Em boogarins:

Top 50 da CENA – Rapper carioca Leall manda a reall. Apeles chega mais. Lupe de Lupe quer encrenca. Rincon Sapiência também, de certo modo. Pah!

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* Numa queda produtiva, semana passada pensamos alto sobre as dificuldades da CENA brasileira em seguir lançando músicas e discos em tempos tão impróprios. Mas também ressaltamos que nossa CENA está das mais fortes e tem sabido caminhar na adversidade. Não deu outra. Semana de boas e poderosas canções. Tem um dos raps mais pesados do ano, tem experimentação sobre a função do artista, tem hip hop marqueteiro e apareceu até uma “diss track” indie. Cada ponto está mais explicado nos textinhos. Vamos a eles e a nossa já tradicional playlist, que dá a real dimensão de tudo.

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1 – LEALL – “Pedro Bala” (Estreia)
“Escupido a Machado” é o nome do primeiro álbum do rapper carioca LEALL, uma referência a uma fala do Mano Brown sobre sua história de vida, onde os ensinamentos constroem, mas os erros custam caro. “Pedro Bala”, segundo som do disco, é um pouco sobre isso, mas também sobre o cerco que se apresenta na vida dos jovens negros do Brasil. Um cerco material, mas também do imaginário – aspecto perverso do racismo estrutural brasileiro que consegue culpar suas vítimas na ida e na volta. Embora a referência do título seja do personagem criado por Jorge Amado em “Capitães de Areia”, a gente relembrou aqui do “Pedro Pedreiro” de Chico Buarque, outro personagem da música brasileira que sofre com as questões do imaginário.

2 – Jadsa – “Raio de Sol” (2)
O congraçamento da CENA brasileira em seu momento fértil dos últimos anos se dá à perfeição em “Raio de Sol”, o novo single da guitarrista baiana Jadsa com participações de Ana Frango Elétrico e Kiko Dinucci. Segunda música a ser apresentada de “Olho de Vidro”, o álbum a ser lançado, “Raio de Sol” é tão boa quanto o single anterior, a “A Ginga do Nego”, que você encontra mais abaixo, na sexta posição. E mais cheia de significados. A canção une a musicalidade da Bahia (Jadsa), Rio (Frango) e São Paulo (Kiko). Tem o samba, a MPB de vanguarda, o rock, psicodelia, “lá-lá-lás”, pausa, mudança de andamento. Vem disco do ano – sim, a gente trabalha nesse pique. Amanhã tem outra música dela a ser lançada. Curioso para saber nosso comportamento diante dela no Top 50 da semana que vem.

3 – Apeles – “Eu Tenho Medo do Silêncio” (Estreia)
Indie alta-cultura da CENA paulistana, o caprichoso Apeles vai se virando para se manter ocupado e criativo em tempos pandêmicos. Este single, que não vai fazer parte de nenhum álbum, nem do próximo EP dele, é resultado de um trabalho de reconstrução constante por arranjos diferentes em busca de experimentações. Vale reparar nos versos que ele colocou para tocarem ao contrário dentro da música: “Uma alusão ao sentimento de que precisamos ressignificar na raiz qual a função, hoje em dia, da arte na sociedade”, diz ele. Trabalho caprichado este – tanto que tentamos desvendar o tal verso e não conseguimos. Que truque será que ele usou?

4 – Lupe de Lupe – “Goiânia” (Estreia)
Evento um tanto quanto raro na CENA indie brasileira, o Lupe de Lupe tem aqui uma “diss track”, prática famosa dentro do hip hop americano principalmente, daquelas faixas de um artista construídas para falar mal de outro, falar mal da cena, falar mal de uma pessoa. No caso uma banda mineira espinafrando, veladamente ou não, uma das cenas independentes mais movimentadas do Brasil, a da capital de Goiás. A letra é pesada e versa dentro da cultura do cancelamento irrestrito ou da questão da “passada de pano”. Seja dando nomes aos bois ou não entregando o que se sabe ou acredita saber. Cita os sertanejos locais e o grande festival Bananada. A música em si é boa. Começa indie tipo Cake, com um fundo repetitivo de guitarra para servir de cama ao discurso da letra “dedo-na-cara”, e perto do fim, em clímax, crescendo, vira um hardcore de tom mais denunciador desta perspectiva MG vs. GO clara/não clara.

