Em bnegao:

Top 50 da CENA – No ranking do textão, Rico Dalasam vai expresso ao primeiro lugar. Djonga traz o disco novo e o questionamento. Jadsa não para com as músicas incríveis. E muito mais

1 - cenatopo19

* Vamos sem enrolação ao Top 50 da CENA desta semana, porque, olha, escrevemos bastante desta vez. Nos empolgamos. Ao mesmo tempo que estamos muito sensíveis a tudo que nos acontece à volta. Tem textão para o primeiro lugar, além de outros bem maiores que os nossos tradicionais “recados” nas outras posições. É que os lançamentos da semana pediram. Várias músicas tocando em assuntos delicados em um passo de amadurecimento importante de muitos dos nossos artistas da CENA.

ricoquadrado

1 – Rico Dalasam – “Expresso Sudamericah” (Estreia)
Dez anos atrás, artistas do universo LGBTQI+ sofriam muito mais com a invisibilidade do que ainda sofrem hoje. Rico Dalasam com certeza viu de perto parte da atitude de mudança no mercado. Nas TVs e festivais, de repente, todo o jogo estava mais receptivo a artistas antes ignorados. Talvez esse movimento tenha moldado positivamente muitas cabeças, derrubado muitos de nossos preconceitos, mas qual a efetividade dele no todo? Quantas empresas abraçaram essas mudanças de imagem sem abraçarem políticas efetivas de combate a nossa estrutura que marginaliza a população LGBTQI+, por exemplo? Por que passamos a comprar melhor, mas não passamos a votar melhor, para ficar em um só exemplo? Se no público a sensação desse processo já é nauseante – dada a óbvia falta de resultados práticos a partir de um mero “consumismo consciente” -, nos artistas LGBTQI+ a pancada é ainda maior: como pensar em arte nessa lógica que parece muito afeita a vender suas ideias, mas ao mesmo tempo pouco interessada nas consequências delas na transformação da sociedade e na defesa real de seus corpos? Ser artista ou um carreirista? Na briga com essa lógica, Rico, por exemplo, comprou tretas que com certeza não deixaram sua trajetória mais suave. Em 2019, escreveu com preocupação um texto na revista “Carta Capital” sobre algumas de suas aflições quanto a isso: “Nunca esteve tão próxima, e por que não dizer homogênea, a produção cultural que emancipa o povo da produção cultural comprometida em deter o povo”. Seu segundo álbum, esse “Dolores Dala Guardião do Alívio”, o primeiro em quase cinco anos, é um tanto sobre as consequências de passar por esse moedor de almas. Dá para sair mais forte na outra ponta da máquina? Em “Expresso Sudamericah”, por exemplo, Rico versa sobre ter quebrado “a régua que mede” seu talento, que soa como um recado a uma tentativa de moldá-lo em algo mais palatável para o grande consumo, e comenta sobre como seus sonhos gigantes vão muito além de ter hit. “Tô desenhando um coração/ Onde todo dia apagam um monte”, ele escreve antes de se jogar no belo refrão onde localiza sua luta não só no Brasil mas neste “Expresso Sudamericah”, o continente que muitas vezes esquecemos que é o nosso também. E, em um exercício de quebra da quarta parede, ainda no refrão, ele parece olhar para o ouvinte e dizer: “Alô, parceiro passageiro”. Estamos juntos, Rico.

2 – Jadsa – “Lian” (Estreia)
Parece que o disco mais importante da CENA brasileira no ano, aparentemente, está se formando aos poucos na nossa cara, para nossos ouvidos. Até o dia 26, quando “Olho de Vidro” finalmente sai. Dele, a cantora e guitarrista baiana Jadsa emplaca sua terceira música no nosso Top 50. “Lian”, o incrível novo single, tem a participação E É SOBRE Luiza Lian, cantora de SP, de um jeito que Jadsa dá uma espécie de continuação em seu projeto de fazer música boa e ao mesmo tempo referencial à música independente brasileira que já tínhamos observado em “Raio de Sol”, na sexta posição deste ranking.

3 – Djonga – “Eu” (Estreia)
Após ter feito um show durante a pandemia, Djonga teve que lidar com uma campanha de cancelamento brutal. Se por um lado dá para entender bem a decepção dos fãs, de outro é evidente que o revide que ele recebeu por seu erro é desproporcional em relação a sua luta. A perseguição intensa sofrida por Djonga parece casar mais com uma cobrança desnivelada causada em parte por nosso racismo estrutural, que obriga que a população negra precise ser dez, mil vezes melhor. Seu novo álbum, “Nu”, não versa só sobre esse assunto, mas é um tópico que parece estar pelas músicas todas e que foi mais bem resolvida em “Eu”, que tem no refrão o verso: “Humano demais pra ser tão bom pra você”. Como se o rapper mineiro quisesse dizer “Quem te fez tão bom assim?”, parafraseando Mano Brown numa certa música chamada “Negro Drama”.

4 – Lupe de Lupe – “Cabo Frio” (Estreia)
Segundo single da banda mineira, tirado do álbum “Trator”, previsto para sair em maio deste ano pela Balaclava, a faixa “Cabo Frio” não é tão polêmica quanto “Goiânia”, mas nem por isso é mais fácil ou simples. É um relato de dores complicadas de se encarar enquanto crescemos, aquela sensação de desconexão com o resto do mundo que todo mundo parece carregar um pouco em diferentes intensidades. Desta vez quem canta e ilustra a capa do single é Renan Benini.

