Em Bomba Estéreo:

Arcade Fire tipo Colômbia: Bomba Estéreo transforma “Everything Now” em “Todo Ya”

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Nos últimos anos, o lado batucada está aflorado no som do Arcade Fire, banda que recentemente passou por Rio e São Paulo com dois grandes shows, noves fora as readequações de locais onde se apresentaram.

Pois bem. Em sua turnê latina, a trupe canadense liderada por Win Butler teve como atração de abertura o sempre bom Bomba Estéreo, duo indie-tropical da Colômbia, formado por Li Saumet e Simon Mejia. Eles chegaram, inclusive, a abrir shows do Arcade Fire nos Estados Unidos.

Agora, para fortificar ainda mais a parceria, o grupo do Canadá soltou um remix de “Everything Now” feito pelos colombianos, que ganhou o single nome “Todo Ya”. O resultado pode ser conferido abaixo.

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Popload Sonidos: exclusiva com a Bomba Estéreo

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* Sábado é o dia das colunas especiais na Popload. Hoje é a vez dos pitacos latinos do “local” Horácio Martin, o Horaz, jornalista e videomaker argentino, que assina a coluna “Sonidos”. Horaz se junta ao time que tem Tom Leão falando de cinema e Felipe Evangelista tratando de hip hop.

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*Foto: Renata Martin

SONIDOS, por Horaz Martin

BOMBA SONORA

O Bomba Estéreo esteve no Brasil para o festival El Mapa de Todos, em Porto Alegre (RS), e aproveitou a passagem para dar um pulo em São Paulo. A banda já tinha tocado em maio passado na Virada Cultural, mas o show teve que se adequar ao evento. levando o grupo a não tocar tudo o que gostaria, do jeito que gostaria. Desta vez, veio a “correção”. A apresentação da semana passada foi de quase duas horas e o quarteto contagiou o público que lotou o Sesc Belenzinho com sua fusão de ritmos latinos com música eletrônica e rock psicodélico. Desta vez mostrando o show que vem fazendo parte da turnê mundial do disco “Elegância Tropical”, terceiro álbum da formação, lançado em 2012.

Enquanto toma uma caipirinha para relaxar antes do show, Simón Mejía, baixista da banda e fã dos Mutantes, conta para a Sonidos: “Este foi um disco que demorou para ser feito, mas que está dando muitos frutos, já que esta turnê mundial nos levou a países que nunca imaginaríamos conhecer”.

O país que mais marcou o grupo foi a África do Sul: “Foi incrível tocar lá porque temos muita influência afro no nosso som”. Essa influência é o que ele atribui o gosto do público brasileiro pela banda. “Acho que a música da Colômbia e do Brasil têm estado muito distantes ultimamente, mas acho que essa vertente afro, indígena de selva amazônica que nos une vai fazer essa barreira cair. Dividimos além da Amazônia, que é um território imenso, a cultura afro. Somos os países com mais raízes africanas da América Latina e isso influencia muito nas canções. Por isso temos musicalmente muitas coisas em comum. E, independentemente de que aqui a língua é a portuguesa e na Colômbia o espanhol, nossa música tem muito dessa cultura. Isso faz uma conexão maior com o público, muito maior do que poderia ter feito o chamado ‘Rock em Espanhol'”.

Aproveitei e perguntei pelo rock espanhol dos anos 80. Bandas tão importantes como Soda Stéreo e várias outras tão influentes para eles nunca conseguiram tocar no Brasil. E eles sim têm o privilégio de já terem se apresentado quatro vezes por aqui. Lili Saumet, cantora, artista plástica e principal motor da banda, me diz : “É que nós começamos num ótimo momento, comparado à época do Soda Stereo, onde não existia internet. Ou seja, não existia a globalização. Não tinha essa abertura, todas essas possibilidades de informação. A primeira vez que saímos da Colômbia para tocar fora do país foi para se apresentar aqui no Brasil, num festival em Recife. Realmente tudo começou com a internet, com blogs e DJs, porque, como era música alternativa independente, foi a melhor forma de divulgação. Nisso se transformou a nova música e a nova indústria da música. O que nos levou a virar uma banda internacional tão rápido e de uma forma tão grande em nível mundial.”

No show a Lili Saumet é realmente poderosa, não para um minuto quieta no palco. Abrindo o show com a dobradinha “Pure Love” e “Sintiendo”, faz com que o público comece a se mexer e a dançar com a mistura eletrônica caribenha que a banda propõe. “Nosso show tem mudado muito, mas continua com a mesma energia de sempre para dançar, para pular e também com momentos mais tranquilos”. Esse “momento tranquilo” foi realmente diferente porque ela mandou o público se sentar, e junto ao guitarrista Julián Salazar, cantou segurando as rosas recebidas. Um momento mais romântico para logo depois tocar o maior hit da banda, “Fuego”, fechando a noite.

FOTO raquel cost 3*foto por Raquel Cost

“Temos evoluído, tanto a nossa música como nós mesmos por dentro. Tomamos consciência do que estamos fazendo e fazemos de um jeito mais direto”, completa Lili.

