Em boogarins:

Top 50 da CENA – quem sobe, quem desce, as estreias e o Carne Doce no topo

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* Entre elogios e críticas após a primeira edição, publicada aqui na Popload semana passada, o Top 50 da CENA brasileira desta semana está no ar.

Gostamos de ver a galera conversando nas redes sobre a edição passada, sinal de que é bom levantar sim a discussão. Fora que vem com um playlist semanal com uma seleção de 50 músicas feitas neste país recentemente, as “mais quentes do momento”, então já está valendo.

A discussão toda na real, entenda, não é sobre quem é pior ou melhor, vale repetir. Mas sobre quem (nos) movimenta, quem chama (nossa) atenção, quem merece destaque (na nossa humilde opinião) na música brasileira. Seja indie, seja MPB, seja velho, seja novo, conhecido ou desconhecido.

Enfim!

Nesta semana resolvemos dar prioridade auditiva, digamos, para algumas novidades que saíram neste ano, para que a lista comece a ser renovada. Ainda pescamos algumas belezinhas perdidas de 2019. Veja aí, ouça aí.

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1 – Carne Doce – “Temporal” (2)
Esta só melhora quanto mais se ouve. Que musiquinha enoooorme soltou o grupo goiano Carne Doce para já anunciar que em 2020 vai ter disco novo, o quarto da banda do casal Macloys/Salma. A gente aqui quer morar nessas guitarrinhas que embalam a música nova, da metade para a frente. Semana passada ficou em 2º lugar, agora vem para o 1º.

2 – Vivian Kuczynski – “Carne” (Estreia)
Vem aí novo single da Vivian e um novo e belo vídeo. Por isso já destacamos “Carne” por aqui, outra das boas músicas do álbum de estreia da Vivian, single que tem uma letra que está na parte de críticas sociais do disco, segundo ela, mesmo que um tanto cifrada. Nem tanto assim. É só prestar atenção na menina.

3 – Kiko Dinucci – “Veneno” (Estreia)
O álbum solo novo de Kiko Dinucci é uma peça e tanto. Violão no comando de tudo. E muita informação ainda há ser captada em futuras audições. A música com Rodrigo Ogi é, de cara, um dos achados dos disco e pode dar a prévia do novo álbum do rapper, que tem produção do próprio Kiko.

4 – Rashid – “Eu” (Estreia)
Em seu novo álbum, Rashid deixa para a última faixa talvez um de seus melhores sons, a reveladora “Eu”. Uma daquelas reflexões pessoais de um artista que acaba refletindo no ouvinte.

5 – Rincon Sapiência – “Real Oficial” (Estreia)
Uma das muitas boas músicas do mais recente álbum de Rincon Sapiência, um disco lançando no final de 2019 e que passou meio batido, injustamente, pelo menos por aqui. Corrigimos a rota agora.

6 – Saskia – “Tô Duvidando” (1)
Já escutou o disco da Saskia? A gaúcha é uma das revelações do ano passado para você também? E a participação do Edgar nesta faixa, então? Outro nível esses dois.

7 – Os Mutantes – “Mutant’s Lonely Night” (Estreia)
Os Mutantes hoje são apenas Sérgio Dias e um novo pessoal, mas estão na ativa e lançaram um disco novo. Entre boas faixas setentistas, ecos de Beatles e Caetano (uma forma de descrever até outros trabalhos dos Mutantes, não?), destacamos uma das mais melancólicas do álbum. Sérgio Dias sabe os atalhos bonitos da guitarra.

8 – Liniker – “Não Adianta” (Estreia)
Parte do projeto “Acorda Amor”, Liniker faz um bom cover de uma música do Trio Mocotó. O projeto ainda conta com as vozes de Maria Gadu, Xênia França, Letrux e Luedji Luna. O disco saí nesta terça-feira.

9 – Ana Frango Elétrico – “Chocolate” (3)
Ficamos aqui pensando no abstrato desta música. Entendemos nada e tudo certo. Ana Frango Elétrico merece toda a atenção que está recebendo. Se até o gringo do Anthony Fantano já sacou ela, você está esperando o quê?

10 – Hot e Oreia – “Estilo” (4)
Da ótima cena mineira de rap, Hot e Oreia conseguem dosar aqui humor e mensagem de uma maneira única. A sacada “Cês são CS, eu RPG” é para poucos. E o “pior” é que o som é bem bom. Olho neles.

11 – Bixiga 70 e Luiza Lian – “Alumiô (Cai Na Terra)” (5)
O encontro entre Luiza Lian e Bixiga 70 nasceu com cara de clássico. Fica a deixa para um projeto mais extenso, um álbum, quem sabe? Estamos na espera.

