Em belle & sebastian:

Uma session linda (e tensa) do Belle & Sebastian nos EUA. Mas sem o baterista, que foi esquecido no supermercado. E um pequeno detalhe que ninguém reparou nessa história toda…

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A melhor história da semana, se não for a do ano, da vida! Parece piada ou notícia do finado EGO, tipo “Bombom esquece as filhas no churrasco”, mas aconteceu e é real e é com uma das nossas bandas mais queridas, o Belle & Sebastian. Nunca a banda esteve em tantos sites (de notícias e de música) ao mesmo tempo e por tanto tempo e apesar da tensão envolvida, a gente riu muito com as manchetes que a confusão rendeu. Ontem, dois dias após o ocorrido, a matéria ainda estava na lista de “mais lidas”, como o vocalista Stuart Murdoch mesmo destacou:

Em turnê pelos EUA, a banda estava a caminho de Saint Paul, no estado de Minnesota, onde faria uma session na tradicional rádio The Current e um show à noite. Acontece que, lá pelo meio do caminho, perto da “mítica” cidade de Fargo (tinha que ser), em North Dakota, o ônibus fez uma parada estratégica no Wallmart.

Stuart Murdoch saiu do supermercado enquanto Richard Colburn, o baterista, entrava. Richard acenou para Stuart todo alegre, só para nunca mais ser visto. O ônibus partiu na boa, deixando Colburn de pijama (!!), sem passaporte e sem celular, no estacionamento do lugar. Crente que a banda notaria a sua ausência, ele ficou lá pacientemente por quatro horas. Até que desistiu, andou até um hotel e dormiu por lá (ele estava apenas com um cartão de crédito). O auê foi tamanho que a história dos escoceses se metendo em altas confusões na América foi parar até no discurso de abertura do programa do Jimmy Fallon, ontem.

A banda só se deu conta que o baterista havia sumido no dia seguinte, quando acordou para a session na rádio:

Stuart pediu ajuda nas redes sociais, movimentando uma porção de gente que se oferecia para dar carona ao integrante abandonado. Felizmente, o tour manager (com seu emprego correndo risco) conseguiu convencer uma companhia aérea local de aceitar o baterista no vôo sem lenço e documento (e naqueles trajes). Colburn chegou a tempo do show e a história teve um final feliz:

A session, no entanto, foi sem baterista mesmo e no calor do momento. Stuart explica para a apresentadora Mary Lucia que como a banda é muito grande, eles costumavam ter um sistema para que ninguém se perdesse nas turnês. Mas como hoje todo mundo tem celular, esse sistema foi ficando cada vez mais ultrapassado e eles se tornaram “blasé” em relação ao método de contagem. Melhor mesmo é você ver e ouvir o próprio, com esse sotaque delicioso, descrevendo o ocorrido:

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E abaixo, a session completa com mais entrevista e três músicas ao vivo! E uma revelação?

Quando perguntado sobre o que anda lendo, Murdoch diz: “How To Solve Our Human Problems, livro de Geshe Kelsang Gyatso. É um título bastante ingênuo, mas alguma coisa nesse livro me marcou tanto que vamos emprestar esse título para o nosso próximo disco”.

WHAAAT? Este trecho está no 06:18, presta bem atenção…
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B&S – The Current Session

** No mês passado, o Belle & Sebastian liberou uma música nova, a primeira em dois anos. “We Were Beautiful” foi produzida pelo músico Brian McNeill, um dos integrantes da banda, e pode ser ouvida abaixo:

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Uma session recente de um tal Nirvana. De 1989. E um desabafo 2016

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* A história é velha e já falei ou rocei o assunto algumas centenas de vezes aqui, mas como neste momento eu quero postar um Nirvana e estou sem muito “gancho” para tal, vou dar uma enrolada aqui. Encare como um “Dossiê Popload”. Ou um desabafinho de empolgado, mesmo.

Tem gente que adora Spotify, playlists recomendados, pendrive emprestado, dicas na linha “se você gosta disso, deveria ouvir aquilo”, e tudo streaming e tudo curado e tudo recomendado. Adoro tudo isso também. Todo instrumento que faz uma pessoa escutar uma música já está valendo. Tudo tem seu tempo, seu jeito, seu por quê. Se a música e quem a oferece tem uma contextualização então, me ganha na hora.

