Em bartees strange:

Bartees Strange, o estranho, volta com anúncio do segundo álbum e um single novo

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* O singular músico inglês de alma americana Bartees Strange, que indie gosta, rapper gosta e emo gosta (!), anunciou finalmente seu segundo disco, “Farm to Table”, que sairá pela 4AD. Chique.

Amigo do Bon Iver e ídolo confesso da Courtney Barnett com um só disco, Bartees vai botar o álbum na rua no dia 17 de junho, nas plataformas.

Para celebrar essa “good news”, o cara revelou um novo single, que estão colocando na prateleira de “indie-trap”. Talvez faça sentido. Chama “Cosigns” e termina com um poema gritado que ele compôs na adolescência (hoje ele tem 33).

“I don’t know how to be full, it’s the hardest to know, I keep consuming I can’t give it up, It’s never enough”, diz a peça.

“Cosigns”, intensa quando despenca do hip hop para o rock, veio com um vídeo tão estranho quanto Strange.
Confira.

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* A foto de Bartees na chamada da home da Popload é de Bartees Leon Piotrowski.

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Top 10 Gringo – Lil Nas X toma conta do ranking, óbvio. Halsey traz rock ao topo (!). Bomba Estéreo bota a Colômbia no nosso mapa

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* Nesta semana não tem nem muita discussão. Lil Nas X vinha desenhando um superprojeto para o seu primeiro álbum e feito: “Montero”, sua estreia em disco, é a prova de que o menino está longe, muito longe de ser astro de um hit só. Se bem que… Alguém ainda tinha dúvidas? “Montero” já chega com dois singles enormes. Tava meio na cara. Apesar da vitória fácil, a semana teve outras boas novidades. Pluga seu ouvidinho na playlist.

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1 – Lil Nas X – “Sun Goes Down”
Talvez sonoramente Lil Nas X não apresente uma grande novidade. A ousadia de “Old Town Road” em unir rap e country não se repete no seu primeiro álbum, que tem um diálogo mais tradicional do pop com outros gêneros. Mas é difícil pensar em outro artista atual que coloque suas questões pessoais sobre assuntos delicados, como sexualidade e saúde mental, de maneira tão sincera em um universo de bilhões de plays. Não é que ele aborde os assuntos, ele se coloca mesmo na questões, se entrega, conta o que rolou dentro da própria mente. E sua audiência é gigante e atenta. A angústia e soluções de Lil não vem por metáforas e isso talvez seja sua grande novidade. Fora as músicas, todas, ou quase, bem boas.

2 – Halsey – “I Am Not a Woman, I’m a God”
Halsey com auxílio da dupla Atticus Ross e Trent Reznor chega-chegando aqui. A letra aborda uma questão pessoal recente de Halsey, que após a gravidez repensou a questão do gênero em sua vida. Ela calculou que se sentiria mais ligada a feminilidade, mas mudou sua percepção quando isso não rolou. E isso é só uma das camadas de interpretação: as dualidades apresentadas na música podem ter sentidos que não captamos ainda.

3 – Bomba Estéreo – “Deja”
Lá em abril destacamos esse poderoso single da banda colombiana Bomba Estéreo, mas a gente até tinha se esquecido disso. Agora, escutando ela no álbum “Deja”, que acabou de sair, a gente relembrou o quanto este som é maravilhoso. “Pitchfork” e “Rolling Stone” americana também rasgaram elogios ao álbum. Não estamos sozinhos.

4 – Nick Cave and the Bad Seeds- “Earthlings”
Quem gostou do álbum de 2019 da banda, “Ghosteen”, precisa escutar este lado B que Nick e sua banda lançaram para o álbum “B-Sides & Rarities Part II”. A gente até fica imaginando o que tirou ela do álbum, já que o próprio Nick define a música da seguinte maneira: “Elo perdido que une Ghosteen. Uma linda música”. O nível com mister Cave é outro, mesmo.

5 – Snail Mail – “Valentine”
Este primeiro single do que será o segundo álbum da jovem Lindsey Jordan começa levantando a suspeita de que ela teria abandonado as guitarras, indo para direções mais eletrônicas/climáticas. Pode até ser. Mas ela caí maravilhosamente no rock quando chega ao refrão, se entregando a uma bela barulheira cantada a plenos pulmões.