5 – LEALL – “Pedro Bala” (1)
“Escupido a Machado” é o nome do primeiro álbum do rapper carioca LEALL, uma referência a uma fala do Mano Brown sobre sua história de vida, onde os ensinamentos constroem, mas os erros custam caro. “Pedro Bala”, segundo som do disco, é um pouco sobre isso, mas também sobre o cerco que se apresenta na vida dos jovens negros do Brasil. Um cerco material, mas também do imaginário – aspecto perverso do racismo estrutural brasileiro que consegue culpar suas vítimas na ida e na volta. Embora a referência do título seja do personagem criado por Jorge Amado em “Capitães de Areia”, a gente relembrou aqui do “Pedro Pedreiro” de Chico Buarque, outro personagem da música brasileira que sofre com as questões do imaginário.

6 – Jadsa – “Raio de Sol” (2)
O congraçamento da CENA brasileira em seu momento fértil dos últimos anos se dá à perfeição em “Raio de Sol”, o novo single da guitarrista baiana Jadsa com participações de Ana Frango Elétrico e Kiko Dinucci. Segunda música a ser apresentada de “Olho de Vidro”, o álbum a ser lançado, “Raio de Sol” é tão boa quanto o single anterior, a “A Ginga do Nego”, que você encontra mais abaixo, na sexta posição. E mais cheia de significados. A canção une a musicalidade da Bahia (Jadsa), Rio (Frango) e São Paulo (Kiko). Tem o samba, a MPB de vanguarda, o rock, psicodelia, “lá-lá-lás”, pausa, mudança de andamento. Vem disco do ano – sim, a gente trabalha nesse pique. Sai dia 26.

7 – BNegão – “Salve 2 (Ribuliço Riddim)” (Estreia)
Vem por aí o primeiro disco solo, solo mesmo, do BNegão. Aliás, discos solos. O primeiro deles, que chega no final do primeiro semestre, será um álbum que revisita músicas suas e de outras bandas, como Moleque de Rua, Guará e Ratos de Porão. No final do ano, vem um de inéditas. Marcando o inicio desta nova fase do rapper, sem o apoio dos Seletores de Frequência, ele lançou hoje o single “Salve 2 (Ribuliço Riddim)”, que registra seu mantra mais recente de abertura de shows e lives em um som – e que talvez você reconheça de outro lugar, no caso, “Salve”, que está no disco “O Futuro Não Demora”, do BaianaSystem.

8 – Vanessa Krongold – “Dois e Dois” (Estreia)
Além da bela música do álbum solo da Vanessa, que por quase 20 anos frequentou bandas indies paulistanas como Maybees e Ludov, vale ver o vídeo dela sobre empoderamento do desejo feminino. E que traz cenas de shibari em um olhar contemporâneo para a arte milenar japonesa sobre dominação e submissão em uma possível metáfora mais ampla sobre como lidamos com nossos relacionamentos. Como aqui o lance é mais música que vídeo, recomendamos bem também o som, puro e simples.

9 – Ale Sater – “Peu” (Estreia)
Parte do EP solo que Ale prepara para o dia 19 de março, “Peu” é uma balada levada por um violão delicado que cita oceanos e ilhas. Na música, ele recomenda a esse alguém chamado Peu, mais novo, que o certo a fazer, entre outras coisas, é “compreender a marcha e seguir o jogo”. Peu talvez seja um filho fictício recebendo conselhos de um tutor. Ou será uma conversa consigo mesmo?

10 – Jupiter Apple – “AJ1” (Estreia)
Gravado em 1999, “The Apartament Jazz” é um disco instrumental perdido de Flávio Basso, aka Júpiter Maçã, aka Júpiter Apple. Parte do material se tornou a trilha sonora de um pequeno filme de Júpiter que leva o mesmo nome. Aqui, nesta “AJ1”, ele demonstra sua competência e domínio completo de conceitos do jazz, música eletrônica e sua especialidade, a psicodelia.

11 – Apeles – “Eu Tenho Medo do Silêncio” (3)
12 – Lupe de Lupe – “Goiânia” (4)
13 – Rohmanelli – “Viúvo” (5)
14 – Boogarins -“Far and Safe” (6)
15 – Rincon Sapiência – “Som do Palmeiras” (7)
16 – Monna Brutal – “Neurose” (8)
17 – Luna França – “Terapia” (9)
18 – Yannick Hara – “Antidepressivos” (10)
19 – Ale Sater – “Nós” (11)
20 – Jadsa – “A Ginga do Nêgo” (12)
21 – Sessa – “Grandeza” (13)
22 – Artur Ribeiro – “Fragmentação” (14)
23 – A Espetacular Charanga do França – “Cadê Rennan?” (15)
24 – Garotas Suecas – “Tudo Bem” (16)
25 – Winter – “Violet Blue” (17)
26 – Pluma – “Mais do Que Eu Sei Falar” (18)
27 – Tagore – “Tatu” (19)
28 – Kill Moves – “Perfect Pitch” (20)
29 – DJ Grace Kelly – “PPK” (21)
30 – Jamés Ventura – “Ser Humano” (22)
31 – Jovem Dionísio – “Copacabana” (23)
32 – Píncaro – “Leito de Migalhas” (24)
33 – Atalhos – “A Tentação do Fracasso” (25)
34 – Edgar – “Prêmio Nobel” (26)
35 – Jup do Bairro – “O Corre” e “O Corre” (Bixurdia Remix) (27)
36 – BK – “Mudando o Jogo” (28)
37 – Antônio Neves e Ana Frango Elétrico – “Luz Negra” (29)
38 – BaianaSystem e BNegão – “Reza Forte” (30)
39 – Compositor Fantasma – “Pedestres Violentas” (31)
40 – Zé Manoel – “Saudade da Saudade” (32)
41 – Gustavo Bertoni e Apeles – “Ricochet” (33)
42 – Jair Naves – “Todo Meu Empenho” (34)
43 – Kamau – “Nada… De novo” (35)
44 – Letrux – “Dorme Com Essa (Delirei)” (36)
45 – MC Fioti – “Bum Bum Tam Tam” (37)
46 – Rincon Sapiência – “Tem Que Tá Veno” (Verso Livre) (38)
47 – MC Carol – “Levanta Mina” (39)
48 – Marabu – “Capítulo 5: Sereno” (40)
49 – Criolo – “Fellini” (41)
50 – Linn da Quebrada – “quem soul eu” (42)

