Em Brasília:

CENA – Do centro-oeste, Superquadra vai atrás de um norte em novo disco

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Uma das boas bandas da CENA de Brasília, o Superquadra lança por agora seu segundo disco, “Norte”. Isso porque eles estão quase atingindo a maioridade de 18 anos de estrada, pensa.

O Superquadra é uma das mil ideias de Cláudio Bull, sujeito que como eu disse aqui uma vez é a história viva da cena musical brasiliense de caráter independente e um dos caras mais versáteis da cidade: trabalha com produção de eventos, jornalismo cultural, historiador de arte e é professor universitário. Nos palcos e estúdios, Bull liderou também a Divine, banda ícone indie da Brasília da virada do século; e hoje, além do Superquadra, também tem o Da Silva. E é DJ.

“Norte”, o disco, é um lançamento da Quadrado Mágico e é composto por 10 faixas que passeiam pelo indie rock, às vezes com uma pitada mais pop e acessível. A inspiração do projeto é a cidade de Brasília e pode ser entendido como a busca intimista por um norte. Entre as inspirações estão referências fracas, tipo David Bowie, Kraftwerk, Radiohead, Caetano Veloso, Massive Attack, Clube da Esquina e T. Rex. Tudo junto e misturado.

O Superquadra conta, além do Bull, com Badá (baixo), Vitinho (bateria), Bruno Sres e Wilton Rossi (guitarras).

O álbum já está nas principais plataformas de streaming, tipo o Spotify, e pode ser conferido abaixo.

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CENA – Picnik em Brasília: um final de semana com Papisa, Marrakesh, Bike e Alenis no DF

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** Fotos e texto de Afonso de Lima

No penúltimo final de semana do mês de junho (23 e 24), o Popload voltou a Brasília para conferir mais uma edição do já amado e conhecido Picnik. Um dos maiores festivais gratuitos do Distrito Federal e responsável não só por trazer apostas do indie nacional para a cidade, mas também por fortalecer e reunir sua cena local de uma maneira democrática e extremamente necessária.

Em sua edição de junho, o Picnik resolveu desviar da sua curadoria trazida em outros anos e apostar em um line up musical totalmente nacional, tendo como os cabeça de chave as cantoras Tulipa Ruiz, Anelis Assunção, o cantor Curumin e a banda Garotas Suecas. Com esse time, o evento conseguiu movimentar uma parcela considerável de público de baixo da lona montada na Praça da Torre de TV da cidade, aumentando o movimento das feiras e exposições que rondavam o parque.

Segundo os organizadores, o Picnik é um evento gratuito, totalmente aberto e que só acontece por conta das feiras que estão ao redor dos palcos e o público que as consome. Colocar grandes atrações, que garantam um público maior, faz com que mais expositores participem, mais pessoas visitem o espaço e em uma escala muito maior a economia criativa da cidade gire de forma mais potente, trazendo pessoas do Brasil inteiro para o local.

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Guilherme Cobelo, vocalista da icônica Joe Silhueta (um dos melhores shows da noite de domingo), de Brasília, comenta que a cidade vive um momento difícil para a cena musical. Para ele, cada vez mais os palcos pequenos e médios estão sumindo e o DF acaba virando, de certa forma, refém de festivais e eventos de maior porte que possam abraçar as bandas que estão por ali, que produzem localmente. Em um papo com os curitibanos da Marrakesh, eles comentam que o festival foi um dos primeiros a apostarem neles e tirarem a banda de Curitiba, abrindo sua visão para um circuito independente de eventos grandes, deixando claro o papel do Picnik não só em trazer grandes shows para a cidade ou apoiar a cena local, mas também em dar espaço a novos nomes de fora, que talvez não chegariam de outra forma até a região.

Musicalmente, os dois dias apresentarem artistas bem variados que garantiram grandes shows, alguns destacados aqui no Popload como boas surpresas. No sábado de Curumin, Tulipa Ruiz e Garotas Suecas fazendo ótimos shows, Papisa foi um dos nomes que chamaram atenção ao fecharem a noite. Foram poucos minutos de apresentação que, por conta dos atrasos de cronograma, ainda jogaram os gaúchos da Supervão para o domingo, mas que valeram cada segundo de espera. Com a banda completa, Papisa hipnotizou o público do começo ao fim, fazendo um dos melhores shows da noite.