6 – Self Esteem – “Moody”
Self Esteem, a persona solo de Rebecca Lucy Taylor, chega afiada na letra ácida de “Moody”: “Mandar nudes para você no meio de uns papos de saúde mental parece contraproducente/ Beber uma garrafa toda em vez de uma taça é um clássico meu”. Esse texto sem medo também se dá no seu pop mais radiofônico do que nunca, uma sonoridade que ela resolveu abraçar aqui, sem receio de colocar tudo que sabe para jogo. Do seu supervocal que pede por repeats aos barulhinhos que preenchem a canção.

7 – The War on Drugs – “I Don’t Live Here Anymore”
Segue aquela vibe meio Dylan e meio Springsteen que a gente ama. Desta vez, Adam Granduciel chega até repetir um pedaço da incrível “Shelter from the Storm”. É a banda que a gente aprendeu a gostar fazendo o que sabe fazer de melhor. Sempre uma viagem gostosa de carro por um estradão no interior. A gente aposta que vem disco novo bom deles por aí, pelo que temos de single até agora.

8 – Xenia Rubinos – “Don’t Put Me in Red”
Sem lançar nada desde sua estreia em 2016, com o excelente “Black Terry Cat”, Xenia Rubinos, filha de porto-riquenha e cubano, lançou agora o último single que adianta “Una Rosa”, seu próximo álbum. Com letra em parte em espanhol, a música integra a metade azul do disco, que terá músicas mais introspectivas.

9 – Bartees Strange – “Lady Luck”
O selo Secretly Canadian completa 25 anos e coloca seu catálogo para ser revisitado por diversos artistas. Caiu no colo do nosso querido Bartees Strange, sempre presente por aqui, esta bela canção de Richard Swift, músico de trajetória solo e que tocou com o Black Keys.

10 – Sharon Van Etten – “Femme Fatale”
Criar um bom cover de qualquer clássico do Velvet Undergound é desafiador, já que um dos pontos das canções é justamente o jeitão que apenas o Velvet Underdound era capaz de dar a elas. Mas Sharon se vira bem aqui adicionando mais camada e amplificando a canção. Como se isso fosse possível. E foi.

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* A imagem que ilustra este post é de Lil Nas X.
* Este ranking é formulado pelo duo Lúcio Ribeiro e Vinícius Felix

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Popnotas 2 – Música novíssima da Little Simz. Ooooooutra do Weezer. Bartees Strange sendo estranho. E Alanis Morissette sentindo falta da banda dela

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– Pensa na saudade que estamos do show da Little Simz no Popload Festival de 2019. Ok, ou de qualquer show. Mas daí pensa na nossa alegria de saber que a inglesa (foto na home) está preparando um álbum novo. Vem aí “Sometimes I Might Be Introvert”, no ainda distante mês de setembro. Mas já sabemos que serão 19 faixas, contando com alguns interlúdios, e que teremos participações especiais de cantora e flautista Cleo Sol e Obongjayar, cantor nigeriano baseado em Londres. A primeira prévia do álbum é o single “Introvert”, um som de seis minutos com toques orquestrais e letra quilométrica, um tratado sobre conflitos internos em tempos sombrios. Pesadíssimo. E um vídeo bastante intenso.

– Cansamos de falar aqui e tals. Mal saiu o disco mais orquestral do Weezer e vem por aí “Van Weezer”, o novo álbum da banda que olha com carinho para o rock e metal dos anos 80. Dessa safra, a banda apresentou mais um single, “I Need Some of That”, que é uma velha conhecida dos mais fanáticos pelo trabalho do Rivers Cuomo. Ela fez parte do segundo álbum em japonês que ele lançou em parceria com o músico Scott Murphy. A letra em japonês pouco tem a ver com a nova letra em inglês e a música tem uma outra pegada. Coisa do Weezer.

Bartees Strange, o maluco músico inglês que vive nos Estados Unidos e consegue fazer uma mistura muito bem feita de rap, indie e emo, sacou uma antiga do Bon Iver, “Skinny Love”, de 2007, em uma sessão na rádio por satélite SiriusXMU. Uma versão voz e violão bem simples e bonita.

