Em big thief:

Seis novos discos para já amar em 2022, estrelando Wet Leg, Metronomy, Alt-J, Charlie XCX, Big Thief e Yard Act

>>

* Olha, de cara dá para dizer que vai ser difícil nosso querido ano de 2022 bater 2021 no quesito “lançamento de discos maravilhosos”, pelo menos em quantidade. E talvez em qualidade também. Foi muito disco bom lançado, que produziu, você viu por aí, verdadeiras listas de melhores do ano criminosas , com uma enormidade de álbuns bons ficando fora dos rankings gerais. A gente tratou disso aqui.

Mas, de todo modo, 2022 promete não ser um “ano qualquer”. Para o bem e para o mal. O que 2021 seria “um ano normal” a respeito de pandemia está sendo oficialmente transferido para este ano que começa agora, apesar da combinação “altos contágios” + “menos gravidade” que está rolando. Então aparentemente uma outra combinação, a de lançamento de discos + shows ao vivo + festivais presenciais + galera nas pistas, promete turbinar 2022, fazendo a música rodar no seu eixo tradicional.

Por isso, pelo menos na parte que toca este post, a de discos novos que vêm por aí, a gente quer destacar alguns lançamentos excitantes que prometem balançar o ano novo. Sim, tiramos fora desse rol coisas grandes como os novos do Arctic Monkeys, Liam Gallagher, The Cure, Radiohead, do próprio The Weeknd que tratamos no post anterior, a volta do Placebo.

Porque, você sabe, somos do tipo que usa aquelas camiseta “Estamos aqui para a banda de abertura”.

***

* “Wet Leg”, Wet Leg
Lançamento: 8 de abril

Depois de quatro singles bombásticos, todos incríveis, a banda indie mais falada do ano passado, liderada pelas meninas inglesas Rhian Teasdale e Hester Chambers, finalmente vai lançar seu disco de estreia. Dessa capa espetacular abaixo. Certeza de barulho master em torno desse álbum. Would you like us to assign someone to butter your muffin?

Captura de Tela 2022-01-03 às 4.09.13 PM

***

* “Crash”, Charlie XCX
Lançamento: 18 de março

Ela é “acusada” de ser o futuro da música pop. E agora em 2022 ela certamente vai botar de novo o mainstream em alerta ao revelar seu quinto disco, “Crash”. Lembra o vídeo de Charlie dançando sexy em um funeral, na hyperpopesca e esperta canção “Good Ones”, single lançado em setembro. Então: a vibe é essa. No programa do Jimmy Fallon, na TV americana, a inglesa transformou o palco num cemitério para fazer sua apresentação. Tipo isso:

Outro single conhecido do álbum novo de Charlie XCX é “New Shapes”, que tem a participação, “apenas”, das espetaculares Christine and the Queens e Caroline Polachek. Fraca ela?

***

* “Small World”, Metronomy
Lançamento: 16 de fevereiro

A gente sempre merece um disco novo da banda inglesa Metronomy. O mundo merece, ainda que pequeno. E este “Small World” chega no mês que vem para, além de nos trazer alegrias musicais, servir como o sétimo álbum do grupo electroindie que sabe bem os caminhos de shows no Brasil, pelas mãos da Popload. Desse disco, a gente já conhece a delicinha “It’s Good to Be Back”, de título tão representativo. Só vem, Metronomy.

***

* “Dragon New Warm Mountain I Believe in You”, Big Thief
Lançamento: 11 de fevereiro

Desta vez a talentosíssima banda americana da guitarrista Adrianne Lenker não vai lançar dois álbuns num ano só. Porque esse “Dragon New Warm Mountain I Believe in You” vai vir com 20 canções e em edição dupla no formato vinil. O grupo folk do Brookyn, Nova York, já nos mostrou seis dessas 20, lançadas durante 2021: “Little Things”, “Sparrow”, “Certainly”, “Change”, “No Reason” e “Spud Infinity”. Nenhuma delas chega a ser “mais ou menos”. Só para dar uma prévia do que vem por aí, o site Pitchfork considerou o single “Little Things” como a 15ª música mais bonita do ano passado.

***

* “The Dream”, Alt-J
Lançamento: 11 de fevereiro

Muito se espera também do novo disco da peculiar banda inglesa Alt-J, digamos de um estilo bem próprio. E, dentro desse jeitão todo pitoresco, o grupo artsy, também de Leeds, acena com mudanças. De integrantes e de estilo, um pouco. Estão inclusive aparecendo em vídeos, o que não acontecia antes. As únicas pistas deste novo álbum, o quarto da banda, são os singles “U&Me”, este lançado no final de setembro, e “Get Better”, que saiu em novembro. Estamos bem curiosos pelo que vem neste primeiro álbum desde 2017.