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No domingo, a tarde abriu com a ótima surpresa local, os meninos da Palamar, fazendo uma mistura de Tame Impala com Beach Fossils, da psicodelia até a introspecção em poucos acordes. Recomendamos. Logo depois, Cachimbó, também do DF, soltou um ótimo eletro indie abrasileirado que chamou atenção de quem chegava ao parque logo cedo. Continuando a ótima tarde, Meu Amigo Tigre sofreu com problemas técnicos que voltaram no show seguinte, o dos gaúchos da Supervão. Os meninos sofreram com falhas graves que quase pararam a apresentação, mas que foram derrubadas com o carisma da banda em fazer o público dançar mesmo com todas as adversidades técnicas, um show de performance para um início caótico e final heróico.

Abrindo a noite do evento, os curitibanos da Marrakesh fizeram outro dos shows na lista de melhores do festival, com uma apresentação impecável e complexa nos arranjos, eles arrastaram um dos maiores públicos do fim de tarde no palco, chamando atenção de todos que passavam com as ótimas músicas do último disco, “Cold As A Kitchen Floor”. Nessa mesma noite, ainda tocaram os mineiros da Young Lights com direito a roda punk e uma platéia incendiada, os sempre incríveis Joe Silhueta, com Gaivota (vocalista) literalmente alçando vôo no palco, Anelis Assunção com seu show incendiário, Taurina, Bike com outro show da lista de melhores e ainda Mescalines e Rakta para fechar a noite.

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Além das bandas, uma extensa feira gastronômica com opções para todos os gostos, marcas locais expondo seus produtos em grandes estandes e, para quem não queria atravessar o parque para ver shows, um espaço eletrônico com dj’s locais. Em resumo, uma verdadeira junção de todas as tribos possíveis, com uma tenda lá no fundo, recheada de ótimos shows e oportunidades de conhecer artistas inéditos na cidade, junto de uma engrenagem criativa capaz de manter a cena unida e funcionando no Distrito Federal.

Voltando a música, mesmo com as dificuldade técnicas e alguns atrasos, o evento aparece com uma ferramenta de manutenção de encontros e conexões entre o que acontece lá e o resto do país, tudo isso aberto para um público fora da bolha que o indie nacional muitas vezes se encontra. Vida longa ao Picnik, parece que em dezembro tem mais. Vídeos de alguns dos ótimos shows logo abaixo:

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Brasília será invadida de novo pelo Picnik Festival neste final de semana. E a Popload entrega os horários dos shows

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Por aqui, a gente não cansa de viajar atrás de shows. Por isso embarcamos no próximo final de semana (23 e 24), pela terceira vez, para o Picnik, em Brasília. O festival com o maior público, para o menor e mais aconchegante palco do Brasil, responsável por movimentar a agenda de festivais no país e ainda apresentar misturas interessantes de artistas de todos os cantos do mundo em um evento para, em média, 20 mil pessoas por edição.

Esse público todo não é encabeçado apenas por grandes nomes, muito menos por atrações musicais gigantescas, mas sim por uma história de seis anos de muitas edições (mais de 20), quatro em que o festival se estabelece com dois dias. O Picnik nasceu em 2012 e vem, desde então, mesclando economia criativa e música em um espaço livre, gratuito para circulação, movimentando uma multidão de pessoas de todas as partes da região.

Musicalmente, ele já proporcionou grandes experiências, muitas delas históricas para a cidade, como foi o caso do show gratuito do canadense Mac DeMarco em 2015, ou O Terno um pouco antes crescer desenfreadamente. É com esse lema de experimentação e mistura, que o Picnik vem crescendo e expandindo cada vez mais sua atuação na cena de festivais.

Para o evento de 2018, o Popload envia o Poploader Afonso de Lima até Brasília para acompanhar dois dias que vão de Curumin até os nossos melhores de 2017, a Supervão. Esse line-up vem focado em grandes nomes nacionais, junto de revelações e apostas, proporcionando um final de semana de encontro de bandas importantes para a cena indie nacional.

Essa salada sonora de frutas, muito bem curada por Miguel Galvão, produtor do Picnik e um dos fundadores do selo Quadrado Mágico, contará ainda com Tulipa Ruiz, Anelis Assumpção, Bike, Papisa, Marrakesh, Rakta, Garotas Suecas e mais uma porção de artistas de todos os cantos do país. A função acontece na Torre de TV, no próximo final de semana e a partir das 14 horas, não só com shows, mas, principalmente (já que tomam a maior parte do evento) feiras culturais, mercadinhos com produtores locais, palestras e diversas atividades espalhadas pelo local.

