Em Brasília:

CENA – O CoMa Festival, em Brasília, a onda de “conferências de música” e o Far From Alaska

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A mescla de conferência sobre música e festival com preço popular realizada pelo CoMa, novo evento indie que aconteceu em Brasília no final de semana passado, atraiu a atenção da Cena brasileira. Armado no gramado entre a Funarte e o Centro de Convenções Ulysses Guimarães, o evento teve a ideia de misturar artistas conhecidos (até Lenine e Emicida) com apostas locais e do indie atual. E muita conversação sobre o estado de coisas da música brasileira feita hoje. Com o crescimento e expansão da festa-festival Picnik, mais este CoMa, Brasília estabelece-se ainda mais no mapa do indie brasileiro.

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Com um climão de festa de final de ano do indie nacional, o CoMa levou a BSB, se não todos, quase todos, os mais destacados veículos, produtores e programadores de festivais da cena para passarem dois dias juntos, tudo isso para discutir o presente e o futuro da música feita por aqui. A Popload esteve de olho no festival e participando de mesa, com representação do poploader gaúcho Afonso de Lima.

De consultoria para novas bandas até bate papo com os maiores festivais independentes da atualidade, o que arrematou o maior número de público foram os quatro palcos espalhados pelo megalomaníaco complexo erguido para abrigar a parte musical do evento. Com ingressos entre R$ 25 e R$ 125 (para festival + conferência) o público ocupou boa parte dos shows apresentados durante a programação e é sobre eles que a gente vai falar um pouco mais por aqui.

Sábado passado teve Emicida, mas também teve Ventre e Carne Doce. O dia começou tímido com um line-up que tinha até dupla sertaneja independente tocando no sol quente de 1h da tarde. No caminhar do dia, Lista de Lily, Baleia e Ventre foram aquecendo o que seria a noite de Emicida, mas que antes ainda nos daria um Carne Doce já acostumado com palcos grandiosos.

O Clube do Choro, com capacidade para quase 500 pessoas, teve fila de dobrar a esquina para ver o Baleia, enquanto a psicodelia da Lista de Lily chamou atenção no palcão debaixo do clima árido de Brasília. Logo depois, já no entardecer, a Ventre chegou a gritos de “Fora Temer” soltando uma porção de músicas do seu único e ótimo disco. E soltando ainda seus tradicionais discursos “textão de Facebook” protagonizado pela baterista-metralhadora Larissa Conforto, em forma e conteúdo. Na parte musical, que é o que interessa, o Ventre fez um show suado e barulhento, preparando os ouvidos para o que ainda viria: Silva, Mahmed, Carne Doce, Rico Dalasam, Emicida, Jaloo e o bloco de carnaval Divinas Tetas.

Em paralelo a todos esses shows, ainda rolava uma tenda eletrônica comandada pelo Picnik e cheia de convidados locais. Tinhq também expositores com marcas da região e produtos artesanais, outra ação do Picnik dentro do CoMa.

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* No domingo, a latinidade e o rock comandaram: Quatro Pesos de Propina, Francisco, El Hombre e também Far From Alaska (foto acima) e Scalene. Se no sábado lotou consideravelmente os palcos principais e o simpático Clube do Choro, domingo a impressão foi de um grupo ainda maior circulando pelo espaço quase infinito do complexo. O dia começou com atrações locais seguidas do Bratislava, Aloizio e a Rede (também local), Medulla e da junção by Balaclava Records de Ventre + E a Terra Nunca Me Pareceu Tão Distante. Cuatro Pesos de Propina botou o Clube do Choro abaixo e reforçou a conexão latino-americana que o festival trouxe, no palco norte. Clarice Falcão arrebatou milhares de fãs teen com um stand-up comedy com cara de show muito bem executado, prendendo até os desavisados que passavam pelo bar e esperavam a Francisco, El Hombre tocar.

De volta ao Clube fechado, Selvagens à Procura de Lei entupiram a pequena sala e fizeram uma das maiores filas do festival (olha só, uma fila enorme que nem é para comprar cerveja). Na chegada da esperada Francisco, El Hombre, o palco norte acabou virando um grande baile latino, cheio de danças desengonçadas para todo lado.

No outro lado, Larissa Luz se apresentou com uma ótima surpresa, com um show alto e cheio de batidas pesadas. Na sequência, Far From Alaska estourou os PA’s do festival com o som de guitarra mais alto que ouvimos durante todos os shows que assistimos. O setlist veio cheio de novidades do seu recém-lançado disco poderoso, “Unlikely”, que havia saído dois dias antes da apresentação. O público cantou junto, pulou e até ensaiou uma roda punk sem muita experiência. Um dos grandes shows do festival. Tendência no festival, teve encontrão de bandas no palco do Far From Alaska. Supercombo, Clarice Falcão, Medulla e mais um monte de gente subiu ao palco no show do grupo do Rio Grande do Norte.

Na caída da noite e na última parte do festival, ainda aconteceram show dos gringos do O’Brother, dos locais da Scalene e do quase aposentado Lenine (com um set imensamente longo).

