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Bob Dylan emenda Nobel da Literatura com o lançamento do primeiro disco triplo de sua carreira

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O final de semana já se configura agitado para Mr. Bob Dylan, 75 anos. Ele, que se reunirá com a Academia Sueca para, enfim, receber seu prêmio Nobel de Literatura nas próximas horas, também lança nesta sexta mais um disco em sua carreira, o primeiro triplo.

“Triplicate” tem nada menos que 30 canções, todas releituras de clássicos da música norte-americana. Em comunicado divulgado no site oficial do cantor, é citado que o álbum “mostra os talentos únicos e muito elogiados de Dylan como vocalista, arranjador e líder de banda em 30 composições de alguns dos escritores de canções mais aclamados e influentes”.

Entre as canções estão “Once Upon A Time”, de Charles Strouse e Lee Adams, “As Time Goes By”, de Harold Hupfield, e “Stormy Weather”, de Harold Arlen e Ted Koehler.

O álbum está dividido em três discos, intitulados ““‘Til The Sun Goes Down”, “Devil Dolls” e “Comin’ Home Late”, com dez canções cada um. O músico liberou para audição na internet uma versão “Sampler”, com 10 faixas que resumem a obra.

Triplicate – Tracklist

‘Til The Sun Goes Down:
01. I Guess I’ll Have to Change My Plans
02. September of My Years
03. I Could Have Told You
04. Once Upon a Time
05. Stormy Weather
06. This Nearly Was Mine
07. That Old Feeling
08. It Gets Lonely Early
09. My One and Only Love
10. Trade Winds

Devil Dolls:
01. Braggin’
02. As Time Goes By
03. Imagination
04. How Deep Is the Ocean
05. P.S. I Love You
06. The Best Is Yet to Come
07. But Beautiful
08. Here’s That Rainy Day
09. Where Is the One
10. There’s a Flaw in My Flue

Comin’ Home Late:
01. Day In, Day Out
02. I Couldn’t Sleep a Wink Last Night
03. Sentimental Journey
04. Somewhere Along the Way
05. When the World Was Young
06. These Foolish Things
07. You Go to My Head
08. Stardust
09. It’s Funny to Everyone But Me
10. Why Was I Born

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Bob Dylan, enfim, aceita receber seu Nobel de Literatura. Mas sem jornalistas por perto…

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Uma das polemiquinhas que assolou a cultura pop nos últimos meses chegará ao fim nos próximos dias. O gênio e difícil Bob Dylan, enfim, aceitou receber seu Nobel de Literatura, premiação anunciada ano passado e que não contou com o músico na cerimônia oficial em dezembro.

Depois de muita negociação, Dylan aceitou se encontrar com membros da Academia Sueca no próximo fim de semana, mas fez suas restrições: a cerimônia deve ser privada e sem jornalistas.

O músico estará em Estocolmo para dois shows e receberá o diploma e a medalha Nobel, informou a secretária geral do prêmio, Sara Danius. A tradicional palestra de premiação não irá ocorrer, mas ela (Sara) espera que Dylan envie uma gravação ou um documento posteriormente, até a data limite de 10 de junho, o que lhe dá o direito de receber um cheque na casa de 825 mil euros.

Na cerimônia do ano passado, Dylan não apareceu e enviou Patti Smith, emocionada, para cantar uma música sua.

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Por um mundo melhor, Regina Spektor faz cover de Bob Dylan

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A fofura Regina Spektor foi mais uma artista que apoiou de forma oficial a Women’s March, semana passada. Ela marcou presença no evento em Los Angeles e até se apresentou no palco.

Regina é nascida na antiga União Soviética e se mudou para os Estados Unidos com sua família na década de 80, com o status oficial de refugiada.

Em sua fala antes de entoar a clássica “Blowin’ in the Wind”, de Bob Dylan, Spektor agradeceu aos Estados Unidos por ter sido recebida pelo país, a exemplo de tantas outras pessoas. “Estamos tristes, mas não estamos em desespero. Estamos abalados, não estamos quebrados. Temos amor, temos fé, temos luz, e temos um ao outro”, discursou.

A performance de Regina Spektor foi registrada e pode ser vista abaixo.

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As letras de Leonard Cohen e os prêmios de Literatura para músicos

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* Quando a Academia Sueca anunciou, no mês passado, que o Prêmio Nobel de Literatura seria entregue a Bob Dylan, houve, nos círculos literários, certa discussão sobre a inclusão das letras de música pop como literatura. Para alguns, letras de músicas, por mais belas que sejam, simplesmente não são literatura. E conferir um prêmio desse porte a músicos quando há grandes escritores esperando pela láurea seria pecado. Para outros, os melhores momentos do pop são, sim, literatura. Por aqui, ter Ivo Pitanguy, José Sarney e Paulo Coelho (este, lembremos, foi letrista de Raul Seixas) integrando a Academia Brasileira de Letras já causou controvérsia.