5 – Rohmanelli – “Viúvo” (Estreia)
Em denso toque eletrônico, até na voz, Rohmanelli vai fundo em uma questão complexa aqui sobre um relacionamento dos mais complicados: o nosso conosco mesmo. Quais amarras descartar? Como ser fiel a si mesmo? Treta pessoal musicada.

6 – Boogarins -“Far and Safe” (Estreia)
“Far and Safe” é a versão com letra em inglês de “Te Quero Longe”, som do álbum “Sombrou Dúvida” (2019), cantada pela Erika Wennerstrom, mais conhecida no underground americano como dona da banda Heartless Bastards, de Ohio. A readequação da letra é de autoria de John Schmersal (do Brainiac, integrante da última fase do Caribou). Se a gente entendeu certo, a gravação do instrumental é a mesma da versão original, mas comparando as duas parece que a nova está mais calibrada sonoramente. Não sabemos com certeza, mas deu essa impressão. O legal é que as duas são boas, seja em Goiânia, seja em Austin.

7 – Rincon Sapiência – “Som do Palmeiras” (Estreia)
A homenagem que o Rincon Sapiência escreveu para o tetracampeonato do Palmeiras na Copa do Brasil é uma propaganda de marca de roupa esportiva, nem devia estar aqui, mas tem o talento puro do hip hop nacional ali, se você perceber bem. Fora que mexeu bastante com um dos autores deste top 50. Então concordamos que a música merecia uma menção aqui, para além de clubismos. A sampleada do hino é classe, a cadência é boa, a letra empolga qualquer um, se você não ver só cores. Futebol evoca espírito esportivo e o momento é do Palmeiras, que tem o luxo de contar com o talento do Rincon para celebrar a fase. Os muitos músicos de outros times _e os outros times em si_ que lutem.

8 – Monna Brutal – “Neurose” (1)
Pega a vibe da rapper Monna Brutal já na chegada de “Neurose”, faixa do recém-lançado álbum “2.0.2.1.”: “Hoje eu acordei na neurose, quero botar fogo em tudo/ Estapear o presidente, dar um tiro em algum puto/ Derrubar umas estátuas, queimar instituições/ Saquear alguns comércios, dar prejuízo a patrões”. Esse é o clima da música. Partir para cima. Ação. Movimento. E tudo fica ainda melhor quando o som chega a um discurso editado da ex-presidenta Dilma que parece uma convocação à rebeldia – na real, a fala era contra os protestos violentos, mas o trecho recortado que viralizou.

9 – Luna França – “Terapia” (3)
O lindo segundo single da cantora entre muitas-outras-coisas Luna França aterrissa de bico nesta onda forte da música nova, aqui e lá, que é o indie-mental health, do qual temos falado bastante na Popload. Na canção, ela descreve um sentimento feio, em suas palavras, ou seja, faz terapia em tempo real mesmo. “Escrevi essa letra como se estivesse escrevendo um diário e refletindo sobre essa sensação de posse que é real e até bem comum. A gente não quer ver a pessoa triste, mas também não quer ver mais feliz que a gente.” Forte. Como é a canção em si.

10 – Yannick Hara – “Antidepressivos” (4)
Ainda no campo da mental health, Yannick Hara aborda por aqui outro aspecto da questão: o abuso de remédios como uma forma de afastar toda e qualquer dor (inclusive a da alma), uma forma de camuflar alguns problemas. O clima do som pega um tanto de The Cure nos momentos mais sombrios, uma vibe ointentista, céu nublado e um frio lá fora. E um frio mais doído lá dentro.