O CoMa acertou? Parece que sim, parece que muito. Com um line-up bem diversificado e valorizando a cena local, o CoMa chegou certo a Brasília. O mix de quatro produtoras conseguiu criar uma estrutura gigante e de qualidade para receber bandas interessantes e que conversam com o que de novo está acontecendo musicalmente, além de trazer nomes consagrados para dar o peso necessário a escalação. Talvez o complexo ultragrandioso não tenha ajudado muito a agrupar as pessoas o tempo todo, mas facilitou a circulação e também evitou filas para comida, bebida e pagamentos.

Conferência/Festival, esse modelo que ainda é novo por aqui mas está crescendo bastante, apresentou um pequeno problema em relação às agendas, já que dividiu o público entre grandes shows e grandes painéis. Solução? A gente deixa para os programadores. Para muito além disso, o CoMa conseguiu começar com o pé direito, tanto pela organização impecável como também pela estrutura de qualidade e a boa organização dos palcos, claro, tirando os atrasos que acabaram atrapalhando um pouco quem estava pontualmente organizado. Fora isso, potencial para uma segunda edição com ainda mais acertos.

BH – Neste final de semana, ainda com participação da Popload, presente, e mais um exemplo da onda “conferências de música” no estilo SIM-SP, está acontecendo em BELO HORIZONTE a dobradinha de festivais Sonâncias (de debate + show) + Transborda (festival). Ontem, sexta, a Popload participou de um debate sobre “comunicação e divulgação de bandas e eventos independentes”. Hoje, sábado, o Transborda leva para a lagoa da Pampulha, com entrada gratuita, um evento musical encabeçado pela banda da hora, os potiguares do Far From Alaska, e mais: os mineiros do Djonga, Young Lights, Pequeno Céu, El Toro Fuerte e a paulistana Iara Rennó.

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O MAPA DO ROCK APRESENTA… BRASÍLIA

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Agora a conversa é federal. A nova cidade contemplada com um raio-x de sua cena indie é Brasília, a capital do país e uma das mais diferentes terras sonoras brasileiras. Você vai entender por quê. O MAPA DO ROCK da Popload, que tem apoio da GOL Linhas Aéreas Inteligentes, chega à quarta edição no Distrito Federal. As movimentações indies de Belo Horizonte, a primeira, Porto Alegre e Fortaleza, nessa sequência, foram as três anteriores.

O MAPA DO ROCK é uma seção fixa da Popload que pretende mapear a #CENA de algumas das principais cidades brasileiras. As bandas locais de destaque, seus principais palcos, os bares que apoiam a música, os festivais e festas que movimentam a coisa toda, os agitadores que fazem tudo acontecer, as apostas indie e, já que estamos in loco vendo a #CENA com os próprios olhos, algumas das nossas dicas do que fazer, onde comer, o que visitar e, principalmente, POR QUE ir até lá.

Brasília: população de 4,2 milhões de habitantes na área metropolitana (2016), a quinta mais populosa do Brasil. Estimativa de público no último festival Picnik Festival, gratuito: 15.000 pessoas/dia em dois dias de junho.

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DESTINO: BRASÍLIA – BRAS ILHA – ILHA DE BRÁS – BRASILA – BSB

Uma das mais peculiares cenas de música nova no Brasil, é curioso constatar que a Brasília indie está sonoramente mais perto hoje da primeira geração do rock da cidade, a da MPB psicodélica de bandas como o Matuskela, do que da estrondosa e nacionalmente conhecida onda punk/pós punk que rendeu nomes como Legião Urbana, Plebe Rude, aqueeeeele Capital Inicial e botou a cidade, inclusive em versos, no mapa musical do país. É mais curioso ainda que em festas indies de hoje em dia na cidade, quando recorrem ao punk, no som ou na atitude (e no deboche), se referem mais a bandas como Raimundos e Little Quail and the Mad Birds (terceira geração) ou Divine (quarta) do que à turma de Renato Russo. Em tempos mais recentes, Móveis Coloniais de Acajú e Lucy & The Popsonics levaram a cena candanga para outras capitais, até para fora do Brasil, mas fizeram o que poucas bandas que estouraram, seja qual fosse o nível de “estouro”, ousou fazer. Ficar em Brasília, não se mudar para o eixo SP-Rio para “tentar a sorte”, e, assim, ajudar no reconhecimento e crescimento da cena local. A cidade, dos 90 para cá, teve importantes bandas indies, como a citada Divine e nomes como Low Dream, Prot(o), Bois de Gerião e um ótimo difusor que aumentou o intercâmbio da cidade com outras praças de destaque, na figura do gaúcho Fernando Rosa, que fincou em Brasília a bandeira seu selo e produtora Senhor F e sua festa mensal Noite Senhor F, entre outros agitos, fazendo a cidade acontecer. Quando essa cena ruiu e nem os então sobreviventes Lucy e Móveis resistiram, a cena de Brasília entrou para esta década precisando de uma arrumação interna e uma adaptação aos novos tempos. Começa que de uns anos para cá a noite de Brasília desapareceu, com o fechamento de quase TODAS as casas noturnas e o aperto da lei de silêncio que restringe a vida noturna em bares até 2h. A vida sonora brasiliense, indie ou eletrônica, precisou buscar lugares alternativos, como alugar clubes de embaixadas, associações e parques. E horários alternativos. As principais festas e eventos passaram a ganhar corpo de dia, um ótimo jeito de driblar a questão de horário e aproveitar também a arquitetura típica da cidade e de seus parques. Outra “dádiva” para festas de dia em lugares abertos é realizá-las no chamado período da seca, quando Brasília fica muito tempo sem ver chuva. Nessas, no caso do indie, surgiu a vital festa Picnik, hoje também um importante festival brasiliense. Outra mudança “para o bem” foi que a cena candanga teve que descentralizar. Começou a pipocar um indie “paralelo”, que não necessariamente era do Plano Piloto. Bandas independentes novas do Gama e de Taguatinga surgiram em quantidade e qualidade para chamar atenção para as cidades-satélites, nessa nova ordem da efervescência sonora da cidade, o que desvirtua a ideia de que nas periferias só brota hip hop. Brasília tem rock para além do Plano Piloto. Ao mesmo tempo se estabelece na cidade uma cena punk pop meio que oriunda de movimentações como o festival Porão do Rock, uma galera tipo Scalene, Dona Cislene, cena esta forte e fechada que trabalha a questão do metal, emo, pós-emo, não dialoga em nada com a cena indie sonoramente falando, mas que às vezes mistura a molecada, cada vez mais versátil. Tem ainda, hoje, no paralelo a tudo, uma importante cena jazz, instrumental e choro forte na cidade, apelidada de “Brasilia Nervosa”, de onde despontam bandas como o Satanique Samba Trio, que acabou de voltar de shows na Europa, e tem correspondência mesmo que acidental com a cena indie. E, nesse certo crossover com o indie, nos últimos anos, rendeu uma sintonia com bandas indies importantes mas hoje desativadas, como Bois de Gerião e o próprio Móveis Coloniais. E ainda se dá com a atualíssima Joe Silhueta, de Guilherme Cobelo. Resumo da ópera candanga: estrangularam a cena de Brasília, em muitos lados, mas ela está escapando por outros e se tornando numa das mais interessantes do país. E, de novo, uma das mais peculiares.