Sobre a cena musical atual na Colômbia, eles estão felizes: “Está rolando uma cultura de festivais que antigamente não existia. Claro que temos o Rock al Parque, que é o maior festival gratuito da Colômbia, mas antigamente as bandas internacionais tinham medo de ir para lá pelo estigma de ser um país perigoso e tal. Agora isso está mudando. Se está gerando um mercado ao redor da música, mais bandas independentes colombianas estão surgindo e têm um público cativo que assiste aos shows”.

FOTO william parra*Foto: William Parra

Por último, pergunto sobre o futuro da banda. “Vamos entrar em estúdio ano que vem e nosso próximo disco vai ter de tudo. Será nosso quarto álbum, totalmente diferente, mas sempre psicodélico e, claro, sempre afro, muito afro”, finaliza Lili, que promete vir para o Brasil assim que começar a próxima turnê.

Bomba Estéreo em entrevista para a SONIDOS POPLOAD:

Hasta la proxima!

Horaz Martin é portenho /paulista, diretor/video maker, apaixonado por futebol e por música em geral. Sempre tentando aproximar o Brasil de outras culturas latinas.

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Popload estreia coluna latina: “Arepas Sonoras”


A partir de hoje, a POPLOAD abre espaço para alguns colaboradores. Apesar de tratarmos de música e cultura pop em geral, sem preconceitos de estilos, acabamos falando mais de uns que de outros. É para preencher algumas lacunas que escalamos alguns “experts” para compartilharem aos fins de semana o que eles têm ouvido por aí e que acabam escapando da nossa congestionada antena. A primeira participação é da jornalista Flávia Durante, aficcionada por música latina e que vai responder pela “Arepas Sonoras” (“Arepas” é um pão de milho típico da cozinha venezuelana e colombiana). Para a coluna desta semana, Flávia destaca a “Invasão Colombiana na Virada Cultural”. Bem-Vinda!

Arepas Sonoras – por Flávia Durante


Invasão colombiana na Virada Cultural

Quem quiser tirar de vez a cisma de que brasileiro não gosta de música em espanhol vai ter uma excelente oportunidade de conhecer o que há de melhor sendo produzido pela população da América hispânica na Virada Cultural deste ano, que está acontecendo em São Paulo. Bomba Estéreo, Systema Solar e ChocQuibTown já estiveram no Brasil em diferentes momentos (o Bomba já se apresentou no finado SWU, em 2010), mas quem nunca ouviu falar desses três vai poder entender por que a Colômbia é a fonte mais criativa da música latina dos últimos anos.

BombaEstereo

O Bomba Estéreo é um dos maiores representantes da chamada “cumbia digital” e que, se nos discos parece ser calminha, ao vivo cresce e incendeia a plateia, muito devido ao carisma e força de sua vocalista, Li Saumet. Surgiram em 2005 na capital, Bogotá, e são queridinhos dos fãs de música latina alternativa. Já tocaram nos festivais de Roskilde (Dinamarca), SXSW, Coachella, Bonnaroo e Austin City Limits (EUA) e se apresentam neste ano no Glastonbury (UK).

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systemasolar

O Systema Solar é um coletivo formado em 2007 na costa colombiana que vem ganhando espaço com sua mistura de grooves afrocolombianos, hip hop e eletrônica (que eles chamam de berbenautika) e performances intergalácticas. O grupo já botou ninguém menos do que Debbie Harry para bailar cumbia em “Artificial”, faixa de seu mais recente disco “La Revancha del Burro”, de 2013. Debbie retribuiu o convite convocando os intergalácticos colombianos para “Sugar on the Side”, single do mais recente disco do Blondie, “Ghosts of Download”, que acabou de ser lançado.

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Chocquibtown

Para quem gosta de um som mais funky, na Colômbia também tem! O ChocQuibTown mistura o hip-hop, funk e ritmos tradicionais da costa pacífica. Em 2010, fizeram uma extensa turnê mundial e tocaram no SXSW (EUA), Glastonbury (UK) e Parkpop (Holanda). No mesmo ano, ganharam o Grammy Latino de melhor canção Alternativa com ”De Donde Vengo Yo”. Pa bailar la noche entera!

Invasão colombiana na Virada Cultural:

Systema Solar @ Palco Barão de Limeira – 17/05, sábado, 00h00
Bomba Estéreo @ Palco Barão de Limeira – 18/05, domingo, 02h
ChocQuibTown @ Choperia do Sesc Sesc Pompéia – 17/05, sábado, 00h00; 18/05, domingo, 18h

E mais:

Para quem gosta de música em espanhol, a Virada ainda conta com os shows da dupla argentina de hip hop Actitud María Marta (Palco Cásper Líbero – 17/05, sábado, 00h00) e com o duo peruano de electrocumbia Dengue Dengue Dengue (Palco Barão de Limeira – 18/05, domingo, 06:00).

AMM

Dengue Dengue Dengue

Já os que tiverem pique para encarar uma off-Virada também com pegada latina, a cantora e compositora portorriquenha MIMA se apresenta às 19h na Sensorial Discos, na Rua Augusta, 2389. Grátis.

*Flávia Durante é jornalista, DJ e mantém desde 2000 o Blah Blah Blog