11 – Ale Sater – “Nós” (5)
12 – Jadsa – “A Ginga do Nêgo” (6)
13 – Sessa – “Grandeza” (7)
14 – Artur Ribeiro – “Fragmentação” (8)
15 – A Espetacular Charanga do França – “Cadê Rennan?” (9)
16 – Garotas Suecas – “Tudo Bem” (10)
17 – Winter – “Violet Blue” (11)
18 – Pluma – “Mais do Que Eu Sei Falar” (12)
19 – Tagore – “Tatu” (13)
20 – Kill Moves – “Perfect Pitch” (14)
21 – DJ Grace Kelly – “PPK” (15)
22 – Jamés Ventura – “Ser Humano” (16)
23 – Jovem Dionísio – “Copacabana” (17)
24 – Píncaro – “Leito de Migalhas” (18)
25 – Atalhos – “A Tentação do Fracasso” (19)
26 – Edgar – “Prêmio Nobel” (20)
27 – Jup do Bairro – “O Corre” e “O Corre” (Bixurdia Remix) (21)
28 – BK – “Mudando o Jogo” (22)
29 – Antônio Neves e Ana Frango Elétrico – “Luz Negra” (23)
30 – BaianaSystem e BNegão – “Reza Forte” (24)
31 – Compositor Fantasma – “Pedestres Violentas” (25)
32 – Zé Manoel – “Saudade da Saudade” (26)
33 – Gustavo Bertoni e Apeles – “Ricochet” (27)
34 – Jair Naves – “Todo Meu Empenho” (28)
35 – Kamau – “Nada… De novo” (29)
36 – Letrux – “Dorme Com Essa (Delirei)” (30)
37 – MC Fioti – “Bum Bum Tam Tam” (31)
38 – Rincon Sapiência – “Tem Que Tá Veno” (Verso Livre) (32)
39 – MC Carol – “Levanta Mina” (33)
40 – Marabu – “Capítulo 5: Sereno” (34)
41 – Criolo – “Fellini” (35)
42 – Linn da Quebrada – “quem soul eu” (36)
43 – Wry – “Absoluta Incerteza” (37)
44 – Rico Dalasam e Jup do Bairro – “Reflex” (38)
45 – YMA – “White Peacock” (39)
46 – Ana Frango Elétrico – “Mulher Homem Bicho” (40)
47 – Luedji Luna – “Chororô” (41)
48 – Black Alien – “Chuck Berry” (42)
49 – Vovô Bebê – “Bolha” (43)
50 – Sabotage e MC Hariel – “Monstro Invisível” (44)

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* Entre parênteses está a colocação da música na semana anterior. Ou aviso de nova entrada no Top 50.
** Na vinheta do Top 50, a rapper carioca Leall.
*** Este ranking é pensado e editado por Lúcio Ribeiro e Vinícius Felix. Com uma pequena ajuda de nossos amigos, claro.

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CENA – Boogarins vem aí com o volume dois de seu “Manchaca”. E lança single de versão em inglês de “Te Quero Longe”

1 - cenatopo19

* Em agosto do ano passado, a internacional banda goiana Boogarins lançava o primeiro volume de sua série “Manchaca”, disco que representa a temporada que o quarteto passou em 2016 na casa de mesmo nome em Austin, Texas e que marcaria ainda o nascedouro dos dois discos seguintes do grupo, o EP “La Vem a Morte” (2017) e o álbum “Sombrou Dúvida” (2019).

Pois, ainda desta fase texana, porque dá para dizer que, desde que foi formada em 2013, os Boogarins gravaram e tocaram mais no Texas do que em Goiás, vem aí “Manchaca Vol. 2 (A Compilation of Boogarins Memories Dreams Demos and Outtakes from Austin, TX)”, a chegar nas plataformas em 9 de abril.

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O anúncio do volume dois de “Manchaca” aparece junto com a divulgação de “Far and Safe”, a versão em inglês da música “Te Quero Longe”, faixa do “Sombrou Dúvida”. “Far and Safe” é cantada pela Erika Wennerstrom, mais conhecida no underground americano como dona da banda Heartless Bastards, de Ohio. A readequação da letra, para esta versão em inglês, é de autoria de John Schmersal (do Brainiac, integrante da última fase do Caribou).