** Quatro bandas de Brasília

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3 - MAPA_BSB_ALMIRANTE

1 - MAPA_BSB_DONACISLENE

4 - MAPA_BSB_RIOSVOADORES

** Cinco apostas Popload

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Tem muito mais bandas

Cassino Supernova

Superquadra

Tertúlia na Lua

Bolhazul

Luzes da Capital

Satanique Samba Trio

Bílis Negra

Sexy Fi

Alf Sá

Brancunians

Virada Cuca

Transquarto

Vintage Vantage

Cold Café

Menestrel

Enema Noise

Cachimbó

O Tarot

Humbold

Tiju

Fábio Matafora

Saci Weré

Lista de Lily

Alarmes

Cantigas Boleráveis

Brasil Cibernético

Komodo

** Por onde circula a cena de Brasília

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* Velvet Pub *
CLN 102 Bl. B, Lj. 28
Local de festas e shows, mistura bandas covers e autorais em seu espaço, no qual cabem 300 pessoas. Uma das pouquíssimas casas noturnas que resistem a não fechar, em Brasília.
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* Quinto Bar *
CLN 102 Bloco A Loja 56
Extensão física da festa Quinto, o bar, inaugurado em 2014, traz luz à música eletrônica de Brasília com DJs, lives e VJs.
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* Outro Calaf *
SBS Quadra 02 Bloco Q Térreo
A versão do Bar do Calaf para música ao vivo. Essa danceteria, lugar para shows, restaurante e bar, no setor bancário sul, ao lado da casa original, é o lugar ainda da famosa festa brasiliense Moranga.
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* SuB Dulcina *
Setor de Diversões Sul
Brasília, Conic

Lugar para shows e festas (e mais coisas) no famoso Conic, “antro” de contracultura de Brasília que outra vez está passando por uma revitalização. O SuB fica no subsolo do teatro Dulcina.
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* Espaço Cultural Canteiro Central *
SCS Quadra 3 Bloco A Lote 210
Lugar novo, surgiu há uns dois anos, e com nova administração e iniciativa de diversos coletivos, passou a ter vida musical com shows frequentes, de samba ao indie. E varando a madrugada, sem se preocupar com barulho e vizinhança incomodada, uma dos fatores que matou a cena noturna brasiliense.
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** Para comer e beber em Brasília