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* Entre parênteses está a colocação da música na semana anterior. Ou aviso de nova entrada no Top 50.
** Na vinheta do Top 50, o rapper Rico Dalasam.
*** Este ranking é pensado e editado por Lúcio Ribeiro e Vinícius Felix. Com uma pequena ajuda de nossos amigos, claro.

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Popnotas – Mais Pet Shop Boys no Rio. Elton John & Billie Eilish. Vanessa Krongold e o desejo feminino. Os remixes imediatos do Perfume Genius. E os discos solos do BNegão

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A gente falou disso aqui, já. O famosão duo britânico de pop dance Pet Show Boys vai lançar em abril, dia 30, o CD duplo e DVD “Discovery: Live in Rio 1994”, de material colhido em apresentação Metropolitan, no Rio de Janeiro, nos anos 90, que só havia saído em VHS. Lembra VHS? Neil Tennant e Chris Lowe recentemente divulgaram um vídeo para a música “One in a Million”, deste show da primeira visita deles ao Brasil. Hoje lançaram outra no Youtube deles, a maravilhosa “Left to My Own Devices”, que trouxe trechos ainda do hino eurodance “Rhythm of the Night”, da banda italiana Corona, uma das músicas mais tocadas daqueles tempos felizes de pista.

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– Tem um maravilhoso programa de rádio na plataforma paga Apple Music que é comandado por ninguém menos que Sir Elton John. Chama-se “Rocket Hour”, é semanal e mostra como o veterano músico britânico é um excelente contador de histórias (até porque ele tem muitas) e antenadíssimo com o que acontece na música atual. O episódio desta semana, que vai ao ar amanhã por volta das 13h no horário brasileiro, traz como convidada a ótima cantora e guitarrista californiana Phoebe Bridgers. Numa hora lá, o papo caiu na Billie Eilish, por conta do mesmo número de Grammys que as duas estão concorrendo, quatro cada. E aí, ao falar de Eilish, Bridgers confessou ser obcecada pela artista mais nova e disse que a acha uma gênia. Elton John embarcou na dela e disse que assistiu o documentário da Billie Eilish. “The World’s a Little Blurry”, e achou “fantástico”, “apenas sensacional”. Depois que o programa for ao ar a gente vai tentar trazer esses trechos da entrevista aqui, em áudio.

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CENA: Em novembro de 2020, faz um tempão mas só faz quatro meses, Vanessa Krongold lançou seu primeiro disco solo depois de quase 20 anos cantando à frente de conhecidas bandas indies paulistanas como Maybees e Ludov. Hoje Vanessa lança o segundo single deste especialíssimo álbum próprio, a faixa “Dois e Dois”, que vem acompanhado por um vídeo sobre empoderamento do desejo feminino. E que traz cenas de shibari em um olhar contemporâneo para a arte milenar japonesa sobre dominação e submissão, transformando em erótico um gesto artístico que já teve conotações militares. As personagens do filme são interpretadas por autênticas participantes da cena BDSM de São Paulo: as performers Sansa Rope e Citera Kate interpretam duas mulheres que nos apresentam a narrativa, utilizando as amarrações como código de comunicação dessa relação que vivem. BDSM é a sigla para “Bondage, Disciplina, Dominação, Submissão, Sadismo e Masoquismo”, relações sexuais baseadas no prazer da dor.

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– “Set My Heart on Fire Immediately”, elogiado álbum do ano passado do Perfume Genius (foto na home), ganhou nesta sexta-feira uma versão remix com o nome de “IMMEDIATELY Remixes”. A versão retrabalhada do álbum conta nomes como Boy Harsher, Jenny Hval, A. G. Cook, Actress, Danny L Harle, Jaakko Eino Kaleivi, Jim-E Stack, Planningtorock, Initial Talk, Nídia, Westerman, Actress, Koreless and Katie Dey, que levam as músicas do canadense Michael Alden Hadreas à acid-rave, ao synth-funk e ao breakbeat. Vale a experiência de escutar um disco que não tinha tanta cara de pista ganhar novas abordagens.

