Em beabadoobee:

Qual sua “música do verão”? De Wet Leg a Silk Sonic, escolha entre os cinco hits mais bombados da atualidade (do ano)

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* “Verão” numas, né? Mas vamos nessa.

O conceito de “hit do verão” emplaca mais nos EUA e Europa, terras mais frias que a nossa, quando o Sol abre forte por lá, quando a galera se empolga e sai para parques, festivais de todo tipo, escurecendo só tipo 10 da noite, aquelas coisas. E isso precisa de uma trilha sonora acidental ou incidental. E temos o chamado “hit do verão”, que aqui é mais tratado de “hit do Carnaval” e versa geralmente sobre funk, axé, ritmos mais “nossos”.

Pois nós por aqui escutamos bastante rádio gringa e vimos chegando as tais músicas que estão marcando esta temporada lá fora (da volta de festivais às aberturas de bares, parques e lojas ainda que a delta toc. toc. toc.) e que tem muito a ver com o que a gente “trata” aqui na Popload.

Então, para matar nossa curiosidade, selecionamos aqui cinco delas para estabelecermos um ranking (nossa cara) e ver qual é, também, nossa música do verão. Podemos depois até fazer os hits da CENA do nosso inverno, na sequência.

A combinação é o seguinte: a gente elenca cinco “hits do verão”, você vota no nosso Instagram na sua predileta (ou sugere um outro hit) e construímos assim, juntos, o Top 5 desta “temporada de abertura da vida”.

Vai lá:

** Beabadoobee, “Last Day on Earth”

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** Wet Leg, “Chaise Longue”

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** Silk Sonic, “Leave the Door Open”

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** Billie Eilish, “DNA”

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** Angel Olsen & Sharon Van Etten, “Like I Used to”

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Top 10 Gringo – Beabadoobee pede licença e senta no topo. Kamasi Washington não se importa. Mas James Blake parece incomodado (inclusive com o Finneas). Que “top”este Top!

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* Não olhamos as datas de aniversário da galera que a faz a música que a gente gosta, mas daqui parece um listão só de artistas novos – uns bem novatos, com um single, outros jovens ainda mesmo que não seja no papel, como James Blake ou Kamasi Washington. Ou alguns que já se sentem mais velhos ainda que não sejam, como a Lorde. Mas, em resumo, uma semana de boas músicas com essa feliz coincidência. A base vem forte. Dá uma olhada na nossa playlist, para ver. E rumo às 300 músicas listadas.

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1 – Beabadoobee – “Cologne”
A bateria lembra um tanto “Song 2”, do Blur, no começo, numa pegada mais desacelerada porque não estamos mais nos anos 90. Mas talvez seja só impressão nossa. A sequência entrega um pop feminino sueco tipo Cardigans no vocal, indie pôs-grunge americano de mulheres em uns barulhinhos no meio e algo de britpop temperando. Além de ser da turma que está devolvendo a guitarra ao pop, Beabadoobee escreve bem demais. Em uma música sobre sexo e se sentir bonita, ela abre espaço para uma metalinguagem esperta: “Odeio o tema dessa música”, canta em certo momento, entregando um pouco da sua timidez apesar da escrita sincera.

2 – Kamasi Washington – “Sun Kissed Child”
Parte de um EP criado pelo site The Undefeated com vários artistas, Kamasi entrega esta bela track de deliciosos oito minutos. Ainda que seja nosso trabalho escrever umas linhas sobre a música, Kamasi é daqueles que gosta de tornar nosso trabalho totalmente dispensável. Seu som transborda por linhas criativas em cada instrumento, pelo vocais incríveis de Dwight Trible e Patrice Quinn. E não é que até conseguimos escrever algo? Vale uma atenção na bateria, tocada pelo irmão do Thundercat, Ronald Bruner Jr.

3 – James Blake – “Say What You Will”
Em uma música sobre se aceitar e não ficar se comparando com os outros, Blake ainda cria um vídeo já com ares de clássico – onde seu personagem, um James Blake fracassado, sofre com inveja do Finneas, sim, ele mesmo, aquele irmão da Billie Eilish. Começa a ansiedade pelo novo disco inglês, uma das participações especiais é da SZA. Dificilmente Blake erra em algo.

4 – Wet Leg – “Chaise Lounge”
Considere os fatores: duo feminino britânico + Domino Records + uma única música lançada que já é hit + mixagem de um cara que já lidou com os Arctic Monkeys + postura cool + letra bem humorada + vídeo incrível. Believe the hype.

