Em boogarins:

TOP 50 DA CENA – O ranking cai na armadilha do trap e o Matuê chega chegando… com Charlie Brown Jr. envolvido. Mais: o entardecer de JP e a volta linda do Carne Doce

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* E o nosso Top 50 chegou ao dia de ter um trap em primeiro lugar. Cabuloso. Mas é o que é. E não estamos aguentando a fase axé do indie JP, guitarrista mineiro agora um Father John Misty tupi que talvez tenha escrito a frase mais romântica da CENA nacional neste ano: “Eu quero perder o vôo de volta”. O top 3 ainda tem o retorno da banda goiana Carne Doce, que aponta o futuro. E o futuro é bom bonito, já conferido por aqui e que chega agora nesta sexta-feira, 18, em forma de disco novo. Quanta beleza no encontro da voz da Salma com o instrumental mais delicadamente viajante da música brasileira.
Veja o ranking e corra para a playlist. Tá tudo conectado.

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1 – Matuê – “Máquina do Tempo” (Estreia)
Será que agora o trap nacional rompe sua já gigante bolha de popularidade e alcança os números do mainstream brasileiro? Vale acompanhar a esperta pegada do Matuê neste som do seu primeiro álbum. Um trap acelerado e divertido que dá um leve aceno para o pop em um bem sacado sample de uma linha de baixo do Charlie Brown Jr. Este som já irritou youtubers conservadores, algo que sempre é saudável.
2 – JP – “Eu Quero Perder Você” (Estreia)
Um inspirado suinguezinho indie-MPB indicado para ouvir num fim de tarde em Itapuã. Mas, se não for possível a indicação, serve para ouvir bem em qualquer outro lugar. Estamos gostando demais desta nova fase do mineiro JP, ex-indie atual axé.
3 – Carne Doce – “Hater” (Estreia)
Carne Doce e mais um single nota dez do novo álbum, que está chegando e já garante ser um dos melhores da banda, sem qualquer dúvida. Letra acertada, som primoroso. E aquelas viagens que parecem que vão levar a gente para outro lugar e segundos depois nos colocam de novo a cantar com a Salma.
4 – BK – “Movimento” (1)
O carioca BK mais uma vez parece fazer jus à expectativa que foi criada em relação a um novo trabalho seu. De cara, é impossível não destacar a primeira e direta faixa, que apresenta o ínicio de um disco conceitual e de história fechada. O primeiro contato com este “O Líder em Movimento” já nos atingiu em cheio. Pelo som, letra, o rapper carioca além da zueira funk, o sotaque, os “êêêê”, a mensagem. Já podemos passar para a faixa 2?
5 – Gabrre – “De Noite Eh Dia de Sair” (Estreia)
Uma música sobre a banalidade da vida do jovem nos dias atuais. Gabrre tem 22 anos e sabe do que está falando. Título em português, letra em inglês, a forma do título e um belo som que dá vontade de dar um rolê noturno. Saudade disso, hein?
6 – PLUMA – “Leve” (2)
Grupo novo esperto que saiu de um TCC. Todos estudavam produção e a banda extrapolou o curso. Que pelo visto foi bom e proveitoso, já que a banda tira um som de muita qualidade no estúdio. Coisa fina.
7 – Nana – “Independência ou Morte” (Estreia)