Pois em 2011, cinco anos antes de Bob Dylan ganhar o Nobel de Literatura, Leonard Cohen – que tem romances e livros de poesias publicados – venceu o importante Prêmio Príncipe das Astúrias (hoje Princesa das Astúrias) em Literatura. Na ocasião, a FPA, fundação responsável pelo galardão, declarou que:
– “Cohen criou um trabalho literário que tem influenciado três gerações de pessoas mundo afora, através de sua criação de imagens emocionais em que poesia e música se fundem numa obra de imutável mérito”.
– “A passagem do tempo, os relacionamentos sentimentais, as tradições místicas de Oriente e Ocidente e a vida cantada como uma balada sem fim formam um corpo de obra associado com certos momentos de mudanças decisivas no final do século XX e início do século XXI”.

Na cerimônia de entrega do prêmio, em um discurso arrasador, Cohen falou de sua ansiedade (que o fez passar a noite anterior em claro), de sua relação com a guitarra espanhola, de um violonista castelhano que lhe ensinara os primeiros acordes e da influência do poeta andaluz García Lorca, entre outras coisas. Vale muito a conferida (o inglês dele é, vá lá, calmo):

** Mas, e aí? Letras de música pop são ou não são literatura? Mês passado, a revista “New Yorker” fez um extenso perfil de Leonard Cohen, dias depois do anúncio de que Bob Dylan venceu o Nobel de Literatura, e falou de um encontro em que os dois discutiram o processo de composição:

No começo dos anos 80, Cohen foi assistir a um show de Dylan em Paris, e, na manhã seguinte, em um café, os dois falaram de seus últimos trabalhos. Dylan estava particularmente interessado em “Hallelujah”. Mesmo antes de 300 outros intérpretes tornarem “Hallelujah” famosa em suas versões, muito antes de a música ter sido incluída na trilha sonora de “Shrek” ou como prova básica em “American Idol”, Dylan reconheceu a beleza do casamento entre o sagrado e o profano [na letra]. Ele perguntou a Cohen quanto tempo levara para escrevê-la.

“Dois anos”, mentiu Cohen.

Na verdade, “Hallelujah” lhe custara cinco anos. Ele esboçara dúzias de versos, anos antes de decidir a versão final. Por diversas vezes, quando escrevia essa letra, Cohen acabava de cuecas, dando cabeçadas na parede de um quarto de hotel.

Cohen disse a Dylan: “Gosto muito de ‘I and I’”, uma música que apareceu no disco “Infidels”, do americano. “Quanto tempo você levou para escrevê-la?”

“Uns quinze minutos”, disse Dylan.

Mas, e aí? Música pop pode ser literatura? O fato é que Bob Dylan também já ganhou o Prêmio Príncipe das Astúrias, em 2007… mas foi na categoria Arte, não em Literatura. Complicado. Talvez a Academia Sueca devesse ter dividido o Nobel de Literatura deste ano entre Bob Dylan e Leonard Cohen. Ou não…

*** Na home da Popload, imagem da fase zen de Coen, num retiro de Los Angeles nos anos 90. Foto de Neal Preston/Corbis.

**** O texto é outra contribuição do poploader Eduardo Palandi para nossa homenagem ao músico canadense.

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Bob Dylan vence Prêmio Nobel de Literatura e jornalista terá que comer seu disco

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No último fim de semana, Bob Dylan tocou no festival Desert Trip (famoso “Oldchella”), dividindo o lineup com gente tipo Neil Young, Rolling Stones, Roger Waters, Paul McCartney e The Who. Apesar do show receber comentários negativos sobre o estado de sua voz, Dylan acaba de receber, hoje, uma honra inédita entre as atrações do Oldchella: o Prêmio Nobel de Literatura.

Sim, Bob Dylan, vencedor do Prêmio Nobel. Aos 75 anos, é o primeiro músico a receber o prêmio de literatura, e o primeiro americano a receber este Nobel em mais de duas décadas. A honra vem em reconhecimento a seu trabalho “criando novas expressões poéticas dentro da tradição Americana musical”. O valor do prêmio? Cerca de 900 mil dólares, talvez menos do que ele receba em royalties, mas bastantinho já.

Há um ano, o jornalista Alex Shephard, editor do New Republic, escreveu que Bob Dylan jamais ganharia o prêmio. Semana passada, ele reforçou sua tese. Ele justificou que, entre muitas alternativas, pelo contexto global era mais plausível que escritores de países ou até continentes mais “distantes” tinham mais chances. As apostas mostravam Dylan em 50/1, bem atrás de Haruki Murakami (Japão, 4/1) e Adonis (Síria, 6/1). O jornalista ainda reforçou sua linha de raciocínio dizendo que, se Dylan ganhasse, ele comeria seu disco “Blood On The Tracks”.

Aí hoje, logo de manhã, Alex tuitou a seguinte mensagem…

* Abaixo, uma gravação em áudio do show completo de Dylan no Desert Trip, semana passada.

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