No final de semana alguém tava me explicando um negócio de música sertaneja feminina. Me mostrando uma música, me falando por que da letra (ótima), por que daquele ritmo e por que tinha chegado a “vez delas”. Achei bem legal e curioso tudo. Na segunda-feira, o UOL publicou um especial enorme sobre sertanejo feminino. Zeitgeist do sertão. Me empolgo com coisas assim, mesmo se eu não esteja nem aí com essa linha, digamos. Mas só para dizer que até para um gênero tosco e ruim como esse, hahahaha, como a música chega em você e qual história ela conta tem uma função muito importante. Daí chegamos ao que eu quero dizer. Talvez.

Nada como uma boa estação de rádio bacana para fazer você ter uma idade 20 anos menor, 10 anos menor, 5 anos menor, ou se sentir querer ser 10 anos mais velho para sentir-se contemporâneo a ela, fazê-la pertencê-la plena a seu tempo. Fazer você querer pular da cadeira para dançar uma música que de repente passaram a tocar, fazer querer sorrir, querer fazer chorar.

Você desenvolve um carinho pelo DJ, ele vira seu professor, seu irmão, melhor amigo, seu confidente. Usa um “adjetivo” para falar de uma música ou banda que te desmonta, porque você estava pensando a mesma coisa, mas nunca achava que o DJ de uma rádio importante (para você) fosse falar e tal.

Eu passo muito bem, diariamente, em casa, no trabalho e no carro, com algumas rádios prediletas. Tenho várias. Acesso com app no celular, app no iPad ou simplesmente abro o site no computador. Às vezes, quando vou ver, os três “jeitos” estão ativos. Minhas caixinhas de bluetooth devem me achar maluco.

Tenho sensações dessas descritas acima, diárias, e agradeço aos céus direto o fato de que o meu trabalho seja com música. Porque, se não fosse assim, eu ainda seria um devorador de músicas blablablá do mesmo jeito.

Por exemplo, ontem.

Passei o dia ouvindo a BBC 6 Music, a rádio online do grupo gigantesco britânico de várias mídias BBC. Dois momentos do dia (já chego no Nirvana):

** Um dos DJs que eu gosto, já não lembro qual, começou a falar dos 40 anos de punk neste ano, dizer que gosta dos punks ingleses atuais tipo Slaves e Fat White Family (amo os dois) e tocou uma música nova de uma banda x. Sei lá que eram. Amei do primeiro ao último acorde. Na hora me deu uma vontade de chorar de tão legal, hahaha. Já não sabia se era uma banda velha que eles estavam mostrando para aproveitar o gancho “40 anos” ou se era um grupo de hoje, dessa safra maravilhosa nova. Fui pesquisar. A banda se chamava Eat Fast, quatro moleques novinhos de Newcastle, e a música era seu novo single, chamado “Public Display of Affection”. Aprendi mais: o Eat Fast foi incluído recentemente (novembro) num especial do jornalzaço inglês “The Guardian” entitulado apenas “The Most Exciting Independent Artists in the World”. E também que eles tocaram num evento especial do festival The Great Escape (também em novembro) chamado “The Soundtrack to Your Future”.

** Ainda ontem, por nada, do nada, o cara tocou no meio de tantas coisas legais, novidades muitas, uns indies antigos outros, um… Belle & Sebastian. Em session na BBC anos atrás. A canção: a deslumbrante “The Stars of Track and Field”, musiquinha de fases que começa tipo silenciosa. Quando você acha que pode se emocionar ainda, depois de tuuuuuudo, com um Belle & Sebastian aleatório em momento x no meio de um playlist de rádio? Eu, ontem! Isso é rádio. Acabou a música, a seleção de duas ou três, e o DJ disse o que tinha tocado e jogou assim, meio rápido, um “fascinating Belle & Sebastian” na descrição da sequência. E eu ali, fascinado. Como ele sabia? Ele sabia. E olha que eu adoro essa música, mas tem muitas outras mais do B&S que me arrebataria. Sei lá.

** Aí, finalmente, chegamos ao Nirvana. A própria BBC 6 Music, na semana passada, resolveu porque sim que o dia inteiro da programação (acho que sexta-feira) seria dedicado ao ano 1989!!!! Na verdade tudo tem um sentido. A 6 Music criou um especial chamado “My Generation” para tratar de anos importantes para a história da música jovem. E chegou-se a 1989, que assim de cabeça eu nem lembrava o quanto foi importante, quantas coisas relevantes aconteceram, o quanto o período foi “preparatório” para tudo que estava vindo. Daí teve o Nirvana.