12 – Yma – “Vampiro” (7)
Os shows da Yma que andamos vendo por aí ajudaram a recolocar o disco dela, que foi lançado lá no começo do ano passado, de novo em rotação por aqui. “Vampiro” é uma delícia de música.

13 – Mc Thá – “Rito de Passá” (8)
Quem não entender com a MC Thá a dimensão do funk em si e no diálogo com outros gêneros não entende mais. Uma contribuição imensa ela dá aqui em “Rito de Passá”.

14 – Emicida – “Ismália” (9)
A gente já falou desta faixa por aqui. Se o novo álbum do Emicida for encarado como um filme, “Ismália” é a cena mais triste. Um resumo sobre a tragédia do racismo na estrutura social do país. Que peso de som. Que coisa séria.

15 – Boogarins – “Sombra ou Dúvida” (10)
Melhor banda brasileira em atividade, os Boogarins fizeram mais uma beleza de disco no ano passado. E esta música é uma das belezas dessa beleza.

16 – Black Alien – “Vai Baby” (11)
17 – Djonga – “Bença” (12)
18 – Papisa – “Fenda” (13)
19 – O Terno – “Pra Sempre Será” (14)
20 – Apeles – “A Alegria dos Dias Dorme no Calor dos Teus Braços” (16)
21 – Moons – “No More Tear about It” (17)
22 – Linn Da Quebrada – “Oração” (18)
23 – Francisco, El Hombre – “Matilha :: coleira ou cólera” (Estreia)
24 – Fresno – “Sua Alegria Foi Cancelada” (19)
25 – Marrakesh – “Prove Me Wrong” (20)
26 – Supervão – “XXI” (21)
27 – Gumes – “Impossible” (22)
28 – AIYÉ – “Terreiro” (23)
29 – Brvnks – “Don’t” (24)
30 – Alessandra Leão – “Ogum Está De Ronda” (25)
31 – Nego Gallo – “DVD” (26)
32 – Bruna Mendez – “Tropical” (27)
33 – Meu Nome Não É Portugas – “Raiz” (28)
34 – Livia Nery – “Estranha Melodia” (30)
35 – Céu – “Rotação” (29)
36 – Amen Jr. – “Futuro” (31)
37 – Martte – “Sua Pele” (32)
38 – Diomedes Chinaski – “Meus Nikes” (34)
39 – Raça – “Paciência” (35)
40 – Karol de Souza – “Tambor” (41)
41 – Flerte Flamingo – “Curió” (44)
42 – Nill – “Embalagens” (45)
43 – Rômulo Fróes – “Elza” (43)
44 – Rachel Reis – “Ventilador” (50)
45 – Pabllo Vittar – “Amor De Que” (46)
46 – Souto MC – “Retorno” (47)
47 – Bruno Capinam – “Mais Amor” (Estreia)
48 – Céu de Vênus – “O Acaso Não Existe” (Estreia)
49 – Vovô Bebê – “Exôdo” (Estreia)
50 – Caio – “Entorna” (Estreia)

* Entre parenteses está a colocação da música na semana anterior. Ou aviso de nova entrada no Top 50.

** Na vinheta do Top 50, o rapper paulistano Rincon Sapiência. A cantora curitibana Vivian Kuczynski ilustra a foto da chamada do post na home da Popload.

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CENA – Boogarins encontra a audiência da TV aberta (e o sertanejo)

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Captura de Tela 2019-12-17 às 11.03.55 AM

* Não que exatamente falte espaço para a música independente na televisão brasileira, mas não é todo dia que ela senta para conversar de igual para igual por ali, em vez de tocar umas poucas músicas e ter breves falas.

Por isso foi bem legal ver Boogarins finalmente brilhar na Globo, em sua participação no “Conversa com Bial”, nesta segunda para terça-feira. Meio desajeitado? Talvez, pelo contato inicial ser feito já tão tarde. Ou pela forçação de incluir, Mateus, da dupla Jorge e Mateus na conversa. Vale reparar no papo em que o Benke comenta: menos focado na separação estética e mais atento a outra diferença, até no âmbito político, estrutural.

Em todo caso, bonito ver “Doce” ser tocada ao vivo, “Sombra ou Dúvida” ao vivo, ouvir o papo da banda, a possibilidade de outro tons, conversas, rumos e propostas. Até ganhou um honrado destaque o festival indie Bananada, que ganhou até um mini-doc do programa. Está tudo aqui embaixo.

Se tem uma coisa que faz falta para a CENA (faz?), é o desprezo que a TV aberta tem em seus melhores horários com a música independente. A frase talvez nem faça tanto sentido, afinal, se esse apoio rolasse, talvez a CENA já estaria em outro patamar (será?). Além de outro detalhe: música em geral está em baixa na TV. Ainda assim: seria engraçado ter aqui no Brasil a presença que os independentes conseguem vez outra lá fora nos programas de TV de grande audiência.