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CENA: Vem por aí o primeiro disco solo, solo mesmo, do BNegão. Aliás, discos solos. O primeiro deles, que chega no final do primeiro semestre, será um álbum que revista músicas suas e de outras bandas, como Moleque de Rua, Guará e Ratos de Porão. No final do ano, vem um de inéditas. Marcando o inicio desta nova fase do rapper, sem o apoio dos Seletores de Frequência, ele lançou hoje o single “Salve 2 (Ribuliço Riddim)”, que registra seu mantra mais recente de abertura de shows e lives em um som – que talvez você reconheça de outro lugar, no caso, “Salve”, que está no disco “O Futuro Não Demora” do BaianaSystem:

“Salve
Guerreiras e guerreiros
Escolas libertárias e terreiros
Amores de todos os tipos
Verdades de todas as cores, salve
Salve nossos ancestrais, espíritos protetores
Coragem
Atenção
Irmã, irmão
Fé no coração, sempre
Siga em frente”

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Top 50 da CENA: O indie-mental health alcança solo brasileiro e vem pesado ao nosso ranking. Primeiro lugar: “Terapia”. Segundo: “Antidepressivos”

1 - cenatopo19

* A CENA brasileira parece conectada a uma tendência que já observamos lá fora: a indie-mental health. Se quiser ler mais sobre esse movimento (já consideramos um) vale dar uma lida neste post que publicamos na Semiload, umas semanas atrás. As duas primeiras posições da nossa parada desta semana abordam o assunto de modo explícito já no título. E talvez, até o Ale Sater, em seu olhar ao seu interior, possa ser colocado nessa turma. Sinais dos nossos tempos. Estamos trancafiados, as coisas não estão simples lá fora. Cantar sobre isso, que já vinha ganhando força nos últimos anos, aflorou na pandemia e hoje em dia é uma forma de terapia coletiva. A gente acredita que isso possa ser bom, já que só uma maior interação e comunicação sobre esses papos pode ajudar todos nós a lidarmos com isso. Música sempre é uma terapia. Que aborde isso, então. E vai dar tudo certo no fim.

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1 – Luna França – “Terapia”(Estreia)
O lindo segundo single da cantora entre muitas-outras-coisas Luna França aterrissa de bico nesta onda forte da música nova, aqui e lá, que é o indie-mental health, do qual temos falado bastante na Popload. Na canção, ela descreve um sentimento feio, em suas palavras, ou seja, faz terapia em tempo real mesmo. “Escrevi essa letra como se estivesse escrevendo um diário e refletindo sobre essa sensação de posse que é real e até bem comum. A gente não quer ver a pessoa triste, mas também não quer ver mais feliz que a gente.” Forte. Como é a canção em si.

2 – Yannick Hara -“Antidepressivos”(Estreia)
Ainda no campo da mental health, Yannick Hara aborda por aqui outro aspecto da questão: o abuso de remédios como uma forma de afastar toda e qualquer dor (inclusive a da alma), uma forma de camuflar alguns problemas. O clima do som pega um tanto de The Cure nos momentos mais sombrios, uma vibe ointentista, céu nublado e um frio lá fora. E um frio mais doído lá dentro.

3 – Ale Sater – “Nós” (Estreia)
“Nós”, com seus dedilhados grandiosos de violão acústico, afastam Ale Sater do clima urbano do som do Terno Rei e o leva, sozinho, para o interior. Talvez o seu próprio interior, onde ele tenha que lidar com fantasmas em tom nostálgico, algo longe do romantismo urgente que embalou “Violeta, o mais recente e bem-sucedido álbum do Terno Rei, de 2019.

4 – Jadsa – “A Ginga do Nêgo” (1)
Há um quê de divino e de mântrico no primeiro single da guitarrista e cantora baiana Jadsa, “A Ginga do Nêgo”, que perdurou duas semanas no primeiro lugar deste ranking da CENA. Acredite quando ler que a música serve para “abrir caminhos” para o primeiro álbum da artista, “Olho de Vidro”, que sai no dia 26 de março. “A Ginga do Nêgo” é atravessada por uma guitarra cortante, evoca Exu, orixá da encruzilhada, o mensageiro da comunicação entre os vivos e as divindades, tem um baixo potente de Caio Terra e certamente deixaria orgulhoso Itamar Assumpção. Que musica gigante, embora com menos de dois minutos de duração.

5 – A Espetacular Charanga do França – “Cadê Rennan?” (2)
Sem poder ir para a rua, A Espetacular Charanga do França aproveitou para soltar um disquinho novo onde tentaram sem sucesso escapar de um som carnavalesco. Esse “fracasso” está no nome do disco, “Nunca Não É Carnaval”. Acabou que o título ganhou significado duplo por conta da pandemia que persiste. Das boas músicas, vale muito esta homenagem a Rennan da Penha que se refere bastante ao funk de BH.

6 – Winter – “Violet Blue” (3)
Se no Top 10 Gringo demos destaque ao Jevon, um inglês que é quase brasileiro, vamos dar atenção aqui para a Winter, projeto de Samira Winter, curitibana que vive na Califórnia, nos EUA – e é quase mais deles que nossa. É que a gente não deixa. “Violet Blue” é uma viagem deliciosa pela voz de Winter e por uma guitarra que parece se desintegrar e se recompor em uma distorção amalucada.

7 – Pluma – “Mais do Que Eu Sei Falar” (4)
A gente já conversou por aqui sobre esse grupo novo e esperto que saiu de um TCC – todos estudavam produção e a banda extrapolou o curso. Tem este single deles aqui que deixamos passar em 2020, mas agora escutamos e amamos demais.

8 – Tagore – “Tatu” (5)
No ano passado, falamos aqui que o músico pernambucano Tagore preparava seu novo álbum, “Maya”. 2020 acabou e nada do disquinho. Mas agora parece que vai e eis “Tatu”, o primeiro single deste novo trabalho. Pelo inspirado refrão “Tatu, tá tudo muito louco”, você já tem um grau da viagem. Um som para aliviar as pressões do mundo ali de fora.

9 – Kill Moves – “Perfect Pitch” (Estreia)
A banda mineira de dream pop Kill Moves consegue transformar Belo Horizonte, 2020, em Slough, Inglaterra, anos 90. Sabe aquele casamento entre barulheira e melodias quase adocicadas? Rola por aqui. “Perfect Pitch” merece sua atenção pelos diversos momentos que cria – do noise inicial, momentos mais melódicos e um break percussivo.

