Em beatles:

Popnotas – Refazendo o final dos Beatles. O show-desenho da Billie Eilish. A CENA criando na pandemia. E a baterista de 10 anos do Foo Fighters

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– Semana que vem estreia na plataforma de assinatura Disney+ o filme-show da Billie Eilish. “Happier than Ever: Uma Carta de Amor para Los Angeles” traz a cantora mais famosa no mundo hoje mostrando faixa a faixa, cabo a rabo, seu disco novo, o ótimo “Happier than Ever” no enorme Hollywood Bowl. Mas não é simplesmente um show. É um misto de filme, desenho, concerto, dirigido pelo cineasta Robert Rodriguez, amigo do Tarantino. Vai ser grandioso com orquestra, vai ter momentos intimistas. Um verdadeiro rolê cinematográfico do disco novo de Billie Eilish, misturando música e suas fantasias de teen e agora mulher adulta sobre Los Angeles, que devem combinar bem com suas letras, que narram suas histórias mesmo. E ontem saiu um trailerzão de “Happier than Ever: Uma Carta de Amor para Los Angeles” que você pode ver abaixo:

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– Remasterizaram e expandiram o clássico álbum “Let It Be”, o décimo segundo e o último disco daquela banda lá chamada The Beatles, para lançá-lo agora com novos mixes, cheio de bônus, 51 anos depois, para tentar, talvez, tirar a sombra de disco problemático e soturno que veio ao mundo nem um mês depois de a banda anunciar seu fim. Um disco “maldito”, ok, mas que tinha “Let It Be”, “Get Back” e “Across the Universe”, por exemplo. Esta edição especial do álbum sai em 15 de outubro. E tem um trailer, abaixo:

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– A história é assim. A plataforma de lives interativas Taboom lançou ontem à noite, em seu app, o projeto “Nada Será Como Antes”, que promoverá encontros virtuais de artistas da cena nacional, para discutir temas relacionados à música de hoje e criarão em conjunto músicas para um futuro álbum. Entre os artistas confirmados no “Nada Será Como Antes”, que tem curadoria da agitadora cultural mineira Laura Damasceno, estão Dinho Boogarins Almeida, a multiartista paulistana Jup do Bairro, o produtor e cantor Helio Flanders (do Vanguart), a banda paranaense Tuyo, mais Jonathan Ferr, Romero Ferro, Teago Maglore, Zé Ibarra, Maria Luiza Jobim e Brisa Flow, num total de dez participantes. A ideia é que eles formem duplas criativas para comporem remotamente uma música do zero, tendo sempre como pano de fundo a pandemia e as angustias e reinvenções positivas e negativas causadas por ela na música. Essas cinco canções vão virar um EP, sob os cuidados produtores de Leonardo Marques, multiinstrumentista e dono de estúdio que grava muita gente da CENA brasileira. Os papos e os sons serão interativos, já que o app tem vários recursos diferentes como enquete, quiz, mudança de layout durante a live etc. A estreia de “Nada Será Como Antes” será nesta sexta à noite, às 20h, com o encontro de Dinho Almeida e Tuyo. E continua até 30 de setembro, quatro lives por dupla. No dia 18 de outubro, tem a live de audição das canções produzidas. O app do Taboom está disponível nos sistemas Android e IOS (iPhone).

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– Isso ia acontecer um dia. A espetacular menininha inglesa Nandi Bushell, fenômeno do Youtube por tocar clássicos do rock na bateria de forma absurda, enfrentando até desafios contra Dave Grohl e o Matt Helders, do Arctic Monkeys, teve sua experiencia REAL ontem à noite em Los Angeles. A garota, de 10 anos, foi convidada a ir aos Estados Unidos pelo Foo Fighters para mostrar seus dotes ao vivão no show da banda. Nandi foi chamada ao palco para junto com o FF espancar a bateria especial montada para ela no hit “Everlong”. Foi emocionante. O show foi no Forum, em LA, cujo público aplaudiu Nandi sem parar. “Everlong” encerrou a apresentação do Foo Fighters. Nandi participou da tradicional saudação final de Dave Grohl, banda e audiência, na beira do palco.

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SEMILOAD – Quem tem medo da música pop?

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* Dora Guerra é impressionante em seu timing. Uma semana depois que a superpop Billie Eilish lança um disco bomástico com trip-hops e viagens roqueirinhas e eletrônicas travestidas em “música fácil” e NO MESMO DIA em que a rapper cantora ou a cantora rapper Lizzo anuncia uma nova era no… pop?, a moça da newsletter “Semibreve” pousa aqui na POPload com o assunto necessário. E que amarra todas as pontas soltas do “status quo” da música que a gente gosta.