Ficou assim:

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Encontro Boogarins e Ava Rocha encerra hoje o hiperreal Coquetel Molotov. Popload adianta 5 minutos da performance “crua” do show

1 - cenatopo19

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* Acaba hoje, com um show conjunto da banda goiana Boogarins e da incrível cantora carioca Ava Rocha, a longa edição virtal do tradicionalíssimo festival recifense Coquetel Molotov. O CQTL MLTV 2021 representou a 17ª edição do evento pernambucano, um dos mais longevos da CENA brasileira, que sempre foi importante e caprichado desde que o indie brasileiro era uma matagal intransponível.

O festival começou no dia 11 e trouxe um agito online que incluiu paineis de discussão, mentorias, oficinas e workshops, mas que teve seu auge ontem e vai ter hoje com a série de shows conceitual no Youtube do festival como se fosse um filme experimental único para abrigar atrações musicais, em duas partes.

São performances gravadas em estúdio em Recife (Criatório) e São Paulo (Fauhaus) transportadas em 3D para um cenário desenhado especialmente para o “cinema” que o Coquetel Molotov propõe como linguagem para aliviar o cansaço das lives comuns que inundaram o mundo virtual na pandemia.

De Alessandra Leão (PE) a Derek (SP), de Tuyo (PR) a Jup do Bairro (SP), o line-up do CQTL MLTV 2021 trouxe 20 nomes, grande parte dele da nova cena pernambucana. Essa última atração citada, a bombástica trans paulistana Jup do Bairro, é uma das boas atrações de hoje no Youtube do Coquetel.

O principal da noite e que fecha o festival é o grande encontro de Boogarins e Ava Rocha, do qual trazemos, ainda sem a aplicação do cenário, uns bons 5 minutos que trazem o pouco o clima desse encontro. Veja abaixo cru e confira mais tarde em cinema, no Coquetel Molotov, o show dos goianos com a musa indie carioca.

Depois, veja a parte 1 do filme musical do Coquetel Molotov, mostrado ontem no canal do festival.

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Melhores discos do ano da POPLOAD, nacional: praticamente um empate triplo, mas a baiana Luedji Luna ficou em primeiro

1 - cenatopo19

* A primeira coisa que me chamou a atenção na hora de decidir quais discos nacionais iam entrar no meu top 10 em particular, quando o comparei com o de álbuns internacionais, foi que eu ia ter que sacrificar mais discos da CENA brasileira em razão de escolher dez do que os álbuns gringos que eu deixei de fora.

Disse isso na edição que foi ao ar hoje do Popcast, o Podcast da Popload, apresentado por mim e pela minha fiel escudeira indie Isadora Almeida.

Nunca tinha me ocorrido isso em mil anos de Popload e rankings e escolhas. A CENA brasileira, claramente, e tendo meu humilde exemplo como… exemplo, está num tamanho gigantesco invejável para qualquer cena do planeta. Apesar de 2020 ter sido um ano tão desgraçado em vários níveis desta mesma CENA.

Doeu bastante em mim fazer este top 10, doeu também na Isadora, soube que doeu também para a semiload Dora Guerra. Deve ter doído bastante para o Vinicius “Top 50” Felix, que demorou demaaaaais para largar suas dez escolhas. Só o poploader Fernando Scoczynski estava tranquilão com a lista dele, que era “Bebel Gilberto mais 9”.

Seguindo o exemplo da nossa postagem de ontem sobre os discos internacionais, se a gente pegar as cinco listas de melhores álbuns de 2020 aqui, chacolhar, misturar, jogar para cima e ver o que bate, o que coincide ou o que maaaais coincide, no posto de álbum do ano segundo as contas da Popload quase deu um empate triplo.

Mas a cantora baiana Luedji Luna, com seu “Bom Mesmo É Estar Debaixo D’Água”, acompanhou as tendências e foi eleito por aqui o melhor disco do ano da CENA. Muito perto, empatados, os discos da paulistana Jup do Bairro e do pernambucano Zé Manoel acabaram em segundo. O álbum carioca do Thiago Nassif ficou em quarto. O “disco de ideias” dos goianos do Boogarins pegou o quinto lugar. Repara na riqueza geográfica desta CENA.

