Em boogarins:

Top 50 da CENA – O ranking deixa Gustavo Bertoni e Giovanna Moraes entrarem em primeiro. Um raro e saudoso Jupiter Apple pega o segundo posto. E Yung Buda, em terceiro, deixa tudo mais esquisito

1 - cenatopo19

* E vamos de mais um capítulo da nossa CENA, traduzida numa “parada de sucessos” instantânea. Com um primeiro lugar que parece quase nascido a partir deste Top 50, com a união de dois personagens que já frequentaram este espaço em outras ocasiões. Uma união recente que já nasce com cara de que sempre existiu – algo especial mesmo. Nas outras vagas, novidades do rap nacional, do indie-pop gaúcho e um resgate valioso do acervo de Júpiter Apple, entre outras novidades.

gioguquadradax

1 – Gustavo Bertoni e Giovanna Moraes – “Como Queria Te Deixar Entrar” (Estreia)
Acho que o Gustavo é leitor da Popload, hein? Parceria com a YMA, com o Apeles e agora com a Giovanna. Notamos um padrão com “prediletos da casa”. Mas, brincadeiras à parte, deu muito certo a união dele com a fora-da-curva Giovanna Moraes. Amigos pelas redes sociais inicialmente, aqui eles parecem parceiros das antigas, tal a conexão nas vozes e na letra – que é dela, mas soa muito verdadeira na voz do Gustavo. A música ainda ganha pontos pelos diferentes climas que consegue criar, chegando até a ficar bem abstrata antes de voltar ao “normal” – como um nó que se desfaz para ser refeito.

2 – Jupiter Apple – “Cerebral Sex (The Apple Sound)” (Estreia)
Astronauta Pinguim, Clegue França, Laura Wrona e Júpiter Apple formaram a The Apple Sound, a banda paulistana de Jupiter. Talvez você nunca tenha ouvido falar, porque esse quarteto durou apenas três shows em 2009. “Cerebral Sex”, único registro deles em estúdio, foi revelada pelo diretor de vídeos André Peniche, amigo do músico gaúcho, que já tinha ajudado na descoberta do disco solo perdido dele.

3 – Yung Buda – “Digimon” (Estreia)
Interessante a experimentação do Yung Buda, rapper de Jundiaí, aqui em um som superclimático, com levada de corda e de letra quase enigmática e repetitiva, um formato ousado e raro. Só que a repetição deixa tudo com cara de um som que não parece ter fim e que a gente fica desejando que não acabe mesmo.

4 – AkEEM MUSIC – “Eu Já Amei Uma Ginasta” (Estreia)
E, se eu te falar que você, ao ouvir esta música, vai ficar com o verso “Eu já amei uma ginasta” na cabeça. Parece algo improvável, certo? Mas o músico gaúcho consegue esse feito, ainda que provavelmente você nunca tenha se apaixonado por um ginasta. E o verso inusitado soa lógico neste indie-pop grudento produzido por Akeem.

5 – FEBEM – “Crime” (1)
Quantos jovens estariam encarcerados no Brasil se lidássemos com a questão das drogas de uma maneira mais inteligente que o combate violento que extermina parte da nossa juventude, especialmente periférica e negra? Quando FEBEM comenta “Dizem que cometemos crime” ele pensa essa perspectiva ao sentir que sua existência é criminalizada – por isso que ele começa o refrão com os versos “Uns finge, outros vive o crime”. Como responder a uma violência dessas desde o berço? “Na vida algumas coisa é como um Golf GTI/ Não cura minha dor, mas mesmo assim vou adquirir.”

6 – Aquino e a Orquestra Invisível – “Os Prédios Cinzas e Brancos da Av. Maracanã” (2)
Cara, o que acontece no Rio de Janeiro que a CENA local não para de dar bons frutos, hein? E o mais doido é que é tudo um som meio estranho que lembra muito coisas paulistanas. Um Rio mais da cidade do que da praia. Um Rio mais cinza. Mais de falar do que (se) mostrar. Nessas entra o som desse trio tijucano que consegue aliar uma longa narrativa de solidão com um dos refrões mais melancólicos e bonitos do ano.

7 – Boogarins – “Supernova” (3)
No disco de sobras e sonhos do Boogarins, eis uma música que poderia estar fácil em um dos álbuns oficiais dos meninos goianos. Talvez caiba numa lista de melhores deles? É muito? “Supernova” é bonitaça demais, por onde se olhe. Na letra, na dinâmica que vai se alterando sutilmente pelos versos, na voz suave do Dinho. E na mensagem da música: “Se tudo está pronto, que resta eu inventar? O novo é qualquer lugar”.