5 – Lorde – “Stoned at the Nail Salon”
Acredite. Aos 24 anos, Lorde escreve sobre estar envelhecendo e ter que pegar – seja lá o que isso signifique. Esse papo de CRINGE a atingiu em cheio mesmo, não é? Brincadeiras à parte, este som, que ainda tem Clairo e Phoebe Bridgers nos backings para ser o momento reflexivo do novo e aguardado álbum da neozelandesa, é, digamos, profundo.

6 – Tops – “Party Again”
Alerta de gatilho. A música das canadenses do Tops lança a pergunta: quando vamos festejar de novo? Ainda que não seja sobre pandemia, mas sim sobre ter saudade de uma pessoa que só vemos em festas, fica esse duplo sentido para nós. E fica a música boa também.

7 – She Drew the Gun – “Class War”
Na sua bio no Twitter, Louisa Roach, a dona do She Drew the Gun, se define como trabalhadora, socialista, feminista e mãe. Natural que um de seus sons denuncie a luta de classes, aquele motor da história, segundo um famoso escritor barbudo. Manja? Enquanto rycos surfam para fora do planeta, uns milhões não têm o que comer. Como definiu outro velhinho, a guerra de classes não só existe como está sendo promovida por bilionários. E eles estão vencendo.

8 – Lil Nas X – “Industry Baby”
Sabe aquela música para exprimir uma vitória pessoal? Emendando hit atrás de hit, Lil Nas X tira uma para celebrar e dar cacetada em boomers, haters e vacilões em geral. Ele é a indústria. E o Baby.

9 – Alexis Marshall – “Open Mouth”
Trampo experimental nota dez do líder da banda de metal industrial Daughters. Vamos expressar melhor: trampo experimental que está dentro de um trampão experimental bem maior, lançado em forma de álbum. Experimental por experimental, aqui a coisa é um tanto quanto mais abstrata, aparentemente. É o exato contraponto do pop pelo pop. Escolha suas armas. E ouse ouvir o novo disco solo do nosso daughters.

10 – The Linda Lindas – “Oh”
Se no skate na Olímpiada as meninas de 13 anos deram um show na turma mais velha, dá para dizer que as Linda Lindas são o equivalente dessa jovem galera na música. Esse quarteto de punk latino-asiático dá um show em muita banda de rock por aí. Som 1-2-3-4 na cara e uma letra esperta sobre aquela nossa paranoia em falar besteira e se arrepender. Ou ficar quieto (e se arrepender também).

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* A imagem que ilustra este post é da cantora filipina-britânica Beabadoobee.
* Este ranking é formulado pelo duo Lúcio Ribeiro e Vinícius Felix.

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Beabadoobee e as meninas que estão botando guitarras barulhentas no pop. Ouça o EP “Our Extended Play”

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* Estamos adorando essa onda de meninas novinhas do pop trazendo as guitarras nervosas para a conversa nas paradas britânicas e americanas. Três dos bons exemplos aqui são, só pescando alguns, são Willow, Olivia Rodrigo e nossa personagem Beabadoobee, todas bebendo na fonte do indie feminino dos anos 90, com grande caminho a perseguir na música, a dose de açúcar ainda a ser ajustada nas canções mais… doces, mas acertando bem em alguns hits legais já perturbando a calmaria do pop atual.

Nossa garota bedroom-pop filipina-inglesa Beabadoobee ganha destaque aqui, ela que recentemente lançou o EP “Our Extended Play”, disquinho puxado pela hoje mundialmente conhecida “Last Day on Earth”, uma das músicas mais tocadas deste ano nas rádios legais de UK, EUA, Austrália, França, até onde vai nosso alcance. Uma das músicas do atual verão “da liberação” (ainda inexata) do Hemisfério Norte, junto com “Chaise Longe”, de outra banda inglesa e também feminina, a Wet Leg, duo que é outro a estar com a mania de fazer músicas-chiclete que botam as guitarras indies para explodir em seus refrões cantaroláveis. Pelo menos é o que a gente está entendendo da única música que elas têm, a praga maravilhosa “Chaise Longue”.

No caso da Bea Kristi, a Beabadoobee, 20 aninhos, e seu “Our Extended Play EP”, além da massacrada “Last Day on Earth” o destaque do miniálbum é a ótima “Cologne”, a segunda das quatro faixas, que já é uma das nossas músicas prediletas das últimas semanas e mistura um monte de coisa boa numa canção só: pop feminino sueco tipo Cardigans, indie pôs-grunge americano de mulheres e algo de britpop.