Sim, a faixa é do disco de 2017 que a Nana lançou, mas resgatamos esse som por aqui por conta do bom vídeo que a música ganhou. Vídeo este no sertão baiano, mais precisamente em Salgadalia, distrito de Conceição do Coité, repleto de cores com direção de Agnes Cajaiba e inovações visuais da artista Clarice Maxado.
8 – Kill Moves – ““Timeless Visions” (Estreia)
É engraçado como parte da CENA indie mineira tem uma obsessão com o britpop ou o shoegaze do comecinho dos anos 90. Isso não é um problema, veja bem. O quarteto Kill Moves, que acabou de lançar a bela “Timeless Visions”, nome sugestivíssimo para seu novo single, confirma a nossa impressão.
9 – O Cientista Perdido – “Não Cabe Em Você” (Estreia)
Projeto de Rodrigo Saminês dá seus primeiros passos para um primeiro EP. Vale prestar atenção neste single que nos leva a uma jornada de conhecimento pessoal desenvolvida a partir do isolamento provocado pela pandemia.
10 – Terno Rei – “São Paulo (Acústico)” (Estreia)
Existem versões acústicas aos montes por aí atualmente. Por algum motivo fica a sensação de que o Terno Rei foi além aqui. Parece realmente uma track que soaria superelegante em um Acústico com a vibe da MTV antiga e tudo e tocaria infinitamente no rádio. Bateu uma nostalgia.
11 – Vivian Kuczynski – “Pele” (3)
12 – Alfamor – “Semente” (4)
13 – Boogarins – “Cães do Ódio” (5)
14 – Jup do Bairro – “Luta por Mim” (6)
15 – Dexter, Djonga, Coruja BC1, KL Jay, Will – “Voz Ativa” (7)
16 – Hot e Oreia – “Saiu o Sol” (8)
17 – Luiza Brina – “Oração 12” (9)
18 – Mateus Aleluia – “Amarelou” (10)
19 – Yannick Hara – “Eu Quero Mais Vida Pai” (11)
20 – Mai – “Bananeira de São Tomé” (12)
21 – Valciãn Calixto – “Nunca Fomos Tão Adultos” (13)
22 – Nuven (feat. Apeles) – “Janela” (14)
23 – Anne Jezini – “Céu de Lurex” (15)
24 – Wry – “Travel” (17)
25 – Thunderbird – “Insuportável” (20)
26 – Letrux – “Vai Brotar” (21)
27 – Apeles – “Tudo Que Te Move” (22)
28 – Elza Soares e Flávio Renegado – “Negão Negra” (28)
29 – Negro Leo – “Tudo Foi Feito pra Gente Lacrar” (29)
30 – Marcelo Perdido – “Bastante” (30)
31 – Rincon Sapiência – “Malícia” (31)
32 – Giovanna Moraes – “Sai por Inteira” (32)
33 – Nevilton – “Irradiar” (33)
34 – Amen Jr. – “Ladeira Abaixo” (34)
35 – Tuyo – “Sem Mentir” (35)
36 – Kunumí MC – “Xondaro Ka’aguy Reguá (Guerreiro da Floresta)” (36)
37 – Duda Brack – “Contragolpe” (37)
38 – Don L – “Kelefeeling” (38)
39 – Mahmundi – “Nós De Fronte” (39)
40 – Rico Dalasam – “Mudou Como?” (40)
41 – ÀIYÉ – “Pulmão” (41)
42 – Os Amanticidas – “Paisagem Apagada” (42)
43 – Coruja BC1 – “Baby Girl” (43)
44 – Edgar – “Carro de Boy” (44)
45 – Douglas Germano – “Valhacouto” (45)
46 – Kiko Dinucci – “Veneno” (46)
47 – Jhony MC – F.A.B. (47)
48 – Djonga – “Procuro Alguém (48)
49 – Vovô Bebê – “Êxodo” (49)
50 – Troá! – “Bicho” (50)

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***

* Entre parênteses está a colocação da música na semana anterior. Ou aviso de nova entrada no Top 50.
** Na vinheta do Top 50, o músico mineiro JP.
*** Este ranking é formulado por Lúcio Ribeiro e Vinícius Felix, talvez o maior estudioso da nossa CENA. Com uma pequena ajuda de nossos amigos, claro.