O genial Steve Lamacq desenterrou inteira uma session que um noviiiiinho Nirvana, nem como Dave Grohl na bateria ainda, se apresentou em session para o saudoso John Peel, talvez o radialista mais importante de todos os tempos para esse tipo de música que eu e você curtimos.

O Nirvana havia acabado de lançar o seu primeiro álbum, o magnífico “Bleach”, em junho daquele ano. E em outubro já estava de rolê pela Inglaterra, onde foi cooptado pela Radio One para fazer uma das famosíssimas Peel Session. Ainda em status longe de virar o maior fenômeno da indústria mundial em coisa de menos de dois anos para a frente.

O Nirvana, que voltaria depois e em outro desse status para mais duas sessions para o John Peel, naquela de 1989 tocou “Love Buzz”, uma das músicas mais legais jamais feitas haha (NE: na minha humiiiiilde opinião, claro), o romance-metal lindo “About a Girl”, uma “Polly” versão mais crua da música que só entraria em álbum depois, num tal de “Nevermind”, e a esporrenta (não há palavra melhor) “Spanx Thru'”, famoso lado B de single que entrou em coletânea da Sub Pop de 1988.

Ouvindo essas sessions com o tratamento de uma rádio atualíssima como a BBC 6 Music, parece que foi hoje o dia em que o Nirvana tocou lá. Ou foi sexta-passada.

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A rádio é tão incrível que, como eles sabem usar a internet tão maravilhosamente bem, divulgaram no dia, no Instagram, uma foto do contratinho do novíssimo Nirvana para a Session do Peel (imagem acima), botaram uma fotos de 1989 dos DJs Steve Lamacq (na home da Popload) e da fofa Lauren Laverne, resgataram umas capas da “NME” daquele ano e ainda duas páginas de uma agenda 1989 do Lamacq, com shows do Buzzcocks e da Neneh Cherry anotadas. Gênios.

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Então, last but not least, a atualíssima Peel Session de 1989, de uma certa banda pequena americana chamada Nirvana. Me diz se não é de chorar.

E fim.

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Popload Festival 2015 – “Entre a selvageria punk e a fofura indie”

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* Vamos lá. Começando finalmente a cobertura do próprio umbigo.
O que dizer do Popload Festival 2015, que aconteceu em São Paulo no último final de semana?
A gente mesmo vai mostrar mais e dizer menos (será?), com fotos, vídeos e umas pontuações aqui e ali, quando precisar de uma luz!

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“Ele surgiu com uma jaqueta de couro sem camiseta por baixo, mas a peça do vestuário não duraria muito tempo, era óbvio. E a culpa não era a noite quente paulistana. Vestia aquilo para fazer charme. Como se ele precisasse. Com espaço para 3 mil pessoas, o Audio Club viu, de pertinho, Iggy Pop com suas estripulias no palco do simpático festival indie Popload Festival, na madrugada desta sexta-feira para sábado. Intimista. E contraditoriamente barulhento. Roqueiro. Histórico.”
((Nota da Popload – Texto do Pedro Antunes para o “Estado de S.Paulo”, sobre o show do Iggy Pop na sexta. Na verdade, na composição toda do Audio Club para o Popload Festival, o lugar acomodava entre 3500 e 4000 pessoas. A “sala” onde o Iggy Pop tocou, sim, tem capacidade para uns 3000. Ao total, na sexta-feira, compareceram 3193 pessoas. No sábado, estiveram no evento 3732 pessoas. Ah, ainda puxei o “simpático festival indie” do texto do Pedro, como ele se referiu mais para baixo no texto, para esse parágrafo destacado. Hehe.))

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“O cantor que pavimentou o caminho para a explosão do punk como movimento cultural à frente do grupo Stooges a partir da década de 1960 foi a principal atração do Popload Festival na noite de sexta-feira (16) em São Paulo. Ele entrou no palco pouco depois da 0h30 e manteve um vigor difícil de explicar para sua idade durante toda a apresentação. Em 1h30, Iggy pulou, correu de um lado para o outro, deu socos no ar e ainda protagonizou dois “moshs”, mergulhos em direção à plateia com alto grau de periculosidade para pessoas da terceira idade – ou de qualquer idade. A sequência inicial com “No Fun”, “I Wanna Be Your Dog”, “The Passenger” e “Lust for Life” garantiu o sucesso da noite logo em 20 minutos.
Não houve a esperada invasão de palco como no show de Iggy com os Stooges em 2005, no festival Claro Que É Rock também em São Paulo, mas dificilmente alguém saiu com queixas da performance.
Para alguém que cometeu os mais diferentes tipos de excesso na juventude, a vida parece ter esquecido de cobrar seu preço na velhice do artista. Esqueça o corpo de Ozzy Osbourne ou de Keith Richards. A ciência precisa estudar o que se passa com Iggy Pop.