Captura de Tela 2020-12-18 às 5.17.52 PM

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** Lúcio Ribeiro

1. Jup do Bairro – “Corpo Sem Juízo”
2. Boogarins – “Manchaca Vol. 1”
3. Thiago Nassif – “Mente”
4. Zé Manoel – “Do Meu Coração Nu”
5. Luedji Luna – “Bom Mesmo É Estar Debaixo D’Água”
6. Vivian Kuczynski – “N Entendi ND”
7. Chuck Hipólitho – “Mais ou Menos Bem”
8. Giovanna Moraes – “Rockin’ Gringa”
9. Carne Doce – “Interior”
10. Supervão – “Depois do Fim do Mundo”

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** Isadora Almeida

1. Luedji Luna – “Bom Mesmo É Estar Debaixo D’Água”
2. Fleezus, Febem e CESRV – “Brime”
3. Zé Manoel – “Do Meu Coração Nu”
4. Jup do Bairro – “Corpo Sem Juízo”
5. Taco de Golfe – “Nó Sem Ponto II”
6. BK – “O Líder em Movimento”
7. Thiago Nassif – “Mente”
8. Carabobina – “Carabobina”
9. Fabiano do Nascimento – “Prelúdio”
10. Boogarins – “Manchaca”

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** Vinicius Felix

1. Zé Manoel – “Do Meu Coração Nu”
2. Marabu – “Fundamento”
3. Kiko Dinucci – “Rastilho”
4. Jup do Bairro – “Corpo Sem Juízo”
5. Mateus Aleluia – “Olorum”
6. Mahmundi – “Mundo Novo”
7. Rico Dalasam – “Dolores Dala Guardião do Alívio”
8. Luedji Luna – “Bom Mesmo É Estar Debaixo D’Água”
9. Pabllo Vittar – “111”
10. Vovô Bebê – “Briga de Família”

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** Dora Guerra

1. Luedji Luna – “Bom Mesmo É Estar Debaixo D’Água”
2. Thiago Nassif – “Mente”
3. Kiko Dinucci – “Rastilho”
4. Jup do Bairro – “Corpo Sem Juízo”
5. Zé Manoel – “Do Meu Coração Nu”
6. Marcelo D2 – “Assim Tocam os Meus Tambores”
7. Boogarins – “Manchaca Vol. 1”
8. Letrux – “Letrux aos Prantos”
9. Iza Sabino e FBC – “Best Duo”
10. Carabobina – “Carabobina”

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** Fernando Scoczynski Filho

1. Bebel Gilberto – “Agora”
2. Sepultura – “Quadra”
3. Carne Doce – “Interior”
4. Giovanna Moraes – “Direto da Gringa”
5. Mahmudi – “Mundo Novo”
6. Taco de Golfe – “Nó Sem Ponto II”
7. Luedji Luna – “Bom Mesmo É Estar Debaixo D’Água”
8. Deafkids & Petbrick – “Deafbrick”
9. Letrux – “Letrux aos Prantos”
10. Chuck Hipólitho – “Mais ou Menos Bem”

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** Tallita Alves

1. Luedji Luna – “Bom Mesmo É Estar Debaixo D’Água”
2. Letrux – “Letrux aos Prantos”
3. Pabllo Vittar – “111”
4. Mahmundi – “Mundo Novo”
5. Linn Da Quebrada – “Pajubá Remix II”
6. Giovanna Moraes – “Rockn’ Gringa”
7. Marcelo D2 – “Assim Tocam os Meus Tambores”
8. Silva – “Cinco”
9. Vivian Kuczynski – “N Entendi ND”
10. Boogarins – “Manchaca Vol. 1”

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TOP 50 DA CENA – Luedji Luna reina e a gente tenta explicar por quê. Mais: Chico Bernardes cresceu, o Wry português, Luna França e Ítallo França. O tudo a ver no nada a ver