Alt-j_The_Dream

***

* “The Overload”, Yard Act
Lançamento: 21 de janeiro

Muita expectativa está sendo botada em cima desse disco de estréia da nova banda pós-punk inglesa Yard Act, de Leeds. O quarteto, outro grupo que segue a linha The Fall das letras faladas, meio intelectualizado nas letras e no jeitão artsy dos vídeos iniciais, foi ganhando fama nos poucos singles certeiros lançados desde 2020.

yard-act-the-overload-1536x1536

>>

Top 10 Gringo – Amyl and the Sniffers traz o punk ao topo. St. Etienne devolve a delicadeza ao ranking. E Little Simz dá indícios de que nunca vai sair do pódio

>>

* Nesta semana nem teve muita coisa, em volume de novas músicas. Foi meio que Amyl and The Sniffers e mais nove, para efeito do nosso Top 10. A gente está louco por conta do punk rock dessa banda australiana e consegue dar um novo fôlego até para solos de guitarra, veja você. Porque a maravilhosa banda inglesa St. Etienne lançou disco novo, e isso sempre é um evento, é então Amyl, St Etienne mais oito. E, já que a gente tinha que manter a Little Simz, nosso primeiro lugar da semana passada, uma vez que estamos falando de um dos álbuns do ano, é Amyl, St. Etienne e Little Simz mais sete. E temos dito!

amyltopquadrada

1 – Amyl and The Sniffers – “Choices”
A gente esperava muito dessa banda australiana e dá para dizer com segurança que as expectativas foram superadas. Superálbum esse “Comfort to Me”. “Choices”, com sua letra onde Amy reivindica seu corpo, sua opiniões e escolhas sem que ninguém meta o bedelho, é uma porrada que lembra, sem brincadeira, os melhores momentos de Queens of the Stone Age e até, pega esta ousadia, Sex Pistols. Tudo junto e misturado.

2 – Saint Etienne – “Pond House”
Aqui a viagem é outra. Os ingleses do Saint Etienne estão por aí desde os anos 90 lançando disco com uma boa frequência de álbuns, sendo referência do indie de forte levada eletrônica experimental, mais dançante, e representando a ala dos jornalistas de música que sabem lidar com música. Seu novo álbum, o beeeelo “I’ve Been Trying To Tell You”, dá sinais de que tudo segue muito bem para eles.

3 – Little Simz – “Introvert”
E seguimos chapados com o melhor álbum do ano. Ou, pelo menos, um dos três melhores já imaginando nossa listinha de dezembro. Mas é isso: Drake e Ye, desistam. O novo disco da inglesa Little Simz é no mínimo o melhor disco de rap do ano até aqui. A gente falou disso semana passada e nesta semana valorizamos a faixa “Introvert”, talvez a mais grandiosa do álbum pela letra e pela técnica absurda que Simz apresenta em seu flow. Em sua longa letra, ela reflete sobre as contradições de lutar por sua arte em um mundo tão caótico. No relato de uma guerra interna e externa, ela se pergunta se seu trabalho vai para o caminho certo ou qual o sentido do sucesso. Ela chega até a citar Amy Winehouse, uma mulher que sofreu com as consequências mais nefastas do mundo artístico. E a questão feminina se apresenta forte justamente ao fim da canção, quando ela dando a senha para a faixa seguinte, a poderosa “Woman”.

4 – James Blake – “Famous Last Words”
O querido produtor inglês segue divulgando aos poucos os singles que vão compor “Friends That Break Your Heart”, o disco que ficou para outubro. A novidade da vez é aquele Blake clássico que amamos: voz lindíssima, aquele alcance que ele tem, pequenos toques eletrônicos e uma letra derramada na sofrência cool, em que você não está bem, mas quer dançar.

5 – Park Hye Jin – “Let’s Sings Let’s Dance”
É muito interessante o trampo da sul-coreana Park Hye Jin. Ela produz aquele som eletrônio meio house, meio lo-fi meio hipnótico – neste som é impossível não pensar em Chemical Brothers e seus loopings. Ainda que não seja muuuuito nossa praia esse gênero, caramba, que praia boa é esta?

6 – Lana Del Rey – “Arcadia”
No vídeo desta linda baladaça, Lana aparece com um anjo. Um anjo de Los Angeles, coisa que ela já mostrou diversas vezes que é mesmo em todos os significados disso. E que aqui, som e imagem toda amarelada, nos faz viajar no que Lana tem de melhor: nos transportar para além da música, como se estivéssemos, nós e ela, num filme triste. Difícil Lana errar.