Exclua os palcos de resistência na TV Cultura, com o Manos e Minas e o Cultura Livre. O que sobra? Nossos late-shows, fora uma certa cultura reacionária que toma voz cada vez mais forte, não tem a sacada de misturar o mainstream com midstream e não sabe o que acontece no underground. O Boogarins deu a dica.

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CENA – Para americano ver, Boogarins faz linda session na KEXP, de Seattle

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* Linda e total em português, foi liberada hoje a última session que o grupo goiano Boogarins fez na rádio americana KEXP, importante emissora indie de Seattle bem famosa na internet exatamente por suas sessions caprichadas.

Foram quatro os vídeos já à disposição no Youtube, da apresentação em estúdio na KEP gravada no final de setembro. São as músicas “Sombra ou Dúvida”, “Invenção”, “Passeio”, “Te Quero Longe”, todas de “Sombrou Dúvida”, o mais recente disco do quarteto de já vasta carreira internacional, lançado em maio deste ano.

Captura de Tela 2019-12-02 às 11.48.00 AM

A simpatia vocal do Dinho Almeida, ainda que cantando numa língua “estranha” para a grande maioria dos ouvintes da rádio. O complemento espacial das guitarras de Dinho e Benke Ferraz (com camiseta do belo e tradicional festival indie recifense Coquetel Molotov), a primeira espacial, a segunda indie-rock. A cozinha “perfeita 10/10” de Raphael Vaz Costa (baixo e teclado) e Ynaiã Benthroldo (bateria). Tudo da melhor forma do Boogarins pode ser visto nos vídeos.

Legal ainda ver os comentários dos fãs americanos do Boogarins, no vídeo. Dá para dar uma ideia como o som da banda penetra no gosto indie psicodélico dos admiradores além-Brasil do grupo goiano, apesar do desencontro das línguas, o que a faz ter vida longa em turnês internacionais, de festivais ou shows solo.

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Balaclava Fest chega aos 10 se reinventando. Veja quem é quem no festival, que acontece domingo em SP

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Captura de Tela 2019-10-08 às 4.57.11 PM

* No próximo domingo, em São Paulo, será realizado mais um Balaclava Fest, evento maior do selo multiatividades Balaclava, uma das marcas de música de mais identidade no país, que agita a CENA brasileira ainda que seja bastante debruçada em shows e lançamentos gringos, mas consegue um ótimo equilíbrio no fomento de bandas/artistas novos deste Brasilzão de meudeus, porque só Ele mesmo para justificar como uma iniciativa assim consegue sobreviver numa era desta, num lugar como este.

“Acusado” de ser um “Popload de antigamente” muito por conta do mantra “smells like teen spirit” do indie, esta nona edição do festival do Balaclava faz uma pequena revolução dentro de sua própria história, exatamente nessa “coisa indie”. No lugar de headliners como Warpaint, Ride, Slowdive, Future Islands, entre outros, o Balaclava Fest de domingo agora aposta em outros sons e se pretende uma festa mais diversa.

A atração principal da vez é, ousadia das ousadias, Elza Soares. Um nome brasileiro de peso, do passado e do presente, que vem confrontar o próprio DNA do Balaclava, novidadeiro ou de velhas novidades. Elza, presente em 90% dos festivais brasileiros dos últimos anos, consegue ser justificada no Balaclava Fest, neste Balaclava Fest, para este Balaclava Fest, porque tem seu lado mais experimental realçado nos discos mais recentes, levada que é a cara do festival. E, para mexer com o que sempre espera o público indie do festival, esta edição terá ainda R&B moderno, pós-punk, math rock e outros experimentalismos. Taí um louvável Balaclava “diferente”, espertamente reimaginado.

Olha só:

** ELZA SOARES chega ao Balaclava para o lançamento de “Planeta Fome”, o terceiro disco de uma retomada incrível da cantora, que começou em 2015 com o álbum “A Mulher do Fim Do Mundo”, que recolocou sua carreira no devido lugar com repercussão internacional e nacional.

** KELELA (foto que abre este post), talvez o maior nome do R&B alternativo hoje, vem com seu primeiro e ótimo álbum “Take Me Apart”, de 2017, considerado por muitos um dos discos que elevou o patamar do gênero na atualidade. Produção caprichada, moderna, cuidadosa.

** BATTLES e seu rock experimental chegam em dupla ao Brasil, a formação da banda desde o ano passado. Ian Williams e John Stanier trazem na mala o novo álbum do grupo, o primeiro desde 2015 e que sai dias depois do show da banda no Balaclava Fest. Vale ouvir os singles novos antes.