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* SCLN 408/409 Norte *
baixo Asa Norte
Não é um bar, exatamente. É uma rua com a melhor concentração de bares de BSB hoje. Cheio de agitadores culturais e universitários, que fazem da rua uma grande balada. Tem indies, eletrônicos, estudantes, o povo todo.
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* Piauí *
SCLS 403 Bloco B Loja 20
Não é um bar, exatamente. É uma distribuidora de bebidas. Lugar é bem “roots”, mas agrega boa parte da cena indie brasiliense.
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* Beirute *
SCLS 109 Bloco 1 loja 2/4
Bar clássico de Brasília, em dois endereços. O primeiro, da Asa Sul, destacado aqui, é o mais antigo. O segundo é na SCLN 107. Frequentado por intelectuais, universitários, gays, famílias, idosos. E os indies. O filé à parmegiana é obrigatório.
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* Cervejaria Criolina *
SOF Sul Quadra 1 CJ B Lote 6
A festa que virou cervejaria. Propriedade dos meninos da Criolina, trio de DJs dos mais bombados de Brasília finalmente abriu as portas de sua cervejaria cigana. Discotecagens e torneiras de marcas próprias.
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* La Rubia Café *
SCLN 404 Bloco B Loja 44
Vou reproduzir a descrição que está no Facebook deles. Pela galera que eu consultei, parece que é assim mesmo: “Um café cocktail bar esquizo para uma cidade careta. Coquetelaria, comidas de rua do mundo, pole-dance, disco-music, gente feliz, elegante e sincera”.
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* Kafta da Mama *
SQS 112 Entrada da Quadra Residencial
Barraca numa esquina de rua na 112 Sul de Brasília, existe há 12 anos no lugar e vai buscar seu tempero no Líbano. O melhor kafta da cidade. Talvez do Brasil. O Maruan, um dos filhos da Mama, era DJ de música eletrônica da cena candanga uns 15 anos atrás.
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* Objeto Encontrado *
CLN 102 Bloco B Loja 56
Considerado um dos 20 melhores cafés do país, o Objeto Encontrado é também conhecido por seu cheesecake e a variedade de uísques bons. Tudo apreciado com boa música e vendo uma ou outra obra de arte exposta no lugar.
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** MOVIMENTAÇÕES DA CENA BRASILIENSE