Antes da atração principal da noite foi a vez do rapper Emicida, que apresentou seu novo disco, “Sobre crianças, quadris, pesadelos e lições de casa…”, ao lado de uma banda de 6 integrantes, com guitarra, baixo, bateria e DJ. Apesar de ser o único elemento hip hop em um festival que se divide entre o rock e o eletrônico, o artista do rap brasileiro com maior destaque atualmente acertou na performance e foi muito bem recebido pelo público.”

((Nota da Popload – Texto do Shin Oliva Suzuki para o site G1, da Globo. Só para ilustrar o que o Shin ponderou, Iggy Pop tem 68 anos. E eu pensava ter visto ele dar três moshs na noite. Mas eu, como todo mundo, devia estar delirando e pode mesmo não ter acontecido.))

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“Os shows desta sexta-feira do Popload Festival deixaram em evidência seu line-up aleatório [no título do texto estava “desastroso”], sem nenhum critério aparente na escalação dos músicos que tocaram na Audio Club, em São Paulo. O rapper Emicida subiu ao palco antes do ícone do rock Iggy Pop. Talvez por essa falta de alinhamento sonoro entre os artistas – ou pelo preço salgado dos ingressos, com o mais barato deles custando 160 reais – o público não chegou nem perto de lotar a casa. Consequentemente, e para a felicidade dos presentes, as filas eram raras e gastar doze reais em um copo de cerveja era uma atividade rápida. Quanto aos músicos, Emicida fez uma boa apresentação para os poucos que foram lá apenas para vê-lo. Já Iggy Pop, aos 68 anos, exibiu fôlego de maratonista nas quase duas horas de show e não ficou parado nem por um instante.”
((Nota da Popload Hahaha. Cada um fala o que quer, acha o que quer, festivais não são unanimidade. Mas também vou comentar essa porque, bem, imparcialidade de um festival próprio é impossível. E também porque há alguns (muitos) pontos equivocados. Desastroso para quem, manooo? Para quem gosta de rap? Ou para quem gosta de indie? Ou para quem gosta de punk? Ou para quem foi a um festival sem conhecer nenhuma das atrações que fogem de seu estilo musical preferido e teve contato uma banda nova de que gostou? O problema de uma resenha como esta não é de ela ter sido escrita por um jornalista em, sei lá, começo de carreira. Mas é ter uma chancela da “Veja”, g-zus. Não é em blog pessoal. O rapaz dá pinta de que nunca foi a um festival na vida, aqui ou eventualmente (e principalmente) na gringa. A “Veja” devia investir nisso e não estou sendo irônico. Porque é o nome da revista que está no cabeçalho. Eu duvido, pelo texto, que ele conheça metade das bandas do festival. Do Iggy Pop, já deve ter ouvido um ou dois hits, sabe até quem é, mas não o suficiente para evitar que ele escrevesse que o astro “não ficou parado nem por um instante”. O Iggy Pop é “agitado” pelo menos desde seu primeiro show, no colégio, tipo anos 60, quando estava no palco sentado na bateria da banda dos amiguinhos. Ali, sentado, dizem que ele já não ficava parado. Iggy Pop “agitando” e com fôlego de “maratonista” é tão presente em resenhas no Brasil, como se fosse uma novidade. Porque ele tem 68 anos? E o Jagger, que tem 72 anos e rebola mais que a Anitta? Tudo bem, o Iggy Pop dá mosh com 68 anos. Isso sim é de espantar a ciência. Pesquinha ajudaria. Você pega o show dele abrindo para o Foo Fighters na Inglaterra, não tem um mês, e vê que ele pulou mais que o Dave Grohl em seu show. Tudo bem que o Grohl vem de uma fratura na perna, hahaha. O Iggy Pop enquanto ícone está tão longe de coisas como pensa o Daniel na hora de escrever sobre um show dele. Por uma questão de estilo ou vivência ou até mesmo conhecimento de causa, acho que o o Pedro Antunes, do “Estadão”, soube definir bem. De novo, é só uma sugestão de exemplo.