10 – DJ Grace Kelly – “PPK” (Estreia)
A DJ baiana Grace Kelly, que vive na frenética Berlim, manda aqui uma “ode às sapatonas e bissexuais” que vai muito além do que essas três letras podem significar”, em sua palavras. A música é um batidão funky dentro da house que não perde o fôlego em pouco mais de 3 minutos de som. A faixa faz parte do EP “Dengo”, a ser lançado em breve

11 – Jamés Ventura – “Ser Humano” (6)
12 – Jovem Dionísio – “Copacabana” (7)
13 – Píncaro – “Leito de Migalhas” (8)
14 – Atalhos – “A Tentação do Fracasso” (9)
15 – Edgar – “Prêmio Nobel” (10)
16 – Jup do Bairro – “O Corre” e “O Corre” (Bixurdia Remix) (11)
17 – BK – “Mudando o Jogo” (12)
18 – Antônio Neves e Ana Frango Elétrico – “Luz Negra” (13)
19 – BaianaSystem e BNegão – “Reza Forte” (14)
20 – Compositor Fantasma – “Pedestres Violentas” (15)
21 – Zé Manoel – “Saudade da Saudade” (16)
22 – Gustavo Bertoni e Apeles – “Ricochet” (17)
23 – Jair Naves – “Todo Meu Empenho” (18)
24 – Kamau – “Nada… De novo” (19)
25 – Letrux – “Dorme Com Essa (Delirei)” (20)
26 – MC Fioti – “Bum Bum Tam Tam” (21)
27 – Rincon Sapiência – “Tem Que Tá Veno” (Verso Livre) (22)
28 – MC Carol – “Levanta Mina” (23)
29 – Marabu – “Capítulo 5: Sereno” (25)
30 – Criolo – “Fellini” (28)
31 – Linn da Quebrada – “quem soul eu” (29)
32 – Wry – “Absoluta Incerteza” (32)
33 – Rico Dalasam e Jup do Bairro – “Reflex” (33)
34 – YMA – “White Peacock” (34)
35 – Ana Frango Elétrico – “Mulher Homem Bicho” (35)
36 – Luedji Luna – “Chororô” (36)
37 – Black Alien – “Chuck Berry” (37)
38 – Vovô Bebê – “Bolha” (38)
39 – Sabotage e MC Hariel – “Monstro Invisível” (39)
40 – Emicida e Gilberto Gil – “É Tudo Pra Ontem” (40)
41 – Liniker – “Psiu” (41)
42 – Tuyo – “Sonho da Lay” (42)
43 – KL Jay – “Território Inimigo” (43)
44 – Boogarins – “Cães do Ódio” (44)
45 – Dexter, Djonga, Coruja BC1, KL Jay, Will – “Voz Ativa” (45)
46 – Mateus Aleluia – “Amarelou” (46)
47 – Valciãn Calixto – “Nunca Fomos Tão Adultos” (47)
48 – Negro Leo – “Tudo Foi Feito pra Gente Lacrar” (48)
49 – Don L – “Kelefeeling” (49)
50 – Mahmundi – “Nós De Fronte” (50)

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* Entre parênteses está a colocação da música na semana anterior. Ou aviso de nova entrada no Top 50.
** Na vinheta do Top 50, a cantora Luna França.
** Este ranking é pensado e editado por Lúcio Ribeiro e Vinícius Felix. Com uma pequena ajuda de nossos amigos, claro.

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Top 50 da CENA: Ninguém rela na Jadsa, em um inédito primeiro lugar repetido. E no alto ainda temos no ranking uma charanga, uma californiana e o melhor do não-Carnaval

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* Uma semana um pouco diferente por aqui e talvez seja pelos efeitos carnavalescos do feriado de não-Carnaval. Estamos confusos um pouco.
Para começar, repetimos nosso primeiro lugar da semana passada. Será que isso é inédito aqui? Não lembramos. Mas até vamos repetir a arte.
Falta de criatividade? Não mesmo. É que a Jadsa segue firme com a música mais relevante do momento na nossa humilde opinião. Você tem que escutar essa mina para já.

A outra questão é que estamos com menos novidades que o normal. Por causa da semana tão específica do calendário brasileiro, ainda que o que mais perto de Carnaval que chegamos foi o lançamento do documentário do Castor de Andrade, este é um período geralmente morno de novidades musicais fora do samba, das charangas, dos blocos. Ou estamos perdendo algo? Avisa a gente se pans.

Mas deu para compor bem, até, o top 10 dentro do Top 50. O que garante aquela playlist gostooooosa.

topjadsaquadrada

1 – Jadsa – “A Ginga do Nêgo” (1)
Há um quê de divino e de mântrico no primeiro single da guitarrista e cantora baiana Jadsa, “A Ginga do Nêgo”. Acredite quando ler que a música serve para “abrir caminhos” para o primeiro álbum da artista, “Olho de Vidro”, que sai no dia 26 de março. “A Ginga do Nêgo” é atravessada por uma guitarra cortante, evoca Exu, orixá da encruzilhada, o mensageiro da comunicação entre os vivos e as divindades, tem um baixo potente de Caio Terra e certamente deixaria orgulhoso Itamar Assumpção. Que musica gigante, embora com menos de dois minutos de duração.