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TOP 50 DA CENA – Boooom! Rapper BK vira nosso líder em movimento. A banda Pluma tira boa nota no nosso ranking. E a Alfamor traz seu reggae-manifesto para chacoalhar as idéias e ao mesmo tempo deixar tudo suave

1 - cenatopo19

* A mescla rítmica, geográfica, de estilos, de personas do (digamos assim) top 5 do nosso top 10 dentro do nosso top 50 traduz novamente a riqueza absurda desta nossa CENA, seus alcances, referências, nuances. A gente sempre diz isso tudo, mas é a pura verdade. E, no caso desta semana, mostra a latência urgente-urgentíssima dessa percepção nada nova mas cada vez mais na cara.
Numa semana impactada pelo lançamento do contundente (não tem palavra melhor, achamos) rapper carioca BK, da galera “estudantil” do Pluma, da suavidade politizada da gaúcha-paulistana-baiana Alfamor, é o que temos, e o que temos é muito.
Aí você mete a eletrônica cool precoce da curitibana Vivian e o tempero psico-texano do Boogarins aí no meio, só para ficar nos cinco primeiros da lista… Vixe!

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1 – BK – “Movimento” (Estreia)
Ainda sob o impacto do lançamento de seu novo disco, o carioca BK já vem carregado de elementos contundentes que nos faz levar o disco ao topo do nosso ranking sem ainda absorvê-lo como se deve. Não é a primeira vez que ele consegue esse (e)feito, mas vale destacar isso pois joga luz um pouco no alcance de sua obra. Que aqui mais uma vez parece fazer jus à expectativa que foi criada. De cara, é impossível não destacar a primeira e direta faixa, que apresenta o ínicio de um disco conceitual e de história fechada. Vamos ouvir mais para sacar melhor. Mas o primeiro contato com este “O Líder em Movimento” já nos atingiu em cheio. Pelo som, letra, o rapper carioca além da zueira funk, o sotaque, os “êêêê”, a mensagem. Já podemos passar para a faixa 2?
2 – PLUMA – “Leve” (Estreia)
Grupo novo esperto que saiu de um TCC. Todos estudavam produção e a banda extrapolou o curso. Que pelo visto foi bom e proveitoso, já que a banda tira um som de muita qualidade no estúdio. Coisa fina.
3 – Vivian Kuczynski – “Pele” (1)
Vivian adianta em seu EP lançado sexta-feira o que será sua nova fase. Voz e letras caprichadas seguem por lá, mas seu comando total na produção dá novos contornos e textura às suas músicas e letras. Mais eletrônica, mais experimental, certeira, tudo a seu controle. Um salto e tanto em uma carreira promissora, não cansamos de avisar. E não cansamos de lembrar: ela tem só 17 anos.
4 – Alfamor – “Semente” (Estreia)
Um recado de força a partir dos efeitos trágicos da eleição de 2018. Amor, união e a mensagem de luta que ficou na trajetória de Marielle Franco, a personagem oculta da canção. Alfamor traz um reggae que reflete o estado de coisas difícil em que nos encontramos, ao mesmo tempo que sua sonoridade e voz gostosas aliviam a alma. Ainda que por três minutos.
5 – Boogarins – “Cães do Ódio” (2)
Após anos loucos e intensos do Boogarins em disco novos e turnês de mil shows mundo afora, a banda resolve olhar o passado e abre o baú em um álbum de sobras e sonhos perdidos por aí. Em um disco especial que parece revelar um pouco sobre como a banda pensa, as músicas e ideias soam mais deliciosas para os fãs, mas ainda interessantes aos novatos. E marcam um fim de ciclo.
6 – Jup do Bairro – “Luta por Mim” (3)
