Em bataclan:

O show tem que continuar. Eagles of Death Metal retorna aos palcos após o terror em Paris

>>

150216_eagles1

Atração do Lollapalooza Brasil mês que vem, a banda norte-americana Eagles of Death Metal fez seu primeiro show após os incidentes ocorridos na França no início de novembro.

A casa de shows Bataclan foi o principal alvo de terroristas e quase 100 fãs que assistiam ao show do grupo na capital francesa perderam a vida na noite de 13 de novembro.

Ainda buscando se recompor do jeito que dá da tragédia, o EODM abriu sua turnê europeia no último sábado, em show esgotado na cidade de Estocolmo.

Jesse Hughes participou de um programa de TV local e disse que a tragédia ainda está muito recente na memória dos integrantes do grupo. “É um sentimento complexo e não há uma forma simples de abordar este assunto. Resolvemos começar pela Suécia para que pudéssemos construir um impulso para chegar a Paris novamente. Não quero deixar ninguém para baixo. Não é fácil”, confessou o vocalista, se referindo ao retorno do grupo à Paris, em show que acontece nesta terça-feira, 16.

No show sueco, a banda tocou canções de seu mais recente disco, “Zipper Down”, e uma cover de “Brown Sugar”, dos Rolling Stones.

Eagles of Death Metal Setlist Debaser Medis, Stockholm, Sweden 2016, The Nos Amis Tour

>>

Bataclan ao longo das décadas: 10 shows importantes realizados na casa de shows de Paris

>>

161115_fans_eagles

Fãs do Eagles of Death Metal no Bataclan, minutos antes do início do show

O terrorismo atingiu em cheio, entre outras grandes coisas, uma das casas de música independente mais importantes do planeta, deixando seu futuro em suspenso. Construído em 1864, refeito em 1952, classificado como monumento histórico francês em 1991 e reformado em 2006. Com capacidade para 1.500 pessoas, o Bataclan de Paris é um dos redutos artísticos mais tradicionais da Europa.

Espécie de terreno sagrado para novos artistas, o local já foi palco de grandes shows ao longo das décadas, do Police ao Metallica, passando por Oasis, Prince e Arctic Monkeys. Mesmo quem se consagra e fica maior que o Bataclan, costuma voltar à casa de shows para apresentações intimistas.

Cerca de 72 horas, a casa de shows emitiu seu primeiro comunicado após a tragédia da última sexta-feira, 13/11, mais em tom de condolências às vítimas e aos familiares do que informando propriamente o que vem por aí.

Nessas horas em que todo mundo que já esteve em Paris viaja logo no tempo para relembrar passagens pela cidade, cabe dizer que no Bataclan vi, por exemplo, o Pulp em sua fase áurea nos anos 90 e um Foo Fighters em fase de crescimento no início dos anos 2000.

Em uma pesquisa rápida, são muitos os registros em vídeo e áudio de shows nas últimas décadas na casa de shows. Em um apanhado breve feito pela Popload, resolvemos destacar 10 shows importantes do Bataclan desde os anos 70 com Lou Reed, John Cale & Nico até abril deste ano, com o Godspeed You! Black Emperor. Apesar da dor, revolta e comoção, a gente sabe que o show sempre deve continuar.


LOU REED, JOHN CALE & NICO 1972

GENESIS 1973

THE POLICE 1979

JEFF BUCLKEY 1995

BLUR 2003

ARCTIC MONKEYS 2006

OASIS 2008

THE GOSSIP 2009

THE SPECIALS 2014

GODSPEED YOU! BLACK EMPEROR 2015

161115_jesse_bataclan

Jesse Hughes e seu público, momentos antes do terror que se instalou no Bataclan

>>

A música e o horror. Eagles of Death Metal, Paris e o terrorismo

>>

Screen Shot 2015-11-16 at 10.09.22

Banda Eagles of Death Metal em ação no Bataclan, sexta, em Paris, momentos antes de o lugar sofrer um ataque terrorista que fez centenas de vítimas