** BOOGARINS segue firme no posto de ser talvez a melhor banda brasileira ao vivo. É no palco que o quarteto goiano eleva suas músicas a um outro padrão. Uma viagem diferente dos bons discos lançados até aqui. A psicodelia brasileira é a melhor e mais variada do mundo e eles são parte disso.

** SHAME é um dos representantes da ótima fase do pós-punk inglês, politicão, vigoroso. “Songs of Praise”, álbum de estreia da banda, evoca o Pet Sounds na capa e pesa a mão no barulho. Tão elogiado que foi considerado disco do ano pela Rough Trade em 2018.

** RYLEY WALKER é um cantor e compositor norte-americano. Faz folk com muita influência de rock psicodélico, blues e jazz. Apesar de ser autoral, seu disco mais recente é meio inusitado. Ele pegou um álbum do Dave Matthews Band que só existe no mundo da pirataria por ser de um disco abandonado pela banda e regravou todas as faixas.

** PAPA M é David Pajo, que fez parte do Slint e de outras diversas bandas, entre elas o Stereolab, Tortoise e o Zwan de Billy Corgan. Papa M é uma de suas facetas solo. Espere introspecção e experimentalismo.

** ÁIYÉ é o nome do projeto solo de Larissa Conforto, ex-baterista do Ventre. Sozinha no rolê ela abandona as baquetas e assume uma perspectiva mais eletrônica e experimental. Com uma única música lançada ainda, o show será um bom momento para entender o que Larissa trará de novo.

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10.º BALACLAVA FEST
13 de outubro – domingo
Local: Audio Club
Abertura da casa: 16h
Classificação: 16 anos
Av. Francisco Matarazzo, 694, Barra Funda
Capacidade da casa: 3.200 pessoas

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* SORTEIO – No insta da Popload, o @poploadmusic, está rolando um sorteio de um par de ingressos para o Balaclava Fest, no domingo. Corre lá e tenta a sorte. A concorrência vai até esta quarta.

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** O crédito da foto de Elza Soares, usada na home da Popload, é de Isabela Kassow/Divulgação.

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CENA – Paus, de Portugal, convoca os vocais psicodélicos de Dinho Boogarins em novo EP

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* Não obstante finalmente se tornar robusta em seu território, a CENA brasileira estica seus tentáculos além-mar. Nome sempre presente no line-up dos principais festivais da Europa, o quarteto português PAUS reforça os alicerces da ponte Brasil-Portugal lançando um single em parceria com o embaixador da psicodelia indie tupiniquim: o Dinho Almeida, vocalista do Boogarins. A faixa, “Corpo Sem Margem”, faz parte do novo EP comemorativo de 10 anos da banda lusitana, “LXSP”, com data de lançamento para esta sexta-feira.

A banda PAUS pode não ser totalmente conhecida em terras brasileiras, mas em seu país de origem já conseguiu alcançar o topo das listas de melhores discos do ano e também destaque nos festivais da região, como o grandioso Primavera Sound espanhol. O quarteto é dono de quatro discos, vários EPs e uma série de turnês pelo mundo, enfileirando boas críticas e construíndo relações, amizades… Entre elas esse networking com a banda goiana mais internacional de todos os tempos.

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O encontro entre Dinho (foto) e a banda de Lisboa aconteceu em 2018, quando PAUS e Boogarins se reuniram no palco do festival MIL (Lisbon International Music Network) para uma jam. A conexão entre estilos e sonoridades foi tanta que a parceria transbordou para o estúdio e acabou em uma viagem do quarteto para São Paulo, gerando uma construção totalmente conjunta da letra e melodia entre o grupo, Dinho e o produtor Kastrup (Tom Zé, Zeca Baleiro, Jorge Drexler). A partir da junção de todos esses artistas nasceu “Corpo Sem Margem”, faixa que mescla questões políticas em sua letra com ritmos tortos em sua sonoridade, originando uma canção grande em significados, ritmos e conexões.

Além da faixa em som, a gravação ainda virou um elaborado lyric vídeo/webclipe trazendo imagens da passagem da banda por São Paulo, misturando cenas de estúdio, da capital e também do processo de gravação do EP, tudo isso produzido por dois amigos do grupo, Ricardo Silveira e Tomás Brice. Segundo Hélio, integrante da banda, “o vídeo é quase que uma imagem direta daquilo que experienciamos todos os dias no nosso percurso entre o hotel e a Red Bull Music Studios. Aprovamos logo de primeira, tal foi a identificação de todos com as imagens”.

Sobre o EP completo que irá sair nesta sexta, o público pode esperar uma extensão do que foi apresentado na faixa ao lado de Dinho, trazendo mais participações e misturas, entre elas colaborações da compositora Maria Beraldo e do rapper Edgar.

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