Enquanto 2020 não virar, não vamos parar de elogiar o EP de Jup do Bairro por aqui. Uma de suas melhores faixas, a parceria com Mulambo, ganhou um vídeo e tanto e por isso recuperamos ela aqui no Top 50. O vídeo fecha uma trilogia que completa o papo do disco. Pode ir lá assistir, depois você volta para continuar o ranking. Esta música é gigante, pois necessariamente atual.
7 – Dexter, Djonga, Coruja BC1, KL Jay, Will – “Voz Ativa” (4)
Uma regravação em uma lista de músicas novas não parece a melhor das ideias. Não é o caso aqui. Clássico dos Racionais refeito nas mãos de Kl Jay e seu filho, Will, “Voz Ativa” soa bem ao comando do Dexter e as participações de Djonga e Coruja. O vídeo da nova e velha geração do rap chega a emocionar de tão legal. Um registro que celebra os quase 30 anos de hino dos Racionais e a velha constatação sobre o que trata esse grito da periferia: pouco ou nada mudou.
8 – Hot e Oreia – “Saiu o Sol” (5)
Talvez sem querer a “Saiu o Sol”, que usa batidas do talentoso produtor mineiro Vhoor, resvalou numa questão do rap com marcas esportivas, principalmente quando o assunto é tênis. Nike ou Adidas? Parece uma questão menor, mas vai ver a relação dos maiores nomes do rap com as duas marcas.
9 – Luiza Brina – “Oração 12” (6)
Parte do novo EP de Luiza, sua parceria com Josyara, unindo suas vozes e violão é um momento de paz e reflexão que os dias pedem.
10 – Mateus Aleluia – “Amarelou” (9)
Amamos o disco do piauiense Valciãn. Tem várias boas e até cogitamos escolher duas para este Top 10 dentro do Top 50. Quem está atento ao ranking se lembra de que a gente já botou ele aqui quando um dos sons do disco ainda era single. Que brasilidade rica.
11 – Yannick Hara – “Eu Quero Mais Vida Pai” (7)
12 – Mai – “Bananeira de São Tomé” (8)
13 – Valciãn Calixto – “Nunca Fomos Tão Adultos” (10)
14 – Nuven (feat. Apeles) – “Janela” (11)
15 – Anne Jezini – “Céu de Lurex” (12)
16 – Pedro Pastoriz – “Chicletes Replay” (13)
17 – Wry – “Travel” (14)
18 – Gui Hargreaves – “No Fundo dos Seus Olhos” (15)
19 – ATR (feat. Michu) – “In My Stereo” (16)
20 – Thunderbird – “Insuportável” (17)
21 – Letrux – “Vai Brotar” (18)
22 – Apeles – “Tudo Que Te Move” (19)
23 – Compositor Fantasma – “Século XXI Antes de Cristo” (20)
24 – Viratempo (feat. Àyié) – “Vento” (21)
25 – Juliano Abramovay – Anzol (22)
26 – Iara Rennó – “Tara” (23)
27 – Ave Sangria – “Vendavais” (24)
28 – Elza Soares e Flávio Renegado – “Negão Negra” (27)
29 – Negro Leo – “Tudo Foi Feito pra Gente Lacrar” (29)
30 – Marcelo Perdido – “Bastante” (30)
31 – Rincon Sapiência – “Malícia” (31)
32 – Giovanna Moraes – “Sai por Inteira” (32)
33 – Nevilton – “Irradiar” (33)
34 – Amen Jr. – “Ladeira Abaixo” (34)
35 – Tuyo – “Sem Mentir” (35)
36 – Kunumí MC – “Xondaro Ka’aguy Reguá (Guerreiro da Floresta)” (36)
37 – Duda Brack – “Contragolpe” (37)
38 – Don L – “Kelefeeling” (38)
39 – Mahmundi – “Nós De Fronte” (39)
40 – Rico Dalasam – “Mudou Como?” (40)
41 – ÀIYÉ – “Pulmão” (41)
42 – Os Amanticidas – “Paisagem Apagada” (42)
43 – Coruja BC1 – “Baby Girl” (43)
44 – Edgar – “Carro de Boy” (44)
45 – Douglas Germano – “Valhacouto” (45)
46 – Kiko Dinucci – “Veneno” (46)
47 – Jhony MC – F.A.B. (47)
48 – Djonga – “Procuro Alguém (48)
49 – Vovô Bebê – “Êxodo” (49)
50 – Troá! – “Bicho” (50)

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* Entre parênteses está a colocação da música na semana anterior. Ou aviso de nova entrada no Top 50.
** Na vinheta do Top 50, a cantora gaúcho-paulistana Alfamor.
*** Este ranking é formulado por Lúcio Ribeiro e Vinícius Felix, talvez o maior estudioso da nossa CENA. Com uma pequena ajuda de nossos amigos, claro.