A discussão, sim, é antiga. Provavelmente ela tenha ajudado Kurt Cobain ter feito o que fez, lá atrás. Mas talvez esse papo nunca tenha feito tanto sentido como agora, por tudo quem tem implicado: Olivia Disney Rodrigo tem uns indies legais ou não tem? Billie Eilish não é gênia demais para a idade dela? Músicas do disco novo do Jungle não cabem numa festa de néon no Cine Joia e num clube de jazz na mesma medida? Taylor Swift virou “alta-cultura indie” ou é impressão? A citada Lizzo é uma rapper ou cantora pop? Ou as duas coisas?

A†e dá uma arrepiada, aqui.

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Eu. Eu tenho medo da música pop.

Amar o pop não é fácil mesmo para mim, que me rendi a ele. Para bom fã de música, significa frequentemente deixar o orgulho de lado. E vai contra o que muitos de nós fomos ensinados – nós, que fugíamos do mainstream, não queríamos ser posers. Éramos viciados em dizer “Conheci isso antes de ficar famoso”.

Para o indie, amar o pop é uma dificuldade por inúmeros motivos – quando você se acostuma a idolatrar o independente e se sentir um alecrim dourado pelo seu gosto musical, o negócio degringola. Mas é tolice pensar que, em 2021, exista alguma escapatória: o indie é pop, o pop é indie, Billie Eilish é pop com cara de indie, Phoebe Bridgers se mistura com Taylor Swift, Bon Iver também.

Isso assusta? Assusta. Para mim, persiste a ideia de que estou cedendo a uma lógica mercadológica que faz de tudo para ter meu consumo – e o tem. Simples: eu me sinto uma vendida.

E, claro, com a nossa eterna insistência em nos definir pelo que ouvimos – com os Wrappeds do Spotify, pôsteres nas paredes, camisetas de banda –, encaramos música como encaramos roupas; ao mesmo tempo que queremos fugir à moda principal, para nos convencer de que temos personalidades/gostos próprios e conseguimos resistir às últimas tendências, é impossível não se interessar por algo comum à maioria.

Mais precisamente: Dua Lipa toca. Você vai dizer que não gosta e não dança?

Talvez o meu – e talvez o seu – medo de música pop venha acompanhado do temor de priorizar o comercial sobre o artístico; de seguir valorizando o gigantesco, o rico, o consolidado, em detrimento do pequeno que luta para sobreviver. Mas isso não existe: dá para amar ambos, valorizar ambos, curtir música. Como tudo na vida, a música não é um assunto tão preto-no-branco assim.

Mas talvez o medo venha de raciocínios ainda mais enraizados e preconceituosos, que a gente acatou depois de ler e ouvir muita crítica musical maniqueísta. Você lembra bem: aquela que classifica por gênero musical a música “boa” da “ruim”. Que vê na indústria cultural apenas… indústria.

Vale lembrar que essa é uma linha de pensamento muito conveniente e seletiva – que tira das divas pop o valor que atribui aos “gênios” de outrora. Os Beatles eram gênios, Britney jamais seria. Afinal, qual seria o mérito de uma música que raramente é complexa em estrutura, que não é “para pensar”, feita a inúmeras mãos para um público majoritariamente feminino e LGBTQIA+?

Aí que tá. Ver o pop como um gênero musical pouco complexo, ter medo dele, se afastar dele é menosprezá-lo, novamente. Claro, o fio condutor da música pop é o espetáculo: é uma música feita para encantar, te prender com o excesso de brilho. O bom pop é o entretenimento em seu auge, mas jamais isolado da sociedade – sobretudo hoje. Frequentemente, o pop é uma bússola clara de por onde os aspectos sociais caminham (Madonna que o diga).

Ou seja: não é só que o pop merece estudo e análise, mas ignorá-lo é perder uma parte fundamental de uma das culturas que mais circulam na nossa fração de mundo.

O pop é uma potência, que transcende a música para alcançar a moda, a fotografia, o cinema, as referências culturais de todo tipo; com recurso suficiente para construir narrativas atraentes, formas mais digestíveis de pequenas revoluções. Simples: de Rihanna a Pabllo Vittar, Michael Jackson a Anitta, o pop muda o mundo – ou potencializa algumas mudanças há muito necessárias.

