Em bicho:

CENA – As receitas de bolo de Marcelo Perdido, com ingredientes de Berlim, Lisboa e São Paulo

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* O talentoso Marcelo Perdido, de tantos posts coloridos aqui na Popload, largou a temporada de vivências na Europa para voltar a fazer música no Brasil. Não sem antes trazer na bagagem um belo vídeo gravado em Berlim, na Alemanha, com música em português falando de receitas de bolo. Sim, mas não.

Não se engane. A gostosa “Receitas de Bolo”, ótimo exemplo de mais um de seus folks tropicais do cantor, instrumentista, compositor e produtor sonoro e visual carioco-paulistano, com vídeo grudento de tão simples e eficaz para ver com música ou sem (outra inspirada expertise de Perdido), é na verdade sobre censura e informação manipulada.

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“Receitas de bolo… Era o que se publicava quando se tinha uma reportagem/matéria/pauta censurada. Na época da necessária caneta desmanipuladora, uma letra embaralhada sobre o que não deveríamos, não poderíamos ou não conseguimos falar. Vídeo gravado em Berlim, uma cidade com um passado que ecoa censura e repressão, mas soube se virar”, diz o músico.

A música está no álbum “Bicho”, seu terceiro e “difícil” disco, gravado em Portugal e lançado em dezembro do ano passado, bem perto do Natal.


* Marcelo Perdido se apresenta sábado às 15h na loja Sensorial Discos, na rua Augusta, ao lado do português Tiago Guillul (fundador da Flor Caveira, importante selo indie de Portugal). Felipe S., vocalista do Mombojó, mostrando recém-lançado disco solo, toca também nessa programação vespertina, do projeto Tardes Scream&Yell. Entrada a R$ 10.

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CENA – Em novo disco e na conexão São Paulo-Lisboa, Marcelo Perdido queria falar de amor, mas…

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Cantor carioca adotado por São Paulo e que resolveu desbravar Lisboa, Marcelo Perdido, mesmo do outro lado do oceano, continua esbanjando seu talento em forma de música. Ele, cantor/músico/compositor que se aloca de forma confortável em um folk dentro da nossa MPB indie, já fez parte do colorido Hidrocor, mas hoje caminha firme e forte em sua carreira solo com seu terceiro disco, “Bicho”. Um disco “difícil”, segundo o próprio.

“Faz quase um ano que me mudei para Lisboa para compor um disco. Era para ser um disco de primavera e amor, mas, desde que saí do Brasil, levamos surra atrás de surra, surreal. Ser humano é treta! Mas tá aqui, terceiro disco pro terceiro mundo”, conta, com exclusividade, para a Popload.

Perdido reforça que queria falar de amor, mas suas inspirações foram atropeladas pelos problemas políticos do Brasil. “Este disco foi escrito em um ano surrealista no qual eu queria apenas falar de amor, mas fui repetidas vezes impactado pelos acontecimentos políticos/sociais. O disco começa com a palavra “adeus”, um adeus para um modus operandi que já não funcionava para mim. Pareceu-me que, para ser mais humano, era mais garantido agir como os animais e toda sua sabedoria em coexistir”, relata.

A mudança de país também influenciou nas composições e vibe do álbum. “Mudei de país e me senti emigrante/imigrante pela primeira vez, não passei nenhuma dificuldade, a não ser uma das maiores de todas: a saudade, que veio de mãos dadas com tristeza, solidão e angústia. Pude, num exercício de empatia, ver que meus vizinhos indianos, angolanos, chineses, cabo-verdianos e brasileiros, além de saudade, sofriam com dificuldades financeiras, linguísticas e de oportunidades. E algo que, agora, nos une: situações políticas que levam/levarão nossos países ao extremismo da desigualdade social.”

“Bicho” foi produzido por Filipe Sambado, grande nome da nova geração, que lançou também neste ano o álbum “Vida Salgada”, que está em lista de melhores de 2016 em Portugal. As gravações aconteceram entre abril e novembro deste ano, nos estúdios da Maternidade na Interpress, em Lisboa.

Com essa cabeça indie-MPB global, convidamos você a ouvir “Bicho”, de Marcelo Perdido.

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