– A outrora graaaaaaaaande artista canadense Alanis Morissette ela-mesma deu o ar de sua graça no “Tonight Show” do Jimmy Fallon, ontem, na TV. Ela enviou um vídeo cuidadosamente gravado ao programa, cantando “I Miss the Band”, sua nova música. Que exatamente fala sobre o quanto ela sente saudade da banda dela. A canção, superemotiva, foi feita para arrecadar fundos para ajudar a galera de bastidor da indústria da música. Alanis, no ano passado, lançou seu nono álbum, “Such Pretty Forks in the Road”, seu primeiro disco de estúdio em oito anos.

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POPNOTAS 2 – A volta do Jools Holland, a vinda da Billie Eilish e o Bartees Strange no Tiny Desk

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* O grande músico e apresentador de TV britânico Jools Holland está de volta em mais uma temporada, ainda que em espírito de home-office, de seu famoso “Later…”. Neste esquema, em vez da tradicional reunida de várias bandas num mesmo palco, ele convida alguns músicos ao seu estúdio em Londres para conversas e apresentações que são intercaladas também com momentos do seu belo e rico arquivo. No primeiro episódio dessa nova retomada, as performances são de Kings of Leon, Arlo Parks e Sleaford Mods. Pensa. Embora a gente não tenha disponível por aqui o BBC iPlayer, que tem a íntegra do programa, dá para assistir uma faixa de cada uma das apresentações no YouTube da BBC Music. Tipo esta, dos nossos heróis Sleaford Mods.

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* “Billie Eilish: The World’s a Little Blurry”, documentário sobre os bastidores do primeiro álbum da Billie Eilish e seu entorno, será lançado nesta sexta-feira na Apple TV+ – e também nos cinemas brasileiros (para quem for de cinema). Um pouco antes, às 23h da quinta, rola pelos canais Apple e no YouTube da Billie um esquenta do documentário, com performance ao vivo e um bate-papo com o radialista fera Zane Lowe, que comanda a Beats 1, da Apple. E tem mais: uma versão ao vivo de “Ilomilo”, a música com o verso que dá nome ao filme, já foi entregue às plataformas digitais. Tipo assim:

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*Bartees Strange, músico inglês que cresceu nos Estados Unidos e mistura de um jeito muito louco rap, indie rock, emo e jazz, gravou uma edição espetacular do famoso programa online Tiny Desk (Home) Concert, predileto da casa. Mandou quatro músicas do seu excelente “Live Forever”, disquinho lançado em 2020. Dê uma chance pelo menos para a primeira faixa, “”Boomer”, que já apareceu pelo nosso Top 10 Gringo.

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TOP 10 Gringo: que ranking é este? Arlo Parks, FKA Twigs, Madlib, Tune-Yards, Idles e ela: Sophie. 2021 agora começou

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* Uma semana de alegrias e tristezas no mundo musical. É um prazer ver a Arlo Parks brilhar em sua estreia e uma dor saber que não teremos mais o brilhantismo da SOPHIE por aí. Nessa enxurrada de emoções, muitas boas músicas foram lançadas. Um dos TOP 10 mais simples de se pensar desde que começamos nossa missão semanal de toda terça-feira trazer aquela playlist do que anda rolando lá fora para facilitar sua vida. O mais complicado foi conferir certa ordem a tantas canções boas.