8 – Moons – “Love Hurts” (4)
Mal lançaram um bom EP, os mineiros do Moons resolveram soltar um single que é dos melhores trabalhos da banda. A gente imagina aqui um Jeff Buckley pirando nesse som superclimático que vai crescendo, ali numa das montanhas próximas a Belo Horizonte, onde nem um café quentinho vai aplacar essa ferida de amor.

9 – BaianaSystem – “Brasiliana” (Estreia)
Quando achamos que o BaianaSystem já tinha apresentado todas as músicas de seu novo álbum, eles revelam que a versão completa de “OXEAXEEXU”, que reúne os três atos lançados em diferentes EPs, tem uma faixa extra, um som com participação de Chico Cesár e Mintcho Garrammone, dono do instrumental de outro hit da banda, “Lucro (Descomprimindo)”. Nos versos espertos desta aqui destacada, recados como: “Vai, Brasiliano, você nunca foi norte-americano”.

10 – Bárbara Eugênia – “Hold Me Now” (Estreia)
Em uma persona diferente, no caso Djane Fonda, uma DJ, Bárbara se arrisca em uma produção eletrônica de clima quase de “Twin Peaks” – soturno e dançante. E, em breve, esse alterego da niteroiense deve lançar mais músicas. Fiquemos atentos.

11 – NoPorn – “Festa No Meu Quarto” (5)
12 – Jair Naves – “Vai” (6)
13 – FEBEM – “México” (7)
14 – Sophia Chablau e uma Enorme Perda de Tempo – “Delícia/Lúxuria” (8)
15 – Carmem Red Light – “Faith No More” (9)
16 – Jadsa – “Olho de Vidro” (10)
17 – Giovanna Moraes – “Boogarins’ Are You Crazy?” (11)
18 – Lupe de Lupe – “Resplendor” (12)
19 – Yannick Hara – “Raça Humana” (13)
20 – Jota Ghetto – “Vagabounce” (14)
21 – Uana – “Mapa Astral” (15)
22 – Mayí – “Sedenta” (16)
23 – BaianaSystem – “Reza Frevo” (17)
24 – Hierofante Púrpura – “Tbm Sou Hipster” (18)
25 – Jadsa – “Sem Edição” (19)
26 – Thiago Elniño – “Dia De Saída” (20)
27 – Luna Vitrolira – “Aquenda” (21)
28 – FBC – “Gameleira” (22)
29 – Rico Dalasam – “Última Vez” (23)
30 – YMA – “White Peacock” (24)
31 – Frank Jorge e Kassin – “Tô Negativado” (25)
32 – Mbé – “Aos Meus” (26)
33 – Giovanna Moraes – “Tudo Bem?” (27)
34 – Rico Dalasam – “Estrangeiro” (28)
35 – Rico Dalasam – “Expresso Sudamericah” (29)
36 – Jadsa – “Lian” (30)
37 – Djonga – “Eu” (31)
38 – Lupe de Lupe – “Cabo Frio” (32)
39 – LEALL – “Pedro Bala” (33)
40 – Barro e Luísa e os Alquimistas – “De Novo” (34)
41 – Filipe Ret – “F* F* M*” (35)
42 – Jadsa – “Raio de Sol” (36)
43 – BNegão – “Salve 2 (Ribuliço Riddim)” (37)
44 – Vanessa Krongold – “Dois e Dois” (38)
45 – Ale Sater – “Peu” (39)
46 – Jupiter Apple – “AJ1” (40)
47 – Apeles – “Eu Tenho Medo do Silêncio” (41)
48 – Rohmanelli – “Viúvo” (43)
49 – Ale Sater – “Nós” (49)
50 – Jadsa – “A Ginga do Nêgo” (50)

*****

*****

* Entre parênteses está a colocação da música na semana anterior. Ou aviso de nova entrada no Top 50.
** Na vinheta do Top 50, o duo ocasional Gustavo Bertoni e Giovanna Moraes.
*** Este ranking é pensado e editado por Lúcio Ribeiro e Vinícius Felix. Com uma pequena ajuda de nossos amigos, claro.