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TOP 50 DA CENA – Vivian Kuczynski chega ao topo. Hot e Oreia chegam de Nike ou Adidas. Boogarins encerra ciclo. Jup do Bairro encerra discussão. Que ranking!

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* Seis faixas inéditas e uma troca de liderança na cabeça desta lista. Semana das mais agitadas na nossa CENA, refletida no nosso ranking. A musicalidade, as variações de composições e ritmos, as letras, as vozes em cada uma das dez mais, as guitarras e não guitarras. Que ranking lindo que ficou, que tem ficado. Uma garota de 17 anos, uma trans, hip hop novo emulando hip hop, banda goiana do Texas, uma dupla zoeira de BH, um rapper japonês, uma cantora de Paragominas-Pará, um bardo piauiense. Que país é este!

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1 – Vivian Kuczynski – “Pele” (2)
Vivian adianta em seu EP lançado sexta-feira o que será sua nova fase. Voz e letras caprichadas seguem por lá, mas seu comando total na produção dá novos contornos e textura às suas músicas e letras. Mais eletrônica, mais experimental, certeira, tudo a seu controle. Um salto e tanto em uma carreira promissora, não cansamos de avisar. E não cansamos de lembrar: ela tem só 17 anos.
2 – Boogarins – “Cães do Ódio” (Estreia)
Após anos loucos e intensos do Boogarins em disco novos e turnês de mil shows mundo afora, a banda resolve olhar o passado e abre o báu em um álbum de sobras e sonhos perdidos por aí. Em um disco especial que parece revelar um pouco sobre como a banda pensa, as músicas e ideias soam mais deliciosas para os fãs, mas ainda interessantes aos novatos. E marcam um fim de ciclo.
3 – Jup do Bairro – “Luta por Mim” (Estreia)
Enquanto 2020 não virar, não vamos parar de elogiar o EP de Jup do Bairro por aqui. Uma de suas melhores faixas, a parceria com Mulambo, ganhou um vídeo e tanto e por isso recuperamos ela aqui no Top 50. O vídeo fecha uma trilogia que completa o papo do disco. Pode ir lá assistir, depois você volta para continuar o ranking. Esta música é gigante, pois necessariamente atual.
4 – Dexter, Djonga, Coruja BC1, KL Jay, Will – “Voz Ativa” (1)
Uma regravação em uma lista de músicas novas não parece a melhor das ideias. Não é o caso aqui. Clássico dos Racionais refeito nas mãos de Kl Jay e seu filho, Will, “Voz Ativa” soa bem ao comando do Dexter e as participações de Djonga e Coruja. O vídeo da nova e velha geração do rap chega a emocionar de tão legal. Um registro que celebra os quase 30 anos de hino dos Racionais e a velha constatação sobre o que trata esse grito da periferia: pouco ou nada mudou.
5 – Hot e Oreia – “Saiu o Sol” (Estreia)
Talvez sem querer a “Saiu o Sol”, que usa batidas do talentoso produtor mineiro Vhoor, resvalou numa questão do rap com marcas esportivas, principalmente quando o assunto é tênis. Nike ou Adidas? Parece uma questão menor, mas vai ver a relação dos maiores nomes do rap com as duas marcas.
6 – Luiza Brina – “Oração 12” (Estreia)
Parte do novo EP de Luiza, sua parceria com Josyara, unindo suas vozes e violão é um momento de paz e reflexão que os dias pedem.
7 – Yannick Hara – “Eu Quero Mais Vida Pai” (Estreia)