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Para começar, o velho CONIC, o lugar mais alternativo de Brasilia desde sempre. Foi o primeiro em Brasilia a ter boate gay, lojas de quadrinhos, discos, camisetas. Ainda os tem. Está passando por uma nova revitalização, resolvendo seus “perigos”, e alguns shows e festas, como a atual Criolina, passaram a ser realizados lá. O Lucy & The Popsonics, um dos grandes nomes brasiliense dos anos 2000, não tem mais banda, mas o casal popsonic tem loja de camisetas no lugar. // Alguns ousam dizer que o PICNIK FESTIVAL [foto acima], festival entre o semestral e anual que também vem a ser a festa itinerante trimestral mais famosa do Distrito Festival, salvou a cena brasiliense. Um esforço do casal Miguel Galvão e Julia Hormann, ele economista, ela publicitária, o Picnik enquanto evento grande é um ótimo junta-tribos que bota para tocar em um final de semana, em praças ou parques, de graça, um monte de exemplares da nova e às vezes velha cena de Brasília, da nova CENA nacional e da nova cena internacional também. No Picnik é banda tocando e em volta uma pequena cidade criativa fazendo rodar a economia com desfiles de moda, venda de arte e decoração, roupas de brechó, plantinhas, discos, zines e pôsteres, painéis de discussão sobre a evolução humana, workshops de costura, teatro, espaço zen badabauê moderno, áreas de cura com terapias de florais, meditações e papos sobre cartas e números, um clube de chá, curso rápido de cultivo de horta doméstica, área para crianças com brinquedos, oficinas e roda de leitura até para bebês, um estacionamento de bicicletas gratuito e, para a galera parar de pé, uma decentíssima área de alimentação, que inclui um trecho vegano. É essa galera da economia criativa participante que, segundo o festival, financia as atrações musicais do Picnik, que agora em 2017 completa cinco anos de existência e 20 edições realizadas entre festa e festival. // Outra das festas mais bombadas de Brasília, a CRIOLINA já há muito sai da cidade e esteve dentro da programação deste ano do festival Bananada, em Goiânia, por exemplo. A Criolina começou com uma festa às segundas-feiras no Calaf (bar e restaurante onde tocava bandas de samba-rock, que depois abriu espaço para outras vertentes). Pezão, Barata e Ops, protagonistas de discotecagens indies com sotaque português e um jeito muito particular de cortar e emendar as faixas, com setlist montado à base de pesquisas musicais até em psicodelia brasileira anos 70 misturado com Strokes e Raimundos, para citar a mescla. A festa atraiu uma galera tão grande que virou um projeto de Carnaval (Aparelinho) e um bar (Cervejaria Criolina [ver “Para comer e beber em Brasília”, acima] ). Um dos projetos deles é o carnavalesco Harmonia do Sampler, que produziu o pornohit “Pau, Perereca e Cu”, talvez primeiro hit de Carnaval já feito em Brasília, que repercutiu em várias esferas neste ano. // Festa famosaça de Brasília para nova geração, realizada às quartas-feiras no Outro Calaf, a MORANGA promove uma celebrada mistureba sonora que vai do trap ao pop, mas tem o indie lá no meio. É também uma festa visual, com projeções e outras chinfras artsy. Tem pegação e (mas) tem boa música também (às vezes). Capricha muito nos DJs convidados, desde gringos até os de outras festas de outros estados. // Programa histórico da representação da cena brasiliense no rádio, o CULT 22, que existe desde 1991, entre idas e vindas está de volta ao ar na Cultura FM, às sextas-feiras, das 21h às 23h. Apresentado por Marcos Pinheiro, que concebeu o programa junto com o jornalista Carlos Marcelo, o Cult 22 é o elo de ligação da velha cena de metal, da nova cena pós-emo de molecada e do indie. // Um bem-vindo escape para a cena indie brasiliense para além do sonoramente complicado Plano Piloto, a cidade-satélite do Gama, que sempre foi um reduto hardcore, metal e de hip hop, passou a “fabricar” arejadas bandas indies boas, tipo Supervibe, Bolha Azul, Tertúlia na Lua e Luzes da Capital, para citar só algumas. Numa escala menor, mas na mesma pegada, Taguatinga também tem seu destaque na oxigenação da cena de Brasília. // Listada acima no rol de bandas de Brasília para ser ouvida, o Brasil Cibernético acabou de anunciar o seu fim das atividades, agora em julho, deixando uma última música gravada no estúdio SALA FUMARTE, de boa qualidade gravação, por onde passa boa parte da nova cena indie brasiliense, principalmente pelas mãos do produtor Gustavo Harfield. Fica no sótão da casa dos irmãos Breno e Bruno, da banda Bilis Negra, no Lago Norte. O lugar é praticamente a sede do que se costuma chamar de MOVIMENTO GROGUE de Brasília, coletivo de bandas, artistas plásticos, fotógrafos, cineastas, acupunturismo, um grupo de amigos, que comungam das mesmas ideias e tentam expressá-las cada um em seu trabalho. Para resumir, essa mitologia indie brasiliense consiste na “maneira louca de ver as coisas”, segundo um de seus artífices, o músico Guilherme “Joe Silhueta” Cobelo. // Enorme conhecedor da cena brasiliense e não só, PEDRO BRANDT, criador do especialíssimo e artesanal selo Discos Além, que teve seu primeiro lançamento em 2015, um compacto da banda paulistana Modulares. No ano passado, a Discos Além produziu um compacto da antiga banda brasiliense Little Quail and the Mad Birds, e outro disquinho do gaúcho Plato Dvorak, sempre em parceria com outros selos, até internacionais, para dividir custos e tornar projetos viáveis. Os discos, em vinil, são produzidos numa fábrica na República Tcheca. A proposta da Discos Além é de culto ao vinil. Não só lançar em tiragens limitadas as novidades do rock brasileiro como também, ou principalmente, resgatar no formato físico, de preferência o vinil, gravações perdidas ou raras de bandas mais antigas, sejam demos, material para imprensa não divulgado publicamente, shows, registros de gravações de rádio. // Outro selo importante e de iniciativa diferenciada da cena de Brasília é o da LOMBRA RECORDS, criada em 2015 e que tem uma máquina alemã de corte para gravar e riscar vinis artesanais, em um material diferente do disco tradicional industrial, de som mais lo-fi, mais urgente para consumo ou discotecagem. // Um terceiro selo que ajuda a mover a música brasiliense é o DOM PEDRO DISCOS, idealizado a partir da bacaníssima loja de discos de mesmo nome (SCLN 412 Bloco C Loja 20), que já lançou com sua estampa, por exemplo, um 10 polegadas da banda Satanique Samba Trio e relançaram o primeiro disco do Maskavo Roots. // O rolê eletrônico underground em Brasília é bem forte, movimentação a partir de vários coletivos criados nos últimos anos. Da para citar muitos, do Crazy Cake Crew ao SUJO. Mas a gente destaca o Imã, que possui DJs, VJs, cineastas, artistas, músicos e designer para fazer valer não só a música em suas festas; o Vapor, de house; a MADRE, do DJ Spot, que era das bandas Club Silêncio e Mentes Póstumas, também responsável pela festa Moranga, e a 5uinto que existe desde 2007. // Um caso à parte da cena electro-indie de Brasília que junta tribos é a BOOGIE, um dos destaques do último festival Picnik. O coletivo Boogie/Woogie surgiu com a proposta de pulverizar ainda mais a música eletrônica na capital. E para isso resgatou a disco music junto de elementos percussivos e tropicais. Mesclando percussão com música eletrônica, house com funk, disco com música brasileira, o som da Boogie se auto-denomina como “batuque-digital”. Explorando até universos dançantes do rock, da new wave e do synthpop, nada dançante é descartado pelos Djs que se apresentam nas festas, que tem o Dj Fibø como residente. Com dois braços, a festa saúda lua e estrelas com a “Boogie Night”, que é precedida de um jantar (“Boogie Dinner”) para poucos convidados com discotecagem mais “soft-soul-jazzy-mellow” para abrir o apetite e esquentar os motores para a noite. Já a “Woogie”, que é a versão Sunset, teve sua estreia no último dia 1º de julho tendo como convidada a dupla paulistana-internacional Selvagem, além de experientes DJs locais, e um almoço regional preparado pelo restaurante Jamburanas. Os locais das festas são inusitados como um barco fluente no Lago Paranoá. // Outro “case” eletrônico que torna Brasília um celeiro na área é o projeto MYMK, do produtor Bruno Sres (contração de Soares), que já tocou nas bandas Pierrot Lunar, Superquadra e Disco Alto e desde 2015 enveredou (e bem) pelo experimentalismo eletrônico, um certo “electrodream” com base em ambientações sonoras construídas por velhos sintetizadores analógicos e delicadas baterias eletrônicas. // Por fim, o famoso e enorme PORÃO DO ROCK, um dos mais longevos festivais da cena indie do Brasil, que já chegou a ter 100 mil pessoas em uma de suas edições (gratuitas) no estacionamento do estádio Mané Garrincha, continua com força, porém é mais um festival que procura atrair grandes nomes do desgastado rock nacional, sem muito interesse mais na cena independente, se ela não vier do metal/hardcore/emo.