>>

Popnotas – As massinhas do Dinosaur Jr. A cura do Boogarins. A live da Kali Uchis. A música “21/04/20” do Kero Kero Bonito

>>

– Banda da qual eu tenho uma camiseta *usável ainda* de 1993, o grande Dinosaur Jr, de J.Mascis, lançou hoje novo single, chamado “Take It Back”. A música faz parte do 12º álbum do grupo amiguinho do Nirvana, que vai ser lançado nesta sexta agora, o “Sweep It into Space”. O single, claro, vem com um vídeo, este em animação de massinhas. Ele dá vida ao bichinho que está na capa do disco. “Take It Back” é o terceiro single do novo álbum. Já conhecemos “Garden” e “I Ran Away”, todas boas e calmamente barulhentinhas, no jeito agridoce do Dinosaur Jr de ser. A banda criou ainda um fantasy camp, fora de Nova York, que acontece de 27 a 30 de julho, com alguns eventinhos “reais” mas na manha da volta à vida normal (deles, não a nossa). Terá shows, workshop e leitura ao vivo de um romance. Né?

– Quer a cura? Quer ser libertado? O grupo goiano-texano Boogarins promete tudo isso hoje à noite, 21h no Youtube deles, na continuação da série “Boogarins: Sessões de Cura e Libertação”, que chega hoje ao quarto episódio. Papos loucos, cenas aleatórias, trechos de shows, merch inusitada, bate-papo com a banda nos comentários do vídeo e até músicas fazem parte do rolê imagético-lisérgico-interativo criado pela banda com orientação visual a cargo do onipresente diretor de arte Gabriel Rolim. Prepara-se para levitar. Todos os três últimos estão disponíveis aqui, aqui e aqui.

booga

– Amanhã, dia 22, bem aqui, a destemida bombshell americana Kali Uchis, de alma colombiana e foto on fire na nossa home, vai fazer uma livestream performática cantando e dançando e sabe-Deus-o-que-mais de seu novo disco-campeão, o #1 “Sin Miedo (del Amor y Otros Demonios)”, seu primeiro disco em espanhol. Será a primeira aparição, dentre outras músicas, de seus recentes singles, “Telepatía” e “Te Pongo Mal”. No horário brasileiro, de Brasília quero dizer, a transmissão começa às 22h. Encararemos fácil, não?

– A mutante banda indie inglesa Kero Kero Bonito, influenciada fortemente por rap japonês (!), de dois álbuns e cinco EPs, celebra hoje o quinto desses discos pequenos, o “Civilisation II”, continuação do EP parte-um de 2019. E para chamar a atenção para esse novo trabalho, eles lançam ainda, neste 21/04/2021, o single-vídeo “21/04/20”, que conta mais ou menos o que aconteceu com a banda há exato um ano. O vídeo conta, foi o que eu entendi. Constituem este “Civilisation II”, além do single de hoje (mesmo!), as músicas “The Princess and the Clock” e “Well Rested”. Vai a voz-zinha fofa da Sarah Bonito aí?

>>

Top 50 da CENA – FEBEM lidera o ranking (de novo), Aquino e a Orquestra Invisível devolve a leveza ao top 3 e o Boogarins não larga de ser lindo. E podia ser Moons, NoPorn e Jair Naves que estaria tudo bem

>>

* No episódio desta semana do TOP 50 da CENA, a gente ainda mostra uma certa obsessão pelo disco novo do rapper FEBEM e volta a premiá-lo com o topo usando mais uma faixa do seu grande álbum “Jovem OG”. Voltamos também a se espantar com as conexões indies que andam deixando paulistas com cara de carioca e vice-versa. Voltamos novamente a nos derreter pelo Boogarins e seu trabalho de sobras onde sobram tesouros a serem garimpados. Mas, olha só, também desbravamos novos territórios, já que não gostamos de ficar na mesma, não.

topaquinoquadrada

1 – FEBEM – “Crime” (Estreia)
Quantos jovens estariam encarcerados no Brasil se lidássemos com a questão das drogas de uma maneira mais inteligente que o combate violento que extermina parte da nossa juventude, especialmente periférica e negra? Quando FEBEM comenta “Dizem que cometemos crime” ele pensa essa perspectiva ao sentir que sua existência é criminalizada – por isso que ele começa o refrão com os versos “Uns finge, outros vive o crime”. Como responder a uma violência dessas desde o berço? “Na vida algumas coisa é como um Golf GTI/ Não cura minha dor, mas mesmo assim vou adquirir.”