O Daniel deve também não ter entendido por que, na “escalação desastrosa”, um rapper como o Emicida precedeu o show tão garagem como o do Iggy Pop. Rapidamente me vem à cabeça uma vez que vi o Kings of Leon tocar para um monte de menininhas e, na sequência, essas mesmas menininhas passarem a dividir espaço com os fritos que chegavam para ver o Chemical Brothers. Não faz tempo acho que testemunhei o Drake tocar logo depois do Arctic Monkeys num festival, com um público muito maior para ver o Drake. Num Coachella recente o festival promoveu a volta insana do At the Drive In, que espancou o público com sua sonoridade pós-hardcore chicana doida, e na sequência o mesmo palco recebeu um som no ritmo de uma marola, protagonizado pelo Snoop Dogg junto com o Dr. Dre mandando clássicos do hip hop. Juntar tribos é um papel digno que presta um festival. Aposto que o Emicida saiu com fãs a mais de seu show diante de adoradores “clássicos” e rockers do Iggy Pop. E a molecada hip hop deve ter aproveitado como experiência ver um ídolo punk do tamanho do Iggy Pop diante de seus olhos.
Cada um na sua, de uma certa forma tudo da mesma “tribo”, mas outro exemplo claro veio do Sonar de Barcelona, um dos festivais mais cool do mundo. O Sonar botou em 2013, em sua famooosa escalação, juntos, os nomes de Kraftwerk e Skrillex. Heresia? Na época, o Skrillex era apenas um rapaz esquisito com cara de nerd egresso de uma banda emo ruim virando DJ de uma espécie de eletrônico “farofa”, que foi a americanizada louca do dubstep britânico. Botado no mesmo line-up que os deuses supremos do Kraftwerk. Galera chiou forte, tanto que levou o festival a soltar um comunicado oficial sobre sua escolha: “A ideia central que norteia o Sónar é balancear em sua escalação o futuro e o passado da música. Para nós, uma das mais coisas interessantes em nosso vasto line-up é o balanço entre Kraftwerk e Skrillex. Lendo nas entrelinhas, o importante para nós aqui é juntar as pessoas que gostam de Skrillex, que hoje é um fenômeno da música com a qual trabalhamos e faz parte de uma geração nova que busca essa música como diversão e envolvimento, possam estar presentes num concerto 3D do Kraftwerk. E que isso aconteça à custa do Sónar. Para eles entenderem as raízes da música que eles passaram a gostar. Isso é uma celebração muito orgânica do passado, presente e futuro da música eletrônica”. Hoje o Skrillex é super-respeitado como produtor e como DJ, se aliou às pessoas certas, venceu o estigma porque se mostrou bom no que faz. E o Sonar, por levar “vanguarda” no nome, soube enxergar isso.
Daniel ainda, em mero dois parágrafos, acha tempo para ser irônico e “implacável” com a casa não estar lotada, por causa dos preços caros do festival, mas isso “consequentemente”, veja o lado bom, causou facilidade em ir ao banheiro e comprar comes e bebes. De novo, aposto que ele não entende por que o festival tem o preço que tem. E não deve ler a própria Veja na parte de economia para intuir que o show não estava esgotado. Nem tem ideia de como o mesmo festival consegue fazer ações beneficentes para muitas pessoas estarem lá dentro de graça (só nesta edição, 150 pessoas fizeram trabalho voluntário e doaram sangue em troca de um ingresso). Não deve ter ido no sábado: senão veria que a casa esteve pertinho do limite máximo e ainda assim as pessoas tinham facilidade de ir ao banheiro, comprar comida e bebida e ver de perto várias atrações em dois espaços. Não quero soar “mordidinho” nem #chatiado. É só um esclarecimento porque, visto de fora, tudo parece mais fácil. Mas nada que uma experiência a mais em festivais não ajude. Até agradeço a “Veja” por me dar essa oportunidade de falar umas coisinhas, hahaha. E ao Daniel, claro. Parece até textão de Facebook… Que bad, hahaha.

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” ‘Nós somos o Belle and Sebastian. Somos da Escócia’, disse Murdoch, em português, sem os problemas vocais que atrapalharam a apresentação carioca. Emendou, voltando ao inglês: “Estamos muito felizes por estar em São Paulo”.
Isso ele não precisaria nem falar. Com pulinhos, dancinhas e pescando fãs para subir ao palco, a banda entregou carisma para um público que parecia ter ido mesmo ao festival só para vê-la. O Audio Club, casa na zona oeste que recebeu o festival, foi enchendo durante o show do Cidadão Instigado, até chegar aos americanos do Spoon com a pista cheia (enquanto a outra, onde tocavam os DJs, estava praticamente vazia).
O indie dançante do Spoon animou grupos esparsos na audiência, sem a comoção quase que geral provocada pela fofura do Belle and Sebastian e sua textura sonora, que une violoncelos e flautas à formação baixo-guitarra-bateria-teclado.”

