Em Beastie Boys:

Pós-post punk. Do nada, vai a streaming um disco punk da banda de hip hop BEASTIE BOYS, que nem existe mais. E é incrível

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* Por esta você não esperava. Nem eu. Foi metido a streaming goela abaixo da normalidade um raro EP chamado “Aglio e Oglio”, oito músicas em punk hardcora da famosa banda hip hop de alma roqueira nova-iorquina Beastie Boys. Sdds!

Vale frisar: oito músicas em 11 minutos.

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O disco, na verdade, é a virtualização de um material que só saiu em um vinil de 12 polegadas em 1995, que depois virou um CDzinho raro e agora ganha o streaming. Eu já tive esse vinil, mas deve ter se perdido em minhas mudanças, porque nunca mais o vi.

“Aglio e Oglio” saiu no ano seguinte que os Beasties lançaram o acachapante “Ill Communication”, o álbum que trouxe o colossal hit “Sabotage”. Para o EP, Mike D, MCA e Ad-Rock tiveram o reforço na bateria do Amery Smith, do Suicidal Tendencies.

Para completar o pacote BBoys, no mês que vem, em 23/10, sai uma coletânea do genial trio chamada “Beastie Boys Music”. Neste ano, já saiu um livro e um documentário da banda, dirigido pelo Spike Jonze.

Fala a verdade. Este EP “Aglio e Oglio” era tudo o que sua sexta-feira estava precisando para decolar, não?

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Afinal, o documentário dos fascinantes Beastie Boys é bom ou não é? Não confie muito na “crítica” abaixo

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* OK. São os Beastie Boys, uma das bandas mais legais da história. E que tiveram um final bem triste. A zoeira branca no meio do rap negro americano. E isso foi demais de importante. A banda punk que no fim queria ser hip hop. E foi. Uma carreira construída na acidentalidade, toda ela. Sem saber que o primeiro disco, o recordista e acachapante “Licensed to Ill”, ia vender tanto e ser recordista e acachapante; sem saber que o segundo, o ótimo e à época aguardadíssimo “Paul’s Boutique”, ia vender tão pouco.

O documentário dos Beastie Boys, que estreou com exclusividade da Apple TV sexta passada, mas deste então já foi passado em link com legendas em português de mãos em mãos na “clandestinidade” das redes sociais, é tõo gangorra de emoções, risos, arrepios, lágrimas e trapalhadas quanto a carreira deles.

Parece um desses Ted Talks no que tem de empolgante porque o assunto é muito bom e no sono que pode provocar quando a conversa tem as inconstâncias de uma apresentação de PowerPoint.

Beastie Boys em PowerPoint? É bacana porque Beastie Boys é muito bacana. É esquisito porque Beastie Boys é muito, mas muito mais que isso. Escolha seu lado.

Esse “Beastie Boys Story” é um doc gravado ao vivo em NYC, com plateia, que nasceu quando os dois old beasties boys remanescentes, Ad-Rock e Mike D, recentemente resolveram remexer em sua absurda história lançando o espetacular “Beastie Boys Book” e se reunindo para conversas com os fãs em teatro. Tudo até como uma forma de homenagear o terceiro e fundamental para a banda Adam “MCA” Yauch, perdido para um bizarro câncer na glândula salivar em 2012. O que decretou o fim do grupo. Porque os três eram muito ligados e não fazia sentido continuar.

O filme tem as piadas boas, tem as ruins, tem os desencontros infantis, hoje os desencontros adultos, tem as histórias bizarras de uma banda fora do comum. E tem as fotos legais, os vídeos incríveis toscos e a extraordinåria música que era rock pesado mas era hip hop malemolente na mesma levada.

Se a geração MTV (tipo eu) encarava os Beastie Boys como um exemplo de rebeldia sonora e despertava um gatilho enorme de energia interna em quem curtiu a banda na época, “Beastie Boys Story” pode significar muito pouco para a geração de hoje, ainda mais contado na forma de Ted Talks. Qual a dimensão dele, então?