1 - cenatopo19

* Reparamos que a coisa está no seguinte pé: a cantora baiana Luedji Luna respira, mexe no top 5 do nosso Top 50. Agora ela lançou o discaço novo que ela já tinha lançado, mas desta vez foi para o Youtube (!!!!). Não entendemos nada, mas aceitamos demais. E isso, como é nossa bolsa de valores quando a situação econômica sofre algum abalo de qualquer nível, tem consequências diretas no nosso ranking. Está entendendo? Se tiver, explica para nós.
Nosso jovem Chico Bernardes cresceu, adulteceu. E que bela música ele fez para marcar essa passagem. De resto tem o Wry buscando protagonismo em português, a Luna França buscando protagonismo e ponto, e o Ítallo França (no relation) buscando protagonismo no time de futebol da quebrada dele lá em Arapiraca, Alagoas, mesmo sendo o camisa 2.
Que lindo tudo isso. Que linda nossa playlist da vez!

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1 – Luedji Luna – “Ain’t I a Woman” (4)
Ainda mais apaixonados pelo disco novo da Luedji, lançado há quase um mês, que fica nos vindo em ondas, como o mar, porque bom mesmo é estar debaixo dessas ondas. Agora botamos ele no primeiro lugar, já que ela insiste em ficar nas primeiras posições do nosso ranking. “Ain’t I a Woman”, uma das muitas boas faixas, e que pega o título do fundamental livro da autora e feminista Bell Hooks, traz o questionamento para dentro de uma história onde um homem esconde seu relacionamento com uma mulher negra. “Por acaso eu não sou uma mulher?”, questiona Luedji. Ao mesmo tempo, a música pode ser lida como uma denúncia mais ampla aos “apagamentos” das mulheres negras na sociedade como um todo.
2 – Chico Bernardes – “Em Seu Lugar” (Estreia)
Com arranjos floreados, a sonoridade do single novo de Chico Bernardes lembra as suas referências, como Fleet Foxes, e traduz uma sensibilidade que vai muito além de seus 21 anos. Desde uma voz mais segura até um violão mais refinado.
3 – Tuyo – “Sonho da Lay” (1)
Você anda sonhando? Ou já acorda apressado e perde o que sonhou? Vai ver a Lay Soares, parte do trio Tuyo, aprendeu com Sidarta Ribeiro, neurocientista que sabe tudo do assunto, a técnica de registrar os sonhos antes de eles sumirem na nossa mente. E transformou isso em canção. E que canção absurda de boa! Tuyo cada vez melhor. O som ainda tem a participação do cantor carioca Luccas Carlos.
4 – Silva – “Passou Passou” (2)
Atualmente entre os gigantes da MPB, Silva visita com esse ska-MPB suas raízes indie. A letra, dele e do irmão Lucas, é uma fofura sem tamanho. Dentro da MPB a caminho do mainstream, Silva é a voz de esperança e de habilidade em seu sentido, porque parece que a música é de fim, mas é de recomeço. E tem um vídeo maravilhoso, em plano sequência. Parece Belle & Sebastian. Com ou sem Anitta envolvida.
5 – Wry – “Uma Pessoa Comum” (Estreia)
“Noites Infinitas”, novo disco do Wry, traz a banda cantando em português em metade das faixas. No caso, em 50% do disco, é o nosso grupo querido de sempre, mas em outra métrica, outra levada, quase uma outra banda. Talvez seja o costume de saber que é o Wry. Problema nisso? Nenhum. Tanto que uma das nossas prediletas está em português.
6 – Luna França – “Minha Cabeça” (Estreia)
Lançamento do selo CENA na área. A gente sempre avisa. Mas nem teria sentido a gente lançar algo que não bate com o nosso gosto, não é verdade? ”Minha Cabeça” muito tem a ver com o momento atípico que estamos vivenciando em 2020 e é um acerto de Luna, cantora, tecladista, compositora e produtora, que já tocou com Tiê, Rafael Castro e Papisa. Ela assume o protagonismo agora e faz bonito. O futuro, dela, é logo ali.