2 – A Espetacular Charanga do França – “Cadê Rennan?” (Estreia)
Sem poder ir para a rua, A Espetacular Charanga do França aproveitou para soltar um disquinho novo onde tentaram sem sucesso escapar de um som carnavalesco. Esse “fracasso” está no nome do disco, “Nunca Não É Carnaval”. Acabou que o título ganhou significado duplo por conta da pandemia que persiste. Das boas músicas, vale muito esta homenagem a Rennan da Penha que se refere bastante ao funk de BH.

3 – Winter – “Violet Blue” (Estreia)
Se no Top 10 Gringo desta semana demos destaque ao Jevon, um inglês que é quase brasileiro, vamos dar atenção aqui para a Winter, projeto de Samira Winter, curitibana que vive na Califórnia, nos EUA – e é quase mais deles que nossa. É que a gente não deixa. “Violet Blue” é uma viagem deliciosa pela voz de Winter e por uma guitarra que parece se desintegrar e se recompor em uma distorção amalucada.

4 – Pluma – “Mais do Que Eu Sei Falar” (Estreia)
A gente já conversou por aqui sobre esse grupo novo e esperto que saiu de um TCC – todos estudavam produção e a banda extrapolou o curso. Tem este single deles aqui que deixamos passar em 2020, mas agora escutamos e amamos demais.

5 – Tagore – “Tatu” (2)
No ano passado, falamos aqui que o músico pernambucano Tagore preparava seu novo álbum, “Maya”. 2020 acabou e nada do disquinho. Mas agora parece que vai e eis “Tatu”, o primeiro single deste novo trabalho. Pelo inspirado refrão “Tatu, tá tudo muito louco”, você já tem um grau da viagem. Um som para aliviar as pressões do mundo ali de fora.

6 – Jamés Ventura – “Ser Humano” (3)
Experiente rapper da cena paulista, Jamés Ventura, que viu o movimento crescer de perto na rua, anda em seu melhor momento. Após lançar em 2019 o excelente “Espelho” e um EP no ano passado, agora ele já chega com dois singles que mantém o alto nível: “Ser Humano”, nossa escolha, e “Mentiras”. Procurem. Pode não ser o rapper mais badalado do momento, mas quem conhece do assunto sempre indica o som do cara.

7 – Jovem Dionísio – “Copacabana” (4)
Parece uma música que falava de uma certa praia de um outro estado brasileiro, mas é “apenas” a nova do Jovem Dionísio, banda curitibana que a gente sempre posta por aqui e que parece estar em grande fase. Um remix de sucesso de um som da banda colocou os caras com um milhão de ouvintes mensais no Spotify. Acha pouco perto dos grandalhões do pop brasileiro? Pois é um número quase irreal na CENA.

8 – Píncaro – “Leito de Migalhas” (5)
Projeto de Roger Valença, ex-integrante da banda Onagra Claudique. Impossível não ficar impactado de cara com a faixa que abre o álbum “Um Delírio Madrepérola”. Em seus cinco minutos e pouco, “Leite de Migalhas” arrepia pelos diferentes climas, pela bela voz de Roger e por um violão daqueles que você escuta a mão passando pelas cordas, sabe?

9 – Atalhos – “A Tentação do Fracasso” (6)
“Um ótimo dreampop veloz, de pegada oitentista.” Deste jeito que a gente elogiou o single anterior da dupla paulista com conexões argentinas Atalhos, formada pelo vocalista Gabriel Soares e pelo guitarrista Conrado Passarelli. A história se repete aqui em “A Tentação do Fracasso”. A letra que não entrega tanto assim sobre o que se canta é um playground para diferentes interpretações.

10 – Edgar – “Prêmio Nobel” (7)
A gente gosta de dar nossa opinião suuuuuperanalítica, mas aqui vale abrir espaço ao artista. Edgar escreveu um belo texto sobre sua nova composição e seu novo vídeo: “Imagine que o menino João e a menina Ágata poderiam muito bem terem ganhado um prêmio Nobel de literatura ou ciências, Marielle Franco um prêmio Nobel da paz. Diversas vidas que são arrancadas do seu destino todos os dias por uma necropolítica que nos extermina como se fôssemos presas fáceis. No filme “Bacurau” algumas pessoas se identificam com aquele Brasil distante e perto ao mesmo tempo. Só Jesus salva, e nesse filme ele vem armado com diversos inocentes que foram mortos pelas mãos do governo, para poder proteger os trabalhadores e estudantes que moram na favela. Em toda favela tem um prêmio Nobel. Que a polícia caça e mata.”