Sem Yauch e com os dois não mais seguindo a carreira musical como Beastie Boys, o documentário às vezes tem um gostinho amargo de ser mais sobre os efeitos indeléveis da passagem do tempo em nós fãs de música do que um filme sobre uma espetacular banda que bagunçou um bom período de nossas vidas. Ele é sobre amor também. E sobre perda. E, num primeiro momento, olhando assim, esses sentimentos não combinam com os Beastie Boys.

Mas o negócio, para resumir tuuuuuuuuuuudo, é que os Beastie Boys não combinavam com nada mesmo. ENTÃO TUDO CERTO, GENTE!

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Os Beastie Boys fizeram dois passeios pelo Brasil em sua história e causaram dois efeitos bem diferentes em mim, particularmente. Sem aqui querer fazer um MeMeMe habitual das redes. Mas já fazendo.

Quando tocaram no finado Olímpia em 1995, em SP, assisti ao show perto do então meu primeiro grande chefe no jornalismo (hoje um relevantíssimo repórter de um enorme programa da Globo), que explodiu o pé em fratura no fantástico último bis que a banda de Nova York fez em SP, contendo “No Sleep Till Brooklyn”, “So What’Cha Want” e “Sabotage”. E minha vida virou um pouco infernal até uns dois meses depois desse show, por conta do mau humor do chefe entrando na redação aos pulos, com muleta.

E na segunda vinda do trio, em 2006 para show duplo no Tim Festival, desta vez no Rio e em Curitiba. Na capital paranaense, de forma tão acidental quanto a carreira da banda, acabei convidado para jantar com eles, não lembro se na noite da véspera ou na mesma da apresentação deles. Sentei bem ao lado de Adam Yauch. E trocamos pouco mais que murmúrios durante o jantar todo, porque a situação toda daquela noite se fez exatamente assim, acidental. Teria falado mais, puxado mais conversas, se soubesse que a história minha com os Beastie Boys teria o fim que teve.

Portanto, nem leve em conta meu achismo sobre o documentário dos Beastie Boys. Ele está contaminado. Só veja. Beastie Boys é obrigatório de qualquer forma, até em PowerPoint.

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Atenção: saiu o trailer de Beastie Boys Story, documentário feito pelo gênio Spike Jonze

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Uma das maiores bandas de todos os tempos, os Beastie Boys ganhará um documentário dirigido pelo genial Spike Jonze, responsável, por exemplo, pela obra de arte que é o clipe de “Sabotage”.

Chamado simplesmente de “Beastie Boys Story”, o filme estará nos cinemas IMAX dia 3 de abril. Já no dia 24 do mesmo mês, terá estreia exclusiva pela Apple TV+.

A grande novidade por agora é a divulgação do trailer oficial, que dura quase 3 minutos, e inclui imagens de um evento em que Mike D e Ad-Rock batem papo com o público e contextualizam cenas da carreira do trio.

Além do documentário, que também servirá como uma homenagem ao grande Adam Yauch, que morreu há oito anos, Jonze também vai lançar no dia 17 deste mês um álbum de fotos que repassam toda a carreira do grupo.

O trailer, lindo, pode ser conferido abaixo.

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Burn motherfucker burn. Série “Everything Sucks”, da Netflix, cavoca no som dos anos 90 e faz do Oasis um quase-personagem

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* É cavoca ou cavuca? É “a “Netflix ou “o” Netflix?

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* Os anos 90 foram uma época muito difícil e duraram uns 30 anos para acabar. Mas também foram um período maravilhoso e passaram voando.