E, muito mais que os Beatles que insisti em amar durante a adolescência, eu fui profunda e irrevogavelmente formada por música pop – e eu sei que muitos de vocês também. Eu sou cada um dos vídeos musicais que cresci assistindo, sou o CD de “Dangerously in Love” da Beyoncé, sou até o Show das Poderosas. Pessoalmente, o pop me formou como gente, como mulher, como fã de música, me deu noção de um mundo para além do meu próprio – um mundo que faz de tudo para te fornecer um grande espetáculo. E, no fim, se tem algo que eu realmente sei falar sobre… é o pop.

Tudo bem. O pop é gostoso demais. E depois que a gente aceita isso, as coisas ficam muito mais fáceis.

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* Dora Guerra “atua” também no Twitter, como @goraduerra. Já foi lá?

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Popnotas – LCD Soundsystem, 10 anos e cinco discos. A bagunça do Woodstock maldito. E o novo trailer do filme daquela banda lá

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– Que loucura é este tempo, hein? Nem parece, mas tem dez anos que o maravilhoso grupo indie-electrônico dance-punk nova-iorquino LCD Soundsystem ensaiou uma despedida e fez uma festa para isso no Madison Square Garden, dias depois de tocar num Popload Gig emocionante na… Pacha!!!. Sobre o concerto de NYC, terra deles, uma apresentação de mais de três horas, não é todo dia que a banda mantém disponível uma edição quíntupla de LPs que dão conta do show todo. Mas com os 10 anos desse dia, ainda que o disco tenha saído em 2014, vem aí uma reedição para quem quiser garantir a versão física desse registro histórico. Cinco LPs. Dez anos, gente. Caramba.

– Falando em vir aí, vem aí um doc da HBO sobre o caótico festival de Woodstock de 1999. Caótico talvez seja pouco para descrever um evento que queria resgatar o lema Paz-e-amor e acabou marcado por violência, fogo e outras muitas tretas (foto na home) – bem longe do espírito hippie festival original, de 1969. “Woodstock 99: Peace, Love and Rage” saí no HBOMax ainda em julho, como parte de um projeto tocado por Bill Simmons, da premiada série esportiva “30 for 30” da ESPN, que contará com outros cinco documentários sobre música. Os assuntos dos outros filmes ainda não foram revelados.

– Ainda no campo streaming e música, temos um novo trailer para a série que vai reunir Paul McCartney e o produtor Rick Rubin. “McCartney 3,2,1” sai no dia 16 de julho, com previsão de estreia mundial pelo Disney Plus. Será que chega ao Brasil? Não tem por que não chegar. Pelo que o trailer revela e sabemos, a série é uma loooonga conversa de Rubin com McCartney pelas músicas dos Beatles, histórias batidas e histórias novas, trechos inéditos de (muitas) fitas e outras surpresas.

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POPLOAD TV – Programa Gliv Rocks traz 20 importantes DVDs que são coletâneas de vídeos musicais

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* Uma espécie de Fábio Massari com uma levada de Gastão Moreira fazendo a ponte da MTV para a geração Youtube, o historiador indie-pop-metal Alê Zampieri revela para a Popload TV, nosso canal no Youtube, o mais novo programa do Gliv Rocks, série enciclopédica parceria deste site.

O Gliv Rocks da vez joga a luz em uma seleção de 20 DVDs que guardam em seu conteúdo uma seleção dos chamados “videoclipes”. Às vezes esses DVDs, ou os music videos em si, são um material de divulgação de um artista ou banda tão importante quanto o lançamento de um álbum.

GLIV ROCKS - Videoclipes e DVDs LOGO 1250

Sem maiores spoilers, veja a lista levantada por Zampieri, que é responsável sempre pelo roteiro, edição e apresentação do Gliv Rocks

Claro, também como sempre, o Gliv Rocks na Popload TV é sempre acompanhado por uma playlist esperta no Spotify.

Veja o programa. Ouça a playlist. Não ao mesmo tempo, hein?

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POPLOAD TV – Programa Gliv Rocks indica 12 grandes documentários de rock

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* A Popload TV, ali no canal do Youtube da Popload, bota desta vez o programa Gliv Rocks para tratar de 12 grandes documentários do rock. Criado, editado e apresentado pelo entendedor e garimpeiro Alê Zampieri, o episódio da vez do Gliv Rocks selecionou 12 indicações de filmes sobre música para você ver ou rever, porque você pode até já ter visto, mas ainda nunca sob a perspectiva curatória do Gliv Rocks, nosso parceiro quinzenal na Popload TV.

Programa este que, claro, como sempre, gera uma playlist ótima, a sua disposição no canal da Popload no Spotify.

Sem maiores spoilers, vamos ver? Vamos ouvir?

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* Abaixo, a playlist:

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