11 – Jup do Bairro – “O Corre” e “O Corre” (Bixurdia Remix) (8)
12 – BK – “Mudando o Jogo” (9)
13 – Antônio Neves e Ana Frango Elétrico – “Luz Negra” (10)
14 – BaianaSystem e BNegão – “Reza Forte” (11)
15 – Compositor Fantasma – “Pedestres Violentas” (12)
16 – Zé Manoel – “Saudade da Saudade” (13)
17 – Gustavo Bertoni e Apeles – “Ricochet” (14)
18 – Jair Naves – “Todo Meu Empenho” (15)
19 – Kamau – “Nada… De novo” (16)
20 – Letrux – “Dorme Com Essa (Delirei)” (17)
21 – MC Fioti – “Bum Bum Tam Tam” (18)
22 – Rincon Sapiência – “Tem Que Tá Veno” (Verso Livre) (19)
23 – MC Carol – “Levanta Mina” (20)
24 – Marrakesh – “To Comprehend” (21)
25 – Marabu – “Capítulo 5: Sereno” (22)
26 – Dom Pescoço – “Delicadinho” (23)
27 – Dizin – “Human Bomb (Explode)” (24)
28 – Criolo – “Fellini” (25)
29 – Linn da Quebrada – “quem soul eu” (26)
30 – Cambriana – “Induction Bread” (27)
31 – Maglore (feat. Josyara) – “Liberta” (28)
32 – Wry – “Absoluta Incerteza” (29)
33 – Rico Dalasam e Jup do Bairro – “Reflex” (30)
34 – YMA – “White Peacock” (31)
35 – Ana Frango Elétrico – “Mulher Homem Bicho” (32)
36 – Luedji Luna – “Chororô” (33)
37 – Black Alien – “Chuck Berry” (34)
38 – Vovô Bebê – “Bolha” (35)
39 – Sabotage e MC Hariel – “Monstro Invisível” (36)
40 – Emicida e Gilberto Gil – “É Tudo Pra Ontem” (37)
41 – Liniker – “Psiu” (38)
42 – Tuyo – “Sonho da Lay” (39)
43 – KL Jay – “Território Inimigo” (40)
44 – Boogarins – “Cães do Ódio” (44)
45 – Dexter, Djonga, Coruja BC1, KL Jay, Will – “Voz Ativa” (45)
46 – Mateus Aleluia – “Amarelou” (46)
47 – Valciãn Calixto – “Nunca Fomos Tão Adultos” (47)
48 – Negro Leo – “Tudo Foi Feito pra Gente Lacrar” (48)
49 – Don L – “Kelefeeling” (49)
50 – Mahmundi – “Nós De Fronte” (50)

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* Entre parênteses está a colocação da música na semana anterior. Ou aviso de nova entrada no Top 50.
** Na vinheta do Top 50, a guitarrista baiana Jadsa.
** Este ranking é pensado e editado por Lúcio Ribeiro e Vinícius Felix. Com uma pequena ajuda de nossos amigos, claro.

Top 50 da CENA: Jadsa e a maior menor música no topo. Tagore bem na playlist e um salve ao Jamés Ventura, que completam o pódio. Mais: Jovem Dionísio, Píncaro e Atalhos

1 - cenatopo19

* A gente peca pela empolgação de vez em quando. É verdade, tudo bem. É a nossa paixão pela CENA. Mas já dá para arriscar dizer que estamos com algumas novidades neste top 50 que perigam permanecer por aí o ano todo. Algumas músicas que são bem fora da curva dos lançamentos de todas as semanas. Quais são esses candidatos? Vamos deixar que os textos te joguem algumas dicas, porque não trabalhamos com spoiler, não.