Teve tudo. Teve Nirvana, Nirvana tocando no Brasil, a AIDS alastrada, a fita de videocassete, os Pixies, o britpop, o Oasis mandando no britpop, a MTV, o Palmeiras saindo da fila em cima do Corinthians, a MTV, “Twin Peaks” (1990 não é exatamente “anos 90” mas who cares), a popularização dos Simpsons, a Xuxa, a Copa de 1994 e tudo o que ela implicou, Beastie Boys e “Sabotage”, boysband, girlsband, a morte do Senna, South Park, a ovelha Dolly, o protocolo de Kyoto, o É o Tchan e o Bloodhound Gang.

Pois a Netflix foi lá mexer nessa cumbuca perigosa e botou os anos 90 de novo em evidência em todas as suas vísceras na série teen “Everything Sucks”, cujo nome é praticamente o mote da Geração Loser (“loser” de espírito e “loser” do clássico indie do Beck). Ou, vamos colocar assim, nestas priscas eras imediatamente pré-Internet, o começo da tomada de assalto da Geração Nerd. E, hoje em dia, a gente sabe onde isso foi dar.

E, num misto de “Malhação” com uma “Stranger Things” um pouco mais crescidinha, ambientada na terrível região violenta da “high school”, parecida na superficialidade, com a galera rodando em bikes e tal, mas cheia de furinhos conceituais, digamos, “Everything Sucks”, que estreou no dia 16 agora despejada em dez episódios de 30 minutos, vale pelo menos para relembrar a música dos anos 90.

Ah, e tudo se passa na cidade de Boring, no Oregon, que existe mesmo.

EVERYTHING SUCKS!

A música é parte integrante mesmo do seriado. Seja na menina usando camiseta da Tori Amos a caminho de se aceitar gay ou no CD novo do Oasis chegando pelo correio via “Clube do Disco”. Ou ainda no descarregamento de música de dez bandas marcantes da era por episódio (para o bem ou para o mal) , na linha The Mighty Mighty Bosstones, Offspring, Weezer, Ace of Base, Mary J. Blige, The Presidents of the United States of America e até, veja você, coisas indies-indies como Sebadoh, Elastica e The Brian Jonestown Massacre.

Daí que nos primeiros dois episódios “Everything Sucks” usa a banda dos Gallagher quase como um personagem. Em traminha de amor. Com videoclipe caseiro e tudo.

E “Don’t Look Back in Anger” e “Wonderwall” volta a ser trilha sonora da vida de pessoas, ainda que em série de TV.

Mas logo em seu começo “Everything Sucks” não se furta a usar talvez o principal hino dos anos 90, ou sua música-síntese, para fechar um episódio e subir os créditos: “Fire Water Burn”, também conhecida como “The Roof Is on Fire”.

Everybody here we go
Ohh ohh
C’mon party people
Ohh ohh
Throw your hands in the air
Ohh ohh
C’mon party people
Ohh ohh
Wave ‘em like you don’t care
Ohh ohh
C’mon party people
Ohh ohh
Everbody say ho
Ho ooooooooooooooooo

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Warpaint nas mãos de um beastie boy. Ouça a versão remixada de “New Song”, feita pelo Mike D

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Mês passado, as meninas do Warpaint voltaram com seu terceiro álbum de estúdio. “Heads Up” é o primeiro disco do grupo de Los Angeles em dois anos e aparece como sucessor do belo disco homônimo, que bombou a banda de vez de 2014 para cá. As meninas até gravaram separadamente, com as sessions acontecendo de forma individual ou em duplas.

O single que puxa os trabalhos do álbum, chamado “New Song”, ganhou uma releitura de ninguém menos que Mike D, um dos integrantes do lendário Beastie Boys, que botou batidas eletrônicas na canção, mas a deixou cadenciada e desacelerada, cheia de samples.

Mike D retornou a carreira com o gás, após o triste fim dos Beastie Boys e o tempo de luto, da banda e do amigo beastie, o Adam Yauch (que morreu de câncer, em 2012). O beastie boy produziu e participou e é mencionado em uma música do recentíssimo novo álbum do excelente duo punk Slaves, “Take Control”.

O resultado da parceria Mike D e Warpaint pode ser conferido abaixo.

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