2 – Aquino e a Orquestra Invisível – “Os Prédios Cinzas e Brancos da Av. Maracanã” (Estreia)
Cara, o que acontece no Rio de Janeiro que a CENA local não para de dar bons frutos, hein? E o mais doido é que é tudo um som meio estranho que lembra muito coisas paulistanas. Um Rio mais da cidade do que da praia. Um Rio mais cinza. Mais de falar do que (se) mostrar. Nessas entra o som desse trio tijucano que consegue aliar uma longa narrativa de solidão com um dos refrões mais melancólicos e bonitos do ano.

3 – Boogarins – “Supernova” (4)
No disco de sobras e sonhos do Boogarins, eis uma música que poderia estar fácil em um dos álbuns oficiais dos meninos. Talvez caiba numa lista de melhores deles? É muito? “Supernova” é bonitaça demais, por onde se olhe. Na letra, na dinâmica que vai se alterando sutilmente pelos versos, na voz suave do Dinho. E na mensagem da música: “Se tudo está pronto, que resta eu inventar? O novo é qualquer lugar”.

4 – Moons – “Love Hurts” (Estreia)
Mal lançaram um bom EP, os mineiros do Moons resolveram soltar um single que é dos melhores trabalhos da banda. A gente imagina aqui um Jeff Buckley pirando nesse som superclimático que vai crescendo, ali numa das montanhas próximas a Belo Horizonte, onde nem um café quentinho vai aplacar essa ferida de amor.

5 – NoPorn – “Festa No Meu Quarto” (Estreia)
O mítico electrosexy duo NoPorn adaptado aos novos tempos. Instituição das melhores festas paulistanas, a dupla hoje formada por Liana Padilha e Lucas Freire leva a pista para outro lugar, um mais íntimo, seu quarto, nosso quarto, de quem estiver disposto a aceitar o convite charmoso do duo enquanto pandemias e lockdowns ou meio-lockdowns perdurar. Sabe a onda de cantar falando, Florence Shaw? Dá uma ligada na Liana.

6 – Jair Naves – “Vai” (Estreia)
Na dolorida e talvez de amplos sentidos “Vai”, Jair consegue reunir um som que soa quase “estragado” – tanto que faz a gente checar se o computador não está travando – com talvez o que seja uma de suas canções mais “certinhas”, com a melodia vocal e instrumental se encaixando docemente. Bonito. E a gente fica na dúvida, aqui. Será que ele está mesmo comentando um relacionamento aí?

7 – FEBEM – “México” (1)
Se na música lá de cima FEBEM comenta a dualidade da palavra “crime” no Brasil, “México” tem a esperta sacada em inverter um lugar comum do rap – em linhas gerais, não temos um rapper versando sobre o crime, mas o inverso. Ou quase, já que o final da música adiciona um mistério sobre o narrador e nubla as ideias. Para pegar o filme completo, só escutando o disco todo. O que não é nenhum trabalho, acredite.

8 – Sophia Chablau e uma Enorme Perda de Tempo – “Delícia/Lúxuria” (2)
Mais algumas conexões da CENA carioca atual com a CENA paulistana de outrora, tudo junto e misturado e fazendo o maior sentido. Mas aqui no sentido contrário da coisa, já que temos uma banda de paulistas, herdeiros do grupo Rumo, soando muito como os novos cariocas que soam como paulistas do grupo Rumo, para completar o interessante rolê geográfico-temporal. Entende?

9 – Carmem Red Light – “Faith No More” (Estreia)
Carmem Red Light, artista trans brasileira radicada na Europa há mais de 20 anos, mexe com muitas coisas em seu neste single. Ela, que nasceu em Cajazeiras, no interior da Paraíba, e hoje é cidadã londrina, assume um lado “Marilyn Manson encontra David Bowie” e ainda mexe com religião e sexualidade. O som é soturno? Sim, mas por que não seria, dadas as circunstâncias todas?

10 – Jadsa – “Olho de Vidro” (3)
Quantas semanas de Jadsa já no Top 10?