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** FIGURAS DA CENA DE BRASILIENSE

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1. Miguel Galvão e Julia Hormann
É o casal que comanda o festival e as festas do selo Picnik, que nos últimos cinco anos conseguiu ajudar muito a tirar a cena brasiliense de um certo “beco sem saída” na música indie. Trouxeram para a luz do dia o cenário musical, ocuparam parques e espaços públicos da cidade que tem belezas arquitetônicas a mostrar e transformaram suas iniciativas num ótimo case de economia criativa, construido ao redor das festas e do festival uma cidade que gira um comércio de comidas, bebidas, arte, moda, teatro, discussões de diversas ordens. Galera participativa essa que ajuda a financiar os eventos. Miguel, economista de formação (Julia é publicitária, como complemento), tem um background de agitador cultural desde as festas eletrônicas (bastante) e shows de rock (pouco) que promoveu no centro acadêmico de sua faculdade. É também criador da Groselha, festa-show que toca junto com Steve Chezz e que se pretende mensal para dar lugar às bandas indies brasileiras que passam pela região e não têm onde tocar. Nessa conta inclui-se o crescente número de grupos locais, também ávidos por eventos e lugares para tocar. A Groselha é uma alternativa para aquilo que a Picnik não consegue absorver com sua periodicidade mais espaçada. Enquanto a Picnik é um junta-tribos indie-eletrônico-pop, a Groselha se dedica exclusiva ao indie e promove também uma mostra de filmes B, da produção local ou da região, para firmar a pegada underground da festa. Miguel e Julia mantiveram ainda, nos últimos cinco anos, uma pousada em Caraíva, onde no Réveillon produziram uma festa já famosa, com DJs de renome. A pousada não é mais deles e a festa está sob estudo para acontecer em mais uma edição na virada deste ano.

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2. Cláudio Bull
Na ativa na cena brasiliense desde o início dos anos 90, Bull é a história viva da cena musical brasiliense de caráter independente e um dos caras mais versáteis da cidade: trabalha com produção de eventos, jornalismo cultural, historiador de arte e é professor universitário. Nos palcos e estúdios, Bull liderou a Divine, banda ícone indie da Brasília da virada do século; hoje, divide-se entre dois outros grupos, o Superquadra e o Da Silva. E é também DJ. Faz o ciclo completo.

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3. Pezão, Barata e Ops (DJs Criolina)
São os DJs há 12 anos da festa que sacode o ânimo brasiliense e se consideram artistas, de forma justa. Se vendem como festa, cervejaria e fábrica de conteúdo. Têm um jeito próprio de discotecar, mixar, passar de uma faixa para a outra. O “jeito Criolina”. São pesquisadores musicais e capazes de mixar Lady Gaga e batidas africanas emendando uma música latina e Raimundos. E fazer indie aplaudir. Estão construindo história ainda no Carnaval de Brasília, se é que soa esquisito juntar “Carnaval” e “Brasília” numa mesma frase. Mas por causa dos criolinos não é mais. Gravam playlists, têm programa de rádio, produzem vídeo, organizam shows. Superstars DJs, here we go.

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4. Caio Dutra
Produtor cultural e um dos fundadores do Coletivo Labirinto, um dos articuladores de um sério movimento que desde o ano passado visa levar cultura ao Setor Comercial Sul, zona nevrálgica da cidade onde convivem misturados trabalhadores e desempregados, ricos e excludentes, agitos de lojas e bares e insegurança propagada por quem está de fora. Está tentando transformar o negativismo da região em arte. Principalmente à noite, com festas e shows, uma espécie de contra-ataque à lei de silêncio que matou a vida cultural noturna em Brasília.

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** PLAYLIST DA CENA

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A Popload agradece muito: Cláudio Bull, Pedro Brandt, Eduardo Palandi e John Stan (responsável por muitas das fotos desta edição do MAPA). Este MAPA DO ROCK – BRASÍLIA presta tributo ainda ao baixista e guitarrista Pedro Souto, do Almirante Shiva e Joe Silhueta, entre outras bandas, que morreu aos 23 anos, em maio. Sua presença na cena, durante a apuraçõo deste especial, ainda era muito sentida.

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* O MAPA DO ROCK é um projeto da Popload em parceria com a GOL Linhas Aéreas Inteligentes.