Beabadoobee, cada dia um cabelo de uma cor, está loira e em boa companhia para crescer em direção ao segundo álbum. Tem como norte seguir os passos sonoros de sua banda predileta, a americana Pavement, e ela é protegidinha dos caras do grupo The 1975 desde que apareceu na turma deles, em 2016. Está encaminhada, porque já percebemos que o talento dela parece imenso.

As outras músicas do EP são as fofinhas “Animal Noises” e “He Gets Me So High”, duas baladinhas de garotas salvas por quem? Pela guitarra bem aplicada que equilibra a doçura já citada. E que superfaz parte do momento de Bea Kristi, em quem estamos de olho grande em cima e grudados nela, já há um tempinho. E achamos que não vamos largar.

Abaixo, “Cologne” em session, ao vivo. Que belezura!

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Uma session cool com a Beabadoobee, meio acústico. Obviamente ela toca o hit indie do verão

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Captura de Tela 2021-05-17 às 12.14.20 PM

* Acabou de subir nas internets a session que a sanguinho novo Beabadoobee fez para a rádio The Current, emissora indie das nossas que transmite desde Minneapolis, Minnesota. Quando você tiver de bobeira procura ela um pouquinho, de preferência à noite aqui, só para sentir a briiiiiisa.

Enfim, a babe Beabadoobee é meio filipina/meio britânica de 20 anos que, acho, acreditamos pelo que andamos ouvindo, é responsável pelo hit do verão (deles) deste ano, uma das músicas mais legais que tocam muito nas rádios mais legais, a faixa “Last Day on Earth”, que vai estar em “Our Extended Play”, seu novo EP, a sair… em maio? Cadê?

((Um parênteses. A Olivia Rodrigo é meio filipina também. Seria as Filipinas a nova meca da música jovem?))

Enfim, a session fofura dela e do amiguinho guitarrista para a Current traz quatro músicas. “Last Day on Earth” obviamente está na lista, fechando a session. As outras são “Coffee”, sua primeira música da vida (2017); “She Plays Bass”, de seu último EP; e “Care”, do disco de estreia, de outubro do ano passado. Tudo tocado no jeitinho Zoom.

O vídeo total da session da Bea (ela deixou chamá-la assim) para a Current, feita de Londres, tem 40 minutos. Uma conversa gostosa com a garota, no que dá para ser boa, recheia o material.

Pega aí a Beabadoobee.

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A session:
03:56 She Plays Bass
16:05 Care
19:43 Coffee
37:58 Last Day on Earth

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Top 10 Gringo – Dry Cleaning limpa a área e chega ao topo. A loucurinha da Beabadoobee vem em segundo. E o Tomahawk chega para jogar tudo para o ar

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* Semana agitada no mundo dos gringos. Tem artistas novos com sons incríveis, tem a turma da velha guarda (de diferentes velhas guardas, aliás) suando para se manter no mesmo pique e tem banda já se preparando para voltar aos palcos. Sim, amigue: palcos. A gente dá mais detalhes nos textinhos que acompanham nossas dez dicas mais quentes da semana naquela playlist de qualidade para entender como andam o 2021 da música internacional.

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1 – Dry Cleaning – “Strong Feelings”
Andamos meio obcecados pela nova banda pós-punk inglesa Dry Cleaning, que lança seu disco de estreia em breve com produção de John Parish, parceiro da PJ Harvey. Obcecados ainda por esta “Strong Feelings”, que já apareceu aqui no Top 10 Gringo mas achamos que nesta semana merece uma posição um pouco mais justa: o primeiro lugar. É a melhor guitarra de uma música britânica desde algumas canções do primeiro disco do Fontaines DC, que nem britânico são, mas beleza. Essa confusão geopolítica não é nossa.

2 – Beabadoobee, “The Last Day on Earth”
A filipina/meio britânica Beabadoobee, 20 anos e toda a energia da música jovem britânica, lançou um delicioso single cujo vídeo de “farra louca” talvez seja a versão 2021 kid de “Smack My Bitch Up”, do Prodigy. Entenda-nos bem, por favor. O tema do vídeo é o tal último dia dela na Terra e ela só queria ficar “high”. Uma parceria esperta dela com Matty Healy, do 1975. Tem um que nostálgico delicioso nos timbres ou nos shoop-doop shoop-doo que rolam durante a música.