A Popload, em primeira mão, revela logo abaixo os horários e a escalação completa da parte musical do Picnik.

Dia 23 – Sábado
14:00 – Augusta (DF)
15:00 – Leo (DF)
16:00 – Garotas Suecas (SP)
17:00 – Curumin (SP)
18:30 – André Sampaio (SP)
19:30 – Tulipa Ruiz (SP)
21:00 – Papisa (SP)
22:00 – YPU (DF)
23:00 – Supervão (RS)

Dia 24 – Domingo
13:30 – Palamar (DF)
14:30 – Meu Amigo Tigre (DF)
15:30 – Cachimbó (DF)
16:15 – Marrakesh (PR)
17:15 – Young Lights (MG)
18:15 – Joe Silhueta (DF)
19:15 – Anelis Assumpção (SP)
20:30 – Bike (SP)
21:30 – Mescalines (SP)
22:30 – Rakta (SP)

** Mais detalhes sobre esse festivalzão você ainda encontra no evento oficial do Picnik no Facebook.

** A foto da capa é de John Stan.

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BRASÍLIA: Ankylym (Rússia), River Phoenix e ARD no Conic!

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Ankylym (Rússia), River Phoenix e ARD no Conic!

Data: 15 de março às 21:00

Line Up: Ankylym (Rússia), River Phoenix e ARD

Local: CONIC – SDS – Praça Central – Brasília/DF

Ingressos: Gratuito

Link: https://www.facebook.com/events/406222166491623/

CENA – “Geração Baré-Cola”. Documentário da cena de Brasília dos anos 90 é lançado agora em outubro

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* O que houve na cena musical de Brasília entre Legião Urbana e Raimundos? Segundo o bem bom documentário “Geração Baré-Cola – Usuário de Rock”, uma frutífera cena underground cheia de bandas e energia que íam muito além da estética roqueira dos nomes famosos da região construiu uma história lembrada forte pelos indies locais, mas desconhecida por muitos fora do DF, em sua abrangência, força e tamanho. E é aí que o registro, que será lançado em DVD em breve, com uma exibição no próximo dia 19 no Cine Drive-in de BSB) e do qual a Popload teve acesso, se torna tão importante.

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O documentário, dirigido pelo fotógrafo Patrick Grosner, é retratado através de filmes em VHS de apresentações ao vivo, demos de bandas, fotos, cartazes de shows e entrevistas com 29 grupos que viveram de perto a época entre 1980 e 1994 na capital do Distrito Federal. Tudo isso começou ainda na faculdade de cinema de Patrick e foi evoluindo e tomando forma quando ele resolveu direcionar para um período pouco falado da história cultural do lugar.

E foi a partir dos rascunhos iniciais desse mapeamento que o diretor chegou a um detalhamento rico da cena construída no pós-agito de Legião, Plebe Rude, Capital Inicial (aquele) etc., contada com bastantes detalhes e retratada pelos próprios músicos da época, quase 40 convidados ao total. O doc é praticamente guiado, ainda, por Gabriel Thomaz, hoje e há muito tempo do Autoramas mas que ali na efervescência daquele final dos 80 e meados dos 90 pilotou o importante Little Quail & The Mad Birds. Portanto, uma testemunha ocular do que aconteceu em Brasília na época.

Para além de Gabriel (acima) e com depoimentos de Rodolfo ex-Raimundos (abaixo) e muitos outros, “Geração Baré-Cola” usa um refrigerante bagaceiro e famoso daqueles tempos e mostra a cara de uma cena pouco conhecida, mas cheia de nomes que foram além do rock comercial da época para explorar outros gêneros e estilos, dando origem a um movimento fora da curva do que se conheceu nas rádios.

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Rock alternativo, metal, hip hop reggae, rockabilly e hardcore foram algumas da veias dessas bandas que forjaram o rock de Brasília anos 90. Entre os nomes, Detrito Federal/BSB-H, DFC, Os Cabeloduro, Dungeon, Filhos de Menguele, Os Alices e Restless são alguns dos que compõem o time de que dá origem ao registro que está sendo produzido para sair junto com a exibição especial do filme e pode ser comprado no site do documentário.

A versão em DVD/BluRay do documentário ainda conta com uma série de materiais extras, entre eles histórias e depoimentos que não entraram nas filmagens oficiais, 12 videos da época e galeria de fotos de shows e eventos direto dos anos 90. Um presente para quem quer saber mais sobre a história de um dos pilares da cultura independente no Brasil, talvez mais importante que a passada. Quem há de discordar?

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