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Paul McCartney bombou em Brasília. Ele quem disse

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Mister Sir Lord Paul McCartney deu seu rolê musical histórico por Brasília, ontem, tocando músicas de sua bem-sucedida carreira solo, do tal de Beatles que ele integrou. Antes da apresentação na grande arena da capital federal, andou de bicicleta em parque. Tudo certo.
Daí eu fiquei pensando o que mais escrever sobre um cara como ele, que já não tenha sido escrito. No geral, quero dizer desde que os Beatles surgiram, e nas tantas vezes que ele tem vindo ao Brasil nos últimos anos.
Pensei em deixar quieto o assunto Paul, dar umas fotos apenas, aqui na Popload, mas então eu lembrei que em Brasília mora meu amigo Eduardo Palandi.
E, se tem alguém ainda que pode escrever sobre um show desses sem cair na mesmice que a gente vê por aí, na linha “Era 21h10 quando fulano subiu no palco para…”, custe o que isso custar, esse alguém é o Palandi.

Na real, ele usou sim o tão-querido tema do “horário”, mas até ali foi “diferente”:

Enfim, ele escreveu o seguinte sobre Ele:

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“Envelhecer é um troço complicado. Quando fiz 30 anos, parei de escrever sobre música, porque tinha perdido a graça – tanto escrever quanto ouvir música pop. De lá para cá, vou a um show por ano, se muito, e fica por isso. Daí um senhor de 72 anos, que, recentemente, virou arroz-de-festa no Brasil, resolveu dar um show na Asa Norte, e eu comprei o ingresso mais pelo “registro histórico” do que por qualquer outra coisa. Dizer aos meus netos, quando eu tiver 72 anos, que vi um beatle, olha que legal!

Então, adquiri a entrada sem expectativa maior do que ver um cara da maior banda da história tocando. No domingo, enquanto assistia ao futebol, bateu aquela preguiça de me arrumar e ir até o estádio Mané Garrincha, sob chuva. Mas fui.

Chegando lá, a primeira constatação: fã de Beatles é uma merda. Principalmente assim, reunidos em grande número. Como fãs radicais de qualquer outra banda, como ativistas de qualquer causa, como tantas outras pessoas. Não gostam de mais nada. Não têm o mesmo amor por mais nada. Repetem um monte de clichês do naipe “Fab Four”, “Os quatro rapazes de Liverpool”. Na oralidade, parecem estudante de primeiro semestre de faculdade de jornalismo fazendo nariz de cera.

É difícil amar o próximo, especialmente quando ele usa camiseta de banda, e àquela altura eu já me perguntava, sentado em minha cadeira na lateral do estádio, o que estava fazendo ali. Comi um churro, aguentei a tia doidona que dizia “estar no esquenta há três dias” e achei bom que não tivesse uma banda local de abertura. Já pensou ter de suportar, só como exemplo, o Móveis Coloniais de Acaju abrindo para Sir Macca? Felizmente, não foi preciso.

Anoiteceu, e um medo estranho me ocorreu: imagina se o show for uma espécie de baile da saudade com selfies? A profusão de autorretratos era previsível, mas o atraso para começar o espetáculo não. Ao meu lado, repetiam que os shows de 2010 e 2013 começaram pontualmente no horário marcado, coisa que eu adoraria: sou velho e preciso dormir cedo. Mas, em Brasília, as coisas começaram com mais de uma hora de atraso – e um filminho, exibido nos telões laterais, sobre a vida de Paul McCartney. Como que a dizer “Olhem a vida que ele teve: respeitem o cara”.

Mas o filme não fala às 46 mil pessoas presentes no estádio como as canções de Sir Macca falam. De blazer vermelho e calça skinny, ele entra e manda “Magical mystery tour” logo de cara. Os efeitos especiais aparecem, sem querer ofuscar as estrelas da noite: o músico, a melodia, o repertório, a banda. Na terceira canção, “All my loving”, o ingresso já está pago. Não é das minhas músicas preferidas dos Beatles, mas, é covardia, para dizer o mínimo, o que fazem com ela ao vivo. Uma pena que nem todos tratem sua obra com o mesmo carinho (estou falando contigo, senhor Bob Dylan).

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Daí, você se sente jovem e esquece de tudo: dos fãs chatos, dos seus problemas, da vida lá fora. Mais do que isso, constata que o filminho chato tinha razão: Paul McCartney teve (e tem) uma vida fantástica. Arrisca umas falas em português, se diverte ao executar cada música, arrebenta em “The long and winding road”, na dobradinha “And I love her” e “Blackbird”. Mesmo as mais novas, como “Here today” e “New”, ganham arranjos espetaculares. E o baile da saudade é tudo menos um baile da saudade: tem a delicadeza de “Eleanor Rigby”, a homenagem a George Harrison em “Something”, a deliciosa “Band on the run”. Pérola atrás de pérola. Paul ainda conversa, entre uma e outra, e sente-se completamente à vontade por ali.

“Aqui tá bombando!”, exclama o dono da festa, em seu português de gringo no Carnaval. Bomba, mesmo, é o que vem depois: a sequência de “Back in the USSR”, “Let it be” e “Live and let die”, o ápice dos efeitos especiais: explosões, fogos de artifício, luzes e mais luzes. Ainda sob os aplausos do público ao final desse tema de James Bond, Paul McCartney senta-se ao piano e começa “Hey Jude”. Se para o público não teve descanso até aquele momento, para Paul e sua competente banda, contudo, teve: depois de mais esse clássico, saem do palco. Um bis com “Day tripper” e “Get back”, outro bis com “Yesterday” e “Helter skelter”. É demais para o coração deste velho que cá escreve.