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1 – Arlo Parks – “Hurt”
Complicado mesmo foi decidir qual a nossa melhor música do reluzente álbum de estreia de inglesa Arlo Parks. “Collapse in Sunbeams” é maravilhoso e fez valer o hype. Sim, acredite nele. Uma vez com essa dúvida, vamos destacar “Hurt”. Bela na composição, no toque, nos timbres – que som de bateria é esse? – e na letra. Não dá para saber exatamente o que aflige o personagem da canção – Depressão? Vício? -, mas Arlo avisa: essa dor não dura para sempre.
2 – Madlib – “One For Quartabê/Right Now”
Arquiteto. Mago. Mestre. Produtor, DJ, rapper, Madlib é dos grandes. Seu novo álbum “Sound Ancestors” respeita essa história. É um disco de beatmaker com começo, meio e fim. A ideia veio do produtor Four Tet, que sugeriu a Madlib um disco onde seus beats fossem o centro de tudo, sem participações especiais. A voz do álbum é a voz que Madlib consegue colocar em suas construções sofisticadas. Nessa bela festa, um som é dedicado ao Quartabê, conjunto brasileiro formado por Maria Beraldo, Joana Queiroz, Chicão e Mariá Portugal. E nesta que vamos!
3 – FKA Twigs – “Don’t Judge Me”
“Don’t Judge Me” tem tudo o que a FKA Twigs pode oferecer de bom: sua voz angelical absurda, hip hop, trip hop, participações importantes, como a do rapper Headie One e o produtor Fred Again, conexões da mais moderna música black e tudo mais. Estamos superansiosos pelo seu novo álbum. Twigs andou falando que seu terceiro disco vem aí com o maior número de colaborações que ela já teve.
4 – Tune-Yards – “Hold Yourself”
Vem aí disco novo da californiana Tune Yards, a parceria musical do casal Merrill Garbus e Nate Brenner. Além do som bom e vibrante deste single, vale dar um destaque à letra que toca no ponto da dificuldade de todos em superar suas questões a partir de uma reflexão que muitos não se dão conta: “Seus pais também são filhos”.
5 – Idles – “Carcinogenic”
Falar da classe trabalhadora, defender os direitos básicos, criticar a desigualdade social. “Carcinogenic” é um dos protestos mais diretos do Idles, aquele papo reto que não deixa dúvidas. No vídeo desse som, a militância da banda vai as ruas para defender as casas independentes de show, que tanto sofreram com a pandemia, são responsáveis pela existência do Idles e que precisam sobreviver a esta complicada crise.
6 – Weezer – “Screens”
“OK Human” é o álbum de piano e cordas do Weezer. Embora a proposta soe rebuscada, as canções ainda carregam a essência de sempre da banda para o bem e para o mal. Felizmente o saldo aqui parece mais positivo em um punhado de canções. “Screens” capta a obsessão de todos por telas e as implicações sofridas deste mal do século. Musicalmente lembra a clássica “Hash Pipe”. Repara.
7 – Jade Bird – “Headstar”
Enquanto prepara o sucessor de seu primeiro álbum, lançado em 2019, a inglesa Jade Bird resolveu sacudir um pouco as coisas com uma música direta ao ponto sobre relacionamentos e aquela falta de comunicação que impede que eles simplesmente comecem. Uma música leve com aquele refrão para berrar junto, sabe?
8 – Bartees Strange – “Boomer”
Bartees Strange é um músico inglês que cresceu no Oklahoma mas é radicado em Washington DC. A mistura geográfica é também musical. Seu som reúne elementos do rap e do indie rock com toques emo e um perfume de jazz de um jeito que nunca vimos antes. Sério. Ouça o primeiro álbum do garoto, “Live Forever”.
9 – Goat Girl – “Badibaba”
“Badibaba” é a música indie mais torta deste ano. Parece uma coisa, mas termina outra. Urgente você dar uma olhada no que esse quarteto de garotas inglesas andam aprontando em seu segundo álbum.
10 – SOPHIE – “Immaterial”
A perda de SOPHIE foi um baque. Ela tinha apenas 34 anos. Por isso a gente relembra aqui, como homenagem, um de seus grandes sons, a penúltima faixa de seu único álbum, “Oil of Every Pearl’s Un-Insides”. Esta faixa é uma pequena mostra de sua capacidade de aglutinar, em uma música experimental, uma enxurrada de elementos pop. Uma mistura para embaralhar a cabeça e trazer questões. Como é possível que tantas melodias reconhecíveis de outros lugares soem tão originais ao mesmo tempo? É uma pergunta que cabe dentro da canção de SOPHIE, mas que pensando bem também faz sentindo no universo das canções pop. Trabalho genial.

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* A imagem que ilustra este post é da cantora inglesa Arlo Parks.
** Repare na playlist. A gente inclui as 10 mais da semana, mas sempre deixa todas das semanas anteriores. Pensa no panorama que isso vai dar conforme o ano for seguindo…
*** Este ranking é formulado por Lúcio Ribeiro e Vinícius Felix.

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