7 – Carabobina – “Pra Variar” (3)
Bem boa a brisa do casal Alejandra Luciani, engenheira de som de primeira, e Raphael Vaz, mais conhecido por Fefel do Boogarins. Um pop torto, eletrônico, ruídos lá e cá, que pega na produção acertada da Alejandra. Para fãs e não-fãs de Boogarins _ mas quem não é fã do Boogarins, hein?
8 – Ítallo França – “O Time da Mooca” (Estreia)
Itallo relembra em uma canção suingada suas lembranças sobre bater uma bola na infância com os colegas. A letra é tão simples quanto rica ao trazer a escalação do time e umas cenas que trazem lembranças: “E eu era a no 02/ de caneta riscada na farda/ a marca da lama da bola/ na parede parda/o pé cheio de ferida”.
9 – Chuck Hipólitho – “Disincaine” (7)
A mão do Chuck para versões é assustadora. Ele pira em uma música e arrepia na sua versão. A da vez é a divertida “Disincaine”, de um outro ex-VJ da MTV, o senhor Gastão Moreira em sua banda R.I.P. Monsters. E o vídeo, feito e editado em pouco mais de uma hora, mostra o capricho audiovisual de Chuck, outra característica sua. Cara bom.
10 – Mahal Pita – “Oração ao Pretos-moços” (5)
Parte de uma narrativa multimídia que leva o nome de M8TADATAH, Mahal, que já colaborou com BaianaSystem, Afrocidade e Giovanni Cidreira no EP MANO*MAGO, lança este primeiro som que você só encontra no YouTube. É a porta de entrada de uma história que mescla o real e a ficção e reflete sobre alta tecnologia, extermínio da população negra e a noção de pós-morte.
11 – Lauiz – “Corona Music for Corona People”
12 – Nelson D – “Xenofunk” (6)
13 – Duda Brack – “Toma Essa” (8)
14 – Kiko Dinucci – “Habitual” (9)
15 – Marcelo Callado – “Borboletas” (10)
16 – Tagua Tagua – “Só Pra Ver” (11)
17 – Supervão – “Fim de Nós/Fim do Sol” (12)
18 – Gabrre – “Elephants” (13)
19 – Guilherme Held – “Corpo Nós” (14)
20 – Pessoas Estranhas – “Rubens” (15)
21 – Autoramas – “Carinha Triste” (16)
22 – KL Jay – “Território Inimigo” (17)
23 – Yannick Hara – “Necropolítica” (19)
24 – RAKTA – “Rubro Êxtase” (23)
25 – Ana Frango Elétrico – “Mama Planta Baby” (24)
26 – Marcelo D2 – “4º AS 20h” (25)
27 – Carne Doce – “Hater” (26)
28 – Rohmanelli – “Toneaí” (27)
29 – PLUMA – “Leve” (28)
30 – Luiza Lian – “Geladeira” (29)
31 – BK – “Movimento” (30)
32 – Vivian Kuczynski – “Pele” (31)
33 – Boogarins – “Cães do Ódio” (32)
34 – Jup do Bairro – “Luta por Mim” (33)
35 – Dexter, Djonga, Coruja BC1, KL Jay, Will – “Voz Ativa” (34)
36 – Mateus Aleluia – “Amarelou” (35)
37 – Valciãn Calixto – “Nunca Fomos Tão Adultos” (36)
38 – Letrux – “Vai Brotar” (37)
39 – Negro Leo – “Tudo Foi Feito pra Gente Lacrar” (39)
40 – Don L – “Kelefeeling” (40)
41 – Mahmundi – “Nós De Fronte” (41)
42 – Rico Dalasam – “Mudou Como?” (42)
43 – ÀIYÉ – “Pulmão” (43)
44 – Coruja BC1 – “Baby Girl” (44)
45 – Edgar – “Carro de Boy” (45)
46 – Giovanna Moraes – “Futuros do Passado” (21)
47 – Jhony MC – F.A.B. (47)
48 – Djonga – “Procuro Alguém (48)
49 – Vovô Bebê – “Êxodo” (49)
50 – Troá! – “Bicho” (50)

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* Entre parênteses está a colocação da música na semana anterior. Ou aviso de nova entrada no Top 50.
** A imagem que ilustra este post é do Silva.
*** Este ranking é formulado por Lúcio Ribeiro e Vinícius Felix, talvez o maior estudioso da nossa CENA. Com uma pequena ajuda de nossos amigos, claro.

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