Yannick sempre está por aqui no nosso top com seu bom disco de hip hop futurístico temático lançado neste ano. Desta vez, destaque ao novo single dele, com outra artista que curtimos bastante, a mineira Sara Não Tem Nome. Que música!
8 – Mai – “Bananeira de São Tomé” (Estreia)
A composição inédita de Luís Carlos Sá, da dupla Sá e Guarabira. ficou bonita na versão da cantora Paraense MAI. Segundo a artista, a música marca uma virada estética em sua carreira, que já teve outros passos. Vamos ficar atentos as novidades.
9 – Mateus Aleluia – “Amarelou” (4)
A beleza de um disco de Mateus Aleluia em 2020 é um presente que ilumina este ano esquisito. Aqui, na produção de Ronaldo Evangelista e com músicos da CENA por perto, como Thiago França, Sérgio Machado, entre outros, a conversa de Mateus se aproxima da nova geração, que já se ligou na importância dele e dos Tincoãs. “Amarelou” ainda conta com, “apenas”, João Donato. Já frequenta o top 10 daqui há algumas semanas e ninguém tira. Tirar como?
10 – Valciãn Calixto – “Nunca Fomos Tão Adultos” (8)
Amamos o disco do piauiense Valciãn. Tem várias boas e até cogitamos escolher duas para este Top 10. Quem está atento ao ranking se lembra de que a gente já botou ele aqui quando um dos sons do disco ainda era single. Que brasilidade rica.
11 – Nuven (feat. Apeles) – “Janela” (7)
12 – Anne Jezini – “Céu de Lurex” (6)
13 – Pedro Pastoriz – “Chicletes Replay” (5)
14 – Wry – “Travel” (3)
15 – Gui Hargreaves – “No Fundo dos Seus Olhos” (9)
16 – ATR (feat. Michu) – “In My Stereo” (10)
17 – Thunderbird – “Insuportável” (11)
18 – Letrux – “Vai Brotar” (12)
19 – Apeles – “Tudo Que Te Move” (13)
20 – Compositor Fantasma – “Século XXI Antes de Cristo” (14)
21 – Viratempo (feat. Àyié) – “Vento” (15)
22 – Juliano Abramovay – Anzol (16)
23 – Iara Rennó – “Tara” (17)
24 – Ave Sangria – “Vendavais” (18)
25 – Thiago Nassif – “Voz Única Foto Sem Calcinha” (19)
26 – Ovo ou Bicho – “Moços” (20)
27 – Elza Soares e Flávio Renegado – “Negão Negra” (21)
28 – Jonnata Doll e os Garotos Solventes – “Filtra Me”(22)
29 – Negro Leo – “Tudo Foi Feito pra Gente Lacrar” (25)
30 – Marcelo Perdido – “Bastante” (28)
31 – Rincon Sapiência – “Malícia” (31)
32 – Giovanna Moraes – “Sai por Inteira” (32)
33 – Nevilton – “Irradiar” (33)
34 – Amen Jr. – “Ladeira Abaixo” (34)
35 – Tuyo – “Sem Mentir” (35)
36 – Kunumí MC – “Xondaro Ka’aguy Reguá (Guerreiro da Floresta)” (36)
37 – Duda Brack – “Contragolpe” (37)
38 – Don L – “Kelefeeling” (38)
39 – Mahmundi – “Nós De Fronte” (39)
40 – Rico Dalasam – “Mudou Como?” (40)
41 – ÀIYÉ – “Pulmão” (41)
42 – Os Amanticidas – “Paisagem Apagada” (42)
43 – Coruja BC1 – “Baby Girl” (43)
44 – Edgar – “Carro de Boy” (44)
45 – Douglas Germano – “Valhacouto” (45)
46 – Kiko Dinucci – “Veneno” (46)
47 – Jhony MC – F.A.B. (47)
48 – Djonga – “Procuro Alguém (48)
49 – Vovô Bebê – “Êxodo” (49)
50 – Troá! – “Bicho” (50)

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* Entre parênteses está a colocação da música na semana anterior. Ou aviso de nova entrada no Top 50.
** Na vinheta do Top 50, a incrível Vivian Kuczynski.
*** Este ranking é formulado por Lúcio Ribeiro e Vinícius Felix, talvez o maior estudioso da nossa CENA. Com uma pequena ajuda de nossos amigos, claro.