3 – Tomahawk – “Predators and Scavengers”
Imobilidade, predadores e carniceiros. Se identifica com o tema? O poderoso grupo Tomahawk reaparece em bela hora com seu, digamos, “metal alternativo”, para lançar “Tonic Immobility”, seu quinto disco, o primeiro desde que veio com o famoso “Oddfellows”, em 2013. A superbanda formada por Mike Patton (Faith No More/Mr. Bungle), o guitarrista Duane Denison (The Jesus Lizard), o baterista John Stainer (Battles/Helmet) e o baixista Trevor Dunn (Mr. Bungle) segue descendo o braço. Como às vezes a gente precisa bem.

4 – Middle Kids – “Today We’re the Greatest”
Que delícia de som esse hino meio melancólico e meio motivacional dos australianos do Middle Kids. Mas talvez a história mais interessante deles no momento nem seja o som, a presença na televisão dos EUA, mas sim o fato que em breve eles estarão em turnê pela Austrália. Turnê, datas, shows, pessoas vendo na plateia. Sabe?

5 – Tune-Yards – “hold yourself.”
As Tune-Yards seguem criativas em seu excelente “sketchy”, álbum novinho em folha. A gente já tinha destacado por aqui “hold yourself.” e vale reafirmar a música de novo, mania de reavaliação que pegamos conforme as músicas já colocadas neste nosso ranking “cresce” na gente conforme os dias passam. Além de demonstrar as experimentações das Tune-Yards, temos aqui uma de suas letras mais inspiradas sobre delicadas questões nas relações de pais e filhos. Existem adultos mesmo neste nosso mundo?

6 – serpentwithfeet – “Fellowship”
Gostamos do texto que o serpentwithfeet montou para a divulgação de seu novo álbum. “”Deadcon’ é ‘mais um estudo do que uma história’, mergulhando no amor negro, gay e na ternura presente nas melhores companhias, românticas ou não.” E a beleza e ambição deste disco estão por todos os cantos. Tente não se apaixonar pela voz de Josiah Wise neste som que escolhemos, em particular. Ou então no baixo que aparece ali no refrão. De tremer a casa toda.

7 – Brockhampton – “Buzzcut (feat. Danny Brown)”
Os feras do Brockhampton vão chegar de disco novo em 9 de abril, “ROADRUNNER: NEW LIGHT, NEW MACHINE”, em maiúsculas para alarmar, mesmo, porque estávamos com sdd. Neste som aqui, com Danny Brown, a prova de que o supergrupo do Texas não saiu dos trilhos neste tempo de intervalo, desde 2019.

8 – Death from Above 1979 – “Modern Guy”
Guitarra no talo, batida de pista e voz lotada de distorção. É o DFA 1979 com vigor de banda novinha em folha, como se estivéssemos em algum porão underground em 2004 em plena reviravolta que os Strokes deu pelo mundo, colocando o rock de novo na ordem do dia. E, ali neste porão, dançando junto dance-punk com LCD Soundsystem, Radio 4, Rapture…

9 – Paul McCartney e Beck – “Find the Way”
A versão original de “Find My Way”, lançada no ano passado dentro do disco “III” do Paul, era um rock bem quadradinho. Na versão reimaginada agora pelo Beck, e esta é a brincadeira, a música ganha um suingue que melhora demais tudo. Uma viagem que lembra um pouco os encontros de Paul mais acertados com o pop dançante.

10 – New Order – “Bizarre Love Triangle” (ao vivo)
Nunca vai mal um novo disco ao vivo do New Order. Este single de uma das músicas indies mais explosivas já lançadas, ainda que numa oooooutra era, adianta esse álbum que vai trazer um show completo da banda em 2018 em Londres. Uma apresentação que o Brasil teve a chance de ver por aqui dias depois. Então o disco até serve como documento enviesado da passagem da banda por aqui. Vamos combinar isso?

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* A imagem que ilustra este post é da cantora Florence Shaw, da banda inglesa Dry Cleaning.
** Repare na playlist. A gente inclui as 10 mais da semana, ou quase isso, mas sempre deixa todas as músicas das semanas anteriores. Pensa no panorama que isso vai dar conforme o ano for seguindo…
*** Este ranking é formulado por Lúcio Ribeiro e Vinícius Felix.

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