Durante minha vida, estive em alguns shows legais. Que me desculpem Wilco, Radiohead, REM e tantos outros: um senhor de 72 anos fez a melhor de todas as apresentações que já vi. Minhas filhas ainda nem foram concebidas, mas meus netos já têm uma história bonita para ouvir do vovô. Se você puder, vá ver Paul McCartney amanhã em São Paulo, mesmo que existam mais de cem bandas novas que te interessem mais. Depois disso, podemos conversar sobre o show na aula de hidroginástica ou durante uma partida de buraco…

P.S.: não citei, no texto, a melhor música do show, diretamente do “Sargent Pepper’s…”. Adivinha?”

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** As fotos deste post e da home da Popload são do fera Marcos Hermes.

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O novo rock de Brasília, parte 1 – O "internacional" SEXY FI, que se apresenta hoje em SP

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Seráááá só imaginação?

No setor de música de Brasília, tem várias bandas locais que constituem uma cena já chamada por lá de “ressurgimento do rock de Brasília”, que têm tocado em festivais no setor de festivais e em clubes no setor dos clubes da capital federal. Num olhar mais indie e misturado de eletrônico e hip hop, a coisa é bem boa mesmo, pelo pouco que eu conheço de lá. Veja por exemplo a Sexy Fi, banda que toca AGORA À NOITE em São Paulo, às 21h, no projeto Prata da Casa, no Sesc Pompeia.

O Sexy Fi (pronuncia-se “fi” mesmo) surgiu em 2011 e em menos de dois anos já trilhou um certo caminho louvável na indie music… mundial. Para começar, gravaram um disco em Chicago, produzido por ninguém menos que John McEntire, ex-líder do venerado Tortoise mesmo sendo o baterista. Dá para imaginar a vibe do som da banda de Brasília, não?

O álbum do Sexy Fi, banda que veio das cinzas da conhecida banda candanga Nancy, que chegou a tocar no South by Southwest (Texas), foi lançado em fevereiro e foi reverberado no “Guardian” inglês, na revista “Time”, na BBC, no conglomerado de rádios boas americanas NPR e na MTV dos EUA. O disco, “Nunca Te Vi de Boa”, resgatou em fevereiro, quando saiu, uma velha tradição brasiliense conhecida como “festinha em casa de neguinho” – basicamente, uma festa onde você não necessariamente conhece os anfitriões e onde para entrar geralmente basta levar bebida. Segundo eu soube, a festa de lançamento juntou quase 1000 pessoas, boa parte delas eram gatas e uma acabou na piscina.

Dá para ouvir o disco do Sexy Fi aqui.

Em abril e maio passados, o Sexy Fi fez uma coleta, por crowdfunding, para bancar o vídeo da música de abertura do disco, “Pequeno Dicionário das Ruas”, e conseguiu levantar quase R$ 20 mil.

O vídeo está aqui embaixo, a banda está aqui em São Paulo para show hoje e a gente vai falar mais sobre essa cena nova de Brasília, durante a semana, aqui na Popload.

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Enquanto isso, em Brasília… Little Quail e Galinha Preta

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* O fuzuê foi ontem. Mas não foi no festival da Cultura Inglesa. Não foi em São Paulo, mas sim em Brasília. No mesmo horário em que os paulistanos agitavam e eram agitados no show do Franz Ferdinand no Parque, o povo de Brasília se dividia em dois grandes eventos no início da noite de ontem: noventa por cento da cidade tentava entrar no CCBB para ver e ouvir o rapper Criolo, com filas de carros se estendendo por dois quilômetros a partir do centro cultural, e dez por cento se aventurando no Eixo Monumental, onde o Little Quail, banda do undeground brasiliense da década de 90, fazia a sua “Primeira Reunião Anual”. A Popload mandou o emissário brasiliense Eduardo Palandi no segundo evento. A foto lá em cima traz o Gabriel Autoramas na sua versão Little Quail e de lá embaixo tem o Frango Kaos, do Galinha Preta. As imagens são de Bruno Bernardes.

Diz o Palandi:
“Só essa história de ‘reunião anual’ já seria inóspita o bastante, mas uma das cinco bandas que abriu pros caras fez um grande show. Do lado de fora do Museu Nacional, o Galinha Preta, grupo de hardcore da Ceilândia (cidade-satélite mais barra pesada de Brasília) tocou o terror, desafiando o som ruim e a galera de preto que não quis saber do Criolo.

Capitaneado pelo vocalista Frango (!!!), o Galinha Preta não tinha nada em seu repertório que levasse mais de um minuto e meio para ser tocado, e os nomes das músicas já são metade de suas letras: ‘Saco Plástico (É a Nova Bomba Nuclear)’, ‘Roubaram Meu Rim’, ‘Vai Trabalhar, Vagabundo’, ‘Devo e Não Nego’. Foi um show das antigas: roda de pogo, moicanos dando cascudos em desavisados, briga entre duas punkettes, todo mundo de preto. Não teve para mais ninguém, apesar do DFC ter mandado bem (e emocionado com “Molecada 666″ no bis) e da irreverência do Little Quail ter feito todo mundo ir dormir satisfeito.”

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