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CENA – Benke conta a história de “Manchaca”, disco novo e texano que o Boogarins lança hoje

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capa MANCHACA

* A grande banda goiana-porém-do-mundo Boogarins lança hoje o primeiro volume de sua série “Manchaca”, disco que representa a temporada que o quarteto passou em 2016 na casa de mesmo nome em Austin, Texas. E que marcaria ainda o nascedouro dos dois discos seguintes do grupo, o EP “La Vem a Morte” (2017) e o álbum “Sombrou Dúvida” (2019).

Essas sobras da Manchaca, que forma esses dois volumes de álbuns de agora, representam também um fim de ciclo para o Boogaris, o fim da “fase texana” da banda, um reajuste de contas com o passado musical recente de uma banda tão nova como tarimbada no mercado internacional.

Um novo Boogarins vem aí, depois que “Manchaca Vol. 2” ser lançado.

Para explicar todo esse processo, melhor deixar o guitarrista Benke Ferrar explicar ele mesmo, com exclusividade para a Popload.

Fala, Benke!

BOOGARINS 4 crédito Ann Alva Wieding

“A Manchaca representou essa estabilidade para o Boogarins, esse local que proporcionou a gente fazer essa série de coisas enquanto banda que nunca tínhamos feito ainda. Em 2016 o Ynaiã [Benthroldo, baterista] já estava tocando com a gente tinha dois anos, mas ainda não havia entrado em estúdio conosco. O Boogarins estava indo para vários rumos diferentes musicalmente, compondo as canções mais pop que já tínhamos feito, como ‘Foimal’, ‘Te Quero Longe’, ‘Corredor Polonês’, e então a gente tinha todas essas músicas sendo cozinhadas nas nossas cabeças, tocando elas como jam ora ou outra, sem saber exatamente o que queríamos fazer com elas.

Em 2015 o ‘Manual’ [segundo álbum do Boogarins] já tinha sido esse disco todo analógico, tudo na fita. E a possibilidade de parar ali na casa do pessoal selo, em Austin, ao lado do estúdio que a gente usaria para as próximas gravações, depois de praticamente três meses de turnê nos EUA, abrindo para o Andrew Bird e tocando com a banda sueca Dungen, foi bem oportuna. Depois ainda de ir para Portugal para fazer o Rock in Rio Lisboa…

Daí a gente volta para os EUA para ficar esses quase dois meses nessa casa que nem era tão central em Austin. Era numa região afastada da 6th Street [famosa rua cheia de bares e casas de shows da cidade, área principal do festival South by Southwest, por exemplo], tinha que pegar dois ônibus para chegar nela ou pagar 20 dólares de Uber. Era um lugar, uma moradia que a gente acabou ficando por lá mesmo, sem sair muito.

O que a gente curtiu de noite de Austin, nesse período, foram os shows que a gente fez de residência no Hotel Vegas ou um concerto ou outro que a gente queria ver mesmo, tipo o que fomos quando a Rakta [banda de São Paulo] tocou no Mohawk. Teve a vez em que abrimos para o Holy Wave quando o Ringo Deathstarr precisou cancelar e souberam que a gente estava na cidade para tocar no lugar. Sendo que a gente já tinha planejado ir nesses shows mas havíamos desistido, porque não queríamos gastar essa grana para se locomover para lá e ainda pagar o ingresso. Então uma série de coisas aconteceram que foi legal também para marcar também essa estadia na Manchaca e fazer parecer também que éramos a banda mais texana do Brasil.