7 – Sleigh Bells – “Locust Laced”
A gente já falou tanto do Sleigh Bells por aqui na Popload. Mas tanto. Você não tem ideia. E é bom ver o quanto essa dupla de Nova York se mantém firme mesmo após alguns anos meio quietinha na cena. “Locust Laced” é barulhenta, claro, com guitarrras dignas de um som heavy metal que alterna com trechos que poderiam estar em um som pop de estádio da Gwen Stefani.

8 – Big Thief – “Certainty”
Neste belo single que o querido quarteto Nova York soltou é impossível não pensar que seria uma música que caberia num disco da The Band. Ou mesmo, olha a ousadia mais uma vez, em um Dylan em suas fases mais country.

9 – Remi Wolf – “Photo Id”
Uma matéria da “Harpers Bazaar” americana afirma que a jovem Remi Wolf está reescrevendo as regras da música pop. Bom, se Nile Rodgers já ficou de cara com ela, quem somos nós? E, em tempos em que o pop anda mais soturno pique Billie Eilish, parece que é o espaço ideal para Remi jogar um colorido mais alegre ali na conta. A versão de “Photo Id”, seu maior hit até aqui, com Dominic Fike em um disco de remixes de sua curta obra, é a dica do que vem em breve com a estreia dela em seu primeiro álbum cheio, “Juno”. Fique atento.

10 – The Vaccines – “Wanderlust”
Talvez os Vaccines já tenham inspirado mais entusiasmo da nossa parte, mas não dá para dizer que eles fizeram um disco ruim. No site “Album of the Year”, onde muitos usuários detonaram o disco, alguém escreveu que esta canção é das mais pegajosas e a gente concorda. E das mais originais também, cheia de partes e andamentos diferentes. Só por ela e umas duas outras, o disco nem merece ser tão detonado assim, vai.

*****

*****

* A imagem que ilustra este post é da cantora australiana Amy Taylor, da Amyl and the Sniffers.
* Este ranking é formulado pelo duo Lúcio Ribeiro e Vinícius Felix

Pitchfork Festival realiza três dias de festa indie e 20 mil pessoas por dia sem máscara em Chicago. Temos muitos vídeos

>>

Captura de Tela 2021-09-13 às 9.10.46 AM

* De sexta-feira até ontem à noite, entrando na madrugada de segunda, a movimentada Chicago foi lugar da edição 2021 do Pitchfork Festival, que enfileirou no velho Union Park quase 50 bandas e artistas desses que saem bastante no site do grupo indie mais famoso do mundo.

Phoebe Bridgers, Erykah Badu, St. Vincent, Black Midi, Animal Collective, Thundercat e Angel Olsen são alguns dos principais nomes a se apresentarem para um público médio de 20 mil pessoas/dia, nesse “lado alternativo” da cidade do Lollapalooza, do colossal Grant Park e de suas 110 mil pessoas por dia.

Captura de Tela 2021-09-13 às 9.03.05 AM

Galera no Pitchfork Festival no fim de semana. Evento indie é realizado num “parque qualquer” do centro de Chicago, o tradicional Union Park. A foto de cima é do jornal “Chicago Sun-Times” e a abaixo é do site “Brooklyn Vegan”. A foto que abre o post é de performance do guitarrista californiano Ty Segall, outra atração das boas do Pitchfork Festival 2021

Captura de Tela 2021-09-13 às 9.11.21 AM

O festival foi transmitido ao vivo pelo Youtube. Daqui do nosso lado, tivemos a oporturnidade de ver boa parte de três shows bem legais: dos ingleses quebrados do Black Midi, que levou um sofá verde ao palco, da especialíssima banda Big Thief e a bonita performance da bonita nova-iorquina Caroline Polachek, ex Chairlift.

Abaixo, um monte de vídeos de galera do Pitchfork Festival 2021. Alguns são os shows completos.

>>

Big Thief reaparece com duas músicas inéditas. Uma delas é até alegre

>>

* A banda americana de indie-arte Big Thief, do Brooklyn, algo folk made-in Brooklyn que tem a grande Adrianne Lenker (nas guitarras e no vocal) saiu do casulo e, como de costume, já lança coisas em dobro. O grupo soltou em 2019 dois ótimos discos, um mais ótimo que outro, “Two Hands” e “U.F.O.F.” e se fechou neste período pandêmico.

Agora soltaram esses dois singles, gravados na Califórnia em outubro do ano passado, que deve apontar para um quinto disco deles. Ou quinto e sexto deles, se a periodicidade de dois por ano for continuada.