11 – Giovanna Moraes – “Boogarins’ Are You Crazy?” (8)
12 – Lupe de Lupe – “Resplendor” (5)
13 – Yannick Hara – “Raça Humana” (6)
14 – Jota Ghetto – “Vagabounce” (7)
15 – Uana – “Mapa Astral” (9)
16 – Mayí – “Sedenta” (10)
17 – BaianaSystem – “Reza Frevo” (11)
18 – Hierofante Púrpura – “Tbm Sou Hipster” (12)
19 – Jadsa – “Sem Edição” (13)
20 – Thiago Elniño – “Dia De Saída” (14)
21 – Luna Vitrolira – “Aquenda” (15)
22 – FBC – “Gameleira” (16)
23 – Rico Dalasam – “Última Vez” (17)
24 – YMA – “White Peacock” (18)
25 – Frank Jorge e Kassin – “Tô Negativado” (19)
26 – Mbé – “Aos Meus” (20)
27 – Giovanna Moraes – “Tudo Bem?” (21)
28 – Rico Dalasam – “Estrangeiro” (22)
29 – Rico Dalasam – “Expresso Sudamericah” (23)
30 – Jadsa – “Lian” (24)
31 – Djonga – “Eu” (25)
32 – Lupe de Lupe – “Cabo Frio” (26)
33 – LEALL – “Pedro Bala” (27)
34 – Barro e Luísa e os Alquimistas – “De Novo” (29)
35 – Filipe Ret – “F* F* M*” (30)
36 – Jadsa – “Raio de Sol” (31)
37 – BNegão – “Salve 2 (Ribuliço Riddim)” (32)
38 – Vanessa Krongold – “Dois e Dois” (33)
39 – Ale Sater – “Peu” (34)
40 – Jupiter Apple – “AJ1” (35)
41 – Apeles – “Eu Tenho Medo do Silêncio” (36)
42 – Lupe de Lupe – “Goiânia” (37)
43 – Rohmanelli – “Viúvo” (38)
44 – Boogarins -“Far and Safe” (39)
45 – Rincon Sapiência – “Som do Palmeiras” (40)
46 – Monna Brutal – “Neurose” (41)
47 – Luna França – “Terapia” (42)
48 – Yannick Hara – “Antidepressivos” (43)
49 – Ale Sater – “Nós” (44)
50 – Jadsa – “A Ginga do Nêgo” (45)

*****

*****

* Entre parênteses está a colocação da música na semana anterior. Ou aviso de nova entrada no Top 50.
** Na vinheta do Top 50, a banda carioca Aquino e a Orquestra Invisível.
*** Este ranking é pensado e editado por Lúcio Ribeiro e Vinícius Felix. Com uma pequena ajuda de nossos amigos, claro.

>>

Popnotas – O documentário tombado da Karol Conká. O menor show do mundo na “Tiny Desk”. O volume dois do Boogarins. E as homenagens do Kid Cudi ao Kurt Cobain

>>

– A hoje nacionalmente polêmica rapper curitibana Karol Conká, que há poucos meses saiu algo cancelada do programa global “Big Brother Brasil”, do qual participou, com taxa de votação altíssima, está ganhando um mimo da emissora carioca, para ajudá-la na retomada de sua carreira. Vem aí o documentário “A Vida Depois do Tombo”, título muito bom que brinca não só com seu episódio no famoso reality quanto com seu maior sucesso, o single “Tombei”, de 2014. O doc sai no final do mês, dia 29, na Globoplay, prometendo “bastidores de seu novo projeto”, além do impacto do reality show em sua carreira.

***

– O menor show do mundo só poderia ter acontecido dentro da série “Tiny Desk”, do conglomerado de rádios americanas NPR. Esta performance especial foi feita, ainda que para a “Tiny Desk”, dentro da versão virtual do South by Southwest deste ano. E foi protagonizada pelo inovador trio de hip hop experimental Clipping., de Los Angeles. Foram seis músicas tinies em 15 minutos. Tipo impressionante de tão pequeno este show.

***

– Banda indie brasileira de alto padrão musical ainda que lançando demos, outtakes ou sonorizando memórias, o Boogarins acaba de lançar o volume 2 de seu “Manchaca”, disco que remonta à temporada que o quarteto goiano passou na casa de mesmo nome em Austin, Texas, em 2016, que resultaria no EP “La Vem a Morte”, de 2017, e no álbum “Sombrou Dúvida”, de 2019. O volume 1 foi lançado em agosto do ano passado. Este “Manchaca: A Compilation of Boogarins Memories, Demos and Outtakes from Austin, TX – Vol. 2” traz 12 faixas, sendo a última delas a “Far and Safe”, versão em inglês da famosa “Te Quero Longe”), que teve letra reformulada e vocal de Erika Wennerstrom, da banda Heartless Bastards, de Ohio. Contamos essa história aqui, há umas semanas. Abaixo, o disco todo.

