Em Blur:

Nandi Bushell, a “baterista do metal”, 10 anos, toca “Song 2”, do Blur. Guitarra, inclusive. E baixo. E canta

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* Olha ela aí de novo. A garotinha-sensação Nandi Bushell, 10 anos de idade, que passou 2020 nos alegrando com suas covers de bateria de clássicos do metal e duelos com Dave Grohl, começou 2021 a toda velocidade.

A mocinha, que bombou big time em seu canal do Youtube no ano passado com seus vídeos incríveis, chegou ao britpop para entrar bem em 2021.

“Nesta semana eu tenho aprendido sobre o britpop, os anos 90 e sobre essa maravilhosa batalha entre as duas bandas chamadas Blur e Oasis. Os anos 90 pareceram divertidos para a música. E essa ‘Song 2’ é bem legal para fazer uma jam. Wahoo!!!!!”, escreveu Nandi na legenda do vídeo que ela postou, para o clássico do Blur que ela fez, meio diferente.

Tem ela espancando a bateria, óbvio, mas tem ela também fazendo vocal quádruplo, tocando guitarra, baixo e empunhando o microfone. Um quarteto de Nandis, usando camiseta da “union flag” britânica e uma correia de guitarras da famosa LK Straps. Nandi não é fraca.

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* Inclusive, Nandi Bushell na mesma leva de vídeos fez um na virada do ano postado como “New Year Song – 2021 Bring It on”, junto com sua família. Uma música que ela mesmo criou, meio “cheesy”, como ela disse, meio “all we need is love”, mas está valendo. Nessa Nandi tocou um violão para o seu tamanho. Fofa.

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Blur x Oasis. Os 25 anos da batalha mais sensacional da música pop

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* São tantas nuances e reviravoltas que vamos dividir aqui em tópicos:

* No dia 14 de agosto de 1995, um quarto de século de distância de hoje, as bandas inglesas Oasis e Blur lançavam um single. No mesmo dia. O da música “Roll with It”, no caso do Oasis, “Country House”, pelo Blur.

* O entorno desta notícia é uma das coisas mais maravilhosas da música, mas pertence a um outro mundo que não existe mais. Tanto o mundo real quanto o mundo musical. Por isso cabem algumas lembranças.

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* Vivia-se à época o britpop. Em seu maior furor. Movimento cultural britânico que resgatava o orgulho inglês e da ilha toda depois de tempos nas trevas de pessoas e ideias. E, no caso da música, depois do movimento americano grunge liderado pelo Nirvana, que terminou por aniquilar a cena de Madchester do final dos 80, começo dos 90 e de umas outras cenas menores, mas frutíferas e cheias de bandas boas.

* O Reino Unido estava “swinging again”, para usar um termo que lembra um período em que a efervescência cultural e o modernismo de costumes focava particularmente em Londres na segunda metade dos anos 60, o famoso “Swinging London”. Tanto o cinema, a literatura, as artes plásticas, os museus, a dança, o teatro, o jornalismo pop. Tudo estava em evidência e cheio de sangue novo, ideias novas. Claro, a música tinha um papel essencial nessa retomada.

* E na música o britpop bombava, até ao lado do pop (Spice Girls fazendo show com a bandeira de UK). No lado mais… indie… o Oasis era até uma “banda nova”. Tinha um disco e ia lançar seu segundo dali pouco mais de um mês. O Blur já tinha três discos e uma semana antes dos Gallagher ia lançar seu quarto álbum. Mas assim…

* 1994, o ano anterior, já havia sido glorioso para as duas bandas e para o britpop em si. O Oasis tinha lançado seu maravilhoso disco de estreia, o “Definitely Maybe”, e estava há um mês de soltar o arrasa-quarteirão “What’s the Story (Morning Glory)”. O Blur já estava no rolê da música inglesa desde uns quatro anos antes e em 94 foi “adotado” forte pelo novo espírito britânico com o disco “Parklife”, coisa mais inglesa impossível. E, também, poucas semanas daquele 14 de agosto de 1995, iria lançar o quarto álbum, “The Great Escape”, outro. E aí o britpop iria para os ares. “Morning Glory” iria fazer do Oasis uma banda fenômeno, quebrou recordes, entrou muito alto nas paradas americanas (“Billboard”), um feito para um grupo inglês, e ficou três meses seguidos no número 1 do chart inglês. E o “The Great Escape”, do Blur, não só morderia de cara o primeiro lugar das paradas britânicas quanto emplacaria seu nome no Top 10 de paradas de pelo menos outros 12 países.