“Little Things” é até dançante e alegre, para quem curte as lamúrias indie-folk do Big Thief. O baterista da banda, James Krivchenia, o produtor das canções novas, diz que a música parece mesmo diferente porque foi mudando tanto nesta reclusão da covid-19, por causa de tanto tempo livre para mexê-la. Talvez aponte até novos caminhos para o Big Thief.

A outra música lançada hoje, a linda “Sparrow”, é Big Thief em sua essência. Abaixo, as duas canções novas dessa banda das prediletas da casa.

>>

Popnotas – A música nova dos “Smiths” (nos “Simpsons”). Disco novo da Sleater Kinney. Weezer leva o metal para a TV. O disco ao vivo em estúdio do Big Thief. E as cores do Coldplay ao vivo

>>

– Provavelmente você viu ou ouviu falar do episódio dos Simpsons com um personagem sensível bem parecido com o Morrissey, líder de uma banda sensível bem parecida com os Smiths, que se torna a obsessão da Lisa (foto na home). E, quando ela vai ver um show da reunião da banda dos seus sonhos, descobre que o vocalista virou um racista que detesta imigrantes – um piada dos Simpsons com um processo que rolou não só com o Morrissey, mas é bem comum entre roqueiros aqui no Brasil também. A novidade é que a música que Lisa e o Morrissey fake do episódio cantam, “Everyone Is Horrid Except Me”, foi lançada. Benedict Cumberbatch, o ator de Sherlock Holmes, que fez a voz do “suposto” Moz no episódio, também é o dono da voz muito similar a do cantor dos Smiths na música – na real, um pastiche de Smiths descarado e era para ser mesmo assim. Acho que alguém vai ficar furioso de novo com essa história…

***

– Das bandas mais importantes e queridas, a americana Sleater Kinney, atualmente uma dupla formada por Carrie Brownstein e Corin Tucker, está de disco novo programa para junho. “Path of Wellness” será o décimo álbum da banda e o terceiro desde que as meninas retomaram as atividades em 2014. Com produção delas mesmas, o álbum feito em Portland (a cidade eternizada na série de Carrie) carrega a agitação social dos Estados Unidos, incêndios e a pandemia, ainda que o primeiro single “Worry with You”, seja sobre amor, se entendemos bem.

***

– No rolê de divulgação de seu segundo disco de 2021, o metaleiro “Van Weezer”, lançado na sexta passada, a banda de Rivers Cuomo foi ao Jimmy Fallon ontem à noite, enquanto em outro canal a Billie Eilish tava em outro late show falando de suas fotos, recordes, livro, música no deserto etc.. “All the Good Ones” foi a faixa escolhida do Weezer para a performance gravada e enviada ao Fallon. Esta aí embaixo.

***

– Quem tem tempo para escutar todos os discos dos King Gizzard & The Lizard Wizard? A banda australiana, que lança em média sempre dois discos por ano, às vezes três (em 2017 foram 5!), vem aí com seu segundo álbum de 2021. “Butterfly 3000” chega em julho e não ganhou single, capa, nada, só sabemos que terá dez músicas. Sim, eles gostam de ser diferentes e tudo bem. O disco novo é definido pela banda como “melodic + psychedelic”. Tá?

***

– Saiu um EP bem legal ao vivo do Big Thief, grupo americano das nossas preferidos. “Live at the Bunker Studio” é um registro de 2019, ano em que a banda do Brooklyn, NYC, lançou “U.F.O.F” e “Two Hands”, seus discos mais conhecidos. É nessa session que está a versão emocionante de “Not”, que bombou em vídeo no YouTube, acumulando mais de meio milhão de views. Agora dá para se emocionar com as músicas ao vivo do Big Thief nas plataformas de streaming. Ah, a banda já tinha liberado duas amostras audiovisuais daquela apresentação. Agora temos todas.

***

– Então. O Coldplay fez uma apresentação ao vivo que abriu agora há pouco na Inglaterra a noite de premiação meio xoxa do Brit Awards 2021. Aconteceu no gigantesco O2 Arena, em Londres, com público de 4 mil pessoas. Amanhã a gente traz os melhores poucos momentos. Mas aqui deixamos com a preza do Coldplay para o prêmio, tocando do lado de fora da arena, em meio a cores, dancinhas, agitos alegres, como a música apresentada, a nova “High Power”, a dos ETs. E, sim, eles apareceram na gravação do Coldplay para o Brit. Abaixo, também, tem a performance deles para a mesma música, anteontem, no programa “American Idol”. Bom proveito.

>>