Tivemos então esse processo de dois meses que tivemos na casa, com todo o equipamento alugado e um estúdio ali à disposição para gravarmos as coisas no nosso tempo, mas nesse momento de fechar o disco e sentir que o nosso terceiro álbum [Sombrou Dúvida] seria o grande disco do Boogarins a gente deu uma titubeada. E nessa coisa de repensar um pouco decidimos voltar depois para Austin, para a Manchaca, em 2018, quando a gente estava indo tocar no Coachella, para usar novamente aquele estúdio ao lado, o Space, com a engenharia do Tim Gerron [engenheiro de som e produtor], e também para trabalharmos focados, ter horários, ter esse sentido de produzir para sermos mais objetivos e finalizar o terceiro disco, uma vez que essas músicas pintaram ali no estúdio, nessa segunda vez na Manchaca, como ‘Dislexia ou Transe’, ‘Nós’, ‘As Chances’, ‘Desandar’, as músicas que deram corpo para o ‘Sombrou Dúvida’.

Aí a gente meio que se desapegou de algumas faixas da casa e construiu o ‘Lá Vem a Morte’ [disco anterior ao ‘Sombrou Dúvida’, considerado um EP], de surpresa para soltar para a galera em 2018, antes de lançar o álbum. E então tudo o que teria sobrado da casa entraria no ‘Sombrou Dúvida’, mas novamente a gente gastou uma cabeça extra ali e resolveu voltar para o Space mais uma vez em 2018 quando fomos fazer o Coachella na Califórnia para produzir mais músicas. Tentar entrar na Manchaca novamente para criar e ver o que sairia daquilo, se surgiria uma grande canção para incrementar mais o ‘Sombrou Dúvida’ e ter mais material para começar a trabalhar um outro disco depois. Dessa última sessão, saiu a própria ‘Sombrou Dúvida’, a música, que foi a última a ser finalizada para o disco.

E aí ficamos com esse monte de sobra que agora vai ser toda desaguada nestes dois volumes do ‘Manchaca’, para assim a gente poder encerrar um ciclo e entrar nesta era pós gravações em Austin sem estarmos realmente requentando nenhuma ideia ou apegados a qualquer ideia de canção ou estética de gravação que começamos a desenvolver ali a partir de 2016 e foi levada com a gente até a Manchaca.”

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Ouça o álbum “Manchaca Vol. 1 – A Compilation of Boogarins Memories, Dreams, Demos and Outtakes from Austin, Tx” e veja o documentário que a banda lançou desse período importantíssimo para eles e inclui até cenas das apresentações no festival South by Southwest em 2019.

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* A foto do Boogarins utilizada na home da Popload é de Valéria Pacheco. A imagem da banda neste post é de autoria de Ann Alva Wieding.

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CENA – A inocência de um Fefel sonhador embala novo vídeo do Boogarins

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* A banda goiana Boogarins lança no próximo dia 28 uma coletânea de demos e outtakes gravados numa temporada em Austin, Texas, que registra o bastidor criativo dos dois últimos discos de estúdio da banda, os ótimos “Lá Vem a Morte” (2017) e “Sombrou Dúvida” (2019).

O álbum se chama “Manchaca” e terá dois volumes. Esse que sai ainda neste mês é o primeiro deles. O lançamento dos discos serão feitos a partir do selo americano OAR e a princípio chegam primeiro aos streamings, depois deve ganhar os sulcos de vinil.

Captura de Tela 2020-08-07 às 11.06.32 AM

Para um “warm up” do lançamento de “Manchaca”, volume 1, a banda mostra hoje o vídeo de uma das faixas do disco, “Inocência”, single que saiu em abril e entrou num compacto limitado que a banda vende em sua loja online.

“Inocência” é uma das duas músicas de “Manchaca” que são cantadas pelo baixista e futuro candidato à presidência Raphael Vaz, o Fefel. E é ele que estrela o vídeo, com uma historinha de presságio contida.

As imagens são de um show em São Paulo na Casa Natura, o último da banda na cidade pré-pandemia. A banda realizou nesta semana uma performance na Casa do Mancha, mas em caráter de live, sem público.

“Inocência” pode ser um outtake dos Boogarins. Mas já foi dito aqui que, vindo deles, até os “outtakes” costumam ser bem bons.

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