* Mas enfim, estamos em 14 de agosto de 1995, isso tudo ainda não aconteceu, mas o desenho estava feito. E aí as bandas marcaram a data de lançamento dos singles, nosso principal assunto, para o mesmo dia.

* Bandas grandes NUNCA marcavam lançamentos para o mesmo dia. Sempre um fugia do outro, para não dividir a “novidade” da semana: nas matérias de jornais e revistas, nas paradas, na vendagem em si e principalmente no programa de TV histórico chamado “Top of the Pops”, que trazia as bandas fazendo um playback farofa na TV aberta de todo o Reino Unido. Mas não foi o caso entre Blur e Oasis, uma tendo bronca do outra, um representando a classe operária e a molecada de rua (Oasis) e os classe média alta de boas universidades e roupas mais “arrumadinhas” (Blur). Outra tese de mestrado que vamos deixar por aqui.

* Lançamento de single, principalmente nos anos 90, também precisaria de um post gigante à parte. E não estamos falando de músicas como as de hoje lançadas como single, que é apenas uma canção colocada de graça para streaming (que não é de graça). Naquela era distante, single era capaz de vender na primeira semana de lançamento umas 250 mil cópias, se bem trabalhado.

* Mas ok, Blur x Oasis na batalha de singles, na Batalha do Britpop, como ficou mundialmente conhecida. Numa bela segunda-feira de agosto, 25 anos atrás, “Roll with It” e “Country House”, enfeitavam as gigantescas e várias lojas de discos, tocavam sem parar nas lojas, eram temas dos noticiários de TV, um inferno.

* Eu estava na Inglaterra na data, porque o Reading Festival ia acontecer naquele período e não perderia esta por nada no mundo. Fui a uma dessas lojas gigantes, desviei de algumas câmeras de TVs e flashes de máquinas que estavam lá para cobrir o evento e comprei os dois singles.

* O engraçado da coisa que, como eu, tinha muita gente comprando os dois. Porque Oasis x Blur eram rivais entre si. A galera mesma gostava das duas bandas.

* O Blur acabou ganhando “a guerra”. Vendeu cerca de 270 mil cópias de seu single, enquanto o do Oasis foi comprado por quase 220 mil pessoas. Talvez porque o Blur ali naquele ponto já era uma banda mais “consagrada” que o Oasis. Talvez porque “Country House” era mesmo melhor que “Roll with It”. Ou, talvez, porque o Blur teve a sacada de botar o seu single pela metade do preço do Oasis, a 0,99.

* Dois fatos que eu nunca me esqueço. Noel Gallagher anos depois dando seu depoimento a uma TV dizendo que aquela guerra foi muito imbecil porque as duas músicas eram ruins. Que o barulho seria mais justificado se quem estivesse em disputa nas vendas fossem “Cigarettes & Alcohol” e “Girls & Boys”. O outro é que, na semana do lançamento dos singles, enquanto esperava-se o resultado da semana das vendagens, o famooooooso tablóide “The Sun” foi a Manchester e conseguiu entrevistar a mãe dos Gallagher. Levaram um walkmen e tocaram o single do Blur para ela, que acompanhou alegrona, batendo o pezinho no chão. A manchete do jornal no dia seguinte, óbvio, era algo do tipo: “Mãe dos Gallagher adora a música nova do Blur”.

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* Esta história de Blur x Oasis está oralmente contada também no Popload:Popcast, nosso podcast que foi ao ar hoje, no Spotify.

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Sem poder acontecer real, Glastonbury virtual remonta o passado de quinta a segunda para comemorar seus 50 anos

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* Glastonbury x Coronavírus. Previsto para acontecer nesta semana entre os dias 24 a 28 de junho, mas cancelado pela pandemia, o gigantesco festival inglês anunciou um “line up virtual” para comemorar seu 50º aniversário. Se 205 mil pessoas compareceriam in loco para ver essa especialíssima edição cinquentenária do festival, a ideia agora é milhões de longe relembrando os grandes momentos do evento nesses anos todos.

