o Primavera Festival.

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E esse show da PJ Harvey, toda de preto, vestidão todo com cortes e transparências, em Barcelona, hein?!?!?!?!

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BARCELONA  04 06 2016 PRIMAVERA SOUND  Concierto de PJ HARVEY en el Parc de Forum  FOTO FERRAN SENDRA

BARCELONA 04 06 2016 PRIMAVERA SOUND Concierto de PJ HARVEY – FOTO FERRAN SENDRA

A última vez que vimos a musa indie PJ Harvey em ação, foi no Coachella 2011, ela tinha lançado o disco anterior, “Let England Shake”, um álbum tão forte e “de guerra” quanto este novo, de agora, “The Hope Six Demolition Project”. Mas, lá atrás, a crítica era interna, o olhar era para seu umbigo, a Inglaterra. Harvey na época se apresentou de branco, estava na pegada de tocar harpa e o sentido da bronca talvez fosse “só” um alerta, como que se a artista tivesse uma esperança qualquer no ser humano britânico e na merda política e social que estavam causando.

Sábado passado, no festival Primavera Sound, em seu primeiro show para valer, grande, como uma verdadeira estreia em palco desde que lançou seu nono álbum, foi um recado de que é guerra. E mundial. Toda de negro, fazia uns movimentos meio tribais como uma dança, empunhando um saxofone como uma arma (do qual não largou em toda boa primeira parte do show, em que fez um “show do disco novo”). E que lindo que foi.

É um show contemplativo-interpretativo. Forte como ideologia, envolvente e sexy ao mesmo tempo. As músicas do disco crescem uma barbaridade ao vivo. A banda que a acompanha, liderada pelo velho parceiro John Parish e o grande Mick Harvey, que há tempos trabalha com a outra Harvey e unha-e-carne eterno de Nick Cave, é um absurdo. Aquele palco, aquela luz. Era música, mas o conceito de arte era mais largo do que um “mero” concerto.

Daí, quando aquele espetáculo político-musical de PJ Harvey acabou, mostrando as intenções atuais da artista com seu novo álbum, vieram seus hits. Ainda que contaminado pelo cenário do palco de “The Hope Six Demolition Project” e pela atmosfera artisticamente criada, ela foi e cantou a clássica “50ft Queenie”, de 1993, época em que estava aparecendo e aí sim era uma musa indie. Depois, entre outras, com um andamento diferente, lento, mas tão lindo quanto, “To Bring You My Love”, para o show praticamente acabar inesquecível e bem melhor que aquele do Coachella 2011, que esteve longe de ser ruim.

Por fim, veio “River Anacostia”, do disco novo, amarrando tudo, de um jeito vocalizado, gospel, com a plateia vendo PJ Harvey no palco mas já começando a ir embora, feliz, porque o show tinha acabado e aquela era uma trilha de deslocamento.

Puta merda!

* A foto deste post e a da home da Popload saíram no jornal espanhol “El Periódico”.

** A Popload voa pela Europa a convite da KLM e Air France.

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Como se fosse 2000, Avalanches bota Barcelona para dançar e mostra novas músicas

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Foto: Otaner La Cumbuca

Foto: Otaner La Cumbuca

O incrível The Avalanches, armada australiana que balançou o indie no ano 2000 com o disco “Since I Left You”, anunciou recentemente sua volta após 16 anos.

Hoje trio formado por Robbie Chater, James Dela Cruz e Tony Di Blasi, o grupo australiano vai lançar dia 8 de julho seu novo álbum “Wildflower”.

Um dos primeiros anúncios oficiais do retorno da banda foi justamente o do show no Primavera Sound. E, dado o imenso hiato e sumiço do grupo, um grande público acompanhou o show certamente curioso com o desempenho dos australianos quase duas décadas depois.

No palco, o Avalanches mostrou o single novo, “Frankie Sinatra”, e outra inédita, “Subways”, que pode ser ouvida por telefone em cidades australianas.

“Wildfower” terá participações especiais de Father John Misty, Toro y Moi, Jennifer Herrima (Royal Trux), Biz Markie e Jonathan Donahue (Mercury Rev). Jens Lekman, Connan Mockasin e Empire of the Sun chegaram a gravar material com o grupo, mas as versões finais das canções não estão entre as 21 do álbum.

** A Popload voa pela Europa a convite da KLM e Air France.

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O Primavera Sound de Barcelona, visto sob a ótica de Parquet Courts e Ty Segall

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* Popload em Barcelona.

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Tem um Ty Segall no meio do povo. Foto: GETTY

Tem um Ty Segall no meio do povo. Foto: GETTY

* Mais um Primavera Sound histórico acabou na Europa, neste final de semana, com shows num centro cultural lindo de Barcelona que vendia mojitos como água e reuniu dos curitibanos Water Rats e os paulistanos Inky, O Terno e Aldo the Band, ao histórico Mudhoney e aos bagunceiros punk do Black Lips, com direito a um show surpresa do Deerhunter. Que lugar é esse?!?!?!

Antes, por quatro dias, há algumas estações de metrô dali, 20 minutos de táxi, no incrível Parc del Fòrum, por quatro dias centenas de banda se apresentaram para mais de 200 mil pessoas neste primeiro dos grandíssimos festivais do verão europeu, que agora vai ter música chacoalhando o velho continente de todo jeito, por todos os lados. A Popload vai ver se encaixa mais um no circuito, desta vez um… digamos… diferente.

Já a absurda Barcelona, uma das cidades mais legais para circular no planeta, já se prepara agora para mais uma extracool edição do vanguardista Sónar, que acontece enquanto pertinho daqui, na França, as principais seleções de futebol se digladiam na Euro 2016, aumentando os agitos locais em escala assustadora.

Daí que, então, o que queríamos dizer neste começo de semana é que o Primavera pode ser grosseiramente dividido em uns quatro blocos de shows legais. O primeiro é o do show do Radiohead, que faz parte de uma outra liga, de uma outra coisa. O segundo é aquele que juntou atrações como o fundamental LCD Soundsystem, a sempre maravilhosa PJ Harvey, a comoção saudosa do Brian Wilson tocando clássico e clássicos dos Beach Boys, a balada psicodélica para multidões do Tame Impala e mais alguns outros. O terceiro é ver o indie brasileiro fazendo a farra muita ou pouca gente no sempre movimentado palco de novíssimas tendências, enquanto o palco de novas tendências era o Pitchfork, já para um indie mais… popular. Repare nas congruentes incongruências dessa fala toda acima e você tem a medida do que é o Primavera Sound.

Agora, você tem o quarto tipo de shows legais, onde solam dois heróis atuais do indie americano: Parquet Courts e Ty Segall. Que shows maravilhosos. Molecada agitada na frente, cabeças se mexendo e crowdsurf rolando solto do primeiro ao último acorde, momentos que constroem as melhores vibes do festival. Aqui não tem contemplação, não tem divisão público e banda: é envolvimento. É o tipo de show que eu gosto de estar. Assim:



* A foto da chamada na home, com as menininhas legais, é da WARP.

** A Popload voa pela Europa a convite da KLM e Air France.

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