((Nota da Popload – Texto de Gabriela Sá que entrou no impresso da Folha de S.Paulo, dividido com as impressões de sexta, e no on line)).

** Todas as imagens deste post são do fotógrafo poploader Fabrício Vianna.

** O Popload Festival tem o patrocínio da marca de cervejas Heineken.

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Popload Festival – O que aconteceu neste final de semana, gemt???

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* Espera um pouco. Estamos voltando a respirar, organizando as ideias, tentando entender o que foi aquilo que vivemos de sexta às 15h, quando os primeiros hóspedes do Airbnb chegaram para “morar” dentro do Popload Festival, dentro do Heineken Room, até ontem para lá de 23h, quando a dupla Holy Ghost! espancava picapes na Rua Augusta, logo depois de o incrível Spoon ter sido incrível (…). A gente já volta com mais Popload Festival 2015. Certo, Iggão?

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** Foto Fabrício Vianna.

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Natalie Prass, Emicida, Cidadão Instigado e Barbara Ohana acompanham o Iggy Pop no Popload Festival

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* Coladinho no Iggy, o Popload Festival anuncia hoje, também, as seguintes atrações de seu line up 2015, que se juntam a Belle & Sebastian, Spoon, Todd Terje e Sondre Lerche…

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A cantora americana NATALIE PRASS e os brasileiros EMICIDA, CIDADÃO INSTIGADO e BARBARA OHANA! também estão na escalação do Popload Festival, no pacote anunciado hoje. Tem mais nomes para vir por aí. Eles todos, mais IGGY POP, se juntam ao grupo escocês BELLE & SEBASTIAN, o grupo de rock americano SPOON e os noruegueses SONDRE LERCHE e TODD TERJE.

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* NATALIE PRASS – Cantora americana da Virginia, de voz delicada, que lançou seu álbum de estreia neste ano, o belo disco que leva simplesmente seu nome. Os blogs americanos encontram dificuldade de encaixar Prass na cena feminina do rock atual, porque sua voz passeia do country ao pop, do barroco ao… grunge, se ela quiser. Sua musicalidade (ela é guitarrista) é a mais pura “americana”, o amálgama de gêneros que abraça várias tendências da música produzida nos EUA. Uma das grandes surpresas da nova música neste ano.

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* CIDADÃO INSTIGADO – Patrimônio da música independente brasileira, a banda do Ceará, adotada por São Paulo e liderada por Fernando Catatau. Em ação desde o começo dos anos 2000, é uma espécie de precursora da onda psicodélica experimental que varre o indie nacional, mas diferenciado pela forte carga nordestina aliada ao rock setentista do grupo. Anda fazendo shows pequenos e logo esgotados para divulgar seu mais recente álbum, “Fortaleza”, dado de graça em seu site.

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* EMICIDA – Um dos grandes nomes do rap nacional e em plena forma, mostrará no Popload Festival as músicas do elogiado “Sobre Crianças, Quadris, Pesadelos e Lições de Casa…”, seu segundo álbum, lançado agora em agosto

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* BARBARA OHANA – Outra das mais reluzentes revelações da cena brasileira, a bela carioca Barbara Ohana tem cara de MPB (foi backing vocal da banda do Gilberto Gil), mas a alma é de música indie cantada em inglês (tem EP gravado em Chicago no estúdio do Wilco, além de ter o baterista Glenn Kotche participando de uma música). Com uma pegada vocal sussurrada e tensa, ela, que agora se baseia em São Paulo, chega ao Popload Festival comandando um trio que opera na vibe do dream pop. Ela entrega isso fácil em seu mais recente EP, não por acaso chamado “Dreamers”, que tem download gratuito em seu site.

Barbara Ohana - por Aderi Costa - alta

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* Mais atrações serão anunciadas em breve. Os ingressos para esta edição já estão à venda.

* A foto de Natalie Prass deste post é divulgação. A do Cidadão Instigado, de Haroldo Saboia. A do Emicida também é divulgação (Imprensa Laboratório Fantasma). A de Barbara Ohana é de Aderi Costa.


*** O Popload Festival tem o patrocínio da premium Heineken. Se beber, não dirija.

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