Bom, talvez recriar a “experiência glasto” em casa não seja tão fácil. Sem aquele monte de barro, litros de cerveja quente, o (des)conforto dos banheiros químicos, a aglomeração de gente “alterada” (inclusive saudade do galerão)… Massss, sem outro jeito, dá para você recordar alguns dos shows icônicos do maior festival do mundo ao longo destes 50 anos.

A edição que agora em 2020 traria como headliners sir Paul McCartney, Kendrick Lamar e Taylor Swift, além de mais de outros MIL (!!!) shows na programação, resolveu proporcionar a seus fãs parte da experiência através de playlists (divididas por palcos), galeria de fotos, eventos, palestras e até uma exposição online com curadoria do ótimo museu britânico Victoria & Albert (V&A, de Londres). Tudo isso é o chamado Glastonbury Experience.

Na TV, a BBC, que transmite o Glasto desde 1997, também terá parte da sua programação dedicada ao festival a partir de quinta feira, só com pesos pesados e seus shows clássicos: Nick Cave & The Bad Seeds, Oasis, Radiohead, The Cure, Beyoncé, Jay-Z, LCD Soundsystem, Amy Winehouse, Lady Gaga, David Bowie (!), Arctic Monkeys, Blur, entre muitos outros. E, claro, as “novidades” quentinhas da música: Billie Eilish, Fontaines DC, Idles, Haim, Stormzy…

O gigantesco lineup de shows antigos do Glasto vai ser mostrado em streaming na plataforma BBC iPlayer, que não funciona fora do Reino Unido. Fiquemos de olho no canal da BBC Music no Youtube. Ou pensamos em outro jeito. Mas teremos que ver.

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Por aqui a gente não consegue nem separar os favoritos da lista acima, mas enquanto isso vamos de playlists para ir entrando no clima, cada uma representando um dos principais palcos do festival:

(PYRAMIDE STAGE PLAYLIST)

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(THE PARK STAGE)

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(JOHN PEEL STAGE)

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(WEST HOLTS)

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(OTHER STAGE)

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* A foto que chama este post na home da Popload é da primeira aparição do Oasis para show no Glastonbury, em 1994.

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Damon Albarn mostra parte da sua nova invenção musical, inspirada na Islândia, em live para o Boiler Room

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Enquanto o Blur não dá o menor sinal de vida e o Gorillaz está no meio de um projeto mais perene, que recebeu o nome de “Song Machine”, o imparável Damon Albarn segue se reinventando e deu um jeito de colocar em prática um projeto que era para estar rodando a Europa.

No final do ano passado, Damon anunciou o projeto “The Nearer the Fountain, More Pure the Stream Flows”, uma espécie de experimentações baseadas em sons de orquestra, mas que envolve elementos da eletrônica, instrumentos clássicos como piano e, claro, o vocal do astro britânico.

“The Nearer the Fountain, More Pure the Stream Flows” é inspirado nas paisagens da Islândia, local por onde Albarn passou um tempo em busca de novas aspirações (e onde tem, ou pelo menos tinha, um bar de dois andares). O nome do projeto foi retirado do poema Love and Memory, assinado por John Clare.

O plano inicial de Damon era rodar a Europa em cerca de 12 apresentações neste mês, mas devido ao coronavírus, o projeto ficou engavetado até a tarde de ontem.

Em parceria com a galera cool do Boiler Room, o barbudo Damon fez uma live de pouco mais de 20 minutos, mostrando alguns trechos e nuances sonoras de “The Nearer the Fountain, More Pure the Stream Flows”. O resultado pode ser viso abaixo.

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De surpresa, Damon Albarn reúne o Blur após quatro anos e toca faixa do “Parklife” pela primeira vez ao vivo

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Foto: Getty Images

Foto: Getty Images

Na última sexta-feira, Damon Albarn pegou os fãs de Blur de surpresa ao se reunir com seus companheiros Dave Rowntree, Alex James e Graham Coxon em seu evento Africa Express, que rolou dentro da programação do Waltham Forest London Borough of Culture, em Leytonstone, no Reino Unido.

Esta é a primeira vez que a banda toca junto desde o anúncio de um hiato por tempo indeterminado, feito em 2015.

O quarteto tocou as clássicas “Song 2” e “Tender”, mas o ponto alto do reencontro foi a estreia ao vivo de “Clover Over Dover”, faixa lançada no discaço “Parklife”, em 1994, mas que nunca tinha sido tocada ao vivo.

Se a breve reunião é o sinal de uma volta, ainda não se sabe.

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