topjadsaquadrada

1 – Jadsa – “A Ginga do Nêgo” (Estreia)
Há um quê de divino e de mântrico no primeiro single da guitarrista e cantora baiana Jadsa, “A Ginga do Nêgo”. Acredite quando ler que a música serve para “abrir caminhos” para o primeiro álbum da artista, “Olho de Vidro”, que sai no dia 26 de março. “A Ginga do Nêgo” é atravessada por uma guitarra cortante, evoca Exu, orixá da encruzilhada, o mensageiro da comunicação entre os vivos e as divindades, tem um baixo potente de Caio Terra e certamente deixaria orgulhoso Itamar Assumpção. Que musica gigante, embora com menos de dois minutos de duração.
2 – Tagore – “Tatu” (Estreia)
No ano passado a gente comentou por aqui que o músico pernambucano Tagore preparava seu novo álbum, “Maya”. 2020 acabou e nada do disquinho. Mas agora parece que vai e eis “Tatu”, o primeiro single deste novo trabalho. Pelo inspirado refrão “Tatu, tá tudo muito louco” você já tem um grau da viagem. Um som para aliviar as pressões do mundo ali de fora.
3 – Jamés Ventura – “Ser Humano” (Estreia)
Experiente rapper da cena paulista, Jamés Ventura, que viu o movimento crescer de perto na rua, anda em seu melhor momento. Após lançar em 2019 o excelente “Espelho” e um EP no ano passado, agora ele já chega com dois singles que mantém o alto nível: “Ser Humano”, nossa escolha, e “Mentiras”. Procurem. Pode não ser o rapper mais badalado do momento, mas quem conhece do assunto sempre indica o som do cara.
4 – Jovem Dionísio – “Copacabana” (Estreia)
Parece uma música que falava de uma certa praia de um outro estado brasileiro, mas é “apenas” a nova do Jovem Dionísio, banda curitibana que a gente sempre posta por aqui e que parece estar em grande fase. Um remix de sucesso de um som da banda colocou os caras com um milhão de ouvintes mensais no Spotify. Acha pouco perto dos grandalhões do pop brasileiro? Pois é um número quase irreal na CENA.
5 – Píncaro – “Leito de Migalhas” (Estreia)
Projeto de Roger Valença, ex-integrante da banda Onagra Claudique. Impossível não ficar impactado de cara com a faixa que abre o álbum “Um Delírio Madrepérola”. Em seus cinco minutos e pouco, “Leite de Migalhas” arrepia pelos diferentes climas, pela bela voz de Roger e por um violão daqueles que você escuta a mão passando pelas cordas, sabe?
6 – Atalhos – “A Tentação do Fracasso” (Estreia)
“Um ótimo dreampop veloz, de pegada oitentista.” Deste jeito que a gente elogiou o single anterior da dupla paulista com conexões argentinas Atalhos, formada pelo vocalista Gabriel Soares e pelo guitarrista Conrado Passarelli. A história se repete aqui em “A Tentação do Fracasso”. A letra que não entrega tanto assim sobre o que se canta é um playground para diferentes interpretações.
7 – Edgar – “Prêmio Nobel” (1)
A gente gosta de dar nossa opinião suuuuuperanalítica, mas aqui vale abrir espaço ao artista. Edgar escreveu um belo texto sobre sua nova composição e seu novo vídeo: “Imagine que o menino João e a menina Ágata poderiam muito bem terem ganhado um prêmio Nobel de literatura ou ciências, Marielle Franco um prêmio Nobel da paz. Diversas vidas que são arrancadas do seu destino todos os dias por uma necropolítica que nos extermina como se fôssemos presas fáceis. No filme “Bacurau” algumas pessoas se identificam com aquele Brasil distante e perto ao mesmo tempo. Só Jesus salva, e nesse filme ele vem armado com diversos inocentes que foram mortos pelas mãos do governo, para poder proteger os trabalhadores e estudantes que moram na favela. Em toda favela tem um prêmio Nobel. Que a polícia caça e mata.”
8 – Jup do Bairro – “O Corre” e “O Corre” (Bixurdia Remix) (2)
“O Corre – Bixurdia Remix” é a mexida que a multiartista Jup do Bairro deu na faixa de seu incrível EP, o “Corpo Sem Juízo”, do ano passado. A Bixurdia, que assina o remix, é uma produtora de áudio tocada por uma galera 100% LGBTQIA+, que já armaram mais de 30 projetos de pessoas trans, travestis e não-binárias de forma totalmente gratuita. “O Corre”, que já tinha uma levada funky, agora descamba para os clubes – quando tudo voltar, né? Fora isso, a original virou single, ganhou vídeo lindo, voltou a tocar em nós. O ideal é ouvir as duas no repeat, que dá uma liga campeã.
9 – BK – “Mudando o Jogo” (3)
Interessante a escolha do BK. Em vez de abrir em singles seu conceitual álbum “Movimento”, lançado no ano passado, ele chega a 2021 com uma música inédita – curando a ansiedade dos fãs por novidades e deixando intacta a obra que ele escreveu para ser apreciada com começo, meio e fim. Novos tempos exigem novas estratégias.
10 – Antônio Neves e Ana Frango Elétrico – “Luz Negra” (4)
Antônio Neves é compositor, arranjador e multintrumentista. E está nos preparativos do lançamento de seu segundo álbum, “A Pegada Agora É Essa”. Entre os singles já lançados, vale notar esta versão supercaprichada para o clássico de Nelson Cavaquinho e Amâncio Cardoso, uma lenta construção instrumental que nos leva à voz maravilhosa de Ana Frango Elétrico, que se derrama pela letra e melodia das mais bonitas já feitas por um brasileiro. Pouca coisa?
11 – BaianaSystem e BNegão – “Reza Forte” (5)
12 – Compositor Fantasma – “Pedestres Violentas” (6)
13 – Zé Manoel – “Saudade da Saudade” (7)
14 – Gustavo Bertoni e Apeles – “Ricochet” (8)
15 – Jair Naves – “Todo Meu Empenho” (9)
16 – Kamau – “Nada… De novo” (10)
17 – Letrux – “Dorme Com Essa (Delirei)” (11)
18 – MC Fioti – “Bum Bum Tam Tam” (12)
19 – Rincon Sapiência – “Tem Que Tá Veno” (Verso Livre) (13)
20 – MC Carol – “Levanta Mina” (14)
21 – Marrakesh – “To Comprehend” (15)
22 – Marabu – “Capítulo 5: Sereno” (16)
23 – Dom Pescoço – “Delicadinho” (17)
24 – Dizin – “Human Bomb (Explode)” (18)
25 – Criolo – “Fellini” (19)
26 – Linn da Quebrada – “quem soul eu” (20)
27 – Cambriana – “Induction Bread” (21)
28 – Maglore (feat. Josyara) – “Liberta” (22)
29 – Wry – “Absoluta Incerteza” (23)
30 – Rico Dalasam e Jup do Bairro – “Reflex” (24)
31 – YMA – “White Peacock” (25)
32 – Ana Frango Elétrico – “Mulher Homem Bicho” (26)
33 – Luedji Luna – “Chororô” (27)
34 – Black Alien – “Chuck Berry” (28)
35 – Vovô Bebê – “Bolha” (29)
36 – Sabotage e MC Hariel – “Monstro Invisível” (30)
37 – Emicida e Gilberto Gil – “É Tudo Pra Ontem” (31)
38 – Liniker – “Psiu” (32)
39 – Tuyo – “Sonho da Lay” (33)
40 – KL Jay – “Território Inimigo” (34)
41 – Marcelo D2 – “4º AS 20h” (35)
42 – Rohmanelli – “Toneaí” (36)
43 – Vivian Kuczynski – “Pele” (37)
44 – Boogarins – “Cães do Ódio” (38)
45 – Dexter, Djonga, Coruja BC1, KL Jay, Will – “Voz Ativa” (39)
46 – Mateus Aleluia – “Amarelou” (40)
47 – Valciãn Calixto – “Nunca Fomos Tão Adultos” (41)
48 – Negro Leo – “Tudo Foi Feito pra Gente Lacrar” (42)
49 – Don L – “Kelefeeling” (43)
50 – Mahmundi – “Nós De Fronte” (44)

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* Entre parênteses está a colocação da música na semana anterior. Ou aviso de nova entrada no Top 50.
** Na vinheta do Top 50, a guitarrista baiana Jadsa.
** Este ranking é pensado e editado por Lúcio Ribeiro e Vinícius Felix. Com uma pequena ajuda de nossos amigos, claro.

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