**

* E não é que nosso mundinho de música independente, pop, rock, de garagem, ligado ao grunge, ao deserto da Califórnia, foi devastado na sexta à noite com cenas de horror que aconteceram em Paris, e deu tétrica fama mundial ao grupo Eagles of Death Metal? No clube Bataclan, tradicional reduto de shows da capital francesa que certamente teria muito leitor da Popload vendo a banda lá se esse leitor estivesse em Paris no momento. A banda saiu ilesa, fisicamente falando. Cerca de 90 pessoas que viam o show morreram, sob tiros da intolerância de outras esferas, mais complicadas. O fato terrível em si, mais a reação geral da música contra extremismos de tal ordem, nos mostrou o seguinte nas últimas horas:

* Quando o indie encontrou o extremismo islâmico. O momento em que o show do Eagles of Death Metal foi interrompido a tiros no Bataclan.

Screen Shot 2015-11-16 at 10.19.43

Coincidência macabra, os tiros terroristas começaram quando a banda tinha acabado de tocar a cover “Save a Prayer”, do Duran Duran, e estava no meio de “Kiss the Devil”…

* Entre os mortos, na platéia, muitos membros da indústria musical, que estavam no Bataclan sold-out (1500 pessoas, tipo um Cine Joia lotado) para ver o show francês do badalado novo álbum da banda de Jesse Hughes (e de uma certa forma também banda de propriedade de Josh Homme, do Queens of the Stone Age, que não excursiona com o grupo, mas participa do álbum e de algumas apresentações ao vivo). Algumas das vítimas:
– Nick Alexander, 36 anos, integrante da equipe do EODM, foi atingido ao cuidar da mesa de merchandising oficial da banda, por estar vendendo camisetas, vinil, CD e pôster, no Bataclan.
– Guillaume Decherf, 43 anos, destacado jornalista de uma das revistas de música mais legais do mundo, a “Les Incrockuptibles”, onde ele trabalhava desde 2008. Decherf recentemente fez a crítica do novo álbum do Eagles of Death Metal para a revista.
– Thomas Ayad, 34 anos, francês, e gerente de produtos internacionais da Mercury Records, divisão da Universal Music que tem o EODM em seu cast para lançamento na Europa. Ayad estava com dois amigos da gravadora na hora do show. Ambos também morreram.

* A banda U2 tinha show grande a ser realizado em Paris no sábado. Obviamente cancelaram. Os quatro da banda foram no dia seguinte próximo ao Bataclan para depositar flores num memorial que fizeram às vítimas do clube. Em tributo às vítimas dos atos terroristas na capital francesa, em especial ao ocorrido no Bataclan, postaram um trecho de letra do Eagles of Death Metal no Instagram, da música “How Can a Man With So Many Friends Feel So Alone”, assinado por todos do U2.

Screen Shot 2015-11-16 at 9.31.02

* O Motorhead ia tocar em Paris no domingo e cancelou. Transferiu para janeiro. O Foo Fighters, hoje, segunda. Não vai rolar. O Coldplay ia fazer um show para transmissão on line para o mundo todo, direto dos EUA. Desistiu, em razão dos eventos terroristas em Paris. A banda americana Deftones ia tocar exatamente no Bataclan, ontem e hoje. Desnecessário dizer que…

* A rainha pop Madonna parou seu show do sábado em Estocolmo, na Suécia, para chorar pelo que ocorreu em Paris. Depois fez um discurso poderoso, onde disse que não tinha vontade de estar lá cantando coisas alegres, mas que “They want to shut us up. They want to silence us, and we won’t let them. We will never let them”.

* O Coldplay abriu seu concerto sexta à noite em Los Angeles (já era sábado de manhã em Paris) com uma cover do hino pacificador “Imagine”, clássico de John Lennon.

* Em seu show no Morumbi, São Paulo, sábado passado, o Pearl Jam apresentou a mesma canção de Lennon. Antes de tocá-la, no primeiro bis, Eddie Vedder discursou por Paris em português.

>>