***

– O importante rapper americano Kid Cudi foi a atração de anteontem do programa “Saturday Night Live”. No “SNL”, Cudi apresentou ao vivo duas músicas de seu sétimo disco, “Man on the Moon III: The Chosen”, lançado em dezembro: “Tequila Shots” e “Sad People”, esta última com o rapper cantando com um vestido floral, em um tributo a Kurt Cobain, ex-Nirvana, cujo 27º aniversário da morte por suicídio se deu semana passada. Várias vezes Cobain apareceu em palco ou capa de revista usando vestido. “Sad People” traz uma letra que pede carinho e amor a pessoas abatidas pela tristeza, na linha “mental health” que se espalhou pela música, em vários gêneros. Na primeira música interpretada pelo rapper, “Tequila Shots”, ele cantou com uma camiseta do saudoso comediante Chris Farley, ex-“SNL”, morto também nos anos 90, este por overdose de drogas. Por cima da camiseta, Kid Cudi vestia um desses sweaters de lã, verde, também uma marca de vestimenta de Cobain. Confira as duas performances com todas as homenagens, abaixo.

******

* A imagem que ilustra a chamada para este post na home da Popload é uma montagem tirada do site musical americano “Consequence of Sound”. E traz Kid Cudi e Kurt Cobain usando vestidos florais parecidos.

>>

CENA – Giovanna Moraes se supera no terceiro disco. Conheça “III”, um álbum cheio de camadas e que talvez você precise dele

1 - cenatopo19

* A cantora e multiinstrumentista Giovanna Moraes subverte a ordem musical ao lançar, hoje, “III”, seu terceiro trabalho, menor que um álbum, maior que um EP. Um disco, enfim. Ou melhor, o “Disco III”, com seis músicas.

É famoso no mundo da música o segundo álbum de um artista ou banda, o “second coming”, o desafio de fogo depois do álbum début, a “segunda gozada” mal (bem) traduzindo. Ou, biblicamente se me permite, a esperada segunda vinda à Terra de Cristo, talvez agora para presidir o juízo final.
Para Giovanna, seu “second coming” é o terceiro, o álbum “III”. Outra subversão.
Depois da estreia em 2018 com o gringo “Àchromatics”, todo em inglês, e o brasileiro “Direto da Gringa”, todo em português, do ano passado, ela condensa neste terceiro disco toda a simbologia do número três.

Em “III” Giovanna atingiu o equilíbrio e a união musical, como um triângulo. Que a olhos vistos equalizou perfeitamente as pontas de melodia, letra e voz.

O “III” também pode ser entendido como um grito por ajuda, porque por suas seis músicas ela fala de solidão, tristeza, angústia, rejeição. E três é o número de fogueiras necessárias para se pedir socorro no deserto, segundo o código universal.

gio1

O disco começa perguntando se está “Tudo Bem?”, com uma música entre o desespero e uma certa esperança, duelinho gostoso da sonoridade dramática que entra um indie-jazz que logo derruba a interrogação da pergunta do título. Posso estar me enganando, mas à medida que a canção cresce Giovanna vai cantando mais entorpecida, um pouco bêbada. São as coisas fazendo um efeito. Gênia.

((Dá uma olhada na capa do disco, abaixo. É Giovanna se abração, se dando um carinho, mas a capa é a representação que hoje, na situação em que vivemos, a gente precisa se abraçar, precisa se dar um carinho. Por isso a capa não tem um rosto. A gente sabe que é a cantora e multiinstrumentista. Mas poderia ser eu ou você))

Grudada vem o “hit” do disco, “Baile de Máscaras”, dessas para tocar em rádio de MPB, mas se ao vivo a guitarra for aumentada e ficar mais mal-comportada, vira ótima para uma pista de indie.
III, o álbum que parece um EP e vice-versa (número de música em um disco não faz muita diferença mais, né?), tem seis canções. Uma chamada “Rosalía”, um quase reggae abrasileirado que remete à Espanha, mas a uma outra Rosalía, não aquela.

Outra das músicas é “Boogarins’ Are You Crazy?”, uma cover de um Boogarins instrumental, que Giovanna botou vocal e tomou para ela. A original é a ótima “Are You Crazy, Julian?”, que a banda de Goiânia botou no primeiro volume de seu disco “Manchaca”. Qual teria ficado melhor? Não interessa. Virou outra música tão boa quanto.

“Gente Grande” e a gringa “Betray” mantém o nível de “III” e encerra o disco na medida. Não precisa de mais. Menos seria um pecado.

WhatsApp Image 2021-03-18 at 14.44.02

* Giovanna Moraes lançou, junto com o álbum em streaming, seis lyric vídeos criativos e caleidoscópicos, como são os altos e baixos de quem encontrou a música para tratar de seu mental health. A gente deixa aqui embaixo.

>>